História My Dream - Capítulo 1


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Categorias Harry Styles
Personagens Harry Styles
Tags Harrystyles, Oneshot
Visualizações 70
Palavras 6.125
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá novamente!
Como é que vocês estão? Eu estava com saudades.
Entaaao, eu estou escrevendo uma nova fanfic, mas como eu estava ansiosa para postar algo aqui e só quero fazer isso com a nova história quando ela estiver terminada, resolvi escrever um one shot e postar aqui. É apenas um capítulo, mas eu espero que vocês gostem e aproveitem. Logo eu volto com mais uma fanfic.
Boa leitura <3

Capítulo 1 - Capítulo único


Eu sentia elas doerem, tremerem, prestes a cederem e me levarem ao chão, mas não estava me importando, apenas forçava com que as minhas pernas dessem mais um passo na minha longa corrida. Quanto mais eu pensava, mais rápido corria, a dor nas pernas nem se comparava com o aperto no peito que sentia desde a hora que resolvi abrir o meu maldito e-mail.

‘’estou voltando’’

Duas palavras capazes de fazer um belo estrago interno. Há quanto tempo eu esperei por essas palavras e agora que finalmente foram ditas, eu não me sentia pronta, apenas ansiosa, com medo, com raiva e magoada, o pior de tudo é que eu não sabia se tinha esse direito.

Quando senti meu coração palpitar – e não pelo esforço da corrida – acelerei os passos, mas fui obrigada a parar quando os meus joelhos fraquejaram e quase tive um encontro nada romântico com o chão. Eu estava ofegante, soando, com o corpo inteiro tremendo, sabendo que o esforço físico exagerado me deixaria extremamente dolorida. Abri a garrafa que segurava nas mãos e virei, deixando cair mais água no meu rosto do que na minha garganta. Quando o liquido acabou, respirei fundo várias vezes, recuperando mais calmamente o ar que meus pulmões precisavam. Olhei em volta e vi que estava bem longe de casa.

‘’estou voltando’’

Duas palavras foram o suficiente para que minhas pernas retomassem suas forças e eu voltasse a correr feito louca. Quando cheguei em casa, meu corpo todo pesava e tudo que fui capaz de fazer foi tirar a roupa e me enfiar dentro da banheira com água quente, tentando esvaziar a minha mente.

‘’estou voltando’’

Droga. Está voltando quando? Daqui uma semana? Um mês? Depois de tanto tempo não teve nem a decência de me dizer uma data.

Quando finalizei o meu banho, o sol já havia se escondido completamente e a lua, no topo do céu escuro, refletia o seu brilho, como um aviso que voltaria pela manhã. Foi exatamente isso que ele me disse quando se foi, que voltaria.

Gemi frustrada, eu estava seguindo a minha vida, tudo estava se encaminhando, e por causa de um e-mail, parecia que tudo podia desmoronar. Pelo amor de Deus, eram duas palavras que traziam todos os meus medos e inseguranças à tona.

Tomei um analgésico, com esperança que futuras dores não ocorressem, e coloquei o meu pijama mais confortável. A campainha tocou quando eu estava com o cabelo quase seco e com o pote de sorvete praticamente finalizado. Obriguei o meu corpo se esticar e caminhei arrastadamente até a porta. O remédio estava fazendo mais um efeito de chá calmante do que algo para dores, mas despertei inteira quando abri a porta e o vi parado ali, com toda a sua gloria.

O cabelo estava curto, diferente de quando o vi pela última vez com as mechas na altura dos ombros. Seus traços estavam mais fortes, o corpo parecia mais definido por baixo das roupas, seus olhos, aqueles que são verdes clarinhos como esmeraldas, com bordas azul escuro como o céu da noite, e alguns raios cor de fogo, eles pareciam mais brilhantes, mais maduros, mais misteriosos, mas isso deve ser porque eu não o conheço mais.

Minha mão que segurava a porta, se apertava ao redor da borda da madeira com tanta força que fazia com que o sangue sumisse e deixasse tudo esbranquiçado, a mão ao lado do meu corpo, tinha a palma sendo machucada pelas unhas, minhas pernas prestes a cederem e não pela corrida de mais cedo, o coração acelerado pela adrenalina.

Harry Styles. Na minha porta. Depois de quatro anos.

-Oi – Por Deus, essa voz, essa que eu ouvi durante muito tempo na minha cabeça depois de sua partida, ainda mais rouca, mas ainda sim macia como o melhor dos veludos. Ele me olhava atentamente, as mãos nos bolsos da frente da calça preta, casualmente, enquanto eu estava prestes a entrar em colapso.

