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História My Little Brother - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


DEMOREI MAIS CHEGAY

BOA LEITURA

BEBAM ÁGUA ANTES DE DORMIR

Capítulo 2 - Dor de barriga e o socorro vem de quem a gente menos espera


Akaashi estava ferrrado.

Ele precisava trabalhar no turno da noite naquele dia. Ele poderia ter negado, seu chefe não sabia de sua condição, mas ele parecia ser alguém disposto a ter um diálogo. Porém, Akaashi precisava daquele dinheiro extra. 

Estava tudo pronto na sua cabeça. Ele precisava ficar no trabalho às oito da noite até às cinco da manhã. Koutarou dormia às sete e acordava às seis. Akaashi sairia assim que ele dormisse e voltaria antes de seu despertar. Estava tudo sobre controle.

Se Koutarou não ficasse doente de repente. 

"Sua barriga ainda dói?" pergunta Akaashi. Koutarou anuiu, fazendo uma careta. 

Akaashi olhou para o relógio. Faltavam quarenta minutos para as oito horas. Ele precisava de cinco minutos para chegar ao trabalho. Mas Koutarou não parava de vomitar.

"Keiji" resmungando, Koutarou abraçou o irmão. Akaashi o abraçou mais forte, beijando o topo da sua cabeça.

Ele não sabia o que havia acontecido. Depois do jantar Akaashi o mandou lavar o rosto e escovar os dentes para dormir, Koutarou foi, mas demorou para voltar. Quando Akaashi foi checar, ele estava sentado no chão, segurando sua barriga e choramingando de dor.

"O que eu faço agora…?" Akaashi inclinou a cabeça para trás, suspirando. O relógio não parava com seus tic tac. O tempo não pararia só porque ele estava entrando em desespero. 

Em sua cabeça, um plano absurdo estava rodando. Mas parecia ser sua última opção. 

Ele iria ao trabalho. Levaria Koutarou consigo. Poderia deixá-lo ao seu lado no balcão, deixá-lo descansando na sala dos funcionários. Se ele piorasse, Akaashi levaria ao hospital.

Ia ficar tudo bem. Ele precisava convencer a si mesmo. Assim como no dia que seus pais morreram.

Levantando-se, Akaashi se preparou para o trabalho. Nesse meio tempo, Koutarou dormiu. O remédio parecia enfim está fazendo efeito. Com a mochila nos ombros e Koutarou em seus braços, Akaashi Keiji saiu para luta.

xXx

O turno da noite sempre foi o favorito de Akaashi, não apenas porque era um tédio, e ele não precisava fazer muita coisa. Mas também porque era onde ele poderia levar mercadorias que estavam perto de vencer a validade para casa. O turno da noite tem esse privilégio. Era quando jovens constrangidos vinham comprar camisinha, e garotas de moletom apareciam atrás de sorvete e chocolate. 

Akaashi havia acabado de encher uma sacola com as mais variadas porcarias, quando Koutarou puxou a barra da sua camisa. O irmão mais velho se abaixou, sorrindo.

"Como está se sentindo?" perguntou.

"Estou com sede" sussurrou Koutarou, coçando os olhos. Ele soltou um enorme bocejo. 

"Aqui" Akaashi entregou ao irmão sua garrafa de água. Koutarou bebeu mais da metade, deixando a garrafa no balcão. 

"Sua barriga ainda está doendo?" Akaashi perguntou.

"Não" respondeu Koutarou, passando as mãozinhas na própria barriga. 

Akaashi testou sua temperatura com as mãos. Nada de febre, o que descartava a possibilidade de uma infecção. Koutarou aparentava estar bem melhor depois do remédio e de dormir um pouco. Ele olhava ao redor, curioso. Era sua primeira vez ali.

"Kaashi, o quê você faz no trabalho?" ele perguntou.

"Bem, eu cuido da caixa registradora, também organizo as prateleiras. Limpo o chão… Eu faço de tudo um pouco."

"Parece chato"

"É. É chato. Mas isso é o que paga seus sapatos" Akaashi colocou a mão na cabeça no irmão mais novo, bagunçando seu cabelo. Koutarou soltou um gritinho como resposta.

O sino indicando um novo cliente soou, Akaashi se moveu automaticamente na direção do cliente. Seus lábios ainda estavam exibindo o sorriso por estar brincando com seu irmãozinho. Chocando o cliente em questão que nunca o tinha visto sorrir antes.

"Então você também sabe como sorrir, hm?" brincou Kuroo. O rosto de Akaashi se transformou em uma carranca no mesmo segundo.

Koutarou, ao ouvir a voz familiar, saiu de trás do balcão. Correndo para abraçar a perna de Kuroo.

