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História My Light - Capítulo 38


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Notas do Autor


Olá... pessoal.
Então estou voltando aos poucos, então pessoal conto com a compreensão de todos.
Decidir voltar, pois já não aguentava ficar parada. Vc MN

Capítulo 38 - Preciso-me encontrar


Fanfic / Fanfiction My Light - Capítulo 38 - Preciso-me encontrar

Dessa vez, ao contrário ao mal estar anterior, eu me recuso a abrir os olhos pelo simples fato de me sentir confortável, segura, protegida em seus braços. Mesmo com os olhos fechados, sei quem me envolve em seu peito protetor. Já estive ali muitas vezes, acordei, dormi ou apenas fiquei em silêncio desfrutando de seus carinhos. Desejo permanecer aqui para sempre.

Por que a vida não pode ser simples assim, como estar nos braços de quem se ama? Esses momentos deveriam ser eternos.

— Natasha... — os dedos deslizam pelo meu rosto em uma carícia quase imperceptível — Não fiquem aí parados, chamem uma ambulância.

— Será que é grave? — diz Paige, preocupada — Desmaiar duas vezes no mesmo dia não deve ser normal.

Eu não quero um médico, não quero ir para droga de um hospital. As últimas lembranças que tenho de lá não são agradáveis. Tudo que preciso é que essas vozes em volta de mim desapareçam, contudo, para evitar todo esse circo tenho que sair da minha zona de conforto. Abro meus olhos, a primeira coisa que vejo é a imensidão negra de seus olhos.

— Você está bem? — Steve me encara apreensivo.

Minha garganta está seca, então apenas balanço a cabeça em afirmativa.

— Droga Natasha! — Steve principiou — Eu quase tive um ataque quando você desmaiou na minha frente. Vou levá-la ao hospital imediatamente.

— Não preciso de um hospital ou de um médico — sento-me no sofá — Estou bem. E a culpa disso tudo foi sua!

O homem sai como um louco prestes a cometer um assassinato e eu sou repreendida por desmaiar?

— Você encontrou Sharon? O que fez com ela?

— Eu não a encontrei. Sharon já não mora com os pais há algum tempo. Parece que está fora da cidade no momento. É o que ela sempre faz, apronta, depois foge com medo. Ela sabe que dessa vez foi muito longe, depois da última vez em que quase a matei...

— Você se lembrou disso?

— Na verdade... — ele admitiu — Eu me lembrei de tudo.

— De tudo, tudo? De nós dois?

— De tudo, tudo... — sorri — E de nós dois.

— Como?

— Bem, eu saí um tanto nervoso do escritório e...

— Não! Você saiu ensandecido — interrompo-o — Eu quase morri de tanto medo e preocupação. Achei que fosse matá-la.

— Naquele momento eu sentia que sim, precisava resolver as coisas com Sharon de uma vez por todas. Peggy é uma criança inocente, ela já a prejudicou muito. O que ela fez foi imperdoável, desumano.

Eu não quero pensar sobre isso agora. Sinto tanta raiva de Sharon que nem consigo descrever. Quero saber é como ele se lembrou de tudo tão repentinamente.

— Se não a encontrou onde esteve esse tempo todo? E como recuperou a memória?

— Como eu disse antes, saí de lá com muita raiva, estava disposto ao que fosse preciso. Fui à casa dos pais dela e me deram o endereço novo. Claro que não disse que queria estrangulá-la. Também não a encontrei. O porteiro me disse que tinha viajado novamente há dois dias.

— Saí muito enfurecido de lá, mas do que estava antes — continua ele — Houve um acidente no caminho de volta...

— O que?! — grito enlouquecida — Como assim um acidente? Como pôde ser tão irresponsável Steve? Sabe que ainda não pode dirigir com essa perna machucada...

Automaticamente minhas mãos passeiam por todo seu corpo a procura de algum ferimento.

— Espere! — Steve ri e me abraça — Não estou machucado. Foi apenas um pequeno acidente. Um carro bateu na traseira do meu em um cruzamento...

— O dia do acidente me veio à memória. Consequentemente eu me lembrei de tudo.

Não sei se choro, rio, grito ou se bato nele por aquela atitude impensada. Steve colocou não só sua vida, mas a de outras pessoas em risco. O que seria de Peggy e de mim se dessa vez ele não tivesse a mesma sorte de antes? Levando em conta que minha felicidade por ele finalmente ter se lembrado de mim, por estar vivo, é maior que tudo, deixo as reclamações para depois.

