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História My Distraction - Capítulo 4


Escrita por: e bea031205


Notas do Autor


*INSPIRADA* na história da @Prettygirl_Me

Capítulo 4 - Capítulo 3


Traição...
1.quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido; aleivosia, deslealdade, perfídia.

Charllotte se sentia de alguma forma traída, pela comissão.
Agência que dedicou, praticamente, todos os anos de sua vida miserável.
Sempre fazendo o possível e o impossível pela empresa.
Mas, haviam omitido coisas dela, e de todos os outros funcionários.
Ninguém sabia sobre o fim do mundo que aconteceria daqui a 8 dias, mas especificamente no dia 1 de abril de 2019.
Não confiava em Cinco totalmente, do mesmo jeito que não confiava na comissão totalmente.
Ela encarava o garoto, procurando por seu rosto algum sinal de que, o que dizia na verdade era uma grande palhaçada, mas a cada palavra que saia dos lábios do garoto, não havia mentiras, em nenhuma delas, seus olhos demonstravam isso.
Porém, tudo parecia um absurdo ao ver da Gillis, o mundo podia mesmo acabar em 8 dias? A comissão então teria omitido o acontecimento a todos?
Se achava louca por ter ido com o menino, e se achava mais louca ainda, quando começou a acreditar nele.
Ela mesmo dúvida se estava mesmo em seu juízo perfeito. Afinal, quem acreditaria naquelas palavras?
Lotte encarou a irmã de Five. Se alguém saberia que ele estava mentindo, era ela.
Os familiares sempre sabem quando estamos mentindo, e a menina sabia disso por experiência própria.
A irmã de Cinco no entanto, tinha a mesma expressão que a agente a segundos atrás.
A mais velha suspirou atordoada, antes de poder dizer algo.
– Eu- Eu vou fazer um café- ela disse se levantando, e em nenhum momento olhou para as duas crianças na poltrona.
A Gillis também suspirou.
– Você, também me acha louco não é?- a menina olhou pro garoto que olhava suas próprias mãos como se fossem as coisas mais interessantes do mundo.
– Eu... talvez- ela murmurou. Estava confusa demais para decidir se ele era louco ou não.
Porém, se o que falasse fosse verdade, isso explicaria o porquê de ele fugir da comissão e a mesma estar atrás dele.
E se ele estivesse falando a verdade? Isso significaria que a comissão é a favor do apocalipse? Quem estava falando a verdade ali?
Sabia que Cinco, não sabia que ela era agente, e também não mentiria pra sua própria família. Mas, a comissão mentiria para ela? Esconderia esse enorme fato dela e de todos?
Charllotte precisava pensar, ficar longe do menino por um tempo.
Se levantou e pensou em seguir a irmã de Cinco, para ajudá-la com um café e talvez beber um chá, já que odiava a bebida preta e cafeínada.
Parou de andar assim que escutou a voz baixa e distante de Five.
Realmente não acredita em mim?- ela olhou para a cara de dor de Five e por um segundo acreditou no menino.
Ele não olhava mais, estava concentrado novamente em suas próprias mãos.
– Eu não sei, acho que...eu só...preciso raciocinar e absorver tudo.- e finalmente seguiu para a cozinha.
A irmã de Cinco fervia a água na chaleira. Ela era uns 3 centímetros mais baixa que Charllotte, o que de alguma forma era engraçado.
As mãos da mais velha tremiam enquanto ela procurava o pó de café no armário da cozinha.
Assim que encontrado o mesmo foi parar ao lado do fogão e de duas canecas.
Lotte se aproximou tocando suavemente o ombro da mulher, que levou um susto pelo toque.
Virou se bruscamente assustada. A Gillis sorriu em uma forma de acalma-la.
– Não se preocupe em fazer café para mim, eu detesto.
– Oh...eu não sabia sinto muito. Devo ter algum chá debaixo da bancada da pia, pode fazer ele se quiser.
– Grata.
A morena voltou a prestar atenção no café, enquanto Charllotte se abaixava para poder pegar o sachê de chá.
Ela observou que era de erva doce, não era muito fã do sabor, mas preferia isso a ter que beber um pequeno gole da bebida preta.
