História My Sweet Prostitute (Jenlisa) G!P - Capítulo 31


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Blackpink, Mamamoo, Red Velvet, TWICE
Personagens Hwasa, Jennie, Jeon Jungkook (Jungkook), Jihyo, Jisoo, Kim Taehyung (V), Lisa, Mina, Park Jimin (Jimin), Rosé, Seulgi, Solar, Tzuyu, Wheein
Tags Blackpink, Jenlisa
Visualizações 151
Palavras 3.986
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - Capítulo 31


Fanfic / Fanfiction My Sweet Prostitute (Jenlisa) G!P - Capítulo 31 - Capítulo 31

Lalisa Manoban P.O.V 

Flashback on

Ao sair do The Hills no dia em que havia visto Jennie pela última vez, tentei convencer a mim mesma que manteria distância dela '' para o meu próprio bem. '' Obviamente, aquilo se mostrou uma ideia tão idiota, que sem exagero algum, quase me matou.

A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi abrir duas das minhas melhores garrafas de Uísque e simplesmente acabar com elas. A culpa de ter feito o que tinha acabado de fazer e a dor que eu sentia como consequência das minhas decisões foi o que me convenceu de encher a cara quase a ponto de entrar em coma alcoólico talvez fosse uma boa saída.

A tarefa de lidar com o desespero que minhas atitudes trouxeram mostrou-se difícil, então, como a perfeita covarde que eu sempre fui, me refugiei em várias doses.

Foi só no dia seguinte, vítima de uma ressaca da porra que beirava à sensação da morte, que eu me dei conta de que a brilhante ideia de usar álcool para esquecer meus problemas não tinha sido tão boa assim.

Rosé me ligou algumas vezes para o meu celular, talvez querendo saber o motivo que fez a chefe de uma empresa não ir para o trabalho em plena terça-feira ensolarada.

Não me importei com as chamadas e me permiti afundar na tristeza de uma ex-bêbada com dores de cabeça durante todo dia.

Para fugir das lamentações, esquecendo da estupidez em que se resumia a minha decisão de usar duas garrafas de Uísque como remédio para problemas sentimentais, repeti o erro outra vez, fazendo com que o final daquele dia se tornasse esquecido no teor alcoólico em excesso que circulava em meu sangue, mais uma vez.

Não era totalmente uma estupidez. Na verdade, eu não me importava com que estava fazendo. Por isso, e por saber que aquilo me fazia esquecer dos problemas, mesmo que me castigasse depois, me permiti usar esse remédio com uma maior frequência. Dia após dia, até completar uma semana.

Rosé me ligava diariamente, talvez querendo saber se eu finalmente havia morrido. Atendi uma chamada sua na quarta, apenas dizendo algo como '' não vou trabalhar, problemas pessoais '' e desligando depois.

Esse deve ter sido o motivo pelo qual ela decidiu não ir atrás de mim até a minha casa, e eu não sabia se aquilo era bom ou ruim.

Seria bom porque eu não teria que aturar ninguém. Não que eu tivesse que '' aturar '' Rosé, é claro, ela era minha amiga e quase sempre muito bem vinda, mas naquele momento eu não estava com cabeça para quem quer que fosse.

Eu sabia que ela me perguntaria o que aconteceu, e sabia que ela exigiria os mínimos detalhes de mim, como todas as mulheres resolvem fazer quando se dispõem a escutar. Mas falar sobre aquilo doeria muito, porque só de pensar já era doloroso. Eu teria que lidar com aquilo sozinha, já que havia tomado aquela decisão sem a ajuda de ninguém.

Eu precisava ser forte e não encher a cabeça dos outros com os meus problemas.

Ainda assim, eu sentia a falta dela, porque embora eu não quisesse falar sobre o que estava acontecendo comigo, ela era possivelmente minha única válvula de escape, a única pessoa com a qual eu poderia dividir um pouco do meu sofrimento. Mesmo que significasse contar a ela aquela história desde o início, e mesmo que eu tivesse quase certeza de que ela me odiaria por não seguir seus conselhos, talvez fosse bom desabafar com alguém.

Desabafar tudo aquilo que eu sentia.

Toda aquela mistura de coisas que já estavam me deixando enjoada. A vontade de correr novamente para Jennie e abraçá-la sem o menor cuidado, pedindo desculpas por tudo o que eu havia dito. Uma dor dilacerante por saber que eu provavelmente havia a machucado. A saudade agora crescente em não vê-la conforme os dias iam passando, sem saber se ela estava bem.

