História My Angel - Capítulo 28


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Comedia, Drama, Markjin, Mpreg
Visualizações 211
Palavras 5.442
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoas! Como estão?
Eu estou bem ^^

E... então. Eu sei que demorei bastante, mas trago aqui uma pate da história. "Mas Omma, como assim?". Então meus bebês, estarei dividindo o penúltimo capítulo em duas partes. Nesta, narrada pelo JaeJoong. E na outra, já será contado o resto da história, mas, com lembranças vagas. Espero que gostem que seja dessa forma, pois pensei que tudo de uma vez ficará tedioso demais.
Enfim, nos vemos nas notas finais!

Enjoy! ~

Capítulo 28 - Past


Capítulo 28

Past

 

Seu corpo estava pesado feito toneladas, e sua visão turva não lhe ajudava em nada. Mesmo assim, YoungJae conseguira rapidamente identificar onde estava, devido ao forte cheiro presente. Era um cheiro único, que afetava suas narinas irritavelmente e que lhe marcava a cabeça, além de que se lembra muito bem pela última vez que esteve ali presente, quando desmaiara sobre os braços do marido. Estava no hospital, novamente. Sentia-se grogue e completamente estranho, como se tivesse dormido por dias seguidos, era agoniante. Tentou sem pressa, levantar-se e sentar-se na cama, mas acabou em uma tentativa totalmente falha, acarretado por uma forte dor de cabeça. Suas memórias estavam completamente bagunçadas, não conseguia ligar se quer um ponto, o que piorava as coisas. Levantou as pálpebras vagarosamente devido aos pesos sobre elas, as fechando rapidamente após ter um encontro com a luminosidade nada amigável, aquilo fazia com que sentisse ainda mais dor de cabeça. Acabou soltando um longo suspiro ao então desistir de lutar contra a própria dificuldade. Qual é, já não era fácil se levantar com o peso de um filho sobre o ventre, imagine então se sentisse como se tivesse ganhando mais dois quilos sobre as costas? Era ainda mais um sacrifício, e claro, para YoungJae nada era impossível de se conseguir, se também não fosse um sedentário a beira do desespero. Depois de se acostumar mais com o ambiente, tentou novamente se colocar em "pé", e por sorte, dessa vez conseguiu; mas com a ajuda de alguém que se quer teve tempo de identificar, não estava ligando para isso. 

Colocando os braços para trás em uma fonte de apoio, YoungJae correu os olhos a sua volta, vendo então uma poltrona ao lado da cabeceira de sua cama, ocupada justamente por ele, seu marido, Im JaeBum. O moreno estava dormindo tranquilamente, deitado da forma que conseguia na poltrona. Sua cabeça tombava para o lado, de modo que, conseguisse achar a posição mais confortável possível. Seu corpo parecia todo desengonçado deitado daquela maneira, como se tivesse se jogado de uma forma qualquer e acabou pegando no sono mesmo assim. Seus braços cruzados estavam apoiados a frente de seu peitoral, cobertos pela mesma roupa que havia usado no casamento, parecia não ter passado muitas horas. Aparentava estar em um sono leve, soltando longos suspiros seguidos, devia estar cansado. Seus cabelos marrons cobriam boa parte de sua testa, e os olhos pequeninos pareciam vagar em um sono só dele, único. JaeBum conseguia ser lindo de qualquer forma, era inacreditável. E apesar de sua situação não ser nada boa, não iria negar que ver aquela cena era como um paraíso, JaeBum era o seu paraíso, só seu.

O Choi não pode evitar de dar um breve sorrisinho antes de rolar os olhos pelo ambiente novamente, perambulando cada cantinho. O quarto estava quase que vazio, com uma áurea calma e ao mesmo tempo melancólica. Pousou os olhos na janela logo ao lado de onde se encontrava sua cama; tudo a fora estava escuro, percebendo que já era noite. Estava um clima frio e uma densa neblina tomava conta do vidro, o cobrindo ao completo. Como uma camada branca que escorria de segundo a segundo. Não tinha chovido, mas o céu tomado por negras nuvens mostrava que logo as gotas fortes tomariam Seul em uma pequena tempestade. YoungJae se encolheu ao sentir um leve arrepio. Ainda estava confuso, suas lembranças estavam vagas e voltam aos poucos. Tinha as memórias de seu casamento — no qual não evitou de sorrir ao lembrar—, assim como do próprio desmaio. Sabia exatamente o porque de estar ali, pois o problema tinha nome e sobrenome, Choi JaeJoong. E não que isso o atormentasse, mas fazia com que seu estômago revirasse de ansiedade.