-H-Harry? – Eu devia parecer tão surpresa e incrédula, transmitindo exatamente o que sentia por dentro, que um pequeno riso baixo escapou dele.

-Sou eu. Bom, era até a última vez que conferi – brincou, só que eu não estou para gracinhas.

-Que inferno você está fazendo aqui? – Ralhei.

-Você não recebeu o meu e-mail? – Franziu a testa.

-Aquilo e nada era a mesma coisa – ironizei – dizer que era vago é um eufemismo.

-Eu avisei que estava vindo.

-Sim, avisou, mas eu pensei que voltava daqui a uns dois meses, junto com a mudança. Porque imagino que não está aqui a passeio, já que não fez isso antes.

-Não, eu não estou a passeio – passou as mãos pelo cabelo curto e eu segui o movimento com os olhos. Ficamos alguns instantes em silencio, eu ainda estava digerindo a ideia de ele estar aqui – você vai me deixar entrar?

-Eu não sei se é uma boa ideia – respondi imediatamente e ele me olhou como se já soubesse que eu lhe daria essa resposta. Pelo menos não perdeu a noção.

-Eu entendo que você não me queira na sua casa, mas precisamos conversar, Bella.

-Não me chame assim – o interrompi bruscamente e seus grandes olhos me pareceram tristes, mas eu não me importei. Ele foi o único que me chamava dessa forma, e eu não estava em condições de ouvi-lo falando o meu apelido assim.

-Nós podemos ir a algum lugar, qualquer lugar, você pode escolher, mas por favor, me deixe falar com você – ele soava quase suplicante.

-Eu não sei se quero conversar com você, Harry – ele assentiu lentamente e o vi engolir em seco. Olhar para o seu lindo rosto triste estava acabando comigo, pisquei rapidamente tentando manter o controle.

-Não quero e nem vou pressionar você, mas alguma hora isso vai ter que acontecer, e se você não quiser que seja hoje, eu vou respeitar, mas nós já tivemos muito tempo longe um do outro.

-Não por minha causa – alfinetei e ele recuou com a dureza das palavras. Assentiu, sabendo que mereceu.

-Não, não foi por sua causa – ele abaixou a voz embargada - eu sei que não estou em condições de te pedir nada, mas por favor, Isabella, vamos conversar hoje – eu hesitei, sentindo um nó se apertando no meu estomago.

Eu não tinha estruturas para ter essa conversa com ele, eu sabia que seria um diálogo decisivo, mas eu me conhecia bem para saber que não importa o tempo que passe, eu não vou me sentir corajosa o suficiente. Se eu manda-lo embora, vou ficar me torturando por um longo tempo, e eu preciso finalmente dar um ponto final nessa história, e dar paz para o meu coração.

-Entre – dei espaço e ele piscou surpreso para mim, mas não demorou para pisar para dentro, como se tivesse medo que eu mudasse de ideia. Ter ele na minha casa provavelmente não era uma boa, mas graças a corrida que eu forcei o meu corpo a fazer, eu não conseguiria nem atravessar a rua.

Harry se acomodou no meio da sala, fazendo-a parecer muito menor. Me sentei no sofá sentindo as minhas pernas bambas, mas por culpa do meu não convidado mesmo. Ele me olhou com cautela e eu apontei para que ele se sentasse. Aquela visão ao mesmo tempo que não combinava, parecia muito certa. Harry ficou me encarando por um longo tempo, arriscaria dizer que até horas, mas não tinha certeza.

Eu tentava olhar tudo em volta, menos para ele, deveria ser corajosa e encara-lo, enfrenta-lo com o olhar para mostrar que não me afetava mais, mas eu não conseguia, eu ainda o amava feito louca, tanto que chegava a doer.

De repente ficar ali e ouvi-lo seria como a morte lenta e dolorosa do que sobrou do meu coração. Eu queria gritar e manda-lo embora, porque não sei se queria ouvir que ele voltou para a Inglaterra com a sua nova loiríssima e linda noiva, e foi por causa dela que ele fingiu que eu não existia durante todo esse tempo e agora veio me convidar para o casamento. Minha imaginação rolava à solta.

-Eu senti saudades, Isabella.

-Não! – O interrompi, eu não iria permitir que ele fizesse isso – você não vai começar isso assim. Você quer conversar? Tudo bem. Quer me explicar o seu sumiço? Ok, eu vou ouvi-lo, mesmo que não faça questão, mas você não se atreva a querer amaciar as coisas com palavras bonitas e mentirosas, porque não vai adiantar comigo – ele me olhava com os olhos arregalados e o vi engolir em seco – só diga o que você quer para que possamos acabar logo com isso – ele parecia contrariado, mas assentiu lentamente.

