História My Other Face - Capítulo 31


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Categorias Supergirl
Personagens Alex Danvers, James "Jimmy" Olsen, J'onn J'onzz "John Jones" (Caçador de Marte), Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor, Personagens Originais, Samantha Arias (Reign)
Tags Alexdanvers, Karadanvers, Lenaluthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 251
Palavras 5.359
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Luta, Policial, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


cheguei um pouco atrasada, mas o importante é que eu cheguei fkfkd

o capítulo ia ficar muito grande, então decidi dividir ele em duas partes assim como eu fiz no capítulo da reveal.

boa leitura 📖

Capítulo 31 - Capítulo XXX The Last Secret Part I


A taça de vinho deslizou lentamente das mãos de Alex se estilhaçando em diversos cacos de vidros no chão fazendo um som estridente, o líquido se esparramou pelo piso de madeira escura.

Alex abriu e fechou a boca.

Simplesmente não havia palavras o suficiente para descrever como ela estava se sentindo naquele momento.

Nia olhou para todos da mesa achando que tinha escutado errado, Brainy pensou que era algum tipo piada. Kara e Lena se entreolharam aflitas ainda de mãos dadas. Ruby deu uma grande golada no seu suco de laranja e Sam engoliu um seco como se a informação estivesse entalada na garganta. Green intercalava sua atenção de J’onn para Alex esperando que um dos dois se pronunciasse.

— Eu sou o pai de Green — falou novamente J’onn achando que não tinha sido claro.

— Nós escutamos você da primeira vez — disse Alex ríspida.

— Não — Green balançou a cabeça negativamente — Você não pode ser meu pai... ele... meu pai morreu.

J’onn se mexeu na cadeira desconfortável.

— Sim, Ravi morreu. Mas ele nunca foi seu pai.

— Ravi? Quem é esse? — Alex soltou uma risada nervosa — Que tipo de nome é Ravi?

— Posso explicar toda a his-

— Tenho certeza de que tem uma explicação para tudo isso — interrompeu-o Alex brutalmente — Mas quero que vá embora agora. Eu não me sinto bem com a sua presença por perto — todos permaneceram em silêncio, J’onn não fez nenhum movimento sequer — Eu disse AGORA!

— Alex! — exclamou Kara dando um olhar de repreensão para a irmã por sua atitude grotesca.

— Tudo bem — falou J’onn se levantando — Alex tem todo o direito de estar brava.

— Estou muito mais do que apenas brava.

— Vamos conversar como pessoas civilizadas — se pronunciou Sam — J’onn, fique e nos conte toda essa história.

— Não, ele precisa ir! — exclamou a Diretora — Não quero ele aqui!

— Você não é a única que decide isso. Green?

Sam olhou para a menina encolhida na cadeira querendo saber o que ela estava pensando daquilo tudo. Não tardou para todos encararem a garota esperando a sua resposta.

Green deu de ombros:

— Se Alex quer que J’onn vá embora, então que ele vá embora — no fundo, temia que alguma coisa ruim acontecesse se o marciano ficasse.

— Nós iremos conversar sobre isso depois — avisou J’onn para Alex antes de ir embora.

Brainy soltou a respiração aliviado e se conteve para não dizer nada durante os minutos silenciosos que se seguiram.

Alex estava prestes a se sentar quando o seu celular vibrou em cima da mesa notificando uma nova mensagem.

— É a Maggie — falou meio atordoada — Parece ser importante, tenho que ir.

Kara prontamente se levantou.

— Vou com você.

Nia alertou para Alex cuidar os cacos de vidros espalhados pelo chão antes de sair.

— Kara, — Lena sussurrou antes que ela pudesse partir — você tem certeza-

— Alex é a minha irmã, — disse apressada — ela precisa de mim agora mais do que nunca.

Kara se despediu de Lena com um beijo suave na testa, a morena sabia que ela precisava ir, mas não queria que o fizesse. Estava com um mau pressentimento.

Sam fez questão de acompanhar Alex e Kara até a saída.

— Estou bem — falou a Danvers mais velha pela quinta vez.

Era mentira, estava muito longe de se sentir bem.

— Só estou dizendo que pode mandar mais uma pessoa junto com vocês. Brainy ou Nia, por exemplo. Não é, Kara?

