História My Best Friend 2 - Capítulo 7


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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Clexa
Visualizações 285
Palavras 5.006
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Um capítulo cheio de emoções... (eu achei)

Enjoy, babes...

Capítulo 7 - Capítulo 6


Lexa 

Demoro alguns minutos em completo transe para me dar conta do que aconteceu aqui. Nesses minutos, enquanto ela vai para seu quarto e bate a porta, tento entender, tento me lembrar do que ela está falando. Ela estava tão sentida! Como se estivesse passado por isso a vida toda! Como se entendesse como me sinto desesperada, porque agora que sei que tê-la é única maneira de eu ficar bem, parece que posso perde-la em qualquer esquina. E saber o que sinto não vem com um manual que me ensina como agir. Eu me sinto magoada por ela sentir falta da outra, porque a mim apenas ela me basta, eu não precisaria de mais nada. E eu posso não ser suficiente para ela.

E então ela age como se o que sente pela outra lá nada mais fosse do que culpa, culpa porque ela a ama, porque vai sofrer por ela. Como se ela...

- Ah, merda!

Como se ela sofresse por amar alguém a vida toda.

Tudo o que ela disse, cada palavra, cada medo que tenho agora, ela já viveu. E só há uma maneira de ela ter passado por tudo isso. Tento me lembrar de nós duas juntas, o que mais eu não vi nesses anos todos em que nos conhecemos? E fico entre cair de joelhos de tanta felicidade ou socar minha cara por ter sido tão burra!

Não acredito no quanto a fiz sofrer esse tempo todo!

Não acredito que ela me ama! De verdade! Ela sempre amou! 

Caio de joelho lembrando-me de repente de tantas coisas, coisas que eu jamais veria como algo a mais, jamais veria suas verdadeiras intenções com a cabeça que tinha antes. Apenas agora, que sei o que é amar alguém, é que vejo quantas vezes ela tentou se declarar para mim e eu nunca a ouvi. Meu deus, eu poderia ter evitado que ela tivesse beijado a nerd retardada, e eu fiquei com tanta raiva por ela gostar dela! Achei que ela era lenta demais para ela! Porra! Eu poderia ter evitado a maneira como a encontrei despedaçada quando cheguei.

Então uma bomba cai no meu colo e me dou conta de que todo o sofrimento que a vi passar quando cheguei aqui não por causa daquele nerd. Foi por minha causa, pela mulher que trouxe para casa logo na minha primeira noite, quando eu havia combinado de sair com ela. Como pude ter sido tão burra? Tão cruel?

Começo a pensar em todas as mulheres que trouxe para cá, em como ela pareceu desistir de mim em algum momento, ao se dar conta de que eu não a via como mulher. Entendo perfeitamente sua reação agora, tão mordida e receosa, porque mesmo eu prometendo que a quero, ela tem certeza que não sou esse tipo de mulher, que consegue ser de uma só. Ela tem toda razão do mundo para desconfiar de mim, e qualquer outra mulher em seu lugar jamais teria me entregado sua virgindade.

Ela estava com minha maior inimiga, era amada por ela, ela tinha a faca e o queijo na mão para se vingar de mim, e ao invés disso, afastou-se dela porque me amava. Ela é a melhor pessoa do mundo. Eu sempre soube disso, mas agora, mais do que nunca, eu a amo com tanta força que parece que vou explodir. Agora, mais do que nunca entendo o quanto ela merece que eu a ame, e faça feliz, o quanto tenho que agradecer por ela ser essa menina tão boa, de coração puro, que sempre perdoa minhas merdas e me ama.

Ela me disse isso tantas vezes, como foi que eu não ouvi? De repente quero guardar os meu medo e mágoas no bolso, e cuidar dos dela. Porque não são poucos causados por mim.

Caminho vagarosamente até seu quarto e abro a porta com cuidado. Ela está dormindo, descoberta como sempre e encolhida de frio. Com cuidado, deito-me ao seu lado e a cubro, puxando-a para mim. Ela resmunga algo e se vira, deitando em meu braço, era tudo o que eu precisava. Observo através da luz da lua que entra por sua janela aberta, seu rosto sereno. As marcas de lágrimas estão ali, e as contorno levemente com o dedo.

