História My Clarity - Capítulo 4


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Categorias Grey's Anatomy
Personagens Alexander "Alex" Karev, Andrew DeLuca, Jo Wilson, Meredith Grey
Tags Andrew Deluca, Grey's Anatomy, Meredith Grey, Merluca
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Palavras 3.703
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, amores e apaixonados por Grey's Anatomy ♥

Desculpe a demora, as últimas semanas foram agitadas demais e não tive como escrever para vocês. Mas voltamos com esse casal que é muito meu amorzinho. Espero que gostem do capítulo e de como a ida de Andrew à casa da Mer se desenvolveu!

P.S.: Neste capítulo eu não fiz nenhuma referência direta a acontecimentos da 15° temporada. Então sem spoilers! Foi somente minha imaginação. Ah e novamente fiz menção as narrações, desta vez do terceiro episódio da 15° temporada no início e final do capítulo, somente isso.

Capítulo 4 - O Apagão


Fanfic / Fanfiction My Clarity - Capítulo 4 - O Apagão

“Nos primeiros dias da medicina, estudantes de cirurgia aperfeiçoavam suas técnicas de costura em galhos de árvores. Porque, quando se depara com um osso exposto em uma amputação, o instinto humano é recuar, não cortar. Precisávamos de estudantes que ignorassem o costume de seguir o seu instinto. Boa parte do nosso treinamento é ignorar o instinto, desenvolvendo novos hábitos. Não reaja a notícias ruins na frente dos pacientes. Não mostre medo diante da incerteza. Quando você estiver diante daquele osso exposto, corte. Então, o truque é tentar se manter humano quando acabarmos com todos esses sentimentos intuitivos, todos esses instintos confusos.”.

Você precisa estar aberta a sentir, Meredith.”.

Fora essa a última coisa que ouvira Cece dizer, antes de sair correndo do quarto dela no hospital.

Ela fez tantas perguntas que sentia náuseas agora. Sua mente mal conseguiu processar a humilhação a qual se submeteu. Era uma cirurgiã premiada e estava pagando alguém para lhe arrumar uma vida sexual. Meu Deus. Gostaria de pular fora enquanto havia tempo, mas se conteve.

Tinha prometido a ela e a si mesma que daria uma chance ao amor.

Estava atrasada, seu turno havia acabado a dez minutos atrás. Buscou Ellis na creche e saiu apressada caminhando pelo estacionamento, ouvindo a caçula comentar animada sobre o dia na creche com palavras que ela não compreendia muito bem.

Sorriu e beijou-a na fronte.

A colocou na cadeirinha de proteção e deu a volta no carro, dando partida e seguindo para casa.

Tentava se manter no controle da situação e não surtar com o fato de que Andrew Deluca, o homem que vinha tirando seu sono e deixando-a com pensamentos inapropriados ao seu respeito, estaria lá também em alguns minutos.

Respira, Meredith.

Praguejou-se por ter enviado aquela mensagem. Ele já havia se oferecido para ajudar com a receita, não precisava relembrá-lo como se tivesse alguma obrigação para com ela. Íntimo demais, droga. Poderia causar segundas e equivocadas impressões. O.K. Não tão equivocadas assim, afinal, seus sonhos diziam o contrário... Mas esta é uma informação que seu melhor residente, definitivamente, não precisava saber.

“Senhor Urso cor-de-rosa”, mais estúpido que isso impossível.

Sentia-se nervosa e seu coração quase parou ao ouvir o celular apitar. Uma nova mensagem. Era ele. Será que ele havia cancelado? Seria rude da sua parte. Não, não, não. Precisava de sua ajuda. Era um fiasco na cozinha e Zola ficaria tão decepcionada caso ela não fizesse uma receita brasileira saborosa. Suas mãos tremiam e por sorte um sinal vermelho no trânsito a fez parar.

Finalmente tomou coragem e pegou o celular no banco do passageiro:

Oi, desculpe a espera. Fui chamado para uma emergência. Estarei aí como o prometido.”.

Tão gentil.

Um sorriso embasbacado atingira seu rosto e pôde notá-lo pelo retrovisor. Desde quando havia retrocedido anos no tempo? Sentia-se uma adolescente. Daqui a pouco as ilustres borboletas dariam o ar da graça em seu estômago...

O sinal abril e prosseguiu, ligando o rádio na sua estação favorita numa tentativa de afastar os pensamentos.

Open Your Eyes da Snow Patrol tocava.