A loira não respondeu, a última coisa que queria era entrar na discussão das duas.

— Brainy e Nia devem ficar aqui, irei informá-los se eu precisar de reforços. Maggie me chamou por algum motivo — Sam revirou os olhos — Ei, agora não é o momento certo para você ter uma crise de ciúmes.

— Não estou tendo uma crise de ciúmes — a CFO cruzou os braços enquanto a namorada colocava o capacete — Pelo menos se despeça de Ruby e Green direito.

Alex ligou a moto.

 — Por que preciso me despedir das meninas se irei ver elas novamente?

Antes que Sam pudesse retrucar, Supergirl e Alex deixaram a casa.

A heroína voava pelos céus seguindo Alex que dirigia em sua moto em alta velocidade.

Kara não fazia ideia de qual era o destino e o que iria encontrar, não perguntou para a irmã o que Maggie tinha falado na mensagem. Voava rumo ao desconhecido.

O trajeto foi mais longo do que o esperado, Supergirl não sabia se estava contente ou não quando Alex estacionou a moto em uma rua sem saída em frente a uma fábrica de carros abandonada.

— Outro assassinato? — perguntou assim que aterrissou ao lado da irma antes de entrarem no local.

— Eu não sei, Maggie só disse que era urgente.

— Quer conversar sobre-

— Não.

Alex caminhou na frente da irmã, queria fugir  a todo custo sobre o assunto do jantar.

A Diretora semicerrou os olhos quando uma luz forte preencheu o seu rosto no momento em que adentrou na fabrica abandonada.

— Deus, pare de apontar essa coisa na minha cara!

 — Desculpe — a voz de Maggie surgiu da escuridão — Precisava me certificar de que era você. É melhor ter trazido uma lanterna.

Alex tateou o bolso esquerdo da sua jaqueta preta feita de couro, sempre vinha preparada. Ela iluminou o que estava em sua frente, viu Maggie acompanhada com um detetive magro que arregalou os olhos ao ver Supergirl.

— Não me diga que ocorreu outro homicídio — disse Alex, estava começando a ficar farta de cadáveres.

— Nada de homicídios — garantiu Maggie — Repararam os edifícios enquanto vinham para cá? — Alex e Kara se entreolharam e negaram com a cabeça no mesmo instante — O símbolo dos assassinos estava pichado em algum deles.

— Bem, sim — Supergirl colocou as mãos no quadril — Todo mundo sabe disso. Tem pessoas que estão endeusando esses psicóticos.

— A questão é que — Maggie suspirou — os símbolos pichados de vermelhos foram postos propositalmente. Na verdade, não foram bem pichados, foram feitos de sangue.

— Como descobriu isso? — perguntou Alex, queria saber como deixou aquele detalhe passar despercebido.

— Estava estudando o que o símbolo poderia significar e o os da cor vermelha me chamou atenção — explicou Sawyer — Quando o reparei de perto achei que a pichação estava seca, mas depois de alguns minutos percebi que era sangue. Levei uma pequena amostra para o laboratório e o sangue era compatível com Celeste Smith.

Alex franziu as sobrancelhas.

— Ainda não explica o porquê de estarmos aqui.

— Reparei que em alguns edifícios havia símbolos feitos de sangue igualmente ao outro, só podia ser obra deles — continuou Maggie — Então, eu e o meu companheiro aqui, seguimos todos os símbolos vermelhos de National City a procura de algo que nos levasse até os assassinos — ela abriu os braços — E nos trouxe bem aqui.

— Em uma fábrica abandonada? Você está falando sério? — esbravejou Alex — Acha mesmo que eles vão dar pistas sobre onde estão? Isso pode muito bem não ser nada ou pior, a porra de uma armadilha!

— Alex! — Kara repreendeu a irmã pela segunda vez naquela noite — Não leve para o lado pessoal, ela teve um dia ruim — informou para a detetive, mas ela não pareceu se importar com a grosseira.

— Eu também achei que não era uma boa ideia — confessou Maggie — Nos acompanhe.

Sawyer fez um sinal com a cabeça para Supergirl e Alex a seguirem.

