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História My Sweet Prostitute - Capítulo 32


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Notas do Autor


Muito feliz com os comentários e favoritos
Era pra ter saído ontem, mas ocorreu imprevistos


Boa leitura!

Capítulo 32 - Capítulo 31


Fanfic / Fanfiction My Sweet Prostitute - Capítulo 32 - Capítulo 31

Pov Regina

 

- Se minhas filhas entrarem em depressão por sua causa, eu vou até a Inglaterra te matar.

Aquela era Elsa chorando. Era assustador, e não porque eu não entendesse o que ela sentia, mas sim porque ela sempre me pareceu forte demais para conseguir derramar uma única lágrima. Mas seu tom de ameaça ainda me dava medo.

- Vocês podem ir nos visitar quando quiserem. - Emma falou, tentando se defender.

- E nas mãos de quem eu deixo a sua empresa, sua idiota?

- Só por uns dias. Se algo der errado, pode pôr a culpa em mim.

Ela fungou, enxugando o rosto. Não conseguia deixar de encarar seus olhos incrivelmente vermelhos.

- Tudo pronto, senhora. Quando quiser. - Rick chegou, falando um pouco alto por causa do vento forte. Me perguntei se aquele seria o clima padrão de todas as nossas viagens.

- Ok então. - Emma disse, se virando para Elsa e a abraçando. As duas ficaram ali por um longo tempo. Ela poderia estar falando algo no ouvido dela, mas eu não saberia dizer por causa do ruído do vendaval. Ambas ficaram muito quietas, e me perguntei se no momento em que se afastassem, eu conseguiria ver minha namorada emocionada. Bem, quase.

Quando encarei seu rosto, vi que Emma não chorava, mas a tristeza em sua expressão era evidente. Quando me virei para Elsa, fui tomada pelo seu abraço surpreendentemente forte, embora não fosse desconfortável. Imaginei em quanto tempo Swan se colocaria entre nós e daria um escândalo sobre a distância mínima entre alguém e a minha barriga, e a força que poderia ou não ser empregada ali. Mas ela não se manifestou.

- Gostaria de ter te conhecido melhor. - Ela começou, me olhando - Desculpe se algumas vezes pareci fria. Eu só me preocupo demais. Mas sei que você vai fazê-la feliz.

Encarei-a tentando lidar com o nó doloroso na garganta. Ela ainda tinha aquele olhar forte e aquela aura de poder, mas não me senti intimidada. Aquelas últimas semanas haviam me ajudado a superar um pouco disso.

- Eu também gostaria que tivéssemos nos conhecido melhor. E não seu preocupe quanto à felicidade dela. Se depender só de mim, ela está garantida.

- Sei disso. - Ela disse, segurando minhas mãos - A parte boa é que eu acho que realmente só depende de você.

Sorri, sabendo que aquilo era um pequeno exagero. Mas, para variar, seus olhos me diziam o contrário.

- Cuide-se. E tenha paciência com ela. Swan é meio exagerada, mas é porque é completamente apaixonada por vocês. - Ela finalizou, apontando para minha barriga.

- Vou ter. - Falei, dando um beijo em seu rosto e caminhando para o lado de Emma, que já me esperava ao lado das portas abertas do seu avião particular.

A despedida foi dolorosa. Emma tentava esconder, mas era perceptível a quantidade de vezes que ela engolia para não deixar as lágrimas caírem. Embora eu soubesse que ela era durona, sabia também que estava se separando da sua melhor (e talvez única) amiga. Muitas pessoas conseguiam lidar com isso, e ela era, de certa forma, um desses casos. Mas eu a conhecia bem demais para saber que aquela despedida estava a corroendo por dentro. Mesmo que ela se deixasse corroer em silêncio. Subitamente, me senti triste.

- Você queria ir?

Ela tirou os olhos da pequena janela que dava para a pista, do lado de fora, e olhou para mim surpresa, provavelmente se perguntando do que eu falava.

- Como?

- Queria ir pra Londres? Queria se mudar pra lá?

Ela estava visivelmente triste. Eu não sabia até que ponto aquela viagem era para mim, e até que ponto era para ela. Mas tudo indicava que estávamos nos mudando exclusivamente por minha causa. Porque ficar ali era arriscado demais para a nossa felicidade. E se ela não quisesse ir? E se estivesse fazendo aquilo unicamente para me esconder das lembranças que pudessem me encontrar? Ela riu, se virando outra vez para a janela, apenas para assistir ao asfalto correndo debaixo de nós. Como se minha pergunta tivesse sido boba demais.

- Sim. Eu queria. Sempre quis.

Continuei encarando-a curiosa.

- Por causa de Elsa. - Ela falou de forma simples, voltando a me olhar quando as rodas do avião perderam o contato com o chão. Antes que aquela informação pudesse fazer um sentido errado para mim, ela prosseguiu - Resolvi ir um dia, mas ela me impediu. Disse que tinha uma intuição, para que eu ficasse nos Estados Unidos. E que a hora de ir chegaria. Eu só tinha que esperar um pouco.

Ela segurou minha mão com carinho e a beijou. Continuei olhando-a com uma expressão que devia ser engraçada. Ela soltou um risinho abafado quando deixei claro que não sabia o que dizer. Elsa era...

- Assustadora, né? - Ela completou meu pensamento.

- Um anjo... - Balbuciei, enquanto acreditava naquilo aos poucos. Pelo seu olhar, ela também achava que sim.

- Uau. Um dia ensolarado na Inglaterra. Isso é mágico.

Rick parecia realmente surpreso com o tempo aberto. Antes de ouvi-lo se pronunciar, pudesse estar um pouco drogada pela grande quantidade de suco de maracujá que havia ingerido durante toda a viagem, já que calmantes eram totalmente proibidos na gravidez. Como meus nervos não se importavam com isso, optei por um calmante natural. Mas não era isso. O dia estava realmente, realmente lindo.

- Deve ser a primavera. - Ele completou, olhando um pouco abobalhado para o céu de um azul vivo. O dia não estava exatamente frio, mas a temperatura era quase agradável.

- Você está bem? – a loira me perguntou ao pé do ouvido, me tirando de um leve estado de letargia.

- Sim. Só com um pouco de sono.

Ela fez uma careta e fez menção de falar. Eu a interrompi.

- Eu dormi bem à noite. Não tem nada a ver com isso.

