História My Little Star - Capítulo 13


Escrita por:

Postado
Categorias Michael Jackson
Visualizações 110
Palavras 4.799
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Poesias, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, meninas. Como vocês estão? Hoje eu vim trazer mais um capítulo para vocês. Gostaria de ter trazido a mais tempo, mas viajei e demorei mais do que o esperado. De qualquer forma, me desculpem pela demora. E agradeço por lerem a minha estória. Por favor, não desistam de mim. KKKKK Beijos.

Até as notas finais.

Boa leitura. <3

Capítulo 13 - Pequena estrela.


Fanfic / Fanfiction My Little Star - Capítulo 13 - Pequena estrela.

Capítulo 13.

Eu não corri, eu não tinha equilíbrio nas pernas para tal feito. Me comprimi, juntei cada pedacinho de mim e engoli  em seco com o choro. Michael não me seguiu, dessa vez, nenhum passo foi dado após os meus. Ele ficou lá, parado sob as estrelas tentando entender aquele acontecimento, para ele, inesperado.

Eu caminhei até um ponto onde imaginei que Michael não pudesse me ver, recostei o meu corpo no tronco de uma árvore, minhas pernas doíam quando parei pois foi tão difícil manter-me de pé depois de tudo aquilo. As lágrimas começaram a borrar a maquiagem em meu rosto, eram inevitáveis. Eu queria o meu quarto, minha casa, um lugar onde eu pudesse me refugiar, mas estava tudo tão distante. Me vi obrigada a voltar para a mansão, eu não queria estar ali, mas para onde eu iria? Sem fazer qualquer ruído, subi as escadas e me tranquei entre aquelas quatro paredes. Uma a uma, as lágrimas foram molhando o travesseiro sobre o qual repousei a minha cabeça. Minhas pálpebras pesavam, não era sono, talvez o peso das lágrimas, a vontade de fechar os olhos e acordar de um sonho ruim. 
 

Como eu pude ser tão fraca a ponto de deixar meus sentimentos sobressaírem minha  razão? 
 

Eu tinha cometido um erro. Um enorme engano. Aquele rapaz gentil correspondeu-me por educação, por isso não manisfetou-se diante do meu beijo apaixonado.
Pensar tais coisas doía-me por dentro, como agulhas, eu sentia uma a uma fincar-se em meu peito provocando uma dor aguda, profunda e constante. 

- Me desculpe, Michael. Me desculpe por estragar tudo... - Falei em baixo tom. E os meus olhos vermelhos acharam em cima do criado mudo, o pequeno pedaço de papel com a caligrafia dele, o qual ele havia dado à mim junto com o vestido.

- Oh, Deus... Por que deixei isso acontecer?
 

Aquela noite foi tão angustiante. Eu não sabia o que esperar e o que fazer. Eu deveria pedir desculpas? Ou fingir que nada aconteceu? Talvez partir?
Tantas dúvidas, tantos pensamentos e nenhuma solução, adormeci.

Quando finalmente acordei o sol já brilhava alto, passavam das 10h da manhã. Meus olhos estavam inchados, meus cabelos desgrenhados, eu nem ao menos havia retirado os sapatos quando adormeci. Lentamente me levantei, sentia uma leve dor de cabeça, retirei os sapatos e os joguei num canto, tirei o longo vestido amarrotado e caminhei até o banheiro. Me sentei na borda da banheira enquanto a mesma enchia com água, através da janela eu observava o jardim, o céu estava em tom cinza e os poucos raios de sol quase não atravessavam as nuvens densas. Nua, repousei o meu corpo no interior da banheira e fechei os meus olhos em silêncio. Quase que instantaneamente, me veio a mente a lembrança do rosto dele, seus olhos profundos e expressivos. Levemente toquei os meus lábios com as pontas dos dedos ao recordar o beijo... E Deus... Ainda era possível sentir a sensação dos lábios dele nos meus.
Nunca imaginei que algo tão bom pudesse  tornar-se tão angustiante.
Fiquei por um longo tempo ali, eu não queria sair para lugar algum, mas tinham coisas que dependiam de mim. Arrumei-me tão lentamente que já passavam das 13h quando desci. Na sala não vi qualquer sinal de Jackson, para o meu alivio. Fui até a cozinha onde tinha certeza que encontraria Rose, aquela amável senhora.

