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História My Light - Capítulo 40


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Notas do Autor


Olá queridas....
Estou de volta, espero não ter demorado muito.
Boa leitura.

Capítulo 40 - Segurança


Fanfic / Fanfiction My Light - Capítulo 40 - Segurança

— É a sua vida que está em jogo — Steve segura meu rosto obrigando-me a encará-lo — Ou volta para minha casa comigo, ou eu me mudo para sua.

Puta merda! Eu sei que ele seria louco o suficiente para cumprir a ameaça. E sendo sincera comigo mesma, estou assustada com o que soube há alguns minutos. Saber que existe alguém solto por aí com desejo de feri-lo me deixa aterrorizada. Além disso, vamos nos casar em breve qual a diferença de voltar para lá hoje ou daqui a um ano?

— Está bem - suspiro — Sua casa é até mais perto do meu novo emprego.

— Emprego? — Steve faz cara de surpresa — Que emprego?

— O que você me indicou. Por que acha que estou aqui? Não se faça de bobo — Aperto o nó de sua gravata — Você não me ajudou a consegui-lo?

— Não! — Steve me encara preocupado — Não fiz isso. Nem sabia desse maldito emprego.

— Bem... — franzo a testa, tento reorganizar minhas ideias. Se não foi ele, quem foi? — Disseram que fui recomendada, pensei que havia pedido à algum amigo. Confesso que fiquei brava no início...

— Vai sair desse emprego imediatamente!

— Por quê?

— Não vê que isso é uma armadilha Natasha?

— Mais um motivo para que eu continue com ele.

— Não vou permitir isso! — Steve segura meu braço com força.

— Se isso for mesmo uma armadilha, o que eu acho improvável, é a oportunidade perfeita que temos de descobrir quem é esse homem.

— Não será uma cobaia! — ruge ele — E não vai brincar de detetive. Bucky já está cuidando disso.

— Eu vou ter cuidado — Falo de um jeito manhoso — Eu prometo.

— Não!

— Sim!

— Não, porra!

Eu já havia cedido em voltar a morar com ele. Não vou sair do emprego quando essa é uma ótima oportunidade para que eu seja útil em alguma coisa.

— Eu não vou sair — me solto de seus braços e pego o casaco esquecido no chão.

— Aonde você vai?

— Para casa fazer as malas — abro a porta de forma dramática.

— Eu vou com você — ele me diz, saltitando atrás de mim, está usando uma imobilização mais cômoda, mas ainda não caminha normalmente — Não pode andar sozinha por aí!

Nesse momento, tenho à amostra perfeita do que será minha vida daqui por diante. E honestamente, não gosto disso. Adeus liberdade e independência.

— Não precisa terminar o que estava fazendo? — indico alguns documentos que deixei espalhados pelo chão quando subi na mesa dele há pouco.

— Foda-se o trabalho! — me encara como se tivesse falado a coisa mais absurda do mundo — Jane cancele todos os meus compromissos de hoje.

Jane balança a cabeça impassível diante da reação brusca do chefe. Eu presumo que deve estar mais do que acostumada ao seu jeito explosivo.

— Claro Sr. Rogers.

Caminhamos lado a lado sem nos encarar. Steve está tão zangado comigo como estou irritada com ele. Não pode me tratar como uma boneca de porcelana. Saímos do prédio, encontramos Sam nos esperando com a porta aberta. Cumprimento-o rapidamente e entro.

— Se vai ficar nesse emprego vou enviar um segurança para que cuide de você — diz ele, assim que me acomodo.

— Isso seria ridículo! Por que eu andaria com um homem atrás de mim o tempo todo? Além do mais, levantaríamos suspeitas.

— Está bem — diz Steve, resignado.

Está bem? Simples assim? Sem brigas, gritos ou uma lista de reclamações? Ele havia concordado rápido demais para o meu gosto. O que me leva a acreditar que agiria de outra maneira, às minhas costas, contanto que não coloque meu emprego em risco pouco me importa. O caminho até meu apartamento foi realizado em silêncio. Cada um teve que ceder de um jeito, não estávamos satisfeitos com o resultado. Entro no apartamento e encontro Pepper em uma conversa melosa com Tony. Vou direto para meu quarto com Steve atrás de mim, ele para no batente da porta com olhar zangado, cruza os braços, fixa o olhar em mim, o rosto carrancudo.