"Kuroo!"

"Ei, ei, baixinho" Kuroo riu, abaixando-se para ficar da altura de Koutarou. "O que faz acordado a essa hora? Você não deveria ter um toque de recolher?" 

Koutarou riu, apontando para o irmão mais velho.

"Keiji e eu estamos trabalhando." 

"Ora, isso não é considerado trabalho infantil?"

Akaashi revirou os olhos. 

"Não seja idiota, ele não está trabalho." 

"Eu estou te ajudando, Keiji!" rebateu Koutarou.

"Não, você não está. Você ainda está se recuperando. Volte para seu lugar."

Koutarou bufou, mas obedeceu o irmão. A passos pesados e birrentos, ele se jogou com tudo no colchãozinho atrás do balcão, onde ele estava dormindo minutos antes.

Akaashi suspirou. Kuroo os observou.

"Porque seu pirralho está aqui com você?"

"Se não vai comprar nada, pode se retirar, Kuroo."

"Você falou que ele estava se recuperando. Ele estava doente?"

"Kuroo, por favor…"

Então Koutarou choramingou, interrompendo os dois. Akaashi se voltou rapidamente para o irmão. Vendo-o novamente abraçando a própria barriga enquanto chorava. 

"Kou?"

"Tá doendo, kaashi."

O corpo de Akaashi travou. Ele começou a pensar nas alternativas. Ele não podia continuar ali, precisava levar Koutarou ao hospital. Mas ele não podia abandonar o trabalho no meio, precisava daquele dinheiro. Para os dois.

Um vulto rápido e ágil passou diante dos seus olhos, pegando Koutarou. Akaashi piscou, voltando a si. Então ele viu Kuroo com seu irmão nos braços.

"O que está fazendo?"

"O que você acha? Levando ele ao hospital." 

"Você está louco? Não pode ir levando ele assim."

"Você pretende deixá-lo aqui, se contorcendo de dor?"

Akaashi parou, dando um passo para trás. Kuroo estava certo. Droga. Kuroo estava certo. Akaashi não podia continuar ali.

"Eu fico no seu lugar, você pode levá-lo ao hospital."

Akaashi o olhou. Seus olhos dourados estavam sérios. Akaashi sempre o achou parecido com seu irmãozinho, eles tinham os mesmo olhos. Sempre brilhantes e divertidos, como se a vida não passasse de uma enorme brincadeira.

Porém, não agora, aquele não eram olhos de quem estava brincando.

"Kuroo, eu…"

Koutarou choramingou um pouco mais alto, fazendo menção de que iria voltar a vomitar. Akaashi se exasperou. Kuroo passou a criança para o irmão mais velho.

"Vá. Eu cuido das coisas por aqui para você."

Akaashi abraçou seu irmão, anuindo. Ele saiu correndo. A cabeça martelando o fazendo lembrar que precisava agradecer a Kuroo quando isso tudo terminar.

xXx

"É apenas uma má digestão, ou uma virose. Ele comeu alguma coisa diferente durante o dia?"

Akaashi negou com a cabeça, enquanto a pediatra continuava a mexer em sua papelada.

"Tivemos o mesmo de sempre para o café da manhã e jantar."

"E almoço?"

"Ele almoçou na escola, eu mesmo preparei. Isso nunca aconteceu antes."

"Bem" Ela suspirou, deixando a papelada de lado. "Vou pedir mais alguns exames, ele não teve febre, certo? Então pode ficar tranquilo." Ela sorriu, tocando seu ombro. "Assim que seus responsáveis vierem posso solicitar os exames."

"Eu sou o responsável por ele."

"Você é menor de idade, certo?"

"Não se isso for um problema."

A médica não riu.

"Ele precisa de um acompanhante maior de idade. Onde estão seus pais?"

"Somos apenas nós dois."

A mulher suspirou. Por debaixo dos óculos, ela apertou o espaço entre seus olhos.

"Akaashi, sinto muito, mas…" Ela parou de fala, olhando para os dois irmãos. 

"Deixe-me fazer uma ligação" diz Akaashi, levantando-se de repente.

xXx

Akaashi estava na sala de espera. Koutarou dormia há um bom tempo. Os remédios o deixavam sonolento, dizia as enfermeiras. Ao menos dormindo ele não sentiria tanta dor.

Seu pé batia, inquieto, no chão. Enquanto suas mãos me remexiam, nervosas. Ele não queria ter recorrido a isso. Entretanto, não podia deixar seu irmão mais novo doente. Ele precisou deixar o orgulho de lado e pedir ajuda.

