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História My Prisoner (Leweus) - Parte 1 - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Hoje o bicho vai pegar

E finalmente teremos o desfecho daquela história do bilhete

Capítulo 17 - Metamorfose


Faltava pouco tempo para a sirene da manhã tocar e Olivier mal havia pregado os olhos. Não conseguia ter paz sabendo que era o culpado por trás do sofrimento do colega de cela. Antoine se esforçava, mas nem mesmo esconder a cabeça debaixo do travesseiro abafava totalmente suas crises de choro. 

O loiro no outro canto da cela estava desolado, havia dormido com a mesma roupa com que passou o dia por não ter forças de encarar o chuveiro. A lâmina dada por Lewandowski permaneceu escondida no seu coturno, mas aparecia com frequência em sua mente, que cogitava pôr um fim naquela situação. Antoine pensava em seu pai hospitalizado, sua mãe nunca mais contactada e em sua falecida noiva. Nenhum deles merecia sofrer com seus erros. Giroud também não, mas escolheu permanecer ao seu lado mesmo que isso significasse perder todo o respeito que conquistou nesses dois anos atrás das grades de Weindfeld.

O sinal tocou, fazendo Olivier esfregar os olhos exaustos e Antoine se encolher ainda mais na cama. A dupla permaneceu em silêncio, toda a proximidade que construíram era agora dividida por um abismo. Giroud se sentou e o observou com um semblante triste, logo tomou a iniciativa de pegar uma garrafa abandonada perto da cama do colega e saiu da cela para enchê-la.

— Ei, Tony. Tô preocupado com você… — a voz grave veio junto do toque caloroso.

O loiro abriu os olhos e se virou, deparando-se com Giroud abaixado lhe oferecendo água. Olivier o olhava com pena e sentia vontade de abraçá-lo, por mais que fosse um homem de ações e não de tantas palavras, queria achar um modo de contar que seus sentimentos eram reais e não uma atuação por conta da aposta.

— Fala comigo… — apelou com um olhar de súplica.

Antoine se sentou e respirou fundo, seus olhos estavam um pouco inchados e com olheiras bem escuras. Aceitou a água e esvaziou a garrafa em poucos segundos. Giroud continuava abaixado na altura dos joelhos do loiro aguardando uma resposta. Olivier não pôde deixar de reparar no macacão empoeirado, o que era comum já que Antoine também não se arriscava em ir sozinho até a lavanderia. Mas daquela vez mais parecia que seu colega de cela havia deixado de lado qualquer tipo de autocuidado.

O loiro fechou os olhos deixando uma lágrima escapar, respirou fundo mais uma vez e decidiu finalmente responder.

— Preciso me afastar de você...

— O que?!

Antoine encarou o chão e franziu a testa. A sua realidade era cruel e não podia deixar Olivier se contaminar com seus problemas. 

— Mas e nós? Foi você quem disse que nunca ia me esquecer, lembra? — Giroud tocou seu joelho apelando por atenção.

Encarar seus olhos azuis totalmente arrependidos foi a gota d'água. Antoine não conseguiu mais se segurar e tornou a chorar. Olivier se sentou ao seu lado e lhe aconchegou num abraço apertado. Uma dor se instaurou em seu peito conforme as lágrimas do loiro umedeciam sua pele.

— Droga! E-eu… ainda gosto demais de você… — murmurou com o rosto apertado contra o peitoral do mais alto — Por que inventou aquela maldita aposta?!

Giroud não sabia se um dia seria capaz de perdoar a si mesmo por ferir Antoine. Sentia-se amargamente arrependido e tudo o que queria era um jeito de reverter seu erro.

— Tony, eu fui muito burro. Você não merece pagar por isso!

Antoine concordou, saiu do abraço e prosseguiu prestando atenção. Giroud tinha uma expressão diferente no olhar e falava de um jeito firme, parecia até já ter algo em mente.

— Já achei um jeito de te proteger, ok? Mas você vai ter que ser forte até lá — o mais alto tocou-lhe o rosto delicadamente.

Giroud sabia que ainda não tinha o seu perdão, porém queria beijá-lo apenas para ter no mínimo algo de bom quando se lembrar daquele dia. Antoine encarava seu próprio reflexo desleixado nos olhos azuis sem entender como havia conquistado o carinho de Olivier.

Foi quando o barulho da porta se abrindo desviou a atenção dos dois. Era o novo oficial de segurança contratado há dois dias. Seu nome era Kaizer, um grandalhão careca com uma cara de mau capaz de fazer o próprio diabo de benzer.

 Ele entrou encarando os detentos com desprezo, o que motivou Antoine a se afastar um pouco de Giroud.

— A que devo a honra? — Olivier disse contrariado pela intromissão — Veio nos apressar? Então  fique sabendo que a gente só trabalha amanhã. 

— Silêncio — Kaizer cruzou os braços e passou a focar no loiro — Sua nova cela é a 07-N, leve seus pertences agora.

