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História My Prisoner (Leweus) - Parte 1 - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


Mais um capítulo gigante! Me empolguei

Então... tenho certeza que a partir desse capítulo vcs vão passar a detestar o Lewy (e com toda a razão do mundo)

Só o Marco mesmo pra conseguir mudar o jeito dele

Capítulo 16 - Batatas e lâminas


Naquela mesma manhã, porém na ala Sul de Weindfeld, Marco se remexeu por baixo dos cobertores após ouvir a sirene das seis da manhã. Ele sentia vontade de ficar um pouco mais na cama, o som da chuva era o culpado e a baixa luminosidade também.

Mas o som de uma respiração ofegante lhe chamou a atenção. Ele disfarçou bem e virou para o lado oposto a parede sem deixar ninguém perceber que já havia acordado. Apenas parte do seu rosto estava exposto, o suficiente para checar o que estava acontecendo.

Lewandowski se encontrava deitado no chão sem camisa e com as mãos atrás da cabeça. Tomou um pouco de fôlego e recomeçou a série de abdominais. Reus não deixou de reparar em como os gominhos da sua barriga se definiam durante os movimentos. Ele tinha um físico de dar inveja e parecia bem concentrado para alguém que acabou de acordar. Enquanto Marco sentia a exaustão por ele.

O polonês parou novamente após umas 30 flexões e pareceu chegar ao fim do exercício já que desfez a posição. Ele parecia cansado, pensativo, até mesmo um pouco angustiado e permaneceu um tempo encarando o teto.

Marco continuou percorrendo o olhar em pelo corpo ofegante. Robert tinha a pele clara e os poucos pêlos lhe davam a impressão de mais palidez ainda. À quem o julgasse, nem pareceria um criminoso já que a falta de detalhes como tatuagens típicas de facções não faziam jus ao estereótipo atribuído ao mundo marginalizado.

O loiro fechou completamente os olhos quando percebeu Robert se virar para a sua direção. O moreno demorou alguns segundos em silêncio até que começou a falar em voz baixa.

— Ei, Marco. Acorda, a gente trabalha hoje. A folga é só daqui a dois dias — sua voz estava um pouco mais rouca e falha que o normal, mas ainda assim suave.

Reus fingiu acordar com o chamado e lhe desejou bom dia. Se sentou, espreguiçou e tornou a olhar para o polonês. Lewandowski lhe chamou com um gesto de cabeça, flexionou as pernas e ergueu as mãos para frente pedindo ajuda para levantar.

O detetive infiltrado se posicionou de pé, segurou suas mãos e o puxou. Um segundo depois os dois estavam cara a cara, perto demais e Robert tinha um sorriso nos lábios. Marco só sabia disso pois seus olhos teimavam em focar na boca do moreno.

— Se você fosse meu, ganharia um beijo e um boquete de bom dia — o moreno disse ainda de mãos dadas.

Marco engoliu a seco e sentiu suas bochechas corarem furiosamente. Não queria demonstrar nervosismo, mas Robert fazia aquele jogo difícil há mais de uma semana. O loiro então soltou as mãos lentamente e se afastou um pouco.

— Eu vou ao banheiro! — avisou pegando alguns de seus pertences e saindo apressado da cela.

O loiro precisou lavar o rosto várias vezes com água fria até que parasse de ver aquela cara tola no espelho. Ele estava ciente de que o jeito mais fácil de se conquistar a confiança do alvo seria se envolvendo emocionalmente. Contudo, ainda hesitava qualquer aproximação do tipo, mesmo admitindo o quão difícil era desviar os olhos sempre que o via sem camisa.

Ao retornar para a cela se deparou com o polonês já vestido como de costume. Lewandowski sempre dava um jeito de fazer aquele uniforme lhe valorizar e diferenciá-lo dos demais. No entanto, o moreno parecia um pouco decepcionado por ver sua investida falhar mais uma vez. Não tinha informações sobre Marco, não fazia ideia se tinha namorada ou namorado fora das grades. Porém, sua própria necessidade falava mais alto do que nunca e sentia que valia a pena arriscar algo.