- Oi, minha querida.

- Rose. - Falei sem muito entusiamo, depositando um beijo em uma de suas bochechas.

- Já vou servir o seu almoço.

- Não precisa. Não tenho fome.

- Hellem, está tudo bem?
Eu nada respondi, apenas dei meio sorriso.

- Você e o Michael estão tão estranhos hoje.  Aconteceu alguma coisa?
Michael? Então ele já havia estado ali.

- Sinto-me um pouco indisposta. Mas o Michael...? - Ela adiantou-se antes mesmo de ouvir minha pergunta.

- Michael saiu cedo, querida. Nem ao menos tomou café.

Naquele momento percebi que ele me evitava, e apesar de minha relutância em não encontrá-lo, senti-me mal ao saber que ele não queria me ver. Meus olhos arderam naquele instante, e para que as lágrimas não escorressem ali, suspirei profundamente caminhando para fora da cozinha. Arrasada, fui para a biblioteca e ao atravessar a porta e fechá-la atrás de mim, soltei o meu corpo deixando-o deslizar sobre a madeira até tocar o chão, desfazendo-me em lágrimas mais uma vez.

- Michael me odeia pelo o que fiz. 

Meu desespero era pelo beijo dado, era por estragar a relação bonita que tínhamos conquistado, e era principalmente por estar completamente apaixonada por ele, por sentir um sentimento tão forte e único que fazia-me capaz de abandonar tudo e cometer as maiores loucuras só para estar com ele, presa aos braços dele.

- Eu me odeio. Odeio-me por desejá-lo tanto Michael. - Sussurrei com as mãos sobre o rosto molhado.

(...)

Naquele dia, alguns amigos de Michael haviam partido pela manhã, assim como Liz e o marido, mas ainda tinham alguns que haviam aproveitado para passar a tarde, porém mesmo sabendo disso, Michael simplesmente não apareceu durante todo o dia, e ele não era assim, eu sabia disso, e aquilo só aumentou o meu martírio. Não consegui trabalhar, não consegui me alimentar, não conversei com ninguém, trancada no quarto foi como passei aquele dia. Rose algumas vezes insistiu para que eu saísse, mas após alguns, "eu estou bem, só um pouco cansada", ela compreendeu que tudo que eu queria naquele momento, era ficar sozinha. 

(...)

A noite já quase caía em Neverland quando resolvi finalmente sair.

- Rose, eu vou caminhar um pouco.

- Que bom que saiu do quarto, menina. Vá caminhar sim, apenas não se afaste muito. Logo escurecerá.

- Eu não vou me afastar. - Mas desaparecer era tudo o que eu queria.

Em silêncio, saí caminhando pelo Rancho, era possível ouvir música principalmente aos finais das tardes, fazia parte daquele recanto mágico. Michael tinha música entoando em seu rancho nos mais distantes dos lugares, pequenas caixinhas de som espalhadas pelas árvores entoavam canções melódicas, e eu que já me sentia fragilizada, tornei-me ainda mais sensível naquele clima de fim de tarde. Naquela circunstância uma lágrima era tão fácil; a melhor experiência da minha vida, tinha se tornado dor.

- Oh, Deus, Michael deve me odiar. - Exclamei baixinho lembrando como ele me olhou após o beijo e em sua ausência durante todo o dia. 

Eu quis tanto ir embora, mas o que eu diria ao Harry se partisse naquele momento deixando todo o trabalho inacabado? Isso era a única coisa que ainda me prendia àquele lugar.