— Então se lembra de tudo desde a primeira vez que nos vimos?

— Sim.

— Que roupa eu estava usando?

— Está mesmo me perguntando isso? — ele parece incrédulo.

— Sim eu estou! — subo sobre os joelhos no sofá — Eu contei como nos conhecemos. Como vou saber se não está me enganando?

— Natasha! — Steve salta do sofá indignado — Depois de tudo o que aconteceu hoje a última coisa que faria é mentir para você. Por que faria isso?

— Para se casar comigo? E quanto a Quill, Carol e todo resto?

Estou sendo injusta, mas preciso ter certeza, tudo parece irreal para mim.

— Essas são partes que gostaria de nunca ter lembrado — esfrega os cabelos em frustração — Carol nunca foi importante como disse antes, então não há razão para falar sobre ela. Se quer saber, a última vez que a vi, foi na semana que conheci você, isso por que queria tirá-la da minha cabeça. Não deu muito certo.

É muito bom ouvir isso dele, embora saber que ele tenha tentado me esquecer nos braços daquela mulher me deixe furiosa.

— Você saiu com ela?

— Nada aconteceu.

— Sabe... — Pepper começa a falar com humor — Eu adoraria ficar e acompanhar toda essa novela mexicana, mas eu tenho um compromisso inadiável e já estamos bastante atrasados. Já que todos estão bem, a salvos, nós estamos indo.

Apenas agora me dou conta de Pepper, Tony e James no outro lado da sala. Não vejo Jane ou Thor, pelo visto, resolveram sair à francesa assim que acordei.

— Desculpe-me Pepper — murmuro — Eu devo ter arruinado sua noite.

— Ainda dá tempo — diz ela — Afinal, não é a noiva que sempre chega atrasada?

— Isso é no dia do casamento amor — Tony ri — Não se atreva a fazer isso no casamento. Eu teria um infarto.

— Eu que não vou romper a tradição — provoca ela — Até logo Tasha.

Depois quero saber tudo nos mínimos detalhes.

— Eu também já vou — informa James em seguida. Ele encara Steve e faz um sinal positivo — Vou cuidar do que me pediu.

Assim que todos saem eu encaro-o firmemente.

— O que pediu a ele?

— Nada de importante — Steve me puxa para seus braços — Vamos ver a Peggy?

Peggy? A última coisa que lembro é tê-la ao meu lado antes de apagar, deve estar muito assustada com meu desmaio.

— Não se preocupe. Está no quarto com Claire — diz ele, como se lesse meus pensamentos.

Subimos abraçados até o quarto dela. Peggy está em frente à cômoda enquanto a babá penteia seus cabelos úmidos, já está de pijama, o cheiro de sabonete infantil paira no quarto.

— Tasha! — Peggy salta da cadeira e vem me abraçar — Você não vai morrer não é?

Meu coração se aperta, sua preocupação sincera me comove. Mesmo ainda não sabendo da verdade nossa ligação é inegável.

— Claro que não querida — com indicador acaricio sua bochecha rosada — Eu não vou morrer. Desculpe assustá-la.

— Eu não quero que você morra — seus olhos ficam marejados — Eu posso ficar com minha mãe se quiser.

A declaração me desarmada.

— Peggy vem aqui — Steve senta na cama dela e a chama para seu colo — Sabe que eu amo você não é?

— Sim papai — Peggy senta no colo de Steve abraçando-o.

— Natasha também a ama muito — ele estende os braços para que me una a eles — Nós nunca iremos mandá-la embora, nunca. Aconteça o que acontecer.

— Exatamente Peggy — acaricio seus cabelos — Nunca faríamos isso. O que Sharon disse não é verdade. Eu amo muito você.

— Mas vocês vão se casar — insiste ela, receosa — Vão ter outros filhos normais e vão ter vergonha de mim.

— Você é completamente normal Peggy — Steve segura seu rosto com delicadeza — É linda e a amamos muito. Nunca duvide disse. Entendeu? E quando tiver irmãozinhos eles vão precisar de você. Promete que você vai cuidar deles?

— Sim eu prometo. Eu te amo papai — Peggy abraça-o forte — Eu também amo você Tasha.

Nós nos abraçamos, choramos, entregues à emoção do momento. Até mesmo a babá mal conseguiu esconder as lágrimas em seu rosto. O que nos importa é que voltamos a ser uma família unida e feliz.

