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História My Sweet Prostitute - Capítulo 4


Escrita por: _Yumi_uchiha_

Notas do Autor


Tenham uma boa leitura!
♥️♥️♥️♥️

Capítulo 4 - Capítulo 4


Pov Dahyun

- Momo?

- Ah, graças a Deus! Estava preocupada! Onde está?

- Em casa. Momo, minhas reuniões..

- Isso! Tem cinco cavalheiros já esperando na sua sala há uma hora!

- Você que vai fazer essas reuniões.

- O quê?

- Você me ouviu. Vai fazer no meu lugar. Não estou com disposição pra ir até aí.

Ela ficou em silêncio por algum tempo.

- Senhorita Kim, eu sou apenas...

- Uma secretária, eu sei. Mas no momento, eu estou te dando o poder de decidir tudo por mim. Nós duas sabemos que você toma conta dessa empresa muito melhor do que eu. Consequentemente, sabe melhor do que eu o que é bom ou ruim pra ela.

- Mas...

- Estou contando com você, Momo. Eu sei que vai se sair muito bem.

Ela hesitou.

- Tudo bem. Eu vou fazer o meu melhor.

E desligou.

Eram 10h da manhã, e eu ainda estava na cama.

Merda. Estava entrando em depressão de novo. Minha falta de ânimo tinha melhorado nos últimos dias, mas parecia voltar com força total.

Eu ficaria naquela cama o dia inteiro. Talvez ligasse a TV, quando cansasse de olhar para o teto. Talvez dormisse de novo. Não importava. Só sabia que não queria me levantar.

Mas a fome chegou com mais rapidez do que eu pensava. Cozinhei um macarrão à bolonhesa e fui comer na cama, assistindo ao noticiário. O dia havia sido incrivelmente monótono. Vazio. Duas, três, cinco horas se passavam sem que eu fizesse absolutamente nada.

Resolvi checar meus e-mails para ler alguns contratos e adiantar um pouco do trabalho que me esperava no dia seguinte. Um dos e-mails era de Momo, dizendo que as reuniões haviam corrido bem, e que grande parte dos problemas estavam se resolvendo.

- Santa Momo - Murmurei.

Li nove ou dez contratos sem muito interesse, com a esperança que a noite chegasse. Mesmo sem interesse, perdi a noção do tempo e a noite chegou. Quando dei por mim, já eram 23:30h.

E como uma criança prestes a viajar para o Pólo Norte no Natal, eu me vesti para ir ao The Lux.

Cheguei ao recinto, o ambiente um pouco mais lotado que o normal.

Claro, essa era hora que mais clientes iam se divertir.

Caminhei pelo salão, procurando por Nayeon. Ao invés disso, encontrei Irene, próxima ao bar.

- Olá - Acenei.

- Dahyun, querida! Onde esteve ontem? Por que não veio?

Eu tinha vindo, mas a única pessoa a me ver foi Shuhuna. Como não queria dar muitas explicações, menti.

- Estava muito ocupada ontem.

- Fico feliz que não esteja hoje. Já escolheu sua acompanhante?

- Nayeon. Onde ela está?

- Ah, Nayeon já está com um cliente...

- MAS QUE MERDA!

Irene me olhou com curiosidade. Tentei me recompor, passando a mão nos cabelos.

- Também vai ficar a noite inteira com esse?

- Não, ela já deve estar descendo. Mais uns cinco ou dez minutos.

- Vou espera-la então. E Irene, se ela tiver algum esquema de agendamento, me coloque como a próxima da fila - Pelo amor de Deus, que dificuldade só para ficar com aquela mulher!

- Ela é tão boa assim? - Irene perguntou, supresa.

Não respondi. Pedi uma dose de Whisky e bebi, sem prestar atenção em mais ninguém.

- Ah, ali está. O cliente dela já saiu do quarto.

Vi um homem de meia idade, grande. Metade forte, metade gordo, um pouco suado. Tive realmente pena de Nayeon. O homem veio em nossa direção. Alcançando-nos, dirigiu-se à Irene e falou com uma voz animada:

- Minha cara, que maravilha você tem ali. A boquinha dela é um paraíso - E olhando para mim, sorriu, já indo embora.

Senti uma raiva quente borbulhando dentro de mim como leite fervendo. Raiva daquele homem, raiva do seu sorrisinho amarelo, raiva por saber que Nayeon teve que aturá-lo.

- Mais um Whisky - Ordenei a menina do bar.

- Dahyun, daqui a pouco Nayeon vai descer. Vou tomar conta dos outros clientes. Não vai sentir a minha falta, não é?

- Não, Irene. Fique à vontade - Falei, dando um gole na dose da bebida que acabava de ser posta à minha frente enquanto via Irene se afastar, me deixando sozinha no meio do salão.

Analisei silenciosamente as pessoas daquele ambiente. Nayeon havia me dito que atendia dez cliente por noite.

Dez clientes do tipo do homem que tinha acabado de sair? Ou dez clientes do meu tipo?

E por que eu achava que ele e eu éramos diferentes em algo? Nós dois pagávamos por sexo. Nós dois éramos patéticos e infelizes. Comíamos garotas de programa porque era fácil, porque o dinheiro ajudava. Porque fugíamos da vida medíocre que levávamos, sem amor, sem ninguém.

Senti uma mão fraca me tocar no ombro direito e, virando-me, encontrei Nayeon.

A primeira coisa que notei foi duas marcas em cada canto da sua boca.

Dois hematomas vermelhos, que chegavam até suas bochechas. Depois reparei nas olheiras. Reparei também que ela tinha um corte em uma das maçãs do rosto. Embora o corte não fosse profundo, contrastava visivelmente com o tom da sua pele.

Seus cabelos, agora molhados do provável banho que havia tomado, estavam soltos, mas mesmo assim consegui ver muitas marcas em seu pescoço, em maior número e mais escuras do que da última vez que eu a havia visto.

Ela vestia uma blusa amarela de manga até os pulsos, uma calça jeans e um sapato qualquer. Ainda assim, algumas marcas eram visíveis também nas costas de suas mãos, o que me fazia acreditar que havia muito mais por debaixo daquelas roupas.

Mas que merda é essa?

Pela primeira vez, Nayeon falou antes de mim:

- Eu estou livre... - Ela deu um passo à frente, olhando em meus olhos.

Senti o conhecido cheiro de amêndoas misturado com shampoo e pasta de dente.

Continuava fitando seu pescoço, meus olhos iam dali para os cantos de sua boca.

O que diabos havia acontecido com ela?

E então me dei conta do que ela tinha acabado de dizer:

Como assim "estou livre"?

Ela estava se oferecendo para mim? Olhei em seus olhos de chocolate, ela me encarava de volta com intensidade. Como se pedisse que eu a escolhesse.

- Eu não tenho nenhum cliente agora. Estou livre, se você quiser ficar comigo - Repetiu.