— Vai continuar emburrado? —pergunto ao pegar a mala debaixo da cama.

— Eu não fico emburrado — se queixa — Isso é coisa de criança, estou fodidamente aborrecido. Você que é teimosa demais para entender o risco que está correndo.

Por todos os deuses do Olimpo eu não irei discutir aquilo novamente. Esse é o homem mais teimoso, mandão, que eu já conheci, é o único que tem o poder de me enlouquecer.

— Você quer me colocar em uma redoma de vidro e me deixar lá para sempre? — começo a jogar minhas coisas na mala.

— Para sempre não — ele sorri pela primeira vez — Só até isso tudo terminar.

Não importa o quanto eu esteja furiosa com ele, esse sorriso indecente sempre será capaz de me desarmar.

— Eu farei tudo o que for preciso para garantir minha segurança — caminho até ele, passo meus braços em volta de seu pescoço — Menos um segurança no meu calcanhar.

— Menos o segurança... — ele envolve minha cintura — Dentro da empresa, fora dela isso é indiscutível.

— Está bem — beijo seus lábios e dou uma pequena mordida — Estamos combinados. É ótimo fazer negócio com você Sr. Rogers.

— Comigo é assim— ele pisca um olho de forma sedutora — Satisfação garantida. O que acha de terminarmos o que começamos mais cedo?

— Agora?

Minha resposta foram beijos ardentes antes de ser arremessada na cama.




Seguimos para casa dele duas horas depois, Pepper choramingou dizendo que sentiria minha falta. O percurso até a casa foi bem mais tranquilo do que a ida até o apartamento. Não conseguíamos ficar com as mãos afastadas um do outro por muito tempo, enquanto Steve fazia promessas ardentes em meu ouvido.

Peggy me recebeu com pulos de alegria ao saber que havia voltado para casa. Passamos o restante da tarde como fazíamos sempre, Peggy vendo TV, nós dois perdidos em carícias discretas no sofá.




                             ≈≈≈




Sábado fizemos um programa em família, fomos a alguns pontos turísticos da cidade, por causa do frio, decidimos ir ao Museu de História Nacional, depois comemos em um fast food em um shopping próximo ao museu. Steve protestou inicialmente por serem locais públicos, sua mania por controle e segurança estão cada vez mais evidentes. Embora me sufoque, eu sei que sua única intenção é nos proteger. Portanto, fiz o possível para que ele ficasse o mais relaxado.

O domingo seguiu tranquilo e ficamos dentro de casa, estava nevando um pouco mais forte, seria um pouco mais complicado para que ele se movimentasse. No dia seguinte, ele voltará ao médico e tirará a imobilização na perna, algo que ele anseia muito.




                             ≈≈≈





Na manhã seguinte estou em frente ao espelho aplicando uma maquiagem leve no rosto, não é digno ao trabalho de Pepper, mas fico satisfeita com o resultado. Esborrifo algumas gotas de perfume que havia comprado em Dubai.

— Vai trabalhar ou seduzir todos os homens do prédio? — Steve aproxima-se de mim por trás e beija meu pescoço. O tom é de brincadeira, mas eu sei que ainda está incomodado com meu novo emprego. Não só pelo perigo que me cerca, também por todos os modelos masculinos que circularão por lá todos os dias. Saber que eu estaria cercada de homens bonitos o deixou tão furioso quanto ao risco de estar indo para uma armadilha.

— A única pessoa que pensei ao me arrumar hoje foi você — digo, com sinceridade. Não estou apenas fazendo média para tranquilizá-lo. Eu realmente gosto de apreciar o brilho de desejo e admiração que ele sempre direciona a mim — Quero que a única coisa que pense hoje seja em mim, e em o quanto deseja arrancar minhas roupas.

Steve cola seu corpo rente ao meu. Posso sentir sua ereção dura cutucando minhas nádegas. Desejo arrancar nossas roupas para nos entregarmos a paixão saciando o desejo que me incendeia.

