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História My Greatest Gift!!- BEAUANY (NOW UNITED) - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


Oiiie!!

Vocês estão bem?? Espero que sim

Boa leituraa😘

Capítulo 21 - Capítulo 20


Passei a noite inteira em claro, não sei se por causa do jet lag ou da angústia que se instalou no meu peito e lá permaneceu. Observei cada minúcia do teto do meu quarto, que estava exatamente igual a como eu o tinha deixado antes da viagem, tentando me perdoar pelo que fiz. Minha irmã e eu nunca havíamos nos tratado daquela forma, de modo que aquela situação me deixava com uma sensação horrorosa de que nada seria como era nos dias em que eu fui feliz.

Só consegui pegar no sono quando já era quase manhã. Não fazia ideia de por onde começar. Depois de tudo, eu não devia mesmo esperar que as coisas fossem como antes. Eu tinha que crescer mais, buscar de verdade o que queria para mim, e aquele sofrimento todo não podia ser incluído nos meus planos. Tentar esquecer a Any havia sido meu objetivo por tanto tempo, mas os esforços foram em vão e eu estava exausto. Meu corpo não se encontrava preparado para reconquistá-la, pois ele ainda me traía o tempo todo. Entretanto, não havia escolha; meus objetivos, de novo, estavam voltados para ela. A sensação de estar andando em círculos não me largou.

Meu coração se afligia porque, mesmo tendo voltado ao meu lar, não me sentia como se estivesse nele. O apartamento era o mesmo, meu quarto também, os odores, os sons, a rotina... Pela primeira vez, percebi que quem fazia do meu lar um verdadeiro lar só podia ser a Any. Sem ela, eu só sobreviveria dentro da ilusão de estar em casa. E isso era tão assustador que eu não conseguia acreditar na desgraça que tinha me acontecido.

Diante de tantos problemas em que a solução estava em arranjar mais problemas, foi fácil chegar à conclusão de que eu jamais sairia daquela feliz.

Eu queria ser feliz, apesar de tudo. Havia me machucado e
machucado a Any porque ainda acreditava que eu pudesse me recuperar, mas... finalmente compreendi que não dava. Eu tinha a chance de salvar só um de nós dois, não ambos. Obviamente, eu não me escolheria. Seria burrice e perda de tempo, pois eu nunca seria feliz se a Any não fosse. Pelo menos ela precisava seguir em frente, não daquela maneira ridícula como estava se comportando, mas de um modo saudável. Eu faria o possível para garantir sua felicidade.

Ouvi alguns ruídos dentro do meu quarto. Acordei assustado e me sentei na cama em um pulo. As cortinas impediam a luz da manhã de incomodar meu sono, mas já devia ser bem tarde. Any abafou um grito com a mão, olhando-me com cara feia logo em seguida. Ela carregava um monte de livros. Deixou-os em cima de uma das tantas prateleiras que eu tinha. Há quanto tempo ela estava ali?

– Só estou devolvendo – falou com impaciência, erguendo as mãos para o alto em rendição. Não chegou a me olhar, no entanto. – Pode voltar a dormir.

– Bom dia, Any – murmurei com a voz rouca, por isso limpei a garganta. Voltei a deitar e me cobri até o pescoço, pois eu estava sem camisa e o lençol tinha se perdido embaixo de mim.

– Boa tarde. – Minha irmã andou rápido até a porta.

– Sério? – Conferi meu relógio de cabeceira. Eram quase duas da tarde. – Você não devia estar na faculdade?

Ela girou a maçaneta e parou para me oferecer um sorriso irônico.

– Você não devia estar dormindo?

– Você me acordou. – Detestei tanto seus modos de falar comigo que comecei a agir com implicância também. Eu tinha acabado de acordar, estava sonolento e ainda bem cansado, então a minha paciência não era das melhores.

– Você que acordou sozinho.

– Por que não deixou para entregar os livros depois?

– Por que não trancou a porta para que eu não te atacasse? – Seu sorriso carregado de desdém se amplificou. Como ela ficava mudada falando daquele jeito! Era muito doloroso de assistir.

Decidi entrar no jogo dela de uma vez por todas. Era o que me restava; transformar tanta ironia em alguma coisa engraçada ou em uma lição forte que a fizesse perceber o quanto estava sendo idiota. Eu não podia tratá-la como se fosse a mesma Any de sempre, ela me pisaria como uma formiga pequena e insignificante. Não que me importasse em ser pisado, eu bem que merecia, mas a minha irmã não mudaria nada se ninguém a contrariasse de verdade.

– Você ia me atacar? – Tentei sorrir. – Ou já me atacou e está disfarçando?

– Não seja estúpido. – Revirou os olhos e fechou a expressão.

– Devo ou não me preocupar em trancar a porta?

– Faça o que quiser com a porra da sua porta! – Any saiu do quarto depressa e fez questão de provocar o barulho mais alto que conseguiu ao fechar a porta atrás de si.

