História My Everything - Capítulo 3


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Categorias Amor Doce
Personagens Castiel, Lynn, Nathaniel, Personagens Originais, Priya
Tags Amor Doce, Castiel, Romance, Spoilers, University Life
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Palavras 8.398
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


GENTE 41 FAVORITOS E 13 COMENTÁRIOS NO ÚLTIMO CAPÍTULO EU TO TÃO FELIZ MEU DEUS DO CÉU VCS SÃO INCRÍVEIS EU NUNCA CONSEGUI ISSO ANTES
DESCULPA PELA DEMORA, O CAPÍTULO TÁ ENORME!!! BOA LEITURA E CHEGA DE ENROLAÇÃO!!

Capítulo 3 - Capítulo Três


  Certo. Não sei o que fazer. É obvio que eu deveria demonstrar alguma reação descente, mas nem para isso estou servindo nesses últimos dias. O que é que eu faço? Suspirei fundo e olhei em sua direção, ainda com uma cara de desespero. E em lembrar que eu pensei na possibilidade de tentar teatro. Que decepção.

  — Como vai você e sua nova vida? — Soltei. O que mais é que eu poderia dizer? Se alguém souber, por favor, me diga. Urgentemente.

  — Bem. — Respondeu seco. Legal, pelo menos o Castiel que eu conhecia continuava ali, eu acho.

  O pior de tudo: eu não sei como reagir nessas situações, digamos que, constrangedoras. De certo modo, isso me intimida, já que eu não sei o quê conversar. Passaram quatro malditos anos e eu ainda não sei como agir perto de alguém que te chamava de amor no passado. Legal, parecia que eu tinha regredido aos dezessete novamente.

  É estranho ser considerada adulta, de verdade, porque eu ainda não me sinto como uma. Não faço ideia se, é pelo fato de ter meus antigos amigos ao meu redor, ou se eu apenas não amadureci mentalmente nesse tempo.

  — Então... — Olhei para o lado oposto. Não sei se estou disposta a olhar olho a olho novamente. — Legal ver que seguiu em frente, com sua banda e tal.

  Merda. Só sabia que tinha falado merda.

  — Tudo isso cresceu mais rápido que eu esperava. — Admitiu, enquanto estendia a mão para pedir uma rodada.

  — Eu imagino. — Terminei de tomar meu copo.

  — O que faz aqui? — me virei para ele, de imediato. — Você desapareceu.

  — Voltei por vontade própria. — Mentira. Voltei porque se continuasse naquele inferno, teria um treco e meus pais também já tinham notado. — E soube de você. Achei que seria uma oportunidade legal te rever também.

  — E quem disse que eu estava afim de te ver?

  — Na verdade, você não tem que estar afim de nada. — Dei de ombros. — Paguei para estar aqui. — Segunda mentira da noite, mas pelo menos essa era mais fácil de disfarçar. Castiel deu um sorriso de lado. Continuava debochado o desgraçado, mas se eu dissesse que não gostava disso seria mais uma para a conta das mentiras que eu contei em menos de cinco minutos. — Não é perigoso de alguma doida pular em você caso te ver?

  — Não sei. É a primeira vez que eu faço isso.  

  — Se você for morto por uma delas, espero que não joguem a culpa em mim. — Dei uma risada, e então o vi fechar a cara.

  — Desde quando você voltou a se importar? — virei meu olhar para sua direção.

  — Eu só estou tentando ser legal. Você que está agindo como um babaca. — Rebati. — A fama subiu a sua cabeça?

  — Acho que é você que está deixando as coisas mais complicadas. — Suspirou, e virei o rosto novamente. — Não somos mais íntimos. Seguimos caminhos diferentes e acabou. — Acho que nisso tudo, ele quis dizer que: eu fiquei rico e você na merda. E fim. — Estou aqui porque achei que seria legal bater um papo, depois de tanto tempo.

   — E era exatamente o que eu estava tentando fazer. — Bati com os dedos no balcão, e o garçom assentiu, tendo consciência já de que eu queria.

   Ficamos um tempo em silêncio após isso. O homem entregou a bebida e eu agradeci com um aceno de cabeça. É a última. Se eu beber mais um pouco, estou vendo que vai ser pior e que alguém terá de segurar meus cabelos enquanto eu vomito. Não quero isso aos plenos vinte e um anos.

  — Você está namorando? — Disparei do nada. Acho que é a bebida. Eu avisei a mim mesma. Pena que sou tão teimosa.

  — Não sei se poderia dizer “namoro”. — Apoiei o cotovelo na superfície do balcão, colocando minha cabeça sobre a palma da mão. — Estou em um rolo, um tanto complicado, mas não chega a ser um namoro. Por que quer saber?

  — Acabou de me dizer que seria legal bater um papo depois de tanto tempo. — franzi as sobrancelhas. — Não pensei que seguiria em frente tão rápido. — Bocejei, sequer percebendo a besteira que tinha acabado de sair da minha boca.

  — Tá brincando, né? — Continuei olhando na sua direção, com um olhar que nem eu sabia o que dizia. — Eu segui em frente porque precisei, pensou o quê? Você achou que eu iria te esperar a vida toda? — Me ajeitei no banco. Essa me pegou de jeito, que eu até engoli o seco.

  — Não foi isso que eu disse. — Mas provavelmente foi o que eu supus. Que merda é que eu pensei? Eu também não sei dizer. — Desculpe, por perguntar isso.

  Cheguei ao cúmulo da desgraça. Acho que seria melhor se acontecesse que nem a Rosalya disse: ele não me vendo e acabando assim. Por que, Deus?

  — Tanto faz. — Deu de ombros. — Eu te falei que bebida demais não faz bem. — Eu dei uma risada. Não era engraçado, foi trágico, catastrófico, deplorável, mas não engraçado. Essa risada foi de desespero ou um sinal de pedido de ajuda. Achei incrível o fato de nem Alexy nem a Rosalya ter notado até agora que eu estou falando com ele. Na verdade, ninguém notou, eu acho.

  — Eu tenho de concordar. — Abaixei o olhar. Olhei de volta para Rosalya, que se encontrava atrás dele. Provavelmente ela estava mais sã que eu, porém cambaleava enquanto tentava ficar de pé. Por Deus. — E-eu acho que é melhor eu ir. — O ruivo virou o olhar para o mesmo lado que eu olhava.

  — Entendi o recado. É melhor você cuidar dela. — Assenti com a cabeça.

  — É o que eu pretendo fazer, caso ela não vomite em mim. — Não posso falar muita coisa, também. Não estou cem por cento sóbria. Abri a minha bolsa e estendi para o garçom. — Fica com o troco. Foi legal te ver, Castiel. Espero algum dia te encontrar de novo por aí.

