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História My Princess - Suayeon - Capítulo 9


Escrita por:


Capítulo 9 - Stuck


Lee Siyeon's Point of View


“Penso seriamente que o quê me aconteceu ontem a noite tenha sido apenas um delírio causado pelo remédio. Princesa Bora realmente iria me beijar? Eu senti como se estivesse perto de fazê-lo, e o pior, é que senti vontade de realizá-lo, mas ela apenas beijou-me a testa, e meus nervos se agitaram, minha mente me jogou em uma armadilha, e meus pensamentos não me deixaram em paz a noite toda. Eu estava inquieta e Minji reclamou bastante por não conseguir dormir comigo me remexendo na cama. Por mais incrível que pareça, acordei realmente melhor; eu fui dormir melhor, ontem eu acordei sem sentir a dor súbita do primeiro dia, eu consegui me sentar e caminhar mesmo que com a ajuda de Minji. E agora, eu acabei de levantar, e como meus pensamentos não me deixaram dormir esta noite, estou descarregando todo o peso que eles me causaram escrevendo aqui. Foi torturante, eu sentia todas as sensações daquele momento por repetidas vezes, isso me parece estranho, nunca se passou anteriormente. Acho que seja porque eu não imaginava que aconteceria, afinal foi um ato que ela realizou de supetão, me deixando nervosa e completamente à mercê de seus atos. E pelos deuses, essa sensação me causou um frio forte que percorreu pelo meu corpo, mas que droga de sensação. Por causa de pensamentos como esse me questiono se aquilo realmente aconteceu.”


Fechei meu diário, o guardando em minha túnica, como de costume. E sentindo falta de uma das minhas túnicas, afinal minha preferida não está aqui, e talvez seja a ausência dessa túnica que me faz ter certeza de que sim, foi real. 


Sorri sozinha, agora me focando em acordar logo Minji.


— Minji, levante. – a chacoalhei, e ela resmungou. Sentei na cama, sentindo o incômodo costumeiro. – Minji, anda logo, levanta. – balancei seu corpo novamente, ela agora chutou os lençóis e se ergueu com raiva.


— Não me deixou dormir a noite toda e quando eu consigo dormir você me acorda, eu deveria ter te dado um murro mais forte que era pra você dormir umas três noites seguidas, isso sim. – resmungava enquanto colocava sua túnica preta e calçava suas botas, eu revirei os olhos, Minji com sono é terrivelmente estressante para qualquer um. 


Quando finalmente se levantou, e passou as mãos pelo seu cabelo e o rosto, ela me observou sentada na cama, arregalou os olhos, e sem mais observações, gritou.


— Amém! Minhas noites de tortura acabaram! – gritava, me fazendo revirar os olhos a cada grito eufórico e gestos de vitória. Ela vai acabar acordando todo o reino dessa forma. 


— Minji, cala a boca, e me dá uma força pra levantar. – pedi, estendendo minha mão, ela me puxou rapidamente, e eu quase caí. – Assim não, idiota!


— Pensei que já estivesse melhor! 


— Esse roxo diz que estou melhor?! Ainda estou melhorando! 


— Mas já consegue sentar e ficar de pé sem ajuda, olha que avanço! Agora dá uma desfilada pelo quarto, vai! – me empurrou pelos ombros, e minhas pernas por pouco não fraquejaram. Ela é louca, essa é a única explicação plausível. 


O clima quente no Norte deve estar afetando seus miolos, mas sim, agora já consigo caminhar sem sua ajuda, ou seu apoio, apesar de que a cada passo dado, sinto o incômodo presente em minha barriga, mas é uma dor suportável, só preciso evitar me esforçar demais.


— Não fique aí parada me vendo andar, prepare meu banho e depois suma da minha frente.


— Então é assim? Quando tava aleijada era Minji me leva no colo, Minji faz isso, Minji me ajuda aqui, aí agora que já ta andando quer me mandar ir embora? Pois saiba que eu vou, mas é por vontade própria, porque fazem três dias que não tenho um segundo de paz com Yoohyeon e hoje eu vou aproveitar. – falava rapidamente, cruzando os braços e fechando seus olhos no final da última queixa. 


Se minha situação não fosse frágil atualmente, eu iria socar esse rosto lindo de Minji nesse momento, mas o risco de levar outro soco me faz raciocinar com mais cuidado.


— Meu banho, Minji. – abriu um de seus olhos, ainda com os braços cruzados e uma expressão indignada. – Por favor.


— Só porque pediu direitinho, agora continua se exercitando aí, que se eu voltar e você tiver na cama vou te capar na porrada. – ameaçou, depois tomando os frascos que eu usava para meu banho, e indo até a banheira. Tão infantil.


Prossegui caminhando em círculos pelo quarto, na tentativa de acostumar-me novamente a andar, e também a estar de pé. Passei apenas dois dias na cama, mas sinto como se estivesse há uma eternidade. Não gosto se ficar sem fazer nada durante o dia todo, tendo exceção quando estou cansada e precisando dormir, nesse caso eu adoraria dez horas seguidas de sono.


Estiquei meus braços, sentindo a dor mais agravada agora. Meus ossos estão molengas demais, vou sair hoje para fazer algo fora do castelo. Já estou aqui há mais de uma semana, e até agora não saí de dentro do Palácio para nada. 