-E se tudo o que eu tiver para dizer a você é que senti a sua falta?

-Eu duvido muito que depois de todos esses anos você só tenha isso a me falar, não se daria o trabalho de vir até aqui e correr o risco de ser atropelado a base de vassourada – ele riu fraco me olhando e eu preferia que não tivesse o feito, porque o menor dos seus sorrisos era o suficiente para me abalar. Limpei a garganta tentando manter a calma – mas se for apenas isso, vou pedir para que você se vá.

-Você tem razão, isso não é tudo que eu tenho para dizer – cruzei os braços e esperei, ele suspirou e coçou os olhos com a palma das mãos, em sinal de nervosismo – já faz cinco anos, cinco anos que eu fui atrás do meu sonho, e você dizia que me apoiava. Eu sempre acreditei e ainda acredito. Eu fui embora com um aperto enorme no meu peito, afinal, não é todo dia que você muda e deixa as coisas mais importantes da sua vida para trás, sabendo que vai enfrentar o desconhecido sozinho. O que me acalmava era saber que todos estavam realmente felizes por mim, que tinham tomado o meu sonho para si mesmos e estavam sentindo o gostinho da realização. A maior prova que tive, foi quando eu disse que bastava você pedir, que eu ficaria e me casaria com você em seguida, e então você disse que nunca pediria para eu ficar, foi quando eu soube que aquele sonho não era mais apenas meu – ele tomou folego e me encarou profundamente, como se enxergasse a minha alma – eu posso ter dito em tom de brincadeira e rido, mas eu nunca tinha falado tão sério em toda a minha vida e você sabia disso.

Eu recordava, lembrava de cada palavra dele naquele dia como se fosse hoje. Lembro de ele olhar no fundo dos meus olhos e sorrir com o canto da boca, com todo carinho que sentia por mim, ele segurou a minha mão e ficou em silencio por um longo tempo, apenas absorvendo cada detalhe meu, enquanto eu guardava cada detalhe seu, já que no outro dia ele partiria para outro país, para outro continente. ‘’Eu pensei muito e acho que deveria mudar o meu voo para Las Vegas e me casar com você lá’’ essas foram as palavras que quebraram o nosso silencio, enquanto ele ria baixinho, ‘’ou eu posso ficar e nós organizamos o casamento dos nossos sonhos, que se dane Juilliard. Basta você pedir’’.

Lembro do sentimento de desespero eu tomou conta de mim, eu queria bater nele, gritar, chacoalhar ele por fazer isso comigo, por me tentar dessa forma, sem piedade. Eu queria abraça-lo, beija-lo, pedir para que ficasse, juntaria todo o ar possível nos meus pulmões e gritaria bem alto um grande ‘’SIM’’, queria que ele me tomasse em seus braços e me amasse por toda a noite, me prometendo que nunca me deixaria, mas eu não podia fazer isso, então engoli a vontade enorme de chorar, ofereci a ele um sorriso tremulo e disse: ‘’eu nunca faria isso’’.

Eu lembro perfeitamente da tristeza inundando os seus olhos, e a sua boca retribuindo o meu sorriso devastado, mas eu não poderia fazer aquilo com ele, então ele me beijou e me amou a noite toda, mas não para prometer-me que nunca me deixaria, mas sim para se despedir.

-É claro que o meu apoio era mais do que verdadeiro, Harry, tudo que eu queria era você feliz e desde o momento que eu te conheci, você brincava que um dia esfregaria na cara de todos o seu diploma importado, eu não podia pedir para que você desistisse disso por mim. No meio de tantos talentos em busca de uma oportunidade, você conseguiu por ser tão incrível e eu queria que mostrasse para todos – fiz uma pausa para recuperar o folego, e organizar na minha cabeça o que queria dizer a ele – você disse que bastava eu pedir, mas como eu poderia fazer isso? Eu não sou egoísta, e a dor que senti, o sentimento de impotência, o desespero que tomou conta de mim quando eu disse que não o faria era sufocante, porque eu precisava de você comigo. Se eu te dissesse sim, viveria com a culpa de ter te privado daquilo o que sempre quis, e um dia, o gosto amargo de ‘’e se’’ chegaria até você, e então perguntaria para si mesmo como teria sido se não tivesse desistido do seu sonho – minha voz embargou e eu tratei de limpar a garganta dolorida por segurar o choro que queria se manifestar, mas eu me recusava a chorar na frente dele, de jeito nenhum – se eu pudesse voltar no tempo, não mudaria as minhas palavras, te apoiaria e te incentivaria como sempre fiz – confessei baixinho, olhando para as minhas mãos entrelaçadas em cima do meu colo.