A detetive parou em frente a uma parede descascada e a iluminou com a sua lanterna. Letras trêmulas preenchiam uma boa parte da parede com estrofes uma embaixo da outra, podendo ser facilmente confundido com um poema.

Alex chegou mais perto da escrita, cada verso era familiar.

— Tem alguma ideia do que possa ser isso? — perguntou Maggie.

— Sim, — respondeu a Diretora — é uma profecia.

— P-profecia? — gaguejou o homem — Iguais aquelas dos livros de Percy Jackson?

— Tipo isso — disse Supergirl — Nós já sabíamos dela algum tempo. Estamos tentando solucioná-la.

— Sem sucesso, imagino eu — Maggie soltou um muxoxo — Pelo que parece eles sabem dessa profecia também.

Kara mordeu a própria língua para evitar de falar. Estava prestes a dizer, outra vez, que o trecho “A Mãe precisará se sacrificar para ver o último som da pessoa que mais ama ser reprimido”, poderia estar vinculado a líder dos assassinos que era dominada por “A Mãe”. Entretanto, Alex não sabia que ela sabia, pois tinha descoberto a informação por Lena que agora era uma ex-membra da facção.

A voz insistente de Lena dizendo para contar a Alex a verdade não saia da cabeça de Kara.

Não era um dos melhores momentos, principalmente após J’onn ter revelado que era pai de Green, a menina recém-adotada por Alex.

Mas a loira sentiu que precisava contar naquele momento ou não contaria nunca mais.

— Preciso conversar com você — sussurrou para que apenas a irmã pudesse ouvir.

— Já disse que não quero falar sobre o que aconteceu no jantar — Alex disse no mesmo tom de voz.

— Não é isso, é sobre-

As luzes transmitidas pelas lanternas começaram a falhar. Alex bateu na sua com força, porém nada aconteceu.

— Merda!

Todas as lanternas pararam de funcionar e os quatro indivíduos se encontraram em uma escuridão completa.

 — O que acabou de acontecer? — quis saber Maggie — Troquei as pilhas semana passada!

O pequeno acontecimento fez Alex se lembrar de Green, seu coração apertou.

 — Vamos embora daqui — ordenou — Amanhã-

Um barulho estridente foi ouvido na extremidade do local. Por insisto, Maggie direcionou a lanterna em direção ao barulho mesmo sabendo que tudo o que enxergaria era a escuridão.

 — São só ratos — murmurou o detetive, Peter Anderson, ao seu lado — Apenas ratos inofensivos.

Assim que terminou a sua frase Peter sentiu alguma coisa o agarrar pelo pescoço o obrigando a largar a lanterna que segurava na mão, o acontecimento foi tão rápido e silencioso que nem teve tempo de sacar a arma e muito menos, gritar por ajuda.

Supergirl foi à única que escutou a movimentação desconhecida.

 — Pegue a sua arma — cochichou para Alex ao sentir que ela estava se direcionando para a saída da fábrica — não saia e nem faça barulho.

 Alex estranhou o mandato da irmã, mas a obedeceu mesmo assim.

Maggie não notou a ausência do amigo e caminhou alguns passos para frente, acabou se esbarrando em Supergirl que segurou o seu braço a impedindo de sair. Não precisou usar palavras, a detetive tinha entendido o recado.

Kara manteve os ouvidos bem apurados a procura de qualquer som desconhecido, escutou mais de um batimento cardíaco acelerado, não facilitando as coisas,torceu para que Peter fizesse algum barulho que revelasse melhor onde ele estava. Contudo tudo o que Kara conseguiu ouvir — e sentir — foi algo se enrolando no seu pé direito.

Tinha presenciando aquela sensação antes, porém dessa vez, foi mais ágil.

Cortou a corda grossa do seu pé com as próprias mãos e a puxou fortemente antes que sua dona pudesse se soltar dela. Logo, uma mulher mascarada apareceu debaixo de seus pés, apesar de Supergirl não conseguir enxergá-la, sabia quem era.

Agarrou Lindsay fortemente pelo pulso, quase o quebrando, não teve piedade. O gemido dolorido da mulher foi ouvido por todos. Maggie, depois de Kara, era a que estava mais próxima e sentiu a presença de outra pessoa ao seu lado a deixando alarmada.