Sinto falta de Chun, cavalgar com ela me parece uma boa ideia, apesar de que talvez vá me causar dor, mas não custa tentar. 


Caminhei até a janela, afastando os tecidos que me impediam de averiguar o céu, e ali estava o costumeiro sol radiante, mas a brisa estava estranhamente fria, um clima gostoso. Pelo que posso ver, é início do dia, talvez seis ou sete da manhã. 


— Venha, está pronto. – me chamou, vindo ao meu encontro após lavar seu rosto. – Vou tomar meu banho e logo volto aqui com Yoohyeon, não acho que você vá conseguir descer as escadas sozinhas, não abuse da sorte que tem de ter se recuperado rápido, então me espere voltar. – acenei em positivo, Minji acariciou meus fios de cabelo e apertou minha bochecha antes de deixar o quarto. 


Caminhei lentamente em direção a banheira, que fica no outro cômodo. Há uma porta ao lado de meu armário, e adentrando ali, é um local bem organizado e preparado para que eu possa tomar um banho, e realizar demais higienes necessárias, obviamente. 


A estrutura do palácio é repleta de ouro, prata, e demais pedras preciosas, é amplo e tem altura exagerada. As torres aqui são afastadas, o que me causa uma perda mental quando decido conhecer os demais cômodos e subir escadarias diferentes. 


Mas os locais mais frequentados por aqui, são a biblioteca principal, que fica no mesmo corredor do Grande Salão, onde se passam eventos importantes. Mais a frente, subindo apenas uma escadaria, fica a sala do trono, com apenas uma entrada, portanto somente uma saída, protegida tanto dentro quanto fora, lá apenas pessoal autorizado pisa, e as audiências também acontecem lá, duas vezes por semana, tratando apenas de assuntos importantes. 


E também foi lá onde Hoseok me propôs um combate, esse grande idiota que não reconhece seu lugar, e deve ser apresentado ao mesmo. Ainda não compreendo como Princesa Bora o permite tamanha ousadia, por mais que seja um soldado, tem que se por em seu lugar, falar com a Princesa informalmente e ainda abusando da boa vontade é algo que em meu reino nunca aconteceria, afinal uma palavra dita com desrespeito em minha direção, resultará em uma língua a menos em minha população. Não tenho paciência com pessoas desrespeitosas. 


Acabei meu banho rapidamente, logo me apoiando nas bordas da banheira para conseguir ficar de pé. Saí do cômodo enquanto retirava o excesso de água do meu corpo, e me focava em secar meu cabelo da forma que conseguia. 


Realizar muito esforço me causa dores fortes, infelizmente se eu mover qualquer parte de meu corpo com muita rapidez, acabo sentindo dor em minha barriga. E isso é inoportuno demais.


Ao terminar de retirar grande quantia da água em meus fios de cabelo, foquei em trajar vestes habituais. Evitei por a armadura, seria um esforço desnecessário no momento, mesmo que eu resolva cavalgar, prefiro correr o risco de ser acertada por uma flecha do que carregar o peso da armadura. 


Então apenas pus minha cota de malha abaixo da blusa, vesti minhas calças e calcei minhas botas, pondo uma camiseta de cor escura e trajando minha túnica preta com detalhes em vermelho. 


Apanhei uma adaga, dessa vez a pondo em meu antebraço, afinal eu não iria conseguir me abaixar para pegá-la em minha bota caso haja imprevistos, então é melhor deixá-la aqui. 


Ouvi três batidas na porta, e logo ela estava sendo aberta pela garota que possui o sorriso perfeito. E em seu encalço estava a razão das minhas dores.


— Conseguiu se vestir sozinha, então suponho que não precise que eu cuide de você o restante do dia. – Yooh brincou, vindo até mim e me abraçando com cuidado. 


— Vou recusar seus cuidados enquanto posso, caso contrário irei acabar mimada, igual sua namorada.


— Ei Singnie! – reclamou, ela teria se jogado em cima de mim, mas felizmente Yooh a impediu.


— Ela ainda está machucada, então não piore a situação, caso contrário vai continuar dormindo com ela. 


— Não! Por favor, amor! – o desespero de Minji me fez rir, ela talvez tenha ficado traumatizada após três noites sem receber os carinhos de Yoohyeon. 


Eu admito que me foquei bastante em atormentá-la nessas últimas noites, afinal a culpa pela minha dor é totalmente dela, e devido a isso, eu a acordava sempre inventando pretextos diferentes, como estar desconfortável, ou precisando ir ao banheiro, e ela sempre acordava irritada.


E particularmente, eu amo ver Minji brava, porque é engraçado demais.


— Vamos descer, estou com fome. – Yoohyeon chamou, tomando minha mão e me cedendo apoio durante a caminhada até chegarmos aos diversos lances de escada. – Você vai conseguir? 


Inflei as bochechas, me questionando mentalmente se iria realmente conseguir descer sozinha.


— Não custa tentar. – sorri em meio ao meu nervosismo, e Yooh acenou em negativo. 


— Minji, fique do lado dela, qualquer problema você a segura. – ela estava preocupada, e isso é fofo, mas eu queria ao menos tentar sem precisar de apoio. Porém compreendo que eu esteja precisando no momento, talvez outro dia eu consiga sozinha. 