Sim: Ela estava se oferecendo para mim. E cada palavra que ela pronunciava soava como um pedido. Seus olhos estavam tristes, mas esperançosos.

Até o modo como se oferecia era diferente do de uma puta.

Lembrei de Shuhuna e pude constatar a diferença gritante entre as duas.

- Olá, Senhorita Nayeon. Está com receio que alguém desse salão te escolha?

Ela olhou em volta, um pouco acuada.

- Não... É que eu pensei que você quisesse... - Ela hesitou, parecendo sem graça - Você já está de saída?

- Ah, sim. - Ela sorriu um pouco, parecendo quase aliviada. - Eu...não estou, agora.

Fitei-a por alguns segundos sem dizer nada.

- Ótimo - Concluí depois de um bom tempo - Dez minutos?

- Dez minutos - E dizendo isso, se afastou de mim, rumo às escadas que davam para o corredor com quartos do The Lux.

Pov Nayeon

Acordei com dores de um sono sem sonhos. Dores nos quadris, nos ombros, nas costas, nas pernas. Dores por dentro e por fora. O sono havia me permitido a falta de consciência por alguns segundos após ter acordado. Infelizmente, quando a consciência veio, trouxe junto com ela lembranças da noite anterior.

Um rapaz bonito, inicialmente gentil. Um rapaz que pagou para ficar uma noite inteira comigo e que, ao final dela, me deixou em um estado deplorável.

Um rapaz que me violentou!

- Nayeon, está acordada?

Eu não queria responder, e queria que Jennie parasse de bater na porta. Sentia-me um lixo. Um nojo, um trapo humano.

- Nayeon! Já são 13h!

Levantei-me devagar, testando a força nas minhas pernas, tentando não sentir muita dor. Ajeitei o cabelo com os dedos e fui abrir a porta. Jennie estava em pé, com uma bandeja nas mãos, trazendo um prato de cereal e suco de laranja.

- Perdi a hora - Falei, sem vida.

O susto que ela levou quase fez com que a bandeja se esparramasse no chão. O copo deslizou um pouco, mas ela se apressou a mantê-lo onde estava.

- Nayeon... O que...?

Ah, sim. Eu. Eu era o motivo da sua reação de espanto, de incredulidade. Eu deveria estar por fora o mesmo trapo que estava por dentro. Cheia de marcas, cheia de resquícios de uma noite violenta e cruel.

Sem a menor curiosidade em me ver no espelho, apenas abaixei a cabeça.

- Um cliente. Um pouco entusiasmado.

- Nayeon... Eu sei o que é um cliente entusiasmado! Isso é diferente.

Caminhei de volta para a cama e me deitei, puxando o cobertor. Jennie me seguiu, depositando a bandeja no criado mudo ao lado da cama e sentando-se nela, ficando perto de mim.

- O que aconteceu?

Sua voz, assim como ela, era gentil. Jennie era a mulher que eu mais gostava na casa. Ela se preocupava genuinamente com todas nós. Era uma amiga muito agradável e doce, embora eu a conhecesse havia pouco tempo.

Mas a doçura na sua voz, que normalmente me acalmava e fazia com que eu me sentisse melhor quando algo ruim acontecia, dessa vez provocou outra reação em mim. A doçura de sua voz despertou o rancor e o desespero do que havia acontecido.

E então, sem mais nem menos, me pegando completamente desprevenida, a vontade de chorar veio como um tapa, e eu não pude me conter.

- Ele me pegou a força! - Falei alto, enquanto começava a soluçar com o rosto enfiado no travesseiro, como se eu pudesse esconder dela que chorava, um choro cheio de dor. Só dor.

- Nayeon... - Ela murmurou em um lamento genuíno - O que ele fez?

- Me obrigou a fazer... Me forçou a fazer o que eu não faço! O que nunca fiz! - Eu tentava controlar os soluços entre as palavras, mas a dor e a tristeza já tomavam conta de mim.

- Ah, não... - Ouvi Jennie dizer em uma voz fraca e triste - Nay, eu... Ah, merda...

- AAAAAAAHHHHHHHHH! - Gritei um grito abafado pelo travesseiro, tentando conter a dor no peito.

- Calma, calma... - Ela deitou de lado na cama, me abraçou e beijou meus cabelos, tentando me acalmar. Se houvesse alguém que poderia me acalmar numa situação daquelas, esse alguém era Jennie.

Não sei quanto tempo fiquei chorando ali. Ela continuava me abraçando, tentando conter meus soluços. Não era um choro normal, daqueles silenciosos. Era um choro que fazia perder o fôlego. Um choro forte, cheio de lamentações. Lamentações não só pela noite anterior, mas por toda aquela vida. Toda aquela maldita vida que eu levava há tantos anos. Por ser o que era, por fazer o que fazia. Por noite após noite, ser olhada de cima a baixo, não como um ser humano, mas como um objeto qualquer. Como qualquer merda na vitrine, exposta aos clientes que quisessem comprá-la depois de avaliar seus defeitos.

Finalmente me acalmei.

- Vem... - Ela começou - Eu vou te ajudar. Tome um banho, vai se sentir melhor. Se quiser ajuda, eu fico aqui.

- Obrigada, Jennie - Foi tudo que consegui dizer.

Fui tomar um banho quente, e quando saí, ela já havia trocado a roupa de cama. Os lençóis agora cheiravam a lavanda, e eu me sentia mais limpa, embora estivesse igualmente triste.

- Tome - Ela disse, entrando no quarto novamente e me estendendo um comprimido e um pouco d' água.

- É um analgésico, vai melhorar suas dores.

Assenti com gratidão.

- Contei à Irene o que aconteceu. Não se preocupe, ela não vai comentar com mais ninguém sobre isso. Ela deixou que você tirasse essa noite de folga.

Aquilo fez com que eu me sentisse um pouco melhor. Saber que não teria que ficar com ninguém aquela noite era um presente, e eu ia me agarrar nele com todas as forças que me restavam.

- Ah... Antes que eu me esqueça, dei o cheque que estava em cima da escrivaninha pra ela, caso você pergunte onde ele está- Ela falou.

O cheque. O maldito dinheiro. Que se foda o maldito dinheiro.

Entreguei a ela o copo vazio e fui me deitar embaixo dos lençóis limpos.

- Seus lençóis estavam... Sujos de sangue - Ela falou em um tom de voz meio constrangido, como se estivesse morrendo de pena de mim.

- Não reparei - Respondi em uma voz fraca. Normalmente eu não era de falar muito, mas naquele dia queria ficar muda.

- Precisamos dar um jeito nos seus machucados.

Durante boa parte da tarde Jennie ficou cuidando de mim. Levou meu almoço no quarto, já que eu me recusava a sair de lá pra encontrar quem quer que fosse. Passou vários tipos de pomadas íntimas e pomadas para a pele em mim, tentando fazer com que minhas dores diminuíssem. Colocou rodelas de batatas nos meus olhos para melhorar o inchaço e deixou alguns tipos de base para pele no meu quarto, que disfarçariam a intensidade das marcas em toda a extensão do meu corpo.

