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História My Personal Hell - Capítulo 8


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Notas do Autor


Demorei mais voltei!

Capítulo 8 - Having lunch with the devil


Any Gabrielly

Meu instinto me dizia para esquecer aquela ideia idiota de aula de dança e voltar correndo para casa, fugir como uma covarde. Já a razão dizia que eu deveria ficar e parar de das ouvidos as paranoias que minha mente engenhosa e problemática criavam. Sendo assim, ignorei o medo ridículo que me assolava e voltai minhas íris castanhas para o loiro, que após largar sua mochila no sofá que se encontrava no canto do quarto, começou a escolher quais seriam as músicas que dançaríamos.

O receio de passar vergonha na frente dele era tanta que me amaldiçoei mentalmente por ter aceitado o convite dele. Ficar sozinha com um garoto que mal conheço, em seu quarto, depois de toda a desgraça que aconteceu, não parece ser uma boa opção. De qualquer forma, é melhor que ficar em casa com Roberto.

Decidida de que ficar remoendo aqueles pensamentos não iria ajudar a me acalmar, aproveitei a distração do garoto para analisar melhor o cômodo onde nos encontrávamos. Sua cama era enorme e aparentemente muito confortável. Havia um criado-mudo ao lado dela, onde um abajur repousava. Uma grande janela com vista para o vasto jardim se encontrava na parede direita do quarto e havia um guarda-roupas de coloração azul ao lado de uma porta que imaginei ser o banheiro. Toda a decoração era em preto, azul e branco. Mas embora todo o lugar fosse lindo, teve uma coisa que me chamou mais a atenção. Na parede de frente para a cama dele, existia uma espécie de mural.

Com a visão periférica, pude notar que ele ainda estava muito concentrado, parecia estar mandando mensagens para alguém. Sendo assim, levantei-me lentamente e segui até lá. Agora que estava perto o suficiente, podia analisar cada uma das fotos. Uma delas, que estava mais no centro, me chamou a atenção. Nela havia uma mulher loira, gordinha de olhos azuis e um sorriso acolhedor nos lábios. Ao seu lado um homem mais alto e não muito magro, de cabelos e olhos castanhos, ambos abraçavam Josh. Não precisei me esforçar para saber quem eram, pois havia uma legenda na borda branca da foto. Estava escrito "Beauchamp Family".  

Na próxima foto, Joalin tinha um saquinho com pedaços de pão e jogava-os para os pássaros. Sentada no chão, Shivani provavelmente estava tentando acariciar uma das aves, mas tinha os olhos arregalados pelo fato de todos os animais estarem voando em direção a mão de Joalin, ignorando as migalhas no chão. A loira parecia apavorada, mas toda a situação parecia muito engraçada, até porque Diarra, Sina e Bailey eram vistos no fundo da foto, se dobrando de rir. A legenda era "Não alimente os pombos, galera."

Outra foto icônica foi uma em que os garotos estavam sentados na calçada, na frente de uma lanchonete, percebo pelo letreiro. O americano e o canadense seguram o mesmo pedaço de pizza, cada um de um lado. Suas expressões são de falsa irritação e dá pra perceber que queriam simular uma briga. Já o inglês, aparentemente roubou o hambúrguer enquanto do filipino, que ralhava com ele e o empurrava,  fazendo com que o mesmo batesse no braço do chinês, que derrubou refrigerante na roupa. A legenda desta foto era "Bailey esqueceu da ideia de matar Lamar depois que ambos irritaram Krystian. P.S.: Noah ficou com o pedaço maior da pizza!"

Comecei a rir e então voltei meu olhar para uma foto onde todos estavam juntos, em um praia, de noite. Sentados lado à lado com as mãos esticadas para o céu estrelado. Eles sorriam e tinham os olhos fechados. Como era noite, a única iluminação da foto era o luar e a fogueira na frente deles. A legenda desta foto era "Todos compartilhamos o mesmo céu!" 

Achei muito linda e sorri. Logo olhei para mais uma foto onde todos eles apareciam. Esta era de dia, e era uma ponte larga. Eles se abraçavam e sorriam de uma forma tão meiga e que demonstrava tanto carinho que estendi minha mão para acariciar a foto enquanto lia a legenda: "Os melhores amigos que alguém poderia querer". Eu não admitiria nem sobe tortura, mas senti uma pontinha de inveja ao saber que não participei daqueles momentos lindos.