Algumas horas depois, estamos deitados na cama dele após fazermos amor de forma intensa e enlouquecida. Meu corpo entrelaçado ao dele, enquanto minha cabeça descansa em seu peito.

— Agora vai voltar para casa não é? — Pergunta Steve, acariciando minhas costas.

— Ainda não — murmuro me aconchegando mais a ele.

— Por que não? — senta-se na cama levando-me com ele — Peggy está bem. Qual o motivo agora?

— Precisamos desse tempo Steve. Precisamos aprender a confiar um no outro. Eu preciso descobrir quem eu sou, o que eu quero... E você precisa descobrir se sou o quer.

— Se é o que eu quero? — ele ri, amargamente — Eu quero me casar com você. Dormir e acordar ao seu lado todos os dias. E só o que vejo é você colocar obstáculos em cima de obstáculos. Será que eu sou o que quer? Talvez você não me ame como imaginei.

— Lamento que pense assim — sento-me, procuro minha camisa no chão e visto-a.

— Aonde vai?

— Para casa.

— Você não vai! — diz ele, irritado — Já está tarde. Amanhã cedo você pode voltar para aquele maldito apartamento.

Tenho vontade de ignorar seu pedido, ou melhor, sua ordem, mas decido voltar para cama. Não que eu esteja me curvando ás suas ordens, apenas acredito que relacionamento é isso, ás vezes temos que ceder. O meu desejo é que ele entenda a mesma coisa, não sou mais um de seus empregados ou ex-amantes. Sou a mulher que pretende dividir a vida e sonhos com ele, não andar sobre a sua sombra. Deito-me de costas para ele, o olhar fixo na janela. Sinto sua mão em minha cintura puxando-me contra seu peito.

— Por que faz isso comigo Natasha?

— O que eu faço? — pergunto divertida. Seu jeito de menino perdido me encanta.

— Faz de mim o que quer — murmura, contrariado — Sabe que sempre vou fazer o que deseja gostando ou não.

— Você não vê? — viro-me para ele — Não é isso que eu quero. Não temos que dominar um ao outro. Preciso da minha independência, me sentir útil. Termos o que conversamos todos os dias e não ficar trancada em casa esperando você chegar.

— Pode gerenciar a casa...

— Geórgia já faz isso — rebato.

— Além disso, pode cuidar de Peggy...

— Claire já faz isso e muito bem — rebato, novamente.

— Natasha!

— Steve! — respiro fundo.

— Se é um emprego o que quer posso cuidar disso. Com certeza, há algo na empresa que possa fazer...

— É mesmo? Fazendo o que? Quero fazer as coisas do meu jeito e sozinha.

— Você é absurdamente irritante, cabeça dura, isso eu gostaria de ter esquecido.

Quando ele volta a abrir a boca interrompo-o com a mão em seus lábios.

— Amo você Steve. Deixe-me fazer as coisas do meu jeito. Vamos conseguir superar isso.

Acalmo-o da melhor forma que consigo, com meu corpo. Não gosto de usar o sexo para resolver nossos problemas, mas se é a única forma, o que posso fazer?




                            ≈≈≈





É a quarta quinta-feira de novembro, dia de Ação de Graças, um dos meus dias preferidos. Um dia para agradecer a Deus por todas as bênçãos e coisas boas recebidas durante o ano, tenho muito a agradecer. Foi um ano difícil, com muitas lágrimas, dor e sofrimento, mas também foi um ano de milagres. Voltei a enxergar, conheci o homem mais maravilhoso do mundo que mudou minha vida, que faz eu me apaixonar por ele irremediavelmente a cada dia.

Por isso, não há dia melhor para celebrar, estar com a família e amigos do que esse. Todas as pessoas que amo estarão aqui comigo. Clint, Pepper, Tony e também Jane. Convidei-a ao descobrir que ficaria sozinha, já que sua família mora muito longe em uma pequena cidade na região do Texas. Embora ela tenha ficado receosa em vir para casa de Steve onde será a celebração, eu não permiti que ficasse em casa sozinha.

Geórgia passará o feriado com a filha em Chicago, então a maior parte da ceia foi adiantada no dia anterior. A mesa está linda e farta. Há batata doce, purê, torta de abóbora, o peru, que está sendo aquecido no forno, entre outras coisas. Tudo preparado por Geórgia, uma coisinha ou outra por mim.