Emma estava sendo insistente em se culpar pela minha noite de sono mal dormida no avião, dizendo que "não deveria ter dividido aquela cama de solteiro com você, isso deve ter te deixado desconfortável." Tudo bem, eu estava mesmo relativamente maior agora, mas o cuidado dela era sempre tão grande que simplesmente não havia como ficar desconfortável em seus braços.

Entramos no táxi, rumo a algum lugar que só Emma sabia. Ainda que sonolenta, eu estava animada. Me permiti esquecer completamente malas, bolsas e tudo que não estava comigo naquele momento. Ela provavelmente havia acertado tudo de alguma forma, e eu sabia que, no final das contas, toda a bagagem acabaria aparecendo no lugar certo.

Deitei minha cabeça no ombro dela e relaxei. O taxista faria todo o trabalho. Eu não precisava olhar pela janela para me localizar e me acostumar àquele novo lugar. Havia tempo suficiente para isso depois. Cochilei quase que instantaneamente, sentindo o vento fresco da fresta de uma das janelas abertas e chacoalhando de leve com alguns buracos suaves na estrada. Quando paramos - não sabia dizer ao certo quanto tempo depois - acordei sentindo a falta do movimento que me embalava. Olhei para a janela, reparando em um portão imponente e conhecido se abrindo aos poucos, para que o táxi entrasse no jardim.

- Eu sei que você está cansada... É só pra dar um "Oi" rápido, depois vamos pra casa.

Eu não me importava com meu cansaço. No momento em que o carro parou à frente da porta de entrada, me senti incrivelmente animada com a ideia de rever Mary e David e de contar a eles que estávamos nos mudando para perto. Por isso, antes que Emma pudesse fazer alguma coisa, abri a porta e saí, agradecendo ao motorista de qualquer jeito.

Caminhei devagar até subir os degraus da pequena escada na entrada e parei, esperando. Estava tão excitada que sentia uma estranha vontade de pular. Olhei para trás impaciente, observando a loira pagar o taxista e caminhar a passos lentos até mim.

- Anda logo! Abre!

- Pensei que estivesse com sono... - Ela falou, de bom humor, enquanto procurava as chaves no bolso.

- Durmo depois.

Depois do que pareceram semanas, Emma encontrou a chave certa no molho e girou a maçaneta. Ela parecia calma, até um pouco divertida com a minha agitação. Tive vontade de socá-la.

- Vai! Você na frente! - Falei, já empurrando-a para dentro do hall de entrada.

- O que te faz pensar que eles querem me ver antes de você?

Encarei-a com um olhar de desprezo, mas resolvi ignorá-la, empurrando-a outra vez. Queria que Mary a visse logo. Por algum motivo, eu me sentia estranhamente bem em vê-la feliz estando perto de Emma.

- Visitas! - Ela berrou de repente, me assustando. Parei de empurrá-la e esperei ao seu lado, me perguntando se era possível alguém não ter ouvido sua voz e a reconhecido. Segundos depois, como se tivessem ensaiado, Mary e David saíram, respectivamente, da sala de estar e do escritório, colocando suas cabeças para fora do hall e tornando aquela cena engraçada.

- Ora, ora!

- Vocês chegaram!

Ambos tinham um sorriso esplêndido no rosto, e senti uma súbita vontade de abraçá-los. Mas me contive. Foi quando eles passaram por Emma e vieram me cumprimentar que fui pega de surpresa.

- Ah, olhe a sua barriga!

- Está quase do tamanho da Ruby!

- Você está linda!

Olhei para a minha namorada, ainda um pouco aturdida.

- Eu sou invisível. - ela pontuou, sorrindo tranquilamente. Ok. Talvez sua pergunta não tivesse sido assim tão idiota.

- Está se sentindo bem? Quer sentar? - Mary continuou a falar comigo, como se a filha realmente não existisse.

Comecei a achar graça daquilo.

- Estou bem, obrigada.

- Ah, fiquei tão feliz em saber que é uma menina! - Ela continuou, e me perguntei em que momento Swan havia contado aquilo a eles - Era o que vocês queriam?

- Era o que EU queria. - Emma falou um pouco mais alto, chamando a atenção dos pais para si.

- Filha, não falei com você! – A mãe dela falou de forma inocente.

- Eu sei. - ela riu, abrindo os braços e a envolvendo de tal forma que fez com que Mary quase desaparecesse em seu peito.

- Estou muito feliz de tê-las outra vez aqui. Gostaria muito que viessem mais vezes...

- Bom... Nós vamos ficar. - Emma a interrompeu, fazendo com que ela a encarasse durante algum tempo, as duas ainda abraçadas.

- Por quanto tempo? - Os olhos dela brilharam.

- Hum... Até segundo plano, pra sempre.

Mary fez uma cara de quem não só tinha acabado de descobrir que Papai Noel existia, como também o estivesse abraçando.

- VOCÊS VÃO SE MUDAR PRA CÁ?

- Bom não pra cá exatamente... Mas daqui a dois quarteirões, sim. - Ela brincou.

- AHHHH!

Mary abraçou e beijou Emma efusivamente, ignorando qualquer um que estivesse naquele lugar. Ela parecia incrivelmente feliz, e reparei que quando sorria, parecia mais jovem e bonita. Estar na companhia dos filhos realmente a fazia bem, e sem querer me senti um pouco responsável por toda aquela alegria, já que, de um jeito ou de outro, nós estávamos ali por minha causa.

- Por que vieram pra cá? - Ela perguntou, sorrindo e com os olhos cheios de lágrimas, ainda agarrada à cintura da loira.

- Regi gostou daqui.

Aquilo não era verdade. Bom, era. Mas não o verdadeiro motivo. Por isso, me senti um pouco culpada por não merecer o olhar de gratidão que Mary dirigiu a mim, e igualmente culpada por não poder desmentir aquilo.

- Mas ela sempre quis vir. - Adicionei, falando aquela verdade recém descoberta - Tomamos essa decisão juntas.

A morena voltou a encarar Emma com carinho.

- Pelo menos agora vou ter uma filha perto de mim. Vou poder até ver minha neta crescer!

- Uh-oh... Acho que vocês vão ter que colocar grades na casa, ou terão uma avó intrusa. - David riu de forma tranquila, e isso foi o suficiente para lembrar a todos de sua presença ali.

- Você! - Ela se virou com um olhar assassino, caminhando devagar para ele como um tigre prestes a atacar, e pela primeira vez tive medo de Mary - Você sabia!

- Claro que sabia, querida. Não permitiria que a minha filha viesse pra cá e deixasse a filial da minha empresa nos Estados Unidos nas mãos de qualquer um.