Estávamos no sábado recebi outra ligação de Rosé. Depois de alguns segundos pensando se deveria ou não atender, finalmente peguei o telefone e respondi.

- Alô

- Obrigada por atender, agora sei que você ainda tem braços. Que merda está acontecendo com você?

- Eu já disse, problemas pessoais.

- Eu entendi essa parte. Quero saber o que especificamente.

- Nada que você possa me ajudar.

- Me conte e eu decido se posso ou não te ajudar.

- Eu não quero te contar.

- Por que não? Eu sou a porra da sua amiga!

- Não é nada importante.

- Lalisa, eu não insistiria se não soubesse que era algo importante, e você sabe disso. O que quer que seja, tem uma importância relevante, já que consegue te colocar bêbada às 10:00 da manhã.

- Por que acha que estou...

- Sua voz já está arrastada. Por favor, me conte. Eu posso tentar te ajudar.

- Me dá um tempo, Chaeyoung. Eu só preciso ficar sozinha.

- Até quando? Você já está uma semana sem trabalhar. Quantas mais precisa?

Minha vontade era responder que o número de semanas que eu precisava para me recuperar era diretamente proporcional ao número de semanas que eu precisaria para esquecer Jennie. Mas isso só traria discussões que eu estava tentando evitar.

- Não sei até quando. Nunca fiz muita diferença nessa empresa, você pode tomar meu lugar em um piscar de olhos. Por que está tão preocupada com isso? Banque a chefe e seja feliz.

- Não seja imbecil, estou preocupada com você, e não com o seu trabalho!

- Não é o que parece. Você quer mandar em mim o tempo todo, mesmo sendo só minha secretária! Se quer o cargo de patroa, é só pegar. Ele está a disposição. Só não venha mais tagarelar ordens, porque eu não aguento mais.

Não esperei que ela respondesse, desligando logo em seguida. Ela ficaria irritada comigo, eu sabia, mas aquela era a minha decisão. Afastá-la de mim parecia prudente, evitando com que ela se preocupasse comigo em excesso.

Infelizmente eu não estava raciocinando direito, e não entendi que estava afastando de mim a única pessoa com a qual eu poderia contar, me deixando completamente sozinha.

Como imaginei, ela não ligou mais. Mais uma semana havia se passado sem que eu saísse do meu apartamento.

Felizmente, minha cozinha estava bem equipada, e não precisei sair para compras emergenciais, mesmo porque eu não sentia fome. O porteiro já havia ido me visitar, provavelmente querendo se certificar de que meu cadáver não estava apodrecendo no chão do banheiro. Eu não recebia ligações, a não ser algumas avulsas de meus pais. Ouvir a voz deles fez com que um nó em minha garganta quase se desprendesse em um choro, porque eu estava emotiva demais e bêbada demais.

Senti saudades do tempo em que eu poderia correr para minha mãe e me agarrar às suas pernas, me protegendo de qualquer coisa que me fizesse mal ou me desse medo. Era uma pena que eu tinha que crescer, e com isso, tivesse que assumir responsabilidades e tomar decisões.

Eu sempre tomava decisões, mas ironicamente elas pareciam ser todas erradas.

Agora, deitada no sofá da sala chorando feito uma criança abandonada, eu começava a imaginar que aquela decisão seria mais uma para a minha coleção de decisões idiotas.

Isso doía, mas o pior de tudo era que essa decisão, em particular, parecia ser a mais errada de todas.

Se fosse certa, não faria sentido eu estar sofrendo tanto. Não faria sentido me arrepender a cada minuto pelas palavras que eu havia dito, pelas minhas atitudes. Não faria sentido eu querer voltar no tempo e apagar essa parte, como se nunca tivesse existido, fazendo com que agora eu pudesse estar com ela outra vez.

Seria para o meu próprio bem me afastar dela, então por que doía tanto?

Tinha alguma coisa muito errada, e minha mente alcoolizada não podia entender o que era.

***

Mais três semanas haviam se passado sem que eu tivesse contato com ninguém. Era engraçado como uma pessoa podia se tornar um vegetal em tão pouco tempo. Bom, seria engraçado se não fosse trágico.

Agora, a culpa de ter falado com Rosé daquele jeito também ajudava no meu estado depressivo. Eu sabia que ela estava chateada comigo, eu fui uma babaca. Na verdade, era incrível a capacidade que eu tinha de ser babaca com tanta frequência. Era simplesmente maior que eu, e normalmente quando notava o que havia feito, as pessoas já queriam me ver morta. Eu sempre fui um pouco lenta quanto a isso, o que era um pouco irritante.