- Gostou delas? - Pulei de susto ao ouvir a voz dele e virei para trás, encarando-o e pondo a mão no peito.

- Quer me matar do coração, Beauchamp? - Indaguei com minha melhor expressão incrédula. 

- A cupa não é minha que você se assusta com uma facilidade absurda. - Se defende levantando as mãos em sinal de rendição.

- Estava distraída. - Justifiquei.

- Admirando minha beleza, eu sei. - Ele abriu um sorriso ladino que me fez corar e ter vontade de socar sua cara.

- Não seja besta, Sr. Modéstia. - Disse passando por ele e empurrando-o levemente antes de me sentar e falar a primeira coisa que veio a sua cabeça, apenas para sair daquele assunto. - Já escolheu a música?

- Do jeito que você demorou escolhi umas três. - O deboche em sua voz era quase palpável.

- Ora, se demorei tanto porque não me chamou antes? - Perguntei já impaciente. A verdade é que não tinha percebido que fiquei igual uma idiota  olhando as fotos.

- Você parecia tentar entender qual era a história por trás de cada foto. Quando percebi isso, não quis atrapalhar. Parecia imersa em teorias... - A última parte ele disse mais para ele que para mim.

- Bom... Algumas são bem sugestivas.

- Algumas delas parecem ser algo mas escondem histórias por trás delas. - De repente ele ficou enigmático. Por que diabos a mudança repentina de humor? O castanho dos meus olhos se encontrou no azul oceano dos dele e achei que poderia me perder ali, mas ele cortou o contato visual pegando seu celular e colocando música agitada. Estendeu a mão para mim e me puxou quando aceitei. - Vamos começar!

Josh me puxou até uma parte de seu quarto livre de móveis, onde começou a passar passos simples para mim. Tudo o que ele fazia parecia extremamente fácil. Mas isto apenas porque eu era uma mera espectadora, no momento. Quando tentei imitar seus movimentos foi desastroso. Quase tão vergonhoso quando pensei. Mas felizmente o loiro foi paciente e repetiu todas as instruções, diversas vezes. Ele ria e fazia piadas sempre que eu errava, mas também me ajudava. Passamos muito tempo naquilo, até que eu não aguentava mais.

- Acho que podemos parar por hoje. - Ouvi sua risada e logo senti o colchão afundar ao meu lado, ele havia deitado. - Você é uma boa aluna.

- Não me iluda, Josh. - Ralhei com ele. - Sou um desastre ambulante! - Afirmo jogando os braços para o alto e os deixando cair novamente na cama, completamente frustrada. Ele riu novamente antes de voltar a falar.

- Acredite, não é. - Eu não o olhava, mas sentia que ele estava mais agitado agora. - Certa vez, na terceira série, Noah começou a gostar de uma garota da escola, Tifany, eu acho. Essa garota nem sabia da existência dela e ele era muito inseguro para tentar ao menos falar com ela. Mas um dia, houve um boato de que um dos garotos populares queria chama-la para sair, então Noah começou a investigar.

- Investigar? - Interrompi sua fala com o cenho franzido.

- Pediu para Grace, nossa amiga de infância, falar com ela. Foi fácil porque elas eram amigas. - Ele explicou e eu assenti, incentivando-o a continuar sua narração. - Bom... Grace descobriu que Tifany adorava dançar, então Noah achou que esta era a oportunidade perfeita para se aproximar dela. Ele pediu para que eu o ensinasse alguns passos para ele dançar para ela e surpreende-la. Eu aceitei numa boa, e logo começaram as aulas.

- Teve um final trágico, né? - Pergunto, já prevendo o pior.

- Dúvidas? - Rimos de sua pergunta retórica e então ele sentou na cama e continuou a contar, agora gesticulando muito com as mãos. - Lembro até hoje de como ele demorou horas pra conseguir decorar os passos básicos que passei pra ele. - Sua expressão estava nostálgica, era lindo de se ver. - Mas aí ele teve a péssima ideia de fazer uma pirueta, caiu por cima da mesinha de centro da minha mãe e quebrou um dos vasos decorativos preferidos dela. Levamos um esporro tão grande que ele saiu daqui extremamente envergonhado e demorou três semanas para voltar.