- E por que não me disse?

- Porque ela queria fazer uma surpresa pra você.

Ela continuou encarando-o, como se quisesse encontrar algum motivo para cravar as unhas nele. Quando finalmente se deu conta de que aquele argumento era válido, semicerrou os olhos e soltou baixinho um "Idiota!" dando logo em seguida um soco no ombro dele. E então a imagem me pareceu incrivelmente familiar. Foi como ver a mim mesma dando um soquinho em Emma enquanto usava meu xingamento favorito.

- Panda Albina!

A voz soou alegre e divertida em algum lugar, e de repente, parado à nossa esquerda, Neal pareceu se materializar.

O que ele estava fazendo ali? Ele não morava na Alemanha?

- Gênio! - Emma retrucou, abraçando o irmão. Ele se virou para mim, mas como todos que me encaravam ultimamente, manteve os olhos por algum tempo na minha barriga.

- Caramba, Regi! Então é verdade! - Ele falou, me dando um beijo rápido no rosto - Sempre pensei que os espermatozoides da minha irmã fossem muito frescos pra conseguir engravidar alguém. Menina de sorte você, hein? Ou não.

- Oi, Neal. - Respondi - Mais um sobrinho pra você. Ou melhor, sobrinha.

- Legal! Vamos rezar pra ela não puxar essa cara feia da Emma. - Ele disse gargalhando.

- Ei, Neal! Vou te mostrar quem tem a cara feia aqui. - Ela respondeu, e talvez eu fosse reprimi-la, caso Ruby não surgisse do nada também ao nosso lado, de mãos dadas com Killian.

Porra, o que estava acontecendo?

- Vocês parecem ter sempre 13 anos. - Ela falou de forma calma.

Emma abraçou-a, tentando se moldar a sua mais nova forma de grávida. A barriga dela realmente estava maior que a minha, já que tínhamos aproximadamente dois meses de diferença.

- Então, vão ser quase "primos gêmeos," né? - Killian brincou, apontando para nossas barrigas enquanto me cumprimentava.

- Ei, Emma. Toma cuidado. Se o guri nascer com o fogo da Ruby, vai querer traçar a priminha cedo.

- Não seja retardado, Neal. - Ruby falou, ignorando o irmão solenemente - Regi!

Aquela cena deve ter sido engraçada, porque as duas barrigas entre nós realmente atrapalhavam o abraço.

- Então é menino? - Perguntei, colocando a mão na barriga dela e imaginando se sentiria alguma coisa.

- Sim. Um menino meio agitado.

No momento em que ela falou aquilo, senti um chute incrivelmente forte na minha mão que continuava no seu umbigo. Levei um susto.

- Uau!

- Ele não para quieto. Acho que o prefiro aí dentro. Quando sair, tenho certeza que minhas horas de sono vão diminuir drasticamente.

- Já gostei dele.

- Neal, por que não cala a boca? Sua voz está me irritando. - Ela disse, demonstrando seu humor claramente afetado pela gravidez.

- É exatamente por isso que não calo a boca. - Ele respondeu de forma simples, piscando para ela.

- Emma e Regi vêm morar em Londres!

Todos se viraram para Mary, que parecia à espera do momento certo para soltar aquela notícia. Como ninguém parava de falar, ela aproveitou o único e raro segundo de silêncio para se manifestar. Killian e Neal pareceram surpresos.

- Sério? Que legal! - O primeiro disse, indo apertar a mão de Emma.

- E com quem ficou a empresa nos Estados Unidos? - O segundo perguntou, depois de dar um tapinha em suas costas.

- Elsa. - Ela respondeu simplesmente, e Neal consentiu com a cabeça.

- Eu acho que já sabia. - Ruby falou baixo, mas todos ouviram.

- Emma, pra quantas pessoas você contou? - Mary perguntou, um pouco puta.

- Ela não me contou. - Ruby se pronunciou outra vez, tentando desfazer o mal entendido. E todos entenderam.

- Ei, será que o guri vai ser esquisito que nem a Ruby? - Neal lançou na roda, e pelo olhar em sua expressão, eu tive certeza que ela planejava degolá-lo enquanto ele dormia.

Aquela conversa se dava no hall de entrada mesmo. Todos estávamos muito confortáveis ali, e ninguém havia sequer se lembrado de cadeiras ou bebidas. Mas enquanto o papo continuava, eu me perguntava o motivo daquela reunião familiar. Era claro que os irmãos de Emma gostavam muito dela, mas não era o caso de fazerem uma viagem internacional com o único propósito de estarem presentes em sua mudança. Momentos depois, minha pergunta foi respondida.

- Pronto pra ficar mais velho, chefe? – Neal perguntou, dando um soco no ombro do pai.

- Sempre.

Era o aniversário de David, e eu havia esquecido completamente daquilo. Lembrei de Emma mencionando, um dia, o aniversário do pai em primaveras londrinas, mas ultimamente eu andava tão distraída que aquela informação havia sido deixada esquecida em algum canto do meu cérebro. Por isso Neal, Ruby, Killian e, em parte, Emma e eu, estávamos ali.

- E você, Regi? Pronta pr...

Neal foi parando de falar aos poucos, sem que eu entendesse o que estava acontecendo. Sem pensar, olhei para Emma e vi que ela sustentava um olhar assassino para o irmão, fazendo com que se calasse.

- Pronta pra ser mamãe? - David falou em voz alta, como se tudo estivesse perfeitamente normal, e como se aquela fosse a mesma pergunta que o filho faria, caso Emma não o tivesse fuzilado com os olhos. Mas eu sabia que aquela não era a mesma pergunta.

- Eu... - Comecei, ainda achando tudo muito esquisito - Sim, claro. Prontíssima.

- Sabe aquele inferno todo que dizem ser os partos? É tudo exagero. Você vai ver. - Mary chamou minha atenção, aos poucos fazendo com que a situação momentaneamente esquisita voltasse a níveis normais.

- Tomara... Mas de qualquer forma, acho que vale a pena sofrer um pouco por isso. É por uma boa causa, não é? - Falei, já alisando minha barriga de forma carinhosa inconscientemente. Os olhos de Mary brilharam outra vez, enquanto ela respondia com uma voz apaixonada:

-Vale. É a melhor sensação do mundo. Você e Rubs vão entender isso um dia.

David abraçou sua mulher carinhosamente, vendo que provavelmente todas aquelas grávidas a estavam deixando mais sensível.

