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História My Demon - Capítulo 55


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Capítulo 55 - My Demon


Fanfic / Fanfiction My Demon - Capítulo 55 - My Demon

[continuação]

 

O bramido de Mard Geer se converteu em um grito de agonia. Cambaleou para trás e elevou o olhar para descobrir o atacante.

Estavam por toda parte.

O terraço estava cheio de guerreiros que usavam a túnica dos Redfox. Rodeavam por inteiro o salão. Quase todos os soldados tinham flechas preparadas nos arcos e ao barão Mard Geer em suas miras.

Antes de morrer, apareceu uma fugaz expressão de reconhecimento nos olhos de Mard Geer ao contemplar o guerreiro gigante que estava diretamente em cima de Lucy. O olhar de Gajeel estava fixo sobre o barão enquanto esticava com lentidão a mão para trás para pegar outra flecha do alforje.

Compreendia porque os seus soldados nortenhos foram derrotados antes.

A morte apareceu no semblante apavorado de Mard Geer. A flecha seguinte acabou com a vida do barão, cravando-se no meio da fronte. E em seguida, uma chuva de flechas atravessou a quietude para atingir o alvo. A força de todos os projéteis, lançados ao mesmo tempo, sacudiu o corpo de Mard Geer em todas as direções, e quando por fim caiu ao chão tinha ao menos cinqüenta cravadas em todas as partes.

Lúcifer tinha se apropriado de sua alma.

Lucy girou, ergueu o olhar e viu Gajeel acima dela. Natsu estava junto a ele. Os dois entregaram os arcos e os alforjes aos soldados que estavam detrás deles e desceram as escadas. Todos os outros homens do clã tinham flechas dispostas nos arcos. O alvo agora era o barão Jiemma, que estava escondido em um canto do salão.

Lucy não esperou que Gajeel se aproximasse dela: assim que apareceu na entrada do salão, deixou cair a adaga e correu para ele. Gajeel não se deixou abraçar, nem sequer a olhou: tinha o olhar fixo no barão Jiemma.

— Isto ainda não terminou. — disse em tom áspero. Empurrou-a com suavidade detrás de si — Mais tarde receberei suas manifestações de carinho, esposa.

Sem dúvida, a frase seguinte de Lucy salvou a vida de Jiemma. Gajeel se adiantou, mas para ouvir o sussurro da mulher se deteve em seco:

— E você me explicará por que demorou tanto, milorde.

Um lento sorriso dissipou o semblante de Gajeel. Continuou cruzando o salão, agarrou Jiemma pelos ombros até colocá-lo de pé e lhe estrelou o punho no rosto.

— Deixo-o viver com um só objetivo: — afirmou Gajeel — Que leve uma mensagem ao rei e me economize a viagem. Estive separado muito tempo de minha esposa e a idéia de ver o rei Silver III me revolve o estômago.

Do nariz quebrado do barão Jiemma emanava sangue.

— Sim, sim… — gaguejou — …darei a mensagem que você desejar.

Gajeel arrastou o barão sobre a mesa e o jogou em uma cadeira.

Falou-lhe em voz tão baixa que Lucy não pôde ouvir o que lhe dizia.

Tentou aproximar-se, mas imediatamente ficou rodeada de soldados que lhe fecharam o caminho. Natsu também queria saber o que Gajeel dizia ao barão, mas os soldados tampouco o deixaram aproximar-se. Ao dar a volta até a irmã, viu que Lucy contemplava Mard Geer e imediatamente se colocou diante dela.

— Não olhe. — ordenou Natsu — Já não pode te fazer mais mal: está morto.

Considerando que o corpo do Mard Geer estava coberto de flechas da cabeça aos pés, era uma exigência ridícula. Lucy estava a ponto de destacar-lhe quando o irmão voltou a falar:

— Eu o matei. — se gabou.

Rufus se adiantou.

— Não, Natsu, eu o matei. — exclamou, quase gritando.

De repente, todos os soldados começaram a alardear que cada um tinha acabado com a vida do barão Mard Geer. Lucy não compreendeu o que acontecia nem por que era tão importante determinar quem era o responsável pela morte do barão.

