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História My Everything - Capítulo 8


Escrita por: 6YBoo9

Capítulo 8 - Eptá


Estávamos em algum lugar do deserto. Eu não tinha percebido isso antes, já que o muro alto da casa de Natsu não permitia e o seu jardim verde enganava muito bem. Ele estava falando a verdade quando disse que não morava ninguém por perto. Estávamos há duas horas na estrada e em todo esse tempo não tinha visto nenhuma casa e nenhum animal, apenas cactos e a vegetação seca ao longo do caminho.

O sol já estava se pondo e eu estava ficando cada vez mais preocupada com Natsu. Ele não havia feito nenhuma parada para cuidar de seu ferimento e a cada hora que passava ficava mais claro que ele precisava de ajuda médica o quanto antes.

⸺ Natsu, seria melhor darmos uma olhada na sua ferida ⸺ falei pelo que talvez fosse a décima terceira vez.

Mas, diferente das outras tentativas, dessa vez ele pareceu perceber a minha existência e me respondeu:

⸺ Você é uma coisinha extremamente irritante, sabia disso? ⸺ ele suspirou e esfregou sua fronte. ⸺ Eu estou bem. Vamos primeiro achar um lugar seguro para ficar, depois cuido disso.

⸺ Você precisa ir á um hospital ⸺ insisti.

Ele riu, mas um riso sem humor.

⸺ Você ainda não entendeu? Estão nos caçando. Ir a um hospital é se expor demais. Além disso, não é como se um arranhão como esse fosse me derrubar.

⸺ Sei ⸺ comentei com desdém, observando como sua expressão aparentava extremo cansaço.

Ele piscou algumas vezes, sua cabeça pendendo um pouco para frente e acabei gritando quando ele perdeu o controle do volante e saiu da estrada.

⸺ Droga ⸺ ele praguejou, pisando no freio de uma vez ao retomar o comando sobre sua consciência.

Uma nuvem de poeira se formou ao redor do carro quando ele parou. Meus olhos dispararam até Natsu. Com meu coração a bater loucamente, tirei o cinto de segurança e me aproximei dele.

⸺ Natsu! ⸺ eu o chamei, virando seu rosto para que pudesse observá-lo melhor ⸺ Você perdeu bastante sangue. Esse ferimento precisa ser cuidado logo. ⸺ insisti.

⸺ Não ⸺ ele teimou, afastando minha mão em um gesto impaciente, então abriu a porta e saiu.

⸺ Ei! O que está fazendo? ⸺ perguntei ao segui-lo para fora. Ele tinha aberto o porta-malas e estava retirando algo de dentro. Um kit de primeiros socorros. Logo ao lado havia uma grande bolsa de lona aberta, contendo várias armas e caixas de munição.

⸺ Volte para o carro ⸺ ele ordenou, repondo as balas de sua arma e abrindo o kit de primeiros socorros logo depois.

⸺ Deixe-me ajudar ⸺ pedi.

⸺ Eu não preciso de ajuda.

⸺ Mas...

⸺ É melhor voltar pro maldito carro antes que eu a force a isso! ⸺ ele ameaçou, me lançando um olhar que dizia estar falando sério.

O encarei por um momento. Depois de tudo o que eu havia passado nas últimas horas, uma simples cara feia não iria me intimidar.

⸺ Não.

⸺ Lucy ⸺ ele rosnou meu nome.

⸺ Você está fraco, precisa de mim.

Isso pareceu enfurecê-lo de verdade. Em menos de segundos ele alcançou meu braço e me arrastou até o carro.

⸺ Não banquete a teimosa comigo ⸺ ele rosnou. Me jogando no banco, bateu a porta com força.

⸺ Idiota! ⸺ gritei, massageando minha pele. ⸺ Eu estava apenas tentando ajudar!

Os minutos custaram a passar. Mesmo irritada, eu ainda tentei ver alguma coisa pelo retrovisor, temendo que ele acabasse desmaiando ou algo assim, mas não consegui nada. Quando ele enfim voltou a ocupar o assento do motorista, estava de camisa trocada e seu rosto ⸺ que estava ainda mais pálido que antes ⸺ estava parcialmente oculto pelo capuz do moletom. Ele não falou nada, assim como eu, apenas ligou o carro e voltou para a estrada novamente.

•••°°°

Meus olhos estavam vermelhos, mas não era de tanto chorar. Nem mesmo tive esse luxo! Eu estava exausta, tanto fisicamente quanto psicologicamente e a cadeira velha onde estava não era nem um pouco confortável.

⸺ Depois eu que estava bancando a teimosa? ⸺ resmunguei enquanto passava uma toalha úmida pela testa de Natsu.