— Então fique ciente do que a espera à noite — Ele esfrega o quadril contra mim — Sempre que você ver um rapazinho musculoso, sem camiseta, irá lembrar que existe um homem de verdade esperando por você hoje à noite.

Caramba! Se ele queria me deixar completamente desestruturada durante o dia todo, ele havia acertado bem no alvo. Por que, por mais que eu visse o rapaz mais lindo do mundo com ou sem camiseta, a única coisa que vou conseguir pensar é nele nu em nossa cama.

— Espero você lá em baixo — sussurra ele, em meu ouvido.

Filho da mãe! Provoca-me e depois foge. Ele sai, olho-me no espelho, verifico minha aparência pela última vez. Escolhi um vestido de poliéster na cor marinho, sem mangas, com decote redondo, coloco os sapatos de salto agulha, visto a jaqueta estilo blazer francês, pego a bolsa em cima da cama e desço. Estou muito ansiosa pelo que me espera em meu primeiro dia de trabalho, é muito diferente de tudo que já havia feito.

— Peggy já foi? — pergunto, assim que me sento à mesa.

— Acabou de sair — Geórgia responde — Você está muito linda Tasha. Só não vou dizer que irá arrasar corações porque posso ser demitida.

Sorrindo de sua brincadeira eu sirvo um copo de suco, tomo-o rapidamente.

— Tenho que ir. O trem costuma estar lotado a essa hora da manhã, não quero chegar atrasada no primeiro dia.

Steve que estava concentrado lendo o jornal olha em minha direção.

— Do que está falando? — ele enruga a testa — Não vai usar transporte público. Sam irá levar você.

— Claro que não — murmuro, contrariada — Imagina que ridículo uma simples assistente chegando de motorista particular.

— Motorista e segurança — enfatiza ele — Isso ou nada.

— Steve...

— Natasha! — interrompe ele — Muitas pessoas além daquele homem, sabem que é minha noiva. Somente isso já é suficiente para colocar sua vida em risco. Tem que aceitar o fato. Não é só dele que tenho medo. Há criminosos por aí ansiosos para ganhar dinheiro fácil.

— Tudo bem. Mas Sam irá me deixar há alguns metros de distância — cruzo os braços à espera de uma nova briga. Quanto a isso eu me manteria irredutível.

— Uma distância considerável — diz ele, rangendo os dentes.

Sorrindo, corro até ele e o beijo, manchando seus lábios com meu gloss. Passo o dedo para tirar o batom, esfrego o nariz contra o dele. Enfim, está entendendo que devemos entrar em um acordo sobre tudo e não um sobressair sobre a vontade do outro.

— Eu amo você — sussurro, afasto-me antes que cometa alguma loucura como seduzi-lo ali mesmo à mesa. Volto para meu lugar, começo a devorar tudo que está na minha frente, estranhamente estou com uma fome gigantesca.

Steve termina seu café, dá um beijo em minha testa em despedida, estou com a boca cheia, murmuro alguma coisa incompreensível. Ele ri e sai balançando a cabeça. Assim que me dou por satisfeita saio de casa, encontro Sam conferindo o carro. Ele sorri para mim, abre a porta traseira do BMW 640i Gran Coupe grafite para que eu entre.

— Eu vou com você no banco da frente — Entro no carro sem dar oportunidade para que ele se recupere do choque.

— Senhorita Romanoff... — Sam parece inseguro.

— Vamos Sam — digo, fazendo valer pela primeira vez o status de patroa — Não quero chegar tarde.

Ouço-o resmungar alguma coisa sobre mania esquisita dos ricos, algo sobre perder o emprego, dá a volta no carro e entra. Entendo a situação dele, se Steve se quer sonhar com isso, já seria motivo para uma guerra mundial.

— Olha vai ser um segredo nosso — tranquilizo-o assim que os portões da entrada se abrem — Você não conta eu não conto.

Ele balança os ombros. Embora me sinta um pouco receosa em colocar o emprego dele em risco não posso abrir mão. O impacto de chegar nesse carrão no banco da frente será bem menor do que estar sentada lá atrás. O máximo que as pessoas farão é me perguntar quem era o bonitão que estava dirigindo.

