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História My Demon II - Capítulo 1


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Notas do Autor


Esta é a primeira long fic que faço de Boku no Hero Academy e espero que gostem. Vou afixar-me num casal que tem pouquíssimos fãs, mas que eu shipei desde o primeiro momento em que sentei o olhos na Toga Himiko. De alguma forma esta loira tem uma personalidade bastante complementar ao Katsuki Bakugo – enquanto ele é um anti-heroi que prima por ser o melhor sem esconder-se (orgulhoso e temperamental), ela é uma vilã que espera fazer o pior por debaixo de uma fachada (alegre e objectiva).
Espero que eu consiga ser fiel aos personagens, porque sempre gosto de deixar um traço forte do lado original, e espero também entreter-vos.

PS: A fic não esta relacionada a My Demon, eu apenas quis criar uma continuidade temporal entre as duas fic. Fará mais sentido se lerem My Half Demon.

PS2: Inspirei-me nas obras de Tessa Dare (tenho todos os seus livros na minha estante e, de alguma forma, a maioria das minhas ideias surgem depois que eu os leio pela centésima vez).

Capítulo 1 - Rainha Negra


Fanfic / Fanfiction My Demon II - Capítulo 1 - Rainha Negra

Ano X950

Terras Redfox

 

 

O seu nome sempre foi acompanhado de tragédias.

Himiko Toga.

Era o nome da Rainha que havia levado o seu reino a desgraça, era o nome da rainha que cometeu um genocídio intemporal, era o nome da rainha que se alimentou de humanos e demónios sem controle em busca da saciedade que o sangue de outrem a proporcionava.

Vampiro. Drácula. Blood-elf.

Rainha negra. Rainha amaldiçoada. Rainha desgraçada.

Monstro.

Qualquer desses nomes, designações e substantivos podiam ser usados para retrata-la e ela não se incomodava com isso. Percebeu desde muito cedo que não deveria se incomodar porque ninguém, além dela, ficaria magoado. Toga nunca teve mãe ou pai! Fora um bebe abandonado onde a alma pútrida da Rainha Negra fora selada por meio da Magia Das Trevas.

As pessoas disseram que, assim que a alma da Desgraçada fora selada, o seu corpo modificou-se para se assemelhar a mesma Rainha que tinha levado o Reino do Norte a ruina. Ela era o único ser das trevas no meio de seres de luz, os descendentes do anjos. Como era de se esperar, passaram a chama-la de demónio… Para completar, a cada ano que se passava, Toga, que passou a ser chamada de Himiko (Rainha Negra) Toga (vestes) – ou Vestes da Rainha Negra – ela se assemelhava mais e mais a um demónio.

Sozinha. Sem ninguém. A sua única esperança foi seguir em direcção ao Sul.

No Sul, como se dizia, haviam legiões de demónios e muitos deles esperavam o retorno da Rainha Negra, para passarem o resto das suas vidas servindo-a: Toga já esperava com muita fé e impaciência que essa fase da sua vida iniciasse.

Já tinha vivido bastante – para um demónio – e entendia que viver sozinha fazia parte da sua historia. A sua alma, que se mesclava mais a cada ano com a de Himiko, começou neste mundo com uma historia difícil e, de acordo com os Contos de Fada que lera, nenhuma menina se tornou Rainha sem passar por um período difícil.

Teve uma época em que foi recebida por um Lord Demónio do Sul. Este a presenteou e mimou muito, mas logo tudo voltou ao normal. Mesmo quando os seus seios desenvolveram proporções exageradas, chamando a atenção de vários homens, voltou a ser ignorada em décadas.

Esperava que pudesse vir a ser bonita, tal como as outras meninas da cidade, mas, como era de se esperar, nada estava a seu favor: os seus caninos e pré-molares ficavam maiores e afiados, a sua sede crescia com eles, o seu cabelo se tornava mais e mais rebelde junto aos seus novos cornos.

Tudo piorou quando, a caminho do Sul, apaixonou-se perdidamente pelo Herói daquele continente. Ele era bondoso com ela, conversava com ela e não a temia. Toga esperava, fielmente, que ele fosse o seu príncipe encantado dos livros. Mas, como era de se esperar, ele desapareceu tal como tinha surgido.

E como isso a sua esperança de vir a encontrar um Príncipe Encantado.