 

Tudo isso parece estranho e irreal

E eu não vou desperdiçar um minuto sem você

Meus ossos doem, minha pele sente frio

E eu estou ficando tão cansado e tão velho...

 

Isso só poderia ser uma piada, pensou.

 

A raiva me corrói por dentro

E eu não vou sentir esses pedaços e cortes

Eu quero tanto abrir seus olhos

Por que eu preciso que você olhe dentro dos meus...

 

Mantinha as mãos no volante e seus devaneios levaram sua mente para longe dali. Sentiu uma vontade repentina de chorar. Um vazio a tomou por completo, fazendo os olhos marejarem e sua visão ficar embaçada. Logo tratou de passar a mão no rosto, afastando as lágrimas. Não queria colocar sua pequena Ellis em risco. Mas algo naquela música a tocou profundamente, como um tapa na cara. Pensou em Derek. Em tudo que ele havia levado consigo quando morreu. Ele se foi e levou todo a esperança da sua vida. Ela tinha recuperado e conquistado tanto até então. Contudo, algo nesta letra a recordava dos tempos saudosos que viveram juntos e o quão desejou no fundo do teu âmago que os policiais em sua porta naquela noite tivessem errado de endereço, que eles não a tivessem colocado no carro com seus filhos e os levado para o pior pesadelo de suas vidas. Porém a dor em seu peito era real demais. As cicatrizes causadas por tanto sofrimento, apesar de curadas, ainda a incomodavam vez ou outra, exatamente como agora. Elas estavam marcadas em sua pele gélida, esticando a carne e não a deixando esquecer seu passado.

 

Me diga que você abrirá os olhos...

 

O que estava acontecendo consigo?

 

Me diga que você abrirá os olhos...

 

Desligou o rádio num ímpeto.

E permaneceu em silêncio, concentrando-se em sua respiração. Ellis acabou pegando no sono, a cabeça apoiada na lateral da cadeirinha e ela ficou agradecida por isso. Avistou sua casa iluminada da esquina e logo mais colocou seu carro na garagem, pegando cuidadosamente a garotinha frágil em seu colo. Não poderia de forma alguma acordá-la ou encontraria dificuldade para fazê-la dormir novamente. Carregou suas coisas com a outra mão livre e adentrou a casa. Notou Zola e Bailey fazendo suas tarefas de casa e sorriu, sentindo-se um pouco mais leve e seu coração preenchido pelo amor que eles faziam transbordar, afastando de vez quaisquer fantasmas que tentavam lhe atormentar. Tereza, a babá, os assistia encostada na bancada da cozinha e acenou quando a viu, chamando atenção das crianças.

– Oi, meus amores. – disse, baixinho e depositou um beijinho na testa de cada um. – Vou colocar a irmã de vocês na cama e volto para saber como foi o dia de vocês.

E assim o fez.

– Voltei.

Puxou uma banqueta e sentou-se entre eles.

– Oi, mãe. – Zola falou. – Terminei minha tarefa de matemática. Hoje ensaiamos a feira das nações e foi tão legal. – estava empolgada. – Serei a oradora da turma durante a apresentação.

– Tenho uma pequena grande garota se tornando uma líder, Tereza. Muito orgulho de você, Zozo. – sorriu escancarado, abraçando a filha. – Amanhã, durante o caminho da escola, quero que apresente para mim, certo? Agora está tarde, hora de dormir.

– E o prato típico do Brasil?

– Fique tranquila. A mamãe receberá logo, logo um amigo do hospital que irá ajudá-la a preparar brigadeiro.

– Brigadeiro?

– Aparentemente é um doce muito saboroso.

–  Obrigada, mãe.

– Agora guarde seus materiais, suba, escove os dentes e boa noite. E você, rapazinho? – voltou-se para Bailey, que parecia desanimado.

– Ele encontrou dificuldades com a tarefa de ciências. – Tereza explicou.

– Bailey, está tudo bem. Você conseguiu terminar? – afagou seus cabelos loiros.

– Sim, mas eu não queria decepcionar a senhora. – fez biquinho.

– Está tudo bem sentir dificuldades para realizar um trabalho difícil, Bailey. – explicou. – Eu estarei aqui para apoiá-lo e estudar com você, okay?

– A senhora irá estudar comigo?

– É claro que sim! A mamãe adorava ciências na época da escola, mas eu simplesmente era uma catástrofe em matemática, diferente da Zozo.

– E quem estudou com você? A vovó Ellis?