Enquanto caminhava cheguei ao parque de diversões onde deparei com a iluminada roda gigante, a tão pouco tempo, ali ao lado dele eu havia presenciado o céu mais estrelado que os meus olhos já contemplaram, e congelei olhando-a, relembrando tudo o que já tínhamos compartilhado, fechei os olhos em pesar.

- Srta. Hellem...

- Bill? - Falei surpresa ao abrir os olhos e vê-lo ao meu lado.

- Sinto muito se a assustei.

- Tudo bem. Eu estava distraída. - Sorri. - Como vai, Bill?

- Eu estou bem. Quem parece não estar é a Srta. 

- Tá tão na cara assim? 

- Seu semblante... Eu a vi de longe. Há algo que eu possa fazer?

- Não, mas obrigada por preocupar-se.

- Gostaria de andar na roda?

- Não, eu... Eu apenas estou caminhando. Parei aqui um pouco distraída.

- Compreendo. Mas se quiser, é só pedir.

- Agradeço a gentileza, Bill.

Ele sorriu. - Tome. - Ele estendeu sua mão oferecendo-me uma pequena flor de cor amarela.

- Obrigada, Bill. Muito obrigada. - Pela primeira vez, eu sorri de verdade naquele dia ao sentir o meu coração se aquecer por aquele singelo ato de carinho. Ele sorriu gentilmente cumprimentando-me com a cabeça e saiu. Observei-o por um instante, admirada, a magia de Michael estava mesmo por toda parte, até mesmo em seus funcionários, dóceis e amáveis.

O vento soprou mais forte vindo da campina e atravessou o meu corpo desalinhando os meus longos cabelos, sorri ao senti-lo, olhei para céu, os pequenos raios de sol insistindo entre as nuvens alterando suas cores naturais e transformando-as numa  pintura multicolorida, juntei um maço de cabelo e o ajeitei atrás da orelha retomando a caminhada. Ao observar a natureza em seu estado mais puro, comecei a sentir gratidão por estar ali, me senti tocada por sua sensibilidade, por sua magia e pela paz que transmite. Então, involuntariamente e perdida em meus devaneios enquanto caminhava, acabei chegando ao local onde outrora Michael havia me apresentado o seu lugar favorito em todo o mundo para observar o pôr do sol. 
Aquilo era tão especial.

Embaixo do enorme carvalho, sentei sobre o pequeno banco de madeira e parei mirando o horizonte. Naquele clima de fim de tarde, o sol lentamente ia se pondo atrás das colinas, enquanto as nuvens espalhadas pelo céu tinham suas cores brancas acinzentadas transformadas em algo parecido com ouro derretido. Por todo o chão havia uma grama fresca e o seu cheiro exalava no ar. A cada segundo que o sol se ia, as sombras das árvores tornavam-se maiores no arado, o farfalhar de suas folhas misturavam-se ao canto dos pássaros que sobrevoavam livres o céu colorido. Todas aquelas coisas transbordavam serenidade, e eu... Simplesmente não pude fugir de toda aquela magia que emanava o lugar. Na verdade, ninguém quer fugir de sentir algo assim. 

A noite tornava-se mais fria pois os raios de sol já não alvejavam aquele pedaço de chão, porém, era um frio absurdamente gostoso, e não havia mais nada ali, apenas eu e o som da noite. Me encolhi sobre o banquinho abraçando o meu próprio corpo para aquecer, olhar perdido, mente dispersa, ouvi... Um ruído vindo pelas minhas costas, eram passos lentos e o barulho eram dos pequenos galhos secos no chão que se quebravam em minha direção. 
O meu corpo esquentou e o meu coração disparou. Eu sabia que era ele, mas eu não tinha coragem de olhá-lo, firmei o olhar no horizonte.
Pacientemente Michael fez a volta no banco e se sentou ao meu lado, calado, não disse nenhuma palavra, apenas se sentou firmando os olhos na mesma direção que eu.
O silencio absoluto pairou sobre nós, e perdurou até o momento em que mansamente e quase falhando, ele exclamou o meu nome.

