História My Fallen Angel - Capítulo 11


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, TWICE, Weki Meki (WEME)
Personagens Chaeyoung, Doyeon, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Jong-in (Kai), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Angel!au, Anjos, Demonios, Jihope, Reencarnação, Sope, Taekook, Vkook, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 6
Palavras 3.712
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


EAI PESSOINHAAAAAAAAXs Ansiosos???? Eu tô hehehe

Capítulo dez, mês dez... só não é dia dez. ;-; perdão.

Fiquem com o capítulo <3

Capítulo 11 - Capítulo Dez - A Sombra


Fanfic / Fanfiction My Fallen Angel - Capítulo 11 - Capítulo Dez - A Sombra

Jeon Jeongguk
              17 anos. 2 meses depois.

 

Volta às aulas...

Para a minha infelicidade, eu teria que aguentar a escola por mais um semestre inteiro antes da formatura. Eu estava muito animado em ter que lidar com as mesmas babaquices e infortúnios sociais por mais seis meses da minha vida.

E além de tudo isso, eu ainda era obrigado a conviver com Taehyung.

Se vocês acham que eu consegui lidar perfeitamente com a situação depois que eu saí daquele quarto de hospital, vocês estão muito enganados sobre isso. Os meus sonhos estranhos com Taehyung só tem se tornado mais frequentes desde que paramos de nos falar e, o pior de tudo era que praticamente nada havia mudado neles. Nada de asas, ou olhos vermelhos, luzes roxas sobrenaturais, nada disso. Eram a mesma coisa doce e romântica de sempre, numa época meio medieval. A única diferença era que agora a minha amada figura acastanhada tinha um rosto: o de Kim Taehyung.

Não importava o que eu fizesse, quantos apanhadores de sonhos eu comprasse ou quantas simpatias de sites online eu tentasse fazer, eu não conseguia deixar de sonhar com Taehyung nem por uma noite. Esses sonhos estavam me deixando completamente maluco. Várias noites eu acordei chorando, completamente desesperado, ou então abraçado com meu travesseiro pensando que o mais velho estava comigo. Eu sentia falta dele por mais que nós nem tivéssemos nos aproximado tanto – e mesmo eu não querendo olhar em sua face nunca mais.

Por que o universo estava fazendo aquilo comigo?

– Jeongguk? – Hoseok estava me segurando forte pelos ombros. Nós estávamos parados no meio do bom e velho meio-fio a caminho da escola. – Você está muito aéreo hoje. Já me ignorou umas três vezes. Sério, o que está acontecendo?

Suspirei, voltando a andar com ele ao meu lado logo em seguida.

– É o Taehyung… – Eu disse meio perdido. A verdade era que eu não sabia bem como eu estava reagindo a tudo aquilo envolvendo o castanho. Eu estava confuso, com raiva, triste. Muitos sentimentos fortes misturados que formavam um negócio esquisito e sem forma dentro de mim.

– Vocês ainda não estão se falando? – Balancei a cabeça para concordar com o que ele estava dizendo. – Gukkie, eu não acho que as coisas entre vocês deveriam acabar assim… Vocês precisam conversar.

– Ele não quer conversar comigo sobre isso, lembra? Ele diz que não pode falar… e eu também não vou insistir. Só preciso que meu cérebro pare de sonhar com ele para que eu consiga ficar melhor.

– Poxa. – Hoseok começou a rir sozinho. – E eu pensava que você só gostava dele por gostar… Eu nunca pensei que você estaria realmente apaixonaaaado pelo Taehyung. Logo você.

– Eu NÃO estou apaixonado. – Disse com convicção. Hobi apenas cruzou os braços em frente ao peito e arqueou uma sobrancelha. Aquele seu sorriso cínico iria me enlouquecer algum dia.

– É mesmo?

– Claro que sim!

– Eu não acredito em você. – Suspirou pesado. – Se você não está apaixonado, por que está triste até agora? Vocês nem ficaram juntos por muito tempo. Na real vocês só se beijaram umas duas vezes. – Mais uma vez, Hobi me deixou sem argumentos. Eu não queria admitir, mas ele tinha razão. Ele sempre tinha razão.