Seus olhos fecharam por segundos, abrindo a boca para soltar um leve suspiro, como se tivesse tirado muitos problemas de suas costas. Tentava colocar sua mente no lugar, mas ela parecia ter dificuldade de tão bagunçada, era horrível. Isso porque, ainda estava levando minutos para processar qualquer coisa, basicamente, ainda mais lerdo do que o normal. Seu ato por incrível que pareça, durara apenas segundos, apesar de que em seus olhos passara como minutos. Bem devagar. Realmente o fundo do poço no qual tinha chegado. Eram tantas coisas, tantas complicações que por segundos desejou ser qualquer pessoa, menos ele mesmo. Se bem que ainda tinha seu marido, e era isso que fazia-o voltar atrás em sua própria palavra, mesmo que fosse caso de vida ou morte, nunca deixaria a quem ama. Era um fato que qualquer pessoa sabia. YoungJae coçou os olhinhos pesados.

— Acordou, YoungJae?

Falou uma voz calma e suave, fazendo com que por instinto, o menor se virasse para ver de quem se tratava. Era uma voz que claramente conhecia, e não se esqueceria tão facilmente. Ao então direcionar seu olhar, notou aquela mesma cabeleira de tonalidade estranha, mas bonita. O Jaleco bem limpo e impecável, caindo ao lado direito do peito, um crachá óbvio, Park Seo Joon.

— Hyung... — o garoto dono dos cabelos alaranjados sorriu de forma larga após sussurrar fraco a pronuncia. 

— É bom lhe ver novamente, YoungJae. — sorriu, sendo retribuído logo em seguida — Como se sente? — perguntou ao colocar o aparelho de pressão no braço do menor. 

— Me sinto zonzo, parece que estou em uma "xícara maluca". — pousou a mão na testa como se fosse aliviar algo, fazendo um pequeno bico — Mas... como está meu filho? — disse com a voz meio embargada.

— Não se preocupe, tanto você quanto ele estão bem. — tirou o aparelho — Só precisam de repouso.

Jae sentiu um grande alivio lhe percorrer, abaixando a cabeça como se estivesse agradecendo.

— E quanto a ele? — apontou para o Im.

— Bem... — arqueou a sobrancelha — ele vai ter uma dorzinha nas costas depois, com certeza. Mas nada que uma pomada não ajude. — riu baixo.

— Obrigado. — sorriu.

YoungJae virou sua cabeça em direção ao marido, observando cada tracinho do rosto angelical que possuía. Realmente, ambos eram homens de sorte. Em um pequeno impulso, o dono dos cabelos alaranjados se levantou da cama, rumando devagar até onde seu marido se encontrava deitado. Deu uma risada baixa, pois JaeBum estava babando, era cômico e estranho ao mesmo tempo. Umedeceu os lábios secos e levou uma de suas mãos até as pontas duplas do cabelo do moreno, separou-as em uma forma que metade de sua testa aparecesse, então deixou ali uma marquinha de amor, um beijo leve e delicado; repleto de carinho. Depois sem demora, desceu o rosto e foi em direção a boca do marido, dando-lhe um selinho demorado. O gosto de seus lábios era único, pode sentir uma pitada do suco de laranja que haviam tomado na festa, como o gosto de bolo no qual haviam comido, JaeBum estava com tanta pressa que se quer deu tempo de tomar um banho, mas também, quem faria isso na hora do desespero?

O mais velho tinha um semblante tomado pelo cansaço, isso fez com que uma parte do coração do Jae se apertasse por saber que por um lado, a culpa era sua. Haviam acontecido tantas coisas, se quer tinham um tempo de descanso para os piores ocorridos. E além disso, JaeBum tinha que cuidar de uma grande empresa, claramente não era fácil para si, sabia disso, tornando o sentimento de culpa ainda maior. Não era por sua vontade, mas sempre acabava jogando uma bomba na cabeça do próprio amado; e todas essas vezes, o Im se mostrava um homem forte por fora, mas fraco por dentro. Ter pensado na possibilidade de perder YoungJae não foi fácil, mas se manteve firme. JaeBum era como uma corda ao ponto de se desfazer em pedaços. Tinha muitos problemas nas costas, e por mais que eles passassem, sempre haviam outros a sua espera. A única coisa que o fazia se manter de pé, era pensar que tinha alguém com quem pudesse contar o tempo todo, porque convenhamos, não é fácil ter que lidar com tantas cicatrizes e ainda esconder por trás de uma máscara a verdade. Era horrível. 