- Hellem...
Eu fechei os meus olhos espremendo-os com força temendo o que ele viria a dizer. Então ouvi quando ele suspirou fundo, buscando forças para prosseguir.

- Eu sinto muito. - Ele disse. E mais uma vez eu me calava. E o silêncio era outra vez supremo. Era eu a única culpada por toda aquela situação, então seria eu a consertá-la, mas me tornei covarde naquele momento.
Ele suspirou outra vez, tão quieto, estava imóvel sobre o banco. Baixou a cabeça manipulando lentamente as mãos, e outra vez, pacientemente, ergueu os olhos em minha direção.

- Você não vai falar comigo? - Ele insistiu brandamente.
E eu me senti ainda mais culpada. Lentamente movi minha cabeça em sua direção, e ao olhá-lo fiquei surpresa poid percebi que sua face parecia tão abatida quanto a minha. 
Céus, o que eu tinha feito àquele homem? 

- Michael, me desculpe. Eu sinto muito. 

- Pelo beijo? - Ele disse. E eu quis morrer ao ouvi-lo falar.

- Sim... - Minha voz quase não saiu.

- Hellem... 

- Michael eu...

- Ouça.  -  Ele disse me fazendo parar. E eu parei ouvido-o.  - Não é por isso que estou aqui.

- Eu não compreendo.

- Eu não tive uma postura correta. Não agi como um cavalheiro.  - Ele fez uma pausa, suas ideias pareciam confusas. Tomou um tempo e respirou profundamente. - Me desculpe. Eu realmente sinto muito por não saber como reagir, por ter sumido como fiz e... - Ele pausou outra vez. - Eu não queria deixar os seus olhos assim, vermelhos como estão.

Eu corei no mesmo instante desviando os meus olhos para o pés, eu estava sem reação, não sabia o que dizer pois até então, imaginava que ele pudesse estar chateado ou até mesmo zangado comigo, mas foi ele quem chegou pedindo desculpas. Michael era realmente um ser humano imprevisível e nobre.

Eu ergui os olhos para as colinas a minha frente, ele ainda estava parado ao meu lado, atento à mim. Por fora, eu estava tão quieta, mas por dentro, céus, por dentro eu era tempestade, um misto de sentimentos sem definição, porém puro, verdadeiro, inocente. Eu o amava... 

- Michael... - Sussurrei buscando força para prosseguir, mas havia preso em minha garganta, algo que me impedia de falar sem tremer a voz, eram palavras não ditas, beijos não dados, sentimentos interrompidos, todas essas coisas eu tinha que reprimir, guardar para mim, mas quando muito se guarda, transforma-se numa vontade imensa de chorar, e eu não consegui conter a lágrima que brotou no canto dos meus olhos e escorreu sobre minha face, envergonhada virei o rosto baixando a cabeça.

- Está tudo bem. - Ele disse tocando o meu queixo, me fazendo erguer a cabeça e olhá-lo nos olhos. - Está tudo bem, certo? - Insistiu abrindo sua mão sobre a maçã do meu rosto limpando a lágrima que escorria. Aquela lágrima não foi por tristeza, nem por vergonha, foi por admiração.

- Sim... Está tudo bem. - Não foi mais preciso qualquer palavra para compreendermos que aquele momento tinha selado. Ele sorriu para mim, gentilmente, e eu sorri de volta, mas tão mexida, Deus, eu poderia jurar que o sol nascia em sua face toda vez que ele sorria. E vê-lo sorrir era contagiante. 
Ao meu lado, ele ainda sorria quando virou o rosto observando as primeiras estrelas despontando no céu , mirou uma em especial e a apontou.
 

- Hellem, veja. Aquela estrela. A sua estrela.

- Sim, é ela. - Falei com meio sorriso nos lábios.

- É você. - Ele disse voltando seu olhar para mim.