Eu estava sendo sincera, eu sofri como nunca quando ele se foi, mas eu o amava demais e se ele estava feliz em viver aquilo, eu ficaria feliz também.

Um longo silencio se instalou e eu poderia cortar a tensão com uma faca, mas nós dois sabíamos que seria assim, já era esperado. Levantei a minha visão em sua direção, encontrando ele me encarando profundamente com os olhos... marejados? Eu não duvidei do amor que Harry sentiu por mim, ele sempre me provou que me amava antigamente, não era apenas palavras, nunca foi, mas já fazia tanto tempo isso, tantos anos separados, tanto tempo sem se ver. Eu ainda o amava profundamente, mas não fui eu quem se afastou, foi ele, por isso fiquei surpresa por ele parecer tão afetado – por que, Harry?

-Eu sou um idiota – resmungou e me segurei para não concordar com ele, ao invés disso, reforcei a pergunta, eu precisava saber!

-Por que, Harry? – Tudo nele exalava nervosismo, o que me fazia ter medo da resposta que receberia.

-Quando cheguei em Nova Iorque, eu estava deslumbrado, era tudo tão novo e incrível. Constantemente eu pegava o meu telefone na mão para te ligar e falar como precisávamos explorar tudo, cada canto, mas então a realidade caía como uma chuva de pedras na minha cabeça e eu me lembrava o quão longe você estava.

Quantas vezes eu passei pela mesma coisa? Via algum estabelecimento novo que abriria e que ele provavelmente iria adorar e pensava que nós precisávamos conhecer. Lançava uma nova comedia romântica e eu chegava no cinema para comprar ingresso para nós dois, mesmo sabendo que o filme poderia ser muito ruim, mas então eu me lembrava que não era mais possível, porque estávamos a muitos quilômetros de distância um do outro. Eu estava tão acostumada com Harry que era difícil de aceitar que ele não estava mais comigo.

-Eu respirava fundo e sempre ficava a um clique de te chamar, eu queria desesperadamente ouvir a sua voz, eu precisava, sentia tantas saudades, mas então eu sempre travava como um covarde e não conseguia, sabia que se te ouvisse, voltaria correndo para você, eu queria, tanto quanto queria estudar em Juilliard, mas se eu voltasse, sabia que decepcionaria a todos, incluindo você e eu, porque como disse, o meu sonho já era tão grande que não pertencia só a mim, pertencia a nós e eu sabia o quão importante era para você que ele fosse vivido e concretizado.

-Então você resolveu que a melhor saída era me ignorar completamente? – A raiva que senti por tantos anos reapareceu, fazendo com que eu me alterasse – decidiu que não precisava mais ligar para mim, que rejeitaria as minhas ligações e que proibir que seus pais e sua irmã me dessem notícias suas era o melhor? – Eu estava frustrada, irritada, confusa e magoada. Ele ouvia tudo com a cabeça baixa, sem se atrever a me interromper – eu sabia que seria difícil, mas eu estava disposta a tentar por nós dois.

-Se eu ligasse, iria querer você, se eu te visse não conseguiria mais ficar longe e machucaria demais ter um gostinho seu e depois ficar tanto tempo sem te ter novamente.

-E você acha que não machucou você ir embora e não me dar notícias? – Não consegui evitar de alfinetar e ele recuou e suspirou.

-Eu fui um merda e não estou tentando justificar o que fiz, só quero que você saiba o que se passava pela minha cabeça naquela época. Eu errei, errei feio e não sei se eu mereço perdão, mas você merecia pelos menos uma explicação.

-Mas que merda, Harry, você sabe quanto tempo eu fiquei me torturando, pensando que eu havia te magoado, que tinha feito você pensar que eu não me importava, que queria você longe? Eu repassei a nossa última conversa milhares de vezes na minha cabeça, tentei te falar que queria você comigo, mas você me ignorou de todas as formas possíveis e então cheguei à conclusão que quem não se importava era você e que simplesmente não me amava mais.

-Não! – Me olhou alarmado e agitado, seus olhos brilhavam em aflição. Ele tentou se aproximar de mim e eu recuei para perto do braço do sofá, mas ele pareceu não se importar, apenas se aproximou ainda mais enquanto procurava os meus olhos com os seus, como se quisesse me convencer de algo e então a sua mão alcançou a minha, provocando um choque em todo o meu corpo com o pequeno toque de peles. Puxei uma respiração rápida – você nunca me magoou, preciso que você entenda que você só me fez bem durante todo o tempo que estivemos juntos. Preciso que você entenda que eu não afastei nós dois porque parei de te amar, foi justamente pelo contrário. No início pensei que estava fazendo um bem para nós dois, mas eu estava apenas com medo e pensando irracionalmente. Foi algo estupido, coisa de moleque e quando percebi que aquela nunca seria a melhor opção, já era tarde demais.