Nesse momento, Natsu sorriu. Advertiu a confusão da irmã e se apressou a lhe explicar:

— Lucy, seu marido me protege de meu próprio rei. Embora Gajeel jamais o admitisse, assegura-se de que não possam me acusar de matar outro barão. Todos os seus homens continuarão gabando-se de tê-lo matado. Não obstante… — acrescentou ao ver que Rufus assentia — …o fato é que eu o matei.

— Não, moço, eu o matei. — gritou lorde Strauss do terraço.

Então, tudo começou outra vez. Quando Gajeel terminou com o barão Jiemma, o salão retumbava com os gritos. O lorde fez o barão levantar e esboçou um gesto de satisfação. Esperou que terminasse o vozerio, e disse a Jiemma:

— Dirá ao rei que no mínimo sessenta homens se atribuem a morte de seu barão favorito.

— Sim. — respondeu Jiemma — Direi.

— E depois de ter transmitido minha outra mensagem, sugiro-lhe que faça uma coisa para me agradar.

— O que for… — prometeu Jiemma, tonto de medo — Farei.

Gajeel observou o homem por um longo momento antes de lhe dar a indicação final:

— Esconda-se.

Não foi necessário que acrescentasse nada: Jiemma entendeu perfeitamente. Assentiu e saiu correndo do salão. Gajeel o observou partir e em seguida se voltou. Ordenou a dois dos soldados que retirassem o cadáver do quarto. Cana e Laxus se adiantaram para encarregar-se da tarefa.

Natsu e Lucy estavam juntos no outro extremo do salão, com Rufus e Jet.

— Acabou-se, irmãzinha. — murmurou Natsu. Passou-lhe o braço pelos ombros e a aproximou dele — Nunca voltará a te machucar.

— Sim. — respondeu Lucy — Acabou e agora poderá deixar de lado a culpa. Nunca foi responsável pelo que me aconteceu no passado. Mesmo naquela época difícil, eu fui responsável por meu próprio destino.

O irmão negou com a cabeça.

— Tinha que ter sabido. — disse — Tinha que ter te protegido.

A jovem elevou a cabeça e o olhou:

— Por isso deixou que Laxus de casasse com Mira, não é? Para protegê-la.

— Alguém tinha que fazê-lo! — admitiu Natsu.

Lucy sorriu, pensando que não tinha importância. O que na verdade importava era o futuro compartilhado de ambos. Lucy estava convencida de que com o tempo Mira se apaixonaria por Laxus, pois era um homem bondoso e de bom coração, mesmo que fosse orgulhoso e arrogante que nem Gajeel. E Mira chegaria a compreender sua boa sorte. Também Laxus chegaria a amá-la, pois Mira era uma mulher doce.

"Sim — pensou Lucy — será um bom casamento".

Gajeel a contemplava. A seu lado estava lorde Strauss que agitava as mãos enquanto falava com o marido de Lucy. Cada tanto, Gajeel movia a cabeça.

— O que será que inquieta tanto ao lorde Strauss? — disse Lucy.

— É provável que queira percorrer o castelo antes de ir ao porão tirar Etherious dali. — respondeu Natsu.

Lucy não podia afastar o olhar do marido. Por que demorava tanto em aproximar-se dela? Não sabia quanto ela necessitava de seu consolo?

— Por que Gajeel não me presta atenção? — perguntou-lhe ao irmão.

— Não posso lhe adivinhar o pensamento. — respondeu Natsu — Suponho que quer acalmar-se antes de lhe falar. Deu-lhe um susto terrível. Aconselho-te que tenha uma desculpa preparada. Ele esburacou a muralha de tanta raiva! Em seu lugar, eu me mostraria humilde! — lhe sugeriu.

— Não vejo por que teria que oferecer uma desculpa.

Rufus deu um passo adiante e lhe respondeu:

— Não ficou onde a colocaram, milady.

Natsu conteve a risada. Pela expressão da irmã soube que não lhe agradava a explicação: se os olhares pudessem ferir, nesse momento Rufus estaria estirado sobre o chão, mudo de agudas dores. Lucy se separou do irmão.