Graças ao trânsito infernal devido a um pequeno acidente envolvendo uma moto e um táxi, nós ficamos mais tempo parados do que eu previ, mesmo o acidente entre as partes não ter sido grave, a discussão entre o piloto e a motorista de táxi é bem acalorada, fazendo uma fila atrás de nós. Chego ao prédio da produtora apenas quinze minutos antes do que havia planejado.

Passo apressadamente pelos seguranças, coloco o cartão no leitor magnético para que minha entrada seja autorizada, praticamente saio correndo pelos corredores. Vou direto para sala de Virginia.

— Ainda bem que chegou — ela me encara depois de olhar para o relógio. Apesar de ter chegado dez minutos mais cedo, sei que ela apreciaria que tivesse chegado antes.

— Desculpe ouve um acidente no caminho...

— Acontece — ela sorri com sinceridade — Essa cidade é maluca. Vou mostrar a sua sala, o resto das instalações, depois temos muitas coisas para fazer.

Virginia me leva até uma pequena sala ao lado da sua, com uma mesa retangular com computador, um telefone com PABX e um armário. Em seguida, me mostra todas as instalações, as pessoas responsáveis em cada setor, desde maquiadores, fotógrafos e gerentes. Faço o máximo para guardar todos os nomes e rostos o que para mim ainda é uma coisa muito difícil já que minha memória visual não foi exercitada nos últimos anos.

A manhã passou em uma velocidade fantástica. No início fiquei apenas recebendo ligações, atendendo algumas pessoas e entregando recados. Depois fui enviada a um estúdio para acompanhar um fotógrafo em uma nova campanha de perfume. Dali em diante foi uma correria de pega isso, cancela aquilo, liga para modelo atrasada, tente acalmar o cliente, que quase me deixou maluca.

Por volta das duas, Virginia me libera para almoçar, pede que eu retorne o mais rápido possível. Agradeço aos céus pelo café reforçado que tomei ou a essa altura estaria desmaiando pelos cantos. Decido comer em um restaurante chinês próximo dali, adoro comida chinesa, mais o cheiro típico me deixa indisposta, então vou para uma lanchonete ao lado, como um sanduíche, tomo um suco de acerola e quarenta minutos depois volto para correria do trabalho.

Por volta das quatro, Steve me liga para saber como estou me saindo, apesar de achar sua atitude muito fofa não tenho tempo para conversar com ele, eu explico rapidamente como está sendo meu dia, prometendo conversamos à noite.

— Está dispensada por hoje Natasha — Virginia entra no estúdio fotográfico assim que o fotógrafo e as modelos começam a sair.

Olho para o relógio, já passou das seis.

— É sempre assim? — pergunto mais por curiosidade do que por queixa — Não sabia que um ensaio fotográfico poderia demorar tanto.

— As pessoas pensam que é apenas tirar fotos — ela sorri para mim. Terminamos de organizar a sala e saímos — Ainda há parte editorial entre outras coisas. Quando há externa é pior ainda. Espero que você não tenha ficado assustada.

— Bem... — suspiro — Foi bem cansativo, eu não vou negar, mas eu gostei muito.

Nós nos despedimos e cada uma segue para sua sala. Ligo meu celular ainda com as teclas em braile. Steve já havia se oferecido para me dar outro, o que eu havia recusado, não vejo motivo para isso sendo que ainda está novo em bom uso, agora, no entanto, acho que as pessoas achariam um pouco estranho.

Assim que o visor ilumina vejo várias ligações perdidas de Steve, retorno a ligação rapidamente. Conhecendo-o como conheço deve estar louco.

— Olá querido — digo, assim que a ligação é atendida.

— Ainda está no prédio? — pergunta ele, mal humorado.

— Estou saindo. Desculpe, sei que Sam deve estar me esperando há muito tempo — murmuro — Coisas como essa que queria evitar quando disse que poderia ir de trem.

— Sam já foi embora. Estou esperando você aqui fora, não demore a sair — ele desliga em seguida sem que eu possa dizer alguma coisa.

Droga! Já imagino que virá uma ladainha de reclamações, francamente estou cansada demais para isso. Só quero banho e cama.