Céus, como eu estava irritada! Mas também preocupada, muito preocupada. Natsu estava ardendo em febre e a única certeza que eu tinha era a de que ele estava piorando cada vez mais.

Estávamos hospedados em um hotel, que estava mais para uma espelunca de beira de estrada do quê qualquer coisa. Era meia-noite quando tínhamos chegamos ali. Natsu estava visivelmente cansado e ainda bem que ele resolveu parar naquele lugar, pois, ele mal conseguiu chegar até a porta do quarto e eu não tive outra escolha a não ser arrastá-lo até a cama. Onde arranjei forças para isso eu não sei, só sei que minhas costas estavam reclamando por causa do esforço.

O quarto onde estávamos era pequeno e abafado, sendo iluminado apenas por uma única lâmpada, cuja luz amarelada mal iluminava ao redor, deixando o ambiente com um aspecto mais doentio do que naturalmente já era. As paredes continham manchas de infiltração e o fedor de mofo predominava no local. Mas eu estava me sentindo mal demais por ver Natsu naquele estado para me importar por muito tempo com isso.

Ele havia me salvado e eu não tinha nem mesmo como lhe pagar o favor. Tudo o que eu podia fazer era ficar sentada ao seu lado, desejando que ele se recuperasse logo. Com ele naquele estado, as pessoas que queriam nossas cabeças, não teriam dificuldade em acabar conosco.

O ouvi balbuciar algumas palavras desconexas e minha preocupação aumentou. A febre já estava lhe causando delírios. Levei a toalha até seu rosto e pescoço, sua camisa estava encharcada com o suor e seria preciso tirá-la. Com cuidado, ergui o tecido e estremeci ao ver o curativo em sua barriga. Ele tinha feito aquilo sozinho e... sem anestesia. Com um estremecimento, desviei meu olhar de seu ferimento e continuei a despi-lo. Foi inevitável não sentir o rosto esquentar quando seus músculos abdominais ficaram expostos. Ele possuía um corpo e tanto, isso era fato, e eu tive que balançar minha cabeça mentalmente, me repreendendo por esses pensamentos inconvenientes.

Foi um pouco difícil livrá-lo de sua camisa. Além de grande ele era absurdamente pesado e eu tive um momento difícil ao fazer isso, mas quando enfim consegui, peguei a toalha e comecei a secar o suor que havia se formado em seu peito.

Arrastando a toalha até sua cintura, acabei percebendo uma cicatriz um pouco abaixo de seu abdômen. Não tinha notado ela antes, mas agora, olhando com mais atenção, deu para perceber que o ferimento que a provocou deveria ter sido profundo. Quase sem me dar conta, meus dedos se moveram e tracejaram delicadamente a linha irregular com pouco mais de cinco, centímetro que marcava sua pele.

⸺ Dabria... ⸺ me sobressaltei quando ele se remexeu e murmurou. ⸺ Dabria...

Quem era Dabria? A forma como ele chamava seu nome... Ele nunca aparentou estar tão atormentado. Ele entreabriu os olhos e me fitou, um fraco sorriso apareceu no canto da sua boca e seu rosto se suavizou como se estivesse sentindo alívio.

⸺ Anjo... ⸺ ele sussurrou.

⸺ Anjo? Aiminhanossa! Natsu, me escuta ⸺ agarrei sua mão na esperança de que ele me ouvisse ⸺ Não vá para a luz, entendeu? Se o anjo te chamar, não vá!

Eu sabia que aquilo parecia um pouco ridículo, mas do jeito que ele estava eu não duvidava nada de que algo mais sério acontecesse com ele. Tipo... um anjo descer do céu e levá-lo dessa pra melhor. Bem, com as coisas que ele fez duvidava muito que o anjo o levasse para o céu, mas Natsu não podia morrer agora.

Esperando seu estado apresentar alguma melhora, acabei adormecendo de mau jeito na cadeira. Quando acordei, algumas horas mais tarde, estava completamente dolorida. E embora Natsu tivesse parado com seus murmúrios e aparentasse um pouco mais de cor no rosto, sua febre ainda persistia.

⸺ Ei, aguenta firme. Eu vou dar um jeito de fazer você melhorar. Só... aguenta firme ⸺ falei mais para mim mesma do que pra ele.

A urgência em encontrar alguma medicação que baixasse sua febre me fez deixar o quarto e ir buscar ajuda com o rapaz que tinha nos atendido quando chegamos. Não precisei ir muito longe, ele estava passando no corredor quando saí.

⸺ Olá, por favor, você poderia me ajudar?