Minji rolou os olhos e somente veio me ajudar quando citei duas palavras, conhecidas por Minji como palavrinhas mágicas, e admito que as vezes sua infantilidade me irrita, mas deixei passar dessa vez. 


Ela envolveu minha cintura com sua mão, me segurando com cuidado. Eu desci os primeiros lances apenas me apoiando nela, mas parei por estar sentindo a dor se agravar um pouco. Descansei por breves segundos e prossegui descendo a escadaria ao lado de Minji, afinal Yoohyeon já nos esperava lá em baixo. 


Quando finalmente desci todos os lances da escada, respirei aliviada, e Minji me soltou rapidamente, correndo para abraçar a cintura de Yoohyeon e a guiar até a cozinha. 


Caminhei ao encalço das duas, já me sentindo mais acostumada a estar andando novamente, a dor ia aos poucos se tornando mais suportável. 


Adentramos na Sala de Jantar, onde obviamente todas as refeições são realizadas, então não entendo o porquê do nome remeter unicamente ao jantar, mas isso não vem ao caso agora.


Estou faminta, e felizmente a mesa já estava posta quando chegamos, então apenas me servi, em seguida sentando no meu lugar costumeiro. 


Senti falta da Princesa Bor ao meu lado, e me permiti recordar por breves segundos da noite passada, logo sentindo aquela sensação estranha percorrer meu corpo. 


— Por que você está vermelha? – Yooh perguntou, hoje ela estava sentada ao lado de Minji, e as duas à minha frente, do outro lado da grande mesa. 


— Estou?


— Está, parece um morango. – Minji me respondeu, e eu acho que isso seja devido a recordação da noite anterior, aquele momento em específico me deixou nervosa, e talvez esse seja o motivo do meu rosto avermelhado. 


Mas obviamente Minji não precisa saber disto. 


— Deve ser o calor. – respondi, começando a comer logo em seguida.


— Faz sentido. – Yooh respondeu, oferecendo uma uva a Minji, a qual a comeu enquanto Yooh a oferecia outra, uma cena fofa, que depois passou a ser desnecessária quando Minji a roubou um beijo, e agora estou presenciando uma batalha de línguas, quanto fôlego. 


Me foquei em comer, ainda ouvindo os estalos de seus beijos e a respiração ofegante no curto tempo que se separavam. 


— Coitada da Siyeon, está sobrando. – Gahyeon comentou ao adentrar aqui, sentando-se ao meu lado ainda sorridente. – Yoohyeon você consegue ficar ainda mais adorável quando está com vergonha!


— O que meus olhos acabaram de ver? – Yubin dramatizou, pondo as mãos em seus cabelos. – Eu não acredito, Gahyeon como você está tão calma?! 


— Se acalme. – Princesa Bora segurou nos ombros de Yubin, que não parava com seu drama de maneira alguma.


— Como vocês duas podem estar tão calmas?! – Yubin apontava seu indicador entre Princesa Bora e Gahyeon. Yooh agora estava rindo de sua reação junto a Minji. – Vocês sabiam!


— Sim gênio, a gente sabia. – Gahyeon comentou irônica.


— Por que vocês não me contaram?! Deixaram eu me iludir com a Minji e ela namora! – Yubin me fez rir descontroladamente com seu comentário, acabei por recordar de todos os seus flertes mal sucedidos com minha amiga. 


— Que história é essa? – Yooh me encarava em dúvida, e Minji agora estava com a expressão nervosa.


— Pois é Minji, que história é essa? – perguntei, voltando a comer enquanto a via perder-se em meio ao seu nervosismo.


— Nada não, amor. Conversa fiada, sabe que a Yubin é doida. – Minji sorria nervosa. 


— Conversamos mais tarde. 


— Não piora meu castigo, por favor. – pedia chorosa. Eu acabei rindo de seu desespero, Gahyeon, Yubin e Princesa Bora me acompanharam. 


— Vou deixar passar desta vez. – deitou a cabeça no ombro de Minji, que respirou aliviada, me fazendo rir novamente. 


— Vocês são muito fofas, e eu já desconfiava, então vou perdoar você por ter me iludido. – Yubin sentou-se ao lado de Minji.


— Eu não te iludi! 


— É verdade, sempre que você flertava a Minji só sorria de nervoso. – Gahyeon complementou, e agora as três entraram em uma discussão quanto ao assunto, enquanto isso minha criança continuava em seu mundo particular, comendo enquanto pulava no banco em meio a sua degustação de cada alimento que estava posto a sua frente. 


Yoohyeon é tão adorável. 


— Morangos são seus preferidos? – Princesa Bora me tomou a atenção, sentando-se ao meu lado e fazendo assim com que eu perdesse totalmente o foco. 


Meu rosto deve estar vermelho novamente, assim como o dela também está, ela prossegue me encarando, e talvez assim como eu, esteja me avaliando, afinal seu olhar percorreu brevemente pelas minhas vestimentas antes de focar diretamente em meu olhar.


— Então está melhor… – murmurou.


— Sim… estou, um pouco, sim… – me perdi falando, e ela acabou sorrindo com isso.


— Acho que essa é a primeira vez que vejo você nervosa, Comandante Lee. – brincou, me deixando sem graça, mas não sou a única nervosa, as mãos dela estão agitadas e seu rosto tão avermelhado quanto o meu, então quem pensa que é para me julgar? – Então eu te devo um pequeno favor, já que está melhor hoje...