  Ele deu outro sorriso de canto. Maldito, continuava bonito o desgraçado. Acenei com a cabeça e retribuiu o gesto. Segui perto da mesa da nossa mesa, ainda andando meio torto. Estou indo de mal a pior, e não há nada a negar.

   — Lynnnnn... — Eu queria dar risada ali mesmo, porém não pretendo fazer isso. — Sabia que... eu vi! — Gritou e pulou nos meus braços. — Você... e aquele lá que eu... Sabia que eu te amo? Mas ainda te odeio também!...

   — O quê é que ela bebeu? — Olhei para Alexy, enquanto ela se apoiava em mim.

   — Eu não sei. Ela pegou a bebida mais cara e disse que encarava. — Franzi as sobrancelhas. — Eu tentei impedir, é sério! Só que o garçom já tinha dado para ela e, a tragédia já estava feito. Daí ela pediu mais umas coisas... E deu no que deu! — neguei com a cabeça.

   — A gente precisa ir. É sério.

   — Nãoooo! — Falou com uma voz melosa e embriagada, credo. — Vamos ficar para você e... E... — Parou de falar e voltou a se apoiar em mim.

   — E quem? — O azulado sussurrou com um tom malicioso.

   — Depois eu explico, agora vamos.

   Ele a segurou por um lado e eu por outro. Rosalya estava deixando o corpo mole, e aquilo só piorava a situação. Segurei a mais forte ainda. Me olhou brava de lado, porém ignorei. 

   — Ei! — ouvi um homem atrás gritar. Não paramos com isso. — Você de cabelo branco! — continuou com a voz. Minha amiga virou. Socorro, Cristo. — Sua gostosa.

   — O que disse, machista? Quem... você pensa que é? — Gritou. Alexy colocou a mão na testa. Seguramos ela mais forte. — Parem, vocês dois! — Se debateu entre o meio. Eu quero sumir. Está. Todo. Mundo. Olhando. Para. A. Gente.

   — Ei, pessoal. — Meu Deus do céu. Castiel, por que você está se jogando para os leões?

   Foi instantâneo. Sério, foi uma das coisas mais estranhas que eu vi em toda minha vida. Dezenas de meninas – e vários meninos, hah, quem diria – se viraram na direção dele. Sua expressão continuava neutra, e o mesmo que acabou de assediar minha amiga foi na sua direção.

  — Você. — O ruivo apontou para o cara. — Seguranças, para fora. Já. — Parecia que eu tinha acabado de sair de um filme clichê. Muito. Eu não sei mais como reagir. Será que agora, tem uma limusine lá fora me esperando? Veremos.

  O cara foi arrastado a força enquanto esperneava mais do que a Rosalya no estado atual. Nem parecia tão másculo quanto estava naquele momento. Ele apenas olhou para a gente bravo, enquanto parecia que sua cabeça ia explodir de tanto que as veias saltaram. Eu não me contive nessa. Ri da cara do sujeito, e espero que ele não seja alguém da faculdade.

  Deus me livre.

  Olhei para trás pela ultima vez. Castiel estava em volta de muitas fãs ali, tanto que era quase impossível enxerga-lo caso não fosse alto. Ele me viu, e tinha certeza de que, seu olhar queria dizer “você me deve uma”. Mais uma para a conta de dívidas.

  Direcionei um sorriso na sua direção. Caso eu te encontrar, eu posso ver o que posso fazer por você.

   Segurei a porta para que Alexy passasse com a Rosalya. Arrastamos ela a força em direção do carro e, não, não tinha nenhuma limusine lá fora. No máximo, tinham umas meninas drogadas e uns caras bêbados no estacionamento. Desviamos todos por pouco, e, quando chegamos no carro, abri a porta e a joguei no banco de trás. Paciência, ela que não iria ficar na frente depois dessa. Fechei e abri a da frente, me ajeitando no carro, enquanto puxava o cinto de segurança.

  — Se for vomitar, vomita na sacola que têm aí no chão. — Alertou o azulado enquanto entrava no carro.

  — Eu não... — Bocejou enquanto falava e simplesmente apagou. Virei para trás e a cena era inacreditável.

  — Ela vai ficar bem? — Questionei, enquanto a partida ao carro era dada.

  — Vai. Eu te deixo lá na frente antes, e se estiver fechada a entrada, pula por trás, pelo lixão. — O olhei, com um ar duvidoso. — Não interessa como eu sei disso. — confirmei com a cabeça, com um meio sorriso. — O que é que ela estava falando?

  — Sobre mim e alguém? — Ele assentiu com a cabeça. — É, eu falei com ele.

   — Falou? Como? Quando? — Parou no sinal vermelho e se virou para mim. — Eu não vi nada!

   — É, eu sei. A gente só conversou e levei patadas. Nada novo.

  — Cara, eu estou mais surpreso pelo fato de ninguém ter notado ele lá. É por isso que ele fez aquele negócio com o caso da Rosa? — Apontou para trás. Dei de ombros.

  — Vamos ser sinceros, todo mundo estava vendo. Ou talvez ele reconheceu vocês. É isso.

  — É melhor você explicar melhor depois.

  — Eu irei, mas te juro que é basicamente isso. — O sinal voltou ao verde, e era possível ver que já estávamos perto da universidade. — Como é que você vai entregar a Rosa para o Leigh?

  — É, bom... Boa pergunta. Se der merda, eu a deixo em casa e aviso ele. — Assenti com a cabeça. — E você se cuide, mas espera. Não quer ficar lá em casa? Amanhã então eu te trago de volta. O que acha?

  — Com que roupas que eu vou ficar?

  — Têm roupas da Rosa lá, e escovas de dentes reservas. O que você acha? — não pude deixar de sorrir.

  Sei que tenho meus estudos e tudo, porém um tempo fora não faz mal, né? Já que fiquei tanto tempo fora, uma mini-festa-do-pijama não seria um problema tão grande. Bem, eu espero.

  — Se não for incomodar...

  — Sem problema, amore. — Piscou para mim. — Quem sabe essa aí acorda e a gente conta que ela bateu a própria cabeça contra a mesa.

  — Ela bateu a própria cabeça contra a mesa?

  — Não, mas a gente finge que sim. — Dei uma gargalhada alta. — Então vamos. — Virou o carro na direção contrária.

  Confesso que, ainda estou assustada com o fato de eu estar em um carro onde o Alexy acaba sendo o motorista, porém não há nada a fazer. Eu estou um pouco embriagada e, temos alguém que capotou. Fazer o quê, né?  Não sei nem o porquê da hipótese de eu dirigir. Minha habilitação sequer saiu ainda, então não há nada a se fazer além de aceitar a maldita realidade.