O rapaz franzino me fitou através das grossas lentes dos seus óculos redondos que cobriam parte do seu rosto. Seu cabelo castanhos eram mal arrumado, caído desleixadamente pelo seu rosto, lhe deixando com uma aparência um tanto... bizarra. Ele me deu um pouco de medo quando o vi pela primeira vez e dessa vez não estava sendo diferente, mas deixei de lado meu desconforto e tentei dar um pequeno sorriso simpático.

⸺ Você, por acaso, tem algum analgésico que ajudasse a baixar a febre? ⸺ perguntei.

⸺ São para o seu amigo? ⸺ ele olhou com certo interesse para a porta do quarto onde estávamos hospedados.

⸺ Sim, ele não está muito bem. Você tem os analgésicos?

 ⸺ Sim, sim, eu tenho alguns no meu quarto ⸺ ele respondeu, baixando o olhar e enfiando suas mãos no bolso da frente da sua calça. ⸺ Se você me acompanhasse até lá...

O rapaz parou de falar e olhou para algo atrás de mim. Esperei que ele continuasse, mas me sobressaltei ao sentir um aperto firme em meu braço.

⸺ Ela não vai precisar de nada ⸺ a voz cortante de Natsu preencheu o pequeno corredor. O rapaz á nossa frente se encolheu um pouco e remexeu em seus óculos com a ponta dos dedos, parecendo desconfortável.

Sem dizer mais nada, Natsu me puxou de volta para o quarto e bateu furiosamente a porta. Antes que eu pudesse falar algo, minhas costas foram de encontro à parede e meus pulsos foram presos ao lado de minha cabeça.

⸺ Que porra pensa que está fazendo? ⸺ ele rugiu furioso contra meu rosto, nem parecia que estava delirando de febre pouco tempo atrás.

⸺ E-Eu estava tentando arranjar algum medicamento para você ⸺ gaguejei, assustada. Tentei me soltar dele, mas foi em vão.

⸺ Não seja burra, garota! Acreditou mesmo que ele iria te entregar algum medicamento, ainda por cima no quarto dele?

⸺ Mas ele... ⸺ tentei argumentar, mas ele me cortou.

⸺ Não seja tão ingênua e não saia por aí, sozinha. Será que ainda não percebeu o que está acontecendo?

⸺ É claro que eu sei, mas eu não aguentei ficar assistindo enquanto você delirava de febre em cima daquela cama. Eu fui buscar ajuda!

⸺ Quantas vezes eu vou ter que dizer que não preciso que se preocupe comigo? Por que você é tão complicada?

⸺ O quê? Eu sou complicada? ⸺ o meu medo perdeu rapidamente o lugar para a indignação. ⸺ Desculpa, mas o complicado aqui é você. Não sou eu quem muda de humor a cada minuto. Você é um... Um...

⸺ Um o quê? ⸺ Ele arqueou a sobrancelha desafiadoramente. Seu rosto estava ainda mais perto... Perto o suficiente para fazer meu coração bater de uma forma estranhamente descompassada. ⸺ Vamos, diga o que eu sou.

⸺ Um... idiota bipolar!

Ele riu, mas não havia um traço sequer de humor em seu tom.

⸺ Você não me conhece, garota. Pro seu próprio bem é melhor começar a entender que você estaria mais segura longe de mim. Não sou tão melhor do que os caras que você viu morrer hoje. Então seria melhor que você começasse a desejar minha morte do que tentar salvar minha vida.

Deixando-me sem reação, ele me soltou e virou-se para pegar sua camisa que estava em cima da cadeira que eu havia ocupado pouco tempo atrás. Todas as lágrimas que não tinha derramado antes vieram a tona. Foi impossível segurá-las. Eu estava frustrada, cansada e estressada. Tudo sobre ele era confuso. Eu tinha passado a noite em claro cuidando dele para que no final ele acordasse e dissesse que seria melhor que eu "começasse a desejar sua morte".

Idiota. Ele era um idiota mal-agradecido!

Precisando ficar sozinha, abri a porta para sair, mas Natsu se postou atrás de mim e a empurrou, fechando-a de volta.

⸺ Não ouviu o que eu acabei de falar?

⸺ Eu estou me afastando de você. Não era isso o que queria? ⸺ Enxuguei minhas lágrimas com as costas da mão, mas desisti de tentar detê-las. ⸺ Dizer um "obrigado" não ia matar você. Sabe o quanto eu fiquei apavorada pensando que á qualquer momento você fosse morrer durante a noite? Desculpa, mas eu me preocupo com você, mesmo que não goste, ok? ⸺ falei tudo de um vez.

Ele travou o maxilar.

⸺ Obrigado. Está satisfeita agora? ⸺ As palavras pareceram ter um gosto ruim em sua boca.

