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História My only one - Capítulo 1


Escrita por: wumeirong

Notas do Autor


Outra história com o homem da minha vida... NADA NOVO SOB O SOL DE MARIA CLARALAND
Eis aqui finalmente o scenario de intercambistas que eu vivo falando. Minha Madrid (saudade demais), mi sol (meu Hyuck), e o clichezão que eu amo.
Vou dedicar ela especialmente à Jessi, minha coreaninha que agora habita o céu. Madrid jamais será a mesma coisa sin vos, tía :(

Enfim, tem só duas partes e a próxima postarei ainda essa semana (ou sexta ou sábado)!
PS: a camisa amarela que cito é daquele vídeo do recording diary que ele canta No Longer. #sofro

Capítulo 1 - Parte I


☼☼☼☼☼☼

Naquela manhã, Madrid estava chuvosa e mais fria do que antes. Quando Marie deixou o prédio, ela se abraçou para tentar bloquear o vento. Enquanto esperava seus amigos no café perto da escola de espanhol, observou o céu se transformar duma mistura de azul escuro e vermelho para cinza. Ah, a chuva apenas destruíra seus planos de fazer compras na Gran Vía e Fuencharral com Lale, sua melhor amiga turca.

Viver em Madrid desde agosto era um sonho que Marie esperava jamais acordar.

-Salem, kız*. – Lale colocou sua mochila na cadeira vazia. – chegamos um pouco tarde, porque Taner estava fazendo drama e não queria acordar.

-Relaxa. – abanou uma mão, sorrindo. – estive pensando sobre esta chuva e Gran Vía... Não quero sair com o tempo assim, provavelmente vou pegar um resfriado ou pior.

-Que tal irmos ao Prado? Você é rata de museu mesmo, e há lojas de café bonitos em Atocha... Além daquele restaurante indiano que amamos. – Lale sugeriu.

-Não contem comigo! – Taner se pronunciou. – fiz planos com os caras, vamos ao Matadero.

-Você já estava fora do programa, Taner. – Lale revirou os olhos. – mas por que está indo ao Matadero de novo? Não esteve lá ontem?!

-Matadero é super legal e adoro caminhar por Legazpi.

-E se fossemos ao Rio 2 fazer compras, Lale? É perto do Matadero, daí podemos comer naquele restaurante legal dentro do cinema depois. – Marie uma vez havia ido ao cinema do Matadero para assistir Grease, e ele tinha um barzinho bonito com pizzas incríveis.

-Hm... Parece uma boa. – a turca assentiu. – então vamos de Rio!

-Já pediram o café? Meu chai está chegando.

-Sim, pedimos. Eu realmente não quero ir para a aula do Kepa hoje. – Taner suspirou.

-Se você fosse mais inteligente, poderia se juntar a nós na sala da Marta. – Lale apontou para ela e Marie. Enquanto Taner ainda estava no B2, as meninas já eram C1. A menção da classe do irmão a lembrou de algo. – oh, talvez Lia e Jessi queiram ir com a gente para o Rio!

-Elas podem estar ocupadas com as aulas extras, mas seria divertido se fossem. – Marie sorriu. Com o Natal próximo, os estudantes da Don Quijote estavam se preparando para os exames de proficiência, porém Lale e Marie haviam acabado de subir de nível, então não precisavam se preocupar com aquilo por pelo menos dois meses.

 

Eram três da tarde quando o trio deixou a escola e decidiram comer no Café Federal, como de costume. Jessi e Lia combinaram de os encontrarem lá, juntamente com o seu novo amigo: Donghyuck. Ele não tinha um nome “ocidental” como normalmente os asiáticos faziam, mas ninguém se importou com isso, o apelidaram apenas de “Hyuck”.

Poucos minutos após terem conseguido uma mesa, Lale acenou freneticamente para a porta. As meninas haviam chegado!

Foi um choque para Marie constatar que o amigo era... Bonito. Quer dizer, deveria ser a única resposta para seus olhos se fixarem nele sem vergonha alguma, e sua voz quase sair esganiçada quando se apresentou. Para piorar o suave vexame, ele se sentou de frente para ela, tornando ainda mais difícil fingir que não o encarava de forma desconcertante.