Quando estava a beira de realizar um exorcismo em si própria, um dos seus mais presados admiradores lhe enviara uma carta:

 

“Sua Majestade Himiko. É como muito orgulho que venho por este meio lhe informar sobre a minha actual conquista. E, uma vez que vossa majestade reside no Sul, pretendo entregar-lhe parte dos meus ganhos e em nome de tudo o que fez em nome dos demónios. Encontre-me na propriedade Redfox, no dia 6 do corrente mês. Atenciosamente, Lord Kurogiri.”

 

Ela nunca ouvira falar nesse tal Lord Kurogiri, mas era normal. Com a sociedade dos Demónios do Norte reduzida a quase nada, era normal que houvessem alguns deles espalhados e que nunca houvesse visto.

 

No dia combinado, Toga vislumbrou a tal propriedade dos Redfox, com terras a perder de vista e um Grande Castelo no centro. Parecia até romântico… a distancia. Com uma série de torres desiguais e muralhas compridas, cujas ameias eram colossais, elevando-se sobre os montes verdejantes. A vegetação era tão densa a volta do mesmo que parecia querer engoli-lo. E, a medida que se aproximava, o castelo parecia elevar-se sobre ela, cobrindo-a com a sua sombra.

O local era sombrio e ameaçador, tal como ela odiava.

Mesmo sendo um demónio, Toga gostava de coisas bonitas e frágeis, tal como as rosas vermelhas que plantava no Norte.

Aquele castelo não tinha nenhuma flor visível.

— Chegamos! — o cocheiro disse quando pararam junto a uma pequena guarita de pedra à entrada da propriedade.

Na se atreveu a entrar mais, uma vez que ele não teve uma melhor impressão do que Toga e parecia ter ficado ainda mais pálido quando o vento uivou entre as copas das arvores, fazendo-as balançara na sua direcção, como se quisesse saltar-lhe em cima.

Depois de soltar alguns palavrões, o homem ajudou-a a descer da carruagem e descarregou a sua bagagem – uma única valiese desgastada – e limpou a garganta, esperando algum tipo de gratidão adicional. Toga já o havia pago antes sequer de entrar na carruagem e podia jurar que eram as suas ultimas moedas.

— Muito obrigada pelo seu serviço. — agradeceu, forçando um sorriso — Este maldito humano não sabe o esforço que fiz para não o sugar até agora? É ele quem deveria estar agradecido por estar vivo! — pensou, mostrando os caninos e afastando o homem.

— Sim… claro. — recuou até voltar a sentar-se atras dos cavalos e voltou-se para ela curioso — Qual o seu nome mesmo?

— Himiko Toga.

Esperou alguma reacção do homem, uma vez que meio mundo parecia ter conhecimento da sua existência. Porem, humanos não eram propriamente interessados em estórias de demónios e anjos e procuravam manter-se a distancia de todos eles.

— Certo. — ele suspirou, ajeitando o chapéu — É para o caso de alguém perguntar quando o seu corpo aparecer por ai.

Toga riu mas o homem não.

E assim, sem nem um sinal, o homem chicoteou os animais e desapareceu pela estrada abaixo, até quando os animais e as rodas rangendo não podiam ser mais ouvidos.

Suspirando, Toga entrou na guarita, levando a sua malinha junto e uma pequena gaiola coberta com um paninho negro. Da janela da pequena construção ela conseguia ver o foço que cercava a propriedade, com apenas um fio de agua verde e cheio de limo.

Havia investigado sobre a propriedade, descobrindo que a meio século atras foi palco de uma épica batalha entre o Norte e o Sul. O Lord que ali residia, sendo um demónio do Sul que se havia casado com um anjo do Norte, conseguiu para si grande parte das férteis terras fronteiriças. Porem, depois do nascimento do terceiro duque da família e a morte dos seus pais, o castelo foi abandonado.

O castelo, com várias janelas sem vidro, parecia abandonado. Não tinha uma grade para frechar a passagem com a ponte levadiça e nem um portão. Ela passou por baixo da arcada e chegou ao pátio central, inspirando o cheiro de pinheiros. Haviam vários deles e, como era de se esperar do Sul, um riacho por perto.

— Lorde Kurogiri? — a voz dela perdeu-se no ar, mas ela tentou outra vez — Lord Kurogiri, está ai?! — desta vez a sua aguda e infantil voz ganhou um eco respeitável pelas pedras da arcada.

Estava, mais uma vez, sozinha.

Atordoada pelo local estranho em que se encontrava e fraca de fome – há dias que não se alimentava, Toga fechou os olhos e respirou profundamente.

— Tu não podes desmaiar, Toga. — sussurrou para si mesma e logo começou a chover.