Nunca mais a farei chorar, minha menina. Nunca mais!

Saio de sua cama antes que acorde. Agora vou fazer as coisas do jeito certo. Agora vou cuidar de fazê-la entender de maneira que não reste qualquer dúvida, que eu a amo de verdade! E a doutora casamenteira tem razão, por mais que fazer amor com ela seja a melhor coisa do mundo, preciso mostrar a ela que vai muito além disso.

Quando saio do banho, ela já acordou e está tomando café, logo a vejo, ando até ela e a abraço. Ela me olha confusa, mas cede, deixando que eu a prenda em meus braços.

- O que é isso? Está tudo bem? – Pergunta desconfiada.

- Sim, estou apenas te dando bom dia. E quero que saiba que acima de qualquer coisa, somos amigas, Clarke. Então mesmo que eu seja uma babaca e tenha dificuldade em te ouvir às vezes, a minha ficha via cair e eu vou fazer isso, porque você é acima de tudo, minha melhor amiga.

- Que bom que você se lembrou disso. Eu estava lisonjeada por ser a garota por quem você ficou obcecada, mas temia que se esquecesse do que é mais importante e a gente acabasse essa amizade colorida sem nenhuma amizade.

Posso dar uns tapas nela agora? Ou quem sabe uns beijos? Como faço entender o quanto é importante para mim?

- Você acha que estou obcecada por você? Que interessante! – Provoco.

- Acho que você confundiu nossa amizade com o sexo, não soube como agir comigo depois e acabou criando toda essa confusão. Porque não queria me tratar como trata todas as outras, e não sabe como me tratar de maneira diferente.

Estou aprendendo, baby. Tenha calma!

- A sua teoria é a de que estou faminta por você porque não sei como te dar um fora? Clarke, acho que você deveria se consultar com a minha psicóloga.

Ela revira os olhos e se senta, pegando sua xícara.

- É claro! Porque olha o belo trabalho que ela está fazendo com você. – Comenta e sorri, e me sinto aliviada por vê-la sorrindo para mim de novo.

- Eu quero fazer amor com você porque amei fazer amor com você, não podia ser mais simples do que isso. Apaguei os contatos de todas as outras mulheres, porque não preciso mais transar com nenhuma delas. Mais uma vez, não vejo nada de complicado nisso. Mas, se você quer uma coisa complicada, estou agindo como uma louca obcecada com você porque não sei lidar com o que sinto. 

- Você ouviu o que eu disse ontem? – Cria coragem e pergunta, seus olhos azuis brilham e estão com medo, mas ela me encara, esperando uma resposta.

 

 

- O que será que dói mais, Clarke? Amar alguém que não te corresponde ou ter essa pessoa, saber o que é ser feliz com ela e depois perdê-la?

Ela pensa um pouco antes de pegar sua bolsa, sua expressão cansada e triste.

- Acho que amar dói de qualquer maneira. Bom dia, Lexa.

**

- Eu vou lutar hoje, achei que gostar de ir assistir. – Comento como quem não quer nada e ela sequer desvia o olhar do celular, onde está mexendo desde que chegou do trabalho.

- Achei que sua luta fosse na semana que vem.

- A final é. Hoje é mais uma luta treino.

- Hum, você está bem para isso? – Pergunta referindo-se às fraturas na minha costela.

- Estou quase nova, babe.

- Boa sorte então. Ah, claro, aquela sua Sorte, a irmã da Niylah, vai te ajudar a vencer.

Sorrio.

- Bem, acho que você tem que ir, Clarke. Não tem outra saída já que prometeu ir a todas as minhas lutas. Se você quebrar esta promessa, então saberei que não somos mais amigas. E a culpa vai ser sua, porque eu tentei consertar nossa amizade. – Jogo.

Ela me olha confusa com minha chantagem, mas dá de ombros. Tudo o que quero é pegá-la no colo e dizer o quanto a amo e pedir perdão pelo tempo que a fiz esperar por mim, vendo-me com tantas outras. Mas não quero que ela pense que mudei da noite para o dia, ou que associe meu repentino amor ao fato de ter tirado sua virgindade. Quero que ela entenda que este sentimento sempre esteve aqui, eu só era cedo demais para enxerga-lo, e que isso aconteceu antes da nossa primeira vez, se intensificou após ela, e se multiplicou após descobrir que ela sempre me amou.