Meredith arrependeu-se amargamente de ter citado este exemplo deprimente. É claro que Ellis Grey jamais perderia seu precioso tempo ajudando-a numa tarefa da escola. Ela contratava professores particulares para isso. Optou por omitir essa parte da história, pois gostaria que seu filho sentisse que poderia contar com ela para tudo.

– Sim, a vovó Ellis. E foi com a ajuda dela que eu acabei tirando uma nota super, super alta em ciências. – deu uma piscadela.

– Eu tenho chances de tirar uma nota super, super alta também?

– É claro que sim. Você pode tudo, meu bem! Agora já para cama. – fez cócegas no garotinho, arrancando risadas dele. – Faça o mesmo que sua irmã e daqui a pouco irei conferir se precisam de alguma coisa.

– Boa noite, mamãe.

– Boa noite, filho.

– Eles são incríveis. – Tereza disse, observando o menino subir as escadas com sua mochila.

– São sim. Obrigada por tudo, Tereza. Está tarde, é melhor ir. Até amanhã.

– Tchau. Meredith. Boa noite!

Suspirou.

Olhou a hora no relógio em seu pulso e saltou da banqueta.

Droga, Andrew chegaria em instantes.

Ela precisava de um banho e subiu correndo as escadas, passando no quarto das crianças para ver Zola adormecida, Ellis abraçada ao seu ursinho cor-de-rosa e Bailey acomodando-se. Deixou alguns beijinhos no ar e fechou a porta, indo até seu quarto e despindo-se rapidamente.

Ligou o chuveiro e estremeceu com a água fria caindo sobre seu corpo. Praguejou, o aquecedor havia quebrado novamente e agora ela congelaria ali. Ensaboou-se e usou sua loção de lavanda nos cabelos, provavelmente não teria tempo para secá-los com o secador, mas não se importou. Menos de dez minutos depois estava enrolada em seu roupão. Vestiu um short jeans curto, uma camisa velha de Dartmouth e um casaco, ignorando o frio que sentia nas pernas. Acenderia a lareira assim que descesse para aquecê-la. Penteou os cabelos e assim que ligou o secador, ouviu a campainha tocar.

É ele, só pode ser.

De repente, sentiu um formigamento por todo o corpo. Ele já estivera em sua casa outras vezes, mas nunca assim. Nunca nada fora tão pessoal e exalou tanta tensão. Talvez ela estivesse louca e fosse a única parte desta equação a pensar dessa forma. Ou talvez todos aqueles olhares pelos corredores do hospital estivessem com toda a intensidade desconcertante sobre ela aqui, tirando-a de órbita.

Por Deus, desconhecia se gostaria de estar enganada ou não sobre.

Quando caiu em si, percebeu que estava parada em frente ao espelho do banheiro e a campainha tocou novamente, despertando-a.

Largou o secador na pia e ajeitou os cabelos com as mãos, deixando-os com uma aparência um pouco bagunçada e saiu do quarto, tentando manter a compostura e descendo os degraus na ponta dos pés, para não acordar as crianças.

Hesitou com a mão na maçaneta e expeliu o ar que parecia ter ficado preso por sabe-se lá quanto tempo...

Fechou os olhos e tentou agir com naturalidade:

– Oi, você veio. – deu espaço para que ele pudesse entrar. – Entre, desculpe a demora. Acabei de sair do banho.

Ok, Meredith, você está falando demais.”.

Ual.

Ele estava segurando uma sacola e o vento frio típico das noites de Seattle fez com que o perfume amadeirado que ele exalava tomasse conta de todo o ambiente ao passar por ela. Um calor repentino a invadiu. O cabelo minuciosamente penteado, com exceção de uma mecha que fazia um cacho escorrer sobre sua testa e fazê-lo passar a mão livre para tentar colocá-la de volta no lugar. Provavelmente fora o capacete que a bagunçou. Ele trajava a jaqueta de couro preto que o deixava sexy, tanto quanto em seus sonhos. A camisa vermelha de manga comprida em evidência. Tinha quase certeza de que estava sendo uma idiota ali parada encarando-o.

– Está tudo bem. – ele sorriu. – Trouxe os ingredientes. Aonde posso deixar isso aqui? – levantou o capacete.

Por favor, não sorria assim...

– Você irá salvar a minha pele hoje. – pegou o capacete e suas mãos acabaram se tocando. – Vou deixar aqui no sofá.

– Não é nada demais. Brigadeiro é uma das receitas mais fáceis que eu conheço. Cadê as crianças?

Andrew a seguiu até a cozinha, deixando a sacola na bancada.