Outro silencio.

Eu nunca acreditei em relacionamentos a distância, eles se desgastam tão rapidamente, aos poucos apenas as ligações e chamadas de vídeos não são mais o suficiente, então elas vão ficando cada vez menos frequentes e então chega uma hora que se encerram, e nem preciso falar sobre visitas, que são ainda mais complicadas. Não estou dizendo que não é possível que dê certo, mas os casais que fazem isso acontecer até o momento que não é mais preciso e que já podem estar um com o outro, são muito raros, e quando chegou a época que a única forma de eu ter Harry era através de um relacionamento a distância, eu decidi que nós dois seriamos um desses casais raros, e faríamos dar certo, mas então o relacionamento não se desgastou, apenas parou de existir, sem que eu soubesse.

No começo quando ligava para ele e não era atendida, me convenci que ele estava apenas ocupado com a mudança e atarefado na faculdade mais renomada de artes de todo o mundo, mas quando o tempo foi passando e eu não obtive nenhuma resposta e nenhuma procura, fui parando de insistir e quando perguntei do meu até então namorado para os seus pais, tudo que recebi foi duas feições tristes e um sinto muito, então eu percebi que havia o perdido.

Relacionamento a distância é uma ova.

-Bella, eu nunca quis te magoar – disse baixinho, fazendo a raiva voltar com ainda mais força.

-Não me chame assim! – Ralhei furiosa, me desvencilhando de seu toque e ficando em pé em um pulo, numa distância segura dele, nervosa como nunca, o assustando com a explosão – seu grande filho da puta, eu ia me mudar para Nova Iorque para ficar com você.

Me arrependi assim que as palavras deixaram a minha boca. Isso que dá falar com a cabeça fervendo. Praguejei baixinho.

-O que? – Sua voz era um sussurro confuso, incrédulo e surpreso. Lentamente Harry se colocou em pé com uma postura perfeita, eu quase parei para admirar, mas eu estava nervosa demais andando de um lado para o outro. Não era para ele saber disso, não era – Isabella, o que você disse?

-Não era para você saber disso – falei baixo, ainda parecendo uma barata tonta de um lado para o outro, até que ele parou na minha frente e me segurou pelos ombros. Arregalei os meus olhos e mesmo com a camada de roupa no caminho, estremeci mais uma vez com o seu toque.

-O caralho que eu não precisava saber – disse firme, me forçando a olhar no fundo dos seus olhos verdes como esmeraldas – que história é essa?

Eu não queria ter aberto a minha boca e ter falado merda, mas a raiva faz com que façamos coisas irracionais. Eu sabia que ele não me deixaria em paz até que falasse, então me recusei a desviar os meus olhos dos seus, mesmo que isso me abalasse, e me forcei a não aparentar frágil e afetada por ele, eu era orgulhosa demais para lhe dar esse gostinho.

-Eu estava sofrendo por antecipação, pensei no quão difícil seria ter você em outro país, então mandei cartas para faculdades de Nova Iorque. Eu tive que pensar muito a respeito, por isso comecei a envia-las um pouco tarde demais, mas por causa de meu histórico escolar impecável, consegui uma vaga no segundo semestre – forcei a minha voz não vacilar, mas mesmo assim, em alguns momentos ela fraquejou, porém não era importante. Harry tinha as suas pálpebras arregaladas, suas esmeraldas tão claras me confundiam, pensei em ver um risco de aflição, mas não podia ter certeza.

-O que? – Apenas ar saiu de sua boca – você ia deixar os seus pais, amigos e tudo de importante para ir atrás de mim? Por que não me... – se interrompeu.

-Por que eu não te contei? – Ri com ironia, não pude evitar – Recebi a minha resposta logo depois de você ter viajado, não tinha contado para ninguém da minha decisão, queria te fazer uma surpresa, e depois... bom, depois você sabe o que aconteceu – Harry deixou que os seus braços caíssem moles ao lado do corpo, ele me parecia atordoado com a nova informação.

-Qual faculdade era?

-Isso não importa mais.

-Qual faculdade era, Isabella? – Respirei fundo.

-Columbia.

-Porra - praguejou passando as duas mãos pelos cabelos – merda, merda, merda.