- Jen, você já fez muito por mim. Obrigada. Pode ir agora, já está quase anoitecendo.

- Me promete que vai ficar melhor, Nay. Você é muito mais bonita sorrindo.

Eu não tinha a menor vontade de sorrir, mas Jennie estava tentando ser gentil, e eu tinha que ao menos fingir que já estava melhor. Eu devia isso a ela.

- Obrigada, Sá. Você me ajudou muito. Vou melhorar, não se preocupe. Fico te devendo uma enorme.

Ela sorriu para mim e foi embora.

Eu estava sozinha naquele quarto, o que dava ao meu cérebro a total liberdade de pensar.

E eu não queria pensar.

Me enrolei nos cobertores e rezei para dormir. Felizmente consegui, graças à noite mal dormida.

Quando acordei já havia certo um barulho no ambiente. Olhei para o relógio que marcava 21h.

Naquele momento, dezena de pessoas se divertiam no salão e nos quartos a minha volta. Eu estava alheia a tudo enquanto dormia, mas agora sabia que estava cercada daquela sujeira diária.

Ainda sonolenta, levantei da cama, vesti um jeans qualquer, uma camisa branca, uma jaqueta e um tênis preto. Olhei-me rapidamente no espelho e vi uma Nayeon acabada, machucada por dentro e por fora. Tentando não sentir pena de mim mesma - Talvez porque não merecesse - Peguei um pouco da base que Jennie havia me emprestado e espalhei cuidadosamente no rosto. O resultado não foi ruim.

Peguei o livro que estava lendo e o enfiei na bolsa antes de sair do quarto para o corredor. Espiei para os lados e vi que ele estava deserto, o que era ótimo: Eu não queria ver ninguém mesmo.

Fui para a direita, rumo à saída dos fundos, onde não chamaria a atenção de ninguém.

Pouco tempo depois já andava despreocupadamente pela rua, direcionando-me para o parque que ficava a dez minutos dali. Chegando lá, me sentei em um banco vazio embaixo de um poste de luz baixo. No meio do parque, um lago com chafariz dava a graça ao lugar. Olhei um pouco em volta e notei que ainda havia pessoas no parque, conversando ou apenas fazendo com que o tempo passasse, assim como eu. Duas senhoras tagarelavam a dez metros de mim em outro banco. Um casal namorava timidamente no outro lado. À minha frente de costas, uma mulher com cabelos rebeldes da cor preta observava o chafariz apoiando na grade que cercava o lago.

Fiquei meditando por algum tempo.

Não havia como fugir do que havia acontecido. Eu teria que aceitar, e talvez nem fosse algo tão difícil.

Afinal, eu era uma prostituta, quem sabe conseguiria lidar melhor com isso do que as mulheres corretas.

O pensamento de que mulheres corretas e eu estávamos em categorias diferentes não era bom, mas era necessário. Eu precisava saber que não era uma mulher comum, daquelas que se casariam e formariam uma família, que teriam filhos e netos. Eu não conseguiria isso. Simplesmente tinha que aceitar que a vida que escolhi não me traria esses benefícios.

Era melhor aceitar, porque sonhar com coisas desse tipo doía. Podia ser um sonho bom, um sonho prazeroso, mas ao final do sonho a realidade vinha com uma força destruidora. Eu jamais seria uma mulher correta. Mesmo que parasse de me prostituir, eu jamais seria uma mulher amada.

Não seria uma mulher amada porque mulheres que estavam na minha categoria não podiam ser amadas.

Você não pode sonhar com isso. Eu pensava, num monólogo interno. Não pode sonhar em ter alguém, em pertencer a só um.

Fitei as costas da mulher à minha frente, ainda absorta na água do lago.

Não terá um marido ou esposa. Ele e nem ela serão carinhosos ou preocupados com você. Não será um homem e nem uma mulher elegante, com cabelos da cor preta perfeitamente desalinhados.

A mulher desconhecida que eu fitava em meus devaneios virou-se, aprontando-se para partir. Seus traços lembravam alguém... Mas só lembravam. Seu olhar passou através de mim, como se eu fosse invisível. Então foi embora, no silêncio que pairava sobre o parque.

Você é invisível. Aceite isso.

Esse fato sempre doeu. Mas, por algum motivo, ultimamente doía mais.

Olhei para o livro que havia trazido comigo. '' Orgulho e Preconceito." Pisquei com força os olhos, tentando espalhar a umidade que me impedia de ver claramente.

- Malditos romances que me deixam sensível...

E como se não tivesse acabado de critica-lo, abri o livro e comecei a ler.

Olhei para o relógio. 23:50h.

Hora de voltar.

Levantei a cabeça e encarei o parque, agora completamente vazio.

- Talvez você esteja brincando com a sorte, Nayeon. Muito tarde para uma dama - Falei baixinho comigo mesma, me permitindo rir com deboche da última palavra.

O ar do parque me fez bem. Ver novos rostos, vê-los alegres e casuais, me fez bem. Eu precisava de situações normais na minha vida. Eu sentia falta disso.

Sentia falta da minha vida de antes de ser o que era. Antes eu tinha orgulho de mim. Um orgulho adolescente idiota, é verdade, mas que não deixava de ser alguma coisa.

E mais, muito mais do que ter orgulho, eu não sentia vergonha da pessoa que era. Não precisava olhar para os outros como se estivesse fazendo algo extremamente errado e imundo.

Fui caminhando de volta para o The Lux. A essa hora o ambiente era bem movimentado. Muitas pessoas. Muita diversão. Muito sexo.

Dahyun. Lembrei-me dela assim, sem nenhum motivo.

Ela era gentil comigo. Era diferente dos outros clientes. Diferente de Junseo.

Ela estaria lá? Estaria se divertindo com outra? Era provável.

Então senti uma pequena vontade em vê-la. Talvez ela mostrasse compaixão comigo, vendo meu estado. Ela seria carinhosa. Seria gentil e sorriria para mim com aquele sorriso.

- Pare de pensar asneiras, sua imbecil - Me xinguei em voz alta.

Nem ela e nem ninguém me veria aquela noite, naquele estado.

Cheguei na rua próxima ao The Lux a tempo de ver um Porsche 911 prata se afastar, virando a esquina oposta. Entrei pelos fundos, subi para o corredor e me tranquei no meu quarto.

                           (...)

Acordei no dia seguinte sabendo que seria diferente. Minha folga tinha acabado, e eu teria que voltar ao trabalho.

Esse pensamento me desanimou logo de manhã. Reuni forças para sair do quarto, rumo ao café da manhã no andar de baixo.

- Nayeon! - Jennie me alcançou nas escadas - Como você está?