-Então você está desfrutando de Madrid até agora? – Taner perguntou curioso, após trocarem as amenidades dos cumprimentos.

-Sim! Estou aqui há dois dias e foram ótimos. Eu só sinto falta de comida coreana, mas posso me acostumar com isso. – Donghyuck sorriu, fazendo Marie engolir em seco.

Ele era realmente bonito.

-E por que Madrid? Você poderia ter escolhido outro lugar. A Espanha é um destino famoso na Coreia? – Lale também parecia interessado nele.

- Não é tão famosa quanto Estados Unidos, mas o pessoal começou a se interessar muito pelo país. E eu queria tirar um ano sabático antes da faculdade... Todos com quem conversei sobre Espanha me recomendaram Madrid antes de qualquer outra cidade. – ele se explicou. – e quando eu pesquisei um pouco mais sobre, me apaixonei .

-Que coisa boa você ter encontrado amigos coreanos já. É importante ter alguém do seu país por perto se é sua primeira vez no exterior. – Marie palpitou. – digo isto porque quando cheguei, chorei por uma semana seguida e queria entrar no próximo vôo de volta para o Brasil.

-Eu pensava que brasileiros vinham muito... Por que está sozinha, então? – Donghyuck a olhou.

-Achava o mesmo, mas os únicos brasileiros que conheço até agora são os do salão de beleza que costumo ir, e um outro estudante que já foi embora. – ela riu. – acho que nós não temos dinheiro para viajar nesse momento.

-Vale para nós, turcos. Crise e tudo mais. – Lale concordou.

-Somos tão parecidas. – as duas fizeram um toquinho comemorativo.

-Você falou que quer fazer um ano sabático, não é? Quantos anos tem?

-Vinte.

Marie não conseguiu nem fingir o susto.

Donghyuck era um menino charmoso. Tinha aquela beleza que poderia hipnotizar alguém. Seu rosto era pura escultura: nariz bonito, mandíbula desenhada, olhos rasgados, a boca em forma de coração, pele bronzeada, as pintinhas na bochecha e pescoço, além de uma mistura estranha – porém linda – de cabelos caramelo escuro.

Como nada podia ser perfeito, ele só tinha um problema: era 4 anos mais novo que ela.

Não dois ou três, mas quatro.

Ela, de 1996. Ele, de 2000.

A vida era uma piada. Daquelas extremamente de mau gosto.

Marie não mexia com garotos acima de dois anos mais novos do que ela. Não tinha tempo nem paciência para quem estava começando.

Então por que Deus colocava uma obra-de-arte daquela em seu caminho?

-Ai, ufa! – Taner soltou o ar. – estava preocupado que não poderia sair com a gente.

-É o que te falei, a gente costuma sair bastante. – Lia o olhou.

-E se quer um guia agradável pela cidade, Marie é sua garota! Ela está vagando sem destino por estas ruas desde agosto. – Jessi apontou para a amiga. – sabe de Argüelles melhor do que todos nós, porque vive aqui também.

-Ah, em Argüelles?! – Donghyuck sorriu, voltando a atenção para Marie.

-Sim, perto da estação e do Carrefour Express, na Calle de Alberto Aguilera.

-No me jodas! – Donghyuck estava espantado. – eu moro na Calle Princesa, perto do Starbucks!

-Uau, somos vizinhos de rua!

-Viu? – Jessi sorriu. – então estão todos indo para Rio 2 e Matadero, certo? Acho que Lia e eu podemos ir em torno das seis, temos uma aula de conversação às cinco.

-Vale, nos encontramos no Rio. – antes Lale pudesse dizer algo mais, Pep e Umberto entraram no restaurante. Eles eram, respectivamente, holandeses e italianos, e moravam no mesmo prédio que os irmãos turcos. – ugh, Umbi veio. – Lale revirou os olhos. – ele está me irritando desde a semana passada.

-Ele irrita todo mundo, você não é tão especial, abla. – Taner sorriu.