- Contra quem você vai lutar? – Pergunta derrotada. – Uma promessa é sempre uma promessa.

- Contra a Al.

Um sorriso se abre em seu rosto e ela fica animada.

- Althea? Nossa Althea? Ah, essa eu não perco por nada! Quero ver quem vai derrotar quem.

- Mudando de time, senhorita Griffin?

- Você sabe que não, babe, mas vai ser divertido te ver levar uns tapas. – Brinca.

É, bem que estou merecendo.

Ela se agarra a mim na garupa da moto e pego o caminho mais longo para tê-la assim por mais tempo. Observo-a com seu novo estilo: calça jeans apertada, uma blusa jovem e um pouco decotada e uma jaqueta. Uma maquiagem leve que ela não costumava usar, mas que a deixa linda do mesmo jeito! Assim como eu, várias mulheres e homens também, é claro, entrando ali reparam nela. Já vi que vou ter um pouco de trabalho para deixa claro que ela é minha!

Octavia aproxima-se dela meio sem jeito, ainda não conversamos desde que ela mostrou a Clarke a gravação. Ainda não tenho vontade falar com ela, mesmo que sinta falta da minha amiga, mesmo que eu também errado. Acho que nossa amizade nunca mais será a mesma.

- Clarke, que bom de te ver. Você está bem?

Ela assente e dá um passo para perto de mim. E tenho uma vontade enorme de beijá-la agora mesmo! Está fazendo isso por tudo o que a gravação da Octavia causou. Está fazendo isso para mostrar que está do meu lado. Como sempre esteve. Cumprimento Octavia com um gesto, Clarke conversa mais algumas coisas com ela, então pego sua mão para entrarmos no clube, mas ela se volta, brava por minha tentativa de agir como se nada tivesse acontecido e estivéssemos juntas. Brava por eu não ter comentado nada sobre sua confissão de ontem à noite.

- Então, você tá um ataque e agora age como se não fosse nada demais? Acha que vamos entrar aí de mãozinhas dadas, e sair daqui depois para fazer amor? – Pergunta distraída olhando os quadros dos lutadores na entrada. Quando seus olhos passam pelo da Niylah, vejo certa tristeza neles. Ela se sente culpada.

- Babe, estou aprendendo. Você precisa ter paciência.

- Aprendendo o quê?

Seus olhos me avaliam, esperando uma resposta que a tranquilize em relação ao fiasco que foi nossa noite de ontem.

- A me desculpar.

- Engraçado, não achei que estivesse fazendo isso, já que até agora não me pediu desculpas.

Sorrio.

- Tenho um jeito especial para te pedir desculpas. Espere até depois da luta.

Ela revira os olhos, não muito contente com minha resposta. Mas quero ir com calma. Mesmo que já tenhamos esperado tempo demais. Ela merece toda minha dedicação e o tempo que for necessário para se sentir segura. Ela quer saber como me sinto em relação a ela. E hoje irei mostrar o que mais sinto: culpa.

Avistamos Al, e Clarke corre e a abraça. Elas se conhecem há um bom tempo, e são boas amigas. Ela apresenta a sua namorada, que brinca dizendo que serie detonada.

- Qual é, chatinha? Acha mesmo que sua esposa musa fitness tem alguma chance contra mim? Há anos essa bosta não luta!

Uma sombra passa pelos rostos das duas e Al diz mais baixo do que estava falando até poucos segundos atrás:

- Na verdade, eu lutei há pouco tempo. Contra meu pai. Mas você está certo, provavelmente vou levar uma surra, porém, você não vai sair daqui limpa.

- Você não vai tocar em mim, sabe disso. Lena, fique sabendo que não vou pegar leve com ela só porque você já me ajudou muitas vezes.

- Al, não precisa de sua piedade. – Diz apoiando a esposa, mas em seguida completa. – Por favor, não bata muito nela!

Elas vão se despedir e olho para Clarke, minha namorada mesmo que ela não saiba disso, minha melhor amiga que preciso cuidar e a quem devo pedir um milhão de vezes perdão.