– Acredita nele?- a voz da irmã de seu alvo soou pela pequena cozinha.
– Não sei, me diga você, conhece ele a mais tempo que eu- Charllotte pronunciou usando a água fervente que sobrou na chaleira, para fazer seu chá.
– Eu também não sei- a mulher falou cabisbaixa- talvez, eu saberia a 17 anos atrás, porém ele mudou...todos mudamos.
– O que quer dizer com isso?- a agente perguntou confusa, a história de Cinco parecia estranha e confusa de se entender, ela não entendia a maioria das coisas que descobriu sobre o garoto.
– É... meio que complicado- a mais velha disse enquanto colocava o café na xícara branca- até agora não soube seu nome.
– Charllotte- disse sorrindo. De alguma forma ela havia gostado da pequena mulher- e o seu? Cinco não me disse.
– Típico dele, fico até surpresa de ter uma amiga, ele nunca foi bom em se simpatizar com as pessoas- Lotte não pode deixar de rir baixinho. Que bela amiga ela era não é? A qualquer momento poderia matar o mesmo- Sou Vanya, prazer em conhecer.
Ela estendeu a mão e a Gillis apertou de forma amigável.
Com o café pronto e o chá de Lotte também, as duas seguiram para a sala novamente, onde cinco continuava com a mesma postura da de minutos atrás.
Charllotte tomou um pequeno gole do chá quente, e logo sentiu a tensão de seus ombros se esvaziar de seu corpo.
Ela respirou o cheiro da bebida e depois suspirou, sentando dessa vez no sofá ao lado de Vanya.
A citada a cima estendeu uma das canecas ao menino que pegou bebendo um gole generoso.
O silêncio permaneceu durante um tempo, enquanto casa um dos três estavam absortos em seus próprios pensamentos.
– Você quer conversar?- a mais velha finalmente quebrou o estranho silêncio de que antes permanecia no apartamento, e Five a encarou. – Sobre o que viveu lá, no futuro. – O garoto suspirou, se dando por vencido.
Ainda assim, ficou em silêncio, como se procurasse as palavras certas para usar, para explicar todos os anos sozinho.
– Sobrevivi de restos. Comida enlatada, baratas, tudo o que eu
conseguia achar. – Ele deu um riso nasal. – Sabe o boato que Twinkies tem uma vida útil infinita? Bem, é papo furado. – Levou a bebida cafeínada aos lábios mais uma vez
– Não consigo nem imaginar. - Vanya murmurou, tentando reconfortar ao garoto.
Lotte conseguia imaginar, tinha passado não tanto tempo como ele nessa situação, mas tinha passado pelos mesmo sentimentos. Não nas mesmas circunstâncias, mas ela sabia bem o que ele havia sentido. Sozinho, assustado, com frio e faminto. Sem esperança, como se nunca fosse conseguir sair do desastre que a vida o lhe colocou.
– Você faz o que for preciso pra sobreviver, ou morre. – Ele continuou, como se as lembranças passassem diante de seus olhos – Então você se adapta. O que o mundo nos atiras, nós achamos um modo de superar.
Nós? Ele não havia dito que tinha passado todos esses anos sozinho.
Vanya intercalou o olhar entre a agente e Five, perguntando um "Nós?", enquanto a garota negava saber sobre o que ele estava falando, ela também não entendia de quem ele estava dizendo.
O garoto era um mistério, envolto em mais mistérios. Ela não conseguia compreender cinco.
– Tem algo mais forte?- O Hargreeves perguntou se referindo a bebida.
Vanya assentiu. E se levantou indo pegar um copo da bebida para o garoto.
Ela observava com espanto, enquanto cinco bebia grandes goladas do whisky que tinha no copo, que Vanya lhe deu.
Era difícil pensar que o menino não tinha a idade que seu corpo parecia ter.
Será que se Charllotte fosse em um bar qualquer e pedisse um copo de Whisky, as pessoas a olhariam estranho e confusas.
Com certeza, como ela já tinha dito antes, odiava ter um corpo de criança, elas nunca podiam fazer as coisas que adultos fazem.
Injusto, na sua opinião.
Five olhou para a irmã com um sorriso sarcástico em seu rosto.
– Você acha que eu sou maluco.
– Não. É só...muito pra absorver- a mulher disse tentando achar as palavras certas para não estresar o menino.