– Eu estando apaixonado ou não, não vai mudar a situação em nada.

– Estou dizendo… vocês precisam conversar. – O mais velho continuava insistindo. Revirei os olhos. Eu não iria mais discutir com ele sobre isso. Pelo menos não por hoje.

Se alguém tinha que falar alguma coisa, esse alguém era apenas Taehyung. Afinal, quem estava emitindo coisas era somente ele. Eu não iria desperdiçar o meu tempo correndo atrás dele e implorando por respostas que ele se negava em me dar. As coisas terminariam daquele jeito mesmo se ele não fizesse nada para impedir.

 

* * *

 

O professor de filosofia tinha mania de ficar andando pela sala enquanto ele ficava explicando e explicando a matéria sem parar. Era tão chato que algumas pessoas chegavam a dormir, mas ele ficava tão concentrado e fascinado em explicar, que ele nem enxergava isso. Ou talvez sim, eu realmente não sabia.

Normalmente eu entraria em um estado vegetativo enquanto prestava atenção em cada palavra proferida por ele. Porém, como eu estive estudando muito durante esses dois meses de férias, eu tinha uma brecha rápida para observar Taehyung.

Ele estava com a bochecha apoiada em um dos braços, dormindo como uma pedra. A franja cor-de-mel estava bem em cima de seus olhos, dando-lhe um aspecto angelical enquanto dormia. Embora parecesse que ele estava em um perfeito estado de calma, os seus pés não paravam de mexer. Ele devia estar sonhando com alguma coisa. Será que ele dormiu bem?

– Jeon! – O senhor Son apontou para mim de repente e praticamente toda a sala olhou na minha direção, inclusive Taehyung, que acordou com o grito do professor. Entrei em estado de choque. – Meu aluno prodígio, me diga. Qual a influência do sentimento da paixão na vida de uma pessoa?

Aquilo era sério? Que tipo de pergunta é essa?

Todos estavam olhando para mim, aguardando uma resposta. Eu já sabia que os olhares de Min Yoongi e sua gangue estavam em mim, já preparando alguma piada para o que quer que eu fosse falar. Engoli em seco.

Olhei para Hobi, que estava sentado na cadeira atrás de mim. O mais velho estava com o rosto apoiado nas mãos e, quando ele encontrou meu olhar, sorriu, fazendo suas bochechas ficarem mais cheias do que elas naturalmente eram. Olhei para Taehyung também. A sua expressão sonolenta parecia prestar atenção em cada feição minha, atento ao que eu poderia dizer. Sentir o olhar de Taehyung sobre mim não ajudava em nada na tarefa de me acalmar.

Qual a influência do sentimento da paixão na vida de uma pessoa?

– Ham... A pessoa fica meio boba, professor. – Foi tudo o que eu consegui dizer. Ouvi algumas pessoas no fundo da sala rirem, fazendo eu me sentir patético.

– Certo… – Ele não parecia tão satisfeito com a minha curta resposta. – E por que ela ficaria boba?

– Porque… – Olhei para Taehyung mais uma vez. Desta vez, os seus olhos estavam bem abertos e a sua expressão infantil dizia-me que eu conseguiria dar uma resposta boa. Então, respirei fundo. – É isso que a paixão faz com as pessoas... Cada sorriso, toque, palavra vindos da pessoa que gosta acaba se tornando especial. Você anseia por isso e se sente... Hum, feliz?

– Muito bom, Jeon! Como sempre. – Ele anotou algo em seu caderno. – Estão vendo, gente? É para isso que serve a filosofia. Para vocês pensarem… Sentirem a emoção. – O sinal do fim da aula tocou e os alunos começaram a guardar as coisas para trocar de sala. Quase ninguém ali estava muito interessado no que ele estava falando. – E é sobre isso que nós vamos falar na próxima aula. Não se esqueçam de ler o capítulo vinte e três do livro didático e façam as lições da página quinze da apostila que vai valer ponto na média, tudo bem? Até a próxima.

– Gukkie? O que foi aquilo?! – Hoseok veio com tudo para cima de mim, quase me derrubando no corredor. – Você não é desses, o que aconteceu?