-Qual é o ponto de ser sete minutos mais velha se ele não me respeita?! – Lale olhou para a mesa, suspirando dramaticamente. – enfim, você vem com a gente, Hyuck?

-Você devia vir comigo e com os meninos, porque elas estão indo para o shopping. – Taner indicou os dois garotos que se aproximavam. – tíos!

-Hola. – Pep acenou. – ora, ora, temos uma carinha desconhecida aqui, hm?

-Acabamos de adotá-lo na gangue. – Lale sorriu. – ele é fofo, né?

 

☼☼☼☼☼☼

Cinco meses depois de se encontrar com “A Gangue”, que era maneira como Lale os chamava, Donghyuck já se sentia realmente em casa em Madrid. Ele passou o Natal e Ano Novo com o pessoal, e se ajustou à rotina deles. Todo mundo era super agradável e engraçado, mas havia alguém com quem se aproximou de verdade: Marie. Poderia ser porque morava perto dela, ou porque tinham gostos parecidos... Ou porque tinha uma pequena queda por ela.

Era normal que jantassem juntos ou que dormissem um na casa do outro – chocante, sabia. Acontece que estar com Marie era fácil e confortável, mais do que experimentara com qualquer outra garota; e ela o ajudava muito com o espanhol, principalmente indicando séries e músicas.

É por isso que tinha um grande problema em deixá-la sozinha. Onde quer que a brasileira estivesse, Donghyuck estava ao seu lado. Se estivessem na Coreia, as pessoas já teriam percebido alguma coisa, mas na Espanha aquilo não significava nada.

Isso ficou óbvio quando, em uma noite de quinta-feira, eles foram à uma nova hamburgueria que Marie queria experimentar. Enquanto fazia o pedido, o garçom não conseguia tirar os olhos dela. E quando pegaram a comida, Hyuck notou algo escrito no cupom que o garçom entregou.

Ao chegarem em casa, Marie arrumou a sala para que pudessem comer assistindo “A Usurpadora” (a novela mexicana que Hyuck estava viciada no momento, e a usava como desculpa para ficar ainda mais tempo com a amiga). Ao tirar os hambúrgueres da embalagem, sua risada preencheu o espaço e a atenção do coreano se fixou nela.

-O que é isso? – questionou como se já não soubesse.

-Algum Fernando deixou o número dele. Foi para você?

-Quê? – olhou para ela. – tá me zoando, né? Claro que foi para você!

-Para mim? – Marie pareceu surpresa.

-Sim. Como diabos não percebeu que ele estava te olhando sem parar?! Quase fiquei com me sentindo uma vela lá. – murmurou, um pouco zangado.

Donghyuck não queria ficar com ciúmes, mas simplesmente não conseguia se conter.

-Puta merda. – Marie riu. – coitadinho, não estou nem um pouco interessada. – balançou a cabeça. – bem, suponho que teremos que evitar esse lugar por um tempo.

Mesmo que se sentisse lisonjeada com a atenção do tal Fernando, simplesmente não tinha o menor interesse em qualquer outro cara exceto aquele à sua frente. Era arriscado, estúpido e exatamente como uma de suas favoritas do Arctic Monkeys: Do I Wanna Know.

Maybe I’m too busy being yours to fall for somebody new
(Talvez eu esteja muito ocupado sendo seu para me apaixonar por alguém novo)

Isso resumia lindamente como Marie se sentia.

Pena que não tinha coragem alguma de vocalizar a realidade.

-É o melhor a se fazer. – Donghyuck concordou, pegando uma batata frita.

Ao menos estava seguro... Por enquanto.

 

☼☼☼☼☼☼

Dois meses depois

A primavera foi decididamente a estação favorita de Marie enquanto vivia no Brasil. Tendo nascido no hemisfério sul, significava que outubro (seu mês) estava cheio de dias ensolarados, flores desabrochando e o espectro do verão. No entanto, seu aniversário deu as boas-vindas ao outono na Espanha, então a primavera lá não tinha seu significado mais especial... Assim, Marie se esforçou para encontrar um.

E o fez.