Gotas grandes e pesadas de uma chuva de verão – do tipo que sempre lhe pareceram libidinosas e pervertidas, aquelas gotas de verão bêbadas e gordas, gargalhando e se jogando alegremente na terra.

E agora ela estava faminta, franca, molhada e com frio. Encarou a arcada de pedra mais adiante, nem um pouco atraída para se esconder ali. As nuvens de chuva cobriram o sol e estava tudo muito escuro e ela muito fraca para se defender de algum ataque de animal selvagem.

Um farfalhar abafado fez com que ela pulasse e se virasse. Era apenas um corvo alçando voo. Ela assistiu ao pássaro sobrevoar a muralha do castelo e se afastar. Toga soltou uma risada. Tudo o que vira até agora seria o suficiente para descrever o inicio cliché de um livro de terror.

E então, para completar o cenário, viu um homem do outro lado do pátio, parado sob uma arcada escura. Se ele fazia parte daquela peça, não era nem um pouco de mau gosto.

Existiam coisas na natureza cuja beleza vinha da sua delicadeza e simetria perfeita – flores, conchas marinhas, asas de borboleta –, e existiam coisas que eram gloriosas por seu poder natural e por sua recusa em serem dominadas, como montanhas cobertas de neve, nuvens de tempestade, leões descabelados com dentes afiados.

Aquele homem diante dela? Ele pertencia, sem nenhuma dúvida, à segunda categoria. Assim como o dragão atras dele. Mas não podia ser um dragão, Toga jurava que não era. Eles já estavam extintos há anos e o ultimo fugiu daquele continente.

Se bem que ela pensava que aquele tipo de homem também estava extinto...

Ele movimentou-se e uma fenda de luz fraca revelou a metade inferior de seu rosto, mantendo os seus olhos, que brilhavam num tom avermelhado, escondidos na penumbra. Toga reparou nos lábios compridos, finos e sensuais. Um maxilar anguloso, largo e forte. O cabelo selvagem e indomável, bastante semelhante a uma juba, roçava no pêlo que aqueciam os seus ombros largos. Não tinha nada sobre o tronco que o defendesse do frio, a não ser a capa longa e vermelha que lhe caia pelas costas e alguns colares e talismãs ao pescoço. Calças de camurça justas da cintura magra até as coxas musculosas... e dali suas pernas desapareciam dentro de botas encharcadas e sujas.

A loira inspirou forte e quase sentiu os joelhos fraquejarem. Ela tinha mesmo uma queda por homens calçando botas surradas. Elas a deixavam desesperada para saber por onde aqueles pés tinham andado.

O coração dela bateu mais rápido. Isso não a ajudou com sua tontura.

— Você é Lorde Kurogiri? — ela perguntou.

— Não. — a palavra saiu em voz baixa, implacável.

A fera atras dele rosnou.

— Oh. Lorde Kurogiri está aqui?

— Não.

— Você é o zelador? — ela perguntou — Lorde Kurogiri está para chegar?

— Não. E não.

O que era aquilo na voz dele? Ele estava achando graça?

Toga engoliu em seco.

— Eu recebi uma carta de Lorde Kurogiri. Ele me pediu que o encontrasse aqui, nesta data, a respeito de negócios. — ela mostrou a carta, que lhe estendeu com a mão trêmula. — Aqui está. Você gostaria de ler?

— Não. — sombra de um sorriso surgiu em seus lábios.

Toga retraiu a mão com o máximo de calma que conseguiu reunir e guardou a carta no bolso. Ela queria muito tirar aquele sorriso debochado dele, pulando no seu pescoço com os dentes em guarda. Mas o dragão não deixaria e o seu instinto gritava que, mesmo que aquele homem tivesse varias aberturas, ele não tinha a guarda baixa.

Era um perigo ambulante.

Ele apoiou um ombro na arcada.

— Nós não vamos continuar? — a voz dele ribombou directamente no seu peito.

— Continuar o quê?

— Com o jogo. — a voz dele era tão baixa que parecia rastejar até ela pelas pedras que pavimentavam o pátio, para então penetrar nela pelas solas de seus pés — Eu sou um príncipe russo? Não. Minha cor favorita é amarelo? Não. Eu gostaria de deixar-te pisar na minha propriedade para tirar cada peça de roupa molhada desse corpo…? — a voz dele fez o impossível. Ficou ainda mais baixa — Não.

Agora ele estava só se divertindo com ela. Toga apertou sua malinha junto ao peito. Não queria que o seu único amigo, por assim dizer, ficasse molhado.