Ajuda essa que não o abandonou, e apareceu minutos depois, entrando correndo pelas portas do hospital infantil.

"Iwaizumi-san" exclamou Akaashi. Iwaizumi foi até ele, ignorando a enfermeira que gritava: "Senhor, por favor, não corra. Tenha modos!"

A primeira coisa que Akaashi recebeu foi um cascudo na cabeça, seguido de um abraço apertado.

"Seu idiota" disse Iwaizumi, ainda o abraçando. "Eu te disse para nos manter informados."

"Desculpe" disse Akaashi, envergonhado.

"Sei que nos chamou apenas porque não tinha escolha." Iwaizumi suspirou. "Mas estou feliz que tenha nos chamado."

"Desculpe" Akaashi repetiu, sua voz não passando de um sussurro.

"Você vai ter tempo para se desculpar depois" Iwaizumi bagunçou seu cabelo, em um gesto carinhoso e grotesco. "Agora vamos, deixe me ver meu sobrinho."

xXx

Akaashi obversou Iwaizumi ir até a recepção e assinar os papéis. Ouviu a médica lhe dizer que tudo ficaria bem, e que se os exames não mostrassem nada de anormal, eles podiam levar Koutarou para casa. 

Ele viu Oikawa entrar correndo no hospital também, depois de enfim encontrar uma vaga para estacionar o carro. Diferente de Iwaizumi, Oikawa não deixou a enfermeira o repreender, e a respondeu no mesmo tom:

"Meu sobrinho está internado, e você quer que eu fique calmo?!"

Akaashi se deixou ser abraçado, e ouviu os sermões de Oikawa sem reclamar.

"Vocês dois vão voltar com a gente, está ouvindo? Não vou mais deixar que voltem para aquela casa sozinhos. Minha irmã vai puxar meu pé a noite se souber que deixei vocês dois sozinhos de novo." 

Akaashi arregalou os olhos, afastando-se de Oikawa.

"Não, vamos voltar para nossa casa. Não podemos…"

"Isso não é um convite" Oikawa o interrompeu, seu tom de voz sério. "Vocês dois vãos voltar para casa comigo e com o Iwa-chan. Nem que eu tenha que amarrar você." 

"Mas eu não quero ser um incômodo para vocês"

"Vai ser um incômodo se você estiver por aí, sem notícias, e nos deixando preocupados" Iwaizumi se juntou a Oikawa. Oikawa anuiu.

Akaashi baixou a cabeça, sentindo suas bochechas molhadas. Ele não se permitia chorar há anos. Ele não podia demonstrar fraqueza, ele precisava ser forte. Koutarou precisava dele. Eles só tinham um ao outro.

Oikawa tocou seu rosto, o fazendo olhar para ele. Com o polegar, ele limpou as lágrimas de Akaashi. O mais velho sorriu, e Akaashi sentiu seu peito esquentar. Ele tinha o mesmo sorriso de sua mãe.

"Você não está sozinho, Akaashi" disse Iwaizumi. "Deixe a gente te ajudar."

xXx

Akaashi caminhava desanimado, com a cabeça cheia de pensamentos. Estava tão aéreo que só notou que havia passado direto pela loja de conveniências onde trabalhava, porque Kuroo gritou seu nome.

"Está perdido, Olhos de anjos?"

Akaashi fez uma careta, caminhando até o balcão. Kuroo sorria, balançando o corpo de um lado para o outro. Como um cachorrinho esperando pelo carinho na cabeça e elogios. Akaashi abriu um pequeno sorriso de lado. Ele bem que merecia uns elogios.

"Obrigado." Foi tudo o que ele disso, por fim. 

"Não foi grande coisa. Eu me diverti. E ainda aumentei minha lista de contatinhos" Kuroo levantou a mão, balançando o celular. Akaashi revirou os olhos. "Mas e o seu pirralho, como ele está?" 

"Tá tudo bem. Meus tios estão agora com ele no hospital."

"Tios? Achei que você não tivesse família."

"É complicado." Ele deu de ombros. Porque era uma história longa, e mesmo que Kuroo tivesse salvado sua pele naquele momento, ele não devia satisfações nenhum ao outro. "Você já pode ir embora, desculpe se acabei com os seus planos para o final de semana." 

"Bem, sim, mas valeu a pena" Kuroo sorriu, piscando um dos olhos. "Porque agora você me deve uma."

"Eu o quê?" 

Kuroo saiu de trás do balcão, tirando o avental que servia de uniforme. Ele deu alguns tapinhas no ombro de Akaashi.

"Te vejo na segunda, Olhos de anjo." 

Akaashi iria cometer um crime de ódio.

 

 



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