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História My Best Mistake - Capítulo 2


Escrita por: Mari_Rafaela_2

Notas do Autor


Oie amores 💜

Eu ia postar ontem, mas acabou não dando tempo. E não quero atrasar as postagens e já tô postando hoje 🤍

Espero muito que gostem, um beijão e obrigada pelo carinho e recepção tão boa nessa fic nova 🧁

Capítulo 2 - Rara


Fanfic / Fanfiction My Best Mistake - Capítulo 2 - Rara

Meus cílios pareciam grudados com alguma cola potente, e usar a mão para esfregá-los foi uma péssima ideia.

— Ai!

Após a dor de abrir os olhos veio a constatação de que minha cabeça parecia pesar o mesmo que o planeta terra.

Mas nada foi mais assustador do que acordar naquela cama enorme, num quarto desconhecido e com aquela luz branca entrando pelas janelas entreabertas.

As cortinas eram tão brancas e a luz tão clara que eu parecia estar em um filme de ficção científica, acordando em uma câmara após um experimento mal sucedido.

— Você acordou. Que bom.

Gabriel se assustou com o meu berro e logo a visão ao meu redor foi deixando de ser um borrão de claridade para uma brecha de sol penetrando as paredes.

O rosto de Gabriel estava contorcido em uma careta de preocupação, mas seus olhos pareciam mais curiosos do que qualquer coisa.

— O que aconteceu?

Tentei vasculhar meu cérebro à procura de qualquer coisa sobre a noite de ontem, mas minha cabeça estava mais bagunçada do que meu guarda roupa.

Ele suspirou antes de caminhar até a cama e escolher a pontinha dela para sentar, como se tivesse medo de ficar muito perto.

— Tinha um cara dando em cima de você. Eu… Eu tava te observando de longe… —  confessou com um rubor delicado nas bochechas —  Quando você apareceu com aquela amiga maluca eu logo percebi que você não se encaixava ali.

— Eu sei. Todo mundo lá usava Gucci e Versace enquanto eu surgi com meu vestido chumbrega.

Ele riu balançando os ombros.

— Não era disso que eu tava falando. Seu vestido é lindo, aliás.

Foi eu que fiz aquele vestido. Quis dizer aquilo, mas eu tinha coisas mais importantes para dizer e ouvir, principalmente.

— Então o que quis falar?

Ele respirou, parecendo escolher as palavras com cuidado.

— Olha, não me leve a mal. Eu já vi a sua amiga algumas vezes na Sodoma. E nunca vi ela lá com você. Você definitivamente não percebe àquele lugar… —  Uma voz masculina gritou algo lá de fora, mas Gabriel ignorou —  Você é… Doce demais. É como se tivesse um anjo no meio do inferno.

Tentei rir, mas minha barriga doeu.

— E quando você falou aquelas coisas sobre ficar em casa com seu avô… —  o observei dar de ombros e suspirei ao perceber como aquela camiseta branca de algodão ficava bem no corpo dele —  Louise, eu queria conversar mais com você. Não é todo dia que você encontra uma menina linda que também é engraçada e… 

— E?

A voz masculina chamou pelo nome de Gabriel, que ignorou outra vez. Pela intensidade do sol, percebi que não era mais tão cedo. Eu precisava ir para casa, meu avô deveria estar enfartando de preocupação. Mas eu precisava ouvir. A noite passada ainda era um borrão e eu não conseguia me lembrar de mais nada até encontrar aquela barista simpática e aquele cara abusado.

— Eu tô tentando achar uma palavra, mas acho que… Acho que “rara” se encaixa bem. Eu queria ficar mais um tempo ali com você, mas a louca da sua amiga te arrastou. —  novamente ele deu de ombros e soltou um muxoxo —  Só me restou ficar ali te vendo de longe  e dividir a visão maravilhosa de você dançar com o resto da população masculina daquela boate.

Suspirei.

— O que aconteceu depois? Eu me lembro de você… Da sua voz e de algumas palavras difusas… Me lembro de estar nos braços de alguém, mas não consigo…

Fiz uma pausa porque um soluço forte apertou minha garganta.