— Tasha, vamos lá fora fazer bonecos de neve? — pergunta Peggy saltitando em volta de mim — Por favor! Por favor!

— Por que não me ajuda terminar de fazer esses biscoitos? E depois do almoço todos poderemos ir.

— Eu vou fazer de corações então — Peggy ri, colocamos a mão na massa.

Os convidados chegam aos poucos. Pepper acompanhada de Tony, eles trouxeram torta de maçã, para meu alívio Tony confessou que foi comprada em uma das melhores confeitarias da cidade, mas que eu não dissesse isso a Pepper. Se há uma coisa que Pepper é muito ruim, é na cozinha. Aliás, é uma péssima dona de casa em todos os sentidos.

Jane trouxe uma torta de nozes com aparência deliciosa, de acordo com ela, é uma receita secreta de família.

— Foi muita gentileza sua Jane, já temos tanta comida, não deveria ter se incomodado com isso.

— Não foi incômodo algum — me entrega o recipiente — Eu tenho que admitir, foi um pouco difícil de fazer, pensei ter pegado uma virose, ficar na cozinha hoje foi complicado, mas cozinhar é uma distração para mim, espero que tenha valido à pena.

— Outro motivo para não ter se incomodado — Digo preocupada —Você está bem?

—Estou ótima — ela sorri — Foram apenas alguns enjoos e passaram tão rápido como surgiram.

Clint foi o último a aparecer com flores lindas. Gostaria que Thor, James e Bruce também estivessem presentes, eles passarão a noite com suas famílias.

Após o almoço, Peggy, Pepper, Jane e eu vamos para fora. Construímos um enorme boneco de neve com direto a todos os apetrechos. Os rapazes preferiram ficar dentro de casa assistindo um jogo de futebol americano.

— Está lindo Tasha — Peggy me abraça animada.

— Que tal buscar a máquina para tirarmos uma foto?

Peggy sai correndo, prendo a respiração ao vê-la quase escorregar na neve. Sempre a incentivamos a agir como uma criança normal, mas nós não podemos ignorar que precise de cuidados maiores por causa de sua perna mecânica.

— Peggy não corra! — grito apreensiva.

— Tá bom — ela levanta-se e volta correr novamente.

Sinto vontade de segui-la para repreendê-la por isso, como hoje é um dia de festa, deixo passar dessa vez, afinal ela é apenas uma criança agindo como criança.

— Então Pepper, como andam as coisas com a mãe do Tony?

O jantar naquele dia parece ter sido pior do que esperávamos.

— Não conversamos mais depois de tudo o que houve, sinceramente, se ela não aparecer no casamento é um grande favor que estará me fazendo.

No fundo sei que ela está apenas tentando convencer a si mesma. Pepper havia sido abandonada pela mãe quando criança. Tenho certeza que ela gostaria de ter a mãe de seu noivo como uma figura materna ou no mínimo uma nova amiga.

— Quem sabe quando tiverem filhos as coisas mudem — Jane a conforta — Crianças fazem milagres nas famílias.

— Humm... — ela empina o queixo — Eu que não quero aquela bruxa perto dos meus filhos, não mesmo.

— Ela é a mãe do Tony, Pepper, não terá como evitar isso — Falo por experiência, por mais que deteste Sarah não posso afastá-la de Peggy — Terá que trabalhar isso.

— Pensarei sobre isso depois. Hoje é um dia de festa e não para pensarmos em coisas tristes.

Peggy retorna arrastando Steve e Clint. Tony segue atrás com olhar derrotado. Tiramos muitas fotos. Fizemos anjos e guerra de neve. Por fim, quando todos já estavam cansados, congelando de frio, voltamos para dentro de casa. À noite, jantamos e assistimos o presidente realizar a cerimônia de Perdão ao Peru, uma tradição na Casa Branca há muitos anos. Jane foi uma das primeiras a ir embora, estava muito cansada, além de não se sentir muito bem. Clint saiu acompanhado de Tony e Pepper uma hora depois. Assim que todos vão embora, subo com Peggy para o quarto para colocá-la na cama.

— Hoje foi tão legal Tasha! — diz Peggy, enquanto lavo seus cabelos com shampoo — Eu me diverti muito.

— Eu fico feliz que tenha se divertido querida.

— Ano passado não foi assim. Meus avós ficaram em Atlantic City e papai e eu, comemos em um restaurante, depois ficamos vendo filmes na televisão, nem teve neve.