- Onde está seu cartaz? – Provoco.

- Você vai ouvir minha torcida.

- Sempre identifico seus gritos desafinados dos demais.

Aproxime-me para beijá-la, mas ela se afasta. Acho que não fui a única a ter lembranças demais com a declaração dela ontem à noite. Estou tentando encontrar um jeito de dizer a ela que entendi o que disse, que sinto muito mesmo por tudo o que a fiz passar e que a amo independentemente do que ela sente por mim, mas não sei como. Penso que se disser que a amo agora, ela vai associar isso ao fato de ter me contado como se sente sobre mim desde sempre e, como fez com minha obsessão por ela, vai achar que meu amor é apenas mais uma forma de não saber como agir com ela.

- Boa sorte. Não bata muito na Al. Lena parece legal.

- Talvez seja ela quem deva me bater. – Ela me olha confusa e explico: - Acho que não tenho que vencer essa luta, Clarke. Acho que preciso apanhar, preciso sentir dor de algum jeito, pelo tempo em que a fiz sofrer.

Seus olhos piscam em confusão e logo ela entende que estou falando de sua confissão de ontem à noite. E do quanto preciso pagar pelo que a fiz passar.

- Você não tem que fazer isso. Isso não tem nada a ver com o que eu disse ontem. Quer saber? Esquece o que eu disse ontem, suba naquele ringue e dê o seu melhor!

- Não tenho motivos para vencer já que você mal olha para mim. Eu surtei porque você me feriu uma vez, e olha só, quantas vezes será que eu a feri?

- Eu estou aqui, não estou?

- Será que está?

Meu nome é anunciado e viro-me para subir no ringue, mas ouço seu grito.

- Vença essa luta, Lexa!

Olha para ela e nego com a cabeça. É claro que ou vencer essa luta. Althea era uma excelente lutadora, mas está a tempo demais parada, e mesmo essa luta difícil que fazer contra seu pai, não foi o suficiente para que ela vença uma lutadora em campeonato. Ainda mais uma lutadora finalista. Mas foi bom ver que ela se importa. E foi bom que ela saiba que entendi seu recado ontem. Que finalmente entendi, não por meio de sua declaração adolescentes, não pelo cuidado e devoção que sempre teve comigo, mas pelo seu desabafo, mesmo atrasada anos no tempo, eu entendi. E vou me desculpar por tudo. Só preciso que ela se lembre nesse percurso, que ainda se importa.

Al é anunciada e o coro feminino com certeza não agradou a Lena, e ela ainda brinca comigo antes de lutarmos e deixo que me acerte primeiro. Deixo que me acerte de novo, e mais uma vez. Olho para Clarke na plateia e ela parece em pânico. Está de pé, o rosto tenso e me suplica com os olhos que reaja. Sorrio para ela, e dou um leve piscada, o que a deixa confusa, então acerto Al em seguida.

Não bato muito nela e nada em seu rosto. Ela não pode ter o rosto remendado com o serviço que tem. Ela é modelo fitness. A luta não dura muito, estava apenas me aquecendo após a recuperação e os treinamentos, já que a luta final é em pouco dias. O juiz faz a contagem e sou declarada campeã. A ajudo a se levantar e ela ainda tem a cara de pau de dizer que me deixou vencer para me estimular para a final.

Esta deve ter sido a luta mais amigável que já ocorreu neste ringue. O juiz entrega meu lenço da vitória e Costia me olha, no canto do ringue e em seguida olha par Clarke, e confirmo com um pequeno gesto, que Clarke será minha Sorte hoje, não ela. Ao que ela entende e desce do ringue. Lena abraça e beija Al e me agradece por não ter acertado o rosto, e olho para Clarke com o lenço em mãos. Porém, antes de chama-la até o ringue, já que não tenho certeza que ela vai aceitar subir pela maneira como parece puta pela minha inocente brincadeira de perder a luta, resolvo provoca-la.

Pego o lenço e aponto para ela, toda a atenção da plateia se volta para ela e continuo meu show. Finjo secar lágrimas imaginárias com o lenço, imito o som do choro, bato peito indicando que estou com dores no coração, o que faz a plateia feminina em se lamentar em um único som, e a chamo:

- Ei, Clarke, quer vir aqui e secar o que você fez?