Meia hora após o café, Marco se prendia ao cinto de segurança enquanto o motor da van se aquecia. Ele tinha a leve e incômoda impressão que o guarda Bill o encarava pelo retrovisor ao invés de cochilar como de costume. Havia algum motivo para o grisalho não vê-lo com bons olhos e Reus não tinha a mínima ideia.

— Hm. Então hoje é só isso? — Robert olhava a prancheta com o cronograma — Sacos e mais sacos de batata, ok. Sobrou pra mim.

Robert deixou a prancheta no painel e cruzou os braços atrás da cabeça. O dia não estava bonito para se ouvir a rádio e cantarolar, seu passatempo seria assistir as gotas de chuva escorrendo pelo vidro. 

Marco já havia decorado o caminho até o Centro de Abastecimento e tirou o carro do estacionamento. O veículo passava ainda por um portão até que caísse na estrada. Windfeld ficava em uma região bem afastada da cidade e a paisagem florestal com pinheiros já os acompanhava durante um bom tempo. Lewandowski parecia gostar de apreciar a natureza, seu rosto expressava tranquilidade enquanto os olhos azuis refletiam a flora.

Marco o olhava de relance mas também sem desviar totalmente da pista. Observou Robert recostar a cabeça no vidro e soltar um longo suspiro que o embaçou. Em seguida o loiro checou o espelho retrovisor e notou que ainda era observado. O guarda Bill o vigiava fixamente e acabou o coagindo para que ele olhasse menos para Robert. 

Quatro horas depois, o furgão se encontrava dentro das grades de Windfeld, mais precisamente nos fundos onde os dois detentos se ocupavam descarregando os sacos de batatas. O guarda Bill os deixou assim que o veículo foi estacionado alegando a necessidade de fazer uma ligação, o que pareceu deixar Lewandowski ainda mais pensativo e Marco atento.

— Deixa que eu te ajudo! — Reus disse se apressando ao ver Robert pegar sozinho um dos sacos de 20 kg.

— Tá tranquilo, eu aguento mais que isso — o moreno quis se exibir e caminhou com o objeto no colo até a porta metálica que dava nos fundos da cozinha.

Reus o acompanhou apenas para abrir a porta e lhe deu espaço para o arremesso. Robert liberou o peso sem antes checar se havia algo na dispensa e levou um pequeno susto ao ouvir um gemido de dor.

Marco se juntou ao moreno para checar o que havia acontecido e notou que havia alguém debaixo do saco. Ele se espremeu para passar por Robert e agir removendo o peso quando ouviu o moreno ainda parado na porta soltar uma gargalhada ao ver quem era a vítima. 

Antoine apareceu um tanto assustado e com dor. Ele estava sentado nos fundos da dispensa quando os 20 kg caíram acertando também sua cabeça, por isso agora agonizava com uma forte enxaqueca. Lewandowski ainda ria quando Marco começou a falar.

— Você tá bem? Machucou muito?

— Não, tô legal… — o francês se levantou completamente tonto e precisou da ajuda de Reus para se manter de pé. 

— Qual é a graça?! — o detetive infiltrado alterou o tom, já estava ficando irritado.

Mas o polonês mal conseguia respirar de tanto gargalhar, quem dirá respondê-lo.

— Deixa pra lá… eu nem devia estar aqui mesmo… — o mais baixo murmurou.

— É assim que você aproveita o seu dia de folga? — Robert o interrompeu ainda rindo — Foi mal, mas você é muito estranho!

Marco deixou Antoine amparado perto de uma parede e olhou melhor para seu rosto. Ele tinha marcas de lágrimas, além do nariz e os olhos avermelhados.

— Não falem para ninguém que estou aqui, por favor.

Reus concordou com a cabeça e olhou sério para o seu colega de cela que finalmente se cansou de rir.

— Nem pro seu marido? O que aconteceu? — Lewandowski cruzou os braços e se esforçou para tirar o sorriso dos lábios.

Antoine pareceu tomar fôlego e repousou a mão sobre o peito massageando-o. 

— Ele me enganou… me usou como mula de tráfico. E agora estão me perseguindo por dinheiro! 

Dizer aquelas palavras foi o suficiente para fazê-lo voltar a chorar. Marco olhou para Robert que não tinha mais o ar da graça, e sim uma cara de decepção.