A cena me parece bem triste. A ceia que Pepper, Scott e eu tivemos no ano passado foi bem mais simples que a de hoje, mas nos divertimos muito. Fomos até ao centro da cidade ver o desfile na Macy’s, onde participam centenas de figuras mediáticas, personagens do mundo infantil e fantasias. Pensar nos dois sozinhos em casa me traz lágrimas aos olhos.

— Gostaria que todos os anos fossem assim — Peggy diz com tristeza.

— Eu prometo a você que serão — jogo um pouco de água em seus olhos para tirar o sabão.

— Que legal! — ela sorri.

Após vesti-la com o pijama ajudo-a se deitar. Steve vem em seguida, fazemos companhia a ela até que durma. Apago a luz, fecho a porta com cuidado para não acordá-la, se bem que está tão cansada que nem mesmo um bombardeio a tirará de seu sono pesado.

— Obrigado — Steve me abraça por trás, caminhamos assim até o quarto.

— Pelo que? — faço-me de desentendida.

— Por fazer desse dia o mais especial de todos, para Peggy e para mim.

Paramos em frente à porta, Steve me vira de frente a ele. Posso ver o amor brilhando em seus olhos. Ao contrário do que pensei a primeira vez que o vi, esses olhos nunca me trouxeram mágoa ou medo, pelo contrário, me transmitem paz, esperança, amor.

— Eu que devo agradecer. Sem você tudo ainda seria escuridão e vazio.

Nunca vou conseguir retribuir isso.

— Volte para casa — murmura ele — Então, você que trará luz a minha vida.

Envolvo meus braços em volta de seu pescoço e sorrio.

— Você não desiste não é?

— Nunca! — me beija suavemente — Eu sei que vou conseguir convencê-la. É só uma questão de tempo.

— Convencido — afasto-me dele, corro para o quarto, pulando na cama — Vai ter que trabalhar muito para isso Sr. Rogers.

Seu olhar em minha direção é como de um felino em busca da caça. Meu corpo treme de antecipação.

— Eu sei uma ótima forma para isso... — suas mãos vão até a barra da camisa tirando-a sedutoramente. Puta merda! Enquanto eu tenho receio em usar sexo como arma ele o faz se nenhum pudor.




                          ≈≈≈




Outro dia e outra decepção, chego ao apartamento após mais um dia fracassado em busca de emprego. Até encontrei algumas vagas em restaurantes, lanchonetes ou clubes, embora os salários não sejam atrativos, estou pensando seriamente no assunto. Preciso ocupar minha mente em algo produtivo, acima de tudo aumentar os números na minha conta bancária.

— Comprei algumas coisas — deixo as sacolas no chão ao entrar, gemo ao tirar os sapatos.

— Ligaram de uma agência para você — diz Pepper, assim que me jogo no sofá — Deve comparecer nesse endereço amanhã às oito horas.

Ela me entrega um papel com nome e endereço.

— Working Dreams & Cia — leio o nome da empresa em voz alta — Falaram sobre o que era?

— Desculpe-me não perguntei.

Eu não retruco, ela está tão alienada com a proximidade do casamento que não presta atenção em quase nada.

— Tudo bem. Como andam as coisas para o casamento?

— Uma loucura.

Pepper me conta todas as coisas que estão dando certo ou as que a deixam louca. Ajudei com algumas coisas, como escolher o menu do buffet, as flores para igreja, o salão onde será realizado o baile, os poucos detalhes que restam deixam-na com os nervos à flor da pele.

— Já tive que mandar apertar o vestido duas vezes — choraminga ela.

— Se se alimentasse direito isso não aconteceria — repreendo-a — Tem que se cuidar ou desmaiará na igreja.

— Tony teria um ataque.

Conversamos por mais alguns minutos, à noite ela sai para se encontrar com Tony e alguns amigos. Vou para cozinha, estou cansada, faminta. Na geladeira há o resto da comida chinesa da noite anterior. O cheiro forte da comida me deixa enjoada, então resolvo comer apenas salada e frutas. Vou para o quarto, fico algumas horas escolhendo a roupa apropriada para o dia seguinte. Acabo escolhendo um vestido verde escuro, de corte reto até os joelhos, um casaco bege estilo europeu com cinto embutido. Separo um par de sapatos pretos de salto médio, satisfeita com o resultado vou para banheiro tomar uma longa ducha. Mais tarde, Steve liga, conversamos um pouco, ele me deseja boa sorte.




