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História My Demons - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Único


“When you feel my heat

Look into my eyes

It's where my demons hide

It's where my demons hide

Don't get too close

It's dark inside

It's where my demons hide

It's where my demons hide”


~DemonsImagine Dragons.





Novamente sozinho. Novamente com tristeza e desespero empregnados em meu corpo. Com frio e melancolia. Sensações que já cansei de ter. Sentimentos que não aguento mais sentir.

Olho pela janela do meu quarto e só consigo enxergar escuridão. A lua está acinzentada e quase sem cor, como se o céu negro da noite tivesse levado todo o seu brilho.

Eu peço mentalmente para que alguém me ajude, que me tire desse pesadelo. Eu só quero ser mais livre, ser apenas eu. Meu pai não entende o que isso significa, mas minha mãe entenderia.

Ela secaria minhas lágrimas e faria cafuné em minha cabeça. Perguntaria o que está me incomodando e depois arranjaria um jeito de me ajudar. Olharia dentro dos meus olhos iguais aos seus e diria: "Não tenha medo, seus demônios irão embora".

A única coisa que eu quero é acreditar nisso, mas sei ser impossível. As marcas de todo o meu desespero e ódio estão aqui, totalmente visíveis. Preciso destruir Hawk Moth de uma vez, salvar Paris. Sair de casa e não ver mais a cara do meu pai em minha frente.

Durante esse momento não posso fazer nada dessas coisas, apenas ficar remoendo e remoendo todos os meus sentimentos. Vejo Plagg voando ao meu lado e então percebo que posso fazer alguma coisa, sair de perto de meu pai.

Pulo pela janela e começo a correr pelos telhados de Paris. Isso me traz um ar de liberdade, mesmo não durando para sempre. Sinto o vento bater e balançar meu cabelo, me deixando cada vez mais liberto.

Não entendo o que essa cidade tem, mas sempre que me vejo pulando os telhados é como se, por um momento, todas as preocupações sumissem. Meu coração não bate mais tão acelerado, em meus ouvidos escuto apenas o som do vento. Tudo está vazio.

Continuo pulando até chegar a imensa Torre Eiffel, onde me sento no parapeito. Observo os pequenos pontos brilhantes que parecem piscar no céu, imaginando como seria ser como esses brilhos na escuridão.

Um ser livre, que não precisa pensar em nada e em ninguém. Apenas fica lá, brilhando lindamente como uma luz eterna. Não ligando se o mundo vai acabar ou não.

Distraído, não percebo uma pessoa chegar e sentar ao meu lado, também olhando para as lindas estrelas. Um vento frio passa por meu corpo, me fazendo arrepiar.

— Oi, My Lady. — digo, sem olha-la nos olhos.

— Olá, Gatinho. — vejo ela dar um sorriso com o canto da boca, e acabo sorrindo também.

— Noite fria, não? — pergunto a ela.

— Sim, um pouco. — ela olha para mim, com preocupação — Está tudo bem?

Quero saber como ela faz isso. Mesmo desejando muito, não posso contar todos os meus problemas para ela. Não posso arriscar revelar minha identidade, então resumo a situação.

— Muitos problemas em casa. — falo, baixando a cabeça e admirando a cidade.

Os poucos carros que ainda andam são como pontinhos, vistos dali de cima. As luzes parecem bolas de ouro brilhantes ofuscando a visão.

Ladybug coloca a mão sobre a minha, em um gesto de conforto. Confesso que fico um pouco surpreso com a sua repentina ação, mas não demonstro.

— Sabe que estou aqui se precisar né? — ela me diz em um tom calmo, e eu concordo com a cabeça.

— Eu posso ficar toda hora fazendo piadinhas, mas mesmo assim meus demônios continuam visíveis. — paro de olhar para os carros e a encaro — Não importa o que eu faça, eles não vão embora.

Eu quero que toda essa tristeza vá embora de meu corpo. Que me deixe por apenas alguns segundos, para eu conseguir aproveitar melhor tudo. Percebo agora que consigo fazer isso quando sou Chat Noir, ou apenas quando estou junto das pessoas que gosto.

Dentro de meus olhos ainda há um brilho triste, revelando os temidos demônios do meu ser. Mesmo que eles não sumam, sei que posso fingir por mais um tempo que eles não estão ali, para conseguir ter um momento de paz.

— Sei disso. — ela coloca sua outra mão em minha bochecha — Mesmo que não possa me contar tudo o que está passando, sei que suas preocupações continuarão aí, você querendo ou não. Mas você não está sozinho.

— Sim eu sei, mas acho que seria melhor você se afastar, aqui dentro é escuro demais. — falo, tocando a mão que está em minha bochecha delicadamente. Se ela continuar olhando tão fixamente para mim pode se contaminar com a minha escuridão, o meu desespero, e não quero que isso aconteça.

— Eu não me importo, Gatinho. — ela acaricia minha bochecha com seu polegar — Somos uma dupla, não somos? Devemos confiar um no outro.

Seus lindos olhos azuis, eles brilham tanto que não consigo parar de encará-los. Eu quero apenas dizer a verdade, mostrar quem sou e o que me atormenta.

Não posso fazer isso, mas sei que ela sempre vai estar ao meu lado. Nós somos uma dupla, unidos como Yin e Yang.

— Obrigado, Bugboo.


Não importa quantos demônios estão escondidos dentro de mim, nem as coisas ruins que acontecem em minha vida. Sei que sempre vou ter alguém que me apoia, e que eu amo incondicionalmente.



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