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História My Addiction - Isulio - Capítulo 65


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Capítulo 65 - Despertar


Por Isabela:

Foi uma tortura ficar horas esperando por notícias de Julio. A cada vez que alguém surgia naquela sala de espera meu coração se agitava e não saber o que estava acontecendo era a pior coisa. Com toda aquela loucura e sem querer me ausentar dali nem por um segundo, ainda não tinha tido notícias de minha mãe. Sabia que meu pai havia sido preso e que Michael estava sendo atendido em outro hospital e que logo lhe faria companhia. Gabi estava a caminho e eu esperava saber de mais alguma coisa através dela.

- Você precisa trocar de roupa. - Giulia falou acariciando meus cabelos. Estávamos todos sentados nesse momento. O tio de Julio havia ido buscar a avó dele. Tentaram de todas as maneiras convencê-la a ficar em casa, mas de nada adiantou.

- Não quero. - parecia macabro está ainda com aquelas roupas, mas por mais que parecesse estranho, não tinha coragem de me desfazer das roupas em que seu sangue estava presente.

- O Julio irá nos matar quando souber disso. - Santi falou.

- Eu só não consigo. - o choro veio novamente. - É como se eu estivesse tirando ele de mim.

- A melhor parte dele está aqui. - Giulia colocou a mão em minha barriga que nem de longe indicava que carregava uma vida. - É nesse pedacinho dele que cresce dentro de você que tem que se apegar. Vamos. Tenho certeza que se sentirá melhor depois que tomar um banho. Papai reservou quarto aqui para nós. Ele sabe o quanto essa família é turrona e que não sairemos daqui enquanto Julio não estiver bem. - ela tinha razão, mas isso só iria acontecer quando eu soubesse notícias dele.

- Depois que o médico vier aqui eu prometo que vou. - ela sorriu

- Tudo bem. Tinha que ser alguém mais teimosa que ele para domar aquele coração. - o que ela não sabia era que o meu coração tinha sido domado primeiro. Na verdade era mais para uma cura.

- Sua mãe chegou - Santi chamou nossa atenção e então eu vi minha mãe se aproximando. Ela parecia ter passado por uma tempestade. Seu olhar estava devastado e vi vergonha em suas feições. Fui ao seu encontro e a abracei. Choramos em silêncio abraçadas.

- Acabou, mãe! - sussurrei para que somente ela escutasse. - Ele não nos destruiu.

- Mas foi por pouco. - sussurrou de volta.

- Desculpa interromper. -  Sergio falou ao nosso lado. - Dona Estela, sou o pai do Julio e queria que a senhora soubesse que aqui estamos em família.

- Obrigada! - agradeceu sincera.

- A senhora irá para nossa casa junto com Isabela.

- Eles estavam revirando cada centímetro da casa quando sai. O senhor Paulo me trouxe para cá. Eu realmente não sabia para onde ir.

- Veio para a sua família. E isso que somos, uma família e como família iremos nos apoiar e seguir em frente.

- E meu netinho? - perguntou me olhando com ternura - Tudo bem, né filha?

- Quando a senhora descobriu? - guardei esse segredo até de mim.

- Assim que pus os olhos em você. Agora pode não acreditar, mas tem um certo brilho nos olhos que só quem está gerando uma vida tem.

- Ela foi examinada e está tudo bem.

- Graças a Deus! - respirou aliviada.

- O médico! - Santi falou e todos nós ficamos em alerta. A expressão do doutor Gustavo era indecifrável e isso me angustiou.

- Como está meu filho? - Mirela foi a primeira a se pronunciar.

- A operação foi um sucesso. Felizmente nenhum órgão vital foi atingido. Houve muita perda de sangue, mas conseguimos estabilizá-lo antes da cirurgia. Nesse momento ele está sendo transferido para a UTI onde ficar em observação.

- UTI? - se a cirurgia tinha sido um sucesso como ele falou, então pra que levá-lo para a UTI?

- Sei que esse nome assusta. - falou calmo. - Mas é um procedimento normal em casos de cirurgias. Lá o paciente tem um melhor monitoramento. É necessário pelo menos nas primeiras 48 horas.

- Podemos vê-lo? - a voz Sergio hesitou por um momento e foi então que percebi as lágrimas em seu rosto.

- Não costumamos permitir, mas o diretor do hospital pediu em especial que liberasse pelo menos para os pais e a noiva.

- Obrigado, doutor... Isabela? - olhei Sergio novamente já chorando. - Peço que procure não se emocionar demais. Pense nesse bebê. Não fará bem para ele que a mãe esteja tão agitada assim. Promete?

- Prometo! - respirei fundo. Ele tinha razão e eu sabia.

- Ela irá primeiro. - o médico concordou e me guiou até o meu amor.