— Como assim?! Eu não pedi pra trocar de cela — Antoine soltou apavorado — Aliás 07-N é a cela do Daniel! Não vou para lá! 

Mesmo sem motivos aparentes, Kaizer adentrou a cela e de uma forma súbita fez Antoine ficar de pé ao puxá-lo pela gola do macacão. 

— Aqui dentro você não passa de um verme! Então por que não facilita as coisas e só obedece as ordens?

Giroud se levantou e logo o livrou das mãos do oficial. O alemão de sotaque forte reagiu apanhando o cacetete em sua cintura como garantia contra Olivier. 

— Isso não é da sua conta, detento — alegou.

O moreno se afastou um pouco e conseguiu que o carcereiro guardasse o objeto.

— E você vai ter que se comportar se não quiser ter motivos para se desesperar — completou o com um ar sádico ainda encarando o loiro.

Antoine tinha a impressão de que havia algo de estranho por trás daquela mudança. Kaizer abriu um esboço de sorriso e tocou-lhe o queixo puxando a pele na tentativa de forçar o mais baixo a abrir a boca.

— Boa sorte, vai precisar… — disse olhando os lábios rosados com malícia.

Num gesto rápido, Giroud estapeou a mão do oficial novamente interrompendo o contato. O francês já esperava pela intromissão do guarda e pouco importava se iria levar uma ocorrência ou até ir para a solitária. Sentia-se como um ator sem talento naquele teatrinho barato, mas mesmo assim não deixaria Kaizer pôr as mãos em Antoine. Assim, o careca não o repreendeu de forma alguma e sequer reagiu ao tapa e, exercendo sua superioridade, deu as costas aos detentos e saiu da cela sem trocar mais palavras.

Olivier se perguntou se aquele seu plano era mesmo seguro para Antoine, mas também não havia mais como consertar nada. 

Já o oficial tinha a convicção de ter tudo sob controle, Kaizer se preocupava em enaltecer sua imagem de funcionário sério, embora não desse a mínima para os valores éticos além de aderir a atos de corrupção. Por isso resolveu aceitar o suborno de Blanc para colocar Antoine na mesma cela que Ricciardo, seria um trabalho fácil, sem riscos de ser descoberto e menos ainda de ser denunciado já que se tratava do francês cujo a família abandonara e nem recebia visitas de advogados. Mal sabia Kaizer que aquele pequeno ato daria início a uma série de eventos resultando na sua ruína.


***


— Ei, Bill. Não tem nada aqui — Lewandowski  falou folheando a prancheta presa ao painel da van.

Reus se acomodou no banco do motorista, fechou a porta e afivelou o cinto de segurança. A dupla trocou poucas palavras desde que acordou. Marco não estava com humor para conversar já que a ausência de Antoine no refeitório lhe fez pensar no pior, enquanto que Lewandowski  estranhava a mútua ausência de Giroud.

— É, temos algo um pouco diferente para hoje — respondeu olhando pelo espelho.

O moreno deu de ombros e se acomodou com a cabeça apoiada no vidro da janela. Ainda chovia muito naquela região trazendo uma sensação melancólica e desanimadora às nove da manhã.

— O que vamos fazer hoje? — Reus se virou para trás confuso com Bill.

— Vou dar um nó numa ponta solta — resmungou.

Aquela frase pareceu perturbar Lewandowski . Marco jurou te-lo visto engolir a seco e franzir a testa preocupado. Parecia até mesmo querer perguntar algo particular ao guarda. 

Bill deu ordens para Reus conduzir a van para fora do presídio e pegar uma estrada ainda não utilizada por eles. A rodovia levava para uma região ainda mais distante de Dortmund, com características serranas um tanto arriscadas para se percorrer naquele tempo. Se fosse um dia ensolarado, seria possível desfrutar da visão de um ponto mais alto da cidade, a vista dos pinheiros quase que enfileirados no terreno íngreme acompanhava a viagem ritmada pelo som das gotas da chuva na lataria da van. 

Depois de meia hora dirigindo sem trocar palavras, Reus diminuiu a velocidade e passou a prestar mais atenção em Robert. Ele estava ansioso, balançava a perna esquerda e mordia o lábio inferior. O polonês percebeu os olhares e fez um gesto expressando não ter a menor ideia do que estava acontecendo. O loiro tornou a prestar mais atenção na pista e de vez em quando checava o retrovisor recebendo de volta o olhar furioso do guarda.

— Bill, fala logo. O que tá rolando? — o polonês perguntou.

— Você ainda tem muito o que aprender, garoto. Já teria sacado se não pensasse só com a cabeça de baixo — o grisalho respondeu enquanto tirava sua pistola do coldre.

Marco e Robert se viraram para trás e depois se olharam confusos. Devido à falta de atenção, a roda do veículo acabou passando por uma poça de lama, o que quase fez o loiro perder a direção. 

— Olhos na pista! Você também tem muito o que aprender, nunca nem desconfiou do bilhete, não é?