A plateia inteira ri ela até tenta esconder o sorriso, mas falha. Sei que está se divertindo, e está um pouco mais calma ao se dirigir ao ringue ao meu pedido. Ela sobe com calma, aproxima-se de mim e pega o lenço estendido. Com aquela sua cara de malvada, o esfrega no meu rosto, fazendo todos rirem.

- Satisfeita, Woods? – Provoca.

A puxo para perto de mim, agora tenho o direito de beijá-la aqui, na frente de todo e deixar claro que ela está comigo. Mas, quero fazer isso direito. E não vai ser depois de discussões tão tensas, em que ela deixou bem claro que acha que o que existe entre nós não passa de sexo, porque não sou capaz de dar mais do que isso a ela.

Aproximo meu rosto do seu e beijo sua testa, com carinho. Afasto-me vagarosamente, olhando seus olhos, que estão atentos aos meus, e a abraço apertado, prendendo-a a mim, sinto um alivio imediato de uma merda de angústia que me tomava.

- Você ainda vai me deixar louca, Clarke. – Sussurro em seu ouvido.

- Digo o mesmo, Lexa. – Responde apertando-se mais a mim.

Chegou a hora de calar sua boca, senhorita Griffin.

**

Saímos do clube direto para nosso segundo encontro oficial, mas ela ainda não sabe disso. A levo até o The Lake, e ela olha o lago, calada por um tempo, não sabe mais como agir comigo agora que sei que ela me amou esse tempo todo. E não quero que não saber agir comigo se torne comum para ela. Seguro sua mão e a advirto:

- Juro que se tentar tirar sua mão daqui e vier com esse painho de sermos amiga de sexo, vou atirá-la nesse rio.

- Você não seria capaz.

- Não duvide de mim, babe.

- Você não precisa apanhar para se desculpar por nada. Não tem que ser assim.

Seguro seu rosto entre minhas mãos e a beijo, devagar, saboreando seu gosto, seus lábios, seu cheiro. Ela corresponde sem qualquer mágoa pelo que tem acontecido, correspondo com toda paixão, doçura, com todo amor, como se também precisasse desse beijo depois de tanta confusão que criamos. E a mantenho assim, comigo por muito tempo. Até ela estremecer levemente, até eu estar tão excitada que quase não esconder dela. Acaricio seu rosto de anjo e faço uma promessa:

- Eu vou mantê-la assim para sempre, Clarke. Você vai ter que esperar nem um dia mais. Eu prometo.

Ela abre a boca para responder, mas concluo, não deixando margens para que ela tente negar o que sene, ou dizer que não tenho que sentir de volta, nem nada assim.

- Você me ama. Sempre amou. Você podia ter me dito, de forma clara, já que eu era cega demais. Podia ter me dito que me amava.

Ela parece sem graça, mas responde, seus olhos brilhando e seu rosto levemente ruborizado:

- O que você acha que ia acontecer? Se eu tivesse obrigado você a me ouvir em cada tentativa falha e você entendesse o que eu sentia, o que acha que ia acontecer?

- Eu acho que poderia magoá-la ainda mais. – Respondo com toda sinceridade. – Que poderia afastá-la, não entendê-la. Ou eu poderia ter um estalo e amar você de volta.

Ela ri alto, mas se controla e se afasta de mim, parece mais leve, mas nada convencida.

- Ah, eu acho que não. E acho que você não deve ficar se culpando pelo que já passou. Não tem que sentir dor por algo que nem sabia que estava fazendo, já que houve dor demais envolvida nisso, você não acha? Eu não disse a você o que sentia, não tem porque se culpar. – Diz para que a expressão que eu sei que não consigo tirar do meu rosto, desapareça.

- Eu deveria ter percebido. Todo mundo percebia, menos eu. Você tentou me dizer de várias maneiras e eu, sua melhor amiga, aquela que sempre abriu a boca para dizer que a conhece, não percebi. Foi um erro meu, sim. Acho que tenho que pagar por isso, tenho que compensá-la de alguma forma.

