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História My Sweet Prostitute - Capítulo 5


Escrita por: _Yumi_uchiha_

Notas do Autor


Olá!

Tenham uma boa leitura!
♥️♥️♥️

Capítulo 5 - Capítulo 5


Pov Nayeon

Acordei na manhã seguinte com o barulho de chuva. Uma chuva pesada, que resolveu cair de uma só vez naquela manhã de sábado.

Aos poucos o vento e as gotas pesadas me fizeram voltar à realidade. Abri os olhos tentando adapta-los à claridade que as sete horas da manhã traziam, conforme informado pelo despertador posicionado em cima do criado mudo diretamente ao meu lado.

Permiti a mim mesma não me mexer, travando uma batalha épica contra minhas pálpebras. Aos poucos recobrei a consciência, o que me fez notar as dores no meu corpo enquanto tentava virar de barriga para cima na cama.

- Merda...

Não consegui ouvir minha voz, que saiu em um sussurro. Optei por permanecer de bruços por algum tempo, já que ficar imóvel parecia ser a única ação que conseguia desempenhar sem sentir dor.

Foquei-me no barulho agradável que a chuva fazia do lado de fora sem querer raciocinar ainda, e me vi embalada por aquele som.

Podia jurar que indícios de um sonho começavam a se formar na minha imaginação quando fui assustada por um trovão, não muito forte, mas que ainda sim foi o suficiente para fazer com que eu abrisse meus olhos outra vez.

- Meerda...

- Hhhmmpff...

O susto fez com que eu me virasse na cama mais rápido do que eu desejava. Senti novamente as dores no corpo se manifestando sem piedade, mas não foi o suficiente para que eu desviasse minha atenção da mulher que também de bruços, se mexia timidamente ao meu lado, ainda de olhos fechados.

Os cabelos de Dahyun estavam ainda que eu achasse impossível, mais desalinhados do que o normal. Seu rosto estava quase enfiado no travesseiro macio, e um lençol cobria apenas a área de seu corpo que não devia ser vista - a mais linda.

Continuei fintando-a, sem saber o que fazer, e então flashes da noite anterior vieram à minha memória:

Dahyun pagou para ficar comigo durante o resto da noite. Nós fizemos sexo até as 4h da manhã. E então, nós apagamos na minha cama.

- Ah, merda...

Eu imaginava que ela fosse ficar irritada em acordar na cama de uma prostituta, mas isso era inevitável.

Ela despertaria a qualquer momento, então me veria ao seu lado, lembraria do que aconteceu e sairia do The Lux o mais rápido que pudesse.

Depois de alguns minutos pensando cheguei à conclusão de que talvez fosse melhor acorda-la de uma vez e fazê-la ir o quanto antes. Na verdade eu teria feito isso imediatamente se não estivesse admirando-a praticamente de boca aberta, como uma completa imbecil.

Não havia como negar: Dahyun era absurdamente linda.

Era uma beleza quase imoral, quase sobrenatural. Mas tudo nela conseguia ser tão perfeito, tão deslumbrante, que eu começava a me perguntar se aquela beleza seria ao menos possível.

Como se pudesse ler meus pensamentos, ela sorriu. Um sorriso tão simples e tão devastador que me fez perder um pouco do fôlego, já instável pela situação. Devia ser um sonho bom ou no mínimo agradável para fazê-la sorrir daquela forma tão doce, tão apaixonante...

Sem tirar os olhos dela, me pegue sorrindo de volta pelo simples fato de vê-la sorrir, e desejei íntima e profundamente, sem nem saber por quê, que eu estivesse naquele sonho.

A chuva começou a cair com ainda mais força, por hora me libertando de meus devaneios.

Me levantei da cama com dificuldade e rumei para o banheiro, fechando a porta com cuidado ao passar por ela. Lavei o rosto e penteei meus cabelos com os dedos, sem sequer olhar para o espelho, deixando um bom banho para depois- depois que eu tivesse com Dahyun fora do meu quarto.

Passei meu creme lembrando das dores que sentia e vesti meu robe ao entrar novamente no quarto.

Ela não havia se mexido, o que poderia significar que estava dormindo profundamente.

Relutei em acorda-la sem saber se era porque não queria tira-la daquela paz que a cercava em seus sonhos, ou porque a presença dela ali fazia com que eu me sentisse leve.

- Dahyun... - Sussurrei, dando um tapinha leve em seu ombro.

Ela não respondeu.

Repeti o tapa algumas vezes, mas ela parecia profundamente adormecida.

Em um ato extremamente ousado, permiti aos meus dedos entrarem naquele cabelo desalinhado e fofo, fazendo ondas e movimentos suaves. Mais uma vez meu fôlego ficou instável. Depois de alguns minutos fazendo isso, ela se moveu, o que me pegou de surpresa e me fez retirar rapidamente as mãos do local, investindo novamente nos tapinhas no ombro.

- Dahyun...

- Hmmmm....

- Você tem que ir.

- Hm.

- Me ouviu?

- Uhum.

Acreditando ter terminado aquela conversa, ela puxou o lençol para se cobrir completamente e se aconchegou mais ao travesseiro embaixo de sua cabeça.