– Eu só estava inspirado. Podemos ir logo? Não quero perder a melhor mesa. – Disse enquanto praticamente corria para alcançar os outros.

– Acho que essa inspiração se chama “Kim Taehyung”. – Ele começou a rir e eu lancei um olhar mortal para ele. – Você tava olhando pra ele enquanto falava! Achei romântico.

– Hobi, a única coisa que eu acho romântico é o jeito que o meu dez em filosofia olha para o meu dez em química no boletim, vamos! – Puxei ele para que ele parasse de enrolar e fosse logo para a sala de química.

 

* * *

 

Jeon Jeongguk.
             Uma semana e meia depois.

 

Estava escurecendo. Eu podia ver pela minha janela a luz do sol se pondo por trás das casas da rua. Fiquei maravilhado. O jeito que a cor das casas ficava mais escura e o contraste da luz laranja do Pôr-do-Sol era perfeito. E aquele céu… a mistura das cores laranja, roxo e azul nas nuvens era como se um pincel gigante tivesse passado por ali.

Eu não resisti e peguei a minha câmera, tirando uma foto perfeita da visão que eu tinha da minha janela. Sorri. Eu com certeza iria tentar passar aquilo para a tela nas próximas aulas de pintura da escola.

Argh… De novo, seu velho? Eu não acredito! Eu te dei o dinheiro para você ir pagar a conta de água, caralho! Não pra ficar comprando bebida! – A voz de Jeonghyun ecoou pela casa inteira. Ele provavelmente estava brigando com o nosso pai.

As brigas de Jeonghyun com o velho só aumentaram nessas últimas semanas. Jeonghyun estava amadurecendo graças à sua nova namorada, que dava conselhos para ele às vezes – o que explicava as poucas vezes que ele era legal comigo – e conversava bastante com ele. Então por causa da sua nova mente, ele estava ficando cada vez mais impaciente com o pai. Na verdade, qualquer pessoa com bom senso se irritaria.

Não me enche o saco seu moleque filho da puta... 

Enquanto o meu irmão mais velho estava progredindo, o meu pai só se afundava cada vez mais...

Olha só pra você… bêbado e fedendo. Que nojo. Isso é um vício. Você não precisa de um asilo, você precisa de um médico, isso sim.

Você não pode me internar! – Ouvi o som de alguma coisa quebrando. A coisa estava ficando séria.

Uhum, tá. Me dá só um segundo que eu já lido com você.

Depois que Jeonghyun falou aquilo, ouvi o som de passos subindo as escadas. Saí de perto da porta rapidamente, bem a tempo do meu irmão mais velho bater na madeira.

– Entra. – Eu disse. Hyun abriu a porta logo em seguida.

– O que você tá fazendo? – Ele provavelmente estranhou por quê eu estava parado no meio do quarto.

– Eu tava arrumando umas coisas… – Tentei não entrar no assunto da foto por medo de ele me xingar. – O que aconteceu? – Apontei para a bochecha dele, que estava sangrando um pouco.

– Ah, isso… – O mais velho passou a mão no rosto e olhou rapidamente. – O pai comprou uma garrafa de whiskey com dinheiro que eu dei pra ele pagar uma conta importante e agora ele tá bêbado.

– Oh… – Foi tudo o que eu consegui dizer.

– Pois é. Eu só pedi pra ele porque quando eu saísse do trabalho, as lotéricas estariam fechadas. Mas a situação tá ficando séria... – Jeonghyun suspirou. Eu nunca o vi tão sério quanto ele estava nesse momento. – Eu não posso mais confiar nele.

– Eu nunca confiei. – Hyun riu, embora eu tenha falado sério sobre isso. – O que você vai fazer?

– Ah… eu sei lá. – Ele pegou a carteira e tirou de lá uma quantia de dinheiro, mostrando-a para mim. – Vai fazer alguma coisa.

– O quê? Mas você não precisa desse dinheiro? – Mesmo assim eu peguei as notas da mão dele. Trinta mil wons.

– Vai por mim, você não vai querer ficar aqui agora. – O jeito sério que ele me olhava estava me assustando um pouco. – Pode até ir dormir no seu amigo lá, o tal Hoseok. Só fica longe até as coisas esfriarem.

