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História My Greatest Gift!!- BEAUANY (NOW UNITED) - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capítulo 10


A conversa com o meu pai me deixou bolado por muito tempo. Não sabia se ele e a mamãe estavam desconfiando de alguma coisa. Escolhi não ficar pensando muito nisso, do contrário enlouqueceria de vez. Precisava disfarçar mais, fingir normalidade. Precisava também tirar a limpo o que o papai havia me dito. Any estava mesmo deixando sua adolescência de lado para ficar comigo? Mas, por quê? Será que o Levi tinha razão e a Any havia se “fixado” em mim? O que raios significa estar “ fixado” em uma pessoa?

De qualquer forma, como sempre fiz durante a minha vida inteira, escutei os conselhos do papai. Se existia alguém no mundo que soubesse sair de uma situação chata, certamente era ele. Eu devia mesmo parar de dar cabimento – ou seja, certas liberdades – a Any. Nossa relação, apesar de íntima, tinha limites e o meu dever era deixar que a minha irmã soubesse quais eram eles. Foi por isso que, a partir daquela noite, passei a dormir com a porta trancada. Além disso, parei de ficar conversando com ela até muito tarde, sobretudo dentro do quarto.

O sábado chegou novamente e junto com ele o aniversário de dezesseis anos da Any. Ela não queria fazer festa, mas conversei com a mamãe e sugeri uma comemoração mais restrita na cobertura do prédio.

Havia o salão amplo, a piscina e uma pequena sala de jogos disponíveis. A minha ideia era que a minha irmã chamasse algumas pessoas do seu colégio, tanto amigas quanto amigos. Any gostou da minha sugestão logo de cara, e no curto espaço entre a segunda e a sexta-feira, fez o possível para convidar quem quisesse, enquanto mamãe e eu decidíamos detalhes do tipo as bebidas e as comidas que seriam servidas.

Não sei como convenci meus pais a não deixarem adulto algum participar da festa, nem mesmo eles. Falei que eu mesmo me responsabilizaria pelo andamento da comemoração, incluindo tomar conta do comportamento dos adolescentes, da distribuição dos alimentos, enfim.

Queria que a Any tivesse um momento adolescente de verdade, mais do que isso, queria um pretexto para que finalmente desse o seu primeiro beijo. Eu sabia que ela chamaria alguns garotos. Já que não parecia muito disposta a voltar a sair com as amigas ou a dar bola para os moleques, uma festa seria o ambiente perfeito para fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Lembro-me muito bem do dia em que beijei pela primeira vez. Foi aos quinze anos, na festa de um amigo meu da mesma classe. Havia adolescentes para todos os lados, inclusive a menina de quem eu gostava e nunca tinha tido coragem de me aproximar. Naquele dia, no entanto, o clima de paquera geral me fez ter um pingo de iniciativa. Não precisei de muito, para ser bem sincero. Troquei meias palavras com a garota e ela me beijou do nada. Foi bem simples, apesar de estranho. Não queria que o primeiro beijo da Any fosse estranho como o meu foi, mas sei que é inevitável. Com o tempo, ela ia dar menos valor ao ocorrido, afinal, não é o primeiro beijo que importa, é o melhor beijo, e ele geralmente não é o primeiro.

Obviamente, eu estava ouvindo o conselho do meu pai sem me dar o direito de lamentar ou raciocinar. Precisava fazer o que era correto. Não há arrependimentos ou dúvidas quando você tem certeza de que suas atitudes são as melhores que poderia tomar. Meu coração foi trancado a sete chaves em uma gaveta empoeirada enquanto eu ajudava a deixar tudo pronto.

Contratei um colega DJ para montar seu equipamento de som no salão – uma boa surpresa para todos, Any adorou quando soube –, além de dois garçons – eu não ia dar conta de servir todo mundo sozinho.

Passei o sábado inteiro subindo e descendo pelo elevador, recebendo encomendas, carregando peso, fazendo de tudo para que a cobertura ficasse perfeitamente organizada, pronta para receber os amigos da Any. Quando as primeiras garotas começaram a chegar – eu ainda estava todo suado e sem camisa pelo salão, terminando de ajudar o meu colega DJ com as tomadas e extensões –, resolvi descer para tomar um banho.