Aquilo era uma coisa nova que entraria para a minha lista de coisas nas quais eu era péssima em fazer: Acordar alguém de maneira graciosa.

Vamos tentar de novo.

- Dahyun...

- Hmmm?

- É sábado. E você está no meu quarto.

- Uhm-hm...

- Você está me ouv...

- Meu Deus, mulher, me deixa dormir!

Fui pega de surpresa pela rouquidão na sua voz. Ela ainda mantinha os olhos fechados.

- Você não está em casa - Falei, tentando manter minha voz baixa como se estivesse falando com um doente.

- Eu sei onde estou. Estou no seu quarto, na sua cama, tentando dormir. Mas você não deixa. É sábado, são 7:15 da manhã... Pelo amor de Deus...

- Mas... Você está na minha cama...

- Então me deixa dormir - Ela pontuou como se fosse um argumento óbvio, se aconchegando mais nos lençóis e dando um ponto final na discussão.

Eu nunca imaginei que alguém quisesse ficar na minha cama como se fosse algo comum. Grande parte dos clientes tinha um certo nojo e permanecia nela pelo menor tempo possível. Dahyun ironicamente parecia ser diferente de todos os outros clientes em praticamente todos os aspectos.

- Bom... - comecei, mais em um sussurro do que propriamente palavras - ... eu vou me deitar também então.

Se ela tivesse alguma objeção a isso, teria falado. Mas Dahyun permaneceu muda.

Imóvel.

Ótimo.

Levantei da cama buscando na gaveta uma camiseta branca e uma calcinha. Vesti as peças de roupa e voltei para o lado dela, ainda um pouco receosa com sua reação quando se desse conta de que estávamos na mesma cama.

Não adianta xingar depois... Eu tentei te avisar.

Tentando afastar minhas inseguranças, deitei no colchão com cuidado e virei de lado com as costas para ela. Eu não queria olha-la. Estranhamente, olha-la fazia com que eu ficasse feliz. E isso era muito estranho. Vê-la ali, ao meu lado, como se nada mais importasse, era simples. Era bom. E a cada minuto que passava ficava melhor, porque parecia não haver complicações ou limitações. Ela estava ali e isso era tudo.

A respiração tranquila dela, minha própria respiração hesitante e a chuva do lado de fora eram os únicos sons, os sons que davam a melodia naquele momento de paz. E era tão bom...

Exatamente por ser tão bom, eu não queria encara-la.

Porque sabia que quanto mais eu me amarrasse à presença dela ao meu lado, em um sono tranquilo, mais seria difícil de aceitar a dor em não tê-la ali mais tarde.

Eu sabia que doeria.

E saber disso me deixou com medo.

Subitamente senti seus braços me envolverem, o corpo dela formando uma concha com o meu.

Fiquei imóvel, em pânico, em êxtase.

- Você... passou o creme, né?

Puta merda, puta merda, puta merda.

- Sim...

- Esse cheiro é muito bom - Ela disse, enfiando o rosto entre meus cabelos e meu pescoço e inspirando profundamente ali. Não respondi, mantendo meus olhos arregalados e tentando fazer com que meu coração não saísse pela boca. Eu não movia um único músculo, com medo de que ela se afastasse.

Depois de alguns minutos fechei os olhos e saboreei o momento:

Os braços dela em volta de mim.

Os dedos dela em minha barriga.

A respiração dela no meu pescoço.

A perna esquerda dela entre as minhas.

Eu não queria dormir. Queria aproveitar cada segundo daquele abraço. Aquilo era o máximo de carinho que eu havia recebido em todo minha vida como prostituta. De tão bom, sequer parecia real.

Mas tudo ali me embalava. O clima, os sons, o ar. Os lençóis, a pele dela, o calor da pele dela...

E então, mesmo relutante, não consegui vencer o sono que mais uma vez, fez com que eu relaxasse e esquecesse de tudo.

                        (...)

Levantei-me assustada quando Dahyun resolveu desfazer o abraço de urso que mantinha ao meu redor e fui a procura do objeto escandaloso, tateando entre roupas e móveis, procurando dentro de bolsas, gavetas e mochilas.

Minha visão estava turva ainda pelo sono, tornava a tarefa extremamente desafiadora. Finalmente o celular parou de tocar 

Fiquei um pouco mais calma, começando a procurar direito dessa vez. Achei-o em cima de uma pilha de livros coberta por roupas dobradas, esquecidas no canto mais escuro do quarto. Abri e visualizei uma chamada não atendida de Jennie.

- Mas que diabos?

Por que ela simplesmente não havia batido na porta e me pedido para abri-la, como sempre fazia quando queria falar comigo?

Virei-me ainda com os olhos no telefone e só então me lembrei de Dahyun, ainda deitada na minha cama, me fitando com uma cara estranha. Se era curiosidade, revolta ou só sono, eu não saberia dizer.

Encarei-a de volta por algum tempo sustentando seu olhar, até que ela se cansou daquele jogo e se levantou, rumo ao banheiro.

No meio do caminho pegou suas roupas e bateu a porta atrás de si.

Ela caminhava de um jeito imponente. Eu sempre notei isso, mas sentia que a cada dia que passava aquela mulher exalava mais poder do que antes.