Eu não sei se eu tinha mais medo de Jeonghyun ou do meu pai naquele momento. Provavelmente eles sairiam no soco cedo ou tarde. Porém, depois que meu irmão mais velho desceu as escadas, eu só me preocupei em arrumar as minhas coisas para dormir na casa de Hoseok.

Quando fui descer as escadas sorrateiramente – para que meu pai não me escutasse– eu pude ver pela primeira vez, por uma pequena fresta da porta do banheiro, meu irmão mais velho chorar.

 

* * *


Hobi-hyung:
Que horas vc vem, Romeu?


Eu:
Dá pra você parar de falar disso só em UM MOMENTO da sua vida??
To a caminho


Hobi-hyung:
N consigo, vou te perturbar pra sempre
Esperando~~

 

Revirei os olhos. Mesmo no pior momento, Hoseok conseguia ver uma mínima faísca de esperança na relação entre mim e Taehyung. Já eu, por outro lado, não acreditava mais que poderia dar certo. Nunca daria. Eu não tinha mais cabeça para ficar pensando sobre aquilo. O que houve naquele dia no hospital acabou com toda a minha crença de eu acabar ficando com alguém.

Eu passei a minha vida toda sofrendo pela minha família. O meu pai que me odiava, o meu irmão que me negligenciava, e minha mãe que foi embora. Desde pequeno eu coloquei na minha cabeça que amar as pessoas acabava te machucando, por isso que eu nunca tive coragem de me aproximar de alguém que não fosse Hoseok ou Chaeyoung.

Essa foi a primeira e última vez que eu dei uma chance.

Pensativo, andando com meu skate pelas ruas do bairro e a caminho da casa de Hoseok, não pude deixar de notar uma silhueta conhecida de moletom preto e capuz na cabeça. Ela estava andando por uma parte da rua que estava escura por causa da falha nos postes de luz.

Era Chaeyoung, sem dúvidas.

– Chae-noona! – A mulher virou-se logo quando a chamei. Parei meu skate próximo à calçada para que pudesse vê-la melhor. – Onde você está indo? É meio perigoso por aqui.

– Olha se não é meu primo favorito. – Ela sorriu, porém o seu sorriso não mudava a sua expressão “malvada”. Era como um sorriso perverso daqueles típicos vilões de séries adolescentes. – Eu estava indo para a casa de Dahyun agora. Nem ferrando que eu ficava mais um minuto naquele lugar…

– Sério? – Espantei-me como a nossa situação atual estava parecida. – Mas você não disse que os pais dela não queriam que ela andasse mais com você? – Recordei de uma conversa pouco recente que tivemos.

– Blé. Ela saiu da casa deles ontem, então ela não precisa mais obedecer. Estou indo para ajudar com a mudança. – Ela colocou um chiclete na boca. – Aliás, ela mora na rua de Hoseok agora.

– Eu estava indo pra lá agora. – Sorri. – Quer que eu te acompanhe?

– Acho mais fácil eu cuidar de você, pivete. – Ela sorriu mais uma vez, porém não reclamou quando comecei a seguí-la em seu percurso.

Eu estaria mais confortável com a sua presença se eu não estivesse frustrado ainda. Isso tudo só aconteceu porque eu não quis ouvir as suas palavras. Aposto que Chaeyoung nem sabia sobre isso. E sinceramente, eu preferia que ficasse assim. 

 

– Nós não somos amigos, noona… Ele só-

– Foi legal com você? É, Jeongguk, eu sei... É exatamente assim que começa. – Vi ela recebendo do garçom mais um copinho daqueles com uma bebida colorida estranha. – Ele é legal com você, te dá atenção… e então, BUM! – Ela fez gestos com a mão, se aproximando de mim bruscamente, fazendo-me tomar um susto. – Ele te destrói.

 

Eu nunca devia ter duvidado do que ela me disse.

– O que foi, Jeongguk? Você está muito calado. – Chae-noona sempre sabia quando eu estava tendo uma crise interna. “Intuição feminina”.