-Olha, Harry, isso realmente não importa mais – e não importava mesmo, é tudo passado. Eu estava me sentindo esgotada emocionalmente, minha garganta e rosto doíam por segurar o choro que queria vir com força a tanto tempo. A parte do meu coração que ele não havia levado consigo, estava prestes a se estilhaçar novamente, bastava apenas um sopro, ele estava frágil demais e eu precisava protege-lo – acho melhor você ir. Você queria explicar e eu deixei, esclarecemos tudo e agora vou pedir para que se vá – pedi baixinho, me desvencilhando dele e caindo novamente no meu sofá. Ele me olhou bem sério e balançou a cabeça.

-Nós ainda não terminamos – disse firme.

-Eu já acabei.

-Mas eu não – desde o momento que apareceu aqui, Harry havia mudado de comportamento. Ele havia chegado cuidadoso, ansioso, nervoso, agora parecia decidido, a voz clara num tom que demonstrava que não sairia dali até que conseguisse o que queria, eu só não fazia a menor ideia do que era – Pensei que com o tempo eu ficaria melhor, que pensaria menos em você, que pararia de te ver em todos os lugares que ia, mas isso não aconteceu, só piorou cada vez mais. Eu passei noites em claro e me torturava olhando para as suas fotos durante horas. Tinha medo de entrar nas suas redes sociais e ver que você havia seguido em frente com outra pessoa, mas eu não podia nem reclamar, eu havia feito aquilo com nós dois. E então eu... eu conheci alguém.

E aí estavam as palavras tão esperadas, mas que eu temia como o inferno. Toda vez que eu pensava que ele havia seguido com a sua vida, sentia algo tão doloroso dentro do meu peito, doía demais só de imaginar, e ouvir ele proferir tais palavras me devastou, fazendo eu me sentir uma verdadeira tola porque depois de todos esses anos o meu sentimento por ele continuava tão forte como antes. Tive que fingir que tirava uma pelezinha perto da minha unha para não ter que encara-lo e ele ver que toda a minha tentativa de segurar o choro durante todo esse tempo havia sido em vão. Todas as lagrimas vieram de uma vez só, mas me recusei em deixa-las cair. O que ele queria? Falou que ficaria aqui para me magoar ainda mais? Eu estava me sentindo traída. Puxei o ar lentamente para que ele não ouvisse a minha respiração tremula.

-Jess gostava de mim e eu aprendi a gostar dela. Uma garota legal, gentil, doce e linda – eu queria exigir que ele parasse de falar, parasse de citar cada qualidade dela que eu não tinha, porque cada vez que fazia era como um golpe em mim. Eu não era assim tão legal, nem tão gentil, doce e linda nem se fala, no máximo eu era não amarga e bonita, mas se eu abrisse a boca para falar qualquer coisa, ele perceberia o quão tola eu ainda sou por ele – nosso relacionamento começou bem, a gente se divertia, mas faltava algo e por minha culpa. Eu percebi que não poderia seguir com aquilo de jeito nenhum se tinha algo inacabável aqui – eu.não.acredito.

A minha magoa foi misturada com mais um pouco de raiva. Raiva dele por jogar tudo isso na minha cara. Raiva por apenas vir acertar as coisas comigo depois de anos pelo bem do seu novo relacionamento. Raiva de Jess por aparentar ser tão perfeita e ter ele. E raiva de mim mesma por não saber se tinha se quer o direito de sentir tudo isso, mas a raiva tornava as coisas um pouco mais fáceis.

Eu tentei me relacionar com outras pessoas e também não consegui, não apenas porque eu ainda pensava no meu ex-namorado idiota, mas também porque nós nunca conversamos para definir as coisas, era como se eu estivesse traindo ele.

-Então você veio aqui pedir a minha benção? É isso? – Não consegui evitar que a ironia transbordasse na minha voz, acompanhada de magoa – não se preocupe, Harry, você está livre para seguir a sua vida com outra pessoa, acho que isso ficou explicito a anos.

-É aí que está o problema – falou baixo e se aproximou, se sentando bem perto e de frente para mim. Desta vez não recuei, e nem conseguiria, seus olhos haviam me hipnotizado mais uma vez – eu percebi que não podia continuar daquele jeito apenas porque tinha assuntos inacabáveis com você – sua voz rouca e macia me causando arrepios, sua proximidade me desconsertando.

-Então era o que? – Perguntei no mesmo tom dele.

-Era que... Jess era legal, mas eu sentia falta de quando alguém brincava de ser chata e implicante apenas para me irritar.

Ele se aproximou ainda mais, me fazendo perder o folego com suas palavras confiantes e calmas.

-Jess era gentil, mas eu sentia falta de quando eu brigava e não sozinho, alguém revidava deixando bem claro os seus pensamentos.

Continuou com suas insinuações, ainda se aproximando.

-Jess era doce, mas eu sentia falta de alguém soltando sarcasmo para todos os lados, me divertindo com isso.