- Estou melhor. Pronta pra outra. - Pisquei sorrindo falsamente.

Tomamos café juntamente com as outras meninas. Não conversei muito durante a refeição, mas isso não pareceu chamar a atenção de nenhuma delas, que continuavam tagarelando alegremente.

Passei o resto do tempo lendo, parando apenas parar ir algumas vezes ao banheiro e almoçar.

Depois voltava para a cama e continuava a leitura, abalada algumas vezes pela minha mania em não me conseguir concentrar e começar a pensar em terceiros.

A noite chegou e eu consegui ficar mais desanimada do que de costume. Algumas meninas já haviam descido, então comecei a me arrumar. Tomei um banho, escolhi as roupas mais discretas que pude, passei alguma base nos machucados, disfarçando-os, e com o ânimo de quem vai encontrar à morte, desci.

Não demorou muito até que meu primeiro cliente me escolhesse. Um homem com seus quarenta anos de idade, apático. Demonstrava ansiedade enquanto conversava comigo, tentando inutilmente estabelecer uma conexão entre nós dois. Quando chegamos ao quarto, sua excitação pareceu esfriar ao ver meus machucados em evidência. É claro que aquilo era broxante.

Infelizmente não foi o suficiente para fazê-lo desistir de mim.

O mesmo aconteceu com o segundo, terceiro e quarto cliente. Todos eles me olhavam com fome no salão, mas quando viam meu estado, ficavam desanimados. Assim que notei o quarto cliente já estava esgotado na cama, me levantei e sem espera-lo sair do quarto, fui tomar mais um banho, me limpar.

Escovei os dentes e passei meu creme para hematomas, já que meu corpo estava completamente marcado não só pela noite anterior, como também pelos quatro clientes que havia tido aquela noite. Já estava exausta, queria dormir, mas ainda era meia-noite, o que significava que aquele dia de trabalho estava apenas começando.

Sai do banheiro e o homem não estava mais lá.

Ótimo.

Vesti uma blusa amarela com mangas longas, uma calça jeans e uma sandália fechada. Irene provavelmente me reprovaria pelo modo como me vesti, mas eu não me importava muito. Não queria que ninguém me visse, que ninguém mais notasse minha presença.

Sentei na cama por alguns minutos, olhando sem interesse para a porta fechada do meu quarto.

Eu não quero descer - Pensei.

- Mas você precisa descer - Falei em voz alta.

Mas eu... não quero.

- E desde quando o que você quer importa?

Fiquei encarando a porta mais alguns segundos. Estava triste e deprimida. Estava cansada e meu corpo ainda doía em quase todos os lugares.

- Vamos lá, Nayeon - Falei, com falsa animação - Quem sabe seu príncipe ou princesa não esteja esperando por você lá embaixo?

O tom de deboche nas minhas palavras até me fez rir, um riso amargurado. Suspirei, levantei-me da cama e desci mais uma vez para o salão.

Desci as escadas enquanto observava o lugar. Quanto mais tarde, mais cheio o ambiente ficava. Aquela noite não era diferente.

E então eu a vi.

No meio da multidão, destacava-se uma mulher charmosa, com o cabelo preto lindamente bagunçados. Estava apoiada no bar, bebendo uma dose de alguma coisa, olhando para o lado oposto ao que eu estava. Parecia pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, nenhuma delas agradável.

Não sabia explicar por quê, mas me peguei admirando aquela mulher, parada alguns degraus acima na escada. Não a admirei apenas pela sua óbvia beleza, mas por todo seu conjunto: Sua postura, seu charme, a força que sua presença parecia exercer naquele lugar. Eu tinha certeza que todas as mulheres estavam cientes da presença daquela mulher.

Pensei no fato de que não a via há muito tempo. E vê-la naquele momento, a alguns metros de mim, me proporcionou uma repentina alegria. Eu poderia até sorrir talvez.

Não queria aceitar, mas o fato era que eu estava eufórica por vê-la. Porque aquela mulher era de alguma maneira, por algum motivo, mais importante do que todos os outros daquele lugar, mesmo que ela só me visse como mais uma das garotas do The Lux.

Olhei em volta e vi vários homens sozinhos. Alguns já me olhavam com interesse. Não pensei duas vezes.

Desci os últimos degraus, seguindo em linha reta até Dahyun o mais rápido que pude, sem chamar muita atenção. Cheguei ao bar, mas ela continuava absorta em seus pensamentos. Toquei seu ombro timidamente.

Ela se virou para mim e então me analisou. Analisou cada pequeno detalhe em mim, fazendo com que o silêncio entre nós prolongasse.

Aquela mulher, a única pessoa que parecia se importar um pouco comigo, estava à minha frente, me observando em silêncio, com uma expressão de desagrado e confusão no rosto. A única pessoa que me tratou minimamente bem durante todos esses anos.

Por favor, me escolha - Eu pensava, como se meus pensamentos pudessem persuadi-la. - Eu preciso de alguém gentil... Por favor...

O silêncio começou a incomodar, então eu falei:

- Eu estou livre...

Dei um passo a frente, e pude sentir seu perfume. Um perfume que eu não sentia havia dois dias. Um perfume que agora, eu podia notar, me fazia falta.

Ela continuou me fitando, olhava muito para o meu pescoço. Devia estar distraída com algum problema pessoal, mas eu queria que ela me notasse. Queria que ela falasse comigo.

Queria que ela me escolhesse.

- Eu não tenho nenhum cliente agora. Estou livre, se você quiser ficar comigo - Repeti, para o caso dela não ter ouvido.

Finalmente ela se pronunciou:

- Senhorita Nayeon. Está com receio de que alguém desse salão te escolha?

Estava. Eu estava com esse receio, precisava que ela me escolhesse antes que alguém o fizesse. Mas não era só isso que me fazia ir até Dahyun e me oferecer como estava fazendo. Algo me atraía para ela. Um sentimento de proteção.

Talvez ela não quisesse ficar comigo. Talvez já estivesse com alguém, apenas esperando para subir e se divertir. Talvez já estivesse até se divertido.

Olhei em volta novamente, e notei alguns homens me olhando. Eu não queria ficar com aqueles homens. Não queria ficar com qualquer um.

- Não... É que eu pensei que você quisesse... Você já está de saída?

- Não, cheguei há quinze minutos. Estava esperando por você, já que estava ocupada.

Ela estava esperando por mim. Por mim.

- Ah, sim. Eu... não estou agora - Disse, finalmente querendo apressar as coisas.

Ela ficou imóvel, olhando em meus olhos por alguns segundos, sem dizer nada. Por fim, falou:

- Ótimo. Dez minutos?

- Dez minutos - Assenti.

Subi nas escadas novamente, e embora eu não entendesse o que sentis ou o porquê, uma coisa era certa: pela primeira vez em muito tempo eu me sentia de certa forma, feliz.