Pensando assim, o Jae abaixou o olhar, mordendo o lábio inferior. Havia decidido que dessa vez, tomaria conta de tudo sozinho. Não deixaria que JaeBum soubesse dessa história até ter comprovação de que tudo é real, pois sabia que Im daria um jeito de ser o "herói" em toda aquela história. Além do mais, aquilo era pessoal seu, era uma coisa sua. Tinha basicamente toda sua vida envolvida naquilo, não deixaria que tudo passasse em branco. Porém o mais difícil era fazer isso se tornar real, mesmo que tentasse pensar em algo, era difícil fazer aquilo sair do papel. Se voltasse a encontrar JaeJoong, sabia que poderia ser a última vez, e se fosse, descobriria tudo sobre sua mentirosa vida. O passado não mudaria o agora, mas o presente poderia mudar o futuro. Tinha que seguir sua convicção e instinto. Só precisava descobrir como.

Acariciando os cabelos meio bagunçados do marido, apoiando o corpo na parede, Jae olhou para o Park, que mantinha os olhos vidrados na prancheta que segurava.

— Hyung... você poderia me fazer um favor? — sua voz soou baixa e apreensiva.

Tirando os olhos de cor meio caramelo do objeto que tinha em mãos, o maior voltou sua atenção para o outro, franzindo o cenho logo em seguida.

— Depende, se estiver ao meu alcance.... — espremeu os olhos pela curiosidade.

YoungJae suspirou pesadamente, tomando coragem ao perguntar. 

— Choi JaeJoong... ele está internado aqui, certo? Sabe qual seu quarto? — olhou-o como se fosse sua última esperança. 

— Hum? Sim... ele está internado aqui. Mas não posso lhe dar essa informação sem antes saber o por que de você estar a sua procura, e qual a relação que vocês mantém.

— Senhor Park, não sou nenhum assassino — revirou os olhos — Mas bem, eu preciso conversar com ele, é muito importante, mesmo — engoliu com dificuldade, então tomou seu ânimo e coragem ao enfim terminar — ... ele é meu irmão. 

— Irmão...? — olhou-o desconfiado — Tudo bem, YoungJae. Mas não faça nenhuma besteira, está ouvindo? — o mais novo assentiu — Seu quarto é o sexto, a direita, no quarto andar.

— Obrigado Hyung! — correu e o abraçou, quase que derrubando o maior — E por favor... se meu marido acordar... não deixe que ele vá atrás de mim. Ele não sabe sobre JaeJoong. Eu só lhe peço isso, por favor. 

Seus olhos estavam implorando ao maior, que não soube como negar a aquela cara de cachorro abandonado. O Park desviou o olhar por segundos, então respondeu:

— Tudo bem, YoungJae. Irei mante-lo aqui, mas não lhe prometo nada que irei conseguir. Sabe que se ele acordar, não há como segura-lo, se não eu também acabo indo parar na rua. Seja rápido. 

— Certo! — o menor andou com cuidado. Se despediu do marido com outro beijo, voltando para dar um tchau e agradecer a ajuda do médico. 

E com um sorriso, o Choi desapareceu pelos corredores do hospital.

 

 

Seus pés o guiavam sem rapidez. Jae andava pelos corredores de tonalidade branca a procura do quarto certo, tomado pela curiosidade. Por instinto, seus olhos pousavam sobre cada número das portas, até que então avistara uma. Número seis. A porta estava fechada. O pequeno sentiu o suor escorrer por sua testa, estava por um lado, com medo. Mas por outro, sabia que nada lhe poderia ser feito. Fechou os olhos por um tempo, organizando a mente e o próprio coração que não parava de bater rápido; até mesmo seu bebê estava inquieto. 

— Calma, YoungJae. Vai dar tudo certo. — disse para si mesmo, tentando ter confiança.

Sem pressa, seus dedos entraram em contato com a maçaneta gelada, fazendo seu corpo se arrepiar. A abriu com todo cuidado, entrando bem devagarinho no quarto onde estava o outro. Fora então que avistou aquele rosto único, ele estava acordado, com os olhos meio fechados, talvez pela dor. Seu rosto era coberto por uma pequeno aparelho por qual respirava; metade de sua cabeça estava enfaixada, assim como os braços, devia ter tido muitas queimaduras. 