- Não sabia que você gostava tanto assim de crianças. - Ele falou, e eu pude notar um brilho suave em seu olhar, o mesmo brilho que surgia nos olhos de Emma toda vez que ela faria ou diria alguma besteira. - Quer fazer uma?

Mary deu uma cotovelada no peito do marido e Killian arregalou os olhos, fazendo um ''o'' com a boca como se estivesse realmente chocado. Ruby começou a rir, e eu só consegui segui-la em uma gargalhada.

- Ah, puta que pariu, papa! - Neal falou, fechando os olhos com força - Isso é nojento!

- Você está com inveja, isso sim. – a irmã implicou - Só porque até o papa e a mama mandam ver e você continua solteiro.

- Cale-se, Jabulani.

- Não xingue nossa irmã, seu merda. - Emma falou em tom de brincadeira.

- Cale-se, panda albina.

Ruby mostrou a língua para ele, e ele balbuciou algo como ''você tem sorte de estar grávida, senão...''

Eu estava em casa. Estava feliz, estava confortável, mas também desconfiada.

Por hora, me permiti relaxar e me sentir bem-vinda, não só a Londres, como à família da minha namorada. Ali era, realmente, o meu lugar favorito no mundo. Mas eu sabia que tinha alguma coisa que estava sendo escondida de mim. Lembrando da cena esquisita de Neal e do olhar esquisito de Ruby para Emma, era mais do que óbvio que eles sabiam de algo que eu não sabia. E eu queria saber.

De repente, me peguei imaginando que o motivo da presença de todos eles ali não se dava somente pelo aniversário do patriarca Swan. Havia algo mais. Algo que, de alguma forma, eu ia acabar sabendo.

Fosse descobrindo sozinha ou fosse ameaçando a loira de morte.

O que seria uma visita rápida, apenas para dar um ''oi'', se estendeu por algumas horas. Talvez porque Ruby estivesse lá, tagarelando sobre sua gravidez e tudo que já havia aprendido com ela. Ou talvez porque Mary insistisse para que ficássemos para o lanche da tarde, como um pretexto para manter ali a família reunida. Ou então porque não queríamos ir embora mesmo, como se uma força invisível nos prendesse ali e fizesse com que não quiséssemos ir a nenhum outro lugar ou estar na companhia de mais ninguém além daquelas pessoas. Mas como Emma precisava saber o que havia sido feito da nossa bagagem (já que eu não sabia sequer sob a responsabilidade de quem elas estavam), saímos de lá às 19h em ponto, mesmo que Mary insistisse para que dormíssemos por ali.

- Amanhã nos vemos outra vez, mama. Estamos realmente a dois quarteirões de distância. São menos de cem passos.

Mas como, na cabeça doentia de Emma, caminhar era uma tarefa excepcionalmente perigosa para uma grávida, ela não abriu mão de mais um táxi até a nossa casa. Resolvi não contrariá-la, talvez porque estivesse cansada e com dor nas costas.

Chegamos um minuto depois. Já estava quase escurecendo. Paramos em frente a um portão de ferro cheio de detalhes, que foi aberto imediatamente por ela. Ao passar por ele, entramos em um jardim, e mesmo que fosse difícil enxergar bem, eu sabia que era grande - embora modesto, se comparado à casa dos Swan's.

- Pode esperar um minutinho aqui? Tenho que fazer uma coisa. - Emma apertou minha mão com carinho, falando ao pé do meu ouvido.

- Depende. Você vai voltar? - Perguntei de maneira retórica, sentindo o cheiro maravilhoso da grama me tomar por todos os lados e me fazer quase entrar em algum tipo de transe. Ela riu.

- Um minuto.

E dizendo isso, caminhou para frente. Segui sua silhueta com os olhos, e foi só quando ela sumiu atrás de uma parede que me dei conta de que havia uma casa logo à nossa frente. Mas era difícil descrevê-la, já que a noite começava a cair aos poucos. O barulho de grilos estava alto. Outra vez, inspirei com força para sentir o cheiro do mato fresco.

Junto com ele, pude sentir também o perfume de algumas flores noturnas. Eram doces. De um doce intenso, quase místico. Outra vez me senti bem. Foi de repente, e quando me dei conta, as imagens à olhos. Muitos postes de luz baixos se acenderam ao mesmo tempo, alguns com luz branca e outros com luz verde. O lugar havia se materializado à minha volta, e me vi no meio do jardim mais lindo que já havia visto na vida.

Era de um verde tão vivo e intenso que parecia recém pintado. Aqui e ali, tufos de flores incrivelmente coloridas prendiam a atenção dos olhos, como se estivessem ali unicamente para dar mais vida a algo que já era belo. Alguns dos postes, agora acesos, dispunham-se em todos os lugares, distribuídos de uma forma que desse para visualizar cada canto daquele lugar. Alguns outros alinhavam-se com uma trilha perfeita e caprichada que formava o caminho de pedras planas, pelo qual devíamos passar para que a grama se mantivesse linda e nova daquele jeito. Era mais ou menos como estar em um jardim encantado, e eu não me surpreenderia, de forma alguma, se encontrasse uma fada passeando por ali.

Olhei para frente, agora encarando a casa a poucos metros de nós, iluminada também em muitos pontos por pequenas lâmpadas presas à extensão das paredes. Como Emma havia me dito, era mesmo menor que a casa de seus pais. Mas isso não significava, de forma alguma, que fosse pequena. Havia uma varanda com bancos clássicos e cercada por um muro baixo, que parecia, quase em sua totalidade, coberto por algum tipo de trepadeira. Dela, pendiam flores brancas muito pequenas e delicadas, fazendo um lindo contraste com o verde vivo do mato. Os bancos combinavam com o branco perfeito da casa inteira, em um estilo clássico muito parecido com o da casa dos pais dela. Aqui também havia dois andares, o segundo mostrando duas janelas muito grandes e posicionadas exatamente acima do telhado que cobria a varanda, me fazendo concluir que naquela casa havia, pelo menos, dois quartos.

A porta era de madeira escura, contrastando com o tom claro da pintura. Havia uma árvore muito grande e cheia ao lado da casa, iluminada por um poste particularmente alto e forte, que se mantinha embrulhado entre os galhos tortos. Via-se, por isso, que a árvore era totalmente preenchida por flores de um rosa incrivelmente vivo. Varri os olhos outra vez pelo lugar, tentando colocar todos os pequenos detalhes juntos e vivos em minha memória. Tudo, absolutamente tudo ali era perfeito. E eu sequer havia entrado na casa.