- O quê? - Olhei-o de lado, encabulada.

- É você, a pequena estrela.

- Oh, isso é... 

- ... Especial. Pequena estrela. - Ele repetiu.

- Sim, é... - Respondi voltando a mirá-la no céu. Mas o que ele queria dizer?

Michael me confundia. Ele não tinha por mim os mesmos sentimentos que eu nutria por ele, mas seu olhar, suas palavras e suas ações eram tão amáveis e gentis que me causavam confusão. Eu o amava tanto. E o desejava. Como eu queria pegá-lo e deitá-lo em meu colo, afagar seus cabelos e beijar-lhe sobre os olhos... Oh, menino, meu menino.

Michael se aquietou em silêncio observando as estrelas, parecia conectado a elas, e era tao lindo de ver. Ele olhou para mim, para as árvores à nossa volta, depois para os próprios pés, e por fim, à mim novamente. Eu percebi de soslaio quando os seus olhos pararam em mim, então olhei-o também e ele sorriu com um pedido.

- Eu posso abraçá-la?

Meu Deus... Lá ia eu de novo perder o meu fio de razão. Mas eu queria tanto, sorri consentindo, ele se aproximou de mim sobre o pequeno banco e calorosamente me abraçou. Naquele instante todos os meus temores desapareceram e outra vez me vi perdida na sensação gostosa de estar entre os seus braços, era como ter um cobertor quente a me cobrir naquela tarde fria.

- Nunca mais quero ser o motivo de uma lágrima sua. Nenhuma que traga tristeza. - Ele disse enquanto me abraçava espalhando os meus cabelos com as mãos. Eu fechei os meus olhos e sorri de felicidade.

- Obrigada, Michael. Obrigada por ser tão especial.

- Hellem... - Ele sussurrou olhando-me nos olhos. Seu olhar me fascinava, era como ter um lugar distante para onde ir e não ser encontrada por mais ninguém que não fosse ele próprio, uma viagem só minha.
Antes que eu pudesse me perder sem volta no profundo daqueles olhos, desviei os meus para um canto qualquer, e o ouvi sorrir ao meu lado. Ele dizia que mulheres ficam fofas envergonhadas. E eu estava, por isso ele sorriu.

- Você está com frio? - Perguntou gentil. - Tome o meu casaco. - Disse retirando-o e me cobrindo com ele. O mesmo tinha o cheiro do seu corpo impregnado em sua fibras de algodão macio. Michael era uma incógnita e minha maior confusão sentimental. Sua maneira de olhar para mim era tão doce e profunda que me fazia tremer e suar frio. E eu apaixonada me pegava por muitas vezes pensando se ele não sentia por mim, o mesmo que eu sentia por ele, mas logo tudo se desfazia quando eu me lembrava e via ele agindo daquela maneira com outras pessoas a sua volta. 

Depois de me ceder seu casaco, nos concentramos silenciosos na chegada da noite, ao longe podíamos ver as primeiras estrelas destacarem-se no céu. Tudo estava tao silencioso que era quase possível ouvirmos nossas respirações. Algum tempo passado, ouvi-o suspirar profundamente, enchendo os seus pulmões com ar fresco das montanha, ao terminar, senti que ele se preparava para dizer algo, mas foi quando o seu telefone tocou. Ele baixou a cabeça soltando o ar que tinha aspirado, enfiou a mão no bolso da calça e me pediu licença. Durante uns dois minutos ele falou ao telefone. Depois voltou a se sentar ao meu lado, não muito animado.

- Problemas? - Perguntei.

- Alguns. - Ele exclamou me olhando de lado, sorrindo.

- Então vamos entrar.

- Podemos?

- Claro que sim.

Partimos. E agora, mais  que nunca, eu me encontrava perdidamente apaixonada. Tanto que só de pensar nele o meu corpo inteiro se aquecia e suava frio.

(...)