Suspirei e dois segundos depois o celular, ainda na minha mão, me alertou uma nova mensagem recebida.

Olhei para o visor e apertei '' Visualizar '', logo me deparando com uma mensagem de Jennie:

"Me diga que Dahyun não está no seu quarto"

Sorri lendo aquela pequena frase, imaginando Jennie mordendo-se de ansiedade pela minha resposta enquanto todas as outras roíam as unhas de expectativa também.

Era mesmo impressionante como quase nada passava despercebido naquele lugar.

Apertei o botão de '' Responder'', já com minha frase formulada, mas parei logo em seguida. Será que eu devia falar que ela estava aqui?

Talvez ela não quisesse ser notada, e tentasse sair pelos fundos, evitando fofocas. Mas então me lembrei que se tratava de Dahyun, mesmo que ela se teletransportasse as pessoas saberiam que ela havia estado ali. Fosse pelo perfume natural da sua pele ou pela aura de poder que ela emanava sobre todas as pessoas daquele lugar, e provavelmente do universo.

"Sim, está. Por favor, sejam discretas"

Terminei de digitar e enviei a mensagem, desligando meu celular logo em seguida. Foi o tempo de escutar, claramente, risinhos excitados no andar de baixo.

Reparei pela primeira vez nas notas de dinheiro jogadas ao chão, e imediatamente me lembrei da noite anterior.

Recolhi do chão o bolo de notas, alinhando-as na palma da mão, dobrando-as e colocando-as de qualquer jeito sobre o móvel onde se encontram o resto das notas que um dia pertenceram a carteira dela.

A porta do banheiro foi aberta. Dahyun saiu, notando minha presença imediatamente ao seu lado, mas mesmo assim não me encarou.

- Como eu não tinha escova de dentes, usei seu séptico bucal - Ela falou de repente - Espero que não tenha problema.

- Tudo bem.

Pegou distraída suas calças de cima de uma cadeira tirando a carteira de um dos bolsos. Ela veio na minha direção como se tivesse lembrado de algo com um estalo, desviando de última hora para pegar as notas em cima do móvel atrás de mim e conta-las.

Eu estava extremamente grata aos deuses e ao destino- o que fosse- pelo fato de Dahyun ter ficado comigo o resto da noite anterior. Ela havia sido extremamente gentil me deixando escolher o que fazer ontem. Ela é a única dentre centenas de clientes que realmente se importava um pouco comigo.

Esperei de braços cruzados que ela acabasse com sua matemática. Quando pareceu terminar, não disse nada. Ao invés disso foi de encontro à sua carteira novamente, abrindo-a e tirando de lá um cheque.

- Você tem uma caneta? - Ela perguntou, olhando em volta.

- Por quê?

- O dinheiro não paga suas horas- Respondeu, correndo para o livro em cima da escrivaninha e tirando uma caneta de dentro dele.

- Você acabou de desmarcar o ponto que eu tinha parado a minha leitura - Falei só por falar.

Eu não tinha realmente me importado com aquilo.

- Já ouviu em falar em marca-páginas? Vou te arranjar alguns - Ela respondeu debochada.

 Dahyun manteve sua cabeça baixa preenchendo o cheque e eu me senti estranhamente contrariada com aquela situação. Quando acabou, ela veio até mim e deixou o cheque junto às notas. Em nenhum momento seus olhos cruzaram com os meus.

- Qual é o problema? - Perguntei já meio incomodada.

- Problema nenhum - Ela respondeu calmamente, terminando de se vestir.

- Por que você não olha pra mim?

Ela parou de abotoar sua camisa e me fitou ao falar outra vez:

- Odeio te ver assim.

- Assim como? Acabando de acordar?

- Não é isso. Você está toda... marcada.

Ah. Isso. Merda.

- Seus hematomas ficam menos evidentes de noite.

- Bem, tudo fica mais claro de dia, né? - Falei debochada.

- Estou vendo - Ela pontuou meia triste.

Fui até um dos criados mudos, peguei uma bolsa de maquiagem que Jennie havia me emprestado e adotei um tom educado na voz:

- Com licença. Estarei normal em quinze minutos.

E dizendo isso, fechei a porta do banheiro atrás de mim.

Quando sai fiquei surpresa ao constatar que ela ainda estava no quarto, sentada na ponta da cama enquanto lia algum capítulo de Orgulho e Preconceito. Ela me lançou uma olhada pouco discreta de cima a baixo e sorriu.

- Eu me sinto melhor. É, maquiagem realmente é a melhor amiga das mulheres.

- Jane Austen é muito romântica.

- Sim - Falei sem emoção, enquanto procurava alguma calça para cobrir minha calcinha. Como só encontrei um short jeans, o vesti rapidamente.

- Você é romântica?

Olhei-a imediatamente e vi que ela já me encarava.

- Não. - Respondi - Não posso me dar a esse luxo.

- Todo mundo pode ser romântico.

- Eu não ganho nada sonhando com um príncipe encantado. Pelo contrário, só tenho a perder.

- Ninguém tem nada a perder com um sonho.

Suspirei.

- Quando você percebe que um sonho é inalcançável então você tem muito a perder.