Por um momento, o menor sentiu tanta dó que teve vontade de chorar por vê-lo assim. 

Se aproximou com cuidado, tentando não fazer muito barulho, mas foi em vão. Ele já havia percebido sua presença mesmo que de longe. O outro sussurrou com dificuldade, estava com a voz tão debilitada.

— Eu sabia que viria, Jae. 

Choi se assustou quando ouvira, mas não deixou de responder. 

— Você... está bem? — foi a única coisa que soube perguntar.

— Não estou cem por cento, né? Mas estou bem. — deu um risinho.

— Entendo... — se encolheu por instinto após tudo se tornar um grande silêncio.

— Não precisa ter medo de mim, YoungJae, não lhe farei mal. — o mais velho pronunciou — Se aproxime...

— Me desculpe... — caminhou até a cama com cuidado — Só estou... preocupado.

— Está tudo bem, não precisa se desculpar — sorriu — Mas... o que está fazendo aqui? Duvido muito que seja apenas por mim...

Choi riu.

— Eu desmaiei após descobrir o quê aconteceu com você, e fui trazido para cá. Mas na verdade, eu viria apenas por você sim. 

— Hum... bom saber... mas vocês estão bem? — o menor assentiu.

O silêncio novamente se fez presente.

— JaeJoong... você sabe porque eu vim aqui... — seus olhos marejaram — por favor...

— É, eu sei... — suspirou — Confesso que não sei por onde começar, é tanta coisa. 

— Comece pelo começo? — tombou a cabeça para o lado.

— Bobo, foi modo de dizer — sorriu fraco — Chegue mais perto, não conseguirá escutar assim.

Sua voz saiu triste, tocando o interior do agora Im. JaeJoong estava tão fraco, era uma cena horrível de ser vista. Seus olhos estavam fechados, mas ele sabia que YoungJae estava próximo a si, sorrindo internamente. O mais velho, com certa dificuldade, encostou sua mão na do menor que estava perto da sua, fazendo carinho nela. Jae deixou-se levar e ficou olhando, esperando ouvir tudo o que tanto ansiava dos últimos meses.

— Bem... — começou — Os nossos pais eram pessoas muito felizes. Eles se amavam de forma incondicional, que nenhum mal poderia quebrar ou se apossar daquilo, e que apesar das dificuldades financeiras que passavam, eles nunca deixaram que isso os corrompesse, foram justos até o final. Um com o outro. — sorriu — Era difícil vê-los parado, sempre estavam pulando de trabalho em trabalho, sem um emprego fixo; por isso nunca foram os melhores pais na arte da atenção, mas davam o seu melhor. Gostavam de me mimar com coisas pequenas, e sempre me mostraram o valor da vida, para que eu aprendessem aquilo... e mesmo assim, até hoje eu não consigo compreende-los ao completo, sendo sincero. — YoungJae permitiu-se rir baixo junto ao irmão — Eu só sabia seguir o que eles me mandavam fazer, e nunca fui uma criança que os desobedecia, bom, pelo menos, por enquanto. Devido a tudo que ocorria, eu era carente, e fazia de tudo para receber a atenção deles, mas não conseguia... ao contrário de você. — o menor arqueou a sobrancelha. JaeJoong continou — Você veio ao mundo alguns anos depois que eu, basicamente, veio para "estragar minha vida", como eu pensava naquela época.

— Como assim? — fez careta. 

— Ah Jae, eu era uma criança que não sabia de nada. Você sempre conseguia tudo, a atenção dos nossos pais, os presentes que queria... tudo. Eu lhe via como um vilão em minha vida, que veio para roubar tudo de mim. Apesar de não me lembrar direito o por que disso, algumas memórias ainda são vagas. Só conseguia raciocinar que você era "do mau", e que uma hora tiraria os nossos pais de mim, e os teria somente para você. — suspirou — Eu tinha ciúmes... não... eu tinha inveja de você. — falou pausadamente.

— Inveja? — olhou-o confuso.