– O que exatamente vocês não entendem?- ele disse com a voz em tom de acidez, intercalando o olhar de Vanya, em pé a sua frente e Lotte que estava sentada no sofá ainda.
– Por que não tentou voltar antes?- A Gillis perguntou, vendo cinco revirar os olhos e ficar inrritado.
– Puxa, como não pensei nisso?!- ele fala alto com o sarcasmo em sua voz- viagem no tempo é uma armadilha, eu escorreguei no gelo e não virei noz- Charllotte franziu a face, se perguntando se Five era sempre tão estranho. Do que ele fala agora? O Hargreeves a olhou nos olhos dela. E a menina ficou perdida entre os imensos olhos verdes do garoto. Por mais que ele fosse estranho, reservado e mal humorado, o garoto tinha uma certa beleza em seu rosto- Acha que eu não tentei voltar pra minha família, Charllotte?- A garota desviou o olhar.
– Se você envelheceu lá- Vanya começou dizendo tentando quebrar a tensão que se formou no local- Como ainda se parece com uma criança?
– Eu já disse! - ele bufou, e andou até a cozinha enchendo o copo com a substância alcoólica novamente- Eu devo ter errado as equações.
– Papai costumava dizer...que viajar no tempo bagunçaria sua mente- a mais velha proferiu as palavras tentando acalmar o irmão, mas isso só piorou mais a situação- Talvez seja isso que está acontecendo com você.
– Isso foi um erro- Number Five diz inrritado- Você é muito jovem- o garoto então larga o copo já vazio na pia e sai andando até a porta de entrada do apartamento. A Gillis abriu um sorriso divertido, ele era um velho bem sentimental- Muito ingênua pra entender- o adolescente continuou dizendo, com a voz raivosa. A expressão do garoto demonstrava que ele estava chateado pela irmã achar que ele estava pirado, ou algo do tipo.
– Five, espera! – Vanya o chamou, tentando evitar que ele fosse embora. E funcionou-  Eu não te vejo há muito tempo, e não quero te perder de novo. Isso é tudo. – A maneira firme com que as palavras saiam dos lábios de Vanya fizeram a agente sorrir.
Ela se proucupava com o irmão, e era tão raro achar alguém que realmente se importa com você, porque em toda a sua vida, todas as pessoas que se preocupavam com ela morria, ou... não pensaria nisso agora, era triste e tortuoso demais pensar nisso agora.
– E está ficando tarde, tenho aula logo cedo e preciso dormir. Tenho certeza que pode dormir aqui hoje- ela se virou para a morena- e você também.
Ela foi até seu quarto que ficava no corredor, e em seguida voltou carregando alguns edredons em seu braço.
Ela andou até o sofá, arrumando ele para que os dois pudessem passar a noite ali.
– Conversaremos amanhã de novo. Certo? Boa noite.
– Boa noite- resmungou o número Cinco.
O menino caminhou até o sofá arrumado e se sentou. Parecia pensar no que fazer. Charllotte andou até ele se sentando ao seu lado.
– Bem,- ela começou- eu não tenho escolha além de ajudá-lo- Five a olhou pelo canto dos olhos. Ela sorria amigávelmente- não importa se pirou na batatinha, ou o que diz é verdade, estou com você pirralho. Você me ajudou- aquilo era realmente verdade- e de alguma forma eu acredito em você, estou com você nessa até o fim.
– Vai mesmo em ajudar- ele perguntou a olhando- bem só não me inrrite.
– Claro- ela viu cinco abaixar seu olhar agora suas próprias mãos- não vai esperar até amanhã não é?