- Não tem. Eu não quero que você tenha qualquer tipo de obrigação comigo, ou vamos desandar de novo. Você consegue entender isso? Você não tem que ficar comigo, excluir suas amiguinhas, nem nada assim por nós transamos. E não tem que sentir nada diferente por mim porque eu amei você um dia. Nós sempre podemos ser abertas uma com a outra, certo?

O que? Amou um dia? Que merda é essa?

Como assim amou um dia? O que isso quer dizer? 

- Que eu não te amo mais... Oh! Você achou que eu ainda estivesse nessa fase de amar você e sofrer? – Então ela ri, e sua risada de bruxa é como uma faca enfiada no cu da minha alma. – Não, Lexa. Não precisa se preocupar com isso. Eu amei você sim, por muito tempo esperei por você, mas aí você veio morar comigo e eu a conheci de verdade, vi que você é uma devassa, um espirito livre, que sequer acredita em amor, então desisti. Agora está tudo bem, eu não amo mais você.

Fico um tempo ali, esperando que ela diga que está brincando. Porque não é possível que aquelas regrinhas bobas que eu quebrava fossem tão importantes a ponto de matar nela o que sentia por mim. Ou é possível? Claro que é possível! Ela me viu com muitas mulheres diferentes sendo a mais babaca que eu poderia ser. Por que ela me amaria?

- Como eu faço para você me amar de novo? – Pergunto seguindo seu conselho de que podemos ser abertas uma com a outra e a expressão em seu rosto, além de surpresa, é aquela doce e apaixonada de sempre. Ela não pode estar falando sério sobre não me amar mais.

- O amor não funciona assim. Eu demorei muito para tirar de dentro de mim o que sentia por você. Não quero sentir de volta, e além do mais, para que você quer isso?

- Porque eu acabei de descobrir que você me ama, Clarke. E eu me senti a merda da cega mais sortuda desse planeta! Me senti a maior campeã de qualquer campeonato que já tenha existido. Me senti sortuda de te você só para mim, também queria trancafiá-la comigo em qualquer lugar só nosso para nunca mais te perder de vista. E agora você vem dizer que não me ama mais? Que eu consegui tirar isso de você?

Eu não consigo imaginar alguém tirando de mim o que sinto por ela agora. Mesmo que ela ficasse com outras pessoas, mesmo que ela fosse a pior das pessoas. Por que caralho eu fui me apaixonar por ela?

- Lexa, nós conhecemos você. É gostoso a gente ficar juntas, é diferente e você está empolgada agora, mas na semana que vem aparece um “ring girl” nova no clube que vai chamar sua atenção e seu empolgação vai mudar de direção.

- Você não tem como saber disso.

- Eu sei! Eu já vivi isso um milhão de vezes! Eu conheço você! Você quer exemplos? A minha festa de quinzes anos, você estava empolgada em ser um príncipe, até rimos disso, porque você disse que eu merecia um príncipe, mesmo você sendo uma garota, era você quem eu queria, de príncipe, de princesa, tanto faz. Enfim, mas no minuto que uma mulher mais velha te deu mole, você se mandou com ela! Quer outro exemplo? Quando você se mudou para cá, disse que teria mais tempo para dedicar a mim, e na primeira noite, encontro o clube e sua empolgação toda por viver comigo passou! Esta é você. Você me fez sofrer muito sem saber o que estava fazendo, não queira me fazer sofrer agora, acredite, foi melhor pra nós duas eu ter acabado com o que sentia por você.

Ela vai andando e a sigo, presa em mil pensamentos, tentando encontrar mil pensamentos, tentando encontrar no fundo de mim a resposta para que essa pergunta que ela enfiou na minha cabeça: será que isso vai mesmo passar? Então olha para ela, lembro-me do seu beijo, seu toque, seu cheiro. Lembro dessa dorzinha maldita que está agora aqui agora, que já é quase minha amiga, me ajudando a entender como me sinto, e só consegui controla-la depois de ter a Clarke. Isso não vai passar. Não desta vez. Não é uma empolgação, é amor.

- Se você agora só vai oferecer seu amor a uma pessoa que nunca tenha pisado na bola, devia procurar de novo a imbecil da Niylah. Não que eu vá permitir que você faça isso, de qualquer forma, só quero entender. – Digo segurando sua mão antes de subirmos na moto.