— Exato. Antes de você chegar, eu meio que viva no paraíso. Tinha exatamente tudo o que eu queria, e era o único sobre o campo de visão de nossos pais. Todo os presentes da família era direcionado para mim, e eu não tinha com o que me preocupar. Mas depois que você chegou, tudo veio a desmoronar... — abaixou o olhar — Eu cresci, e as coisas mudaram. Tudo estava diferente e não consegui lidar com aquilo. Enquanto eu tinha que ajudar nossos pais, você ficava brincando no jardim todo acabado, me perguntei, por quê? Por que somente você poderia fazer aquilo? Por que eu não podia também brincar sem se preocupar com a vida? Era uma injustiça. Não aguentava isso. E além de "perder tudo", eu me vi em uma situação horrível, na verdade, a nossa família se viu em uma situação horrível. — deu uma pequena pausa — As dificuldades vieram a aumentar e nós começamos a passar fome. Havia dias que mal tínhamos o que comer, se quer fazíamos três refeições. Nosso café, almoço e janta era apenas bolachas e água. Não tínhamos mais nada por conta da guerra que começou a se instalar aqui. Estávamos literalmente no fundo do poço.

Uma enorme vontade de chorar explodiu no peito de YoungJae. Todavia, não pensara que um dia teria passado por uma situação tão dolorosa. Se é que aquilo era verdade. Mas afinal, por quê ele mentiria? Tinha que afastar aquilo de sua cabeça o mais rápido possível, precisava se concentrar nas palavras de JaeJoong, por mais que elas fossem tão dolorosas feito tiros. Levantando o olhar no qual não havia percebido ter baixado, YoungJae focou as duas mãos juntas, enquanto o outro Choi contava calmamente o passado, o conduzindo a uma história completamente desconhecida. 

E eu culpei você... — YoungJae arregalou os olhos — Me desculpe por pensar assim. Desde que você chegou as coisas foram de mal a pior, e por instinto, calculei que tudo era por sua culpa. Nossos pais gastavam a mais por seus caprichos, e por esse motivo, eu comecei a lhe odiar ainda mais. — sua voz estava chorosa, repleta de arrependimento — Eu odiava meu próprio irmão por nunca conseguir ser como ele. Ser amável, calmo, uma criança repleta de luz, que nunca deu trabalho, mas ao contrário, dava amor e ajudava por mais que sua idade o impedisse de trabalhos duros. Eu nunca fui essa criança que meus pais mereciam ter como filho. Eu era um encosto. 

O mais novo o interrompeu.

— Não fale assim, você não é um encosto. Quer dizer, você não era um encosto. 

JaeJoong sorriu fraco antes de falar.

Mas era o quê eu pensava. Ainda mais quando acabamos parando na rua. Quando se quer tínhamos onde ficar, onde se hospedar ou onde dormir, eu continuava cego com uma dor no peito por ver meus pais se segurando para não chorar na nossa frente. Eu queria tanto ajuda-los, mas era inútil, e aquela situação seguiu por mais uma semana. Por sorte, ou não, nós encontramos alguém que fizera caridade e nos ajudou querendo algo em troca. — o mais velho parecia voltar no tempo — Ainda me lembro, por mais que eu fosse bem novo. Quando um homem, de terno preto e cabelos bem arrumados, com um forte perfume masculino atravessou o nosso caminho. Por uma ironia do destino. Ele era diferente, tinha um ar de superioridade, mas seu rosto transmitia uma paz tão grande que era impossível acreditar que ele fazia parte de uma classe social tão alta. Sua voz calma chegou aos nosso ouvidos, e as palavras de nossa mãe implorando para que ele ajudasse tocou seu coração. O pai de Im nos ajudou quando mais precisamos, ele nos acolheu em sua própria casa, querendo em troca o nosso serviço. Mesmo assim, era impossível negar uma proposta como aquela na nossa situação. Assim, começamos a morar juntamente com Im JaeBum.

Jae ficou mudo, completamente sem palavras. Não sabia o que dizer, pois aquilo era uma completa loucura. Desde pequeno sempre fora ligado ao seu amor? Era impossível. Não podia ser, não tinha como ter qualquer relação com JaeBum antes de ser vendido. Não. YoungJae queria gritar que ele estava enlouquecendo, mas não conseguia. Algo lhe prendia, algo prendia sua boca e se quer conseguia piscar direito. Era muita coisa de vez só. Maldita opção que havia escolhido seguir.

Vendo o estado do irmão, JaeJoong suspirou levemente, soltando um baixo risinho, apertando fraco a mão do outro.

— Eu sei que está pensando que sou louco, não tiro sua razão, além do mais, não é comum receber essa noticia de uma hora para outra, certo? — fechou os olhos — Nos nós instalamos na mansão dos Im, tratando de sermos os melhores empregados, da forma que podíamos... e assim o tempo ia se passando, e nós íamos crescendo ao decorrer dos dias. Já estávamos totalmente familiarizados com essa nova rotina, mesmo que fosse um pouco ruim de admitir. — riu baixo — Enquanto isto, você estava cada vez mais apegado a ele.