- Ain, tô rindo com respeito. - Digo em meio a gargalhadas escandalosas, ele me acompanha.  - Mas e você, quando começou a dançar? - Faço a pergunta que ecoa na minha mente desde o dia em que o vi dançando no refeitório. Desde o momento que o vi tão feliz.

- Desde que me conheço por gente, a música faz parte de mim. A dança sempre foi minha paixão. Mas sabe, as crianças e até mesmo adolescentes, podem ser cruéis quando encontram alguém que pensa ou faz algo fora do "comum". - Diz ele fazendo aspas com as mãos. - Por esse motivo tive que esconder meu gosto pela dança, mas tudo mudou quando os garotos descobriram. Eles não me julgaram como achei que fariam, me apoiaram, e foi por isso que decidi criar coragem para assumir isso. No começo não foi fácil, mas todos me deram apoio. 

-  Eles são ótimos! - Constatei.

- Mas e você, Any, quando começou a cantar? - Ele parecia realmente curioso, então sentei na cama e voltei meu olhar para a parede a nossa frente, relembrando tempos difíceis porem felizes.

- Aos seis anos minha tia Laura viu que eu tinha muito potencial e alcançava notas altas com facilidade. Ela descobriu isso quando me ouviu imitando cantores de ópera que meu avô ouvia sempre. Então ela resolveu me ensinar a cantar. Descobri na música uma válvula de escape para fugir da realidade avassaladora que eu vivia na época. - O silêncio no cômodo chegava a ser ensurdecedor. Josh estava atento a cada palavra que saia da minha boca. - Como você sabe, eu consegui. E foi isso; quando canto ou ouço músicas sinto que a paz me invade e e todos os sentimentos ruins vão embora.

- Entendo perfeitamente. Sua relação com a música é igual a minha com a dança. - Ele comentou.

- Exatamente.

Depois disso, continuamos conversando sobre diversos assuntos diferentes. Ficar com Josh havia dado um colorido novo ao meu dia. Ele me fez esquecer de meus fantasmas interiores e do que me aguarda hoje a noite. Ele me fez sorrir, rir, me fez sentir uma alegria diferente. O que eu sinto com ele é diferente de tudo que já senti e muito diferente da alegria que meus novos amigos me faziam sentir. Algo em Josh fazia inúmeras borboletas se eriçarem eu meu estômago, e ao mesmo tempo que isso me dava medo, eu amava a sensação.

Estávamos em uma discussão animada sobre qual o melhor jogo. Eu insistia que era futebol enquanto loiro argumentava que hóquei era mil vezes mais legal. Poderíamos ter ficado naquela conversa, ou então começarmos outras, por horas. Mas infelizmente meu celular apitou e vi que era uma mensagem de minha mãe.

Mãe:

Any, venha logo. Irá se atrasar para o almoço.

Any:

Estou indo!

- Josh, preciso ir. - Aviso já me levantando.

- Eu te levo! - Eu iria recusar, mas já era tarde demais. O loiro já estava com a chave do carro em mãos e se dirigia rapidamente até a saída.

Peguei minha mochila e segui-o. Andamos rapidamente até o carro e entramos. Logo já íamos rumo a minha casa. Ficamos em silêncio durante o trajeto todo. O clima ficou meio tenso pelo fato de não achar nada animadora a ideia do almoço com os amigos de Roberto.

- Está tudo bem? - Ele questiona assim que estaciona o carro. 

- S-sim. - Droga! Por que sempre caguejo?

- Não parece. Porque sempre fica estranha quando te trago em casa? - Ele estava fazendo justamente o que eu não suportaria que ele fizesse: perguntas.

- Olha Josh, não tem nada okay? - Olho no fundo de seus olhos, tentando passar tranquilidade para ele. - Muito obrigada por hoje, eu me diverti. - Disse chegando mais perto dele.

- Eu também, Any. - Seus olhos ainda mantinham aquele brilho de preocupação, mas seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso quando ele se aproximou mais ainda. Ele estava tão perto que nossas respirações de misturavam. Seus olhos intensamente azuis alternavam entre meus olhos e meus lábios. Senti um receio repentino, mas não me afastei quando ele beijou o canto da minha boca. - Tchau, princesa!