- Não vou. Eu não a amo. Não quero oferecer amor a ninguém, como você sempre disso, não preciso disso!

- Tá lega, pare de jogar todas as merdas que eu disse a vida toda na minha cara!

Ela ri alto e pega o capacete da minha mão.

- Desculpa, achei que você fosse inteligente quando a isso. Você sempre se gabou.

- Se eu soubesse o quanto eu não sabia de nada, na verdade... vamos fazer um acordo, Clarke. Esqueça tudo o que eu disse antes da nossa primeira noite. Tente prestar mais atenção no que estou dizendo agora.

- Por quê? Agora você aprende a falar?

- Agora eu aprendi a sentir. Suba aqui, estou ansiosa para dormir com você.

Ela não responde, mas sobe na moto passando seus braços por meu peito, e já começo a maquinar o que fazer para provar a ela que aquela Lexa ela chama de devassa morreu.

Você vai entregar o seu amor a filha da mãe sortuda que merece seu amor. Eu serei essa garota. A sua garota, Clarke.

Chegamos em casa cansadas, ela quase desmaiada, tomo um banho rápido enquanto ela prepara algo quente, tomamos juntas e não consigo tirar as mãos dela. Não consigo parar de olhá-la, mais ciente do que nunca de que o que sinto não vai passar. E não consigo deixar de me sentir culpada. Por tudo o que a fiz passar. Por tê-la feito esquecer o que sentia por mim. O quanto uma pessoa tem que sofrer para desistir de um amor? Sei que este será o meu maior e mais difícil desafio, mas eu irei vencê-la, não costumo perder uma luta e esta não será diferente.

A puxo para o meu quarto quando vamos dormir, a posiciono no meu peito, a abraço apertado e apago a luz. Logo, ela a acende.

- Você quer dormir? – Pergunta confusa.

Não, Clarke. Eu quero muito transar com você gostoso e fazê-la gritar que me ama. Mas não vou. Vou seguir os conselhos da minha doutora preferida. 

- Estou cansada, mas você fica aqui comigo, não fica? – Ela assente, parecendo irritada, mas deita-se de novo no meu peito, e pouco tempo depois adormece.

Acordo com o som do celular e percebo o quanto é tarde e que estou atrasada para minha sessão com a doutora casamenteira. Justo hoje que preciso mesmo falar com ela. Ela vai ficar chocada quando souber o que a Clarke sentir, e claro, vai me ajudar a pensar em maneiras de fazê-la sentir tudo de novo por mim. Identifico na tela o nome da doutora casamenteira e saio do quarto para não acordar a Clarke.

 

“Bom dia, doutora! Eu perdi a hora, podemos trocar para de tarde? Preciso mesmo falar com você.”

“Lexa, eu sinto muito.”

“Por quê? Está tudo bem?”

Ela demora um pouco antes de responder, e o faz com pesar e preocupação:

“Sua madrasta esteve aqui. Achei que poderíamos conversar, que poderia fazer você e ela conversarem e colocarem tudo isso para fora, mas esse não é o plano dela.”

“Você não tinha que falar com ela, pare de bancar a mediadora!”

“Lexa, você não está me ouvindo. Ela veio aqui me pedir que diga ao agente da sua condicional que você não está melhorando, que ainda é descontrolada e violenta. Eu disse q alea que não vou fazer isso, tentei falar do seu progresso, mas Lexa, o que ela quer é muito claro. Ela quer manda-la de volta para a cadeia. Por favor, filha tome todo o cuidado.”

Deixo o telefone cair da minha mão e não sei nem mesmo o que pensar. Ela vai tentar me mandar de volta para a prisão. Sei que minha condicional pode ser revogada a qualquer instante, principalmente por causa dela. Mas não vou permitir que ela acabe com a vida perfeita que acabei de planejar. Não mesmo! Desta vez, ela não vai me vencer!

##


Notas Finais


Os comentários eu deixo para vocês, meus amores, porque sinceramente, esse capítulo foi um pouco demais para mim. E esse final, me MATOU!

Até logo.

P.S: o que diabos Clarke fez? ai ai, dizer q nao a ama mais foi sacanagem af


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