Como descrito anteriormente, estava muito difícil de enxergar devido à escuridão e consequentemente, Supergirl acabou não vendo o ato inesperado da inimiga. Sentiu algo ser injetado no seu pescoço, muito semelhante à picada de uma agulha, a ação foi o suficiente para ela se desequilibrar e cair no chão empoeirado.

O calafrio familiar invadiu todo o corpo de Kara que estremeceu encolhida no piso, com seus lábios roxos e seu queixo batendo de frio.

As luzes da fábrica se acenderam e os olhos de todos arderam pelo clarão repentino. Alex estranhou o lugar abandonado ter energia de luz e ao ver um mascarado perto de si, o pensamento se dissipou de sua mente não tendo mais tanta importância. Ligeiramente mirou arma em direção ao inimigo.

O mascarado de vestes laranjas tinha seu braço envolto do pescoço de Peter e a arma apontada para a sua cabeça pronto para disparar.

Alex procurou Supergirl pelo canto do olho, tentando ao máximo não desviar a sua atenção do seu alvo. Encontrou a irmã caída no chão não muito distante de onde estava.

Alex se preocupou com o estado de Kara que se contorcia no piso sujo. O que fizeram com ela?; pensou preocupada. Teve vontade de socorrê-la, mas não poderia fazê-lo naquele momento.

Maggie e Lindsay apontaram a arma uma para outra no mesmo momento, ambas surpresas por se encontrarem naquela situação. E Alex mirava a arma para Boyle que mirava para Peter.

Milhões de palavrões passaram pelos pensamentos da Diretora, deveria ter escutado Sam e trazido Brainy ou Nia junto, assim não estariam naquela emboscada. Sempre levava duas armas consigo, mas por algum motivo levara apenas uma. Por que diabos não levou a segunda arma?

Pensou em chamar Brainy na escuta discretamente, logo percebeu que era algo impossível de se fazer sem ser notada. Se Alex pedisse reforços, eles atirariam.

 — Baixem as armas! — ordenou em voz alta — Baixem as armas!

O de vestes laranjas se borbulhou em gargalhas, chegou até colocar a cabeça para trás de tanto que riu da ordem de Alex, porém continuava com a arma apontada para Peter o segurando com firmeza.

 — Baixe a arma você — cuspiu ele — ou esse aqui morre!

Alex não lhe deu ouvidos e permaneceu autoritária.

— Baixem as armas. Isso não é a porra de um filme do Quentin Tarantino! — esbravejou irritada.

A voz de Alex fez Kara se encolher no chão ainda mais, lembrou que a irmã mais velha tinha dito isso uma vez, no pequeno sonhou que tivera na festa da L-Corp.

Supergirl tentou, sem sucesso, levantar-se do chão e ajudar a equipe. Estava mais fraca do que gostaria de admitir. Não era kryptonita que Lindsay havia lhe injetado, pois conhecia muito bem os seus efeitos, era outra coisa. Outra coisa muito pior.

Maggie mirava a arma firmemente na direção de Lindsay, a inimiga estava secretamente frustrada por seu plano ter dado errado pela segunda vez. Nem tudo era culpa de Lena no final das contas.

Só havia um jeito de o time de Supergirl sair daquela situação ganhando e Alex sabia bem disso. Ela olhou para Peter, cuja expressão de amedrontado escondia o quão corajoso podia ser, e pediu a sua autorização com um simples olhar pelo ato que faria a seguir. O homem concordou com a cabeça discretamente, foi tão discreto que Boyle não percebeu. Mesmo Maggie estando de costas para Alex, ela sabia o que aconteceria em seguida.

Alex não pensou duas vezes e puxou o gatilho. A bala de Alex foi certeira, talvez a mais certeira que daria em toda a sua vida.

A bala atingiu em cheio a testa de Boyle fazendo respingos de sangue se espalharem e um barulho alto ecoar na fábrica. A máscara de seu rosto se afrouxou um pouco e ele caiu lentamente no chão, com a boca meio aberta e olhos arregalados. Foi a sua última feição de surpresa.

Lindsay, pasma pela morte do companheiro, começou a disparar para todos os lados com fúria.