— É, você deve. Na verdade dois, não podemos nos esquecer de algo que me pertence e está em suas mãos. – comentei presunçosa, e talvez eu esteja sorrindo para ela.


— Você quem não me deixou devolvê-la. – respondeu nervosa, desviando o olhar, e agora seu rosto parecia atingir um tom vermelho escarlate. 


— De toda forma, está me devendo algo. 


— Prometo que irei suspender seus medicamentos, certo?


— Esqueçamos dos medicamentos. – sugeri, e ela me encarou com dúvida, seu sorriso tão radiante que me manteu presa por alguns instantes.


— Em que está pensando? 


Sinceramente? Nesse momento estou recordando vagamente de seus atos na noite aterior, tais pensamentos estão me deixando nervosa, e terrivelmente agitada, talvez eu esteja com as mãos mais agitadas que as suas, mas são apenas detalhes.


Eu obviamente não irei tratar de tal assunto, quero fugir dele o quanto me for permitido.


Portanto, irei respondê-la com algo mais adequado.


— Estou querendo sair para conhecer o povoado, então preciso de alguém que me acompanhe. – respondi.


— Oh, isso. – sorria, agora desviando o olhar novamente, seus lábios se torceram em meio a uma expressão entristecida logo após, fiz algo errado? – Acho que não…


— Por quê? 


— Tenho alguns compromissos hoje… 


— Na verdade só precisamos ir até as minas hoje. – Gahyeon a cortou, e só aí eu percebi que a discussão entre o trio havia cessado, e o foco estava totalmente em nós duas. – Então basta que Siyeon te acompanhe e depois vocês duas podem ir passear. 


— É melhor não…


— Oras, e por que não? Siyeon é domesticada, não vai te fazer passar vergonha. – Minji me provocou, somente não recebendo um belo chute em sua canela porque se eu sair dessa posição com muita rapidez, eu iria acabar voltando para minha cama sentindo dor. 


— Eu estou só anotando suas provocações, assim que eu parar de sentir dor vou esfregar sua cara no chão até eu cansar. – informei, e ela gargalhou com minha irritação.


— Não está anotando nada, nunca mais te vi escrever naquele seu diário idiota. – retrucou.


— Mais uma palavra e eu vou ignorar a dor que estou sentindo, Minji. 


— Parece que Minji e Yubin possuem certa fixação em ver você irritada. – Princesa Bora comentou, me fazendo encará-la e reparar em certo detalhe.


Não havia reparado ainda, mas a fita de cetim prosseguia em seu pulso, e isso me fez sorrir brevemente ao recordar do dia que vi mamãe a fazendo, estava tão sorridente. 


Eu teria uma imagem melhor da fita, mas está coberta parcialmente pela luva que Princesa Bora usa, são brancas e a trazem um ar suave. Combinando perfeitamente com seu vestido, este de cor lilás, o qual a traz uma imagem inocente e bela, combina com a cor de sua pele.


Os olhos de Princesa Bora parecem estar mais brilhantes esta manhã, seu sorriso também está ainda mais radiante que o normal. Na verdade, se tratando da Princesa, tudo é mais intenso. Ela é intensa.


— É por motivos como estes que digo que você é domesticada, Bora te chama e você só falta dar a patinha. 


— Kim Minji! – elevei meu tom de voz. 


— Deixe-a em paz amor, caso contrário irei te por para dormir com Siyeon por mais alguns dias. – Yooh me ajudou, me lançando uma piscadela em seguida. Sorri em agradecimento, agora encarando minha amiga.


— Dizia algo, Minji? – perguntei.


— A gente se resolve quando essa sua barriga melhorar.


— Como se eu fosse permitir que vocês duas briguem novamente. – Princesa Bora me cortou a fala, e eu a encarei em dúvida. – Não vai brigar com Minji, e acabamos o assunto por aqui, agora se apresse caso ainda queira um passeio comigo. 


— Então aceita meu convite? 


— Com uma condição.


— Diga-me... – suas mãos delicadas aproximaram-se a meu rosto, afastando os fios de cabelo rebeldes que estavam desgrenhados frente a meu rosto. 


— Não seja a Comandante Lee, apenas a Princesa Siyeon esta tarde. – pediu, e eu acabei sorrindo com suas palavras, até ela já conhece meus trocadilhos?


— Seu pedido é uma ordem. – ela me lançou um sorriso, tão belo que me fez perder o fôlego por alguns instantes. Mas que droga Siyeon, onde está sua postura?


Minji tem razão, não consigo me portar perto de mulheres, mais especificamente desta mulher. Mas a culpa não é minha, e sim dos meus pensamentos insistentes que estão sempre me fazendo recordar da noite passada.


— Nós vamos agora, Gahyeon? – Princesa Bora perguntou.


— Não, não, mas já informei ao cocheiro para preparar a Carroagem, e nossa como eu sou esquecida, prometi a Yubin que iria sair com ela para dar uma olhada no campo hoje, não foi Yubin? – comentou, agora Princesa Bora acenava em negativo para a outra. 


— Realmente Gah, não posso deixar as belas damas me aguardando, infelizmente Minji e Bora me rejeitaram hoje. – lamentou, me fazendo arquear as sobrancelhas em dúvida.