— Fiz o que era necessário! — disse  a Rufus.

—O que acredita ser necessário. — a corrigiu Natsu.

Do outro lado do salão, Gajeel assentiu, demonstrando que estava ouvindo a conversa e Lucy disse, elevando a voz:

— Ao partir, estava protegendo meu clã.

Cada um de nós está disposto a morrer para proteger os outros. — interveio Jet sorrindo a Lucy e repetindo suas palavras. Ficou em evidência que tinha estado escondido em uma das entradas do terraço durante o confronto de Lucy com Mard Geer.

— Quanto foi que ouviu? — perguntou a jovem.

— Tudo. — respondeu Jet.

Rufus assentiu:

— Somos bons companheiros. Todos aprendemos a lição que nos deu, milady.

Ao ver que Lucy se ruborizava, Natsu pensou que lhe dava pudor a evidente adoração que os soldados sentiam por ela: tanto Rufus quanto Jet pareciam dispostos a prostrar-se diante de Lucy para lhe render homenagens.

— Estamos muito orgulhosos de si, milady. — sussurrou Jet com voz trêmula de emoção.

Lucy se ruborizou mais ainda: sabia que se continuassem elogiando-a começaria a chorar... E isso sim seria embaraçoso! Não podia permiti-lo e se precipitou a mudar de assunto. Elevou o olhar para o terraço e em seguida se voltou para Rufus.

— Das janelas até o chão há uma grande distancia. Como fez para entrar?

Rufus riu.

— Me surpreende que pergunte isso.

— Pergunto. — replicou Lucy, sem saber no que consistia a graça do assunto — Por favor, me explique como entrou.

— Lady Lucy, sempre há mais de uma maneira de entrar em um castelo.

Lucy rompeu em gargalhadas e sua risada estava tão repleta de alegria que todo o corpo de Gajeel reagiu a ela. A garganta fechou, o coração saltou a um galope furioso e lhe custou respirar. Soube que se não a tomasse em seguida nos braços se voltaria louco. Mas necessitava que estivessem sozinhos, pois assim que a tocasse já não poderia deter-se.

"Grande Estrela! — pensou — Quanto a amo!"

Começou a avançar para a esposa, mas em seguida se deteve.

"Primeiro tenho que fazê-la compreender o inferno pelo que me fez passar. — pensou — É como se me tivesse tirado vinte anos de vida."

Quando os homens de Gajeel o encontraram e lhe disseram que Lucy estava nas mãos do barão Mard Geer, sentiu que a mente, o coração e a alma inundavam de um terror até então desconhecido para ele. Sentiu-se morrer mil vezes no trajeto até o feudo de Etherious. Deixaria abraçá-lo só quando Lucy lhe prometesse que nunca mais voltaria a correr semelhante risco.

Gajeel pediu a Strauss que descesse para liberar o lorde da prisão e em seguida se voltou para Lucy.

— Lucy, Redfox quer que preste atenção… — murmurou Natsu.

Lucy olhou para seu marido. Gajeel fez um gesto com o dedo flexionado indicando que se aproximasse dele. A expressão do marido foi para a Lucy uma clara indicação de que faria um alvoroço, mas ela não queria perder tempo escutando-o gritar e repreendê-la com respeito aos perigos que tinha corrido: tinha acabado e ela estava a salvo. Isso era o mais importante. Por outro lado, Lucy necessitava consolo e já tinha esperado muito: lhe acabava a paciência, desejava as carícias do marido.

O único modo que Lucy tinha de obter o que queria era surpreender o marido com a guarda baixa e lhe fazer esquecer a cólera. Deu um passo para Gajeel e se deteve. Compôs um semblante sério e cruzou os braços sobre o peito, esperando parecer desgostosa.

Gajeel ficou estupefato.

— Bunny? — disse em um tom vacilante, que fez sorrir a Lucy. Mas não se atreveu, pois desejava acalmá-lo e não enfurecê-lo.

— Sim, Gajeel?

— Venha aqui.