Ao chegarmos a mansão, Michael se despediu de mim e entrou em seu carro com o motorista. Nem chegou a entrar.
Enquanto eu subia as escadas que davam acesso aos quartos, Rose me chamou.

- Hellem!

- Sim.

- Parece mais animada.

- O que um ar fresco não faz, não é mesmo?

- Um ar fresco. - Ela repetiu sorrindo. - Michael conseguiu te encontrar?

- O quê?

- Ele chegou te procurando por toda parte. 

- Verdade?

- Sim. E falei que você tinha saído para caminhar pelo Rancho.

- É, ele me encontrou sim. - Respondi não conseguindo esconder o rubor. E ela sorriu achando graça. 

- Isso é ótimo - Disse brevemente. Rose era uma mulher muito discreta. - Bem, agora vou preparar o jantar, até logo, meu bem.

- Até logo, Rose.

Ela saiu cantarolando e eu meio anestesiada de felicidade, subi as escadas sem nem perceber. Ao entrar no quarto percebi que sobre a cama o meu telefone tocava insistentemente. Era Danny, meu namorado.

- Danny.

- Finalmente atendeu! Tô tentando falar com você a horas.

- Me desculpe. Eu esqueci o telefone no quarto.

- Eu to ligando pra avisar que estou chegando.

- O que? Chegando onde?

- Em neverland. Eu tive alguns negócios por perto e pensei em acabar de chegar e te fazer uma surpresa. 

- E que surpresa!

- Não gostou?

- Não, não é isso. É que estou aqui trabalhando. Não sei se agradaria Mich...Sr. Jackson receber uma visita sem aviso.

- Eu não vou demorar. 

- Tudo bem. Mas tem que ser breve.

- Prometo que serei.

- Avisarei lá na portaria que estarei te esperando.

- Certo. Até mais tarde. Beijos.

- Até mais... Beijo.

Desliguei o celular e me sentei sobre a cama um pouco preocupada, mas de certa forma aliviada por Michael não estar em casa naquele momento. Eu tinha acabado de acertar as coisa com ele, nao queria estragar tudo. 

Será que aquilo o chatearia? Eu não queria correr o risco, mas o faria.
Saí do quarto e fui para a porta da casa esperar pelo Danny. E não demorou muito até que seu carro apontasse na estrada, senti um leve nervosismo pois temia que o Michael pudesse chegar e vê-lo em sua casa. Afinal, eu estava ali para tabalhar.

- Danny, você não presta. - Exclamei sorrindo enquanto o abraçava.

- Eu estava com saudades.

- É... - Sorri sem conseguir responder o mesmo.

- Você está linda.

- Obrigada. Você também está ótimo. Mas vem, vamos entrar.

- Espera, não vai me dar um beijo?

- Me desculpe. - Sorri. Eu estava tão avoada. O abracei novamente e o beijei carinhosamente.

- Agora melhorou. - Exclamou ele sorrindo.

Ao entrarmos, logo na porta nos deparamos com a Rose na sala, e seus olhos não esconderam a surpresa em nos ver de mãos dadas.

- Rose.

- Hellem... 

- Esté é o Danny. Meu namorado.

- Namorado? - Ela repetiu surpresa.

- Sim. - Sorri extremamente desajustada. - Danny essa é a Rose, governanta do Sr. Jackson.

- É um prazer, Sra. - Danny disse estendo a mão para cumprimentá-la.

- O prazer é meu, Danny. Bebe alguma coisa? 

- Obrigado. Um café seria ótimo.

- Vou providenciar. Hellem, você aceita?

- Obrigada, Rose. Eu estou bem.

- Fiquem a vontade. Com licença.

Ela saiu e eu o convidei a se sentar.

- Pela surpresa dela imagino que você não tenha falado sobre mim. - Ele disse.

- Estou aqui a trabalho. 

- Entendo... E onde está Michael Jackson? Auu!

Eu sorri, empurrando-o com o braço. - Danny, por favor. Não seja ridículo.

- O que? Não é assim o gritinho dele?