Ganhar um dinheirinho extra dando aulas particulares à novos alunos na escola de espanhol deveria ser um bom motivo, certo?

-Mi sol, saímos em vinte minutos. – Marie tocou seu cabelo, balançando a cabeça no colo.

-Estou acordado. – respondeu, tremendo por causa do apelido. – só um pouco cansado...

Um dia alguém apontou que ele brilhava como o sol e, desde então, Marie passou a se referir a ele como “seu sol”. Não que ele fosse admitir, mas ficava encantado com a possessividade de “Meu sol”, principalmente quando ela dizia isso em público.

-Eu sei. – os olhos de Donghyuck se fecharam outra vez assim que as mãos dela tocaram seu rosto. – você não deveria ter passado a noite inteira assistindo La Usurpadora, mi sol. – Marie desenhou seu nariz e sobrancelhas com a ponta dos dedos, fazendo o coração dele estremecer... Fosse porque ela era extremamente boa com carícias, ou por causa do apelido (que já se acostumara, mas ficava mexido sempre que escutava).

-Mas eu amo todo aquele drama e imitar a Paola.

-Aposto que seu novo sonho é ser tão louco quanto ela.

-Jamais poderia. – ele sorriu. – mas sou igualmente perverso, não sou?

-Sim, você insulta as pessoas com frequência. – brincou.

-Não fala isso, eu não insulto ninguém! Eu só irrito muito deles. – Hyuck se virou, encarando sua barriga – não podemos ficar em casa hoje? Não tô afim de ir ao Kapital...

-Você pode ficar, se quiser. Eu realmente quero ir.

-Por quê? Tem algum carinha lá ou...?

-Não, Donghyuck. Só estou radiante pelo dinheiro extra que ganhei com a tutoria, e com primavera chegando. Quero comemorar estes bons tempos.

-Podemos comemorar com você me mimando, comendo alguma comida gordurosa e assistindo La Usurpadora ou Operación Triunfo. – ele a cutucou perto do umbigo. – vamos, desmarque.

-Parece incrível, mas prefiro a festa. Vamos fazer isso amanhã, ok? – Marie começou a se levantar, porém Donghyuck foi mais rápido e passou os braços em volta de sua cintura, segurando-a no lugar e forçando o peso sobre ela. – o que foi agora?!

-Estou falando sério, cariño. Vamos ficar em casa, vai.

-Uau, Hyuck, por incrível que pareça também estou falando sério! – ela retrucou. – vou sair.

Ele a escalou como se fosse um coala, derrubando-a no sofá de costas e ficando frente a frente. Donghyuck aproximou seus rostos, fazendo um biquinho lindo e choramingando um “Fica”. Marie se viu em três cenários diferentes: 1. beijando o bico dele, 2. vendendo sua alma se ele quisesse, desde que mantivesse o bico e a fofura, 3. sucumbindo aos seus desejos e ficando em casa, mesmo que não fosse sua vontade. No entanto, optou por fechar os olhos e não o encarar. Droga, era quatro anos mais velha; não devia sentir essas coisas por ele!

Todos os meses de amizade foram incríveis porque Hyuck era extremamente agradável, porém ela ainda tinha que tomar cuidado para não se apaixonar. Estar afim dele era fácil. Ele tinha essa personalidade despachada e extrovertida, ​​era lindo e a deixava confortável em sua própria pele.

-Então ficaremos, hm? – a voz de Donghyuck a trouxe de volta à realidade.

-Não, mi sol, eu realmente quero ir. Você pode ficar, não vou guardar rancor.

-Mas eu vou! Não acredito que prefira sair com eles ao invés de ficar agarradinha comigo! – ele revirou os olhos, fazendo manha e ficando duplamente apertável. – sou mais bonito, quentinho e engraçado que todos lá juntos.

-E extremamente humilde, né? – Marie sorriu, bagunçando sua franjinha. – deixe-me ir, Hyuck, prometo que amanhã ficaremos trancados aqui.

-Você é muito cruel, sabia?

Para sua imensa tristeza, ele a soltou.