- Talvez eu devesse ligar e pedir desculpas. - Balbuciei para mim mesma, e ouvir o som da minha voz fez com que eu notasse a ambiguidade naquela frase.

Eu deveria ligar e pedir desculpas.

Desculpas para Rosé.

Perdão para Jennie.

Duas das pessoas aparentemente mais importantes na minha vida estavam magoadas comigo. E a culpa era minha. Eu era uma filha da puta.

Fui arrancada de meus devaneios pelo toque suave do interfone. Se eu bem me lembrava, minhas ordens de informar a quem quer que fosse que eu não estava em casa foram bastante claras ao porteiro e a todas as outras pessoas que andavam pela portaria.

Tudo bem, eu não atenderia. E me entenderia com Austin depois.

Para minha total surpresa, alguns minutos depois a campainha soou com mais intensidade do que o normal, e fui então que pude ouvir vozes discutindo do lado de fora do meu apartamento. Ainda confusa, rumei para a entrada e abri a porta, dando de cara com Rosé e o porteiro atrás dela, falando alguma coisa que eu não pude entender.

Os dois me encararam por algum momento, como se estivessem vendo uma lesma gigante.

Finalmente, Austin falou.

- Senhora, eu tentei impedi-la de subir, mas ela me ameaçou de morte!

- Não seja dramático. - Ela falou, debochando.

- Você disse! '' Saia da minha frente, ou esfaqueio você enquanto dorme!'' Isso é uma ameaça!

Rosé virou os olhos e pela primeira vez em muito, muito tempo, esbocei um sorriso. Essa era uma das reações involuntárias que ela despertava em mim, e então notei a saudade que sentia dela.

- Tudo bem, Austin. Pode ir. E não se preocupe com Rosé, ela só é um pouco exagerada de vez em quando.

- Com licença, senhora. - Ele disse, dando um último olhar desconfiado para ela e entrando no elevador.

Quando notei, Rosé já estava dentro do meu apartamento, deixando sua bolsa e seu casaco em uma das cadeiras perto da entrada. Ao se virar e me encarar, senti a vergonha me tomar completamente. Eu ia me desculpar, ia ter a iniciativa de começar uma conversa civilizada, mas ela foi mais rápida do que eu.

- Há quanto tempo você não se olha no espelho?

- Hum? Por quê?

- Porque você está magra, com olheiras, sua cara está mais pálida do que já é, e seu cabelo consegue estar mais rebelde do que o normal.

Havia algum tempo que eu não me olhava no espelho. Talvez uns três dias. E mesmo com aquela descrição tenebrosa da minha aparência, ela continuou ali, me encarando, sem parecer estar com medo do meu estado perturbado.

- Bom, não é como se alguém estivesse reparando nisso.

- É claro, você se enclausurou. Parece que não quer ter mais contato com outros humanos.

Não era esse o caso. Eu não estava propositalmente me afastando de qualquer companhia humana. O fato era que os outros eram muito pouco importantes para que eu sequer me importasse em manter distância.

Esse afastamento veio naturalmente, junto com a minha vontade de espancar a mim mesma até morrer.

- Desculpa falar daquele jeito com você. - Comecei, puxando o assunto que estava me incomodando na presença dela - Eu sou uma idiota.

- Isso eu já sei há algum tempo, Lalisa. Não me importo com seu ADP (ataque de pelanca), eu sei que aquilo tudo que você disse foi da boca pra fora. Não vim aqui pra isso, mas sim para falar do seu problema.

A capacidade de Rosé ser tão objetiva me assustava às vezes. Lá estava eu, parecendo uma hippie desabrigada com meu pijama azul marinho, e ela debatia sobre o meu '' problema '' como se fosse algo provavelmente idiota.

- Você não sabe o que está acontecendo comigo...

- Claro que eu sei. Você está apaixonada.

Fui pega de surpresa ao ouvir a resposta dela ser dita com uma voz tão banal. Ela devia estar assim tão certa sobre aquilo?

- Como diabos você sabe disso?

- Eu sei que a sua família está bem, então seu estado atual só pode ser por causa de uma mulher. Na verdade, é algo bastante intuitivo, pra não dizer óbvio.

Continuei encarando-a como se ela tivesse acabado de fazer uma verdadeira mágica na minha frente. Quando ela cansou da minha cara de surpresa e da minha falta de resposta, deixou-se sentar no sofá logo atrás de si.

- Tudo bem. Qual é o problema? Ela não se rendeu aos seus encantos?