— Ela está brincando, Yubin nunca sequer se apaixonou realmente, só é carente demais, por isso vive agarrando a primeira que dá bola pra essa otária. – Gahyeon me supriu a dúvida, me fazendo também ficar surpresa, então Yubin realmente gosta de garotas.


— E então Siyeon, o que me diz? Estou solteira por enquanto. – espere, o quê?


— Como? 


— Eu, você, um romance clichê, o que me diz? 


— Dami, pare com isso. – Princesa Bora a observou com seus olhos cerrados, e eu devo estar com o rosto vermelho novamente.


— Não se preocupe com isso, mas te respondendo Yubin, eu não tenho tempo para romances no momento. 


— Então vai ter depois? 


— Receio que não, mas quem sabe. – a respondi, ela balançou as sobrancelhas sugestivamente em direção a Princesa Bora.


— Em vinte e dois anos de vida está na seca por não ter tempo, você vai morrer sem nunca nem namorar, Singnie. – Yoohyeon e Minji finalmente haviam saido de seu mundo particular rodeado de saliva, e agora minha amiga estava focada em me importunar novamente.


— Você fica tão bonita quando está calada Minji, volte a beijar Yoohyeon, eu imploro. – pedi, utilizando um tom irônico e talvez presunçoso.


— Quando for você a apaixonada… – começou.


— Não vou me apaixonar por ninguém Minji, então pare de sonhar. 


— Estou no aguardo do dia que você vai pagar com a língua, Singnie. 


— Você aguarda há apenas dez anos, então pode esperar mais um pouco. – alfinetei.


— Seus suspiros apaixonados de ontem a noite me dizem o contrário! – arregalei meus olhos, me focando agora em tentar recordar, eu não estava suspirando apaixonada, estava?


Mas que droga Siyeon, claro que você não estava!


— Pare de inventar besteiras, Minji! – a nossa pequena discussão foi encerrada quando um rapaz adentrou aqui, o rosto tímido e vestes surradas me fizeram pensar que talvez não more aqui, talvez seja um serviçal, mas também posso estar enganada.


— Perdão por interromper Alteza… – Princesa Bora acenou em positivo para o rapaz. – Papai me pediu para avisá-la que a carroagem já está pronta… 


— Obrigada por avisar, já estou a caminho. – respondeu ao pequeno, que timidamente se afastou, uma graça.


— Quem é ele? – questionei.


— O filho do cocheiro, logo ele deve gritar reclamando com ele por estar todo sujo novamente. O guri ama se jogar na lama. – Yubin me respondeu, me causando risadas ao recordar de certo dia.


— Está lembrando do dia que jogamos Seonghwa na lama? – Minji perguntou, também gargalhando.


— Exatamente! 


— Vocês duas são horríveis, coitado do Seonghwa. – Yooh protestou, mas isso não me fez parar de rir.


— Em nossa defesa, a culpa foi dele. – Minji respondeu, ainda rindo.


— Seonghwa? Seu irmão? – Gahyeon perguntou, e eu acenei em positivo. – Conte-me mais!


— Bem… – Minji iria começar a falar, mas Princesa Bora ergueu-se antes que ela prosseguisse. 


— Eu amo ouvir novas histórias, mas infelizmente precisamos partir o quanto antes, Siyeon. – Princesa Bora me avisou, acenei em positivo.


— Claro, vamos sim.


— Vocês realmente não virão comigo? – perguntou ao direcionar o olhar para Gahyeon e Yubin.


— Se divirta com Siyeon, tenho certeza que será um ótimo dia! – Gahyeon comentou. – E Siyeon, cuide bem da minha Borinha, se ela voltar aqui com um fio de cabelo a menos eu te espanco.


— Não vou deixar você bater nela, Lee Gahyeon. – Princesa Bora interviu, erguendo-me a mão e em seguida me chamando com o olhar. – Vamos?


— Vamos sim. 


— Divirtam-se! – Minji e Yoohyeon falaram ao mesmo tempo, e se encararam apaixonadas em seguida, tão melosas.


Eu definitivamente nunca vou me apaixonar.


( 🐎 )


Tomei as rédeas de Chun, que logo relinchou empolgada, assim seguimos cavalgando até a Carroagem onde Princesa Bora me aguardava, sorri para ela, que me olhava em repreensão.


— O que pensa que está fazendo? – questionou, e eu sorri para ela.


— Esta é Chun, acho que ainda não apresentei vocês. – minha égua se agitou um pouco, está empolgada para o dia de hoje. – Calma garota, logo vamos sair, eu prometo.


— Não está te machucando? Eu disse para evitar esforços. – perguntou, assumindo uma expressão preocupada. 


— Estou bem! – menti, a dor que sinto é súbita, apesar de conseguir aturar, portanto irei prosseguir assim, ela não precisa saber que estou sentindo dores. E eu estava com saudades de Chun, então não faz mal sentir um pouco de dor se isso significar ficar um pouco com minha égua.


— Já percebi que tentar te fazer mudar de ideia é complicado, então permitirei apenas dessa vez, mas depois você vai descansar. 


— Pode deixar! – ela adentrou na Carroagem em seguida, dando ordem para que a ida até as minas do reino fosse iniciada.