 

Ela chegou quatro minutos atrasada na estação San Bernardo, porque Donghyuck tentou convencê-la a abandonar a Gangue outra vez. Lale e Taner já estavam na plataforma, irritados.

-Por que demorou tanto? Perdemos o metrô. – Taner resmungou ao vê-la.

-Donghyuck. – deu de ombros. – ele não vem e queria que eu ficasse também.

-Por quê?

-Está cansado e prefere o sofá, não a balada. – Marie olhou para o telefone. – nós ainda podemos entrar com o desconto e bebidas gratuitas, certo? A Lista VIP funciona até à uma?

-Podemos, não se preocupe. – Lale a abraçou de lado. – juro por Deus, um dia vocês vão se beijar do nada só porque já agem como um casal.

-Meninos e meninas podem ser amigos sem terem sentimentos românticos um pelo outro, Susan. – Marie pontuou, irônica.

-Sim, mas não vocês. A amizade nasceu porque são afim um do outro, tolinha.

-Sua irmã é realmente incrível, Taner, ela lê a mente das pessoas.

Taner apenas sorriu, porque concordava com Lale neste tópico. Marie e Donghyuck sempre agiram como se estivessem namorando: constantemente saindo só os dois, comendo na casa um do outro, dormindo juntos, sempre abraçados ou se encostando... E esse comportamento em alguns países podia indicar um casal. Na Turquia, por exemplo, era assim.

 

No momento em que saíram da estação de Atocha, a Gangue já estava na fila de entrada do Kapital. A boate tinha sete andares – cada um deles jogando um gênero musical diferente, mas Marie gostava do terceiro (Hip-Hop/R&B) e do quinto (Reggaeton e Pop) melhor. Pep e Taner foram para a cobertura tomar algo e fumar um pouco, enquanto as meninas foram para o terceiro piso, animadas e ansiosas para dançarem muito.

-Cada um de nós vai comprar o combo de shots, certo? – Lia sorriu. – eu quero surtar!

-Estou dentro! – Marie bateu palmas. – mas precisamos cuidar uma das outras, hein? Nada de ir ao banheiro ou aos outros andares desacompanhadas. Combinado?

-Certo. – elas responderam juntas.

-Então... Que comecem os trabalhos!

 

O ar estava frio quando Donghyuck saiu de Atocha e foi direto para a balada. Havia uma pequena fila, que o chocou um pouco, uma vez que eram duas da manhã. Depois de pagar a entrada, começou a procurar Marie nos andares que ela geralmente ficava. Ao chegar no do Reggaeton, rapidamente avistou um grupo de três meninas no canto da pista de dança. Hyuck riu baixinho, tentando manter o coração controlado enquanto absorvia os quadris de Marie se mexendo. Ficou claro que não estava bêbada – bem, não tanto quanto Lia ou Lale – e, apesar de gostar de vê-la relaxada, também ficou um pouco preocupado. Onde seus amigos tinham se metido? Eles deveriam estar perto das meninas, porque se algo ruim acontecesse, haveria como ajudar. Longe de querer soar sexista, no entanto, se garotas sóbrias eram “presas fáceis” para tragédias... Imagine as embriagadas?

-Hyuck? – Jessi esbarrou nele, segurando três garrafas de água. – o que está fazendo aqui?

-Me senti mal por não vir. – sorriu. – sei que precisam de mim para se divertirem.

-Ah, claro. – Jessi revirou os olhos, debochada. – mas é bom que tenha vindo, sou a única sã agora e vou precisar de uma mãozinha com as dondocas.

-Por que não está bebendo?

-Alguém tem que se certificar de que voltarão para casa em segurança.

-Que trampo, hein?

-Pois é. – Jessi deu de ombros. – é o mundo em que vivemos, infelizmente. Enfim, Marie está apenas tonta, mas tenho em mente que vai despirocar até o final da noite. – ela suspirou ao ver a cara dele. – não me venha com esse olhar.

-Não vejo como posso impedir Marie de fazer o que quiser, mas continue falando.