- E então? - Ouvi uma voz outra vez ao pé do meu ouvido e senti braços me abraçando por trás. Ela chegou perto demais. O perfume de Emma havia se misturado com todos aqueles perfumes que pesavam no ar, e tive a sensação de que, se existisse um paraíso, ele devia ser exatamente daquela forma.

- É... Eu não sei como dizer isso... - Tentei organizar os pensamentos e falhei vergonhosamente.

- Gostou?

Soltei um riso debochado. Era uma pergunta boba, para dizer o mínimo. A pergunta chegava a ser idiota.

- É humanamente impossível não gostar daqui... E ''inumanamente'' também. - Respondi em um tom baixo proposital, querendo que os sons do jardim continuassem mais altos que a minha voz. Era como se eu estivesse imersa em uma atmosfera de magia, e eu sabia que não estava sonhando. Nenhum sonho poderia ser tão perfeito.

- Vamos. - Ems falou, me puxando delicadamente com uma das mãos.

Assim que passamos pela porta escura, em tom de mogno, senti o clima acolhedor, diferente do refrescante do jardim. Não era, no entanto, desagradável. As noites da Inglaterra costumavam ser frias, e ter uma casa quente para se aquecer era ideal. Olhei em volta e por um momento tudo de que tive ciência foi uma total escuridão, já que todas as luzes do interior da casa se mantinham apagadas. Mas no segundo seguinte, Emma alcançou o interruptor e, com um clique, cinco ou seis lâmpadas se acenderam, mostrando que estávamos as duas agora em pé diante de um hall, com as escadas imediatamente à esquerda e, à direita, uma grande sala de estar.

Sem esperar, entrei no cômodo. O lugar era completamente diferente do apartamento de dela nos Estados Unidos. Se lá o interior dava uma impressão minimalista e completamente moderna, com toda a mobília seguindo um padrão reto e muito seco, limitando-se ao branco e preto, aqui a aparência era mais clássica, com cadeiras e poltronas fofas e acolchoadas, muito cheias de curvas, e tudo em vários tons de creme e marrom. O chão era coberto por um carpete bege fofo, o que não impedia a existência de vários tapetes menores e coloridos, embora todos puxassem para o mesmo tom. As mesas, cadeiras e móveis eram detalhadamente trabalhados, dando ao ambiente um aspecto da era vitoriana. A um canto, um enorme piano clássico de cauda se mostrava imponente em meio a tantos detalhes, na frente de uma das cortinas grandes que cobriam as janelas do mesmo tamanho. Um lustre que aparentava ser feito de minúsculos pedaços de cristais pendia do teto e iluminava tudo em volta. Havia almofadas por toda a parte, uma lareira grande e com entalhes dourados ficava à frente das poltronas e sofás. Entre eles, se estendia um tapete felpudo e de aparência confortável. Do outro lado, mais cadeiras e sofás se dispunham à frente de um móvel gigantesco, quase uma estante, apresentando, além de vários objetos de decoração antigos, uma televisão moderna e fina. E eu tinha certeza, embora não soubesse como, que aquela era a mesma tv que ficava na sala do apartamento de Swan.

- Tudo certo. - Ouvi alguém falar, e como se tivesse sido trazida de volta, olhei para ele. Como minha expressão devia estar um pouco confusa, ela explicou - As malas. Estão todas aqui. Encarei toda a bagagem, agora disposta de forma caprichada no chão, próxima ao pé da escada. Me dei conta de que talvez demorasse alguns dias para notar a ausência dela. Ignorei-a.

Caminhei um pouco aturdida, passando por um espelho muito grande e dando dois passos para a cozinha. O chão era coberto por tábuas corridas em tom de madeira clara, tão polidas que refletiam todos os pequenos e fortes pontos de luz no teto. No centro, uma bancada muito grande com mármore mais escura era decorada em volta por seis bancos altos, fazendo dela um tipo de mesa, mas que ainda cedia lugar a uma pia grande e brilhante e um fogão de seis bocas . Havia uma fruteira enorme bem no centro, além de pequenos enfeites. As quatro paredes eram totalmente cobertas por armários e bancadas em tom de mogno.

- Gostou? Ignorei-a outra vez. Ela tinha que parar de perguntar aquilo. O simples fato dela não ter certeza quanto à minha resposta me irritava.

Caminhei mais um pouco pelo corredor com ela atrás de mim. As lado esquerdo, uma porta se abria para o que parecia uma biblioteca-escritório, coberto de cima a baixo e de um canto a outro por estantes de madeira vazias. A grande janela na parede oposta, à mostra pelas cortinas recolhidas, mostravam uma parte do jardim que eu não havia chegado a ver. Ficava na lateral da casa. Mais adiante, outra porta mostrava uma grande sala de jantar, com uma mesa de dez lugares. Dois lustres penduravam-se do teto e, na parede ao fundo, mais uma janela mostrava o resto do jardim deixado na sala anterior. No final do hall, havia uma divisão que deixava, à direita, a ampla área de serviço. Do outro lado, era preciso ainda fazer uma curva à esquerda para entrar no recinto. Havia um tipo de bar pequeno, com algumas bebidas à mostra. Luzes amarelas em pontos muito pequenos no teto davam um tom âmbar ao lugar. Logo mais a frente, algumas cadeiras de piscina estavam dispostas em ângulos perfeitos, e depois delas, a piscina em si. Não era reta, mas sim cheia de bordas, e de um azul tão vivo que chegava a ser escuro. A escada era submersa, formada pelos mesmos azulejos do fundo. O lugar era fechado. A parede mais à esquerda era formada por portas de vidro, de correr, que mostravam o resto do jardim ainda iluminado lá fora e mais um lugar de lazer, com churrasqueira e, ao que parecia, uma mesa de sinuca. As outras paredes eram maciças e claras. O chão era formado por tábuas de madeira escura, com pequenas frestas entre elas. Pelos cantos, surgiam vasos grandes de plantas, dando um tom mais natural ao lugar. À frente da porta de vidro, uma escada dava para o andar de cima.

Não consegui raciocinar por algum tempo.

- Vamos ver o resto. - Ouvi outra vez sua voz atrás de mim, muito perto do meu ouvido. Tremi um pouco, caminhando de maneira mecânica para a escada. Chegamos ao andar de cima em um tipo de varanda para a área da piscina. Imaginei como seria uma festa naquele lugar.