Vejo o carro parado a alguns metros à frente. O frio está de congelar os ossos, então caminho o mais rápido que minhas pernas permitem. Nick sai do carro e abre a porta para que eu entre.

— Boa noite Nick.

— Boa noite senhorita.

Steve está concentrado em alguma coisa em seu iPad ou finge estar concentrado, pois não me encara ou me dá atenção. Isso me irrita muito, prefiro mil vezes sua irritação a sua indiferença.

— Vai ficar me ignorando? — pergunto, me virando para ele.

— Estou esperando-a há uma hora e meia. Ao menos poderia atender ao maldito telefone — ele desvia o olhar do aparelho encarando-me — Então, eu garanto que irá preferir meu silêncio a qualquer outra coisa.

Cruzo os braços, viro o rosto, resolvo olhar através da janela. Uma hora e meia? Não é à toa que ele esteja tão irritado.

— Estava na minha bolsa — eu explico, agora um pouco mais calma — Desculpe-me.

— Nunca mais fique incomunicável — diz ele, puxando-me para seu colo — Não sabe quantas vezes eu quase entrei para saber se estava bem. Essa ideia ainda me deixa em pânico.

— Nada aconteceu. Além de ter trabalhado como louca — encosto a cabeça em seu peito — Essa história de armadilha deve ter sido coisa da nossa cabeça.

— E quanto a essa misteriosa indicação? Alguma coisa está errada Natasha.

— Talvez alguém da agência tenha me reconhecido. Thor me disse que meu nome anda circulando nos meios de fofocas. Hoje eu vi como os artistas conseguem as coisas facilmente.

— Não brinque com isso — resmunga ele — Tome cuidado.

Respondo que farei isso e acho que ele e Bucky estão exagerando muito. O tal mascarado pode ter sido culpado por Peter estar no hospital, se fez, acho que mais para se proteger evitando ser reconhecido. Se quisesse realmente fazer algo contra mim teria feito quando Steve esteve com amnésia, foi quando estive mais desprotegida.

— Como está? — acomodo-me melhor em seu colo, indico a perna livre.

— Precisarei de algumas sessões de fisioterapia, mas já não dói tanto.

— E o psiquiatra?

— Também fui dispensado, por enquanto.

Chegamos a casa, nossa rotina noturna não foi diferente das outras, embora esteja cansada, passamos boa parte da noite com Peggy. Ela parece à mesma menina doce de antes. Mais tarde fizemos amor de forma intensa, apaixonada e eu desabo em seus braços em seguida.

No dia seguinte, eu acordo sobressaltada, o celular tocando insistentemente, pulo da cama ao observar a hora.

— Por que não me acordou? — acuso ao vê-lo sair do banheiro enquanto ajeita a gravata.

— Eu percebi que estava muito cansada, achei que deveria dormir mais um pouco — Steve responde com naturalidade.

— Estou atrasada! Fez isso de propósito não é? — passo por ele como um trem bala.

— Não, eu não fiz — ouço sua voz vinda do quarto antes de entrar no chuveiro. Coloco uma touca no cabelo, por mais que anseie lavar os cabelos, não terei tempo para o secador. Se estivéssemos no verão poderia deixar que secasse naturalmente, mas com inverno intenso, além de ficar congelada correria o risco de ficar doente.

Escovo os dentes antes de entrar no box, tomo um banho rápido. Volto para o quarto enrolada em uma toalha, encontro Steve vestindo o paletó.

— Você não está atrasada — diz ele, com humor — Por que as mulheres são tão desesperadas?

— Essa mulher é desesperada — respondo, agora de bom humor. O banho quentinho havia feito milagres com meu humor — Ontem pegamos trânsito devido a um pequeno acidente, não quero contar com a sorte novamente.

— Foi apenas um inconveniente — ele beija meu ombro exposto — Acontece.

— Não no primeiro dia de trabalho — resmungo.

— Eu tenho que ir. Tenho uma reunião importante logo cedo. Deixe o celular ligado — ordena ele.

Mostro a língua para ele, que sai do quarto sorrindo. Abro o closet, pego um vestido branco de algodão, coloco um cinto marrom de pele em volta da cintura, sapatos envernizados de salto alto. Escolho um casaco robusto, com enorme bolso nas laterais.