Pov Dahyun 


Sem checar se havia se passado dez minutos, tomei o resto do meu Whisky e subi as escadas, rumo ao quarto de Nayeon. Entrei sem bater e encontrei um ambiente mais escuro do que quando entrei pela primeira vez naquele quarto. Apenas uma luza fraca vinda de um abajur de uma mesa ao longe, encostada na parede, iluminava timidamente o local, deixando a mulher deitada na cama, vestida em um robe azul totalmente fechado, praticamente nas sombras.

- Está escuro... - Comecei.

- É bom que seus outros sentidos ficam aguçados - Ela disse num timbre de voz fraco.

- Não é bom. Já disse que quero ver...

Nayeon se levantou e veio na minha direção, e num ato completamente imprevisível, me abraçou.

- Por favor... Vamos fazer assim só hoje. Só hoje...

Então, senti aquele perfume. O perfume que sempre me fazia perder um pouco do controle que tinha.

Amêndoas.

Amêndoas e shampoo.

Merda!

Aquele maldito perfume.

Senti suas mãos agora abrindo timidamente os botões minha camisa enquanto ela beijava suavemente meus seios por cima da roupa. Eu queria pergunta-la o que havia acontecido, queria saber o que fizeram com ela. Mas estava óbvio que ela não me diria.

Sem pensar muito, empurrei para os lados o tecido de seda que cobria seus ombros e abaixei minha cabeça até o local, aplicando beijos suaves. O perfume estava mais forte do que o normal, combinando perfeitamente com o ambiente escuro e incrivelmente sensual. Minhas mãos foram para o nó em seu robe, abrindo-o lentamente. Ela se afastou um pouco, para que eu pudesse remove-lo completamente.

Então fui pega de surpresa ao constatar que ela não usava nada por baixo do robe, agora no chão.

E quase que imediatamente, outra surpresa me fez estacar diante de Nayeon. Embora o quarto estivesse escuro, consegui ver seu corpo em quase sua totalidade cobertos de manchas escuras e arranhões.

Dei um passo para trás, assustada.

- Que porra é essa?

- Ossos do ofício. Vem cá...- Ela falou como se estivesse tendo uma conversa tediosa, vindo na minha direção e segurando com firmeza o botão da minha calça enquanto o abria.

- O quê... Espera aí! O que diabos aconteceu com você?

Ela bufou, parecendo impaciente.

- "Aconteceu " um cliente. E isso não é da sua conta.

- Não é da minha conta? Claro que é! Não quero comer uma mulher que parece que acabou de ter sido espancada!

Minhas palavras impensadas saíram de uma só vez, e pareceram extremamente insensíveis e rudes no silêncio do quarto. 

Nayeon olhou para mim com um misto de raiva e tristeza, parecendo pensar nas palavras antes de pronuncia-las.

- Foi por isso que deixei as luzes fracas...

- Achou que eu não fosse ver? Não sou cega! Você parece uma colcha de retalhos, pelo amor de Deus!

Ela continuou me encarando por mais dois segundos, então pegou o robe do chão e vestiu-se.

- Se não vai me comer, peço que saia do meu quarto para que eu arranje outro cliente.

- Não vou sair! E você não vai ter mais porra de cliente nenhum essa noite! Vou falar com Irene sobre...

- Quem você pensa que é para me dar ordens? - Sua voz estava áspera e alta - Isso não é da sua conta!

- Não estou te dando ordens, sua idiota! Estou tentando te ajudar!

Imaginei que ela viesse formulando uma frase para o momento em que eu acabasse de dar minha réplica. Quando abriu a boca para falar, se conteve a tempo e fechou-a rapidamente, ainda me olhando com raiva. Mesmo que ainda estivesse hostil, sua expressão foi ficando cada vez mais suave. Olhou em volta do quarto, como se algo pudesse dar a ela alguma ideia do que dizer. Cruzou os braços no peito, na defensiva.

— Dahyun...

Senti os pelos da minha nuca se eriçarem ao som do meu nome na sua voz.

Foi estranho - foi bom - mas eu ignorei a sensação.

- O que fizeram com você? - Insisti.

- Foi mais uma noite de trabalho. Só mais uma noite.

Ela olhava para baixo, evitando me encarar.

- É mentira! Já estive com você duas noites, nunca te vi assim!

- Eu já disse que minha pele fica marcada muito fácil...

- Eu não sou imbecil! Isso não está normal!

- Dahyun... - Ela repetiu com os olhos fechados, como se estivesse determinada a dar um ponto final naquele assunto. - Eu preciso trabalhar. Se não se importa...

- É pelo dinheiro? - Falei, já perdendo a paciência. Nem eu mesma sabia o porquê de insistir tanto em protegê-la.

Enfiei a mão no bolso traseiro, pegando minha carteira e abrindo-a. Sem saber ao certo a quantidade de notas que meus dedos alçaram, puxei-as de uma só vez e as joguei em cima dela.

Nayeon não fez menção em se mover para evitar que as notas caíssem. Deixou-as alcançarem o chão, fitando-as no percurso.

- Meus trinta minutos estão pagos! Agora não ouse me expulsar dessa merda de quarto mais uma vez!

Ainda encarando as notas no chão, ela apertou com força o nó do seu robe e caminhou despreocupadamente para a cama, deitando-se nela de lado depois de passar por mim.

Fiquei olhando-a por algum tempo, observando o lento escorregar do tecido fino da sua coxa esquerda, finalmente expondo-a totalmente ao meu olhar. Fui sentar ao lado dela.

Mais perto do ponto de luz, pude observar melhor os hematomas em sua pele.

Nayeon estava deitada de frente para mim, com os braços cruzados a frente do seu corpo, mas não me encarava.

Toquei de leve sua coxa com a ponta do dedo, onde um hematoma era mais evidente. Embora as manchas tirassem muito da beleza e da suavidade, sua pele era incrivelmente macia. Parecia excessivamente sensível ao meu toque, quase quebrável.

Não pude deixar de me conter em fazer círculos pela extensão de sua perna, primeiro com as pontas dos dedos, depois com a mão aberta. Tinha receio de causa dor a ela, por isso tentava toca-la da maneira mais suave possível.

Depois de muitos minutos passados eu falei:

- Não gosto da sua pele assim.

- Eu também não. - Ela me respondeu, séria, olhando para a parede oposta.

- Não vai me contar o que aconteceu?

- Você não é minha psicóloga.

- Sou sua amiga.

Ela me olhou surpresa. Eu sabia o porquê.

Eu não era amiga dela. Sequer sabia seu nome completo. Não sabia nada sobre ela, mas tentava desesperadamente relacionar meu instinto protetor a algum sentimento nobre, puro. Seria amizade? Embora soasse estranho, só podia ser amizade.

Mas soava estranho. Soava errado, de alguma forma.

- Você não é minha amiga.