— Um momento, milorde… — respondeu em um tom tão doce quanto a primeira brisa do verão — …quero te fazer uma pergunta.

— Do que se trata?

— A expressão "muito tempo", significa algo para você?

Gajeel quis sorrir, mas a olhou com expressão severa. Sabia o que Lucy estava fazendo: queria fazê-lo sentir-se culpado por não ter chegado antes para resgatá-la. Mas não a deixaria voltar a situação contra ele.

Pelas Estrelas, se alguém teria que pedir desculpas seria esta mulher obstinada e caprichosa!

Gajeel moveu a cabeça, avançou outro passo e anunciou:

— Levará toda uma vida para acalmar meu aborrecimento.

Embora Lucy não quisesse contradizê-lo, tinha certeza de que só levaria alguns minutos. Adiantou-se até ficar diante dele. Enlaçou as mãos e sorriu. Contemplou-o com esses subjulgantes olhos de amendoa e Gajeel soube que essa noite já não haveria nenhuma conversa a respeito de segurança.

— Levará toda uma vida para dizer a sua esposa que a ama? — disse, ao mesmo tempo em que esticava a mão e lhe acariciava o rosto. Em seguida acrescentou com voz repleta de ternura — Te amo, Gajeel Redfox.

A voz de Gajeel tremeu quando declarou:

— Não tanto quanto eu amo você, Lucy Redfox.

Imediatamente, Lucy estava nos braços de Gajeel que a beijava e lhe dizia em sussurros quebrados quanto a amava, que sabia que não era digno dela, que isso não importava, pois nunca a deixaria ir porque tinha se convertido no centro de sua vida.

Compreendeu que delirava, mas não se importou.

Parte do que dizia tinha sentido e parte não, mas a Lucy tampouco importava: ela chorava e também delirava, derramando sobre o marido todas as palavras de amor que tinha guardado em seu interior.

Os beijos se fizeram ardentes e, quando por fim Gajeel se afastou, Lucy tremia. Soltou-a um segundo e em seguida pegou sua mão e saíram juntos do salão. Enquanto passavam diante de Natsu e dos membros do clã, Lucy, ruborizada, manteve a cabeça encurvada. Gajeel diminuiu o passo quando subiam a escada para que Lucy pudesse segui-lo e em seguida abriu caminho entre o grupo de homens que estavam no terraço, até que chegaram ao primeiro quarto. Fez a esposa entrar, fechou a porta e em seguida tomou-a outra vez nos braços.

A roupa se converteu em um obstáculo. Gajeel não queria deixar de beijá-la o tempo necessário para despi-la e tratou de fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Com muita dificuldade chegaram à cama e fizeram amor com tal intensidade que os dois ficaram tremendo. Gajeel se mostrou suave; Lucy, exigente, mas ambos ficaram plenamente satisfeitos.

Gajeel permaneceu dentro de Lucy um longo momento depois do orgasmo, cobrindo-a por inteiro com seu próprio corpo, e apoiado sobre os cotovelos para não esmagá-la. Beijou-lhe diante, a ponte do nariz e, por fim, o queixo.

Lucy soltou um bocejo ruidoso. Gajeel se deitou de lado, cobriu à mulher com a túnica e a atraiu para seus braços.

— Agora deveria dormir — murmurou.

— Não sou tão fraca, Gajeel.

O homem sorriu na escuridão.

— Não, não é fraca. — admitiu — É forte, valente e honrada. — inclinou-se para lhe beijar o cocuruto e acrescentou:— Mas está grávida, meu amor. Tem que descansar, pela criança. Sem você, Rogue e eu estaríamos perdidos. Lucy, é o pilar de nossa família. Faz tempo que sei, e acredito que por isso fui tão superprotetor. Queria ter te trancado sob chave para que não te acontecesse nada.

Com um matiz risonho na voz, Lucy lhe respondeu:

— Permitiu-me costurar.

— Diga outra vez que me ama: agrada-me ouvir isso.

A jovem se aconchegou contra o marido.

— Amo-te. — murmurou — Quase desde o começo. No mesmo dia em que nos conhecemos meu coração se derreteu por ti.

— Não. — replicou o homem — Tinha medo.