Pelo que entendi, o mineiro está enfrentando problemas por ter encontrado água corrente em meio a inúmera quantidade de pedras preciosas, e quando tenta minerar algo, jorra água, e a rajada é forte o suficiente para surgir uma dificuldade imensa de prosseguir a mineração.


Me surpreende o fato da Princesa Bora precisar fazer visitas contínuas e diárias até lá apenas para averiguar a situação, já que isso provavelmente deva ficar sob obrigação do Rei Kibum, mas pelo que posso observar ela aparenta querer lidar com isso, e deixar que seu pai fique com outros assuntos. 


Não irei questionar, apenas irei acompanhá-la hoje durante sua averiguação do local, e obviamente também devo dar uma olhada na situação das minas.


Felizmente sempre fiz a parte pesada em meu reino, já que Seonghwa prefere ficar apenas lendo e assinando papéis importantes. 


A cavalaria que anda junto a carroagem é composta por sete soldados, suponho que o oitavo lugar, que está sendo ocupado por mim hoje, pertença a Yubin. 


Também há o cocheiro, e o jovem que está pendurado na porta da carroagem, pelo que posso ver é o filho do cocheiro, porém com vestes mais limpas e adequadas. Apenas percebi que era ele devido ao rastro de lama que seus sapatos deixaram, é apenas um adolescente querendo se divertir, e ele me faz lembrar bastante de minhas diversões com Minji quando eu tinha sua idade. 


O ritmo da cavalaria é lento e me deixaria tediosa em outras situações, mas devido ao meu machucado, somando ao fato de que posso avaliar a aldeia com melhor precisão por seguirmos nesse ritmo, meu tédio não se faz presente. 


Há crianças alegres correndo e brincando, que vez ou outra tem a brincadeira interrompida por cavalos ou outros aldeões que passam pela estrada. Tenho recebido olhares admirados e curiosos, talvez seja difícil para eles me reconhecerem, afinal no primeiro dia, eu estava armada e com o capacete que cobre parcialmente meu rosto. 


Porém eu consigo reconhecer alguns rostos em meio ao amontoado de pessoas, as quais hoje parecem menos temerosas e mais sorridentes. Assim como eu, afinal também cheguei aqui estranhando a situação, e agora estou calma, apenas aproveitando os últimos dias que tenho para conhecer esse lugar maravilhoso antes de precisar voltar para meu reino.


Algumas garotinhas estavam brincando, mas ao me verem passar pararam de supetão, tanto observando a carroagem, quanto a mim. Devido ao ritmo lento da cavalaria, pude acenar para elas, que me retribuíam acenando, e sorrindo.


— Você é uma soldada nova? – perguntou uma delas, que estava com o dedinho entre os dentes.


— Não, não. – respondi, divertida. – Sou a Princesa Siyeon, vim do Sul. – elas me encaravam, agora acompanhado os galopes de Chun, focadas em manter o diálogo comigo.


— Você é uma princesa diferente, pensei que as princesas usassem vestidos, isso é roupa de homem! – afirmou a outra, parecia a maior entre elas.


— Não, pequena. Nós somos livres para vestirmos o que quisermos, não há nada que nos impeça de quebrar as regras impostas.


— Você é uma princesa muito legal! Quero ser igual você quando eu crescer! – falou a que ainda mantinha o dedo entre os dentes.


— Vai usar calças também? – perguntou a outra.


— Se eu quiser eu posso, a Princesa disse! 


— Pode sim, não se preocupe em apenas usar vestidos, eles são cheios de babados e as vezes incomodam. – respondi, e ela sorria.


— Sim! É assim que eu penso, e aqui em nosso reino é muito quente também! Usar vestidos me causa muito calor.


— Exatamente. – sorri, logo acenando para elas, afinal agora nos afastamos do vilarejo, e não quero deixá-las longe de casa, talvez eu as encontre outro dia e possa continuar a conversa. 


Pude notar Princesa Bora me observando pela abertura da carroagem, a qual estava anteriormente coberta, mas o pano foi retirado, e ela me encarava diretamente, com um sorriso enfeitando-lhe os lábios. 


O sorriso da Princesa Bora é perfeito, seus dentes são alinhados e os lábios carnudos o torna ainda mais atrativo, seus olhos chegam a comprimir e as bochechas ficam marcadas de acordo com a maneira que ela sorri. Além disso, seus olhos parecem tão brilhantes, que chego a afirmar que também sorriem junto. 


Até mesmo em simples detalhes, sua beleza e intensidade se fazem presentes, e isso me faz ter certa fixação em seus traços delicados.


Seguimos por uma rota repleta de belas árvores, com algumas flores coloridas que ao alcançarem o solo, o deixavam parecendo um belo jardim. As cores me chamaram e isso me fez ficar sorridente nos momentos que as observei, aqui é tão belo.


Mais a frente, após as diversas árvores, há um lugar que não possui árvore alguma, e julgo ser por essa área onde se encontram as minas. Há também uma casa no topo da montanha, mais afastada, porém consigo perceber sua existência devido à fumaça causada pela provável lareira que existe ali dentro. 


Os soldados apearam dos cavalos, e eu segui os movimentos deles, Chun me empurrou as costas com sua fronte, e eu me virei para poder acariciá-la.


— Vejo que tem uma relação de amizade com seu cavalo…


— É uma égua, e sim, tenho. – a respondi, que sorria para mim. – Quer acariciá-la? É dócil, prometo.