⸺ Não. Dispenso o seu "obrigado". Esse não foi um agradecimento verdadeiro. ⸺ Puxei mais uma vez a maçaneta, mas ele manteve seu braço apoiado contra a madeira.

⸺ Agradecimento verdadeiro? ⸺ ele abriu um sorriso de canto, seus olhos estreitando-se ao inclinar-se em minha direção. Estava claramente tentando me intimidar. ⸺ Nesse caso uma foda seria o bastante pra você? Só aviso de antemão que não suportarei que fique no meu pé depois que tudo acabar. Não sou de repetir a dose.

Meu rosto retorceu-se em uma careta ao tentar entender o que dissera, mas eu preferia comer pedra a deixar que ele percebesse minha confusão. Ainda irritada, ergui meu queixo e cuspi as palavras de encontro a sua arrogância:

⸺ Não, tenho certeza de que você é horrível nisso, então não vale o esforço.

Senti-me exultante quando vi que consegui atingi-lo com minhas palavras. Seu rosto transformou-se em uma máscara de pedra e ele enfim removeu a mão que estava sobre a porta. Justo quando eu estava para tentar mais uma vez girar a maçaneta, ele enlaçou minha cintura com um braço firme e enterrou sua outra mão livre em meus cabelos.

Meus olhos arregalaram-se do tamanho de dois pires quando seus lábios se chocaram contra os meus. Pega de surpresa não soube como reagir até que o senti impelir meus lábios a se abrirem e permitirem a passagem de sua língua.

Foi estranho. Em parte porque não lembrava de um dia ter beijado alguém, por isso fiquei sem saber o que fazer, e também porque me peguei gostando da sensação. Ao tentar me firma, agarrei seus ombros. Sua boca exigente negando-me oxigênio. Foi como entrar em uma espécie de transe. Esquecendo de tudo, eu apenas tive consciência das suas mãos sobre meu corpo e sua boca a me consumir. Eu não tive forças para lutar, era inebriante demais. Nem sequer estava pensando direito quando abri ainda mais meus lábios, o puxando para mais perto. Para mim, me pareceu certo quando ele levantou meu vestido e ergueu uma de minhas pernas, segurando-a de encontro a seu quadril, como em um encaixe perfeito que nos colocava muito mais próximos. A vergonha viria em algum momento, talvez quando tudo acabasse, mas com uma ousadia recém descoberta, eu apenas afundei meus dedos em seu cabelo, desejando por mais de seus beijos.

Natsu soprou seu hálito quente ao encontro do meu ouvido, arrepiando-me.

⸺ Ainda acha que não vale o esforço? ⸺ ele apertou forte minha cintura e, de forma rude, puxou-me de encontro a ele.

De imediato algo duro pressionou-se contra minha intimidade por cima da calcinha. O contato inesperadamente enviou ondas de prazer por todo meu corpo e com a mesma rapidez que meu rosto levou para alcançar os piores tons de vermelho, ele afastou o tecido de lado e tomou meus lábios em mais um beijo, não me dando a oportunidade de olhar para baixo e descobrir o que ele fazia.

Arfei de surpresa quando algo esfregou-se em mim. Mais uma vez senti-me estranha. Queria perguntar o que ele estava fazendo, mas estava absorta com seu beijo para pensar com clareza. Tudo o que eu sabia é que a sensação era prazerosa e boa demais para que parasse agora. Sem meu comando, meu quadril moveu-se por vontade própria, procurando por mais daquele contato contra minha parte mais sensível. Não fazia ideia que tal sensação era possível até aquele momento.

Porém, todo aquele momento se quebrou quando o senti empurrar dentro. Eu não estava esperando por algo assim. Seu gemido rouco abafou o curto som da minha respiração que fora empurrada dos meus pulmões quando meus lábios abriram-se em um grito mudo. Afundando minhas unhas em sua pele, as lágrimas vieram em seguida.

⸺ I-Isso machuca, por favor, pare... ⸺ arfei, fechando meus olhos com força. O nevoeiro em minha cabeça dissipando-se totalmente. Eu estava rígida, sentindo-me como se tivesse sido rasgada ao meio, e acho que fora isso mesmo o que aconteceu.

⸺ Oe, não me diga que você... ⸺ suas palavras morreram diante da minha expressão de dor. Ele deixou sua imobilidade e recuou para fora do meu corpo. Mordi meu lábio com força, estremecendo ao senti-lo deslizar todo o caminho de volta.

Ele praguejou.

⸺ Puta merda, você está bem? ⸺ Havia preocupação na sua voz, mas não tive coragem de olhar para ele.

Trêmula, puxei meu vestido de volta enquanto ele fechava sua calça. A vergonha que não viera antes, caiu naquele momento sobre minha cabeça como um balde de água fria.

 



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