- Não subestime o poder dos contos de fadas.

- Prometo não subestimar assim que minha vida se transformar em um. Mas até lá me permito ser amargurada com a vida e não acreditar no amor.

- Você não acredita? - Ela arregalou seus castanhos claros - Nunca se apaixonou?

Eu queria responder imediatamente, mas alguma coisa na minha cabeça martelava uma dúvida ridícula, algo que eu não queria sequer tentar entender. Respondi depois de algum tempo:

- Não. Nunca.

- Uau - Ela voltou seu olhar para o livro agora fechado, apreciando a capa.

- Você já? - Soltei.

- Já.

- Bom, dada a situação, acredito que não tenha sido um conto de fadas também.

De repente senti receio de ter sido rude, mas ela soltou um riso amargurado e debochado, ainda não olhando para mim ao responder:

- Não, não foi.

Então seu rosto ficou triste como eu jamais havia visto, e isso me fez sentir uma súbita tristeza por ela.

- Um dia você me conta essa história - Falei - Se quiser, é claro - Me alto corrigi, tropeçando nas palavras e sentindo corar da cabeça aos pés.

Ela sorri um sorriso gentil enquanto falava outra vez:

- Vai ser bom conversar.

Sorri de volta, agradecendo em silêncio por Dahyun querer compartilhar algo comigo além de sexo sem compromisso.

- Claro... Claro.

Calcei o primeiro par de sandálias que eu encontrei e fui em direção à porta. Olhei em volta constatando que o corredor estava deserto, e então saí do quarto com Dahyun atrás de mim. Desci as escadas em silêncio, chegando no andar debaixo rapidamente. Olhei em volta mais uma vez buscando por alguém, mas não havia nenhuma garota à vista.

- Bom... Por qual porta você quer sair?

Ela me olhou surpresa.

- Eu... Bem, pensei que pudesse comer alguma coisa antes de ir embora...

- Você quer tomar café da manhã? Aqui?

- Aham... Eu posso comer qualquer coisa na rua...

- Não! - Falei um pouco apressada- É que eu pensei que você quisesse ir.... Desculpe.

- É que eu estou mesmo morrendo de fome, mas se for atrapalhar eu posso...

- Não vai - Interrompi-a - Vem por aqui.

Sem nem pensar, peguei sua mão e puxei-a para a cozinha, e esse simples ato me fez corar outra vez. Estava tão dispersa que não notei as conversas que vinham de lá, e sem nem pensar nisso abri a porta, me deparando com várias garotas sentadas na grande mesa central enquanto tagarelavam sobre qualquer coisa sem importância.

Estaquei, ainda segurando a mão de Dahyun enquanto o grupo nos olhava com interesse. Jennie tinha a boca um pouco aberta e eu não consegui pensar em nada para dizer. Depois de alguns segundos cheguei à conclusão de que talvez fosse melhor não estar tocando nela naquele momento. Soltei sua mão como se ela queimasse e cruzei os braços no peito. Dahyun falou primeiro.

- Bom dia, garotas.

- Bom dia, meninas.

Elas responderam em um uníssono. As que conseguiam formular uma resposta, pelo menos:

- Bom dia, Dahyun.

- Desculpem invadir assim o espaço de vocês, mas eu estou morrendo de fome, sabem? - Ela pontuou fazendo um beicinho irritantemente adorável.

Revirei os olhos.

- Ahhh, eu preparo algo pra você! Vem cá! - Shuhuna disse, um pouco mais animada do que deveria.

Enquanto eu sentava à mesa me servindo de suco de laranja, Jennie me lançava olhares cheios de significados. Dei de ombros, notando que ela era a única mulher no recinto que prestava atenção em mim ao invés de Dahyun.

Ela se sentou na cadeira imediatamente à minha frente, rindo feito boba do poder que exercia sobre aquelas mulheres.

- Rídicula - Sussurrei para ela, o que fez a alargar ainda mais o sorriso.

- Dormiu bem Dahyun? - Aisha perguntou de repente e eu engasguei com o suco, tossindo feito louca. Não era do feitio dela ser irônica, o que me assustou. Boa, sentada ao meu lado, deu tapinhas leves nas minhas costas, ficando ciente da minha presença pela primeira vez.

- Ah, sim - Ela respondeu - A cama da Bunny é muito confortável.

Fez-se um silêncio momentâneo.

- Bunny? - Algumas meninas falaram juntas, enquanto as outras se entreolharam.

Shuhuna quase deixou cair os ovos que trazia nas mãos e Boa parou de tentar me fazer voltar a respirar.

- Vocês a chamam de Nay e eu a chamo de Bunny, senhorita Nayeon ou de como ela quiser. Eu pedi permissão a ela pra isso, então também posso chamá-la assim - Ela falou, piscando pra elas.

Eu queria enfiar a cabeça na cesta de pães a minha frente, mas imaginei que fosse chamar muita atenção, então fiquei ali, olhando com ódio para Dahyun e sua indiscrição, sentindo meu rosto queimando de vergonha.

- Ah, então se ela está bem com isso, tudo bem - Disse Jennie, tentando dar um fim naquele assunto.

- Eu - vou- matar - você.