Mais à frente, entramos em um corredor amplo e comprido. Havia três portas à direita. A primeira pertencia a uma suíte de casal bastante confortável e já toda mobiliada. A segunda pertencia a um banheiro social, todo em mármore claro, com absolutamente tudo que um banheiro poderia ter. A última escondia um tipo de sala de vídeo, onde uma das paredes consistia, inteiramente, em um tipo de rack com um home theater e a maior tv que eu já havia visto em toda a minha vida. A outra parede era, de um lado ao outro, ocupado por um largo e gigantesco sofá preto, de aparência incrivelmente fofa, com travesseiros por todos os lados, inclusive jogados no tapete felpudo. Era praticamente um cinema particular. Ao final do corredor ficava a escada que daria para o andar de baixo, no hall de entrada, onde nossa bagagem continuava esperando.

Exatamente em frente à sala de cinema, um corredor perpendicular mostrava mais três portas: duas do lado direito (com as janelas visíveis à frente da casa) e uma do esquerdo. Abri a primeira porta à direita e encontrei uma suíte de solteiro, neutra. Também totalmente mobiliada.

Ao abrir a segunda porta, meu coração deu um salto. As paredes do quarto eram, na sua metade superior, brancas, e na inferior, de um amarelo muito suave. Os móveis incrivelmente delicados eram tão brancos e pequenos que pareciam sujáveis e quebráveis ao menor toque. No canto mais iluminado e suspenso por dois degraus havia um berço claro coberto por um mosquiteiro elegante e branco. Em volta, vários ursos de pelúcia e bonecas de todos os tipos davam ao ambiente uma aparência de conto de fadas. Aquele quarto pertencia, definitivamente, a uma princesa.

- Amarelo é neutro. Não vamos precisar pintar de outra cor se das próximas vezes vierem meninos.

Continuei pregada ali, encarando tudo de boca aberta. Já não me importava parecer uma idiota. Eu estava deslumbrada com aquilo, e não pretendia fingir naturalidade.

- Ahn... - Ela recomeçou, já que eu continuei na mesma posição por algum tempo, talvez sem respirar - Quer ver o nosso quarto?

Não me mexi. Eu ainda analisava cada detalhe, por menor que ele fosse. O sofá com babados, a mesinha e cadeiras no estilo vitoriano, os cristais que pendiam do teto. O armário entalhado com minúcias, o tapete fofo redondo e até, meu Deus, um unicórnio colorido de balanço!

- Amor? - Emma insistiu, talvez com medo de que eu estivesse morta. Encarei-a um pouco aturdida. - Falta o nosso quarto...

Me mexi por impulso, caminhando até a porta do outro lado da parede e abrindo-a sem esperar por ela.

Era um quarto grande. Gigantesco. Seria fácil brincar de pique-pega ali dentro. Na parede oposta, de frente para a porta, ficava a cama de casal com lençóis em tons de bege e marrom. Ela era elevada em dois degraus, dando àquela peça um efeito superior ao resto do quarto. Havia muitos travesseiros arrumados de forma reta sobre o colchão, combinando com o edredom fofo. Atrás da cabeceira, apenas uma linha fina de luz dava um ar mais iluminado e claro à parede onde a cama ficava. Duas poltronas e uma luminária grande se dispunham a um canto para leitura. A tv fina, fixada à parede à frente da cama, era maior que a da sala. A parede à esquerda era lisa, com uma porta apenas, dando para o closet quase três vezes maior que o do apartamento antigo de Emma. Na parede à direita, uma outra porta abria-se para um banheiro igualmente grande e espaçoso, com louças e mármores que se misturavam entre tons de preto, tabaco, bege e branco. A banheira era grande e redonda e ficava em um dos cantos. O box, imediatamente ao seu lado, era espaçoso e podia comportar facilmente dez pessoas ali dentro. Havia duas pias de mármore escuro separadas, uma para cada um dos ocupantes do quarto. O vaso sanitário era da mesma mármore. Havia ainda um banco de três lugares, duas bancadas e, como se não fosse suficiente, um minúsculo jardim. Voltei para o meio do quarto, e esse processo exigiu dez passos contados. E então, parei. Eu não sabia como agir. Não sabia o que fazer ou o que dizer. Não sabia sequer para onde olhar.

- Você gostou? - ela repetiu. Encarei-a, agora completamente ciente da sua presença ali. Aquilo me soava como uma pergunta retórica, mas ela a fazia como quem realmente não soubesse a resposta.

- Eu... - Não consegui continuar. Era necessário deixar claro o que eu estava sentindo, mas não sabia se existia uma combinação certa de palavras que me permitisse isso. Aquilo era, para dizer o mínimo, perfeito. Simplesmente perfeito. Aliás, era mais do que perfeito. Chegava a ser exagerado. Mas Emma, com sua incrível capacidade de não entender minhas reações, se apressou em falar:

- Nós podemos mudar algumas coisas, se você quiser, claro. Só não te deixei participar porque queria fazer uma surpresa, mas podemos...

Me movi para frente sem pensar, e quando notei que o movimento me faria beijá-la, parei a menos de um centímetro da boca dela, encarando-a nos olhos.

- Cale-se. - Falei - E não ouse mudar um único travesseiro de lugar. Eu amo, amo absolutamente tudo aqui. Cada cor, cada tecido, cada centímetro. Amo o clima, amo o estilo, amo o cheiro daqui. Amo tudo que esse lugar me faz sentir, amo o fato de você estar aqui comigo. Amo você. Amo muito você. E ainda acho que é tudo muito perfeito pra não ser um sonho. Então posso te pedir uma coisa? - Falei, olhando-a nos olhos e tomando suas duas mãos nas minhas, como se elas coubessem ali - Por favor, prometa que se eu acordar você vai estar do meu lado.

Ela sorriu diante das minhas palavras, provavelmente porque elas não faziam sentido nenhum. Mas não me importei, encarando-a como quem espera por uma resposta.

- Prometo. - Ela finalmente falou, encostando sua testa na minha.

Beijei-a uma vez, e outra vez, e repetidas vezes. Seus braços deram uma volta completa na minha cintura, me puxando mais para perto de si. Ela aprofundou o beijo. Prendi seus cabelos entre meus dedos e não o permiti que se afastasse nenhum centímetro, e foi quando todos os pelos do meu corpo já estavam eriçados que Emma, em um movimento muito rápido, agarrou minhas pernas e fez com que elas se prendessem à sua cintura. Não ousei abrir os olhos, forçando meus sapatos com cada um dos pés e deixando-os caírem em qualquer lugar. No segundo seguinte, me senti afundar completamente no colchão macio, me perdendo no meio dos edredons. Ela se deitou sobre mim, passeando a boca pelo meu pescoço, e me senti de alguma forma protegida ali. Quando sua boca voltou à minha, me agarrei a ela com força, tentando tirar seu casaco e sua calça com um pouco de pressa.