-Você não vai impedi-la, querido. Vai só se certificar de que está bem e segura. Agora vamos lá, tenho que dar água para as outras duas. – Jessi o puxou, caminhando até o grupo. – mirad, tías! Trouxe água e Donghyuck. Quem está com sede?

Ao som do nome dele, Marie congelou. Estava tão, tão lindo naquela camisa amarela que ela queria chorar. O coreano era realmente o sol no seu estúpido universo! O melhor amigo que nunca teve; que é difícil se afastar, que se quer passar o dia inteiro junto, que conversa o tempo todo e que te deixa confortável... O tipo de amigo que se tornava uma espécie de alma gêmea. Talvez Lale estivesse certa: Hyuck era tudo isso porque tinha uma queda por ele.

Mas como não ter?!

Marie nunca foi do tipo carinhosa, mas tinha seus momentos. Ela priorizava seu espaço pessoal e era meio estranha com abraços, toques e beijos... Mas com Donghyuck? Poderia contar nos dedos os dias que passou sem encostá-lo. Não tinha ideia de quando isso começou, porém se não estavam grudados, era como se algo estivesse errado. A pele dele era sempre tão suave e terna, seu cabelo tão macio... Cada canto dele tão quente e aconchegante!

Uau, precisava desesperadamente controlar a si mesma.

-É fofo. – Lale murmurou ao seu lado.

-O quê? – Marie olhou para a amiga, confusa.

-Que ele veio aqui e não para de te encarar.

-Ele não está me encarando. – Marie suspirou. – é o contrário, na verdade.

-Ei, Hyuck, e nossos beijos? Nós sentimos sua falta! – Lale fez um sinal para ele se aproximar.

Donghyuck pareceu sair de algum tipo de transe, fazendo uma caretinha constrangida, como se tivesse sido pego sonhando acordado.

-Que diabos...? – a brasileira a apertou.

-De nada. – a turca balançou as sobrancelhas.

Quando Hyuck tocou sua bochecha com o habitual beijo de cumprimento, Marie se odiou. Se ao menos não estivesse tonta, poderia fingir não ter sido afetada por aquilo! Mas sua mão segurou o braço dele um pouco mais do que o esperado, seu sorriso cresceu mais do que o necessário e seus olhos brilhavam mais do que o olho de um amigo deveria.

Meu Deus, iria tentar alguma coisa aquela noite; podia sentir em seus ossos.

Felizmente, se tudo dessem errado, culparia a bebida... Não que Hyuck fosse acreditar nela, já que sabia que Marie sempre fazia o que queria fazer (bêbada ou não).

-Está gostando da festa como esperava?

-Estou gostando um pouco mais agora. – Marie sorriu. – porque está aqui, mi sol.

-Estou feliz de ter vindo, cariño. Assim posso te impedir de fazer coisas estúpidas.

Ao som do apelido, Marie estremeceu. Ele raramente o usava em público, e bem, escutá-lo com álcool no sangue não era justo com seu coração! Ela tentou controlar seus batimentos cardíacos, rezando para que não estivesse corando.

Donghyuck era tão injusto!

-Taner e Pep estavam fumando na cobertura, se quiser se juntar a eles é só me avisar.

-Estou bem. – o menino relaxou um pouco. – e vo-...

Hyuck não conseguiu terminar. A canção que começou arrancou um grito de Marie, porque a adorava. Ele sorriu, reconhecendo a letra de Te Vi, do Piso 21. A brasileira gostava muito do grupo e isso acabou passando para Donghyuck também; os dois costumavam cantar juntos enquanto arrumavam a cozinha após uma refeição, ou se estavam voltando para casa.