Pulei de susto. Fiquei indignado com a sua ignorância desmedida, ainda mais porque a Any jamais havia falado um palavrão na minha frente. Acho até que na frente de ninguém, pelo menos não antes da minha viagem. Levantei da cama e vesti uma camisa, bufando de raiva e controlando a dor. Ela ia me escutar, ia mesmo. Dei uma olhada na prateleira de soslaio e percebi que os livros que tinha devolvido eram todos acadêmicos. Isso me fez parar para pensar um pouco mais.

Sentei na cama com ar derrotado antes de finalmente recolher os livros. Segui pelo corredor até o quarto da Any. Bati algumas vezes antes de entrar e a encontrei sentada no chão, com a cabeça apoiada na parede e os joelhos arqueados. Ela não gostou nada de me ver. Sua face se contorcia de raiva, um oposto cruel de quando ela abria um sorriso amplo toda vez que eu invadia seu quarto sem motivos aparentes.

– Sai daqui.

– Fique com esses livros. – Deixei-os sobre a sua penteadeira e finalmente dei uma boa olhada em seu quarto, tentando conter o assombro. As bonecas haviam ido embora de vez, dando lugar a pôsteres bizarros que ocupavam cada pedacinho de parede. – Vai ser bom para os seus estudos... – murmurei, ainda reparando no quanto aquele lugar tinha mudado. Até as roupas de cama eram escuras demais. Quem foi o maluco que pintou de preto os móveis outrora rosa-bebê?

– Não quero nada vindo de você.

Parei meus olhos nela, uma parte por não suportar acompanhar tanta mudança naquele quarto e outra porque precisava ver a minha irmã de perto. Estava se abraçando de novo, fazendo-me sentir verdadeira pena. A raiva foi embora como se tivessem dado uma descarga e me vi sentando bem na sua frente. Any suspirou e fitou o teto. Daquele jeito, sem maquiagem e com roupas comuns de casa, quase parecia a garota por quem me apaixonei perdidamente. Suspirei porque fui incapaz de não reparar que a minha menina tinha crescido e se tornado uma mulher linda. Meu Deus, como eu tinha sentido saudade apenas de observá-la...

– Papai me emprestou esses livros quando eu estava na faculdade. Teoricamente, vieram dele.

– Tanto faz. São apenas passos que não são meus, mas que sigo mesmo assim porque é tarde demais para voltar.

– Como assim? – Ergui uma sobrancelha.

– Nada. Saia da minha frente.

– Começamos errado. – Dei de ombros. – Não quero que...

– Joshua. – Any me interrompeu e me olhou fixamente. Aprumou-se para frente a fim de me encarar de muito perto. Prendi a respiração por alguns instantes. – Simplesmente pare. Não tente dar uma de bonzinho para o meu lado. Não caio mais na sua. Tomei uma vacina contra você.

Abri a boca, mas não consegui falar nada. Any havia mesmo me comparado a uma doença? Engoli em seco e encarei a rejeição com a cabeça erguida. Eu merecia. Não podia me esquecer disso.

– Não estou tentando dar uma de bonzinho, só não quero brigar contigo.

– Também não. Na verdade, eu queria mesmo era que você sumisse – rosnou furiosamente. – Eu não preciso do que não me faz bem.

Pisquei os olhos umas trezentas vezes para não começar a abrir o berreiro na frente dela de uma forma vergonhosa. Em vez disso, engoli suas palavras como se fossem cacos de vidro. Any só queria me ferir, precisava me machucar tanto quanto eu a machuquei. Se ela havia sido forte para aguentar firme e se manter de pé, então meu dever era aguentar também.

– Você não entendeu nada, mas a culpa foi minha – falei baixo, tentando explicar o inexplicável. – Acha que eu não me importo contigo. Não é verdade.

Ela passou alguns segundos apenas me olhando. Depois, abriu um sorriso desdenhoso.

– O que te faz achar que eu me importo com o que você se importa?

– Costumava te importar.

– Muita coisa mudou. Eu realmente não me importo.

– É mentira.

– Saia daqui! – berrou, assustando-me.

– É mentira! – berrei também. Segurei seus braços e a chacoalhei, quem sabe assim ela voltasse à sobriedade? Any começou a chorar, tentando se desvencilhar de mim sem sucesso.

– Me solta, Joshua!

– Deixe de ser mimada e raciocine! – Continuei a chacoalhando. – Pare de machucar nossos pais, pare de ferir a si mesma enquanto alimenta o ódio que sente por mim! Eu não valho isso tudo! – Larguei-a um pouco bruscamente. Any me empurrou com força, quase me fazendo deitar para trás.

– Você se acha demais! Nem tudo tem a ver contigo, sabia? – Ela chorava e gritava, cuspindo saliva para os ares.

– Tem a ver com quem, então? – gritei e, do nada, veio-me a imagem do David. Quase morri de desespero. – É o... seu namorado? Ele... Ele te trata mal? – Prendi as mãos nos meus cabelos.

Any bufou.

– Claro que não. David é incrível – respondeu com a voz mansa, parecendo apaixonada. Meu corpo queimou de ciúme, mas eu tentava me acalmar.

– Por que nossos pais não sabem sobre ele?