Movi meus lábios formando palavras sem som pra ela, enquanto ela ria da minha cara.

As meninas já conversavam e riam novamente, olhando para Dahyun e voltando a lançar olhares entre elas. Graças a Deus ninguém olhava para mim, a não ser ela.

- Seu omelete - Shuhuna disse, colocando um prato na frente dela e sentando-se na cadeira vazia ao seu lado, apoiando seu queixo sobre uma mão como uma adolescente vendo um filme do Brad Pitt.

- Parece muito bom. Obrigada - Ela agradeceu, sorrindo pra ela. Que mania irritante ela tinha de sorrir para as pessoas!

Ela riu satisfeita em resposta, e eu comecei a ficar puta.

- Com licença - Arrastei a cadeira para trás me levantei.

- Vai aonde? - Ela perguntou.

- Ler. Você já conhece o caminho até a porta. E mesmo que não conhecesse, tenho certeza que Shuhuna ficaria mais do que contente em lhe acompanhar.

Ela sequer olhou para mim quando mencionei seu nome, tamanho era o seu interesse nela.

- Ah, ok. Bom, até mais então.

- Até.

E dizendo isso, saí da cozinha, tentando mais do que nunca não pensar que a cena que tinha acabado de fazer na frente de todas aquelas mulheres e de Dahyun não tinha nada, absolutamente nada a ver com ciúmes. 

                         (...)

O resto daquela manhã e o início da tarde foram tomados por Jennie e Boa fazendo perguntas sobre os detalhes mais sórdidos do que havia acontecido entre mim e Dahyun na noite anterior.

- Pelo amor de Deus, até parece que vocês não sabem de tudo. Vocês fazem a mesma coisa todos os dias - Falei desanimada. 

- Mas nenhum cliente ficou na minha cama até o dia seguinte - Jennie falou.

- Ela deveria estar cansada - Falei.

- Qual é, Nay. Um cliente não dorme na cama de uma puta a não ser que esteja bastante confortável.

- Boa, se ela estava confortável ou não, eu não sei. Mas não deve ter sido a primeira vez que ela faz isso.

- Bom- começou Jennie- pelo menos aqui ela nunca fez isso. Com nenhuma de nós.

Senti-me subitamente de bom humor, o que tentei não relacionar ao fato de saber agora que estava, de certo modo, em um patamar diferente das outras garotas daquele lugar.

Mesmo animada, tentei mudar de assunto. Precisava ficar sozinha.

- Bem, eu vou dar uma volta. É sábado, nada de clientes pra me azucrinarem. Vou aproveitar a paisagem.

- Mas ainda está chovendo.

- Ótimo. Menos pessoas na rua pra ficarem olhando para mim.

                          (...)

Às cinco da tarde eu saia do The Lux com minha bolsa-mochila no ombro, vestindo um casaco vermelho desbotado, calça jeans skinny e um par de All-Star velhos.

Eu não tinha guarda-chuva, mas não precisava. Estava chuviscando e as pequenas e finas gotas não me incomodavam. Ao contrário, eram bastante agradáveis. Constatei que as nuvens estavam pesadas e os trovões estavam cada vez mais frequentes, então corri para não pegar um dilúvio que eu sabia que viria.

Puxei o capuz do casaco para cobrir a cabeça e caminhei até o ponto de ônibus. Queria ir ao parque do outro lado do bairro, respirar novos ares. Assim que cheguei, corri para uma das muitas mesas redondas de madeira coberta por telhas vermelhas. Como não ventava, consegui me proteger da chuva ali.

Era um lugar calmo e obviamente, estava vazio. Pelo pouco das ruas e casas que consegui analisar, pude constatar que era um bairro de pessoas no mínimo bastante ricas.

Tirei meu livro, um dicionário e uma caneta da bolsa, colocando tudo em cima da mesa e sentando em um dos quatros tocos de madeira que serviam como bancos. Graças a Dahyun, tive que procurar por algum tempo a página na qual eu havia parado a leitura. Sentindo o cheiro e ouvindo o barulho da chuva, consegui relaxar.

Não sei por quanto tempo eu fiquei ali. Tudo parecia tão calmo e fácil. O lugar era lindo, a grama era bem aparada, de um verde vivo. As gotas agora, mais grossas e em maior quantidade, caíam pesadamente na superfície do enorme lago que ficava no centro do parque. Aquela atmosfera me contagiava, e naquele momento, aquele lugar era o melhor lugar do mundo para se estar.

Vi alguém correndo através da espessa cortina de chuva, se abrigando em uma das mesas cobertas que ficava do outro lado do parque. Sorri sem nenhum motivo. A mulher, como pude constatar depois de alguma análise, retirava seu casaco de couro e balançava seus cabelos molhados como um cachorro que acabara de sair do banho.

Voltei meu olhar para o livro e retomei a leitura. Poucos minutos depois meu celular emitiu um som fraco e moribundo, me avisando que a bateria tinha se esgotado.

- Ótimo. Nada como paz. - Falei, em voz alta.

- Eu concordo.

Pulei de susto ao ouvir a voz falando imediatamente atrás de mim, num to suficientemente grave para não ser encoberto pelo barulho forte da chuva.