  As ruas estão sendo iluminadas apenas pelos postes. A cidade havia sido reformada, de fato, mas ainda há vários bairros perigosos e vazios, como o que a gente está passando agora. Apenas pessoas com capuzes escuros eram vistas naquela rua. Chegava a ser amedrontador e estranho. Olhei para o lado e Alexy tinha a expressão neutra. Para descontrair o ambiente, fiz o favor de ligar a rádio. A situação parece mais tensa do que deve, afinal.

  A música contagiante de uma cantora que eu sequer conhecia tocava baixo, mas pelo menos tirava um pouco do desânimo do ambiente. Voltei a encarar o ambiente a minha volta. Eu nunca vim para essa parte da cidade, e não posso negar que me intrigou de certo modo.

  — Estamos perto. Por que está tão admirada? — E outro fato que eu não posso negar é que eu realmente não sei disfarçar, ou meus amigos me conhecem bem demais.

  — Nada. Nunca vim para essa região, por isso a cara.

  — Começou a decair as coisas por aqui uns meses após você ter ido embora. — Olhei em sua direção. — Tá’ vendo aquele lugar ali? — Apontou com o dedo para seu lado esquerdo, para um lugar abandonado, caindo aos pedaços. Assustador. — Aquele ali era o orfanato onde eu e o Armin vivamos. Já foi um lugar melhor. — disse com uma expressão fechada.

  — E... Por que disso? Digo, por quê tudo isso aconteceu?

  — Governo. Começaram obras e não terminaram, desviaram grande parte das rendas que vinha para aqui... — Negou com a cabeça, tendo agora um semblante triste. Ele não parece confortável em falar disso, tanto que parou por um tempo de falar, e eu não insisti, até voltar sozinho. — Sabe, acho que foi um tempo bom de você ter vazado.

   — Como assim? — Perguntei novamente.

    — Aconteceram tantas coisas, que você nem sabe. — Voltou a expressão séria. — Não só relacionada à cidade, também aos nossos amigos... Muitas coisas, de verdade. Ainda têm tempo para descobrir, e não fuce nada por enquanto.

   — Eu não iria fuçar, mas tudo bem, eu descubro com o tempo.

   — Você sempre descobre, Lynn. É impossível a cidade manter algum segredo, porque sempre cai aos seus ouvidos, e você sempre tenta ajudar. — Dei um sorriso torto. — Não se cansa?

   — Cansar?

   — É, de ser legal com todo mundo. — Mentira. Eu só não sou legal com a Yeleen, mas depende. Quem sabe, né? — Já deu um tempo para si mesma?

  — Eu não preciso de um tempo. Consigo lidar comigo mesma. — Mas que história é essa? Por que começou a virar um jogo de perguntas e respostas? — Por que é que você tá’ falando isso?

  — Acha mesmo que ninguém nota essa sua cara de morta por aí? — Que cara de morta? Tá’ brincando! Eu realmente não sei disfarçar, merda. — Sabe que pode contar com a gente. Não vamos rir da sua cara ou te xingar caso algo esteja acontecendo alguma coisa.

   — Mas esse é exatamente o problema, não acontece nada. Eu só não consigo dormir. — esse assunto, de novo. Só consigo me lembrar do Nathaniel.

   — Não é a única que sabe de segredos. Eu vou descobrir sozinho. — Deu uma piscada de olho discreta. Suspirei. — Ah, e para sua informação, chegamos. — parei um pouco para refletir. A viagem inteira, quase, ficamos brincando de perguntar? Legal, legal. — Agora me ajude a carregar esse peso morto. — Abriu a porta de trás, enquanto eu abria a minha, indo na direção dele, pegando Rosalya pelo colo. Ele pegou as chaves, que por sinal, se enrolou muito para pega-las e então, achou e finalmente botou-a sobre a fechadura, virando a maçaneta. — Bem-vinda ao meu cafofo.

  Eu fiquei, de fato, surpresa. Era muito organizado e bastante sofisticado. Acho que ele vive em uma parte rica do bairro. De onde é que ele tirou dinheiro pra ter tanta coisa cara como tem ali, aparentemente? É, as coisas mudaram, mas não sabia que Alexy tinha virado um milionário escondido.

  — Uau. Se isso que é que você chama de cafofo, olha, eu morava numa caverna. — Andei até o sofá, e coloquei a Rosalya deitada. — É muito chique.

  Acabou por dar de ombros e ligou a luz. Era um sobrado, e eu sequer percebi porque estava tagarelando demais respondendo suas perguntas - e questionando-as, também -enquanto ele já tinha até estacionado o carro na garagem.

  — Você está com fome? — Gritou da cozinha. Andei na direção dela. — Olha, faz um tempo que eu não faço compras porque vivo fora, e porque não recebo visitas com frequência.

 — Não se preocupe. Só estou com sede.

 — Sede? — Me olhou e assenti com a cabeça. — Tá’ brincando! Você bebeu o show inteiro e está com sede? — Deu uma risada. Revirei os olhos. — Ok, okay. — Levantou as mãos em rendição, enquanto sorria e foi pegar um copo para mim. Encheu com água e me entregou.   

  Bebi o copo e deixei em cima da pia. Alexy me disse que, lá em cima, no primeiro quarto à esquerda tem, dentro do guarda roupa, algumas roupas perdidas da Rosalya, e que será de minha responsabilidade caso eu suje alguma.

  Panaca.

  Não têm como eu sujar, né? Eu acho que não, e espero, de fato que não haja como.

   Esses dias, acho que minha insegurança está batendo na porta, e eu acabo por abrir sempre, por não saber quem é. Mesma coisa com a ansiedade à noite. Isso está me matando aos poucos.

  Fico feliz de ter gente ao meu lado – isso as vezes, quando elas não fazem questão de desaparecer do nada – que me apoie e que se importe. Não que isso curasse essa angústia total de dentro de mim, mas de certo modo, eu me sentia importante, mesmo depois de tudo.

  A casa do Alexy era maior do que eu pensava, na real. Fui subindo até o segundo andar enquanto eu apenas analisava o local. O corredor chega a ser um tanto enfeitado por prateleiras com livros e nas paredes, quadros de diversos pintores, dando um pouco mais de ânimo, já que parecia sinistro com as luzes apagadas, como se encontra no momento.

  Supus que Armin tivesse um quarto ali, já que na direção do banheiro tinha um com a porta fechada, no qual tinha um papel colado escrito – com uma caligrafia razoável – “Alexy, não fuce meu quarto. Tem uns papéis importantes e é melhor que você nem toque.

 Com carinho, que não será mais caso você mexer, seu mano.”

  Não sei nem se poderia ser o Evan, mas duvido. Aliás, por onde é que ele anda? Sumiu logo após o caso do Kentin. Estranho, né? Espero que esteja bem...

  Ainda me atormenta pensar no rosto dele esfolado depois dele ter se metido com aqueles caras. Lembro dele no corredor do hospital, porém gostaria muito de lembrar o que é que ele falou.