Como sei pelo dia anterior que teria uma manhã corrida, tomo café reforçado novamente. Para descontentamento de Sam vou para o banco da frente. Dessa vez o trânsito está um pouco melhor, consigo chegar quase uma hora antes.

Ao entrar em minha sala confiro a agenda que Virginia havia me entregue no dia anterior, tento adiantar as coisas mais urgentes.

Como previ, o dia foi tenso. Tive que acompanhar uma gravação externa para ficar mais familiarizada com o processo, já que meu trabalho é auxiliar um dos melhores fotógrafos da empresa, aliás, até agora só havia descoberto seu apelido, o mestre, todos o chamam assim. Acho esquisito, mas nesse meio as pessoas parecem um pouco excêntricas.




                          ≈≈≈





A semana passou rapidamente, a sexta-feira está sendo mais fervorosa que os outros dias. Uma modelo famosa está no estúdio para gravar um comercial de uma marca em ascensão no mercado. Todos estão polvorosos e agitados em volta da jovem. Os pedidos mais absurdos eram feitos para atender a metida à estrela.

— Natasha! — uma assistente de produção vem até mim, com expressão contrariada no rosto — Entregue essa vitamina para aquela Paquita irritante ou juro que arranco os cabelos dela.

— Tudo bem Sarah — eu pego a bandeja, no copo há um liquido de cor esquisita — Eu não tenho medo de cara feia.

— Obrigada! — Sarah revira os olhos — Fico devendo essa a você.

Vou em direção à modelo, desviando-me de cabos e câmeras a minha frente. Ela está conversando, na verdade discutindo com maquiador de costas para mim.

— Eu não quero saber! — berra ela com voz estridente — Essa cor me faz parecer velha.

— Querida, você só tem vinte e quatro anos — Phil tenta acalmá-la — Jamais pareceria velha. Além disso, são essas cores que a marca quer promover em sua nova coleção.

— A coleção que se dane — a jovem parece indignada — Não vou jogar minha carreira no lixo por uma marcazinha qualquer...

Antes que eu possa me preparar, ela vira-se de frente a mim, indo de encontro à bandeja. O copo entorna metade do conteúdo que vai direto para os lindos e provavelmente caríssimos sapatos dela.

— Você é cega, sua estúpida? — a jovem loira, alta, magra, muito bonita me encara com os olhos injetados de ódio.

Não sei se estou mais em choque pelo acidente ou por sua reação agressiva. Quando era cega ouvia muito essa expressão, não me incomodava muito, afinal eu era mesmo cega, nesse momento isso me incomoda um pouco.

— Desculpe senhorita — abaixo para pegar o copo — Vou dar um jeito nisso.

Refiro-me ao sapato preto que está com uma enorme mancha.

— Eu acho bom. Esse é um Jimmy Choo legítimo, sua estúpida. Se não der um jeito sairá do seu bolso. E providencie algo para eu comer logo.

— Faremos uma pausa por alguns minutos — Phil interrompe levando a jovem com ele.

Saio rapidamente, vou em busca de algum auxiliar de limpeza. Encontro uma senhora limpando algumas mesas.

— Poderia me ajudar?

Explico a ela o que aconteceu, e prontamente se oferece para ir me ajudar. Como não desejo que a fúria da modelo seja direcionada a mais alguém, peço apenas que me forneça alguns produtos de limpeza que ajudem remover a mancha dos sapatos. Ela me entrega alguns panos e um removedor na qual disse fazer milagres.

— Boa sorte querida — ela sorri para mim.

Pelo jeito, ela está acostumada a lidar com pessoas assim. Vou em direção aos camarins pedindo aos anjos que me protejam da bruxa enfurecida. Paro em frente à porta, leio o nome em uma placa, Nicole Thompson. Bato na porta, aguardo para que ela me autorize a entrar. Após alguns minutos intermináveis ouço uma voz enrouquecida que me ordena a entrar.

A jovem ajeita o vestido, há um homem lá dentro de costas para mim. Tenho certeza que já o vi antes.

— Natasha? — ele me encara com espanto ao se virar — O que faz aqui?


Notas Finais


Nós vemos em Lição de Amor....


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