— Isso foi até que me fez uma promessa. — o corrigiu Lucy.

— Que promessa te fiz?

— Que não me morderia.

— Mesmo assim, estava atemorizada.

— Talvez um pouco. Lily teve culpa nesse quisito. — admitiu — Mas em seguida a estrela me deu um sinal e soube que tudo resultaria bem.

— Explique isso… — disse Gajeel, intrigado.

— Rirá.

— Não.

— Trata-se de seu nome. — sussurrou a jovem — Antes da cerimônia nupcial eu não sabia. Natsu te chamava Redfox, o mesmo que seus homens. Mas deu ao sacerdote seu nome completo e nesse instante soube que eu estaria a salvo.

Gajeel rompeu a promessa e riu, mas a Lucy não incomodou.

Quando o marido cessou de rir, disse:

— Tem o mesmo nome que o mais elevado dos anjos. — explicou — Minha mãe me ensinou a rezar ao arcanjo Graham. Sabe por quê?

— Não, Bunny, não sei por quê.

— Porque é o protetor dos inocentes, o vingador das maldades. Cuida das mulheres e das crianças e é nosso guardião.

— Se isso fosse verdade e não uma fantasia, não te cuidou muito bem. — disse Gajeel, recordando os anos penosos que Lucy tinha passado sob o controle de Mard Geer e imediatamente se encolerizou outra vez.

— Oh, mas o arcanjo me protegeu! — insistiu Lucy.

— Como?

— Permitiu que eu te onhecesse.

Esticou-se e lhe beijou o queixo.

— Não importa se me entende ou se acha que estou louca, Gajeel. Só me ame.

— Amo-te, moça. Sabe o orgulhoso que senti quando ouvi como me elogiava esta noite?

— Refere-se ao que disse quando você estava no terraço?

— Sim.

— Era importante que Mard Geer soubesse a verdade. — disse Lucy — Não sabia o que é o amor autêntico. — acrescentou, sorrindo ao marido — Eu sei quando compreendeu que me amava. — alardeou — Foi quando me encontrou na árvore e viu os lobos mortos.

Gajeel moveu a cabeça.

— Não. Foi muito antes desse incidente espantoso.

Lucy lhe pediu explicações.

— Foi ao ver que aceitou Rogue imediatamente. Recorda o que disse quando perguntou se eu tinha dado um presente de casamento? Eu recordo palavra por palavra. Disse: "Deu-me um filho." Foi nesse momento que entrou em meu coração, só que levou um tempo para que eu compreendesse.

Ante a menção do filho, Lucy ficou carrancuda.

— Sem dúvida, Rogue deve estar inquieto. Quero retornar a casa... consigo. Não quero que vá para o Norte.

— Não é necessário que vá… — respondeu Gajeel — Jiemma levará minha mensagem ao rei Silver III.

— O que lhe dirá?

— Que nos deixe em paz.

— Informou Jiemma sobre o pergaminho oculto na capela?

— Não.

Lucy se surpreendeu.

— Eu pensei que...

— Mard Geer está morto. — explicou Gajeel — O rei já não tem nenhum motivo para nos incomodar. Se resolvesse enviar mais tropas por qualquer razão, então falaríamos dessa maldita evidência.

Lucy refletiu um bom momento sobre a explicação do marido e finalmente chegou à conclusão de que tinha razão. O rei não tinha por que saber que ela tinha conservado o documento.

— Quer que o rei acredite que tudo terminou.

— Sim.

— Alguma vez alguém saberá a verdade a respeito de Gray?

— Já há muitos barões que suspeitam que o rei esteve envolvido no seu desaparecimento. — disse Gajeel — Incluso Natsu tem seu próprio suspeito e tem outra razão para estar contra o monarca.

— Qual?

— Silver III traiu a confiança de Natsu. Deu-lhe sua palavra de que só mandaria um mensageiro com escolta, e de que reteria Mard Geer em Londres.

— Mentiu.

— Sim.

— O que Natsu fará?

— Se unirá ao barão Fernandez e aos outros.

— É a rebelião?