                            ≈≈≈





No dia seguinte, estou sentada na área de uma elegante recepção. Assim que cheguei descobri que Working Dreams é uma produtora muito conhecida no país e começo a me perguntar se agência não havia cometido um engano, meu lugar não é aqui, com certeza.

Inspire e expire, digo a mim mesma há quase vinte minutos, desde que uma jovem mulher pediu que eu aguardasse.

— Natasha Romanoff? — a mulher elegante por volta dos quarenta anos se aproxima de mim. Está usando um vestido bege, colar de pérolas e maquiagem discreta.

— Sim — respondo, pronta a esclarecer o engano da agência — Acho que houve um equívoco...

— Não é Natasha Alianova Romanoff? — pergunta ela, confusa, olhando para ficha em sua mão.

— Sim eu sou, mas...

— Então não há engano algum. Eu sou Virginia — estica a mão me cumprimentando — Venha comigo. Vou explicar sobre a vaga e você me diz se está interessada ou não.

Acompanho-a pelo corredor, passamos por algumas salas, ela me diz quais eram estúdios para fotos, quais são usados para gravação de comerciais entre outros. Entramos em outro setor onde há algumas salas destinadas a área administrativa.

— Abriram essa filial há pouco tempo. Está uma verdadeira loucura por aqui, mas sempre é uma loucura nesse meio, logo você se acostumará a isso.

Assim que entramos na sala pequena, mas elegante, ela me oferece uma cadeira em frente à mesa.

— Então a agência explicou sobre do que se trata o trabalho? Noto que parece um pouco perdida.

— Na verdade, eu não estava em casa quando ligaram — digo envergonhada — Estou um pouco perdida mesmo.

Resolvo ser honesta, mentir pode piorar ainda mais a situação.

— Geralmente contratamos pessoas com experiência no ramo... Parece que você foi bem recomendada. De qualquer forma não sou eu que faço as contratações.

Bem recomendada? Quem poderia ter feito isso? Será que Steve tem alguma coisa a ver com isso? Discutimos muito sobre sua insistência para que eu ocupe um cargo na Rogers & Tecnologia, o que para mim seria um cargo fictício. E não tenho vontade alguma de ter os olhos acusadores, rancorosos de seus funcionários, por ter um emprego pelo fato de ser a noiva do chefe. Isso não faz meu estilo. Então a única explicação é que ele deve ter pedido esse favor a algum amigo. Isso me chateia um pouco, mas está muito difícil conseguir um emprego, por isso resolvo engolir o orgulho e aceitar essa oportunidade, me farei merecedora da confiança depositada em mim. Afinal muitas pessoas conseguiam empregos por indicação, isso não é errado.

— A vaga é para assistente. Seu novo chefe é um fotógrafo muito talentoso, exigente também, devo avisá-la. Além disso, é um dos sócios da empresa, esse cargo exige muita responsabilidade.

Ela me entrega uma prancheta com alguns papéis.

— Esses são alguns detalhes sobre a vaga, salário e outros benefícios. A jornada é de segunda a sexta, horário comercial, mas poderá acontecer de ter que ficar até mais tarde, caso ele precise. Em alguns casos, pode ser que trabalhe no sábado também, depende da campanha, claro, sempre receberá extra por isso.

O salário é bem melhor do que imaginei, os outros benefícios também são muito bons, conseguirei manter o apartamento tranquilamente, contando as horas extras, se eu for cuidadosa poderei fazer uma pequena poupança.

— Está interessada na vaga?

— Com certeza — respondo, com um sorriso — Saiba que vou me dedicar com afinco.

— Eu sei que sim. Por agora, passe no RH, veja com eles todos os tramites da contratação — diz ela, entregando-me um envelope

— Qualquer dúvida pode me procurar. Nos primeiros dias trabalhará comigo para que ensine tudo o que é preciso. Seja bem vinda.

— Muito obrigada.

Saio da sala flutuando de felicidade, a vida voltou a sorrir para mim. Estou ansiosa e animada com que está por vir. Quem sabe em breve possa fazer meu tão sonhado curso de música. Finalmente as coisas começaram a dar certo, serei muito feliz aqui. 


Notas Finais


Até a próxima......que será depois que eu finalizar Look.
Só postei capítulo dessa fic para dizer que não irei cancelar ela.


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