Aquela era a hora de decidir. Eu não poderia mais mentir dizendo que suas suposições estavam erradas, já que havia confirmado no mesmo momento. Só me restavam duas opções: Ou eu assentiria, dizendo que no final das contas fui abandonada com uma paixão não correspondida, ou então falaria toda a verdade.

A primeira opção parecia incrivelmente mais fácil, mas bastou que eu pensasse em considerar a segunda opção que minha boca começou a despejar tudo.

- Não é isso. Pode ser também, mas creio que isso seja o de menos, por mais irônico que possa parecer. Eu simplesmente não posso ficar com ela, porque... Nós somos muito diferentes, nossas vidas são quase opostas. Ela...

- O que você sente é retribuído?

- Não.

- Você já deixou claro pra ela que sente algo por ela?

- Não...

- Então como sabe que ela não gosta de você? Ela é comprometida?

- Eu não posso ficar com ela.

- Por que está tão certa disso?

- Ela é uma garota de programa.

Silencio.

Um silêncio profundo e constrangedor.

- A garota que você está apaixonada?

- É.

- A garota que você está apaixonada é uma prostituta?

- É.

Mais silêncio.

Eu poderia contar nos dedos as situações em que vi Rosé sem reação. Por isso, vê-la daquela forma agora só fazia com que um desespero crescente se apoderasse de mim aos poucos. Eu sabia que minha situação não era trivial, mas seu silêncio era automaticamente captado pelo meu cérebro como uma indicação de gravidade. Era mais grave do que eu imaginava, porque se ela não tinha nada para me dizer, se não tinha nenhum conselho ou palavra para confortar...

Bom, então eu estava mesmo na bosta.

Depois de um longo e insuportável silêncio, ela falou outra vez.

- Isso é... inesperado.

Eu não sabia que tipo de resposta esperar dela, mas sabia que tipo de resposta queria ouvir. Eu queria ouvir que talvez eu devesse me entregar a esse sentimento.

Talvez devesse dar uma chance a mim, e também a Jennie, para que isso pudesse dar certo. Talvez a próxima coisa que eu queria mesmo ouvir fosse Rosé gargalhando como uma adolescente com a animação da recém descoberta paixonite aguda da qual sua melhor amiga estava sofrendo.

Mas além de ser adulta, séria e inteligente, ela era uma mãe de família. Estava simplesmente fora de questão ouvi-la dizer que talvez uma garota de programa fosse uma boa escolha, porque elas estavam posições diametralmente opostas: Rosé era o tipo de mulher que construía uma família e baseava-se na confiança, no amor e na integridade para mantê-la.

Jennie era exatamente o tipo de mulher que ajudava a destruir tudo isso.

- Pensei que você tivesse parado de ir nesses lugares... Pensei que tivesse te convencido...

- Eu tinha parado... Mas uma noite eu fui...

Rosé continuou me encarando, como se me desse a permissão para prosseguir.

- Eu a vi pela primeira vez naquela noite. Ela parecia ser só mais uma menina daquele lugar, e apenas o jeito um pouco diferente me chamou a atenção. Na verdade, era o que eu achava, mas desde aquele dia eu tinha notado algo a mais nela. Mesmo que não tenha me dado conta, ela mexeu comigo, e na época eu não sabia disso. Hoje eu consigo ver o estrago que ela fez na minha vida. Rosé, eu não queria gostar dela. Juro por Deus que tentei com todas as forças não sentir o que eu sinto, juro que tentei me afastar, mas quanto mais eu ficava longe dela e negava o que estava acontecendo, mais eu me via amarrada a ela.

Eu sei que deveria ter tomado a iniciativa de sumir assim que notei ter algo diferente no que eu sentia por ela. Achava que era só algum tipo de sentimento protetor, mas não imaginava que fosse se tornar isso. Eu sei que errei em me deixar levar, mas eu gostava da companhia dela. Eu devia ter notado que a partir do momento em que aquilo passou a não ser só tesão, havia algo de muito errado. Eu sei que fui estúpida outra vez, mas... Ela é adorável. Ela é diferente, é linda, é doce... Não parece ser o que é. E eu sei que estou me iludindo com isso tudo, sei que ela só estava fazendo o papel dela, mas acho que ela gosta da minha companhia também. Ela me disse que gostava...

- Ela é uma prostituta, Lalisa. O que te faz pensar que todo esse tempo ela não estava atrás do seu dinheiro?

Eu sabia que ela estava pensando aquilo, assim como eu. Se já havia acontecido com uma mulher no passado, uma mulher que aparentemente se encaixava na mesma '' posição '' de Rosé, e não Jennie, as chances dessa mesma estratégia ser utilizada como forma de sedução e posterior golpe do baú por uma garota de programa poderiam ser ainda maiores.