- Eu... eu me preocupo com você senhorita Nayeon. Só quero que você fique bem, que não te machuquem - Eu pronunciava cada palavra com um misto de alívio por estar falando sem limitações, e confusão por minhas palavras e meus sentimentos não fazerem sentido se quer para mim mesma - Eu poderia te ajudar, se você dissesse o que aconteceu...

- Não pode me ajudar - Ela se mexeu um pouco ainda olhando para mim, o que fez o robe deslizar um pouco pelo seu ombro. Meus olhos voaram pelo local mecanicamente.

- Você poderia se abrir comigo... - Comecei, mas nem mesmo prestava mais atenção nas minhas palavras.

Me permiti prender meus pensamentos no sei ombro exposto, deixando-a, ainda que marcada, mais graciosa. Eu não sabia mais o que minha mão fazia em suas pernas, mas tinha noção de que ainda estava tocando em Nayeon.

Fui outra vez atingida inesperadamente pelo seu perfume. Amêndoas...

- Eu estou bem. É meu trabalho. Não há nada que você possa fazer pra mudar isso.

- Seu trabalho... - Balbuciei, ainda fitando seu ombro.

Mesmo com o olhar fixo em seu ombro, pude notar que ela me encarava.

Após alguns segundos Nayeon se mexeu lentamente, sentando-se na cama e chegando mais perto de mim. Com suavidade, aproximou sua boca do meu ouvido e falou em um sussurro:

- É meu trabalho dar prazer...

Porra! Aquele perfume!

Senti-a morder minha orelha e meu pescoço. Por algum motivo o perfume parecia ter se intensificado, e eu não conseguia sentir mais nada além daquele cheiro dominando meus sentidos e quebrando, centímetro por centímetro, meu muro de resistência.

A verdade era que eu não queria resistir.

Estava fora de questão exigir de Nayeon algo com ela naquele estado, fosse o que fosse que tivesse acontecido. Na verdade, estaria fora de questão se ela mostrasse resistência. Misteriosamente, ao contrário da primeira noite quando eu a conheci, ela não se mostrava chateada em fazer sexo comigo, e eu me perguntava o porquê.

Talvez ela quisesse mais dinheiro por um bom desempenho. Talvez quisesse me prender por mais meia hora, garantindo o pagamento de outros trinta minutos, já que alguns clientes poderiam nega-la ao conhecer seu verdadeiro estado por debaixo das roupas que teimavam em esconder seu corpo, e ela terminasse sozinha pelo resto da noite.

Era compreensível que os clientes a negassem, já que as marcas deixadas na pele daquela garota não eram nada agradáveis. No entanto, não fazia exatamente esse efeito em mim. Provavelmente os outros clientes estivessem alheios à seu delicioso perfume.

Eu não.

Aquele perfume fazia coisas estranhas comigo.

- Dahyun?

- Sim... - Ofeguei enquanto ela dava leves mordidas entre minha orelha e meu pescoço, em um ponto extremamente sensível do meu corpo.

- Eu não vou ter mais a porra de cliente nenhum essa noite, certo?

Ela estava me provocando. De novo.

- C-certo... - Respondi, fechando os olhos com força.

- Então por que sua mão está na minha virilha?

- Não sei... - Eu podia sentir meu auto-controle escorrendo pelo ralo, aos poucos. Imperceptível, mas fatalmente.

- Bom, eu sei - E dizendo isso, sem nenhum aviso, ela segurou com força meu pau por cima da calça e começou a massageá-lo. A surpresa me fez pular de leve no colchão - Parece que ele quer comer alguma coisa.

Eu não podia dizer nada, porque absolutamente nada me vinha a minha cabeça. Eu queria entrar no jogo é respondê-la com a mesma provocação, mas sequer conseguia formular uma frase, algo que não soasse patético ou mostrasse minha evidente falta de controle.

- Senhorita Nayeon... Para de me provocar...

- Você adora ser provocada. É o tipo de mulher que adora isso, não é?

Sim. Eu era exatamente esse tipo de mulher. E ela estava se mostrando o tipo de mulher perfeita para mim: Provocadora e sexy, sem necessariamente ser vulgar.

Sem me conter, meus lábios avançaram para seu ombro, lambendo e beijando. Lentamente com a mão esquerda puxei de seu outro ombro o robe que ainda o cobria, dando-me uma visão privilegiada de toda aquela área. Eu precisava me controlar, mas estava sendo muito difícil.

- Seu perfume...

- Não uso perfume.

- Está muito forte...

- Você não gosta?

Suspirei. Não havia como não ser absolutamente sincera àquela pergunta.

- Eu amo...

- Dahyun? - Ela falou outra vez baixinho no meu ouvido.

- Seu tempo acabou.

- O quê? - Falei um pouco surpresa e fora de rumo. Ela deu uma última mordida em minha orelha e se afastou.

- Seus trinta minutos acabaram.

Levei algum tempo para conseguir me situar e voltar à realidade.

- Meu tempo... - Comecei em voz alta, tentando organizar os pensamentos.

- Sim, seu tempo. Acabou. Seus trinta minutos.

Ela se levantou da cama, cobrindo os ombros expostos enquanto afastava minha outra mão que permanecia em sua virilha. Andando um pouco cambaleante, alcançou o móvel baixo na parede à direita, se apoiando nele enquanto mantinha os olhos fechados com força, como se quisesse afastar algum pensamento.

- Eu... - Comecei, mas não sabia o que dizer. Ela abriu os olhos e me olhou. Um olhar diferente. Um forte, intenso. Retribuí o olhar, fitando-a também por algum tempo, sem dizer nada. O silêncio pairava sobre o quarto escuro, nos prendendo no ar misterioso do momento. Tive a impressão de que ela também não sabia o que dizer, mas como eu, não queria se despedir.

Finalmente me levantei da cama, puxei do bolso de trás minha carteira e a abrir, alcançando todas as notas que se encontravam dentro dela. Dobrei o bolo de notas e estendi para Nayeon. Ela hesitou, mas por fim, pegou a quantia que eu a oferecia. Não sabia ao certo a soma do dinheiro que havia entregado a ela, e para minha surpresa, ela também não verificou, deixando o maço de notas dobradas esquecido em cima do móvel atrás de si.

- Você é minha pelo resto dessa noite- Falei calmamente.

Eu sabia o que queria fazer durante todas as horas que me esperavam dentro daquele quarto. Infelizmente minha consciência me impedia de ser alguém sem princípios, mas meu corpo precisava ter o que vinha buscando por algum tempo, e que até aquele momento não havia conseguido:

Ela.

Mas não podia impor o que eu queria. Embora eu fosse uma cliente, embora eu fosse seu trabalho e eu estivesse pagando por ele, não podia exigir algo dela naquelas condições. Eu sabia que outros já haviam feito isso aquela noite, mas eu não queria ser igual aos outros.