– Porque... Porque... – Any parou de chorar de um segundo para o outro. De vítima, ela voltou ao seu modo algoz. – Isso te interessa? Fala sério, do meu namoro cuido eu. Você sempre teve mania de se intrometer na minha vida, mas não vai colar de novo, Joshua. Saia do meu quarto. – Apontou para a porta de forma grosseira.

– Eu vou. Só... tente me odiar menos. Levi e Heloísa não têm nada a ver com o que aconteceu.

Any fechou os olhos e voltou a apoiar a cabeça na parede.

– Não aconteceu nada. E, se aconteceu, eu já esqueci.

Balancei a cabeça positivamente, tentando, de novo, conter as lágrimas.

– Fez bem – murmurei dolorosamente.

– Fiz. E você? – Any abriu os olhos e cravou seu olhar sombrio na minha pele. Uma quentura fora do comum me invadiu repentinamente. – Esqueceu?

Dei de ombros. Não soube o que responder. Se eu dissesse que sim, além de ser uma mentira, iria revoltá-la ainda mais. Se eu dissesse que não, faria do nosso relacionamento algo mais insuportável do que aquilo.

Esgueirei-me e lhe ofereci um beijo na testa. Vi quando a Any fechou os olhos diante do meu movimento. Levantei do chão bem devagar, até que ela começou a rir.

– Sempre fugindo. Você é uma piada, “maninho”. – Gesticulou as aspas daquela palavra com o mesmo tom de ironia que usou para proferi-la. – Aposto que nem consegue dizer o que aconteceu em voz alta.

Prendi os lábios. Voltei a me sentar no chão, encarando-a. Ela me encarava de volta, mas sorria como se me desafiasse. Eu só queria a minha Any de volta. Somente. Precisava dela porque, antes de qualquer coisa, estava me sentindo tão sozinho... Era duro enfrentar cada problema sem ter alguém que soubesse sobre ele para me abraçar forte e dizer que vai ficar tudo bem.

– Eu me apaixonei por você – sussurrei, e o sorriso dela foi morrendo. Certamente eu lhe surpreendi. Ela só queria me enlouquecer, não esperava que eu aceitasse seu desafio. – Você se apaixonou por mim. A gente se beijou, e foi um beijo de verdade. Não foi certo... Não é e nunca será certo.

– Você... O quê? – Ela arquejou alto, estupefata.

– Eu me apaixonei por você – repeti, buscando coragem para manter meus olhos fixos nos dela enquanto confessava com todas as letras.

Any ficou paralisada.

– Não... brinque comigo... – Any sorriu ironicamente, mas seus olhos marejaram.

– Você queria que eu dissesse em voz alta. Aí está, Any: eu me apaixonei por você e você por mim. Foi o que nos aconteceu.

– É mentira – rosnou. As lágrimas presas em seus olhos finalmente escorreram. – Por que está mentindo? O que eu te fiz de tão mal, Joshua?

– Não estou mentindo.

– Está querendo me dizer que durante todo este tempo você...? – Ela prendeu os cabelos com as duas mãos. Any estava muito abalada. – Mas você... foi embora e... ignorou tudo. Eu fiquei sozinha, abandonada, jogada como se fosse um pedaço de lixo.

– Any...

– Você apunhalou o meu coração. – Gesticulou como se alguém estivesse atravessando algum objeto pontiagudo em seu peito. – Nunca esperei tanta indiferença nem do meu pior inimigo. Você me rejeitou, me deixou humilhada e...

– Apenas fiz o necessário. Foi melhor assim.

– Melhor? Melhor pra quem? – ela perguntou em um sussurro e várias lágrimas tomaram seu rosto.

– Pra gente. – Suspirei.

Any prendeu os lábios e rosnou como um animal selvagem:

– Melhor pra você! – ela berrou e me empurrou com força, de modo que caí deitado no chão. – Saia do meu quarto, seu mentiroso! Saia da minha vida! – Ergueu-se do chão enquanto eu tentava me recuperar do susto. – Saia agora! Saia! – Any se trancou no banheiro e começou a chorar como uma louca. Fiquei calado, imóvel, e ouvi seus soluços. – Você não... faz ideia... do que passei... Não faz... Não faz... Não faz... – repetiu sem parar.

Enxuguei a minha primeira e única lágrima quando mamãe abriu a porta do quarto da Any e me viu desolado no chão.

– O que houve? – Sua expressão era aflita. Tentei sorrir para não deixá-la muito preocupada. – Fui ao mercado e voltei agora... Acho que ouvi gritos.

Any soltou mais um soluço. Heloísa finalmente a ouviu.

Apontou para a porta do banheiro, fazendo-me mil perguntas com o olhar.

Não fui capaz de responder a nenhuma delas.

– Any? – Mamãe bateu na porta do banheiro de leve. – O que aconteceu, filhota?

– Me deixa em paz, por favor! – minha irmã berrou.

Heloísa soltou um longo suspiro e deixou seus ombros caírem.

– Não vou desistir, mãe. – Levantei-me do chão e, quando passei por ela, beijei seus cabelos armados. – Vai ficar tudo bem. A senhora vai ver.

Tentei, com todas as minhas forças, acreditar naquelas palavras.



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