— Em? — franziu o cenho — Está falando que eu era amigo... de JaeBum?

— E como. — fez careta — Desde que chegamos, e fomos recebidos, vocês não se desgrudavam um minuto se quer. As vezes parecia que ele era seu irmão, não eu. Por isso eu me perguntava, "Até isso você terá?". Era incrivelmente horrível o fato de que eu não conseguia pensar positivamente sobre você. — deu uma pausa — Mas enfim.... ignorando esse fato, as coisas iam normal. Acabamos virando mais uma família no qual eles ajudaram e começaram a ter uma nova vida. Normalmente era fácil ver que todo dia tínhamos a mesma rotina. Acordávamos cedo, trabalhávamos como podíamos, nos alimentávamos e voltávamos para o serviço. As vezes íamos dormir tarde da noite, mas não importava, sabe por quê? — olhou-o sorrindo — Porque eu via os olhos da nossa mãe brilhar de felicidade, mesmo que extremamente cansada, os olhos dela brilhavam porque conseguia pelo menos dar de comer aos filhos, o que a tempos atrás não conseguia.

YoungJae conseguia ver o amor que o mais velho sentia pela mãe presente em seus olhos. JaeJoong não era alguém do mau, sabia disso desde o começo, mas ele continuava a teimar o quanto tinha culpa nisso tudo. Mas também, apenas a metade sobre tudo lhe fora contada, não tinha como tirar uma conclusão daquela forma, sendo assim, deixou que sua mente fluísse pelas palavras e deixasse imaginar qualquer coisa passada. 

No fundo, queria lembrar de tudo, mas não conseguia, e aquilo lhe doía. Sabia que, por ser criança na época, era quase que impossível ter alguma lembrança de seus pais, porém só de saber o quanto eles o amava, não importava se lembrar do rosto, mesmo que quisesse lá no fundo. Ver seu irmão contar sobre aquele afeto transmitido dentro da família o fazia queimar de alegria por dentro, de forma que não podia distinguir.

— Sabe o quê eu mais acho engraçado, Jae? — olhou-o pelo canto de olho — Aquela sua paixão pela estufa. — YoungJae corou por um motivo que não fazia ideia, até mesmo isso estava ligando os pontos. Exatamente tudo estava ligado, e era impossível que alguém soubesse disso a não ser ele mesmo — Você tinha uma paixão descontrolada pelas flores. Sempre as cuidava quando não estava brincando, e adorava cantar para elas com um sorriso. Tanto que eu me lembro que JaeBum lhe apelidou como Smile.

O sorriso de YoungJae se desfez na hora e uma vaga lembrança lhe percorreu a memória. Uma dor de cabeça lhe atormentou quando então uma bomba chegou.

 

 

Voltei a observar o rosto do menino desconhecido, talvez fosse mais um garoto qualquer, um amigo seu que não conheço, mesmo sentindo que já o via antes. Corri os olhos de forma rápida, parando em algumas palavras escritas de forma infantil, com certeza de uma criança, junto a uma data escrita com certa rasura.

 

"Sinto tua falta, por que me deixaste? Por que tinha que ir de visitar o céu antes da hora? E ainda por cima sem me levar? Pensei que fossemos amigos, e amigos não abandonam os outros, não abandonam os outros como tu fizeste Smile. Ainda mais sem me avisar? Por quê?"

 

Data: 17 de setembro

 

 

 

A boca ressecada de YoungJae abriu e fechou várias vezes, sem pronunciar som algum. JaeJoong lhe olhava curioso mas ao mesmo tempo preocupado, o que havia ocorrido para quela mudança de humor? Havia falado algo errado? Se sim, devia pedir desculpas rapidamente, já que não queria te-lo como inimigo justo agora. Porém a voz trêmula de Jae o impediu de falar qualquer coisa.

— JaeJoong... quando JaeBum Hyung me comprou, eu fui encarregado de limpar alguns lugares específicos da casa. Lembro-me que em um desses cômodos, havia um lugar... na verdade, uma estante, onde tinha vários livros pelo qual eu estava polindo. Entre eles, um me chamou a atenção; ele estava sem plástico, mas conservado, e eu não pude conter minha curiosidade de vê-lo, por isso eu o abri... e algo caiu dele. Uma foto de dois garotos, com uma mensagem junto, justo na data de meu aniversário.