Lentamente, guardei a carteira no bolso traseiro da minha calça e deitei de barriga para cima na cama de Nayeon, olhando para o teto, minha camisa ainda aberta pela tentativa do início da noite. Estaria nas mãos dela decidir o que fazer. Se ela quisesse, ficaríamos em silêncio pelo resto da noite. Mas eu torcia para que ela traçasse outros planos para nós, porque o que eu queria, o que eu precisava só poderia se feito se ela assim desejasse.

Ainda estava presa nos meus pensamentos quando meus olhos captaram a mudança do ambiente de maneira inesperada. O quarto havia mergulhado em uma total escuridão. Nayeon havia apagado o abajur que permanecia na mesa atrás dela. A única fonte de luz se fora, e meus olhos agora acostumavam-se lentamente com o escuro completo, quebrado apenas pela luz da lua quase cheia da noite estrelada, conseguindo marcar as silhuetas de alguns objetos e do corpo dela.

Fechei os olhos tentando manter meus pensamentos em ordem e minha respiração constante. Eu não queria ficar tensa ou ansiosa, queria agir como sempre agi naquelas situações: Calma e despreocupada.

Porque aquele tipo de situação era banal, mas por algum motivo que eu não sabia explicar, não conseguia ver nada banal no que estava acontecendo naquele momento.

Senti o colchão embaixo do meu corpo afundar levemente, e então, pela segunda vez na noite, pulei de surpresa quando senti Nayeon beijar minha barriga.

Com delicadeza, ela foi subindo sua boca lentamente pelo meu troco, até depositar beijos suaves no meu pescoço. Arfei ao sentir seu corpo completamente despido sobre o meu.

- Deus...

Aquilo estava exigindo demais do meu auto-controle, e a pior parte era que ela sequer havia me tocado ainda. Eu mal conseguia me conter enquanto ela me provocava com leves mordidinhas na minha mandíbula, migrando para meu meu pescoço e minha orelha, voltando para os meus seios e descendo obscenamente de volta para a minha barriga.

Com casualidade, ela abriu o único botão que permanecia preso na minha calça, movendo para baixo o zíper e retirando-a de mim juntamente com a cueca.

Eu não ousava me mexer, com medo de que no momento em que resolvesse toca-la, minha calma, já abalada, fosse por água abaixo.

- Onde está? - Ela perguntou no meio da escuridão.

- Bolso esquerdo... - Respondi, mantendo meus olhos fechados com muita força, mesmo sabendo que se eu os abrisse não conseguiria ver quase nada.

Perguntei a mim mesma o motivo de tentar manter a calma e o controle, já que, inevitavelmente, em algum momento daquela noite tudo iria às favas e nós faríamos o que eu sabia que faríamos.

O pensamento de que não precisava continuar freando a mim mesma deixou-me subitamente alegre, mas meu lado racional insistia em dizer que, durante toda aquela noite, a cautela era extremamente necessária.

Era necessária porque eu sabia da urgência que meu corpo tinha. Era patético, mas naquele momento eu a desejava com todo o meu ser, e sabia que ela estava frágil, para dizer o mínimo. Sabia que se não fosse cuidadosa, acabaria machucando-a mais.

E pior: Sabia que se não tomasse cuidado, acabaria me entregando a tudo, absolutamente tudo naquela mulher.

Senti Nayeon largar a calça que mantinha nas mãos, na busca frenética pelo preservativo. Já esperava pelo ruído baixo da embalagem sendo rasgada, mas isso não aconteceu.

- P-p-putaquepariu!

Não consegui conter o palavrão ao sentir a ponta da sua língua passar timidamente pela cabeça do meu pau, agora tão absurdamente duro que chegava a doer. Como se ela soubesse disso, começou a lambê-lo com muita suavidade sem usar os dentes. Depois de algum tempo, quando meu corpo já estava acostumado com seu toque, ela finamente me tomou na boca de uma vez só, apenas deixando com que, novamente, meu pau se acostumasse com o calor e a maciez do que agora o envolvia.

Eu tremia violentamente, na tentativa desesperada de não explodir ali mesmo, mandar a cautela pro inferno e foder ela com toda a força que me era possível. Finquei meus dedos no colchão macio da cama, procurando ao mesmo tempo me estabilizar e manter minhas mãos ocupadas.

Não funcionou.

Na terceira subida que sua boca fez em mim minhas mãos migraram com rapidez para sua cabeça, meus dedos entrelaçados em seus cabelos, reforçando o movimento de vai-e-vem que ela fazia.

Eu expirava com força, tentando disfarçar a angústia em meus gemidos. Meus olhos rolavam para dentro, e eu não conseguia ter um pensamento coerente sequer.

Seus movimentos agora começavam a ficar mais firme. Ela apertava os lábios em volta do meu pênis, e quando chegava à ponta intensificava a força que fazia com a língua, chupando com vontade a parte mais sensível ali, para só então voltar a colocar meu pau quase inteiramente dentro da boca outra vez.

-  Eu...Eu vou gozar! Merda!

Não demorou nem cinco segundos.

Enquanto voltava do transe, começando a ouvir novamente o som da minha própria respiração ofegante na escuridão, senti a boca de Nayeon ainda me envolvendo, verificando se toda a minha porra já havia sido engolida antes de poder tira-la dali.

- Vou te dar dois minutos - Ela provocou.

Respirei fundo e sorri, retirando as mãos de seus cabelos e passando-as pelo meu rosto.

- Acha que não dou conta? - Perguntei, virando-a e a levando mais pra perto da cabeceira, me posicionando em cima dela entre suas pernas. Agora era minha vez de provoca-la. - Saiba que posso foder você uma, duas, três vezes seguidas. Sem nem tirar.

- Isso é impossível - Ela respondeu, e eu pude ver em seu rosto, pelo brilho que a lua refletia, que ela sorria.

- Acredite, eu posso fazer isso.

- Eu vou tirar isso a limpo.

- Está me desafiando? - Perguntei, brincando com a língua no pescoço dela. - Bom, eu gosto de desafios...

-Alcancei sua mão esquerda, pegando o preservativo que ela ainda segurava, finalizando meu discurso: - ... mas não hoje.

Rasguei a embalagem e fiquei de joelhos na frente dela.

- Você pode me dar uma mãozinha? - Pedi.

Ela entendeu o recado, segurando com força meu pênis e movimentando-o para cima e para baixo como ela sabia muito bem fazer. Foi o suficiente, após algum tempo, afastei sua mão de mim e rolei o preservativo por toda a extensão do meu pau.

Nayeon segurou outra vez, guiando-me para a entrada da sua boceta.

Segurei nos seus quadris sem muita força e penetrei-a lentamente, testando a posição.

- Não estou machucando?

- Não...

Reparei que ela me olhava profundamente, e seu olhar transmitia uma gratidão que eu não entendi.