Gajeel detectou a preocupação na voz de Lucy.

— Não. — respondeu — Mas o poder de um rei sem vassalos leais, embora tenha um exército, é escasso. Natsu me disse que os barões pensam obrigar Silver III a fazer certas concessões imprescindíveis. Sabe por que Natsu a entregou para mim?

Ao ouvir as palavras com que Gajeel se expressava, Lucy sorriu.

— Não me entregou a você. — sussurrou — Só se fez de casamenteiro.

— Natsu te ama.

Lucy não compreendeu.

— É meu irmão: é obvio que me ama.

— Quando você nasceu ele já estava ali e te viu crescer, mas me disse que partiu para brigar em favor do rei quando você só tinha nove ou dez anos e retornou vários anos mais tarde.

— Sim. Retornou poucos meses antes que eu me casasse com Mard.

— Tinha se convertido em uma mulher muito bela. — disse Gajeel — E de repente Natsu compreendeu que tinha idéias muito pouco fraternais a seu respeito.

Lucy se ergueu na cama.

— Esse foi o assunto da discussão no dia de nosso casamento? Lembro que se zangou e mandou Natsu embora. Vocês brigaram!

Gajeel assentiu.

— Quando soube o seu nome completo, compreendi que não tinham laços de sangue, e já tinha percebido que era muito superprotetor para tratar-se de um irmão.

Lucy moveu a cabeça.

— Está enganado.

— Enquanto esteve casada com Mard Geer, poucas vezes foi te ver e se sente culpado por essa falta, pois se não estivesse obcecado por ocultar o que sentia, teria podido ver como lhe tratava esse miserável.

Lucy negou outra vez, mas Gajeel não discutiria com ela.

Ergueu-a em cima dele e a rodeou com os braços.

— Acredito que já superou essa inquietação.

— Nunca se inquietou. Ele não me vê com tais olhos… — replicou Lucy — Natsu gosta de homens.

— Natsu?

Lucy sorriu: Gajeel parecia estupefato.

— Sim, Natsu. Ele adorava passar serões com o Principe… Acredito que ele deve tê-lo amado tambem.

As gargalhadas de Gajeel ressoaram no quarto e a vibração de seu peito quase fez com que a cabeça de Lucy betesse contra o ombro do marido. O moreno nem acreditava que Lucy pudesse ser tão tola. Mas resolveu mudar de assunto ou usaria essa historia para provocar o cunhado amanhã.

— Perguntava-me por que lorde Strauss lutou a nosso lado… — disse Gajeel.

— Não lhe disse isso? Laxus se casou com Mira.

— Só disse que estava protegendo seus próprios interesses, mas não mencionou o casamento. É provável que se tivesse querido explicar isso eu não lhe teria prestado atenção. Estava obcecado por te encontrar.

— Levou bastante tempo.

— Não me levou quase nada de tempo. — replicou o homem — Quando meus homens me alcançaram e me informaram que estava presa, eu já tinha dado a volta e retornava ao nosso lar.

— Já estava retornando? Isso significa que se inteirou de que vinha um exército, não é?

— Sim. Um dos soldados Fernandez me disse.

— Gajeel, enquanto esteve no terraço não te ouvi nem te vi. Você e seus homens foram tão sigilosos quanto ladrões. — o elogiou.

— Somos ladrões. — lhe recordou.

— Foram. — o corrigiu Lucy — Já não são. O pai de meus filhos não rouba, mas sim comercializa para obter o que necessita.

— Eu tenho tudo o que poderia desejar. — murmurou — Lucy... Essas coisas que disse sobre mim... Ouvi-la dizer isso... Saber que acreditava...

— Sim?

— Não sei expressar muito bem o que sinto.

— Sim, sabe. — murmurou Lucy — Disse que me amava. Não necessito nem desejo nada mais. Gosto do meu Lord tal como é.

Lucy fechou os olhos e exalou um suspiro de contente.

— Daqui em diante jamais voltará a correr riscos desnecessários. — disse o marido — Tem idéia da angústia que me causou? — indagou Gajeel, supondo que Lucy não tinha idéia. Esperou um minuto para que lhe respondesse, mas em seguida soube que estava dormindo.