No sé qué tiene tu mirar
(Não sei o que tem seu olhar)
Será tu forma de bailar
(Será seu jeito de dançar)
Cuando nos besamos
(Quando nos beijamos)
Sentimos que nos gustamos
(Sentimos que nos gostamos)
Y cuando te tengo en mis brazos
(E quando te tenho em meus braços)
El tiempo pasa volando, oh, oh
(O tempo passa rápido)

Y cuando yo te vi, te vi, te vi, te vi
(E quando te vi, te vi, te vi)
Me enamoré de inmediato, eso fue en el acto
(Me apaixonei na hora, foi no ato)
Y ahora que estás aquí, aquí, aquí
(E agora que está aquí, aquí, aquí)
Quiero hacerte pasar un buen rato
(Quero que curta o momento)
El mejor de los ratos
(O melhor dos momentos)

Marie sorriu para ele, um sorriso espertinho que fez seus lábios se curvarem de uma maneira diferente no final, como se soubesse um segredo e o deixaria no escuro... Como se estivesse rindo de uma piada interna, porém o tema da graça fosse ele.

Nos dimos par de picos y no ha pasado nada
(Nos beijamos algumas vezes e nada aconteceu)
Solo quería saber si te gustaba
(Só quería saber se você gostava)
Cuando te reías, me encantaba
(Quando ria, eu me encantava)
Y yo como loco, perdido en tu mirada
(E feito louco, perdido em seu olhar)
Ese beso que nos dimos en la noche mientras bailabas
(O beijo que demos enquanto dançava)
Son cosas que no me esperaba
(São coisas que não esperava)
Sentí que yo te gustaba
(Senti que gostava de mim)

Donghyuck não pôde ignorar a sensação de que a letra mudava a atmosfera entre eles. O sentimento ficou nítido quando Marie tomou sua mão, trazendo-o para perto, e o rubor escalou todo seu corpo, estacionando em suas bochechas e se intensificando quando cruzou os olhos com os globos brilhantes da brasileira.

-Por que não está dançando, mi sol?

-Não sei... Você tá me deixando um pouco assustado. – Hyuck confessou.

Balançando a cabeça, ela soltou uma risadinha e o ignorou, por falta do que falar. Estava metade bêbada e metade completamente consciente do que fazia ali. Se tentasse “explicar” o que acontecia, terminaria estragando a amizade e o beijando até que seu corpo implorasse por oxigênio... E, mesmo que (às vezes) achasse que Donghyuck corresponderia, Marie não queria fazer aquilo na frente das amigas; preferia um local mais reservado e propício para tal.

Ao silêncio da moça, ele franziu o cenho, mais confuso que nunca. Porém, para evitar questionamentos, começou a se mexer no ritmo da batida, o corpo grudado ao de Marie.

Aquele contato íntimo, a música, a troca de olhares, as emoções que floresciam entre os dois... Tudo contribuiu para que a noite tomasse o único rumo possível.

Quando Te Vi deu lugar à HDP, de Kaydy Cain, Marie se aproximou das meninas para avisar que descansaria um pouco. Ela não se preocupou em informá-lo, já que ele a seguia. Era muito fofo que jamais a deixava sozinha quando estava tonta, parecendo sempre preocupado com seu bem-estar e sua segurança, sempre pronto para ajudá-la se necessário.

Mesmo bêbada, foi impossível não notar o pequeno segundo de hesitação nos passos de Donghyuck quando atingiram o andar que Marie escolhera para “relaxar”.

Sua cabeça girou um pouco ao adentrarem a Sala do Beijo.

Ai, caralho...

Os dois se sentaram em uma das chaise, aquelas cadeiras gigantes que parecem uma nave espacial redonda e futurística. Marie comentou que ali o ar era mais frio, e que a dança a deixara acalorada, mas ele tinha uma leve desconfiança do real motivo. Sim, poderia ser mais jovem e não ter muitas experiências no amor/pegação... No entanto, ainda sentia uma energia distinta emanando da brasileira. Como se estivesse mais ousada, como se quisesse que ele percebesse a mudança. Olhando para o lado, viu Marie relaxada, suspirando feliz.

Donghyuck a invejava. Ele desejou que fosse igualmente atrevido.

-Que noite. – Marie comentou.

-Você está aproveitando muito mesmo.

-Nah, estou lamentando um pouco agora.

-Por quê?

-Eu gostaria que estivéssemos agarradinhos em casa. – Marie sorriu, manhosa.