Encontrei a Any pronta, olhando-se no espelho com uma careta estampada no rosto, quando passei pelo seu quarto.

Dei três batidas curtas na porta aberta e chamei seu nome três vezes, imitando um dos nossos personagens favoritos do seriado The Big BangTheory. Ela me olhou e sua careta foi embora, dando lugar a um belo sorriso. Minha irmã estava particularmente linda, trajando uma calça jeans preta justa demais e uma blusa verde larga, com uma caveira preta estampada na frente. A blusa caía de um lado, deixando seu ombro esquerdo à mostra e uma alça rosa que estava presa na sua nuca. Seus cabelos cacheados estavam bem armados, como sempre, partidos de lado de um jeito que considerei sensual, mas ignorei. Any calçava um tênis All Star com estampa de caveiras.

Nada mal. Com certeza eu a beijaria. Depois que me lembrei de que eu a beijaria vestindo qualquer coisa, até mesmo trapos, balancei um pouco a cabeça para desvirtuar meus pensamentos pecaminosos.

– E aí, maninho? Estou gata? – ela perguntou, dando uma volta em torno de si. – Nada de saltos, barriga de fora ou maquiagem em excesso. Só coloquei um pouco de gloss, olha! – Apontou para a própria boca e fez um biquinho lindo.

Ignorei o contorno perfeito de seus lábios e me concentrei demais na estampa de seu tênis. Era mais fácil olhar para baixo do que encarar seus olhos para dizer o que eu disse:

– Está muito gata. Tenho certeza de que o... Qual é o nome do sujeito mesmo?

– O Thiago? – a voz da Any saiu irritada. Continuei olhando para baixo. – Já desencanei daquele idiota há muito tempo. Não lembra?

– Sim, mas tinha outro cara. – Busquei na minha memória o nome do moleque que aparentemente era a nova sensação do colégio em que a Any estudava. O problema era que eu sempre tentava me distrair quando ela começava a falar sobre garotos, portanto eu não seria capaz de lembrar sozinho.

– O Vitor. Não, ele só vai reparar na minha existência porque sou a aniversariante. É o cara mais gato do segundo ano. – Deu de ombros e suspirou fundo, voltando a fazer uma careta diante do espelho.

– Você tem chances com qualquer um – murmurei.

– Claro que não. Nas caixas de chocolate da vida, eu sou aquele de banana que ninguém gosta.

Finalmente encarei a Any. Ela me encarou de volta e, como se estivesse combinado, começamos a rir da sua frase cômica filosófica. Eu realmente não gosto daqueles chocolates de banana, por isso minha vontade real foi de lhe dizer que ela era o meu Chokito. Isso soaria patético, claro, e deixaria os meus sentimentos muito evidentes, já que Any tem conhecimento do quanto simplesmente amo Chokito – já criei confusão com ela uma vez, depois que a vovó nos presenteou com uma caixa de chocolate para que dividíssemos.

– Deixa de ser boba, Any! Confiança acima de tudo! – Apoiei minha cabeça na beirada da porta. – Se esse cara não te der bola, não dê bola para ele, simples assim. Repare os outros garotos ao seu redor, com certeza há um bem bacana disposto a te tratar de um jeito que você nem imagina. É só dar uma chance.

Minha irmã fez uma brincadeira com a bochecha e os lábios, ainda se olhando no espelho como se desaprovasse o meu comentário. Mesmo assim, ela concordou comigo:

– Certo. Dar uma chance.

– Exato. Ah, antes que eu me esqueça, algumas amigas suas já chegaram. Estão lá em cima.

– Estou subindo. – Any me observou e pareceu notar pela primeira vez que eu estava sem camisa. – Vê se coloca algo decente, não quero minhas amigas fazendo comentários sobre os seus bíceps.

– Os meus o quê? – Fiz uma careta de surpresa absoluta.

– Os seus bíceps. – Minha irmã fez um movimento com os dois braços, imitando fisiculturistas. – Só porque tem bíceps desse tamanho, não quer dizer que precisa mostrá-los por aí, não é? Detesto quando o comentário entre elas é sobre você.