Era uma voz feminina. Uma voz bonita, incisiva, um pouco rouca e poderosa.

Aquele tipo de voz que você imagina que uma mulher linda tenha, e pelo fato de ter estado pensando naquela voz de cinco em cinco minutos, quando me dispersava da história de Jane Austen à minha frente, não precisava nem me virar para saber quem era a mulher que se encontrava a pouco menos de um metro de distância de mim.

Mesmo assim me virei, encarando aqueles olhos castanhos maravilhosos. Ela estava ensopada da cabeça aos pés e trazia uma revista enrolada completamente molhada e mole em uma mão, e na outra, seu casaco.

Normalmente, quando era pega de surpresa, eu demorava um pouco para formular uma frase. Nesse caso eu tinha acabado de ser pega de surpresa por Dahyun, o que fazia com que minhas tentativas de falar alguma coisa coerente fossem ainda mais fracassadas. Porque Dahyun me deslumbrava naturalmente, me pegando de surpresa ou não.

- Você... O que... - Tossi, limpando a garganta - O que está fazendo aqui?

- Eu é que pergunto. Aqui é um pouco longe de onde você mora.

- Eu queria sair... Ler um pouco... Fugir um pouco...

- Entendi.

Eu ainda não sabia o que ela estava fazendo ali. Não acreditava em coincidências, muito menos em destino.

- O que está fazendo aqui? - Repeti.

- Bom, eu fui até a banca comprar uma revista, e aí o céu desabou em cima da minha cabeça. Então atravessei a rua e vim correndo pra cá. Fiquei em baixo daquela proteção do outro lado do parque e te vi. Bom, pensei que fosse alguém parecido com você, mas não pude dizer com certeza. Então vim verificar, e aqui estou.

Dahyun pontuou seu discurso com um sorriso torto contagiante. Eu suspirei. 

- Você mora por aqui? - Perguntei.

- Moro a dois quarteirões daqui. Consigo ver esse parque inteiro da varanda da minha sala - E dizendo isso, apontou para um prédio branco espelhado imponente, o mais alto à nossa esquerda, um pouco longe.

- Deixa eu adivinhar: Você mora na cobertura? 

— É...

Sorri com deboche abaixando a cabeça. Então ela é mesmo uma mulher podre de rica.

- Ei, posso me sentar?

- Claro - Tirei minha bolsa de cima do banco ao meu lado, cedendo-lhe o lugar.

Ela aceitou, sentando-se e puxando um assunto aleatório:

- Então... Um sábado chuvoso. Que droga, né?

Manter um papo normal com Dahyun soava forçado, porque nós não batíamos papo. Nós não nos conhecíamos para isso, e nosso objetivo juntas era bastante diferente de jogar conversa fora. Mesmo assim eu queria dar uma chance para que esse relacionamento, errado em quase todos os aspectos, pudesse se tornar algo melhor, algo que valesse à pena.

Ela sorriu.

- Acho que você é a única pessoa no mundo que prefere um sábado chuvoso a um sábado ensolarado e quente.

- Não creio que seja a única - Concluí meio distraída - Você que não deve conhecer muitas pessoas tão sensíveis como eu.

Ela me olhou profundamente, mas eu continuei:

- Quero dizer, é muito fácil gostar de um sábado ensolarado, mas quase ninguém vê a beleza de uma tarde chuvosa. Se as pessoas tentassem ver a  real beleza disso aqui... - Olhei em volta, deixando a frase no ar - Não estou dizendo que não gosto do sol, mas as pessoas parecem se esquecer de que, sem a chuva, o tempo bom seria cansativo. A gente tem que mudar de vez em quando, senão tudo fica muito chato.

Olhei-a novamente e constatei que ela não simplesmente me olhava: Ela estava me analisando.

Senti meu rosto corar, conseguindo finalizar meu argumento em um tom de voz mais baixo que antes:

- Mas ainda prefiro a chuva...

- Sabe... - Ela começou depois de alguns segundos em silêncio - Acho que agora prefiro a chuva também.

Seu olhar era penetrante, e eu comecei a me sentir completamente exposta àquele olhar. Desviei os olhos, voltando a tentar ler o livro à minha frente.

- Ainda aquele livro?

- É. Avancei bastante hoje, já passei da metade - Respondi.

- Você lê com dicionário?

- Sim - Pela milionésima vez, corei. Minha mania de corar na frente dela já estava ficando irritante - Tem algumas palavras... Sabe, difíceis. Eu não entendo, aí eu procuro no dicionário, e então posso continuar lendo.

- Isso mostra uma grande força de vontade sua, sabia? A maioria das pessoas, quando leem algo que não entendem, simplesmente deixam pra lá. Preferem não entender o trecho de um livro a se mexerem e irem procurar o significado da palavra.

- Bom, eu entendo menos palavras do que a maioria das pessoas.

- Hm...Você... Não estudou?

- Ah, estudei sim. Eu era uma aluna mediana no colégio que estudava. Mas aí eu tive que sair - Olhei para as mãos.

- Por quê?

Encarei-a novamente. Sua expressão me encorajava a continuar, e pela primeira vez eu pude ver alguém, além de Jennie, genuinamente interessada no que eu tinha a dizer.