Pelo pouco tempo que tinha passado com o menino, sabia que ele gostava de estar no controle da situação, queria deter o apocalipse, e sabia bem lá no fundo que precisava de ajuda, só não queria admitir, agia como um gato solitário, como se nós precissace de ninguém.
Lotte sabia bem disso, agia a sim como ele no passado depois do incidente, a missão que deu errado.
– Ela não vai acreditar em mim, acha que sou louco- ele parou de falar por um tempo,  e começou a pensar- como tem tanta certeza que eu sou o mocinho?
– Eu não tenho. Só como eu disse, de alguma forma confio em você- ele deu um pequeno sorriso, um sorriso sincero.
– O meu Deus, você sabe sorrir- ela disse e vou o menino soltar uma pequena risada.
Então um silêncio permaneceu depois desse estranho momento.
O menino enfiou a mão do bolso do shorts, certamente procurando algo e depois puxou alguma coisa enrolada em um fino pano preto.
Cinco estendeu o objeto para Charllotte, que estranhou, mas assim que retirou o círculo do pano, pode ver uma prótese ocular, e não parecia ter sido tirado de direto da fábrica.
Ela franziu o cenho, olhando para o garoto confusa.
– É difícil de entender- começou dizendo- eu encontrei...no apocalipse, não sei dizer, mas acho, de quem quer que seja, é o possível causador da destruição do mundo- ele parou de falar por instante, para que a garota pudesse pensar- se notar, atrás tem um número de série, é... prá lá que a gente vai.
Ela virou o olho, notando que atrás a palavra MARITECH estava escrita, junto com alguns pequenos números.
– Ok, então você quer procurar o dono do olho?- ela perguntou tentando entender, e cinco assentiu- Mas, como quer fazer isso? Vai chegar na fábrica e perguntar se alguém perdeu um olho por aí?
O ex-agente revirou os olhos.
Ele se levantou e puxou o olho da mão da menina, e o guardou de volta no bolso esquerdo do shorts.
Ela percebeu então que, Five estava indo embora e se apressou em seguir o mesmo.
– Queria que você não fosse tão chato assim- ela murmurou baixo.
– Eu escutei isso- ele disse abrindo com cuidado a porta do precário apartamento.
Os dois então saíram lado a lado.
Charllotte não sabia mais o que esperar daquela missão.
Também não sabia o porque de estar ajudando o menino, que teria que matar.
Podia fazer isso agora e voltar para a comissão, mas sentia que tinha que entender e a até mesmo ajudar o garoto.
Ela sabia lá no fundo, que tudo o que ele tinha dito era verdade, e também sabia que não podia mais depositar toda a sua confiança na comissão.
Esconderam de não só ela, mas de todos os outros, que o mundo iria acabar.
Mas, afinal de que lado ela ficaria?
Da empresa assassina e atemporal, que havia salvado a sua vida e dado um sentido a ela, ou no estranho garoto de mentalidade de 58 anos, com corpo de 13, que tinha visto o futuro?
Por um momento sentiu falta de ser uma pessoa comum.
Viver como uma pessoa comum.
Acordar todos os dias, ir trabalhar, depois voltar cansada e com fome, e em seguida tomar um banho e cair de sono na cama.
Ela queria ser comum, como a irmã de Cinco, Vanya.
Porque por mais que naquela família, ser normal, e comum, era algo de anormal, ela só queria isso.
Mas, não podia, porquê a vida era injusta.
E agora estava em um dilema, e não fazia ideia de que lado escolheria.













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