Uma das balas acabou atingindo o ombro de Maggie que conseguiu disparar no último minuto na perna da inimiga enquanto cambaleava para trás.

Kara escutou mais tiros, mas a visão estava turva e não soube dizer quem atirou em quem.

Sentiu algo gelado e meio gosmento tocar em seu rosto, demorou para ela processar que era a sua própria saliva. Socou enraivecida o chão em que estava deitada com o resto de força que lhe sobrou.

A imagem de Lena passou por sua mente, não aquele cenário medonho dela caindo, era um muito melhor. Tão bom que Kara queria viver nele.

Estavam as duas deitadas na cama de seu apartamento, do lado de fora o sol nascia e as pessoas se preparavam para ir trabalhar. 

Por algum motivo, Lena não parava de sorrir para Kara que chegou a pensar que tinha algo de errado consigo para a morena estar sorrindo tanto. Lena raramente sorria e Kara nunca entendia bem o porquê, ela possuía o sorriso mais belo que a kryptoniana já tinha visto.

Supergirl sentiu que estava sendo retirada do chão empoeirado. Manteve os olhos fechados com a visão de Lena sorrindo e não pretendia abri-los tão cedo.

Desejou que Lena estivesse a segurando nos braços, porém sabia que isso não era possível. Focou na imagem da Luthor sorrindo deitada próxima a si e sem perceber, abriu também um sorriso quase impercebível.

Gemeu o nome de Lena baixinho enquanto sentia o calafrio dissipar-se do seu corpo.

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Lena chorou pela morte do amigo e culpou a si mesma por isso. Ela sabia que Boyle era um assassino cruel que não possuía remorso, contudo, não conseguia evitar de se sentir triste por sua morte.

Boyle tinha sido o único amigo que fizera quando foi embora de National City. Querendo ou não, ele a ajudou de alguma forma. Os dois eram tão diferentes e mesmo assim, se entendiam muito. 

Chorou no banheiro para que ninguém a viesse e fizesse questionários. Não queria lidar com olhares piedosos e ao mesmo tempo julgadores.

Retocou a maquiagem e encontrou Sam e Alex ainda discutindo do lado de fora. A Diretora tinha se safado, não voltara da missão com um arranhão sequer, mas isso não impediu de Sam ficar furiosa.

Maggie estava na sala de operação naquele exato momento pelo tiro levado, Peter Anderson foi baleado perto da virilha e também estava em cirurgia.

Quatro tiros foram necessários para Lindsay morrer. Um na perna disparado por Maggie, dois no braço esquerdo atirados por Peter e um no peito disparado por Alex.

Vaso ruim é difícil de quebrar mesmo, pensou Lena.

Durante o período sem notícias, Lena e Sam compartilhavam o mesmo sentimento de preocupação pelas namoradas. Enquanto Alex saiu intacta, Kara foi totalmente ao contrário.

Injetaram um tipo de substância desconhecida que a enfraquecia completamente. Quando os peritos examinaram o local e encontraram a agulha usada para enfraquecer a heroína, Brainy não perdeu tempo em analisá-la no laboratório.

Kara acordou antes das cirurgias dos dois detetives terminarem, e era como se a experiência horrível que passou nunca tivesse acontecido.

Sentia-se normal, como se o calafrio pelo corpo e raiva súbita nunca fossem reais.

Nenhuma da parte do seu corpo doía, nem mesmo onde fora injetada a agulha.

Kara se esqueceu por um breve momento os fatores que haviam ocorrido para ela se encontrar naquela situação, até os sons de tiros e gritarias invadirem os seus ouvidos.

— Alex! — exclamou rapidamente se sentando na cama desesperada para obter notícias da irmã — Alex!

As mãos gentis de Lena a seguraram pelos ombros.

— Ela está bem, ela está bem — disse repetidamente até Kara se acalmar.

— O que aconteceu comigo? Por que estou sempre aqui?

Lena explicou toda a história que sabia para Kara.

— Vai ser a nossa rotina agora esses encontros hospitalares? — brincou ela ao sentar-se na cama de Kara — Não sei se vou aguentar esse relacionamento, não sou mãe de ninguém.

— Eu tenho uma namorada super-atenciosa — a loira entrou na brincadeira — Aposto que Sam está enchendo Alex de beijos.