Ela olhou para as outras chaises, encontrando alguns casais se pegando explicitamente, enquanto outros estavam tentando ficar em território respeitoso. Será que Hyuck – quando namorava ou ficava com alguém – também escolhia manter as coisas “indicação livre” em público? Uma vez, logo quando ficou amiga de Jessi, ela contou do enorme drama com um colega chinês de sua sala de espanhol, porque um dia andaram de mãos dadas e ele achou que namoravam. Marie pensou que ela estava exagerando, mas Jessi disse que era tão “sério” como se beijar. Aparentemente, era isso mesmo, já que Lia confidenciou que quando Jessi “rompeu” com ele, todos seus amigos começaram a tratá-la mal. Era um pouco bizarro, porque no Brasil ficar de mãos dadas era algo que tão trivial, então não dizia muito sobre o compromisso.

Enfim, talvez não fosse o caso com Donghyuck. Os dois viviam grudados e ele nunca fez nada alarmante além do “normal”. Embora seus sinais a confundissem, Marie reuniu toda a coragem que possuía. Se não o fizesse naquela noite, jamais voltaria a tentar.

-Que Deus me ajude, mi sol, mas acho que vou te beijar agora.

E em menos de um segundo, sua boca estava na dele.

O choque durou meia respiração, então Donghyuck saiu da inércia. Ele a beijou com avidez, urgência e alívio. Deixou que uma de suas mãos envolvesse seu rosto delicadamente, trazendo-a para mais perto e tentando não estragar o momento, mesmo que quisesse devorá-la.

Marie poderia fazer uma grande palestra sobre o beijo se sentisse capaz de falar dele fora de um estado de graça. Tudo bem que sua “coleção” de beijos não era extensa, mas Donghyuck era incrível. Ia além do fato dele ser especial. Havia mais. Na verdade, Marie esperava que tivesse sido ruim. Deveria ter sido muitas coisas, exceto magnífico. A boca de Hyuck liberou um efeito glorioso em todo o seu ser. Aquela boca em forma de coração era o epítome do deleite; a derretera em seu aperto. Era constrangedor que um cara quatro anos mais jovem exercia tal efeito sobre ela. Contudo, aquele abraço decidido e os lábios contra os seus...

Tudo o que acontecera antes dele era inferior, insignificante.

Marie passaria um bom tempo tentando explicar o fogo que corria em suas veias, o choque elétrico de suas peles se tocando daquela maneira. E ninguém jamais entenderia o desespero que a assolou quando ouviu Donghyuck gemer entre o beijo, assim que mudaram o ângulo e aprofundaram a carícia. Ela queria congelar o tempo. Desejava ardentemente que tudo parasse, e que não necessitassem de ar por uns bons minutos.

As mãos dele pareceram ter vida própria, alcançando sua cintura e tentando puxá-la para frente, em seu colo. Foi a vez dela gemer. Marie sentiu o frio na barriga, a ansiedade; e precisou pensar em um mantra para não perder o controle de seus hormônios. Nada comparava à nova sensação dos dedos de Hyuck contra seu corpo. Nada chegava perto do desejo de subir nele e se entregar cegamente. Quando o sentiu puxar seu cabelo da nuca e os dentes mordendo seu lábio inferior, em uma busca discreta por ar, Marie aceitou a derrota.

Todos seus esforços para não se apaixonar haviam sido descartados.

-Nós estamos em público. – ele sussurrou contra sua boca, sem querer se afastar.

-Eu sei. – ela suspirou. – mas não é tão ruim, certo? Ainda estamos comportados.

-Não. – Hyuck roubou um selinho. – e sim, ainda estamos.

-Você quer ir embora?

-Você quer? – ele perguntou, atencioso.

-Sinceramente? – Marie se levantou. – quero. Mi casa o tu casa? – debochou forçando sotaque.

-Meu Deus, não estraga o momento. – Donghyuck riu suavemente, mas seus olhos brilhavam de uma forma menos pura.


Notas Finais


*Salem, kız = tipo um "oi, miga" em turco kkkk
musiquinha delícia do piso 21:https://www.youtube.com/watch?v=0yruvXjYoUo&ab_channel=Piso21

Beijoquinhas!


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