- Danny, pára...

- Mas onde ele está?

- Ele é um homem ocupado, trabalha bastante.

- Que pena. Pensei que iria conhecê-lo.

- É, parece que não vai.

- Aqui é muito bonito.

- Aqui é um ótimo lugar para quem deseja tranqüilidade.

Rose chegou com o café. - Aqui está o café.

- Obrigado. - Ele agradeceu.

- Ficará para o jantar?

- Não, ele tem que ir, não é Danny? - Respondi logo.

- Eu adoraria, sra. Mas sim, eu tenho que ir. - Ele afirmou me fitando.

- Se precisarem de qualquer  coisa, é só me chamar.

- Obrigada, Rose. - Agradeci. E ela se retirou.

Rose mal deu as costas...

- Está mesmo com pressa que eu vá embora, né?

- Danny, é o meu trabalho. Em outras circunstâncias adoraria que ficasse. 

- Eu entendo. Mas quando vai terminar tudo e voltar?

- Falta bem pouco.

- Ótimo. - Ele disse se levantando. - Antes de ir embora eu gostaria de conhecer melhor o lugar. Posso?

- Parece que veio mais por curiosidade do que por saudade.

- Pelos dois, admito.

- Como eu o conheço, hum? Vem, eu te mostro.

Após terminar o café Danny e eu saímos caminhando pelo Rancho. 

- Então, como ele é? Ele é mesmo estranho como dizem?

Por alguma razão, aquela pergunta me ofendeu. Foi tão estranho ouvir aquilo. - Você nem imagina... Ele é muito estranho! Outro dia o vi trocando de pele. Na verdade ele é verde, sabia?

- Ei, calma! 

- Sua pergunta foi infeliz, Danny.

- Foi sóuma pergunta. Estava curioso.

- Ele não é estranho, é um homem normal como você, seu pai, Harry e todos os homens que conhecemos.

- Hellem, ele tem um parque de diversões no quintal dele. Ele vive rodeado por crianças e tem um quadro dele pintado de Peter Pan na parede. - Falou com espanto e um pouco de desdenho.

- E qual é o problema em tudo isso?

- Eu, meu pai e o Harry não somos assim.

- O fato de serem homens não significa que tem que ser parecido em tudo. Mich... O Sr. Jackson gosta de se divertir, é uma pessoa extraordinária. Ele vive rodeado por crianças porque elas o amam. E ele as ama. E ama ajudá-las.

- Entendo.

- O que ele faz com as crianças é... É lindo! Você nem imagina o estado em que as crianças doentes entram aqui e o estado em que saem, parecem renovadas.

- Ele traz crianças doentes?

- Sim, muitas delas, e ele faz isso com tanto amor que você acaba se contagiando. Aqui em Neverland ele tem uma sala de cinema com camas para algumas das crianças que não tem as mesmas condiçes que as outras. Todas se divertem. Sem exceções. 

- Isso é realmente admirável.

- É incrível. As pessoas não o conhecem.

- É você conhece?

- Um pouco mais que a maioria, acredito. É maravilhoso poder participar disso tudo aqui.

- Você também?

Sorri. - Sim, algumas vezes.

- Pensei que fosse só trabalho.

- Danny... 

- Tô brincando. - Exclamou sorrindo. - Não se chateie.  Agora vamos mudar de assunto, eu vim até aqui por você.  Então vem aqui porque eu ainda não matei minha saudade. - Disse me envolvendo pela cintura. Olhei-o nos olhos e me senti mal por estar apaixonada por outra pessoa. Danny era um bom homem, não merecia aquilo, mas aquela não era uma situação que eu tinha escolhido, apenas aconteceu. 
Enquanto ainda estávamos no jardim, Michael chegou.

 

Michael e Rose.

- Rose, você viu a Hellem? Procurei por ela no quarto e na biblioteca, mas não a encontro.

- Ela está no jardim.

- Obrigado. - Ele disse saindo.