– Estão dormindo, já é tarde. – disse. – Então você sabe mesmo cozinhar?

– Eu moro sozinho há muito tempo e quando pequeno, minha mãe abriu um restaurante assim que chegamos em Seattle, aprendi alguns truques ajudando-a quando voltava do colégio. – explicou, tirando a jaqueta e indo colocá-la sobre o capacete no sofá. – Então posso dizer que não sou de todo o mal.

– Bom, com certeza é melhor que eu. Pelo menos uma vez na semana eu tenho que queimar os ovos ou panquecas do café da manhã e acabar disparando o alarme de incêndio. – riu.

O som da sua risada o deixou mais relaxado por estar ali e o fez rir junto dela. Na casa de Meredith Grey. Ter se auto convidado para a ajudar com a feira das nações de Zola fora uma atitude impulsiva e corajosa de sua parte. Passou o resto de seu turno no hospital remoendo isso em seu cérebro e quando leu a mensagem que ela tinha enviado, recordando o apelido que Ellis havia o chamado mais cedo, fez seu coração quase saltar do peito. Não sabia ao certo denominar o que estava acontecendo. Era estranho não conseguir vê-la somente como sua mentora super premiada. A mulher que estava a sua frente agora o deixava maravilhado. O cabelo dela ainda estava molhado e caía sobre seu rosto. Gostaria de tocar em sua bochecha e afastar os fios para que pudesse vê-la com clareza e ainda mais de perto. Lavanda. Gravaria aquele cheiro para sempre em sua memória. O short deixava suas pernas compridas à mostra. Pareciam tão macias. Já a tinha visto anteriormente com aquela camisa de Dartmouth quando passara uma semana dormindo em seu sofá após a partida de Sam. Podia notar alguns furos na região do abdômen e isso o fez sorrir. Provavelmente seria uma daquelas peças que não importa o estado, continuarão a serem as mais confortáveis. As sardas na região do torso estavam expostas e quis contar cada uma delas, descobrir até onde alcançavam. Ela apoiou-se no balcão, mexendo as mãos, parecia nervosa. Não sabia dizer ao certo, assim como ainda não sabe determinar a cor dos seus olhos. Se azuis ou verdes, contudo, embriagantes.

Ela era linda.

– O que está olhando?

Ele tinha a cabeça inclinada, como de costume, fitando-a sem dó.

– Eu aposto que as crianças adoram. – ele brincou, mudando de assunto.

– Eles entram em pânico todas as vezes que me veem na cozinha. – endireitou a postura e começou a tirar os produtos da sacola. – Vamos ver o que temos...

– Leite condensado, chocolate em pó, manteiga e algumas formas de papel coloridas.

– Eu me sinto mal por trazê-lo aqui somente para fazer uma receita de três ingredientes.

– É um prazer, Dra. Grey.

– Você já notou que não estamos no hospital, certo? – ela olhou em volta.

– É o costume, Meredith. – sorriu. – Vou lavar as mãos para começarmos.

– O que devo fazer?

– Observar.

– Não, eu preciso dizer a Zola que fiz algo de útil. – protestou, cruzando os braços.

– E fez. Conseguiu um chefe italiano.

– Ual, convencido. – ela riu, corando.

– Você ficou vermelha.

– Não mesmo. – sentou-se no balcão, balançando as pernas.

Vê-lo daquela forma, tão descontraído e aparentemente à vontade a excitava. Não conseguia negar. Havia algo ali ou ela simplesmente estaria louca. Seguiu cada movimento dele, levantando as mangas da camisa para não atrapalhar. Os músculos das omoplatas se contraindo e de repente ela já não sentia mais frio e tirou o casaco, deixando-o na banqueta.

Foco, Meredith.

– Então você já conheceu o Brasil?

– Sim, fiz uma pequena excursão por alguns países da América do Sul assim que completei dezoito anos. Brasil, Argentina e Peru.

– Que legal. Eu também tive um momento parecido, só que pela Europa. Tipo um ano sabático. Minha mãe quase enlouqueceu. – comentou.

– Foi antes ou depois da faculdade de medicina?

– Antes.

– Me diz que conheceu a Itália, por favor.

– Sim, mas foi somente por um dia. Na época eu estava mais interessada em tequila e sexo.

Por que diabos você está contando essas coisas???

– E agora não está mais?

– Não entendi.

– Tequila e sexo. – provocou.