  Andei na direção do primeiro quarto à esquerda e abri a porta. Era um quarto simples, com uma cama de solteiro, um guarda-roupa, um criado-mudo ao lado da cama e uma cômoda. Confesso que me lembra meu antigo, tirando o fato que o meu era todo cor-de-rosa. Qual é, eu ainda acho que rosa é uma cor bonita.

  Abri a primeira porta do guarda-roupa enquanto fuçava as roupas, que acabavam sendo poucas. Creio que é apenas um quarto para visitas, ou coisa do tipo. As roupas estão todas jogadas, então fica mais complicado de achar algo no meio daquela bagunça.

  Diria que hoje é um dia frio, portanto peguei uma calça e uma camiseta simples que tinha ali no armário. Estamos no outono, e digamos que a temperatura vem descendo cada vez mais.

  Acho que outono é uma das minhas estações favoritas, junto com a primavera. Os dias vêm sendo mais curtos, e os tons verdes das folhas deixado pela primavera vão desaparecendo, dando o lugar para os tons amarronzados e vermelhos. Principalmente é nessa época que eu fico mais atenta - digamos que mais ainda - para admirar as coisas ao meu redor. É, esse é o efeito dessa estação sobre mim, querendo ou não.

  Fechei a porta do guarda-roupa após essa confissão mental, e saí pela porta do quarto, fechando também logo em seguida. Desci novamente e vi Alexy e Rosalya no sofá tagarelando. Como é possível?

  — Ai está você! — Ela gritou. Tinha desmaiado mas continuava meio bêbada, de fato. — É verdade?

  — O quê?

  — Que eu bati a cabeça na mesa. — Alexy atrás dela apenas dava risada e me olhava como se implorasse para confirmar.

  — É sim. Como é que você me esquece uma coisa dessas? — Ela colocou o rosto sobre as mãos, enquanto eu acabava por morder o lábio inferior para não sorrir.

  — Não creio... Alguém mais viu? — Neguei com a cabeça, enquanto só ouvia o outro dar risadinhas. — Ainda bem. Do que é que você tá’ rindo, hein?! — Se virou para Alexy, que tapou a boca com a mão.

  — Nada. Só acho a situação... trágica e engraçada.

  — Não foi você que bateu a cabeça na mesa sozinho! — Deu um tapa nele. Coitada, não sei ainda como está acreditando. A bebida é uma coisa incrível, né?

  — Desculpa. — Deu uma risada novamente.

  — Sobre o que falavam enquanto eu não estava? — me sentei na quina do sofá.

  — Ah, nada demais. Só sobre você ter perguntado para o Castiel se ele namorava. — Me engasguei com a própria saliva. Ela começou a bater nas minhas costas para ver se melhorava. Socorro.

  — Mas como é que você ouviu isso?

  — Então é verdade! — Alexy berrou. — Achei que era invenção de bêbada. Puts, Lynn. E o que é que ele respondeu?

  — Ele me disse que está de rolo. Só isso.

  — Depois ele perguntou se achou que ele esperaria você a vida toda... — A mulher começou a olhar as unhas e eu arregalei os olhos. Desgraçada!

  — Você ouviu o papo todo, foi? — deu de ombros. Rosalya, você me paga, sério.

  — Sinto muito. — Lamentou ele. — Que fora, hein?

  — É, eu sei. Muito obrigada pelo apoio, e obrigada por ser dedo duro. — Dirigi-me a Rosalya.

  — Você já fez pior!

  — Você já falou das minhas calcinhas na frente dos meninos!

  — Aí eu não posso negar, não é minha culpa se você usava calcinhas de vovô. E ai, atualizou? Tá’ usando fio-dental ou coisa do gênero? — Franzi as sobrancelhas. — Mas você não pode falar nada, sei como você era uma peste dedo duro.

  Coloquei a mão no peito, fingindo estar ofendida, mas sei que é verdade. Droga.

  — Tudo bem, tudo bem. Chega de farpas entre vocês. Rosalya, vá se trocar.

  — Que? Mas por quê?

  — Meu anjo, você está cheirando a bebida.

  — Achei que fosse a Lynn! — Olhei para ela como se quisesse dizer “por favor, né?”. — Eu odeio vocês.

  — Também te amamos. Agora, vai lá em cima, pega uma roupa e tome um banho descente. Se cair no chão, grite e a Lynn vai te socorrer.

  — Mas por que eu?! — Ele me olhou bravo. Revirei os olhos. — Tá’ bom. Sempre sobra para mim. — Rosalya apenas bufou como uma criança mimada e foi subindo batendo os pés.

 — Ei. — Alexy me cutucou de lado. — Posso te perguntar uma coisa?

 — Estou ouvindo.

 — Você vai tentar, você sabe... Ficar com ele de novo?

 — Para falar a verdade, não sei. — Comecei a mirar a televisão, a qual passava um programa aleatório. — Sabe, caso eu tivesse uma chance, eu insistiria, obvio. No fundo, eu sinto muita falta dele, mas do jeito que as coisas estão indo, acho difícil isso rolar. Preciso seguir em frente, também.

 — Não é querer ser pessimista e tal, mas acho melhor partir para outra... Ele passa o tempo dele ocupado com shows e tudo. É tudo por questão de tempo, isso que ainda tem aquelas psicopatas que eles chamam de fãs.

 — Eu sei. Por isso que eu também preciso seguir em frente. — Voltei a olha-lo e decidi mudar de assunto. — Falando em seguir em frente... — Sorri para ele, que corou na hora.

 — Eu ainda não falei com ele. — Franzi as sobrancelhas. — Eu sei, eu sei. Eu estou enrolando, mas estou com vergonha de certo modo.

 — Por que? Qual é seu medo?

 — Eu não acho que ele goste de garotos. Não quero viver de novo o que eu vivi.

 — Você nunca vai saber se não perguntar! Qual é, eu vi vocês aquele dia conversando, e ele parecia estar na sua!

 — Como você viu?

 — Não é esse o assunto agora. — Esbanjei um sorriso. — Se não quer falar diretamente, chama a gente para brincar de eu nunca e eu já que já resolvemos esse problema.

 — Eu converso com ele. Não precisa disso.

 — Ah, quem sabe. Eu gosto de brincar de eu nunca e eu já. — Dei de ombros. — Tenta a sorte.

 — Vou tentar, eu prometo. — Sorriu para mim de volta. — Como você acha que ela tá lá em cima?

 — Se tivesse caído, já teria berrado até em latim. Relaxa.

 — Não sei se deveria. Não confio na Rosalya bêbada.

 — E quem disse que eu confio? — Sorri de lado. — Mas, deixa ela. Sabe se virar mais do que eu sóbria.

 — Não posso discordar. — Se levantou e mirei meu olhar na sua direção. — Quer me ajudar a trazer o colchão?