— Shhh… —  Ele estendeu a mão, mas não consegui segurar a dele —  Calma… Eu não fiz nada, eu prometo. Eu pedi pro meu amigo dirigir e coloquei você no banco de trás, comigo. Eu trouxe você porque não queria te levar pra casa desse jeito. Seu avô poderia ficar assustado.

Enfiei o rosto entre as mãos e solucei outra vez.

— Eu nunca bebo, não sei o que aconteceu… 

Senti um toque leve em minha mão e me obriguei a olhar pra ele.

— Eu sinto muito, Louise. Alguém colocou alguma coisa na sua bebida. —  Ele contorceu o rosto com raiva —  Eu pedi pra um amigo meu que gerencia a boate investigar. 

— É isso o que acontece quando você decide sair de casa quando não quer. Eu sabia que alguma coisa assim aconteceria, mas deixei a Raquel me arrastar…

O celular dele vibrou dentro do bolso, ele retirou rapidamente e franziu a testa ao ler alguma coisa.

— Por que deixou ela fazer isso? —  Ele continuou segurando o celular, mas olhou pra mim com o olhar de quem realmente queria ouvir a resposta.

— É complicado. Eu… Eu sou a única amiga que restou. Ela só tem a mim.

— E você? Quem você tem?

Ele se desculpou assim que as palavras saíram de sua boca, mas eu sorri o tranquilizando.

— Quem era na mensagem? —  Mudei de assunto me remexendo na cama. Era tão confortável que me esqueci por alguns minutos de onde estava —  Você pareceu agitado quando leu.

— O Dfideliz tava fazendo show ontem na Sodoma. E eu contei pra ele sobre, hmm, você. Ele me disse agora que ouviu um comentário nos bastidores de que uma barista tava envolvida com uns caras que pagavam pra ela drogar as meninas que eles escolhiam.

Levei a mão à boca e senti a bile revirar a garganta.

— C-como…?

—  O meu amigo gerente abriu uma investigação e já envolveu a polícia. Isso não vai voltar a acontecer…

Suspirei trêmula e cambaleei para fora da cama, me sentindo de repente ridícula naquele vestido, naquele quarto. 

— Eu tô tão envergonhada… Como pude ser tão inocente?

— Ela é mulher. Você confiou nela. — Ele se levantou e se aproximou a passos cautelosos —  Eu trouxe você pra casa e te dei um analgésico, coloquei você pra dormir e só voltei agora. Se você não acredita em mim eu posso te mostrar as câmeras. Sua amiga veio com a gente, ela acompanhou tudo. E a moça que trabalha aqui em casa viu tudo, ela pode testemunhar. A namorada do Fabinho e do Gerson também. Louise, eu juro que não me aproximei além disso de você.

Não me restou nada a fazer a não ser apoiar o rosto em seu ombro e ser mais patética ao chorar.

Ele afagou minhas costas com cuidado enquanto dizia com a voz suave que estava tudo bem.

— Ah! Aí está você! —  o berro vindo da porta não me deixou surpresa. Era Raquel, com as duas mãos na cintura e o rosto tomado de choque —  Você passou a noite aqui? Você está péssima!

— Você também. —  Falei me sentindo estranhamente solitária ao afastar o rosto do ombro do Gabriel —  Parece que foi atropelada por um trator.

— Eu bebi demais. Mas você… Você e o Gabigol?

Ele suspirou ao meu lado e disse que nós daria licença.

— Não aconteceu nada. —  falei sentindo as bochechas queimando.

— Você tá com o cabelo todo bagunçado e no quarto dele. Não tente mentir pra mim, mocinha. Esse é um clássico cenário pós coito.

Revirei os olhos e peguei minha bolsinha pendurada na cabeceira.

— Eca. Não transei com ele. —  Graças a Deus, pensei —  Eu te explico no caminho, preciso ir pra casa antes que o vovô entre em colapso. 

Raquel lançou um olhar de “não acredito em você” e cruzou os braços acima do peito, mas a puxei para fora do quarto sem muita paciência.

