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História My Personal - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Você gosta?


Percebi que tinha caído no sono quando despertei com a porta do carro se abrindo. Jeon acabava de entrar com uma sacolinha, vi em meu celular que ainda era hora de almoço.


— Bom que acordou, eu não sabia o que queria, então trouxe isso...

Me entregou suco de laranja e um sanduíche, pegando o seu próprio. Eu agradeci, notando que estávamos no estacionamento de uma loja de conveniências. Comemos em completo silêncio, interrompido apenas pela minha pergunta sobre quanto tempo faltava.

Jogamos os lixos na lata e voltamos para o carro, encarando mais 30 minutos de percurso até pararmos numa casa simples e muito bonitinha, com um jardim e poucas rosas bem cuidadas do lado de fora.

Descemos e ele passou na frente, tocando a campainha até que uma senhora o atendesse. Cabelos curtos, um pouco brancos. O abraçou.

— Vou jogar na cara de seu pai, que até você vem me ver e ele não. Meu único netinho que não é desnaturado.

Apertou suas bochechas e ri soprado, acabando chamando atenção.


— E pelo visto trouxe a namorada! Ah, finalmente! — me puxou pra dentro da casa. — Entra, menina, fica à vontade a casa é sua.

Me abraçou, se afastando para me olhar.


— Você é linda! É estrangeira? Seus traços são diferentes. Que bom gosto, JungKook, puxou a vovó! Sentem aqui.

Se sentou no sofá, dando tapinhas no estofado de seus dois lados. Nos sentamos cada um de um lado seu, um pouco sem jeito em contar que...


— Na verdade, somos apenas bons amigos.

Ele disse, coçando a nuca com uma pitada de vergonha. Ela o olhou. Bufou e acenou negativamente, agora me encarando.


— Ele é gay, né, minha filha?
Halmeoni?!

Ele respondeu num tom surpreso, quase engasgado. Olhei para ele e comecei a rir, enquanto a senhora continuava:


— Tá tudo bem, querido. Mesmo se você tiver um namoradinho, sua avó aqui vai te amar do mesmo jeitinho. Quero a sua felicidade.

Lhe ofereceu biscoitos e ele aceitou, emburrado. Também aceitei, agradecida. Ela prosseguiu:


— Porque... Pra ter uma garota bonita dessa como amiga e não namorar... Filho, ou você é virgem ou mulheres não fazem seu estilo; e se esse for o caso, não se preocupe. Eu vou te apoiar sempre! Ainda mais quando for contar ao seu pai.

Eu cobri minha boca, me impedindo de rir ainda mais das caras que ele fazia. JungKook negou repetidas vezes.


— Não tem nada a ver isso, halmeoni. O que acontece é que eu e ela somos melhores amigos.
— Melhores amigos? Por que não disse antes?! Vou pegar o seu álbum de fotos, as mais constrangedoras sobraram pra mim. Achou mesmo que eu não ia te fazer passar vergonha hoje, amorzinho da vovó? — se levantou. — Aposto que também quer ver, não é?

Me perguntou e eu prontamente concordei, vendo-o estreitar os olhos pra mim enquanto ela ia buscar o tal álbum, retornando em pouquíssimo tempo.


— Se é melhor amiga dele, precisa ter conhecimento dessas fotos. Olha essa aqui, a bundinha pelada do meu netinho de um ano. Não era uma fofura? O apelido dele era pêssego.

Não consegui resistir, gargalhando junto dela enquanto o moreno ia ficando mais vermelho naquele sofá. Tinham muitas fotos hilárias, até mesmo dele fazendo xixi num arbusto. Eu gargalhava tanto, parecia uma coletânea da vergonha.

— Quem é essa aqui? Uma priminha?

Perguntei apontando para uma criancinha nua na foto, de pé, acenando pra câmera, suja de lama.

— Ah, é o JungKook mesmo. Desprovido de pinto, pobrezinho. Pensávamos que era uma garotinha quando nasceu. O doutor quase cortou seu bingulinho, pensando que era uma parte restante do cordão umbilical.

Essa foi de matar! Eu gargalhei tanto, que ao olhar para a face vermelha do neto, até ela me acompanhou.

Jeon estava tão envergonhado que até saiu, dizendo que ia ligar para os pais e perguntar se podia fazer uma visita ainda hoje, já que amanhã trabalharia durante a tarde.