– Não sabia que suas amigas tecem comentários sobre mim, muito menos sobre os meus bíceps. – Tinha consciência de que o meu rosto inteiro já fervia de vergonha. Any deve ter percebido meu desconserto, pois começou a rir de um jeito divertido.

– Comentam mais do que você imagina. Como se você fosse dar bola para pirralhas do ensino médio... – Revirou os olhos. – Fala sério!

Pelo menos estava explicado o fato de eu sempre receber olhares esquisitos provenientes das amigas da Any. Por outro lado, a vergonha foi tanta que eu me despedi depressa e passei o banho inteiro tentando decidir o que vestir, já que não podia usar uma camisa qualquer.

Não me considero um cara saradão, apenas passo uma hora na academia antes de ir ao trabalho para me dar gás nos jogos de domingo. Tenho tudo no lugar e só. Nada de muito chamativo. Era o que eu achava até então.

Mesmo que o clima estivesse razoável, escolhi uma camisa preta de manga comprida. Puxei as mangas até a altura dos cotovelos e pronto, achei que os bíceps em questão estavam bem escondidos. Vesti jeans, tênis e subi pelo elevador na companhia de alguns amigos da Any, que tinham acabado de chegar. Assim que cheguei ao salão, encontrei os meus pais conversando com os garçons. Bufei e fui até eles, pois tinham me prometido que não pisariam na cobertura durante a festa.

– O que estão fazendo aqui? – perguntei meio chateado.

– Garantindo que não serão servidas bebidas alcoólicas, dentre outras coisas – papai respondeu simplesmente. – Estaremos lá embaixo caso haja qualquer problema, tudo bem, campeão?

– Fique bem atento, hein, Josh?! – Mamãe piscou um olho na minha direção. A eterna adolescente que habitava seu espírito estava evidentemente chateada por não poder participar da festa.

– Claro que sim. Já estava tudo bem antes, pai. O senhor acha que eu deixaria que um monte de adolescentes... – Apontei para o salão e estaquei. Realmente havia um monte de adolescentes. Any tinha convidado mais pessoas do que o previsto. – Nossa. Ainda bem que a senhora encomendou muita comida, mãe.

– Eu te disse, melhor sobrar do que faltar. Vamos, amor? – Mamãe abraçou o papai por trás, cruzando as mãos na altura da barriga dele.

Os dois abriram um sorrisão um para o outro. Fiquei sem entender. Acho que eles tinham planos para aquela noite.

Depois que a música começou a tocar e os garçons iniciaram seus serviços, a festa tomou forma e os amigos da Any foram se dispersando em diversos grupos menores; uns dançavam, outros conversavam na beira da piscina, no canto do salão ou perto da mesa onde estava disposta uma quantidade exagerada de salgados.

Havia um monte de meninas com mini-saias e saltos que mais pareciam pernas de pau, fazendo-me compreender o que a minha irmã havia tentado me dizer. Os moleques só tinham olhos para as garotas que, precocemente, pareciam mulheres adultas. Não era certo ou justo que as coisas fossem assim, mas desde que o mundo é mundo que os caras caem na besteira de se encantar pelas garotas bonitas que geralmente só têm a beleza ao seu favor, nada além.

Enquanto tomava conta da festa, procurei ajudar os garçons e me manter sempre pelos cantos para que a minha presença fosse minimamente notada. Não consegui passar despercebido por um grupo de garotas que competiam entre si quem tinha as unhas mais longas, no entanto. Elas me olhavam vez ou outra e, após uma série de cochichos, riam alto e indisfarçadamente, deixando-me constrangido.

Eu estava tentando me distrair com um copo de refrigerante quando uma delas, provavelmente a mais ousada e que tinha o riso mais escandaloso, desfilou na minha direção. Tinha os cabelos loiros compridos e olhos azuis grandes. Acompanhei seus passos esperando que tombasse em algum momento, já que parecia uma pata se equilibrando naqueles saltos, mas não aconteceu e fui obrigado a aprumar o meu corpo quando ela ficou muito perto.

– Oi... Tudo bem contigo? – Ela se encostou ao muro de proteção da cobertura, bem ao meu lado. Afastei-me um pouco para que nossos braços não se tocassem...



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