- Tchau loiro! 

[...]

Um vestido roxo que ia até meus joelhos abraçava meu corpo enquanto eu caminhava até a cozinha. Quando cheguei em casa fui direto para meu quarto, não aguentaria ter que encarar Roberto. Me arrumei e segui até a cozinha, os convidados já haviam chegado, o que me deixou profundamente irritada.

- Oh, olha só quem está aqui. - Comentou a Sra. Stewart. Ela devia estar na casa dos quarenta, tinha cabelos longos e ruivos e um gosto extremamente excêntrico para vestimentas. Hoje, por exemplo, ela usava um vestido listrado nas cores amarelo e rosa, uma maquiagem escura e chamativa e um salto muito alto. 

- Eu moro aqui, Sra. Stewart, onde mais estaria? - Okay, é muito ruim desafiar amigos de Roberto na presença dele, mas não pude evitar.

- Priscila, deveria ensinar sua filha a se comportar como uma moça decente. - Meu sangue ferveu nas veias e tive uma vontade louca de socar aquela cara de porco que ele tinha, mas a voz de minha mãe se fez presente.

- Minha filha é uma moça muito comportada, Sr. Stewart, foi apenas uma falha. - O jeito que minha mãe tentava agradar aqueles dois apenas para que seu maravilhoso maridinho não ficasse zangado era o cúmulo.

- Vamos para a mesa. - Anunciou meu padrasto. 

Todos começaram a caminhar até lá, mas uma mão segurou meu braço e uma voz conhecida  sussurrou no meu ouvido.

- É melhor você nem uma merda, senão pode ter certeza que as consequências não serão boas. - E então se afastou. Foram poucos os minutos que tive o desprazer de ter ele perto de mim, mas já valeram para me deixar com o estômago embrulhado e uma vontade louca de sumir.

Acomodei-me em meu lugar e passei a comer sem prestar atenção na conversa que se seguia, as vozes eram apenas murmúrios distintos. Consegui me distanciar daquelas presenças incômodas enquanto relembrava cada mísero momento que passei com Josh, infelizmente minha paz durou pouco, pois logo ouvi a irritante voz da Sra. Stewart.

- Olá, desculpe! Me distraí.

- Eu estava perguntando se você desencalhou. - Seu sorriso maldoso era nítido a quilômetros de distância e suas unhas pintadas em uma coloração laranja fluorescente, faziam com que eu me perguntasse se ela estava trabalhando no circo. 

- Não estou encalhada, apenas não achei alguém que valesse a pena. - Respondo prontamente, embora não fosse totalmente verdade.

- É mesmo? Quer dizer que tem pretendentes? - A voz de Roberto saiu cortante e vi seu maxilar travar.

- Ela tem o Josh! - Antes que eu pudesse dizer algo, Belinha abriu a maldita boca.

- Ele não é meu namorado, Isabelli! - Ralhei com ela, sentindo minhas bochechas corarem e o receio voltar.

- Não foi o que pareceu. - Afirmou minha mãe. Mas qual o problema deles? Isso é um complô?

- Quem é o Josh? - E lá estava a Sra. Stewart de novo, sendo a mesma escrota intrometida de sempre.

- Olha só, Josh é meu amigo, okay? Apenas isto. - Falei em alto e bom som para que eles entendessem de uma vez por todas.

- Deveria ensinar sua filha a ser mais educada a mesa, Priscila. -  A mulher nojenta disse de novo.

- E a senhora deveria aprender a ser menos inconveniente. - Rebati, entredentes. 

- Sra. Stewart, deixe que da educação de minha filha, cuido eu. E Any, procure se acalmar. - Minha mãe tentou apaziguar a situação. 

Eu estava pronta para sair dali e ir direto para o meu quarto, mas não podia. As consequências seriam extremamente ruins, e eu sabia disso. O Sr. Stewart e a mamãe conseguiram manter o resto do almoço sem grandes acontecimentos e sem mais conturbações. Entretanto eu só conseguia pensar em ir embora. Não esperei eles irem para casa, assim que terminamos de almoçar deixei-os irem para a sala conversar e corri para o meu refúgio, meu quarto. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Tudo foi pensado e escrito com muito carinho.
Perdoem-me por erros ortográficos ou se o capítulo tiver ficado chato. <3


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