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História My Personal - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Choque de realidade.


Charlotte POVS

Acordei de manhã um pouco cansada, até mesmo dolorida em algumas partes do corpo. Foi como se eu realmente tivesse participado de um treino pesado. Jeon não estava brincando quando ofereceu que fizéssemos mais uma vez. A última vez que eu tinha olhado as horas antes de dormir, eram já quase três da manhã e paramos porque eu estava quase sem lucidez para continuar. Haja energia, não é?

Me espreguicei, me vendo sozinha em seu quarto. Levantei um pouco zonza e saí até a sala, vendo Geo correr desengonçado até mim, com uma bolinha na boca. Me abaixei e brinquei com ele, ainda vestindo a camiseta longa de um certo moreno.

— Bom dia, Lottie. Deixei a toalha no banheiro, caso quiser uma ducha. Tô preparando meu café, quer alguma coisa?

Olhei para cima, vendo-o com uma xícara em mãos, cabelos molhados, calça e nada além disso. Engoli em seco, um pouquinho perdida. Acenei negativamente e agradeci, saindo dali rumo ao seu banheiro.

Tomei um banho relaxante, usando um outro sabonete o qual eu não costumava comprar, ainda que também fosse cheiroso. Me sequei e vesti as roupas que usei ontem, vendo-o na sala.

— Vai na academia? — perguntei, me espreguiçando.
— Não, nem abre hoje.

Dei de ombros e peguei Geo, procurando pela chave da casa do rabiscado Abri a porta e saí com o filhote até meu carro, vendo um certo alguém me seguir.

— Onde pensa que vai? — cruzou os braços, parado na porta.
— Eu vou pra casa... E ele é pequeno ainda, pode ficar no meu apartamento por um tempinho, né? É bom que conheça o lar da mãe.

Jeon pareceu um pouco receoso, mas bufou e acabou tendo de ceder. Foi buscar algumas das coisas do filho canino, me entregando simples. Eu ia entrar no carro, mas parei só pra perguntar:

— Vou chamar o Jimin pra vir em casa, quer aparecer lá também? Vou apresentar o Geo.
— Beleza, pode ser.

Acenei e fui embora. Quem nos visse agir assim com tamanha naturalidade, talvez nem imaginasse a noite incrível que tivemos ontem. E nós sabíamos o que tinha acontecido, nos lembrávamos disso e tínhamos até rido bastante na ocasião, mas hoje é um novo dia.

Sabemos diferenciar bem as coisas. Somos amigos com benefícios, a intenção disso é justamente transar sem arrependimentos, sentimentos ou qualquer tipo de apego. Apenas um contato simples, genérico, igual a qualquer outro.

Não demorei para chegar em meu prédio. Antes de subir, abri minha caixinha de correspondências, levando alguns envelopes comigo e Geo.

Fui de elevador e entrei em meu apartamento, suspirando ao fechar a porta. Deixei que ele conhecesse o espaço, cheirando por cada canto. Coloquei o tapete higiênico no lugar e fui para o quarto, me jogando de bruços na cama.

Uma careta surgiu em meu rosto quando meus músculos se mostraram doloridos ao mínimo contato com o colchão. Ri nasalado, afastando de mim as memórias quentes da noite anterior, para não me empolgar em demasiado.

Olhei as correspondências, pensando em qual abrir primeiro. Logo no primeiro envelope, arregalei os olhos. Era uma conta de uma baixa quantia em Won, mas que exigia pagamento. Achei estranho, já que eu não usava cartão de crédito, apenas débito. Li melhor, vendo que eu tinha usando um pouco emprestado do banco sem perceber.

O fato de ter excedido o limite, já não me parecia um bom sinal... Peguei o outro envelope, vendo a conta de luz e água. Eu morava sozinha, então não saía muito caro. Deixei isso pra ver melhor depois. E o último envelope, era o aluguel. Esse sim, foi o maior dos meus baques.

O meu pagamento estava atrasado e não era pouco. Eles me mandaram um prazo para sanar a dívida. Engoli em seco, suando frio. Peguei meu celular com o coração já quase saindo pela boca. Abri o aplicativo da minha conta, vendo pela primeira vez o meu saldo negativado.

Eu estava falida, sem dinheiro pra absolutamente nada. Um mísero centavo sequer! E tudo isso porque eu, burra e idiota me esqueci de trabalhar! E que tipo de pessoa se esquece de trabalhar, minha gente? Pois é, eu! Uma autônoma, designer, que não depende de prazos e tem a si mesma como chefe.

A minha conta era rechonchuda como eu, mas pareceu secar junto das minhas gordurinhas extras. Sempre juntei dinheiro o suficiente para me manter e pagar pelas minhas coisas, ao menos foi o que pensei. Por isso, procrastinei o meu trabalho com tranquilidade, no pensamento de: “Ah, eu ainda tenho o suficiente”.

Mas o que não percebi, foi que eu gastei com mercado, personal trainer, aula de dança, roupas novas... Tudo isso foi se acumulando e eu mal percebi. E como a vida infelizmente não é um filme, onde as pessoas por vezes nem mesmo trabalham e estão bem... O que aconteceu comigo, foi uma surra bem dada da realidade, um choque de vida. Dar bobeira por aí, me deixou sem nada. Absolutamente nada...