Instantes depois, saiu do quarto para agradecer lorde Etherious pela sua hospitalidade. Os soldados nortenhos se esparramaram pelas colinas como ratos sob o olhar vigilante dos aliados de Gajeel, chegados do oeste. Nesse momento, os sulistas eram três vezes mais numerosos que o inimigo e suas presenças se faziam sentir. Seria uma estupidez que tivesse ocorrido ao barão Jiemma atacar, e embora Gajeel tivesse certeza de que iria imediatamente ver Silver III, não quis correr riscos. Duplicou o número de guardas com o passar do perímetro do castelo e insistiu em que os aliados permanecessem ali enquanto Lucy estivesse dentro.

Lucy dormiu doze horas. À manhã seguinte estava completamente recuperada dos maus momentos que passou e impaciente para retornar ao lar. Mas quando estavam a ponto de partir, pediu para voltar ao salão grande. Gajeel não pensava perdê-la de vista: seguiu-a e se posicionou na entrada.

A esposa procurou uma das criadas e a levou até o lorde.

— Não posso partir sem antes lhe dizer que Spetto é uma mulher magnífica e valente. — começou Lucy — Lorde Etherious, não tem você uma servidora mais leal que ela. — acrescentou.

Passou uns cinco minutos elogiando a criada e quando terminou, o lorde ficou de pé e sorriu para Spetto.

— Será bem recompensada. — anunciou.

Lucy ficou satisfeita de ter completado esse dever. Fez uma reverência ao lorde, agradeceu outra vez a Spetto sua ajuda e seu consolo e se voltou para partir, mas se deteve de súbito.

Viu o bispo Phantom, que estava de pé junto a uma das entradas laterais do salão e a observava. Lucy o olhou uns segundos e foi suficiente para ver a expressão do bispo, transbordante de ódio e desprezo.

O ancião levava as vestimentas vermelhas de cardeal e Lucy se perguntou se durante a noite teria decidido elevar-se de categoria. Tinha os sacos de viagem a seus pés e o custodiavam dois dos soldados de Etherious. Lucy supôs que o acompanhariam até a casa em que vivia.

Ao vê-lo, lhe arrepiou a pele. Estava a ponto de partir sem reconhecer a presença desse profano, mas ao voltar-se viu um rolo longo e estreito que sobressaía de um dos sacos e compreendeu que não poderia ir sem cumprir um último e importante dever.

Caminhou lentamente para o bispo com o olhar fixo no objeto de sua cólera. Antes que Phantom pudesse detê-la, Lucy arrebatou a vara de castigos e se colocou diante do ancião. Phantom retrocedeu e tentou escapar, mas os soldados Etherious lhe impediram a saída.

Com gestos lentos, Lucy elevou a vara diante dos olhos de Phantome o ódio no olhar do velho se converteu em temor.

Lucy permaneceu aí um minuto sem dizer uma palavra.

Observou a vara que tinha nas mãos enquanto Phantom a observava. No quarto se fez um silêncio tenso. Alguns dos pressente deviam imaginar que Lucy golpearia o bispo, mas Gajeel soube que não era assim. Aproximou-se da esposa e estava a alguns passos de distância atrás de Lucy. De súbito, Lucy agarrou a vara de outra maneira. Tomou por um extremo com a mão esquerda e outro com a direita e sustentou a arma outra vez frente ao bispo. Segurava-a com ferocidade e decisão e as mãos lhe doíam pelo esforço que fazia tentando quebrar a vara em dois.

A madeira era muito grossa e fresca, mas Lucy não se rendeu.

Quebraria o bastão ainda que levasse o dia todo. Tremeram-lhe os braços ao exercer toda a força de que era capaz. De repente, sentiu a força de vinte pessoas: Gajeel lhe tinha apoiado as mãos sobre as suas. Esperou até que Lucy assentiu dando permissão.

A vara de castigos partiu pela metade e o rangido ressoou como uma explosão no salão silencioso. Gajeel o soltou e retrocedeu. Lucy continuou segurando o bastão quebrado uns instantes mais e em seguida jogou as duas metades aos pés do bispo. Girou, pegou a mão do marido e saiu caminhando junto com ele.