A verdade era que eu queria muito contar a ela sobre o que aconteceu, pois não me sentia nada bem escondendo algo assim de sua pessoa. Sobre meu rolo com Taehyung, sobre Hoseok estar com Yoongi nas minhas costas... Contudo, eu também tinha medo do que ela poderia fazer ou dizer. Eu conheço muito bem a minha prima. Eu sabia que ela não iria perdoar Taehyung por ter me machucado, e tudo o que eu menos queria era que o castanho sofresse sob a vingança de Chaeyoung.

Mas eu precisava contar, ou seria mais uma coisa para não me deixar dormir à noite.

– Noona, eu preciso te contar uma coisa… – Eu disse, com a voz baixa.

No momento em que Chaeyoung virou para ouvir o que eu tinha a dizer, meu celular tocou. Justo agora? Gelei quando vi o nome escrito no identificador de chamadas.

“Taehyung.”

– Atende. – Chaeyoung me deu a permissão e eu rapidamente aceitei a chamada.

– A-alô? – Eu estava muito nervoso. Fazia algum tempo desde que falei com Taehyung. Diferente do que o usual, pude ouvir uma risada rouca do outro lado da linha. Franzi o cenho. – Taehyung?

Ah.. oi Jeonggukiee… – Mais risadas.

– Taehyung, o que foi?

Eu só liguei pra d-dizer... que o papai noel não existe! – A voz dele estava alterada.

– Taehyung, você bebeu? Que porra você tá dizendo? – Não pude deixar de rir um pouco com a palhaçada que ele estava falando.

Nãooo… eu não bebi não, seu doido… – Okay, ele tinha bebido sim. – Jeongguk m-me ajuda.

– Por que eu deveria? Eu estou com raiva de você. – Depois que eu disse isso, pude ver de relance Chaeyoung levantar uma sobrancelha. Virei para o outro lado para que eu não visse a sua expressão, ou eu ficaria mais nervoso.

E-eu não consigo levantar… tem alguma coisa aqui me assustando. – Ele tossiu. – Me ajuda, Gguk.

Era só o que me faltava.

– Onde você tá? Me manda a localização que eu já estou indo.

T-tá. – Ele soluçou. Suspirei depois de encerrar a ligação. No mesmo instante, meu celular apitou, informando que Taehyung já havia me enviado o seu paradeiro pelo KakaoTalk. Eu virei de volta para para Chaeyoung e ela não me disse nada, apenas ficou me encarando com seu olhar sério e desaprovador, fazendo meu peito doer.

Eu sabia que eu podia muito bem ignorar o que ele acabou de me dizer, mas eu simplesmente não conseguia. Eu precisava ir ajudar, mesmo que fosse uma besteira e mesmo que Chaeyoung estivesse me matando pelos olhos.

– Desculpa, noona. – Disse, antes de começar a deslizar pelas ruas a caminho de Taehyung.

 

* * *

 

Eu não fazia ideia de onde eu tinha vindo parar. O lugar já era naturalmente escuro, e para piorar, já tinha anoitecido bastante. Os muros estavam cheios de pichações estranhas e os poucos estabelecimentos do local estavam todos fechados. Se eu estava com medo agora, eu podia imaginar o quanto Taehyung estava apavorado.

Eu me perguntava como ele tinha chegado até ali sozinho.

Os únicos barulhos que eu conseguia escutar eram das rodas do meu skate e do vento soprando no meu ouvido como um fantasma. O lugar estava literalmente deserto.

– Taehyung...? – Eu não tinha coragem para gritar ali. Mesmo sussurrando, a minha voz fazia um eco enorme pelas ruas. Eu não estava gostando nada daquilo. Alguma coisa ruim iria acontecer. – Taehyung!

A cada cinco segundos eu olhava para trás só para checar se tinha alguém me seguindo. O cenário típico de filme de terror não ajudava em nada na minha ansiedade. Eu apenas queria achar Taehyung e ir embora dali o mais rápido possível.

Ao longe, escondido atrás de um banco rachado numa pequena praça circular, eu pude ver os cabelos castanhos de Taehyung. Finalmente! Pensei e fui rapidamente ao seu encontro.