— Eu brinco, mas meu neto é mesmo uma pessoa muito bondosa e especial pra todos os que o conhecem. — disse com orgulho no olhar. — Sortuda da pessoa que o tiver ao seu lado, sei que ele é do tipo que não mediria esforços para ver a felicidade de quem ama.

Eu não podia deixar de assumir que... Ele se mostrou esse tipo de pessoa, nas muitas vezes em que me apoiou. Me ajudou na autoestima, foi paciente comigo mesmo que nem sempre eu ouvisse seus conselhos... Até mesmo deu uma surra em Yoon por mim.

Me lembrar disso tudo, fazia um sorriso aparecer em meu rosto... A nossa primeira vez com certeza ficaria registrada em minha memória; foi um dos momentos mais atenciosos que já experienciei.

Eu nunca tinha sido tocada antes com tanta gentileza, entre elogios provindos de quem não me via pelo que me pareço fisicamente...

Por alguém que foi capaz de encontrar beleza, onde ninguém mais enxergava. Que me fez achar brilho onde até então, parecia só escuridão. Eu sou mesmo grata a ele por isso, o admiro por quem é.


— Você gosta do meu neto, não gosta?

Despertei dos meus devaneios ao ouvir a sua pergunta, a fitei ainda perdida, confusa. Ela tocou minha mão.


— Seja como for, quais sentimentos vocês têm ou deixam de ter um pelo outro... Saiba que eu prefiro você mil vezes, do que aquela Mi-Cha lá. — eu ri. — Não é por ser avó dele não, mas... Ele é um bom partido, diz aí.

Arqueou as sobrancelhas e eu concordei. JungKook voltou, querendo se inteirar no assunto.


— Eu só estava falando pra sua amiga, que você tem que desencalhar logo ou vai ficar sozinho.
Halmeoni, eu só tenho 21, ainda há muito tempo. — respondeu bem humorado.

O encarei em silêncio, ainda um pouco pensativa sobre o que sua avó havia me dito... Não precisava ter o QI elevado pra compreender, que evidentemente o “gostar” o qual se referiu, era maior que uma simples amizade.

E começando a refletir agora... Até hoje, sempre fugi de questionamentos, nunca me dei ao trabalho de parar e pensar no que realmente sinto por ele. Na verdade, faziam anos desde a última vez que vivenciei o que era gostar de alguém.

Eu era apaixonada por Suhyun na escola, mas foi o máximo que já passou pela minha vida até então...

Um pouco mais atenta sobre isso, eu me calei, tentando encontrar respostas plausíveis para um possível sentimento.


— Eu pretendia visitar meu abeoji e eomeoni... Mas me disseram que não estão na cidade hoje, então nem vai dar. Eu queria poder ficar essa noite, mas vai ser meio corrido voltar amanhã.
— Se precisa ir, tudo bem. Eu entendo.

A senhora disse compreensiva, lhe oferecendo mais biscoitos. Conversamos por mais alguns minutos, até que nos despedíssemos da avó simpática com um abraço. Entramos no carro e respirei fundo, sabendo que teríamos horas naquele carro.

Jeon, eu e meus pensamentos conflitantes.

A partir de agora, eu estava determinada a parar de procrastinar e tentar compreender: quem ele é pra mim? Qual a importância dele na minha vida, no que diz respeito aos meus sentimentos?

Suspirei, encarando a paisagem pelo vidro. A cidade ia passando, nos afastávamos rumo à estrada principal. Dei uma olhadela para Jeon, vendo-o focado, cantarolando uma canção.

Fisicamente, ele é atraente. Com certeza faz o meu tipo, nunca neguei isso. E com “meu tipo”, me refiro à homens que eu certamente aprovaria num aplicativo de relacionamentos.

Como meu amigo, ele não é nada menos do que incrível e companheiro.

Mas o que acontece em meu coração, quando ele me olha? O que eu penso, quando me toca? Como meu corpo reage, com a nossa proximidade? Até hoje, eu nunca analisei com seriedade, nem reparei.

Outra pessoa passando pela mesma situação, poderia até pensar: “Não quero tentar descobrir o que sinto, pra não estragar a nossa amizade.”

Mas eu, honestamente penso que não tenho nada a perder sobre isso. Se eu gostar mesmo dele e não for recíproco, o máximo que vou receber, vai ser um pé na bunda. Talvez doa um pouco, mas bola pra frente e a amizade se fortalece ainda mais.

A única coisa que realmente me importa agora, é descobrir que tipo de “gostar” ele desperta em mim.