— Eu não tenho jeito com cavalos… – respondeu-me, mas eu estendi minha mão para ela, a mesma retirou a luva antes de ceder-me a mão. 


A segurei, e o contato com sua mão quente acabou me fazendo sorrir; guiei sua mão até a fronte de Chun, que relinchou com o toque, mas logo soprou o rosto da Princesa, que sorria animada com isso.


— Isso é um bom sinal? 


— Ela gostou de você. – comentei, e aos poucos Princesa Bora me permitiu quebrar o contato entre nossas mãos para que ela acariciasse Chun. – Estou ficando com ciúmes, que intimidade é essa, Chun? 


Minha égua soprou meu rosto, se aproximando de mim e me empurrando, foi um contato brusco, mas Princesa Bora me tomou a cintura, não permitindo assim que eu caísse. Mas sinto que esse contato deixou minhas pernas fracas. Que firmeza.


Ela sorriu para mim, avisando que iria entrar em seguida, logo o filho do cocheiro se aproximou de mim, e eu o cedi as rédeas de Chun, o qual encarava minha égua com os olhos brilhantes enfeitando-lhe a face. 


Sorri para ele, me despedindo de Chun e iniciando o caminho que Princesa Bora havia feito anteriormente. 


Aqui é uma área afastada do reino e tem até mesmo um clima mais frio, o que é interessante e curioso. 


Caminhei para dentro das minas, onde deveria estar mais quente, e realmente estava, mas ao ser guiada até onde Princesa Bora estava, senti a área mais úmida e gélida, isso me fez estremecer, então é aqui onde está a provável fonte de água corrente. 


— Tentamos ao máximo remover a grande maioria dos diamantes que estão ali, mas é praticamente impossível conseguir retirar os maiores, onde fica localizado a maior rajada de água. – explicava um senhor, era robusto e tinha a barba feita, seus cabelos são grisalhos e as vestes estão surradas e parcialmente molhadas. – Princesa Bora, queira se afastar um pouco, talvez uma pedra preciosa e delicada como Vossa Alteza deva manter uma distância considerável da área de risco.


— Temo que sim. – tomei a frente, evitando assim que o marmanjo colocasse suas mãos sujas na Princesa, a qual sorria, mesmo que sua expressão desconfortável me informasse o suficiente. A afastei do senhor, guiando a Princesa Bora comigo, e nos afastamos da tal área de risco. 


— E a senhorita, quem seria?


— Princesa Siyeon, das terras ao Sul. – o respondi, evitando encará-lo diretamente.


— Com estas vestes se denomina Princesa? 


— Com tais palavras se direciona a alguém que pode ordenar arrancar-lhe fora a língua? – ele se calou em seguida.


— Você me impressiona as vezes. – Princesa Bora comentou, estendendo sua mão para mim, e eu não tardei a ceder-lhe meu braço. 


O homem tomou em mãos uma picareta grande e me parecia enferrujada, se focou agora na retirada de algumas pedras, e logo uma rajada leve de água saiu de lá.


— Nessa região é mais fraca, porém se eu acertar mais para esse lado. – apontou para o lado direito. – A água vem com força.


— Pode me informar a respeito da estrutura das minas? –  questionei.


— A descobrimos há alguns anos, ainda estamos minerando por aqui, e essa área era deconhecida até então. – me respondeu o mineiro.


— Compreendo, se me der licença. – me direcionei a Princesa, a qual soltou-me o braço. Passei a caminhar ao redor da área, mesmo ouvindo os avisos para que tomasse cuidado devido. Adentrei em uma área mais afastada, com rochas que pareciam já terem sido tocadas anteriormente. – O que há aqui? – perguntei em tom alto, o eco não era muito forte. 


— Não sabemos ainda, quer por favor retornar? – o mineiro estava na área mais iluminada, eu ainda podia vê-lo. 


Tateei as rochas acima de mim, encontrando madeira em um perfeito círculo. Oh.


— Aqui em cima há alguma construção? Nas montanhas? – perguntei ao retornar para o lugar com mais iluminação, Princesa Bora estava com os braços cruzados apenas me permitindo tomar a frente da situação.


— Sim, uma casa acima. 


— Mais afastada, sem fontes de água, isso era esperado. Você está dentro de um poço, meu caro. – rolei os olhos, e agora ele tomou em mãos uma tocha, caminhando até onde eu estava, deu alguns toques na madeira que tampava o provável antigo poço, e retornou em seguida. 


— Como isso é…


— É um mineiro um tanto ultrapassado, até mesmo eu fui capaz de identificar um problema que dura há semanas, isso em apenas um dia. Talvez seu pequeno problema seja a fixação em retirar os diamantes antes de avaliar o restante da área, então vou apenas sugerir que faça seu trabalho direito. 


Ele iria abrir a boca para me responder, mas meu ego está inflado, então obviamente eu não permiti.


— Espero que me deixe satisfeita em minha próxima visita, caso contrário posso enviar os mineiros de meu reino, com certeza mais eficientes, para realizarem o trabalho com mais precisão.


— Não! Não será necessário, Alteza. – acenei em positivo, logo retornando até onde Princesa Bora me esperava. 


— Você, definitivamente, é repleta de surpresas. – comentou, me guiando até a saída das diversas cavernas ainda não exploradas por aqui. – O que preparou para nossa tarde? 