- Já vamos estrear a cama? - Ela perguntou, rindo baixinho no meu ouvido enquanto se afastava um pouco, me dando espaço para finalmente desabotoar os botões de sua calça.

Abri os botões e o zíper da sua calça, puxando-a de qualquer jeito para baixo, junto com a boxer. Eu sequer conseguia ver o que estava fazendo, mas sabia que se continuasse empurrando para longe todo o tecido que meus dedos tocassem, conseguiria tê-la como eu queria: Nua. Comecei a me contorcer, tentando sair das minhas próprias roupas. A loira me ajudou, puxando minha calça para baixo e, ao mesmo tempo, abrindo os botões da minha camisa. Quando senti minha calcinha ser jogada em algum lugar, abri as pernas e deixei que ela se colocasse entre elas de joelhos na cama. Senti meu quadril ser suspenso por uma de suas mãos, e um segundo depois senti seu pau entrando em minha boceta. Durou alguns minutos. Minhas unhas e dentes pareciam ter vontade própria contra a pele dela. Pedi desculpas algumas vezes, mas desisti assim que me dei conta de que ela parecia não se importar, embora seus ombros e costas provavelmente estivessem em carne viva.

Swan já estava se acostumando com minha libido, mas naquele momento ela estava um pouco maior: O perfume dela, misturado com o cheiro daqueles travesseiros, estava me entorpecendo de uma tal maneira que eu queria simplesmente devorá-la. Talvez literalmente. E quanto menos eu me importava em feri-la, mais cuidado ela tinha comigo. Embora eu desejasse profundamente que ela me comesse com mais força, comecei a aceitar que sexo selvagem teria mesmo que ficar para depois da gravidez. Ao final, acabamos as duas cansadas demais para levantar. Me agarrei a ela e deixei que seus dedos brincassem no meu cabelo.

- Gostou mesmo? - Ela perguntou baixinho, quebrando um longo silêncio e retomando o assunto de antes.

- Não. Não tem sauna a vapor nem quadra de tênis. - Respondi irônica, ainda de olhos fechados.

- Posso providenciar isso. Tem espaço...

- Faça isso e eu te mato. - Respondi, beliscando com vontade seu braço - Já não foi o suficiente tudo que gastou pra comprar essa mansão?

- Não gastei um centavo com a casa. Ela sempre foi minha.

Encarei-a curiosa.

- Sério?

- Sério. Ruby e Neal têm casas por aqui também. Eu só tive que mobiliar...

Gemi, escondendo o rosto no peito dela. Eu tinha total convicção de que a mobília, por si só, devia ter custado uma fortuna. Mas, de qualquer forma, era realmente bom saber que ela não havia comprado aquela casa só pra ''garantir o meu conforto'', coisa que exigia muito menos que aquele palácio. Me preparei para responder alguma coisa, mas meus estômago trovejou.

- Estou com fome. - Falei, um pouco envergonhada pelo barulho. Ela se desvencilhou do meu abraço e se levantou, ficando de pé ao lado da cama e me oferecendo uma mão.

- Vamos tomar um banho. Preparo alguma coisa pra você depois.

Eu estava realmente faminta. Mas por algum motivo, Emma me estendendo a mão, maravilhosamente nu e pronto para me dar banho parecia mais convidativo.

- Ok. - Comecei, aceitando seu apoio e me levantando - Vamos fazer uma caminhada até o banheiro. Acho que vou comprar patins pra chegar mais rápido lá. - Inexplicavelmente, ela ficou sem graça, e imediatamente me arrependi de ter feito a brincadeira.

- Podemos colocar a cama mais no canto...

- Ei... - Falei me aproximando dela de pé em cima da cama e segurando seu rosto entre as mãos - Estava brincando. É perfeito.

Ela me encarou, ainda duvidosa, e sua cara de cachorrinha abandonada me fez querer enchê-la de beijos.

- Eu não tinha certeza quanto à decoração, quanto à pintura... Não sabia se estaria bom pra você...

- Emma, tudo está bom pra mim, contanto que você venha incluída no pacote.

Ela sorriu como uma criança contente e beijou a ponta do meu nariz.

- Agora, vamos logo. Ainda estou com fome. - E apenas para tornar o clima mais descontraído, pulei em seu colo e, envolvendo minhas pernas na sua cintura, adicionei - Mas você me leva. É realmente muito longe.

E ela me carregou como quem carrega um bebê no colo, rumo ao tão, tão distante banheiro.

 

***

 

Havia apenas duas malas no quarto: Uma minha e outra de Emma. As restantes permaneceram exatamente onde estiveram a noite anterior toda: Ao pé da escada. Arrumaríamos os armários depois.

- Bom dia! - Ela me recebeu com uma voz entusiasmada na cozinha, preparando algumas torradas enquanto passeava de lá para cá com um pano de prato estrategicamente dobrado sobre o ombro, dando aquele ar de cozinheira caseira.

- Bom dia. - Respondi ainda sonolenta, mas ao sair do corredor forrado por um carpete creme (assim como o restante da casa) e entrar na cozinha, com piso de tábua corrida, o atrito entre minha meia e o chão não foi o suficiente para me manter equilibrada. Escorreguei um pouco, patinando de forma idiota enquanto tentava restabelecer o equilíbrio e não cair. Quando consegui, me segurando na porta, olhei-a outra vez. Ela estava mais branca que o normal, uma das mãos estendidas com um pote de mel no ar e os olhos tão arregalados que quase saltavam das órbitas. Emma me encarava estática, falando lentamente, em choque.

- Não... Caia...

Achei engraçado o fato de ela conseguir pronunciar aquelas palavras sem aparentemente mover nenhum músculo.

- Não caí.

- Quase caiu...

- Então... ''Quase.''

Fiz menção de caminhar ao seu encontro, mas ela deu um grito estranho e agudo, então sequer cheguei a me mover.

- Porra, não me assusta assim! - Falei, querendo dar um tapa nela.

- Não... Se... Mova! - Ela falou, como se eu estivesse prestes a entrar em um campo de guerra cheio de minas terrestres. Esperei até que ela viesse até mim, me levando para fora da cozinha de volta ao carpete fofo do corredor. Ela suspirou.

- Espera aqui. Pelo amor de Deus, não entre nessa cozinha.