Passamos por um corredor interminável com várias portas de madeira maciça branca e segui as vozes até chegar na sala. Ah, céus. Tinha o tamanho da minha casa inteira.

— Hmm, obrigada. Por me trazer e… Cuidar de mim.

Gabriel se levantou do sofá como se tivesse pulga do estofado e ignorou as risadinhas de seus amigos ao redor. Reconheci boa parte do elenco solteiro do Flamengo e senti meu rosto queimar em brasa como se tivesse enfiado em um forno.

Uma moça morena com olhos castanhos bondosos veio até a mim e para minha surpresa, me abraçou.

Retribuí o gesto, me sentindo muito boba ao querer chorar.

— Graças a Deus o Gabriel estava de olho em você. Se ele não tivesse interferido e te tirado de perto daquele seboso, só Deus sabe o que aconteceria com você.

Ela estremeceu e automaticamente meu corpo fez o mesmo.

— Eu nunca mais piso os pés na Sodoma, não até eles completarem uma varredura lá até esses nojentos estiverem fora dali.

Assenti com um gesto pensando que não voltaria ali nem se trocassem o nome para “o céu de Cristo”.

— Obrigada mais uma vez. —  disse olhando para todos os rostos curiosos e sorri para o Gabriel —  Obrigada. 

Dei as costas e Raquel enganchou o braço no meu, murmurando alguma coisa como “nunca mais vou ter outra oportunidade de voltar nessa casa” e eu rebati com um “cala a boca” baixinho.

— Posso levar você pra casa? 

Fechei os olhos para a voz nas minhas costas e respirei.

— Obrigada, mas a Raquel tá de carro.

— Iiih, deixei meu carro lá na boate. Vim com vocês no carro do Gabigol, lembra?

— Ok, a gente pega o ônibus. Não estamos muito longe de casa. Tchau! —  Acenei rapidamente para um Gabriel de sobrancelha erguida e sorrisinho e caminhei pelos caminhos de pedregulho no jardim.

— Eu não vou pegar o ônibus, na boa —  Nunca senti tanta vontade de matar alguém como quis matar minha amiga patricinha naquele momento —  Ele se ofereceu, vamos com ele!

 

[...]


 

— Eu acho que aqui já tá bom —  Falei colocando a mão na porta —  Se a galera descobrir que Gabigol tá aqui não vai ser muito fácil te tirar daqui —  Ele estendeu a mão e tocou a minha, levando tempo demais naquilo.

Por mais que eu gostasse da textura macia da mão dele sobre a minha, não queria que ele ficasse por mais tempo.

O lugar onde eu morava, apelidado de “Orange” por causa das casinhas pintadas de laranja não era o tipo de lugar onde uma range rover passava despercebida.

— Obrigada mais uma vez. Se você não tivesse… Eu nem gosto de pensar no que teria acontecido. Você me salvou.

Ele olhou desconcertado para o volante antes de olhar pro meu rosto.

— Você salvou a minha noite. Ter ido na entrada da boate pra tomar um ar e te ver lá… Foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

— Ownnn —  Raquel se debruçou sobre os bancos e deu um tapinha nos ombros dele, que se contorceu —  Essa cena tá muito fofa, mas eu queria pedir uma carona pro Leblon. Tu me leva?

— Você não mora aqui? —  Ele perguntou confuso.

— Não! Só a Lou mora aqui. E não é por falta de insistência minha pra ela vir comigo pro meu apartamento. Mas ela não quer deixar esse lugarzinho horrendo por nada.

Revirei os olhos.

— Não quero deixar meu avô para trás. E eu amo esse lugar. Eu cresci aqui e conheci pessoas muito boas aqui na Orange. E falando nelas, lá vem o Seu Bertô.

Apontei para o senhor terrivelmente fofo que caminhava com sua inseparável boina xadrez, o suspensório e a camisa branca que ele mesmo havia costurado. Vovô Bertô era o melhor alfaiate da região, e eu sonhava em ser como ele um dia.

— Preciso ir. 