- Que bom, outra posição boa pra gente. - Penetrei-a novamente, deitando meu corpo em cima do dela, deslizando minhas mãos pela sua barriga e seus seios no percurso, finalmente parando em seus cabelos. Posicionei minha boca em sua orelha, intensificando um pouco o movimento que meu que eu fazia dentro ela - Nayeon?

- Sim...

- Posso chamar você de Bunny?

Ela demorou a responder, claramente pensando se seria uma boa ideia me deixar fazer isso. Eu sabia que suas amigas a chamavam de Nay, mas eu queria dar um diferente. Eu talvez estaria ultrapassando os limites, já que apenas as pessoas que ela se importava e que se importavam com ela, chamavam ela por apelido. E eu, obviamente, era só uma cliente.

- Pode...mas eu prefiro como você costuma me chamar - riu ao se lembrar do "senhorita Nayeon".

Estoquei com força e ela gemeu supresa.

- Seu nome é bonito... - Outra estocada. Outro gemido alto - mas é bom saber disso.

- D-Dahyun...

- Além do mais, é bem excitante não acha?

- Para com essa porra! 

- Parar com o quê?- Perguntei ao pé do seu ouvido com uma voz inocente, metendo nela outra vez.

Ela suspirou, agarrando-se nos meus cabelos.

- Senhorita Nayeon, só estou querendo conversar.

Meti outra vez com mais força do que antes.

- Que ótima... hora.. pra conversar!

Comecei a investir mais rápido e com mais força, mas mesmo assim mantinha meu tom de voz despreocupado. Sim, eu queria provoca-la, e ao que tudo indicava, estava conseguindo.

- Me explica uma coisa... Na primeira vez que a gente trepou você não estava nem aí pra mim - Como as estocadas estavam mais fortes e mais rápidas, foi difícil manter o tom calmo e casual na voz. Ainda assim, continuei teatralmente: - Agora você parece um pouco mais envolvida.

- Putaqueopariu...

- Quero dizer, você poderia até meditar enquanto eu te comia, não parecia se abalar nem comigo toda dentro de você. E hoje não quer conversar. É estranho, sabe?

- Dahyun?  Vá se forder! 

- Prefiro foder você.

- Sua...

- Acho que você me acha uma pessoa legal - Levantei e me posicionei de joelhos na cama entre suas pernas novamente, ainda dentro dela, segurando agora sua cintura com força e estocando violentamente - Eu sou uma pessoa legal, não sou, Bunny?

- Dahyun!!

Senti sua boceta envolver e comprimir meu pau em ondas cada vez mais rápidas, e pude constatar que ela ia ter um orgasmo. Automaticamente, fitei seu rosto.

Eu sabia que um orgasmo era o momento no qual seu corpo estava completamente entregue e sua alma em paz. Era muito fácil ver a essência de uma mulher na hora do clímax, porque naquele momento não havia fingimentos ou precauções.

Eu queria vê-la. E com a luz que inundava o quarto pela janela, eu a vi.

Nayeon havia jogado seus braços acima da sua cabeça, repousados no colchão em um arco quase perfeito. Sua boca estava aberta, puxando todo o ar que podia para ajudá-la a lidar com a explosão que seu corpo estava prestes a sofrer. Seus olhos fechados dançavam por trás das pálpebras, acompanhando o movimento que eu fazia dentro da sua boceta. Duas ou três vezes seus olhos se abriram timidamente, apenas para voltarem a se fechar lento e prazerosamente com a próxima estocada que viria.

Ela estava absurdamente linda.

Linda como eu nunca havia percebido.

Não sabia se era efeito da luz perolada que a lua me oferecia ou se era aquele perfume que eu começava a temer, tinha algum poder sobrenatural sobre mim, mas o fato era que Nayeo, é uma visão de tirar o fôlego. Até mesmo suas manchas e hematomas não apagavam sua graça naquele momento. Eu já a havia sentido gozar antes, mas nunca tinha visto aquilo. Agora eu podia ver a cena que havia perdido, e meu Deus... Era linda!

Tentei acompanhá-la no clímax e consegui. Joguei minha cabeça para trás, deixando meu corpo ser inundado pela inconsciência alguns instantes depois de ouvir de sua boca um gemido final de prazer entre respirações ofegantes.

Então tudo ficou em paz.

Eu estava de joelhos com a cabeça baixa, ainda dentro dela. E poderia ficar daquela forma por um bom tempo, se minhas pernas não estivesse começando a ficar dormentes.

Com cuidado, me retirei de dentro de Nayeon e fui me deitar ao seu lado, de bruços. Esperei mais alguns minutos em silêncio, olhando para a figura de uma mulher linda agora quase adormecida ao meu lado.

- Ei... - Falei baixo enquanto tocava com a ponta do dedo o corte em sua maçã do rosto - O resto da sua noite ainda é minha. Não pode dormir.

Ela sorriu ainda com os olhos fechados.

- Não vou dormir. Só preciso descansar, porque embora você seja a deusa do sexo, eu não consigo ser fodida duas vezes seguidas.

- Eu sou demais - Sorri de maneira presunçosa.

- Quantos anos você tem? Quinze?

- Não...mas ainda assim com toda certeza, mais nova do que você — ri piscando- Você só está com inveja porque EU sou uma deusa do sexo e você é uma reles mortal.

- Não quero te chatear, mas já estive com pessoas eram realmente boas. Difíceis de serem passadas para trás.

Fitei-a com malícia.

- Pois então eu te prometo, Senhorita: Hoje eu te deixo como nenhuma pessoa te deixou antes. E quando amanhecer, você ainda vai estar sentindo o meu cheiro em você.

Como combinado, o restante daquela noite foi minha. Certa hora tive que descer em busca de Irene para informa-la que Nayeon não estaria mais disponível. Ignorei a reação de espanto que recebi, subindo novamente no quarto dela e ficando por lá.

Fizemos sexo de todas as maneiras, em posições que eu nunca havia tentado e em vários lugares dentro do quarto: Cama, chuveiro, chão, penteadeira e escrivaninha. Meu preservativo extra na carteira não foi suficiente, então tive que usar ainda três dos muitos que Nayeon guardava em seu criado mudo.

O que me intrigava era o fato de que eu não conseguia cansar dela. Não no sentido de exaustão - já que quando o relógio marcava 4h da manhã nenhuma de nós conseguia sequer se mexer -, mas sim no sentido de que eu não enjoava daquele corpo. E eu sempre, sempre enjoava fácil das mesmas mulheres.

Afinal, ela deve ter mesmo algo de especial.

Não sei em qual momento deixei de saber onde estava, mas finalmente me permiti afundar na inconsciência e daquele ponto em diante, não conseguia me lembrar de mais nada sobre aquela noite.


Notas Finais


Então, o que acharam do cap?

Grande demais talvez?
♥️♥️♥️♥️
Espero que tenham gostado e me desculpem pelos erros!
♥️♥️
Vc leu realmente tudo? Uou!
Kkkkkk


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