— Sam encheu Alex de broncas, isso sim. Achei que ela iria facilitar por tudo o que aconteceu no jantar, mas eu estava enganada.

Kara riu, Alex tinha a mulher certa para colocá-la na linha.

— Eu quase contei para Alex sobre o seu envolvimento, você tinha razão, temos que falar para ela.

— Eu sempre tenho razão.

— Não comece a se gabar, se não irei retirar o que falei — Kara se levantou da cama — Vamos contar para ela hoje.

— Tem certeza? Alex e J’onn ainda não conversaram.

Kara parou abruptamente. Todo mundo parecia estar querendo ignorar o elefante na sala. Se Alex ou Green não tocassem no assunto, ninguém comentaria. E as duas pareciam muito distantes de falar qualquer coisa relacionada ao ocorrido do jantar.

Brainy entrou no cômodo e logo lançou um olhar de repreensão a Kara.

— Me desculpe, mas você tem que ficar aqui — disse ele calmamente.

— Estava só me exercitando — mentiu. Lena pigarreou falsamente se divertindo

— De qualquer forma, é melhor ficar deitada. Não sabemos que tipo de substância foi injetada no seu organismo, você pode ficar mal novamente — a heroína se deitou na cama a contragosto — É por pouco tempo, iremos saber em breve o que está acontecendo com você. Pense pelo lado positivo, pelo menos tem a companhia de Lena.

A morena torceu o nariz.

— Na verdade, eu já estava de saída. Tenho coisas sobre a explosão da CatCo para resolver.

Kara se emburrou ainda mais e visualizou o teto branco do quarto hospitalar do D.E.O

Sentiu náuseas.

Ficaria sempre voltando para aquele lugar?

Esperou que a resposta fosse não.

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Brainy acompanhou Sam e Alex de volta para a casa dizendo que tinha esquecido o seu casaco. Sam falou que ele não precisava ir junto e que levaria o casaco para o D.E.O depois, mas Brainy insistiu em acompanhá-las. Mesmo não admitindo, as duas mulheres sabiam que era uma desculpa para passar mais tempo com Nia.

Lena, Sam e Brainy foram prontamente mandados para ir ao D.E.O após o ocorrido na fábrica, enquanto isso, Alex pediu a Nia que ficasse com Green e Ruby em casa, deixando-a totalmente alheia da situação. Ficar de babá não era o que a Sonhadora tinha planejado para aquela madrugada. Havia roído todas as unhas nervosa querendo saber o que tinha acontecido com Alex e Supergirl.

— Agora você vai descansar — disse Sam enquanto Alex destrancava a porta da frente — Brainy vai tomar conta de tudo e eu posso ajudá-lo, se quiser.

— Você sabe que lidamos com vilões querendo dominar o mundo e homicidas vingativos ao invés de papeladas e reuniões de negócios, certo? — perguntou o agente.

— Sei muito bem, caso se esqueceu, eu já fui uma das vilãs. Entendo como as coisas funcionam.

Alex abriu a porta com um sorrindo no rosto, que logo se desfez quando escutou uma pequena discussão vindo da sala de jantar. Ela e Sam se entreolharam de cenho franzido.

Os três caminharam até o cômodo silenciosamente e ao chegarem no batente da porta, Alex fez uma expressão carrancuda ao ver com quem Nia discutia.

— Você deixou J'onn entrar?! — exclamou deixando em evidência o seu descontentamento.

— Não! — respondeu Nia apressada — J’onn invadiu a casa, só descobri agora que ele estava aqui. Green e Ruby estão dormindo no andar de cima.

Alex olhou para J'onn esperando uma explicação.

— Precisamos conversar — falou ele.

— É quase duas horas da madrugada — disse Sam — podem conversar amanhã.

— Fugir de uma situação não vai a fazer desaparecer — insistiu J'onn — Sente aqui e vamos conversar como adultos.

Todos esperaram pela decisão de Alex, ela queria evitar tocar no assunto da revelação do marciano. Não era verdade. Simplesmente não poderia ser verdade.

Mas J'onn tinha razão, ela não poderia evitar para sempre.

Então, Alex se sentou na cadeira de frente para o marciano disposta a escutar a sua história.