[...]

Chegamos em casa já cansados, avisando Jimin que voltamos, também agradecendo por ter dado uma olhada em Geo por nós.

O cãozinho estava animado, pronto para a agitação. E por isso fomos com ele até o jardim, brincando um pouquinho até ele gastar parte de sua energia.

Tudo o que nós mais queríamos era um banho e cama. Por sinal, quase entramos no banheiro ao mesmo tempo. Mas paramos, tentando decidir quem ia primeiro.

— Vou usar o outro banheiro. — falei.

Ia sair, mas JungKook me puxou pra dentro do cômodo e foi tirando a roupa. Eu o olhei desentendida.

— Vamos tomar banho juntos, é mais rápido. Estamos cansados, é melhor assim.

Por hoje, realmente não me importei em embarcar nessa nova experiência consigo. Eu estava testando os meus próprios limites. Com Jeon, eu experimentava tudo o que nunca tinha feito antes. Isso incluía mostrar o meu corpo, dividir o chuveiro...

Eu poderia muito bem negar e me esconder, pela vergonha que por muito tempo tive de minha aparência. Mas fugir, não me ajudaria a amadurecer, muito menos evoluir. E eu quero mudar, quero ser amanhã um alguém diferente do que fui hoje. E não ficar fazendo cu doce.

Talvez um dia, eu encontre um amor. Pode ser que seja uma pessoa que atualmente eu não conheço. E quando esse dia chegar, quero estar livre para ser eu mesma, usando esse tempo de agora para sair de minha zona de conforto, treinando com meu amigo, até que dividir um espaço com alguém despido passe de anormal para usual.

Ele ficou nu primeiro e eu confesso que cheguei a pensar em desistir. Só que respirei fundo e também tirei toda a minha roupa, com coragem.

Não tinha mais volta. Entramos num mesmo espaço, fechados por uma porta de vidro que se embaçava pelo vapor. Eu estava ainda distante, enquanto via quase hipnotizada a água percorrer a sua pele, da cabeça aos pés.

— Você não tá se molhando.

Me puxou para perto, o suficiente para que eu sentisse seu corpo. Um calafrio me consumiu, cada parte de mim se arrepiou. JungKook me olhava tranquilo, enquanto a água passava por mim.

— Realmente não vai me dizer a marca do seu sabonete? Quero comprar.

A sua frase descontraiu o momento e eu ri, negando. A cada minuto, deixava de ser tão constrangedor. Estávamos agindo normalmente, como se estivéssemos cobertos, num dia normal. Sem malícia, segundas intenções ou olhares insistentes.

Depois de uns bons minutos, saiu primeiro e se secou do lado de fora. Aproveitei que estava sozinha para tomar um banho ainda mais caprichado. Convenhamos, era estranho lavar certas partes na frente de alguém...

Me sequei e saí de toalha, optando por levar algumas peças de roupa para o banheiro. Vesti seu moletom preto que me deu e um short, nada muito complexo. Fui até a cama, ele já estava ali.

Geo entrou no quarto, deu uma voltinha, cheirou ao redor da cama e saiu, indo dormir na sua que ficava na sala. Eu me deitei ao lado da pichação, olhando pra ele, tentando discernir o misto de coisas que eu sentia agora.

Me olhou de volta, atento. “Meu coração está calmo agora, não sinto nada anormal... Só certo incômodo, por saber que ele é bonito demais pra estar na minha frente, me encarando de perto... E se eu estiver feia?” Jeon sorriu.

— Já sei o que quer... Abraço, não é? Conchinha? Pode chegar mais, eu não mordo.
— Nem se eu quiser? — brinquei.

Ele riu soprado e se aproximou de mim, nos cobrindo antes de envolver minha cintura com suas mãos. Depositei minha mão em seu braço, com o rosto perto de seu peito coberto pela camiseta de seu pijama.

Comecei a notar o quanto nós dois já naturalmente nos parecemos com um casal de namorados... Transamos, visitamos a família, dividimos uma casa, dormimos abraçados, tomamos banho juntos, temos um cachorro juntos. Chega a ser estranho imaginar que a nossa amizade, se parece com muito além disso.

Me tornar consciente sobre as suas atitudes, estava despertando em mim uma sensação eufórica. E mesmo sem querer, eu sentia pouco a pouco, os meus batimentos cardíacos aumentando.

 


Notas Finais


Eh o amooor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assiiiim...


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