Quando dei por mim, eu já podia sentir a respiração de Harry no meu rosto, enquanto eu estava paralisada em choque. Seus olhos verdes correram por cada centímetro de meu rosto, sua mão se levantou e seus dedos acariciaram minha bochecha, nossas respirações descompassadas, meu coração prestes a sair pela boca, e ele abaixou a sua voz num sussurro, quase como fosse me contar um segredo.

-Jess era linda, mas eu sentia falta de cabelos castanhos e selvagens, de olhos escuros e misteriosos como o universo e que me encantavam cada vez que eu olhava para eles. Jess era linda, mas eu sentia falta de lábios vermelhinhos e carnudos.

O que ele estava fazendo? Por que está me dizendo essas coisas? Por que encara os  meus olhos castanhos e meus lábios vermelhos com tanta intensidade? E por que eu estava derretendo cada vez mais e queria afasta-lo ao mesmo tempo que queria ele bem perto?

-Jess é legal, gentil, doce e linda, mas não do jeito que eu queria, não do jeito que a faz perfeita para mim. Jess é legal, gentil, doce e linda, mas ela não é você – respirei forte com a surpresa e arregalei os meus olhos – Ela não é você, Isabella, ninguém nunca será e eu não podia nem cogitar a ideia de seguir em frente sem você.

Ele está tão perto, mas tão longe. Cinco anos atrás ele se foi para realizar o seu maior sonho e eu havia ficado imensamente feliz por ele, mas Harry partiu o meu coração, me privando de uma das coisas que eu mais queria dele. Ele me privou da sua vida.

Eu estava congelada no lugar, surpresa, eufórica, sem conseguir raciocinar. Ele está tão perto, mas tão longe. Nossos narizes se encostando, nossas respirações se misturando, mas nada é tão simples assim.

-Isabella? – Soprou, seus olhos estavam marejados e sua voz embargada – eu amo você.

E eu me transformei num gelo derretido.

Harry fechou os olhos e roçou seus lábios nos meus, eu me sentia tremula com o seu toque carinhoso, sua mão que acariciava o meu rosto, se moveu até a minha nuca, agarrando os meus cabelos daquela região, me deixando como ele queria, sua outra mão serpenteou a minha cintura.

-Eu amo tanto você – sussurrou mais uma vez e então juntos os nossos lábios definitivamente, fazendo com que o meu corpo fizesse festa por completo, ouvi um som satisfeito sair de sua garganta e então o seu braço que me abraçava me puxou para mais perto ao mesmo tempo que ele pediu licença com a sua língua, e como sou fraca, cedi, sentindo a sua caricia quente, me fazendo ver estrelas através das pálpebras. Deus, eu estava com tantas saudades disso, ele me fazia tanta falta que eu quase não acreditava no que estava acontecendo.

Harry puxou meus cabelos, inclinando o meu rosto para que o ângulo deixasse o beijo ainda mais profundo, mais intenso, cheio de saudades, necessidade, fome e sede um do outro. Me permiti a esvaziar a minha cabeça e me entregar por um momento, sentir a sua língua explorar toda a minha boca, sentir os seus lábios em volta dos meus era mais que apenas uma sensação, é como se trocássemos palavras não ditas, sentimentos, segredos. Seus beijos sempre foram tudo para mim, por isso que quando o oxigênio se faz necessário, eu o empurrei para longe e me levantei, com a respiração descompassada, perturbada, louca para pular nele e beija-lo mais um pouco, só que eu sabia que isso era como jogar sal na ferida.

Virei para olha-lo e meu coração disparou ainda mais, se é que isso é possível. Sua respiração era rápida, assim como a minha, sua boca inchada e vermelha por culpa do beijo que acabamos de trocar, olhos brilhantes e seu cabelo em uma bagunça sensual que eu nem havia reparado que havia causado. Uma pena, porque sempre adorei mergulhar os meus dedos nos seus fios sedosos, mas eu adorava ainda mais a sua boca.

-Você me ama? – Perguntou afetado enquanto também ficava em pé, e então senti o meu lábio inferior tremer, as lagrimas não derramadas antes se fizeram presentes por causa de uma única pergunta.

-Você não pode fazer isso, Harry – choraminguei vendo os seus olhos também se encherem – você não pode vir aqui, assim, de repente e me dizer todas essas coisas, me beijar e achar que tudo ficará bem. As coisas não são assim – minha voz embargada, rosto encharcado, mas eu não podia me importar menos com isso.