Sam, Brainy e Nia se movimentaram para sair e deixar os dois a sós, porém Alex os impediu com um gesto, queria que eles ficassem. Brainy engoliu um seco se arrependendo por não ter ficado no D.E.O.

— Comece me dizendo quem é esse Ravi — pediu Alex.

-— Ele foi Rei de Asturio por um determinado tempo — respondeu J’onn — Especialmente depois de Beatrice, mãe de Green, se tornar uma desonrada, ou seja, ser exilada de Asturio para sempre.

— Deixe-me adivinhar: ela veio parar aqui e vocês tiveram um caso — o desprezo nas palavras de Alex era nítido.

— Não foi apenas um caso, eu a amava — Alex revirou os olhos — Beatrice mentiu para os asturianos sobre nunca ter aterrissado em nenhum planeta. Teve um dia em que ela me perguntou o motivo de Kara ter aterrissado na Terra 38, naquela época eu já era o Diretor do D.E.O sob o disfarce de Hank. Contei que o motivo de Kara ter vindo para cá era para proteger o seu primo,Clark, mas ficou presa em lugar na galáxia onde o tempo não passava, a Zona Fantasma. Beatrice usou essa informação ao seu favor quando voltou para Asturio, se aproveitando da ignorância do povo.

— E como ela conseguiu voltar para o outro planeta? — quem perguntou foi Brainy, o que mais estava curioso pela história.

— Beatrice planejou sua volta para Asutrio desde o momento em que chegou aqui, tudo em segredo. Ela sabia que se voltasse para Asturio seria morta, então tinha que ter algo a mais para isso não acontecer.

— Você sabia que ela estava grávida? — indagou Alex.

— Naquele momento não, eu não sabia. Só descobri após o nascimento de Green, Beatrice contou toda a verdade para a sua irmã mais nova, Camellia — respondeu J’onn — Era a única que sabia da história verdadeira e é claro que acabou me contando também, se arriscando a vir para cá às escondidas logo após a morte de Ravi, dizendo que Green não estaria segura em Asturio e que eu precisava ficar com ela.

— Mas como nós sabemos — Alex cruzou os braços — você não ficou.

J’onn fitou a mesa se sentindo envergonhado.

— Não, não fiquei. Ao invés disso, Green foi mandada para Torre dos Imperdoáveis, lugar onde deveria ficar para sempre — o marciano suspirou pesadamente — Porém, a Rainha Ravena, que tomou posse do trono depois da morte de Ravi, descobriu que Beatrice tinha mentido sobre tudo. Só havia duas opções: Green morrer ou se tornar desonrada. A segunda opção apenas aconteceria se eu prometesse que Green não faria a mesma coisa que Beatrice, que ela ficaria aqui permanentemente. Então, eu mesmo tive que viajar para Asturio para fazer o acordo, foi terrível, pois eles detestam qualquer tipo de estrangeiro, mas acabou dando certo.

Alex se afundou na cadeira, a história era verdadeira. No fundo, tinha a esperança de que fosse apenas uma grande mentira.

— Por quê? — perguntou ela por fim, a expressão de raiva ainda no seu rosto — Por que não aceitou Green desde o início?

— Tive medo — admitiu J’onn sem orgulho.

Alex se levantou tão rápido que a cadeira caiu para trás.

— Medo do que? Ela era a sua filha!

— Alex, — murmurou Sam — você vai acabar acordando as meninas.

— Beatrice era muito poderosa e isso não me assustava até a sua partida — J’onn também se levantou da cadeira — Green é tão poderosa quanto ela, e isso agora me assusta.

— Ela não é igual à Beatrice! — a Diretora deu um murro forte na mesa — Se fosse por você, Green teria ficado sofrendo naquele planeta durante anos!

— Alex, não — implorou Nia baixinho, mas ela permanecia a encarar J'onn com fúria.

— Quem diria, o homem que me ensinou a como ser uma boa agente e diretora — continuou Alex — o homem que eu considerava como pai... um covarde!

As palavras da ruiva atingiram J'onn como uma bofetada. Gesticulou a mão fazendo Sam prender a respiração temendo o que ele poderia fazer.

— Isso passou dos limites — interveio Nia — Parecem duas crianças brigando.