 

Algo do livro em que estava sobre minhas mãos caiu no chão, era um tipo de foto meio antiga, e eu não tardei em pensamentos quando agarrei a folha e observa-la. Apesar de um tanto embolorada, dava para ver o rosto de duas pessoas, eram crianças, estavam brincando na estufa, me perguntei, seria o Senhor Im? Se sim, podia admitir que era alguma macumba, o homem conseguia ser lindo desde criança, apenas com os cabelos um pouco diferente, mas os traços eram totalmente reconhecíveis. Mas, e quem era aquele ao seu lado, com quem brincava? Sem dúvida um menino, mas... por que é que os dois estão usando a mesma roupa? Seria seu irmão? Mark? Não, não, impossível. Pelo o que entendi seus pais se casaram quando grandes... então...?

 

Sua respiração ficou pesada.

— Q-quem... era o garoto ao lado de JaeBum? — uma lágrima escorreu em seu rosto.

O silêncio se fez presente.

— Por favor, diga quem era... — ofegava devido as lágrimas que agora tomavam conta, sua pressão baixava cada vez mais.

Era... você... — YoungJae quase caiu no chão. 

— E-está dizendo... que JaeBum achou que eu morri? — olhou-o com uma confusão e tristeza misturada, JaeJoong acabou virando a cabeça para o lado, impedindo que o irmão o visse.

Todos pensamos.

Dessa vez, os joelhos de YoungJae se encontraram com o chão, sentindo que seu filho se agitava cada vez mais em seu ventre. Passou as mãos sobre a barriga tentando acalma-lo, mas não consegui acalmar a si próprio. Estava em uma luta com seus sentimentos tão bagunçados quanto a própria vida. Chorava cada vez mais, tentando abafar com a mão os gritos que queria soltar por aquele vasto quarto. Nunca iria imaginar o quão doloroso poderia ao descobrir aquilo. Seus olhos estavam vermelhinhos, de tal forma que ardia como o próprio peito

Não era verdade, não podia ser.

— O q-quê... aconteceu... para que todo mundo pensasse isso? — engoliu o choro da forma que pode. O silêncio novamente se fez presente. Dentre todas as partes, esta era a pior no qual iria contar.

Um acidente... — suspirou — Estávamos em clima de festa neste dia, a família Im havia alcançado o topo nos gráficos de venda, por isso deram uma grande festa. Nós estávamos tão felizes porque nossos chefes estavam sendo tão bondosos durante aquele dia. Nossos pais estavam ocupados. Você como sempre, brincava com Im... enquanto eu me via solitário em um canto, brincando com os próprios dedos, olhando vocês jogarem bola. Eu queria estar ali, dividindo este momento com vocês dois, mas sabia que estaria atrapalhando, por isso não me meti, por orgulho e por medo. — uma lágrima escorreu — Mas se não fosse por isso, por essa minha idiotice, durante todo esse tempo, estaríamos juntos... você não teria sofrido aquele acidente, e nossa mãe nunca choraria a morte de seu filho, que se quer ocorreu. — umedeceu os lábios — Quando vocês estavam se divertindo, eu vi o próprio brinquedo se tornar uma arma letal para vocês. Eu vi aquela bola rolar na rua e ir parar no outro lado da calçada. Eu vi meu irmão mais novo atravessar a rua... e vi um carro passar tudo no mesmo instante... tudo que eu poderia ter impedido. — cada vez mais lágrimas lhe tomavam o rosto — Você gritou para mim, e eu fui um covarde de não correr até lá, de não me jogar na frente daquele carro e lhe salvar. Eu deixei que tudo passasse sobre meus olhos sem interrupção. Eu deixei que todo mundo pensasse que meu irmão havia morrido.

Jae não sabia como reagir ou o quê falar, todo esse tempo, choraram em seu caixão sendo que se quer havia morrido? Era doloroso demais pensar.

— Como... estávamos em uma completa bagunça devido a guerra — continuou —, muitas coisas saíram errado. Não tinha como você ser atendido em meio a tantos pacientes. Não tinha como você ser salvo. Foi isso que pensamos durante anos. Então quando chegamos, e você foi para sala de cirurgia, vimos o pior caus de todos. Muitas pessoas machucadas, outras vindo a óbito... muitas cenas que nunca saíram da nossas memórias; enquanto a preocupação e desespero aumentava sobre nós. Foram doze horas a espera de noticias, doze horas que perdemos naquele hospital.... doze horas pelo qual nossa mãe chorou. E doze horas depois que constaram que você havia partido. Quando eu escutei aquilo, pensei que tinha acado de cair no purgatório... pois não era possível. Eu lhe odiava sim, mas não ao ponto de suportar perde-lo, não ao ponto de deixa-lo morrer. Eu nunca poderia ficar feliz com aquilo, e por isso eu nunca me perdoei durante esses anos. — sua garganta começava a queimar aos poucos.