— Trata todas as suas visitas assim? — indagou — Idiota! — disse para si mesma, não querendo despertar raiva naquele homem.

E ela já se preparava para outra resposta negativa, pronta a rebater, quando ele lhe tirou o chão:

— Só as bonitas.

Ela mordeu os lábios evitando rir. Já devia ter imaginado. A fadiga e a fome estavam afectando seu cérebro. Ela podia acreditar no castelo, nos corvos, na aparição repentina de um homem alto, sensual e atraente. Mas agora ele estava flertando com ela?

Toga só podia estar alucinando.

A chuva continuava se derramando, impaciente para chegar das nuvens à terra. Toga ficou observando as gotas que pingavam nas pedras do pátio. Cada uma delas parecia tirar uma lasca da força de seus joelhos. As paredes do castelo começaram a girar. Sua visão escureceu nas bordas.

— Eu... Me desculpe, eu...

A maleta caiu no chão. A fera rosnou para ela. O homem saiu das sombras.

E Toga caiu desmaiada.

 

 

 

A garota desabou no chão com um baque, espirrando água para todo lado.

Katsuki estremeceu com aquela ironia. Apesar de tudo que tinha acontecido, ele ainda fazia as mulheres desmaiarem. De um jeito ou de outro.

Ele deu um comando em voz baixa ao dragão. Depois que este terminou sua inspeção com o focinho molhado, Katsuki afastou o animal e fez sua própria investigação.

Ele passou as mãos pelo amontoado inerte de articulações e membros diante de si. Musselina molhada, botas gastas. Mãos pequenas, punhos finos. Não havia muita mulher ali. Ela parecia ser metade roupa e metade cabelo.

E, Deus, que cabelo. Sedoso e abundante.

Ele sentiu o bafo quente da respiração dela em sua pele e desceu a mão, à procura das batidas do coração da garota.

Sua palma roçou um seio arredondado.

Um surto de... alguma coisa... passou por ele, de repente. Não foi desejo, apenas um despertar de sua virilidade. Aparentemente, ele devia parar de pensar nela como “uma garota”. Ela era, com certeza, “uma mulher”.

Katsuki praguejou. Ele não queria visitas. Principalmente visitas femininas. A filha do vigário local, a Srta. Ashido, fora o suficiente. Ela aparecia no castelo quase toda semana, oferecendo-se para ler sermões ou alguma outra bobagem.

Pelo menos, quando a Srta. Ashido fazia sua marcha colina acima sob o sol, com a cesta de boas ações pendurada em um braço, ela vinha esperando encontrar um homem em ruínas, cheio de cicatrizes e com a barba por fazer. E ela era sensata demais para desmaiar ao vê-lo. A mulher esparramada diante dele, por outro lado, não esperava encontrar Katsuki.

O que ela tinha dito sobre um certo Lorde Kurogiri?

Ela tinha uma carta, emalgum lugar, que explicava tudo, mas ele não podia se preocupar com isso. Katsuki precisava levá-la para dentro – aquecê-la, dar-lhe um pouco de sakê e chá. Quanto antes ela recobrasse os sentidos, iria embora.

Ele pegou aquela mulher encharcada e inconsciente em seus braços e se levantou. Depois distribuiu o peso dela, encontrando o ponto de equilíbrio entre os quadris e os ombros da moça, para então começar a subir os degraus que os levariam para dentro.

Ele contou os passos. Cinco... seis... sete... No oitavo passo, ela se remexeu em seus braços. Ele congelou, preparando-se para algo desagradável. Ela desmaiou quando o viu pela primeira vez, se ao acordar se visse sendo carregada por ele, talvez morresse de choque. Ou estourasse os tímpanos dele com um grito. Era tudo que ele não precisava – um problema de audição.

Ela murmurou algo com a voz fraca, mas não acordou. Não, ela fez algo muito pior: se aconchegou.

Virando para o lado, ajeitando-se nos braços dele, ela encostou o rosto em seu peito, em busca de calor. E soltou um gemido tênue e rouco. Outro surto de... algo... passou por ele. Katsuki parou por um momento, absorvendo a energia que o invadiu antes de continuar a subir.

Malditos fossem os deuses. A única coisa que Katsuki queria menos do que uma mulher desmaiada era uma mulher aconchegada. Desde que tinha se ferido, ele não gostava de ninguém perto demais. E ele não precisava de aconchego, de nada disso.

Ele tinha um dragão.

E bastava.