-Eu sei. Sei que errei, sei que não mereço o seu perdão – ele deu um passo em minha direção, perto o suficiente para me tocar, mas ele não o fez, estava respeitando o meu espaço nesse momento em que me demonstrava tão frágil – no segundo ano que eu estava lá, eu estava decidido a trancar a faculdade e voltar para casa e procurar você, mas a minha mãe me convenceu que se eu fizesse isso, aqueles dois anos longe teria sido em vão e então eu fiquei e torci todos os dias para que quando eu voltasse, você me aceitasse novamente, e então prometi para mim mesmo que mesmo não merecendo, faria minha missão de vida te pedir perdão todos os dias, não importa onde ou com quem estivermos, eu vou fazer isso, até o meu último suspiro.

Ele se aproximou mais um pouco, não como se estivesse pisando em ovos, era como se o meu corpo puxasse o dele naturalmente e vice e versa.

-Sei que você provavelmente não me ama mais, eu não fiz para merecer mesmo – ah, se ele soubesse... – mas eu estou disposto a te reconquistar, e se você me ama pelo menos um pouco e me der a chance de te ter mais uma vez, farei o seu amor renascer a cada dia, mais forte, assim como o meu por você.

-Você partiu o meu coração – falei baixinho e então foi a sua vez de deixar que as lagrimas grossas escorressem uma atrás da outra, com força. Ele balançou a cabeça e mordeu o seu lábio tremulo sem se importar em enxugar o rosto. Estava um pouquinho mais próximo.

-E você não faz ideia de como eu me odeio por isso e eu vou te provar o como me arrependo, vou te fazer feliz como nunca, te amar profundamente como merece e te mostrar o como é mais importante do que tudo – ele parecia tão sensível e vulnerável, porém mais decidido do que nunca – só que eu preciso te perguntar se existe alguma chance, mínima se quer, de você ainda me amar?

Como eu poderia negar ou ocultar isso dele? Era visível para qualquer um. Balancei a cabeça assentindo e ele tomou uma respiração forte, como se não respirasse a muito tempo, surpreso, aliviado.

-Eu nunca deixei de amar você, Harry, nem por um segundo, nem quando eu te odiava – confessei e ele assentiu rápido com a cabeça. Eu podia ver toda a emoção que ele sentia.

-Então, Isabella, você vai me permitir a te reconquistar todos os dias? – Eu não sei se foi por ele parecer tão esperançoso, ou se foi pelo simples fato de eu precisar tanto dele que eu percebi que eu queria que ele fizesse isso.

Talvez eu não devesse ceder assim tão rápido, mas que se dane, eu o amava e não ficaria enrolando enquanto sofria a sua falta. Havíamos ficado cinco anos longe um do outro, tempo demais. É claro que sei que as coisas não voltarão a ser como antes, assim, do dia para a noite, temos que trabalhar muito para que tudo se conserte, então que comecemos logo. Foi por isso que eu concordei sem palavras e um sorriso escapou no rosto de Harry

-Diga isso alto para mim – pediu eufórico, o que me fez rir baixinho.

-Sim, Harry, você vai fazer isso.

-Meu amor – e então ele terminou de se aproximar e me abraçou forte e eu me senti em casa. O alivio e a felicidade era palpável ali, o que acelerou o meu coração. Harry me apertou um pouco mais e levou os seus lábios até a minha orelha – eu te garanto que vou te fazer mais do que feliz, eu nunca mais vou te magoar e te decepcionar.

-Se você aprontar comigo de novo, Harry, eu vou arrancar os seus Styles – ele riu e então se afastou, só o suficiente para olhar nos meus olhos, com um sorriso enorme de menino, com direito a covinhas que eu tanto amava. Fui obrigada a lamber aquele ponto em sua bochecha e ele riu.

-Eu sei que vamos ter um longo caminho pela frente, sei que vou ter que ganhar a sua confiança mais uma vez, mas eu não quero que você se preocupe, porque você é e sempre será o meu maior sonho realizado – e então ele me beijou, lentamente, como se fosse o nosso primeiro beijo, como se fosse o último, ele me saboreou e eu saboreei ele.

Ele me pediu para não me preocupar, mas eu não estava preocupada, acreditava nele, no fundo do meu coração eu sabia que ele faria tudo o que havia dito e eu estava feliz por ter aceitado ele assim tão rápido, porque ele também é o meu sonho realizado.

Naquela noite Harry me amou a noite toda, assim como me amou durante todas as noites restantes de nossas vidas, e nunca era um adeus, mas sim uma garantia de que nós dois sempre seriamos um do outro.

Fim.


Notas Finais


Aí está, uma bem clichêzinha, mas como dizem, a vida é um clichê, então está valendo.
Espero que tenham gostado, comentem muito, eu estava com saudades.
Até a próxima <3


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