— E você vai fazer o que? Ficar aqui chorando até que descubram seu esconderijo? Sabe o que vai rolar quando te pegarem, não é? — Lewandowski se aproximou do francês — Arranja uma faca, aproveita que você trabalha aqui. Quando vierem de gracinha pra cima de você, é só revidar.

Sua verdadeira intenção não era ajudá-lo, e sim contribuir para que o francês fosse levado para a solitária ou transferido de presídio, assim Weindfeld não teria um assassino andando pelos corredores.

— Eu não quero ferir ninguém… Não sou assim.

— Tá! Até parece. Pra quem já matou duas pessoas isso vai ser mole. Foda é sumir com o corpo da própria noiva. Vai, me conta, o que você fez? Jogou ao mar? 

Antoine tinha uma expressão horrorizada à medida que a voz do moreno ficava cada vez mais irritada. Ele sabia que Lewandowski fazia parte da maioria que o detestava, seria previsível se fosse agredido ali mesmo.

— Ah, já saquei! Você só gosta de bater em mulher. Seu covarde! — o mais alto lhe deu um soco de leve no ombro, apenas para intimidá-lo ainda mais.

Marco apartaria caso o polonês partisse para a briga, mas tinha a impressão de que não seria necessário. Se Robert quisesse surrá-lo, já teria feito.

— Sobre a aposta… Você já sabia esse tempo todo? Naquele dia na enfermaria você mencionou algo sobre — o francês mudou de assunto, não suportava comentar sobre sua vida antes da prisão.

— É, fiquei sabendo. O que fez sentido já que o Olivier é hétero. Só ficou com você pra te usar.

Ao final da frase, Lewandowski espalmou contra a parede prendendo o cacheado entre seus braços.

— E agora? O que vai fazer? Você tá completamente sozinho nessa.

— Eu não sei… Não aguento mais viver assim… — o cacheado começou a soluçar. 

Reus tocou o ombro de Robert cansado de vê-lo pressionar o francês. Lewandowski tomou um pouco de distância, respirou fundo e chocou a todos com seu próximo gesto.

O moreno se apoiou numa das prateleiras e removeu seu coturno do pé esquerdo. Passou alguns segundos procurando por algo que parecia escondido num fundo falso e retirou um pedaço de lâmina. O objeto parecia bem afiado a julgar pelo cuidado com que ele o segurava.

— Fique com isso — disse entregando ao francês.

Antoine enxugou as lágrimas e pegou a lâmina. Era flexível e pequena demais para ser usada como defesa, parecia ter mais utilidade para arrumar carreirinhas de cocaína. 

Marco assistia a tudo achando inocentemente que Lewandowski queria ajudar o cacheado a sobreviver em Windfeld.

— Obrigado, mas o que vai querer em troca? — Antoine olhava para o pequeno objeto metálico ainda sem ideia do que fazer com ele.

Robert voltou a se equilibrar e calçou o sapato.

— Nada. Não vou ganhar absolutamente nada depois que você usar isso.

— Mas… usar pra que? — o mais baixo continuou confuso.

— Pra cortar os pulsos e pôr logo um fim nessa história. Você não é do tipo que consegue sobreviver na cadeia — cruzou os braços e o olhou friamente.

Reus sentiu sua nuca gelar ao ouvir aquilo. Chegou até mesmo a se rotular como idiota da vez só de imaginar que algo de bom viria de um criminoso como Lewandowski.

Robert sentiu que seu recado estava dado, calçou o sapato e saiu da dispensa para buscar mais sacos de batatas.

Marco não teve forças de encarar o olhar desamparado do francês e nem de falar algo que pudesse ajudá-lo. Antoine buscou outro lugar na dispensa, dessa vez longe da porta, e se sentou atrás de algumas caixas de madeira cheias de laranjas. O detetive infiltrado ainda pôde observá-lo guardando a lâmina no sapato e então permanecer quieto apenas sentado naquele canto escuro.

Robert trouxe mais um saco e dessa vez jogou no meio da dispensa para que Reus puxasse até o lugar certo. Alguns minutos depois a dupla terminou o serviço e saiu da dispensa sem trocar mais palavras com Antoine. Marco sentia pena do francês, mas também não tomou iniciativa para agir. Só conseguia pensar o quão monstruosa foi a atitude de Robert, tanto que agora mal conseguia olhar em seus olhos.