 — Colchão?

 — Achou que a gente ia dormir separado mesmo, se a gente pode dormir juntos para atualizar os papos? — Não respondi e não tenho certeza se isso vai acontecer, mesmo. Estamos acabados. — Resposta errada. Você dorme no mesmo colchão que a Rosa, e eu durmo no sofá.

 — Sempre sobra pra mim. — Bufei e me levantei, deixando as roupas que eu usarei para dormir no sofá. — Vamos logo.

 Ele foi andando enquanto tagarelava um monte de coisas e fui seguindo apenas e indo concordando. Sei que soa muito ignorante isso, mas estava cansada. Eu só queria dormir, mesmo sabendo que eles me encheriam o saco de noite. Seria longa a noite, e caso negasse uma coisa dessas eu seria uma péssima amiga. Sinto falta de passar mais tempo com eles.

 O colchão estava em uma espécie de “armário”. Está recheado de coisas e me admiro por termos conseguido tirá-lo de dentro dali sem derrubar ou mexer em nada. Arrastamos o colchão até a sala, que foi até fácil.

 Jogamos no chão logo em seguida. Alexy me pediu para buscar uma colcha e uma coberta, e assim fui eu. Estava no mesmo guarda-roupa e assim eu fui fazendo os mesmos passos, indo em direção do quarto. Abri a porta do quarto e a do guarda-roupa, escolhendo um jogo de cama.

 Jogo de cama...

 É, só dá para lembrar do olhar mortal da Yeleen sobre mim. Trágico. Depois disso, nunca mais falamos direito, afinal não tem o porquê de queremos conversar uma com a outra. Aliás, será que ela está no dormitório? Não que faça muita diferença para mim, mas sei lá. Tanto faz, afinal.

 — O que é que você tá’ pensando? — Ouvi a voz suave da minha amiga soar atrás de mim.

 — Por que acha que estou pensando em algo?

 — Você está olhando para cortina com cara de paisagem. Se não está pensando em nada, parece uma boba.

 — Não é nada. — Fechei a porta do armário e sai do quarto, fechando-o também, De novo.

 — Não sei porque espero respostas de você.

 — É, eu também não sei como pode esperar isso de mim. — Prensei os lábios uns nos outros. — Vamos, preciso de ajuda para colocar a colcha de cama.

 — Por que eu?

 — Porque você vai dormir comigo.

 — Ah, não! — Suspirou a de cabelos prateados. — Foi você que roncou na festa do pijama da Melody!

 — Que?! — Olhei para ela desacreditada. — Foi a própria Melody!

 — Hm. — Deixou os olhos entreabertos. Acho que a bebida fez mal demais, tanto que a deixou meio tapada. Desculpa, Rosa. Te amo.

 — Você já dormiu comigo antes, vamos!

 — Em quatro anos, você pode ter aprendido a roncar! — Bufou e fui na frente, enquanto só ouço ela pisando firme enquanto desce. Não acredito que acabei de decair no nível de discutir com alguém bêbada.

 Desci as escadas enquanto fiquei parada cerca de dois minutos vendo descer mais devagar que um caramujo. Trágico e engraçado ao mesmo tempo. Imagino a Rosalya sóbria vendo ela mesma nessa situação, mas eu como uma boa amiga – talvez não tanto, já que eu mesma confirmei que ela mesma tinha batido a própria cabeça contra a mesa – não irei filmar. Espero que me agradeça depois, porque irei cobrar.

 — Olha você de novo. — Balbuciou, porém meio grogue. — Você pensa demais.

 — Eu sei.

 — É, que bom que sabe. Agora vêm ajudar o que você mesma propôs. — Revirei os olhos.

 Desdobrei a colcha e estendi uma parte para Rosa, que pegou e logo levantou o colchão, colocando por baixo o que restou. Fiz minha parte e, depois de colocar, acabou por se jogar no colchão, e logo fez uma cara de desgosto.

 — Ah, não! Isso está mais duro que o coração do Nathaniel!

 — Do que é que você tá’ falando? — Alexy voltou a sala com cobertas e travesseiros. Fui ajuda-lo com aquilo. — Obrigada.

 — Desse colchão! Como é que eu vou dormir?

 Coloquei os travesseiros que peguei sobre o colchão e me joguei nele.

 — Rosalya, menos. Tá’ mais macio do que eu durmo todos os dias.

 — É por isso que você não dorme então? — Apontou para minhas olheiras. Legal.

 — Rosa! Seja menos indelicada! — Reprimiu e a mesma deu de ombros. — Você fica mais chata ainda quando bêbada.

 — “Mais”? Explique isso direito! — Segurei a perna dela enquanto tentava se levantar. Olhou-me feio e eu apenas dei um olhar bravo de relance. — Parei, tá’? Solta minha perna.

 — Ainda quero saber como conseguiu aqueles ingressos.

 — Ah, é, né? Eu deveria contar? — Minha amiga apenas me deu um tapa no braço. — Ei! Se continuar me agredindo, eu não vou falar nada.

 — Te bater e forçar você a falar acaba não levando a nada, mesmo. — Deu mais um tapa em mim. Olhei na sua direção com as sobrancelhas franzidas.

 — Não me diga que você pegou de algum traficante que estava oferecendo por aí e então está devendo para ele algo. — Alexy deu uma risada, enquanto eu apenas cocei a cabeça com uma mão. — Ah, não.

 — Tá’ brincando! — Rosalya sorriu para mim. — Que irado!

 — Não foi um traficante, o Nathaniel que me deu.

 — Pior ainda! — Confirmou meio desacreditado. — Meu Deus, Lynn! Onde é que você foi se meter?!

 — Não sei porque ainda vocês cismam tanto com ele. — Dei de ombros. — Só estou devendo um favor isso para quando ele precisar. — Olhei para eles que se entreolharam entre si. — Por favor, gente! Eu sei me virar!

 — Acreditamos em você, mesmo ainda não indo mais com a cara dele. — Não sabia se a reação dela era sincera ou ainda estava meio alterada. Vou na primeira opção e logo em seguida mostro um sorriso sem mostrar os dentes. — Agora, eu estou cansada. Preciso dormir.

 — Isso para mim é novidade. — Meu amigo riu. — Mas tudo bem, até entendo. Estou acabado, também. Acho melhor a gente escolher outro dia para fofocar.

 — Bem-vindos ao clube. — Pisquei para os dois.

 — Você vai dormir também, senhorita. — Bateu com o dedo no meu nariz, e eu apenas sorri. — Não é cão de guarda para ficar em alerta à noite toda.

 — Mas poderia ser um. Relaxa, acho que hoje eu consigo descansar. — Pisquei para ele. — Preciso de um banho e preciso me trocar. — Terminei me levantando logo em seguida, estendendo meu pijama que eu havia escolhido na minha frente.