– Ah, sim. Outras prioridades, quer-r dizer, sexo é sempre bom, mas não é como se fosse... – fez uma pausa. – Eu sou uma mulher adulta, com uma carreira a zelar e três filhos. Você deve estar procurando aonde ficam as panelas – mudou de assunto ao vê-lo abrir as portas do armário. – Quarta porta à sua esquerda, na parte de cima. – apontou.

– Certo.

– Mas eu preciso ir à Suíça. – complementou.

– Cristina Yang.

– Como sabe?

– Todo o hospital sabe que vocês costumavam ser uma dupla imbatível.

Essa lembrança a fez sorrir novamente, sentia falta da sua pessoa.

– Nós éramos.

Andrew despejou o conteúdo da lata na panela e começou a mexer, colocando em seguida o achocolatado.

– Isso cheira bem.

– Você irá gostar. Depois que ficar pronto, temos que esperar esfriar para enrolarmos.

– Eu ainda não sei como te agradecer.

– Não precisa.

Mais alguns minutinhos e a receita estava pronta.

– Agora é só esperar.

– Quer beber alguma coisa? Tem cerveja na geladeira.

– Aceito.

– Irei te acompanhar.  

Meredith pegou duas garrafas, as abriu e sentou-se novamente no balcão, entregando a Andrew a garrafa dele. Ele puxou uma banqueta e colocou a sua frente, a poucos passos de distância.

– Já escolheu a sua especialidade?

– Bom, eu gosto da Pediatria e tenho uma queda e tanto pela Geral. – comentou, astucioso.

– E é?

– Sim, é uma área surpreendente.

– Você é o melhor residente cirúrgico do Grey-Sloan, então devo dizer que um grande residente combina com uma área tão grandiosa quanto você sabe qual.

– Especialmente se a chefe dela for a mulher maravilha.

– Como? – tomou um gole da sua cerveja, encarando-o.

– É como eu e os estagiários costumamos te chamar quando está dentro da sala de cirurgia.

– Gostei. – sorriu, satisfeita e orgulhosa.

Apoiou um dos seus pés na bancada, colocando o queixo sobre o joelho, de modo a abraçar suas próprias pernas.

Um silêncio constrangedor os atingiu e ele não conseguia parar de encará-la, de notar cada gesto. Cada movimento que ela fazia o deixava em transe. E ela constatou, pois tinha algo de magnético ao sentir aqueles olhos castanhos sobre si.

Para disfarçar, tomou outro longo gole de sua cerveja.

Estava confortável e um tanto surpresa pela conversa entre os dois estar sendo tão agradável e natural. Ele era divertido e ligeiramente presunçoso. Gostava disso, apesar de que poderia perceber também certo nervosismo em sua feição, como se estar ali diante dela fosse algo surreal demais para estar convencido.

– Você me impressiona, Dra. Grey. – ele soltou aquelas palavras subitamente, vendo-a franzir a testa.

E antes que ele captasse alguma outra reação dela, viram-se na mais completa escuridão.

Um apagão.

– Andrew? – ela perguntou, sobressaltada, saindo do balcão.

– Estou aqui. – levantou-se, percebendo então o quão próximos estavam a ponto de sentir a respiração dela entrecortada.

– Houve um apagão. – murmurou, tentando sair dali.

O corpo dele exalando calor a menos de um palmo de distância, podia sentir seu hálito sobre seu rosto e as luzes da rua causando sombras, possibilitando que ela admirasse seus olhos e lábios carnudos tão de perto. A barba perfeitamente alinhada. As mãos dele se aproximando da lateral do seu corpo e traçando uma linha imaginária por seus braços.

– Precisamos ir até a caixa de energia. – sussurrou.

– Acho que sim.

Não conseguia evitar aquele perfume embriagante e aquela pele tão convidativa. Suas mãos receosas tocaram aos poucos seus braços.

Tão macia.

– Andrew.

– Meredith.

Seus rosto encurtou ainda mais a distância, inclinando-se ao encontro do dela.

– Essa não é uma boa ideia.

– Por que não?

– Você é meu aluno.

Ela afastou-se, indo em direção a área de serviço com a ajuda da lanterna do celular, onde ficava a caixa de energia da casa.

Merda.

– O que vai fazer? – ele indagou depois de respirar fundo e retomar o auto controle que havia se esvaído há muito tempo.

– Preciso conferir a caixa de energia. O apagão aparentemente foi só aqui. – ela gritou.

– É perigoso, Meredith. Deixe que eu faço isso. – a seguiu.

– Isso já aconteceu outras vezes.