- Michael espere.

- Sim?

- Ela não está só.

- Quem está? O Harry chegou?

- Não, ela está com o namorado dela.

- Namorado? - Michael não escondeu sua surpresa ao perguntar.

- Sim, ele chegou faz pouco tempo.
Ele baixou a cabeça pensativo, depois a ergueu dando as costas para Rose. - Obrigado, Rose.

- Michael, quer que eu coloque essas flores em um vaso? - Perguntou se referindo ao masso de rosas vermelas que ele tinha em mãos.

- Não, não precisa.

- Tudo bem.

- Com licença.
Era evidente, a decepção de Michael tinha ficado   visível em seus olhos. Ele deixou Rose na cozinha e caminhou até o jardim. Um pouco distante, me viu abraçada com Danny e voltou para a mansão. Subiu as escadas e no corredor ao lado da porta de seu quarto, jogou o buquê de rosas numa lata de lixo.
Sem saber que Michael havia chegado, eu continuei caminhando pelo rancho com Danny, mostrando à ele a propriedade que causava tanto orgulho e felicidade em Michael. Depois de uns 30 minutos, encerramos nossa caminhada e voltamos para a mansão onde nos despedimos  e ele partiu.

- Rose?

- Oi, minha querida, não a vi chegar.

- Desculpe. Não queria assustá-la.

- Não assustou. Onde está seu namorado?

- Ele já foi. Disse que amou o seu café. 

Ela sorriu. - Que gentil. Eu agradeço.

- Rose, eu notei como ficou surpresa com a visita do Danny, me desculpe por tê-lo recebido sem o seu consentimento ou do Michael.

- Tudo bem, Hellem. Não se preocupe.

- E me desculpe por não ter falado sobre ele.

- Hellem, não precisa mesmo se desculpar por isso.

- Eu insisto. Me sinto melhor assim.

- Tudo bem. Eu entendo.

- Obrigada.

- Você quer jantar agora?

- Gostaria de esperar pelo Michael, mas ele está demorando dessa vez. Vou aceitar sim. - Exclamei sorrindo.

Rose sorriu mas não disse que o Michael já havia chegado. Ela me serviu e ali mesmo na cozinha fiz minha a refeição enquanto conversávamos. 

- Rose, agradeço. O jantar estava maravilhoso.

- Obrigada, querida.

- Vou subir.

- Já vai se recolher?

- Sim.

- Então boa noite.

- Boa noite. - Falei depositando um beijo em seu rosto.

Subi as escadas e ao chegar no corredor ao lado da porta do quarto, notei o lindo ramalhete de rosas no lixo.

- Mas o que isso está fazendo aqui? Coitadinhas, ainda estão tão lindas para estarem no lixo. - Falei pensando alto.

As recolhi e levei para o meu quarto onde desocupei um vaso que tinha sobre uma mesinha de canto, acomodei-as no mesmo com um pouco de água e coloquei ao lado da minha cama, sobre o criado mudo.

Tomei um banho demorado e coloquei uma roupa confortável para dormir. Peguei um livro para ler e me sentei perto da janela na esperança de ver quando Michael chegasse. Permaneci ali por um bom tempo, mas já era tarde e o sono estava vencendo a minha insistência, então me levantei e puxei a cortina para conter um pouco a claridade da lua, porém a deixei aberta para que o vento suave que soprava pudesse entrar e circular livre no quarto. Repousei o meu corpo sobre o colchão macio e me envolvi nos grandes lençóis brancos sobre a cama, apaguei as luzes do abajur, mas o quarto não ficou totalmente escuro pois a luz da lua ainda que pouco, atravessava a fina cortina que cobria a janela, relaxei o meu corpo, minha mente, e mais uma noite adormeci da melhor forma possível, pensando no Michael. 
 


Notas Finais


E então, o que acham que pode vir a partir de agora? Michael demonstrou desapontamento, quais as razões? Comentem. Beijoooooos.


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