 — Sério? De todos os meus belíssimos pijamas, você escolheu o de fadas? — Rosalya questionou desacreditada. Eu e Alexy nos entreolhamos.

 Ele apenas sorriu para mim, e eu retribui. Pela primeira vez, eu finalmente consegui fechar os olhos, sem se preocupar com o dia seguinte.

x - x

  Acenei com a cabeça para Alexy, que retribuiu logo em seguida. Suspirei e entrei na universidade.

  A manhã em si, foi um tanto calma e agradável. Rosalya tinha voltado ao normal, mesmo tendo vomitado tudo o que comeu de manhã. Antes de me trazer de volta, ele a levara até sua casa – que por sinal, é muito bonita -. A gente não avisou o Leigh e sequer reparamos que tinha quarenta e nove chamadas perdidas e oitenta e sete mensagens no celular dela. Posso dizer que ele teve um surto quando viu ela. Foi fofo e ao mesmo tempo apavorante.

 Tinha até que bastante gente no que eu chamo de pátio da universidade. Estou um pouco envergonhada por estar com as mesmas roupas de ontem? É, de fato, estou. E estou morrendo de dor por ser de manhã e eu estando com salto alto.

 Caminhei o mais rápido possível até o dormitório, onde corri na direção do elevador enquanto apenas apertava o botão diversas vezes, enquanto reclamo da demora que é para chegar no térreo. Duas meninas saíram de lá enquanto tagarelavam e eu só entrei enquanto clicava no botão do meu andar.

 A primeira coisa que eu fiz quando cheguei no andar foi literalmente tirar os saltos e correr descalça até a porta do meu dormitório. Abri a porta que estava aberta e minha querida colega de quarto estava no telefone, jogada na cama, e logo desviou o olhar para mim quando me viu entrar, isso só por um segundo pois voltou a observar o teto enquanto voltava a tagarelar um monte de coisa para alguém do outro lado da linha que sinceramente eu não estava afim de saber quem era ou quem deixava de ser..

 Joguei meu salto perto da “minha parte” do quarto, e coloquei meu casaco no cabideiro e fui no armário caçar alguma roupa minha, o que acabava sendo difícil comparada com a quantia das dela. Cacei uma que eu achei que seria confortável para o dia.

 Tratei de pegar meu celular do bolso da calça e tinha apenas mensagens dos meus pais. Ignorei a deles – desculpe, pais – e fui na de Hyun e enviei uma mensagem.

 “Oie, Hyun!

Me desculpe mesmo por ter me atrasado aquele dia e ter deixado você resfriado trabalhar. Eu posso cobrir seu turno sábado que vem.

Foi mal mesmo :(“

 “Não se preocupe, sério.

Já aconteceu comigo de me atrasar no trabalho por algo importante

- espero que seja seu caso, hah. Vc sabe que eu odeio preguiça.”

Respondeu mais rápido do que eu imaginava. Sorri involuntariamente para a tela.

“Era importante, muito importante. :D
De qualquer modo, veja oq é que eu posso fazer por você”

 “Fica me devendo algo. Vou cobrar mais tarde ;)”

“Anotado, Sherlock <3

Melhoras pra vc :’D”

 Legal, outra dívida. Só o que faltava. Espero conseguir cumprir todas elas algum dia.

 Essa situação me lembra do Lysandre, que até agora não respondeu. Eu sendo muito chata já enviei uma mensagem ontem, porém nada de resposta. Fui checar até então as mensagens dos meus pais.

 “Olá, filhota!!! Espero que esteja indo bem na faculdade.

 Como estao as coisas”

“Oi, pai

Muito bem!!! E como estão vocês?”

 Sei que meu pai provavelmente está ocupado demais para ver uma mensagem minha, portanto deixei de lado e sequer vou esperar uma resposta por agora. Fui na conversa de minha mãe e visualizei as mensagens.

 “Lynn onde voce ta

 Vc sabe. Que eu odeio quando vc nao me responde

 Mas estou de bom humor. E gostaria de te dizer que sua tia comprou

Uma fazenda”

“Que? Quem? A tia Agatha?

Sério?!!!!

E eu estou no dormitório, ué!”

 “É ela mesma

 Acho que endoidou de vez. Ela não tem capacidade de cuidar sequer

 de si mesma imagina de uma fazenda

 nao fala pra ela q eu disse isso

 Alias ela me disse que viu vc saindo por ai de noite

 Eu não estou ai de olho mas ela está e ela é dedo duro igual vc”

“Não acredito que minha tia me dedura pra você!

E o que é que ela quer com uma fazenda? É o fim da picada

E lembrando que eu não sou mais uma adolescente, sei me virar”

“Nao é mais uma adolescente mas age como uma

 Juizo menina”

“Também te amo :*”

 Não podia esperar demora da minha mãe ao responder mensagens. Logo que ela descobriu o incrível mundo dentro do smartphone simplesmente se jogou dentro. Não posso julgar também porque já tive meus momentos. Sorri para a tela. Sinto falta dela e do meu pai.

 Aquele assunto da fazenda me lembra novamente o Lysandre e...

 Pera. Calma. Não é possível que minha tia tenha comprado a fazenda dele, né? Ou é?! É coisa demais para minha cabeça. Botei o celular dentro da minha bolsa que também estava no cabideiro e decidi me deitar um pouco. Subi pelas escadas até minha cama e “sem querer” – sério, é sem querer mesmo - acabo ouvindo a conversa da Yeleen com alguém que eu não faço ideia.

 — Você tem certeza?... Sabe, pode não dar certo esse lance de alguém a mais. — Apenas fiquei olhando para o teto que nem ela está agora. Meu Deus, a que nível eu cheguei? — Certo, certo. Você quem sabe. Boa sorte com tudo isso. Te amo. — Olhei para sua direção, que parecia decepcionada. — O que foi?

 — Nada. — Dei de ombros e voltei a encarar o teto.

 — Onde você estava ontem?

 — Dormi na casa do meu amigo. Por quê? — Voltei a olha-la na cama.

 — É a primeira vez que você dorme fora. Perguntei por perguntar, não que eu me importe.

 — Não pensei que você se preocupasse, mesmo.

 — Posso? — Apontou para o rádio e eu neguei com a cabeça. Logo que ela ligou começou a tocar uma música dele. Parece até praga, sério. — Como está a menina que estava com você ontem no show?

 — A que surtou? — Ela assentiu com a cabeça, e eu dei um meio sorriso. — Tá’ bem. Será que todo mundo já sabe disso?