Questionou, enquanto eu seguia limpando minhas vestes, e logo passei a ajudá-la com seu vestido, alguns babados estavam fora de lugar. 


— Obrigada.


— Não precisa agradecer. – a respondi. 


— Já acabou, Alteza? – o cocheiro perguntou.


— Sim, hoje tivemos ajuda de alguém experiente no assunto. – Princesa Bora o respondeu.


— Então posso preparar a carroagem?


— Não será necessário. – o interrompo, e a Princesa me encarou confusa. – Podem partir, irei me responsabilizar pela Princesa o restante do dia. – afirmei, ela estava surpresa com minhas palavras, e o senhor ainda me questionou quanto ao assunto diversas vezes. 


— Podem partir, irei ficar com ela até o anoitecer. – Princesa Bora tomou a fala, e só assim o senhor se acalmou, logo saindo do nosso campo de vista. – O que pretende?


— Uma tarde contigo, apenas isso. 


— Pois bem, vamos passear pelo vilarejo.


— Na verdade, estava pensando em ir até os campos que observei a leste. – informei, ela sorriu largamente com minha proposta.


— Costumava ser meu lugar preferido. – informou.


— Então me acompanhe até lá? – perguntei, e ela acenou em positivo. Sorri em resposta, caminhando até Chun, que estava presa junto aos outros cavalos.


— Vamos as duas em Chun? – perguntou, seu rosto estava começando a ficar avermelhado, mas não era isso o que eu planejava.


— Na verdade, você vai em Chun, eu vou apenas guiar vocês. – informei, preparando a sela e tomando as rédeas da minha égua.


— Mas… 


— Apenas confie em mim, não irei decepcioná-la. – prometi, estendendo minha mão para ela.


Princesa Bora me tomou a mão, aceitando meu convite.


Eu a ajudei a montar em Chun, foi um momento que senti minha dor agravar, mas não demonstrei isso. Quando Princesa Bora já estava montada, tomei as rédeas de Chun e caminhei tomando a rota leste. 


— Por que resolveu sair justo hoje? – perguntou quando já estávamos afastadas o suficiente das minas. 


— Quero aproveitar um tempo contigo. – respondi, travando em seguida. – Quer dizer… tipo, não assim, tipo, é, um tempo só diversão, sabe?


— Não precisa ficar nervosa Comandante, eu a entendi. – inflei as bochechas e ela agora estava rindo de minha expressão. – Sempre faz isso quando está tímida ou nervosa, é uma graça.


— Você me deixa assim, isso é injusto. 


— Então eu te deixo nervosa? – questionou, a voz suave que me causou um leve tremor.


— Er… as vezes. – o que acabei de falar?!


Ela apenas sorria para mim, mas acabei desviando o olhar e me focando na caminhada até o campo verde e repleto de flores que observei no caminho até aqui. 


— Aqui é tão lindo. – comentou, já conseguindo ver as inúmeras flores e demais arbustos que enfeitam o local.


Há um vasto campo, no momento está vazio, e também um enorme lago bem a minha frente, a água tão cristalina que me faz ter vontade de me desfazer de minhas roupas e atirar-me lá dentro.


Ajudei Princesa Bora a apear de minha égua, e Chun não tardou a correr pelo gramado e ir se alimentar ali. Sorri com seus atos.


Cedi meu braço para a Princesa, a qual o envolveu o antebraço com sua mão, e iniciamos uma caminhada na beira do lago, apenas sentindo o vento bater contra nossos rostos, e a brisa suave nos envolver mais no clima que fazia aqui.


Um silêncio gostoso pairou nesse momento, e ela havia cessado os passos, agora apenas sentindo o vento balançar seus fios de cabelo. 


Princesa Bora é dona de uma beleza estonteante, terrivelmente atraente, e totalmente intensa. Há muito mais a seu respeito, algo que meus olhos no momento não conseguem ver, mas que provavelmente está guardado dentro dela.


Seus olhos fechados e a expressão suave, o sorriso breve que se formula em seus lábios carnudos e atraentes, lábios que senti anteriormente tão próximos aos meus, que chegaram e me deixar fraca. 


Não sei ao certo o quê, mas um algo até então desconhecido está me mantendo presa. Sim, presa nela. E não acho ruim estar assim, é um sentimento doce.


Somente com ela e unicamente com ela, me sinto assim. 


Ela parece estar perdida novamente, Princesa Bora normalmente costuma perder-se em meio ao dia, em um momento está feliz, animada, conversando, no outro silenciosa, pensativa, e com um sorriso belo lhe enfeitando os lábios, como nesse momento.


É algo ainda mais belo, sua personalidade, o jeito que se expressa e essa maneira única de perder-se em prováveis pensamentos divertidos. Talvez essa seja a razão de minha fixação por você.


Ela em seu explendor, nesse momento com o sol alaranjado, já cedendo seu lugar para a lua, nesse pôr do sol tão chamativo, fazendo com que a face dela tenha um brilho único.


Ela é tão única.


Sua intensidade me prende.


— Talvez eu esteja presa em você… – sussurrei, apenas para mim, sorrindo enquanto observava-a ainda perdida em seu mundo particular.


Sim, presa em você, e isso é uma terrível armadilha.


O que você está fazendo comigo, Princesa Bora?




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