De noite, uma hora após as luzes das celas serem apagadas, Lewandowski retornou com os cabelos molhados e a toalha pendurada no ombro como de costume. Encontrou Marco já sentado na cama e fechou a porta deixando a luminosidade por conta da lua.

O polonês não dependia muito da claridade já que todos os seus pertences estavam em lugares memorizados. Assim ele pendurou a toalha na sua parte do armário e terminou de se arrumar.

— Marco, você tá estranho comigo… de novo.

— É tô sim. Fica difícil ser legal quando você manda um cara se matar na minha frente! — Dessa vez Reus pouco se importou com seu tom de voz. 

— Ah, então é isso… — o polonês disse em meio a um suspiro.

A visão do loiro já se acostumava à escuridão, ele viu quando Robert se aproximou e sentou na ponta da sua cama. Marco foi capaz de sentir o cheiro recente do sabonete da cadeia e se ajeitou no colchão para ficar de frente para ele.

— E se amanhã encontrarem o corpo dele com os pulsos cortados? 

Lewandowski soltou uma risada anasalada e mudou de posição apoiando um pé na coxa.

— Ninguém vai dar a mínima se um assassino se matar. O cara matou a noiva, depois matou um merdinha aqui na prisão e ainda cumpre perpétua. No caso dele, é melhor morrer do que passar o resto da vida aqui.

O loiro esquivava dos olhos azuis enquanto que Robert insistia em olhá-lo.

— E se ele fosse… sei lá. Um traficante? Ia merecer morrer também? — o detetive provocou.

— Você tem algo contra traficantes?

Lewandowski ergueu uma sobrancelha e expressou um pouco mais de seriedade. Isso era o suficiente para o detetive se convencer de que a prisão por porte ilegal de armas era apenas a ponta do iceberg.

— Não. Aliás, não conheço nenhum. Mas a maioria pega perpétua, assim como os assassinos. E aí? Isso torna a vida deles descartável também?

— Não conhece nenhum… — Robert abriu um sorriso irônico — Olha, Marco. Talvez você não saiba, mas na hierarquia do mundo do crime, o traficante está no topo. Então, mesmo que passe o resto da vida atrás das grades, será respeitado pelos os demais. Já um assassino não. É lixo. Só não é tão desprezível quanto um pedófilo ou estuprador.

Reus se ajeitou na cama ficando um pouco mais perto do moreno. Queria incentivá-lo a comentar mais sobre si. Lewandowski focou na boca do loiro como se tivesse alguma chance de convencê-lo a passar a noite acordado. Talvez só em seus sonhos o novato tivesse vontade de lhe dar prazer.

— E você? Quem é nessa hierarquia? Pensei que fosse um peixe grande, ou melhor, um tubarão — a voz um pouco mais baixa do detetive juntamente daquela aproximação por pouco não fez Robert perder o controle.

Ele queria ter intimidade para segurar a nuca do novato e dominar sua boca. Suas investidas para provocá-lo não funcionavam enquanto seu desejo só crescia. E, pra piorar, Robert sentia na pele os dois meses sem nenhuma troca afetiva, não gostava de pensar que estava carente, embora assumisse que aquela seca estava potencializando sua atração pelo colega.

— Vai dormir, vai — respondeu se levantando ao perceber uma tensão dentro de sua roupa íntima.

Marco percebeu a esquiva como uma forma de sair do assunto, já que estava encurralado e obviamente não abriria o jogo tão cedo. O moreno apenas se deitou e não trocou mais palavras, Reus fez o mesmo mas, pelo menos, foi dormir com uma leve sensação de vitória. Sabia ter fracassado com Antoine mais cedo, mas conheceu seu alvo um pouco melhor.

Já Lewandowski, teve que lidar com o tesão que sentia, juntamente da falta de privacidade para bater umazinha. Com certeza, essa lhe parecia a maior desvantagem em dividir cela. Foi difícil pregar os olhos com tanto desejo vindo à tona. Porém, se soubesse o quão intenso seria o dia seguinte, teria arranjado uma forma de relaxar mais.



Notas Finais


Capítulo que vem vai ser beeeeem tenso com direito a uma reviravolta na história

Não esqueçam de comentar❤❤


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