– O disjuntor queimou. – a alcançou antes que ela pudesse abrir a caixa.

– Droga. Agora só amanhã pela manhã.

 – Podemos acender a lareira para iluminar a sala.

– Ótimo.

Afastou-se novamente, deixando-o no escuro.

Não queria ter que fitá-lo agora, pois não saberia se poderia resistir outra vez.

– Quer ajuda?

Ela o ignorou e acendeu a lareira sozinha.

– Fique aqui. Preciso ver se está tudo bem com as crianças.

Merda. Merda. Merda.

Agora ela estava fugindo dele, pois fora incapaz de se controlar. Não precisava ter avançado tantos sinais em tão pouco tempo. Mas havia algo acontecendo entre eles e agora estava mais do que comprovado.

Sentou-se no sofá.

Segundos depois ela retornou, ainda tinha a lanterna do celular ligada.

– Vamos enrolar os brigadeiros para você ir para sua casa.

– Então é isso?

– Isso o quê?

– Você vai fugir?

– Eu não estou fugindo. – cruzou os braços, parando do outro lado da sala.

– É o que parece.

– Andrew, vamos fingir que nada aconteceu, porque de fato nada aconteceu. Você é meu aluno, eu sou sua mentora e ponto final. Esta noite fomos apenas colegas de trabalho passando um pouco de tempo juntos e nada mais.

– Certo.

Ele levantou-se e partiu em direção a cozinha, deixando-a sozinha.

Começou a enrolar os brigadeiros e colocá-los nas formas.

– Irei ajudar.

– Você não precisa.

– Eu quero. – assegurou, sentando-se ao lado dele.

Outro silêncio constrangedor. Este, diferente do outro, a incomodava. Sabia que haviam ultrapassado o limite e agora não tinha como voltar atrás tão fácil como ela quis dizer em seu pequeno discurso. A tensão entre eles pareceu triplicar e ela optou por tomar o resto do conteúdo da garrafa de uma só vez.

– Eu não me arrependo, Meredith.

– De quê?

– De tê-la beijado no casamento, porque aquele beijo é tudo o que consigo pensar desde então.

Ela engoliu em seco, encarando-o mais uma vez. Enfiou um dedo na panela de brigadeiro e provou, tentando ignorar o que havia escutado.

Isso não poderia estar acontecendo.

– Ficou uma delícia.

Foi tudo o que conseguiu dizer.

Gostaria de simplesmente ceder aos seus instintos e beijá-lo ali mesmo. Sentir aquelas mãos firmes percorrendo todo o seu corpo exatamente como em seus sonhos. Mas o resto de bom senso que lhe restava a impedia de seguir em frente.

Era boa em fugir do amor, sempre fora.

Porém, algo naqueles olhos castanhos a puxava de volta e a fazia vacilar. Como se seu cérebro fosse acometido por um apagão e todo o universo ao seu redor fosse colocado em modo pause e aquele magnetismo palpável entre eles fosse o único a estar em movimento.

Levando-a sempre para ele.

“Então, o que acontece naqueles momentos em que não há um roteiro? Devemos seguir nosso instinto? Se o instinto é tudo o que temos, nem sempre é algo ruim. Pode nos levar a lugares maravilhosos, lugares felizes. E também pode servir como um propósito importante, porque nosso instinto é o que normalmente nos alerta quando há problemas pela frente.”.

 


Notas Finais


Muito obrigada a todos que favoritaram e comentaram. Vocês enchem meu coração de alegria ♥ Comentários, críticas construtivas e sugestões serão sempre bem-vindos!

O que acharam do capítulo? Seguir mais uma linha criativa e eu amei. Desculpa se não acabou rolando beijo, mas é que quero seguir mais ou menos o tempo da Mer no desenrolar do relacionamento dos dois, assim como foi na 15° temporada, mesmo que em alguns momentos eu siga por um caminho diferente. Eu surto demais escrevendo essas cenas, minha vontade é de sair descrevendo uma cena hot desses dois e pronto. Mas tenho que acalmar meu coração #Merluca, haha! Será que na sequência dessa cena do apagão e da confissão de Deluca quanto ao beijo do casamento, acontecerá o tão aguardado beijo? Me digam o que esperam ou o que gostariam de ver acontecendo, prometo tentar postar com mais frequência e antes da próxima quarta. Pelo menos dois capítulos por semana. Beijos e até o próximo!

P.s.: Alguém acompanhando a 16° temporada para surtar comigo? Não estou sabendo lidar com as fofuras das cenas #Merluca, socorro.


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