Reus segurou o volante com força e acertou a direção, seus olhos focaram no asfalto molhado enquanto sua mente raciocinava. Sua nuca ardeu de tão fria e suas mãos começaram a transpirar. O bilhete mencionado só podia ser o da revista que recebeu no primeiro dia. 

— Que bilhete, Bill? Fala direito, o que tá rolando?! — Lewandowski  continuou virado para trás e alterou a voz.

O detetive infiltrado não podia deixar a resposta do guarda arriscar a missão, não sabia o que Robert seria capaz de fazer caso desconfiasse dele. Seus olhos verdes assustados se cruzaram pelo espelho com o olhar frio so grisalho, a essa altura Marco já tinha certeza do que ele estava falando e teria que agir primeiro se quisesse continuar vivo. Naquele instante, Bill destravou a arma mas não chegou a ter tempo de mirar, o loiro se adiantou e, sem muita escolha, acelerou e jogou a van para fora do acostamento.



Um apito distante devolveu lentamente os seus sentidos e o som da chuva o forçou a abrir os olhos. Marco se sentiu tonto e confuso até entender que estava de cabeça para baixo, preso apenas pelo cinto de segurança. Mas um palavrão proferido do banco de trás foi o que lhe trouxe totalmente de volta a realidade.

Ainda se utilizando do espelho retrovisor, Reus localizou Bill com um ferimento na cabeça deitado no que antes era o teto da van. O guarda irritado tinha dificuldades para enxergar por culpa do sangue que adentrava seus olhos, mas mesmo assim sabia bem o que tentava alcançar. Na outra ponta do espelho estava o reflexo da pistola, há poucos centímetros da mão do grisalho.

Reus então teve que ignorar o polonês desacordado ao seu lado, se soltar do cinto de segurança e cair no teto para então engatinhar em direção à arma. 

— Garoto, é você? — Bill perguntou na esperança de Robert respondesse, mas com o silêncio soube com quem estava lidando — Policial de merda! Quem foi que te mandou?!

Bill perdeu tempo tentando limpar seus olhos e Marco conseguiu se colocar entre o homem e a pistola. Segurá-la era sinônimo de deixar digitais, Reus estava em parte aliviado por descartar a possibilidade de levar um tiro, porém ainda não sabia o que faria com um guarda que sabia sua identidade. 

O grisalho continuou sem enxergar e tateando ao seu redor acabou tocando os cabelos de Marco. O que veio em seguida foi um soco forte o suficiente para deixar um hematoma bem notável, ainda zonzo o loiro buscou esconder o rosto e aguentar mais alguns golpes. Ficar na defensiva não o levaria a lugar algum, além de ser uma perda de tempo até que Lewandowski acordasse e corresse o risco de ouvir a verdade.

Em sua carreira, Reus já havia tido a infeliz experiência de tirar a vida de uma pessoa antes de ser detetive. E essa ideia tomou sua mente como única alternativa para não arruinar a missão e continuar tendo a esperança de descobrir o que aconteceu com seu pai.

— Robert! Acorde! — Bill gritou ao sentir o corpo do outro rolar para cima do seu.

Reus o imobilizou e checou o banco da frente para conferir o polonês, que o tranquilizou por continuar caído inconsciente contra o vidro frontal.

— Vai me matar? — Bill se esforçava para se livrar do policial — O que quer com Robert?!

— Oskar Reus… — Marco falou baixo perto de seu ouvido e o prendeu com mais força.  — Conhece alguém com esse nome?

— Entrou nessa para achá-lo? É melhor desistir.

A resposta do guarda teve o efeito esperado no loiro que mal acreditou estar perto de obter informações sobre o desaparecimento de seu pai. Aproveitando a distração, Bill conseguiu enxergar um pouco do que havia ao seu redor, sendo o suficiente para localizar a arma. Num impulso, apesar de limitado pela posição em que se encontrava, foi capaz de livrar um braço, tocar o metal gelado e trazer a pistola para perto.

Marco conseguiu agir a tempo chutando o objeto e empurrando o grisalho para o lado oposto à arma. O detetive infiltrado ouviu um grito e em seguida notou uma poça de sangue se formar rapidamente. Uma haste de ferro que havia se soltado durante o acidente atravessou as costas de Bill, deixando-o sem tempo para sequer dizer suas últimas palavras.

Marco pareceu não assimilar o que havia acabado de acontecer e esperava que Bill tivesse apenas desmaiado. E só acreditou em seus olhos minutos depois, quando o sangue continuou escorrendo pelo interior da van o fazendo retornar à parte da frente do veículo.  Seu reflexo no retrovisor revelava um homem pálido, embora não sentisse pânico. Reus permaneceu um tempo quieto aliviado por se livrar do único homem que descobriu seu disfarce e, enquanto olhava o moreno desmaiado ao seu lado, se perguntou até onde estaria disposto a ir para atingir seu objetivo. 




Notas Finais


E aí, quero saber quem já desconfiava do Bill
Aliás, deixei uma pista no próprio nome
Bill, Bilhete, "Billhete"
Quem aqui reparou?


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