– Te achei. – Continuei sussurrando. Eu mudei rapidamente a minha expressão ao ver que o estado de Taehyung não era o que eu esperava. Ele estava todo encolhido, parecendo que tinha chorado muito antes de eu chegar.

– Abaixa, Jeongguk… – Ele disse baixinho, sem nem se mexer. Em compensação, parecia que o efeito do álcool havia amenizado bastante.

– Nada disso. Eu vim pra te ajudar. – Sussurrei sério. – Vem, vamos sair daq-

Taehyung sem mais nem menos me puxou para baixo, para sentar ao lado dele. Ele parecia preocupado demais. Eu nunca vi tanto medo em seus olhos como naquele momento.

Tem coisas me seguindo, Jeongguk.

– "Coisas"? – Preocupei-me.

Sim… Desde a minha casa. Eu corri até aqui fugindo delas.

Tem certeza que não é só coisa da sua cabeça? – Cogitei o fato de ele ainda estar bêbado.

São as mesmas coisas que me machucaram… eu não aceito que isso seja um delírio. – Meu coração falhou uma batida. Embora eu não quisesse acreditar em uma palavra do que ele estava dizendo, eu confesso que me assustei um pouco com aquela informação.

Não é real. Ele está bêbado, Jeongguk.

– Taehyung, vamos pra casa. Você está louco demais... – Fiquei totalmente em pé, me arrependendo totalmente logo em seguida.

Eu preferia acreditar que era um delírio coletivo ou que era só mais um pesadelo. Contudo, a figura sombria me encarando do outro lado da praça parecia muito real para mim. Aquilo parecia um grande borrão de tinta preta com um sorriso horripilante em sua face e olhos maldosos que me encaravam profundamente. Eu gelei, em transe. Em toda a minha vida eu nunca vi nada igual, nem mesmo em filmes de terror.

A cada segundo que se passava ela parecia se aproximar mais, sem mudar a sua expressão ou piscar. Eu escutava ela sussurrar várias coisas para mim sem nem mesmo abrir a boca. Mas que porra é essa?

Quando ela estava a mais ou menos uns cinco metros de distância de mim. Por apenas um segundo, a imagem de minha mãe passou pela minha cabeça antes que Taehyung saísse correndo e me puxando pelo braço.

Ele até que corria rápido, mesmo cambaleando por causa do efeito da bebida. Mas não mais que aquela sombra estranha, que era quase tão rápida quanto Jongin. Quanto a mim, eu estava no modo automático, apenas correndo e sendo guiado por Taehyung pelas ruas escuras daquele bairro desconhecido. Meus olhos estavam arregalados e eu não conseguia parar de pensar o quão assustado eu estava.

– Jeongguk! – O castanho gritou, me tirando dos devaneios. – Liga a lanterna do seu celular!

Eu não entendi muito bem, mas rapidamente eu ativei a lanterna do meu aparelho como ele ordenou. Sem que eu pudesse reagir, Taehyung o apanhou da minha mão e apontou a luz para a sombra que estava quase nos alcançando. Ela parou subitamente em frente à luz e emitiu um grito cortante antes de desaparecer por completo.

Todos os pelos de meu corpo estavam arrepiados. Eu olhava para todos os lados, completamente apavorado. O que tinha acabado de acontecer?

– T-Taehyung… o que era aquilo? – Eu não conseguia raciocinar direito. Parecia que o meu cérebro havia entrado em pane e eu precisava reiniciá-lo para que ele pudesse funcionar novamente. Em vez de me dar uma resposta, o mais velho começou a rir.

– Eu sou perigoso… hic!* Para você, Gukkie… – Em meio a soluços, essas foram as suas únicas palavras.

Taehyung me ligou para que eu o levasse de volta, mas a noite acabou se encerrando totalmente diferente do script. Quem acabou tendo que ser levado de volta foi eu mesmo.

 

CONTINUA


Notas Finais


*Onomatopaica de um soluço.

As coisas estão ficando bizarras que nem Riverdale. O que será aquilo que Jeongguk viu? Taehyung estava carente e por isso estava tomando uma pra tentar esquecer o seu amado Jeon? Não deu tão certo, amigo aushauhshs

Dessa vez não tem o que esconder da criança.

Vejo vocês no próximo capítulo <3


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