 — Acho que sim. Chamou muita a atenção. Eu já esperava que você fosse. — A olhei como se precisasse de respostas. — Tipo, você sabia que o Cass faz um curso de musicologia, certo? — “Cass”? Não sabia que ela o conhecia para chama-lo assim. Eu sabia que ele iria acabar fazendo alguma coisa, mas não sabia que na mesma universidade que eu. Assenti, mesmo eu não sabendo de nada. — Então, ele postou seu primeiro “cover” junto com os coleguinhas da banda no YouTube e simplesmente bombou, daí uma gravadora não quis perder a chance e deu no que deu. Bombou, deu volta por toda a França e saiu por alguns países da Europa.

 — Uau. — Conseguiu tudo que um dia sonhou, incrível. Fico feliz por ele. — Você o conhece? — Perguntei o obvio, mais para ver sua reação.

 — É, conheço. — Corou ao falar. É, deve conhecer muito bem. — Você o conhece?

 Ô se conheço. Muito bem, alias. Tanto que até já fui para cama com ele.

 — Conheço, era um amigo meu antes de eu me mudar.

 E que amigo. Infelizmente sinto muito a falta dele.

x - x

 — Me diz que eu estou sonhando. — Peguei o teste que eu havia feito. — Sr. Zaidi, eu não sou de duvidar das pessoas — Olhei para ele com um sorriso que representa minha surpresa. — Mas têm certeza que você corrigiu isso certo?

 — Deveria confiar mais em si mesma, até porque tem muito potencial, senhorita. — Sorriu na minha direção e chamou o próximo nome para buscar o teste. Voltei a me sentar do lado da Priya.

 — Eu te disse que não tinha o porquê de ficar tão estressada com isso. — Me puxou para um abraço de lado. — É a melhor aluna dele.

 — E é por isso que eu desconfio, também. — Coloquei minha cabeça sobre seu ombro. — Será que ele me deu nota a mais por isso? Por que eu sou alguém “especial”?

 — Você tirou nota máxima por merecer, tenho certeza que se dedicou. — Passou a mão sobre meu braço, tentando me confortar. Eu amo essa mulher. — A não ser que você tenha um caso escondido com ele, daí...

 Dei uma risada, enquanto olhei para ela de relance.

 — Mas é sério. Ele parece estar afim. Olha como ele te olha! — Me virei na direção dele e realmente, eu não notei nada demais. — Não me diz que você não enxergou.

 — Er... Não? — ela riu.

 — Você é bastante ingênua, mas eu gosto. — Lancei um sorriso na sua direção e a mesma piscou para mim.

 — Quanto tirou? — Apontei para o papel que estava em cima da sua mesa.

 — Oito e meio. — Deu de ombros

 — Parabéns! — A única coisa que eu lembro da Priya relacionada à arte é aquele desenho que ela fez de um gatinho com uma flauta em cima de um barquinho no mar. — Não esperava menos.

 — Tá’ brincando, você sabe o quão eu sou péssima em qualquer tipo de arte. — Revirei os olhos com um meio sorriso. Qual é, o desenho dela ficou fofo! — Enfim, obrigada, mesmo eu achando que seja uma mentira.

 — Minha opinião é a única válida nesta situação e nada mais importa. — Priya iria insistir caso eu não tivesse colocado um dedo na boca dela para que ela fizesse silêncio. É obvio que alguém que está cursando direito saberia argumentar mais do que alguém que está cursando história da arte.

 — Tudo bem. Considero o caso encerrado. — Piscou para mim, e viramos para frente quando notamos que o professor queria falar algo.

 — Caso tenham alguma dúvida sobre as notas, falem comigo e não percam tempo com isto. — Se levantou logo após falar com uma aluna que tinha acabado de receber o teste. — Todo ano a universidade faz um projeto para a categoria de artes para começar a promover os novos artistas e ajuda-los a seguir o rumo para começarem suas carreiras. — Falou olhando para cada um dos alunos. — É importante que cada um de vocês tenha alguma ideia do que querem seguir e se empenhar. É o que vai ser para a vida toda de vocês. Todos nascem artistas. A dificuldade é continuar artista enquanto se cresce.

 E aí que eu me perco. Foi só ouvir isso que voltei a ficar confusa. Tenho certeza se é isto que quero fazer da vida? Que estilo vou seguir? Vou gostar do que eu estou fazendo? Por Deus, parece que cada vez que o tempo passa, mais vou me arrependendo de todas as coisas que eu demorei para conquistar em todos esses anos. Gostaria de saber se tanta insegurança assim é normal. Espero que seja. Mais um problema para minha pacata vida não, pelo amor.

 — Tudo bem? — Olhei para Priya que apertou um pouco mais o abraço. — Pareceu estar nervosa depois do que ele disse.

 — Porque de fato, estou. — Tirei minha cabeça de seu ombro e olhei para ela. — As vezes me sinto tão insegura. Não sei em que categoria eu me encaixo. Por que as coisas passam de tão simples para tão complicadas?

 — Lynn, ficar nervosa em uma situação essa é compreensível. Escolheu história da arte porque gosta, certo? — Assenti com a cabeça. Eu gosto mesmo. — Então! E esse projeto não é agora, só foi anunciado. Fique calma, qualquer escolha que você fizer vai acabar sendo a melhor para você. Se você não confia em si mesma, é difícil que alguém possa acreditar no seu potencial.

 — Você é a melhor pessoa do mundo. — Sorri para ela e o sinal logo em seguida tocou, e logo saímos do abraço em que nos encontrávamos faz tempo.

 — Hey, Lynn! — Melody chegou na minha mesa com um monte de papel.

 — Sim? — Perguntei me levantando e ajeitando meu material na minha bolça.

 — Preciso que me ajude em um negócio.

 — Estou ouvindo.

 — Está sendo organizado um evento para artes em um local que ainda não posso divulgar, mas não será na universidade. — Olhei para ela enquanto esperava ela prosseguir. — Estou fazendo, como ajudante do Sr. Zaidi, uma pesquisa para saber como você gostaria de colaborar.

 — Pode ser com fotografias ou com pinturas feitas por mim? Assim, eu não tenho cer...

 — Certo! Fotografias e pinturas... — Ela nem me ouviu. Legal. — Consegue terminar as pinturas em cerca de três meses?

 — Consigo...?

 — Tudo bem. Obrigada! — Saiu correndo e eu apenas olhei para Chani que já se encontrava no meu lado, e eu pulei involuntariamente. Não esperava que ela já estivesse ali.

 — Desculpa pelo susto. Ela também te perguntou como colaborar para o evento misterioso?

 — É, perguntou. — Olhei para ela. — O que você disse que poderia colaborar? — Perguntei já andando ao lado dela para à saída.

 — Disse que poderia fazer algum tipo de escultura. Desde quando você faz pinturas?

 — Desde muito tempo. Teve uma vez na minha antiga escola que eu tive que participar de um negócio de artes e eu fui para o ateliê de pintura. Na verdade, eu acabei não ajudando em muita coisa. Tinha uma menina, Violette... Ela sim era uma artista incrível!