O local era frio. Tudo cercado de sons estranhos e o cheiro forte fez meu estômago embrulhar. Paramos de frente para um vidro que tinha sua visão tapada por uma persiana. Doutor Gustavo pediu que eu esperasse e bateu na porta ao lado, tendo em seguida sua entrada liberada. Foi quando as persiana foram suspensas e eu o vi. Ele parecia dormir um sono profundo. Seu ombro abrigava um curativo e ao seu corpo fios estavam conectados. Mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas, vi um monitor ao seu lado, um pequeno coração que piscava e foi como se aquela imagem de cor escura ensinasse ao meu coração como bater. Ditasse o ritmo a ser seguido. Procurei forças naquela imagem para não quebrar a promessa que havia feito ao pai dele. Não iria desmoronar ali. Iria somente agradecer a Deus pela vida do meu amor e foi o que fiz em prece silenciosa, com os olhos fixos no homem da minha vida que acabava de ter uma nova chance de viver.

(Dias depois...)

Julio saiu hoje da UTI e veio para o quarto ainda dormindo. Olhei para meu lindo cretino, passei a mão por seus cabelos e beijei seu rosto que agora estava com barba por fazer. Fiquei todo tempo ao seu lado esperando que acordasse. O médico nos informou que ele demoraria para despertar. Conversei acariciando meu lindo. Santi estava comigo, ou melhor, estava paquerando os enfermeiros.

- Preciso sofrer uma queda e ficar internado aqui urgente!

- Acredito que você não tenha salvação, Santi.

- Os enfermeiros aqui foram escolhidas a dedo. Me empurra da escada, Isabela?

- Quando sair daqui irei realizar seu desejo pervertido. - disse com sua voz rouca.

- Julio! - sorri e recebi meu sorriso torto favorito.

- Oi, amor.

- Eu tive tanto medo... - não me segurei e chorei.

- Não chore, amor.

- Eu não posso viver sem você! - com cuidado selei nossos lábios.

- E nem vai. Foi você e por você que eu não desisti. Mesmo com algumas coisas confusas na minha mente, eu sabia que tinha que lutar. O que aconteceu com aquele bandido? - se referiu a Michael.

- Está preso. - Santi falou dando de ombros.

- E o seu...

- Também. - pelo que Paulo havia nos dito, estava em prisão preventiva.

- Amor, eu tive um sonho meio louco. - aposto que sei que sonho louco era esse.

- Não foi sonho, Julio. - falei e seus olhos se encheram de lágrimas.

- Com... Como...

- Acho melhor chamar o médico. A Bela Adormecida esqueceu até como se faz filho. - Santi falou saindo e eu não contive a risada.

- Eu descobri no dia em que voltei para a casa dos meus pais. - nesse instante temi que ele ficasse magoado por eu ter feito segredo. - Mas estava acontecendo tantas coisas... Me perdoa...

- Ei! - pegou em minha mão e ouvi um pequeno gemido de dor acompanhado de uma careta.

- Não se esforce. - me agitei. - Cadê o Santi com esse médico?

- Não preciso de médico. - fez cara feia igual a menino birrento. - Só preciso de você.

- Teimar não vai te ajudar.

- Eu sabia que não podia morrer. Caralho! Eu sou o filha da puta mais sortudo do mundo!

- Acho que Santi exagerou quando disse que você não parecia bem. - doutor Gustavo falou e só então nos demos conta de sua presença.

- No dia que ele não exagerar, aí o senhor se preocupa.

- Como se sente? - falou já se aproximando para examiná-lo.

- Além de feliz? - me olhou.

- Sim. - sorriu.

- O ombro incomoda um pouco.

- Será por pouco tempo. Sua cicatrização é maravilhosa. Sente dores no abdômen?

- No momento não.

- Irei solicitar uns exames avaliativos, mas sua recuperação está sendo bem satisfatória.

- Quando poderei ir embora?

- Mais alguns dias e darei sua alta. - anotava algo.

- Me sinto bem. Não vejo necessidade de ficar aqui. - homem teimoso!

- Paciência...

- Escuta o médico, amor. - pedi.

- Tá bem... - fez bico. Meu cretino era cheio de manha.

Não demorou para aquele quarto ficar cheio. As visitas não paravam de chegar e foi preciso estabelecer uma ordem para que Julio não fizesse tanto esforço. Minha mãe veio acompanhada dos pais de Julio. Desde o ocorrido eles tinham nos acolhido e está entre pessoas boas e amorosas fizeram muito bem para ela. Sei que a cada dia ela tinha sua batalha para enfrentar, mas era forte e isso ficou provado quando decidiu fazer o que era certo. Não sei o que o futuro havia reservado para nós, mas sabia que o que quer que fosse, estaríamos juntas para viver o que tivesse que ser.

My Addiction.



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