E agora? O que eu ia fazer? Precisava achar urgentemente alguém que estivesse precisando de uma designer. E com o pouco dinheiro do pagamento, talvez eu conseguisse me virar com o aluguel e me apertar em pagar a fatura do cartão.

O meu maior erro, tinha sido viver uma vida ilusória de burguesa, quando na verdade sou pobre. Enquanto eu falava com os meus amigos, todos eles estavam sempre trabalhando e eu vadiando por aí.

O desespero que eu estava sentindo nesse momento, me tornava incapaz de pensar no que fazer. Comecei a ficar ansiosa. Eu, que pretendia chamar Park apenas mais tarde, liguei para ele no mesmo momento. Precisava me distrair a todo custo.

Avisei JungKook também, que de última hora afirmou que não poderia vir por estar resolvendo umas coisas. Ele sim é responsável, coloca obrigações em primeiro lugar. Pensar nisso, era mesmo vergonhoso pra mim...

Não demorou tanto e Jimin chegou. Mesmo que fosse meu amigo, eu não diria para ele que na verdade, estou atolada na merda. Eu me faria de otimista, fingiria que tudo fluía nos conformes. Eu cavei minha própria cova e sairia dela sozinha.

A campainha tocou e abri, o puxando para dentro antes que Geo fugisse apartamento à fora. O mais velho levou um susto ao ver o cãozinho.

— Que fofo!

Se sentou no chão da sala e Geo foi atrás, abanando o rabinho enquanto minha mente voava longe. Eu tinha o trazido aqui para me distrair, mas era simplesmente impossível deixar de pensar que...

— Chupão, hein?

Despertei dos meus devaneios ao olhar para Jimin, que tinha uma expressão de malícia em seu rosto sempre tão angelical. Onde estavam agora as pombas brancas e puras que voavam ao seu redor, a cada palavra que proferia?

Toquei meu pescoço, sentindo meu rosto coçar por vergonha.

— Foi o JungKook?

Me olhou ainda mais safado e eu o repreendi com o olhar, me sentando no sofá sem nem saber o que dizer.

— Isso foi resposta o suficiente. — disse convencido.
— Park Jimin! Desde quando você é tão danado?
— Eu não sou. — me olhou inocente. — Mas é inevitável não notar que vocês dois têm química. Se dão super bem, por que não tentam alguma coisa?

Se virou, sentado com pernas de índio de frente para o sofá. Eu cruzei os braços e ri, como se ele realmente estivesse maluco.

— Eu e o JungKook? Você bebeu, oppa? A gente não tem nada a ver um com o outro, a gente só... Dá uns pega de vez em quando.
— Sei... Então vamos fazer um joguinho. Sem pensar demais, me diz tudo o que acha dele.

Disse desafiador e respirei fundo, entrando na brincadeira:

— Jeon JungKook é... Tatuado, coelho, pervertido, legal, bonzinho, chato, insuportável, engraçado, bonito, profissional, gatinho, bom amigo, gostoso, ótimo ouvinte, e... — me interrompeu:
— Bonito? Gatinho? Gostoso?!

Me encarou sapeca e eu lhe joguei uma almofada na cara, escutando um riso.

— Você também é bonito, gatinho e gostoso, Jimin. Isso não conta. — ele ruborizou. — Tá vendo? Eu disse fatos, não sentimentos.
— Eu aprovaria se ficassem juntos, ele se importa mesmo contigo, Char.
— Pfft, não, eu...

Respirei fundo e virei minha cabeça, encarando a parede em dúvida. Franzi o cenho, pensativa. Será que daria certo? Eu e Jeon?

Voltei a fitar meu amigo, refletindo bem antes de rir soprado e continuar:

Nãh... Nunca, nada a ver. A gente é amigo, não sairia boa coisa se tentássemos algo sério. O que mais tem por aí, são pessoas que estragam a amizade ao dar um passo além da conta.
— Assim como tem muitos relacionamentos, que surgiram a partir de amizades.

Deu uma piscadela, sacudindo as sobrancelhas bem delineadas sugestivo. Eu dei risada. Ele é mesmo um fofo, mas estava enganado se pensava que de mim e Jeon surgiria algo a mais.

Não sou orgulhosa, não nego que meu personal é mesmo uma perfeição. Mas ele é tão bom pra ser verdade, que... Acho até que eu teria medo de levá-lo a sério.

Além disso, agora eu tinha coisas mais importantes para pensar... Ontem eu tinha me divertido tanto, que nem mesmo me preocupei com as contas ou nada que remetesse a responsabilidades.

Transei até dizer chega, fazendo meu corpo passar por um apagão de tanto cansaço. E as consequências disso eram dores musculares, enquanto as consequências de minha falta de trabalho eram muito maiores do que essas.

Eu estava prestes a ir para a rua da amargura, se não encontrasse rapidamente uma solução. E a última coisa que eu faria, seria contar a minha realidade para alguém.


Notas Finais


O capítulo tá meio curtinho, sorry, acho que vou postar outro depois 'u'


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