 — A Violette? — Perguntou enquanto eu a olhei como se precisasse de respostas. — Uma menina baixinha, de cabelos roxos, tímida...

 — Ela mesma! Você a conhece?

 — Violette é uma grande amiga minha. Foi ela que me indicou cursar História da Arte.

 — E ela está cursando algo?

 — Está no ramo de artes e tá fazendo o curso em Londres.

 — Uau! Eu sempre soube que ela iria longe.

 — A gente ainda conversa um pouco, mas ela ultimamente está bastante ocupada. — Assenti com a cabeça. Legal saber que a maioria dos nossos amigos tinham se dado bem.

 Engatei meu braço no dela e fomos andando até a entrada onde Rosalya e Ambre pararam a gente.

 — O que foi? — Perguntei e as mesmas se entreolharam. — Respondam!

 — Ele tá’ lá em baixo com mais um outro que você também conhece. — Ambre sussurrou.

 — Ele quem? — Chani perguntou, puxando meu braço.

 — Ele, ele... Um conhecido dela, bastante conhecido. — A platinada apontou para mim. — Sério, tem muita gente lá em baixo. Vamos ficar aqui...

 — Por que vocês não querem que eu o veja? — Se entreolharam novamente. Aquilo está me dando nos nervos.

 — Por favor... — A loira me olhou, e eu franzi as sobrancelhas. Suspirou antes de voltar a falar. — Não diga que eu não avisei. — Rosa olhou para ela brava, mas eu já estava nos degraus da escada junto com minha amiga.

 É, eu deveria ter ficado. A única cena que eu pude ver mesmo estando da escada era ele com nada mais nem menos que a Yeleen. É, e o Lysandre estava junto – pelo menos, por sinal ele está vivo -. Posso dizer que é quase impossível vê-los, porque sério, tem muita gente reunida.

 — Algum deles, é... Seu bastante-conhecido? — Perguntou a garota que estava ao meu lado.

 — Não. Não conheço nenhum deles. Acho que elas se enganaram. — Virei o olhar. Eu não sou obrigada a continuar encarando aquela cena. Ela acreditou, menos mal.

 — Eu preciso ir. Tenho um encontro.

 — E não me contou nada? — A encarei e a mesma sorriu.

 — Desculpe. Não sabia se era importante contar ou não. — Neguei com a cabeça, sussurrando um “tudo bem”.

 — Eu tenho que ir para o dormitório e me arrumar para o trabalho. — Suspirei fundo. — Boa sorte com o encontro.

 — Bom trabalho para você. — Se separou do meu braço e acenei com a cabeça enquanto vi ela correr de lá.

 Olhei mais uma vez a multidão diante de meus olhos. Lysandre foi o único a notar e apenas mandou um aceno com a cabeça com um sorriso. Retribui o gesto enquanto prenso os próprios lábios uns nos outros. Acho que ele notou a tensão da situação, porém era impossível sair daquela cena. Não o culpo, de verdade.

 Parei de encara-lo e fui descendo o restante dos degraus, desviando o máximo de pessoas possível, até porque tinham umas que quase se jogavam literalmente em cima de mim para alcançá-los. É, psicopatas.

 Finalmente consegui passar. Acho que essas meninas e meninos eufóricos estão meio desesperados. Qual é, eu podia tirar foto com ele todo dia! É, podia. Agora se depender dos coleguinhas para quem ele trabalha, eu tenho que pagar pra ter até mesmo a foto do sovaco dele. Perdi a chance de pegar um cabelo dele e vender na internet por uma boa grana. Porcaria.

 Sorri meio boba com esses pensamentos. Cheguei nos dormitórios e empurrei a porta principal, indo em direção do elevador e infelizmente ele estava no andar mais alto ainda. Cliquei para ele descer, e ouvi uma batida do meu lado.

 — Descobriu o que eu queria dizer com “você vai descobrir logo”? — Coloquei a mão no peito involuntariamente assustada e quando vi quem era apenas suspirei e olhei na direção.

 — Boa tarde para você também.

 — Decepcionante? — Franzi o cenho e ele deu uma risada. Desgraçado. — É, eu sei. Eu poderia ter contado antes, né?

 — É, mas você prefere dar sustos e agir como um mané do meu lado. — Comecei a bater o pé no chão freneticamente enquanto ainda aguardo descer.

 — Desculpe, lady. A intenção era que você descobrisse por si própria.

 — Você parece um stalker quando age assim. — O elevador chegou. Eu ia entrar caso meu querido amigo não tivesse entrado na frente. — Qual é.

 — Vamos conversar aqui, ou você prefere no seu dormitório? — Questionou com um sorriso malicioso. Revirei os olhos e ele clicou para cima de novo.

 — Mas que merda, cara. Eu tenho que ir trabalhar.

 — Então vai assim. — Falou como se fosse obvio.

 — Tenho que deixar e pegar coisas lá do quarto.

 — Como foi o show? — Ignorou totalmente o que eu acabei de falar. — Falou com seu ex? Ele te deu um fora?

 — Mas você é um saco, hein?

 — Deveria estar me agradecendo, eu que arrumei aquelas porcarias de ingressos.

 — Obrigada pelos ingressos, mon amour. Quer uma cerimônia de agradecimento?

 — Eu adoraria, cher¹, mas não respondeu minha pergunta. Como foi?

 — A gente conversou, Rosa pirou e fim de show. Legal, né?

 — Mais trágico que legal. Sabia que o Castiel está mesmo com sua colega de quarto? — Perguntou.

 — Que surpresa! Eu nem acabei de presenciar isso!

 Tentei empurrar Nathaniel da minha frente, porém ele é pesado demais. Que merda, ainda esqueci que ele faz box na mesma academia que eu.

 — Sabe que ainda não descobriu tudo, né? — Encarei-o novamente.

 — O que mais que eu não sei e preciso saber?

 — No spoilers. — O olho com raiva. Que ódio, que ódio!

 O elevador se abriu e Nath saiu da frente, enquanto duas garotas saiam, aproveitei para entrar. Acho que ele já falou o que tinha que falar, certo?

 Cliquei freneticamente no botão do andar enquanto o homem apenas tirava sarro de mim. Olhei no botão de fechar as portas e bati nele com raiva. É possível ver aquele sorrisinho de sátira dele.

 — Bem-vinda de volta, Lynn. Não sabe quantas coisas mais te esperam. — A porta se fechou logo após sua última frase.

 É, eu não faço ideia por o que esperar mais.


Notas Finais


EU TO MUITO FELIZ SÉRIO OBRIGADA MESMO AMO VOCÊS E ME DESCULPEM CASO EU DEMORAR DE VOLTA, ESTOU DANDO O MEU MELHOR

Glossário:
Cher¹: "Querida", em Francês.


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