- Bom, eu... Eu tinha dez anos quando meu pai morreu. Levou dois tiros em um assalto. Minha mãe era dona de casa, nunca trabalhou e nos sustentávamos com dinheiro do meu pai. Ele era policial. Quando ele morreu minha mãe teve que procurar emprego. Como ela não sabia fazer muita coisa, arranjou um emprego de garçonete. Pagava pouco e exigia muitas horas do dia dela. Então eu tive que sair da escola pra tomar conta da casa. Essas coisas.

- Eu lamento.

Pude ver que ela realmente lamentava.

- E sua mãe... - Ela continuou.

- Morreu há pouco mais de 3 anos. Drogas, álcool, depressão. Essas coisas. Tudo por causa de um infeliz que ela conheceu.

Suspirei. Falar dela e do meu pai doía. Eu podia sentir a dor com clareza naquele momento, porque era a primeira vez que realmente conversava sobre aquele assunto com alguém.

- Ela era linda, sabe? Minha mãe. Tinha olhos castanhos e muito vivos, antes de conhecer aquele filho da puta. E mesmo quando estava triste você podia ver algo nela iluminava a sua vida. Era como se dentro dela existisse algum tipo de sol. E ela era diferente das outras pessoas. Ela era bonita, bonita por dentro e por fora.

- Deve haver uma ou duas coisas dela em você.

Encarei-a, e sem nem saber porquê, sorri. Ela retribuiu o sorriso.

- O sorriso dela era tão bonito quanto o seu?

- Era muito mais bonito - Falei envergonhada - Ela não devia ter morrido assim tão jovem. Ainda havia muitas pessoas pra ela iluminar.

Enxuguei uma lágrima que escorreu pelo meu rosto, me pegando de surpresa.

- Talvez esse seja o seu papel agora - Dahyun concluiu. 

Dei um riso triste e abafado.

- Não acho que possa desempenhar esse papel. Não sou a metade da mulher que ela foi...

- Você me ilumina - Ela disse isso calmamente, e continuou me olhando como se tivesse acabado de me dar um bom dia - Há algo em você, algo especial. Eu notei isso no primeiro dia que te vi. Você é muito diferente de grande parte das pessoas, senhorita Nayeon

- Não sou. É impressão sua. Ninguém é diferente de ninguém.

- É sim. Todo mundo é diferente. Existem pessoas ordinárias e existem pessoas especiais. É uma pena que você não veja isso.

- No meu mundo existem apenas pessoas. Elas só se aproximam de você porque têm algum interesse. Ninguém está lá pura e simplesmente pra te ajudar. Você precisa dar algo em troca.

- Talvez o que elas peçam em troca não seja muito. Talvez seja só uma amizade.

- Dahyun... - Falei, minha voz embargada com uma tristeza que não estava nos meus planos para aquela tarde - Ninguém nunca me pediu só amizade.

Ela ficou calada. Vi em sua expressão que ela não tinha nada que pudesse ser dito para me fazer sentir melhor. Mas isso não era novidade.

- Você odeia essa vida, não é? - Finalmente perguntou. 

- Você não faz ideia.

Pela primeira vez ela desviou o olhar, fitando agora suas mãos molhadas.

- As outras garotas... Elas não ligam. Mas pra você parecer ser um castigo.

Permaneci em silêncio, fitando minhas próprias mãos.

- Você ganhou minha simpatia de graça, sabe? - Ela continuou - Eu acho você uma pessoa bacana, e conforme o tempo passa, me sinto gostando cada vez mais de você.

Olhei para ela um pouco eufórica.

- Eu... - Comecei, mas não sabia o que dizer.

- Não sei de todos os pecados que você cometeu na vida, mas posso ver que você é uma pessoa boa. E pessoas boas não merecem sofrer. Pelo menos eu gosto de pensar que não estou ajudando a tornar vida delas mais miserável - Ela me olhou novamente - Não vou fazer mais isso com você. Não vou mais te usar pra tapar os buracos da minha própria vida. Não é justo e eu sinto muito ter feito isso até agora.

Sim, ela devia se desculpar. Sim, ela fazia parte da mediocridade da minha vida, e ajudava a torna-la mais miserável. Ela era uma cliente, uma pessoa que me fazia lembrar a cada dia por que eu odiava a minha vida. Mas, ao mesmo tempo, ela era a pessoa que me fazia sentir, a cada dia que passava, um pouco menos infeliz. Uma pessoa que se destacava, que se diferenciava das outras pessoas, não só pelo fato dela ser intersexual, mas simplesmente por ser do jeito que era, mas também porque se importava comigo. Se importava de verdade.

Senti meu coração derretendo aos poucos enquanto a fitava ali, molhada, parada à minha frente. Meus sentimentos pareciam lutar dentro de mim, travando uma briga que nem ru mesma poderia apartar. Uma mistura de raiva, desejo e loucura me confundiam, e eu não sabia ao certo o que dizer, mas sabia que precisava falar alguma coisa.