— Eu não compreendo... — foi a única coisa que YoungJae conseguiu dizer. — Eu estava vivo...

Para ele, era como se tivesse sido abandonado, mas não era verdade. Doía demais pensar que durante todo aquele tempo havia vivido mais que uma mentira. Preferia ser adotado, do que qualquer coisa, menos aquilo. Havia feito várias pessoas chorarem por uma morte que nem havia ocorrido, e isso era o que mais o incomodava, e demais.

— Agora eu sei disso, YoungJae. Mas naquele tempo, era difícil demais para nós pensar isso após vê-lo ser enterrado... — balançou a cabeça — Foi por culpa de um erro médico, por culpa de um cara sem coração que nem pensou em ver as coisas direito.... Eu chegava no quarto dos nossos pais, e via o rosto da nossa mãe todo enxado. Ela chorava todas as noites por você. Isso me incomodava tanto aqui dentro que só de pensar faz que meu peito doa ainda mais. E o sentimento de culpa aumente... afinal, mesmo depois de ter conseguido a atenção toda de nossos pais, de ter guardar dinheiro e sair da casa dos Im, nada mudou. Eu continuava em dívida com essa família, por isso até hoje trabalho em uma loja deles. — limpou a garganta — E ainda conseguia sentir as coisas piores. Sentia falta de tudo, sentia falta da alegria que antes nos rodeava. E senti falta de mais uma pessoa... — abafou a fala — Nosso pai veio a falecer dois anos depois, então nossa mãe teve que aguentar a segunda perda, dessa vez, de seu marido. E ela foi forte para aguentar isso. Afinal, os anos se passaram e tudo continuou como se nada tivesse acontecido. 

"Então... eu se quer terei chance de conhecer meu pai". Parecia que havia um nó em sua garganta ao pensar aquilo. Havia perdido o pai biológico sem ao menos saber. Como é doloroso perder alguém que se ama. São tantas as lembranças e a saudade que às vezes o coração para de bater e sofre como se estivesse apanhando.

— Você está falando tantas coisas, e ainda eu não lhe compreendo... por que então depois de tanto tempo você decidiu ir atrás de alguém que estava morto? — indagou baixo, acariciando sua barriga em modo que pudesse achar conforto.

A mente de JaeJoong viajou por segundos.

 — Eu não quis acreditar de começo, claro, aquilo era uma loucura, não tinha como ser real. Mas o motivo disso, é porque eu lhe vi. Eu lhe vi sendo disputado entre vários homens, eu lhe vi com uma placa no pescoço. Eu vi você ser humilhado... e então, voltar para um ciclo ao ser entregue a Im JaeBum.

Os olhos do menor se arregalaram. De começo ao fim, vivera num inferno e sempre foi observado por alguém que podia ser seu irmão, mas que nunca levantara um dedo para ir atrás de si. Por um momento, se colocou a se odiar e amaldiçoar o mundo. Amaldiçoar a si próprio e todo o resto.

Odiava, e continuaria a odiar o fato de ser fraco e sempre precisar da ajuda de alguém para algo.

Como queria voltar no passado e mudar tudo. Queria ser forte e lutar para entender até mesmo seu corpo.

Mas não podia, pois ainda tinha muitas bombas para vim. Muitas mesmo.

 

 

"Uma das piores coisas, é segurar uma mentira sabendo que não pode arcar com as consequências depois"

 

 

To be continued.


Notas Finais


Eu sei que foi bem bugado esse final, mas logo irão entender o que nosso bebê JaeJoong quis dizer.
Basicamente, eu resumi a história, espero que consigam entende-la; se não, eu estou aqui para explica-la para vocês, meus amores.

Outra coisinha, vocês entenderam uma referência? Hehe provavelmente não jkdjdk

Então, espero que tenham gostado e entendido!
Até mais, desculpem os erros ao decorrer do capítulo!

Amo vocês! Beijos!
Boa noite!

~ Kiss da Omma ~


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