— Não estou agindo que nem uma criança! — disse Alex com rispidez.

— Não desconte a sua raiva nela! — esbravejou Brainy defendendo Nia.

— Parem! Não podemos ficar brigando uns com os outros — advertiu Sam fazendo todos se acalmarem.

Alex olhou em direção onde J’onn estava, mas o homem não se encontrava mais lá. Estavam tão dispersos discutindo que não o perceberam indo embora.

A Danvers não perdeu tempo e subiu as escadas apressada quase tropeçando nos seus próprios pés no meio do caminho. Abriu a porta do quarto de Green ferozmente, seu coração se tranquilizou quando viu que a menina ainda se encontrava na cama dormindo.

Sam, que seguiu Alex, parou ofegante no topo da escada.

— O que? Achou que ele ia roubar a sua filha?

Alex fechou a porta.

— Não duvido de mais nada — ela se sentou na escada acompanhada de Sam — Pais de verdade não abandonam os seus filhos, só... só devem fazer isso se não tiverem outra escolha.

Sam pegou a mão gelada de Alex.

— Então, ainda bem que Green tem uma mãe que nunca vai abandoná-la.

Brainy e Nia apareceram no início da escada prontos para irem embora.

 — Desculpe, não deveria ter sido rude com você — falou Alex para Nia.

 — É, não deveria — concordou Brainy prontamente.

 — Está tudo bem — perdoou a Sonhadora.

 — Eu também não deveria ter chamado J’onn de covarde.

 — Disso eu discordo, — Brainy pegou o casaco que havia esquecido no cabideiro — ele estava merecendo. Olha, podemos ficar, se você quiser...

Alex negou com a cabeça, gostava da companhia dos amigos, mas naquele momento preferia ficar a sós com Sam, ela era a única que não a olhava como se fosse um cachorrinho que havia sofrido maus-tratos. Sam era a única que sabia o jeito certo de agir com Alex.

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Kara foi acordada por um simples toque firme no ombro. Abriu os olhos assustada achando que tinha ocorrido alguma coisa, geralmente quando a acordavam aquelas horas nunca era algo bom.

Surpreendeu-se quando viu J'onn em seu quarto.

— O que você está fazendo aqui? — exclamou alto.

— Shiu, faça silêncio — pediu ele em um sussurro.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Kara novamente em um tom de voz mais baixo.

— Preciso que venha comigo, é importante.

— Não posso sair daqui, os seguranças-

— Kara, trabalhei nesse lugar durante anos, tenho os meus contatos. Se formos rápidos, ninguém vai ficar sabendo.

Kara achou o aparecimento repentino de J'onn suspeito.

— Você já conversou com Alex?

— Sim, acabamos de conversar — respondeu apressado — Conto a história para você durante o caminho. Agora, vamos embora!

— Por que temos que ser rápidos? O que vamos fazer?

J’onn fechou as persianas da janela do quarto.

— Só posso te contar se você vier comigo.

Kara não queria desobedecer às ordens da irmã, mas também queria descobrir o porquê de J'onn precisar tanto de sua ajuda.

— Não posso — ela negou com a cabeça — Alex vai ficar furiosa.

— Kara, sabe que não pediria isso se não fosse importante.

A loira gemeu indecisa. Se sentia perfeitamente bem, disposta o suficiente para salvar o mundo e esse tipo de coisa.

Sem ao menos perceber,  Kara se levantou da cama euforica por estar quebrando regras. Em poucos segundos, vestiu o traje de Supergirl.

— Alex nunca irá saber se formos rápidos, certo?

— Sim — mentiu J’onn pegando um papel no bolso do casaco.

— O que é isso?

— Algo só por precaução — mentiu outra vez — Tem um lugar onde posso deixar esse bilhete?

Kara respondeu que ele poderia deixar em cima do seu diário, seria um lugar bem visível.

A heroína tentou ver o que estava escrito no papel, porém não obteve sucesso, J’onn já estava a caminho da porta querendo sair do local o quanto antes.

 — A onde vamos? — indagou antes que ele pudesse abrir a porta.

J’onn parou de repente para olhá-la nos olhos, queria ter certeza de que Kara o escutasse bem: 

— Iremos matar A Mãe.



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