Sem olhar para trás.

 

 

A noite era a hora preferida de Gajeel. Gostava de ficar conversar comentando os acontecimentos do dia e os planos para o seguinte com os soldados, embora na realidade nunca prestasse atenção às sugestões ou afirmações de seus homens. Certamente que fingia fazê-lo, mas enquanto isso contemplava Lucy.

Três meses atrás, Natsu, Laxus e Mira partiram para o Norte.

Mira não queria abandonar as terras do sul e Natsu precisou fazer uso de todo seu tempo e sua paciência para convencê-la junto a Laxus. Um membro da família ia, mas outro chegava. Esperava-se a chegada da irmã de Lucy em um dia ou dois. No momento em que receberam a notícia de que estava a caminho, Gajeel enviou uma escolta para aguardá-la no limite de suas terras.

Michelle exigiu regressar ao norte ao fim de dois dias, com a desculpa de que o lugar era frio e cheirava a peles humidas. Na verdade, a loira era apaixonada por Gajeel (o vira numa das viagens ao oeste) e esperava poder atrair a sua atenção e se casar com ele, depois que o pedisse para se divorciar de Lucy. Porem, o Lord ficava atras da esposa que nem um cão de guarda.

Duas semanas depois Gajeel partiria para assistir à primeira reunião do conselho com os outros lordes. Não se ausentaria muito tempo, pois esperavam o nascimento do menino um mês mais tarde.

Makarov e Rufus tinham raptado o provador.

Lorde Etherious lhes falou desse homem e comentou que era o melhor provador em todas as terras do Sul. Makarov manteve o sujeito encerrado tempo bastante depois que selecionou as melhores bebidas. O provador se chamava Dan e era inofensivo. Depois de alguns meses, aborrecido, Makarov teve piedade dele e lhe permitiu tentar a sorte no jogo de acercar barro seco com fechas. Em uma semana, Giddy foi apanhado pela febre. Agora havia dois fanáticos cavando buracos a procura de barro por todo o pátio, o campo e o vale ao pé das colinas, e Gajeel suspeitava que quando tivesse concluído a negociação com os barris e Dan pudesse partir, era provável que ficasse. Makarov e Dan ficaram amigos rapidamente, e quando não estavam jogando arrastavam recipientes de cobre até a cabana de Makarov para convertê-los em aparelhos mais eficientes para preparar as bebidas.

Durante todas as noites Lucy sentava junto ao fogo e trabalhava na tapeçaria. Lily esperava que se sentasse e em seguida se acomodava aos pés da senhora. Tornou-se um costume que Rogue se aconchegasse perto da mãe e adormecesse ouvindo as histórias de Lucy sobre ferozes guerreiros e donzelas loiras. Os contos de Lucy tinham uma linha única, pois nenhuma das heroínas de seus relatos necessitava que um cavalheiro de armadura brilhante fosse resgatá-la: com mais freqüência, era a donzela que resgatava o cavalheiro.

Gajeel não podia contradizê-la: o que contava a Rogue era verdade.

Era um fato comprovado que existiam donzelas capazes de resgatar guerreiros poderosos e arrogantes. Certamente que Lucy o tinha resgatado de uma vida fria e desolada! Tinha-lhe dado uma família e um lar. Era seu amor, sua alegria, sua companheira.

Era sua benção salvadora.

E ele era o seu demónio!







F I M


Notas Finais


Chegamos ao fim de mais uma fic.
Um fic diferente, onde o ship era provavelmente o mais estranho (o namorado de Levy e a sua melhor amiga), mas eu vi potencial e acho que as caracteristicas de ambos se complementam melhor. Porem, não sei se vice-versa é a mesma coisa: Natsu e Levy não se encaixam na minha cabeça. Ainda!
Adorei cada etapa e os comentarios são os melhores! Espero que me acompanhem para mais aventuras asssim!

Prometo trazer mais fics desse tipo.
Proximo: Lucy X Laxus.

Até a proxima!


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