O animal foi na frente, evitando derrubar o seu dono com a cauda e, quando ele chegou ao alto da escada e virou para entrar no grande salão do castelo. Aquele espaço era, mais ou menos, seu acampamento. Ele dormia ali, comia ali, bebia ali, ele... praguejava e se preocupava ali. Seu criado, Shouto, estava sempre querendo que ele abrisse mais aposentos do castelo, mas Katsuki não via o porquê disso.

Ele ajeitou a garota – a mulher – no decrépito sofá de crina de cavalo e aproximou o móvel da lareira. Os pés do sofá rangeram no chão de pedra. Ele esperou para ver se ela se mexia... Nada. Ele chacoalhou de leve o ombro dela...

Nada.

— Acorde! — ordenou em voz alta — Acorde, mulher! — Nada.

Katsuki puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela. Cinco segundos depois ele se pôs outra vez de pé e ficou andando de um lado para o outro. Vinte e três passos para a janela mais à esquerda e de volta. Ele tinha seus pontos fortes, mas paciência não era um deles. Inatividade o tornava um animal rabugento, mal humorado.

Quando Shouto voltasse, Katsuki poderia enviá-lo à procura de um médico.

Mas o criado ainda deveria demorar horas para chegar.

Kirishima ganiu e focinhou a sua cabeça. Katsuki mandou o dragão se deitar em seu tapete, perto da lareira. Então ele se agachou ao lado do sofá e colocou a mão no pescoço da mulher. Ele deslizou as pontas dos dedos por aquela coluna delgada e delicada até encontrar o pulso dela. Os batimentos cardíacos estavam mais fracos do que ele achava correto, e rápidos como um coelho.

Merda!

Ela virou a cabeça, deslizando a face macia para cima de sua mão. E lá estava ela de novo, aconchegando-se. O toque liberou a sugestão ténue de uma fragrância suave e feminina.

— Tentadora… — ele murmurou com amargura.

Se ele era obrigado a receber em sua casa uma mulher que desmaiava e que gostava de se aninhar, por que não podia ser uma que cheirasse a vinagre e queijo velho?

Não, ele tinha que receber uma que cheirasse a flores.

Ele apertou o polegar na bochecha molhada de chuva.

— Pelo amor de tudo, mulher, acorde.

Talvez ela tivesse batido a cabeça nas pedras do piso. Ele levou os dedos ao cabelo desgrenhado dela e puxou os grampos. Havia uma dúzia, pelo que lhe pareceu, e a cada um que Katsuki tirava, a massa de cabelo parecia ficar mais revolta. Mais indomada. Os cabelos se enroscavam e emaranhavam entre seus dedos, obstruindo o exame que pretendia fazer. Quando ele, afinal, se deu por satisfeito que o crânio dela estivesse intacto, Katsuki podia jurar que aquela cabeleira estava viva.

E faminta.

Mas o crânio estava intacto, sem calombos ou inchaços que ele pudesse detectar. E ainda assim ela não produzia nenhum som. Talvez ela tivesse-se machucado em outro lugar. Ou talvez o espartilho estivesse muito apertado. Só havia um modo de saber.

Com um suspiro impaciente, ele tirou a capa e estalou o pescoço.

Rolando-a de lado, ele afastou aquele cabelo predador e lançou os dedos à tarefa de desabotoar a parte de trás do vestido dela. Fazia tempo que Katsuki não praticava, mas existem certas coisas que um homem não esquece. Desabotoar a roupa de uma mulher é uma delas... E desamarrar um espartilho é outra.

Enquanto soltava os laços do espartilho, ele sentiu a caixa torácica dela se expandir debaixo de suas mãos. Ela se remexeu e soltou um suspiro gutural sensual.

Ele congelou. Outro surto de... alguma coisa... pulsou em suas veias, e dessa vez ele não podia ignorar, como se fosse alguma bobagem. Dessa vez era desejo, puro e simples. Katsuki estava há um longo e perigoso tempo sem ter uma mulher em seus braços.

Ele procurou ignorar sua reação física. Com movimentos ágeis e decididos, ele puxou as mangas do vestido pelos braços dela, procurando sentir alguma fratura nos ossos. Então ele começou a baixar o corpete até a cintura dela. Katsuki não podia deixá-la com aquelas roupas molhadas, pois ela poderia se resfriar.

Ele mereceria muita gratidão dela, quando acordasse, mas por algum motivo ele duvidava que a mulher demonstrasse esse sentimento.

No mínimo, acusá-lo-ia de tentar estupra-la.

E depois ela fugiria dele…


Notas Finais


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