— Eei, não posso conhecer seu avô?

Suspirei abrindo a porta rapidamente, saltando para fora num pulo. Haviam muitas pessoas boas naquele lugar, mas como em todo lugar, também havia ruins.

E era uma pessoa em particular que eu temia. Um garoto com quem eu tive algo tão breve que nem posso chamar de relacionamento. Ele não podia ver alguém como o Gabigol ali.

— Pitica! Querida, você quase me matou de preocupação… —  O velhinho levou a mão ao peito e fez uma pose dramática —  Onde você… Ei, aquele dentro do carro é o Gabigol?

— Oi senhor! —  Gabriel acenou de dentro do carro e estava com a mão na porta prestes a abrir.

— E-ele é amigo da Raquel, sabe como ela é influente, né? Ele só me deu uma carona, só isso.

Falei enquanto o alcançava e fiquei na ponta do pé para beijar sua testa.

— Por que minha pequena não me ligou ontem à noite? Você sempre me avisa quando vai dormir fora e eu nunca me preocupo porque sei que está na casa dessa menina. Mas sei que foi pra’quela boate asquerosa e ainda por cima não voltou pra casa.

— A culpa foi minha, Bertô! —  Raquel berrou de dentro do carro, os óculos Chanel reluzindo ao sol —  O celular dela descarregou e eu não consegui achar o carregador pra emprestar. E o senhor sabe como o sono da sua neta é pesado né? Pois então, ela caiu no sono.

Ele pareceu não levar muita fé nas palavras dela, mas confiava em mim, então respirou sossegado.

— Isso é verdade, seu Gabigol? Foi isso mesmo que aconteceu?

— Sim senhor, foi isso. A Louise pegou no sono, foi isso. E-eu me ofereci pra trazê-la porque ela estava preocupada com o senhor então não quis que ela ficasse esperando o ônibus.

Senti a mão enrugada e macia de meu avô entrelaçando a minha e sorri.

— Obrigado, rapaz. Tem a minha gratidão por cuidar de minha neta.

Raquel escorregou no banco e disse alguma coisa pra Gabriel.

Tentei ignorar a pontinha de ciúme por saber que ele a deixaria em seu apartamento e com certeza ela investiria nele mais uma vez, mas enterrei aquele pensamento.

Gabriel e eu nunca daríamos certo.

Eu não era burra, eu sabia que tinha uma aparência que chamava a atenção de certos garotos. Meu avô me levou muitas vezes em concursos de beleza teen quando minha mãe faleceu, mas aquela vida era cruel demais pra mim, e graças a Deus ele entendeu quando pedi pra sair dos concursos.

E eu sabia que Gabriel se sentiu atraído, e Deus sabe o quanto eu também fiquei.

Mas caras como ele, que estavam acostumados a ter tudo, e quem quisessem ficariam entediados facilmente comigo.

Eu sairia com o coração partido, e ele logo me trocaria por alguma gostosona de Instagram sem ao menos se lembrar de mim.

— Fiz pão caseiro, filha. Não quer convidar o menino pra comer com a gente?

Meneei a cabeça.

— Não, vô. É nosso café da manhã, ritual sagrado, lembra? Só o senhor e eu.

Um sorriso gigantesco se abriu entre os seus  lábios finos e ele assentiu com veemência.

Acenei para o carro e Gabriel me observou com olhos fixos de quem não queria sair dali.

Enganchamos nossos braços e caminhamos devagar até a casinha de número 23, com escadinhas de madeira que davam para uma varanda aconchegante com balanços e muros baixos cobertos de plantinhas.

A porta estava aberta e ao lado do número 23 havia uma plaquinha de metal com os dizeres “Bertô, o alfaiate”.

O cheiro de pão caseiro ia até a varanda e o som da tevê ligada na sala me receberam com calor.

Arrisquei olhar para trás e Gabriel ainda estava lá, me olhando.


Notas Finais


Obrigada por ler 🍯

Em breve vou postar uma short do Toni Kroos e já volto com A Nova Cinderela, Purple Rain e o bônus de Nasty 💕


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