Ainda assim, podia sentir meu peito quase explodindo. Ele era pequeno para manter tantas coisas que lutavam entre si pela liderança lá dentro. Senti uma onda repentina de sinceridade se apoderando de mim, e antes que pudesse sair correndo deixando-a com meu silêncio, fechei os olhos e simplesmente falei:

- Você é a melhor coisa que aconteceu comigo durante todo esse tempo. Você é a única pessoa que se preocupa com o fato de eu estar toda machucada ou não. Você foi a única pessoa que me perguntou sobre a minha vida. E eu sinto muito te dizer isso, sinto muito não conseguir calar a boca agora, mas eu não quero que você vá embora - Outra lágrima escorreu pelo meu rosto, mas eu não me importei.

- Não se assuste comigo, eu só... Eu gosto de ter você por perto. Eu me sinto segura. Eu sei que você não quer esse tipo de responsabilidade, e você não precisa ter. Mas só sua presença já me passa isso. Você não precisa fazer muito mais do que estar por perto.

Ela me fitava um pouco assustada, mas agora não havia mais como voltar atrás. Dahyun engoliu em seco depois de algum tempo em silêncio. Passou as mãos nos cabelos sem saber muito o que fazer, e finalmente falou:

- É por perto que você me quer?

- Sim. - Respondi sem pestanejar.

Ela sorriu. Aquele sorriso torto.

- Então é por perto que eu vou estar.

Sorri de volta, secando meu rosto.

- Você fica muito mais bonita sorrindo ,Bunny.

- Vou tentar sorrir mais vezes então - Falei em tom de brincadeira.

- Vou cobrar isso de você.

A chuva agora era uma fina cortina de gotas muito pequenas, tão leves que demoravam a cair. No céu, um sol tímido iluminava fragilmente as nuvens, e a combinação disso pintou um arco-íris tão grande que ocupava toda a parte visível do céu cinzento.

Dahyun olhou para mim, apontando para o colorido acima de nós.

- Viu? - Falou calmamente - Quando o tempo bom e o tempo ruim se misturam em um só, o resultado é mais bonito do que se espera.

— Tem razão— disse enquanto observava a mesma. Que ainda olhava para o céu.

 O que está acontecendo comigo?

Alguns minutos depois o sol já havia se posto, deixando o ambiente gradativamente mais escuro. A chuva havia cessado e algumas pessoas já se arriscavam a passear no parque antes deserto. A conversa entre mim e Dahyun tomou um rumo mais agradável, e então falamos de coisas mais banais. Infelizmente ela me perguntava coisas demais, e eu não tinha a oportunidade de saber um pouco da vida dela também.

- É melhor ir embora antes que pegue uma pneumonia - Falei - Suas roupas estão molhadas a tarde inteira.

- É verdade - Ela respondeu, e eu olhei para a camisa ainda colada ao seu corpo por causa da água- Você vai ficar? - Perguntou

De repente notei que se ela estava indo embora, então eu não tinha mais nada para fazer ali. Minha leitura já tinha sido esquecida havia muito tempo, os livros já estavam fechados e guardados dentro da bolsa.

- Não, vou também. Já está escurecendo de qualquer forma.

- Então vamos. Eu te acompanho até o ponto de ônibus.

O caminho até lá foi silencioso. Felizmente não foi um silêncio desagradável, mas sim aquele tipo de silêncio que acontece quando duas pessoas sabem que não precisam preencher aquele espaço com palavras idiotas e conversas descartáveis. Era um silêncio natural, onde a presença da outra pessoa era a única coisa a ser compartilhada e apreciada.

O ônibus chegou e eu me vi triste pela despedida. Mas era preciso, então entrei no ônibus de uma vez, olhando para trás e acenando timidamente para ela que retribuiu, ainda me olhando enquanto o veículo acelerava.

A viagem pareceu rápida demais para meus devaneios, e quando cheguei ao The Lux queria apenas ficar sozinha. Neguei o jantar quando me chamaram para descer à cozinha porque, de fato, não sentia fome. Entreguei o dinheiro ainda em cima do móvel para Irene e me tranquei no meu quarto.

Tomei um bom banho e me deitei na cama. A partir daí nada fiz senão pensar.

Não sei a que horas o sono veio, e também não sei quanto tempo fiquei divagando sozinha no escuro do quarto. A chuva voltou a bater com força no telhado e meus pensamentos teimavam em voar para aquela tarde de sábado, o que deveria ter sido só mais uma tarde de sábado qualquer.

E embora eu não estivesse ciente de muita coisa, embora eu não soubesse o que exatamente me deixava tão perdida ultimamente, eu tinha um palpite. Um palpite que me deixava eufórica e ao mesmo tempo, em pânico.

Lembro do último pensamento que tive antes de mergulhar na inconsciência outra vez.

Se era um pedido ou uma oração, eu não saberia dizer. Mas de qualquer forma meus sentimentos aos poucos começavam a tomar uma forma definida, e eu tentava desesperadamente não ver as coisas como elas pareciam ser. Como elas seriam, a partir daquele momento:

Por favor, POR FAVOR, que eu não esteja me apaixonando por Dahyun.


Notas Finais


Ainda surtando pelo Alcohol Free. Elas estavam tão lindas, surtando por todas!🥺❤️❤️

Chaeyoung de cabelo rosa é minha religião. Amém irmãos?🙌

Dahyun linda demais, MDS!


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