Emma subiu de dois em dois degraus e eu esperei, já rindo sozinha de todo aquele drama. Quando ela voltou, trazia nas mãos duas pantufas rosa-chiclete.

- Calce isso. É emborrachado embaixo.

Eu calcei sem objeções, mas só porque estava com fome. Em situações normais, debater com ela sobre seus cuidados exagerados era divertido.

- No final dessa gravidez você vai estar mais grisalha, ansiosa e estressada.

- Só, pelo amor de todos os santos, não se machuque.

- Ok. Posso descer pelo corrimão da escada?

Ela me encarou chocada, como se eu tivesse acabado de admitir que usava drogas.164

- Estou brincando. - Falei, já com medo que ela tivesse ataques convulsivos de pânico. Não tinha como negar que eu me divertia com os exageros dela, embora isso fosse cruel. Ela realmente sofria com medo de que algo acontecesse comigo e, consequentemente, à sua filha, mas suas ideias de proteção eram tão absurdas que chegavam a ser engraçadas.

Tomamos o café da manhã preparado por ela bem devagar. Eu queria ver tudo outra vez, cada pequeno detalhe daquela casa agora na luz do dia, mas sabia que teria tempo de sobra para isso depois. Por isso, aproveitei os pães integrais, as geleias, os sucos e tudo mais que estava à minha disposição.

- Vamos almoçar na casa dos meus pais. Tudo bem? - Ela falou, sentando-se no banco ao meu lado e espalmando a mão na minha barriga, como sempre.

- Não vamos estrear a nossa cozinha? - Perguntei, já um pouco desanimada, mas nem tanto. Passar tempo com os Swan's sempre era divertido.

- Eu já estreei. - Ela sorriu debochada para mim.

- Mas eu não. - Fiz cara de traída.

- Podemos estrear depois. - Ela balbuciou ao pé do meu ouvido, envolvendo seu outro braço na minha cintura - Você pode me ensinar a fazer aquela sua sobremesa. Podemos comer juntas hoje à noite.

Eu sempre achei incrível a capacidade que Emma tinha de conseguir tornar imoral com tanta rapidez uma conversa comum, fosse com palavras ou com toques, sem nem ao menos falar com todas as letras o que ela queria dizer. E o único motivo pelo qual eu não reclamava daquilo era porque eu adorava.

- Depende. - Respondi, entrando no jogo, encarando-a de forma doce mas tentando provocá-la - Você vai comer tudo?

Ela soltou um gemido baixo, me encarando nos olhos. A loira ainda não sabia parecer tão sedutora e "fodona" quando eu respondia às suas provocações no mesmo nível, e ao contrário, acabava se entregando.

- Vou. - Ela respondeu baixo, puxando o banco em que eu estava sentada mais para perto de si. - Como tudo se você deixar...

Com a maior naturalidade, peguei outra torrada com geleia e mordi um pedaço, fazendo cara de paisagem. Era claro que eu sempre tentava parecer casual nesses momentos, mas a verdade era que eu mesma queria sair por cima na situação. Mesmo que sua proximidade sempre me deixasse louca de vontade de dar a ela o que ela queria. E conforme a gravidez avançava mais difícil era controlar esses impulsos de jogá-la em cima de uma mesa, arrancar suas calças e montar nela como se aquela fossa a última trepada da minha vida.

- Tudo bem. Eu te ensino a fazer hoje à noite. - Parei, encarando-a com um olhar de dona da situação, e apoiei um braço no banco onde ela estava sentada, entre suas pernas, fazendo com que meu braço tocasse propositalmente e sem a menor cerimônia seu pau já bastante animado - Mas se você deixar uma única gota...

Ela soltou outro gemido, tentando se controlar ao falar ainda mais perto da minha boca e agarrando meu braço sem se dar conta, prensando-o com ainda mais força contra seu pau:

- Não vou deixar... Você sabe disso...

Continuei encarando-a, como se a desafiasse a perder o controle.

Quando Swan parecia prestes a implorar para me comer, fiquei de pé e me afastei.

- Ok. Vamos logo. Seus pais e seus irmãos já devem estar nos esperando.

Recolhi meu prato e meu copo, levando-os até a pia que ficava naquele mesmo balcão e comecei a lavá-los, parecendo distraída. Não a encarei outra vez, e ela não voltou a falar. Terminei de limpar as coisas, calcei minhas pantufas rosa chiclete e subi para o quarto, apressando-a a fazer o mesmo e trazer as malas quando subisse.

Não demorou muito tempo, e Emma apareceu sem mala alguma no quarto.

- Vai mesmo me deixar assim? - Ela perguntou como se exigisse uma resposta. Me fiz de desentendida.

- "Assim" como?

- Você sabe como. Essa gravidez está te deixando cruel.

Senti vontade de rir, mas me contive.

- Não sei do que você está falando.

Ela se aproximou de mim um pouco rápido, e por um segundo imaginei que ela fosse me atacar. Mas, ao contrário, parou na minha frente e, tomando minha mão sem cuidado, forçou-a contra seu pau outra vez. Ele estava duro como uma pedra.

- Estou falando disso. - Ela disse, me olhando como se sentisse dor.

- Simples palavras conseguem fazer isso com você? - Perguntei, fingindo surpresa. Eu sabia que ela estava daquela forma sem nem mesmo precisar tocá-la.

- Você sabe que sim.

Emma falava como uma menina triste, e aquilo era adorável.

- Bom, já estamos atrasadas... - Comecei, mas fui interrompida no mesmo segundo por palavras e por mãos bastante animadas.

- Podemos nos atrasar mais um pouquinho.

- Não... - Comecei, tentando me desvencilhar dos braços e da boca dela - Controle seu tesão.

- A culpa é sua! Não me julgue!

Eu estava lutando, mas sabia que não adiantaria, simplesmente porque não estava me empenhando o suficiente. Se eu realmente deixasse claro que não queria, ela pararia com aquilo, mesmo contrariada. Mas seus hormônios em fúria de uma menina de 17 anos estavam enfurecendo os meus próprios hormônios, até certo ponto controlados.

- Se seus pais ou seus irmãos mencionarem o nosso atraso, vou deixar claro que a culpa foi sua.

Segurei sua blusa pela gola e a virei, empurrando-a para a cama atrás de nós e pulando em cima dela como um tigre pula em cima da presa.


Notas Finais


Vocês acham que a Emma tá aprontando? kkk
Me deixa saber o que acharam do capítulo, que volto logo, logo

Beijos e até a próxima!


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