E enquanto meu lado racional insistia em manter essa dúvida pertinente viva dentro de mim, meu lado romântico, esquecido por tanto tempo, insistia em me fazer pensar que talvez, talvez ela tivesse falado a verdade quando disse que me queria por perto. Quando disse que eu havia sido a melhor coisa que havia acontecido na vida dela.

Eu estava falhando outra vez.

Estava me rendendo a inocência, a estupidez, e outra vez cometia o erro que me fez tanto mal há algum tempo atrás. Eu não era forte o suficiente para cair de novo, por isso sabia que precisava resistir a qualquer ideia tentadora. Mas não havia como negar que era igualmente fraca para conseguir manter aquela situação como estava: Eu não conseguia esquecê-la, não conseguia deixar de querê-la, não conseguia arrancá-la de mim. 

Eu permiti que ela entrasse na minha vida com uma força desconhecida, e só agora, tentando afastá-la, eu sabia a intensidade dessa força.

- Chaeyoung... - Comecei, me sentindo ser invadida por aquela conhecida tristeza que me fazia companhia por todo esse tempo - Eu não sei mais o que fazer. Simplesmente não sei. Eu tentei não gostar dela, mas não tem como... Não tem como não gostar...

Ela continuou olhando para mim, agora com um inconfundível traço de pena em sua expressão, e eu sabia que ela não me daria conselhos os quais eu quisesse ouvir. Eu sabia que ela pensava igual a mim, sabia que ela achava que o melhor para mim, no momento, era continuar longe de Jennie. Mas não era.

- Eu não sei o que falar, Lalisa.... Simplesmente não posso te ajudar.

Eu não esperava que ela pudesse. Na verdade, o único motivo pelo qual eu queria Rosé por perto era para poder finalmente desabafar com alguém todas essas coisas que me atormentavam.

Como imaginei, me senti mais leve por todas as confissões feitas, embora estivesse um pouco mais machucada do que antes, tanto por tocar nesse assunto como por ter certeza que Rosé não tinha nada para me dizer.

Não poder contar com seus conselhos me deixava um pouco sem rumo, porque não havia nenhuma situação difícil sequer em minha vida a qual ela não estivesse ligada, me dando conselhos ou me passando sermões.

A diferença era que, agora, o assunto era um pouco mais delicado. Ao mesmo tempo que eu sabia que ela também achava que eu deveria me afastar de Jennie, eu sabia que ela não falaria isso com todas as letras, porque ela sabia que isso me machucaria. Assim, não restava nada além de não tomar partido, o que só fazia com que meu desespero tomasse proporções maiores.

A olhei sem saber o que dizer, esperando, por um milagre, que Rosé resolvesse mudar de ideia e me mandaria ir atrás dela. Mas ela não faria isso.

- Volte para o escritório. Eu sei que é a última coisa que você quer, mas talvez isso ajude. Ocupe-se. Minha mãe costumava dizer que uma cabeça vazia é a oficina do diabo.

- Eu não consigo...

- Consegue. Você vinha sendo uma diretora muito melhor nos últimos tempos. Sei que consegue assumir esse papel outra vez.

- Não consigo, Rosé. Não consigo me concentrar em nada. Nunca me senti tão perdida assim...

- Nem com Jisoo?

Eu sabia o que ela estava fazendo. Ela estava usando a tática do choque, onde, me lembrando de todas as merdas do meu passado e das tristezas que eu passei, faria com que eu imediatamente notasse que aquilo pelo que estava passando agora não era assim tão ruim.

Mas ela não entendia.

- Não. Nem com ela.

Rosé mudou de postura imediatamente, me encarando com uma expressão de surpresa, enquanto procurava alguma coisa para dizer. Só agora ela parecia começar a entender que aquilo tudo não era exagero meu, e eu eu podia mesmo estar falando bastante sério.

- Eu não imaginava que fosse algo assim tão forte. Nunca pensei que alguém poderia fazer mais mal a você do que Jisoo...

- A Nini não me fez mal.

- A Nini do seu sonho?

Lembrei do dia em que, ainda dormindo, havia deixado escapar o apelido dela dos meus sonhos, despertando a curiosidade de Rosé.

- É.

- Há quanto tempo você está... interessada nela?.

- Eu não sei... - Comecei, escondendo o rosto nas mãos - Não sei por quanto tempo escondi de mim mesma toda essa merda... Não sei se foi no primeiro dia ou no último...

Eu estava a ponto de começar a chorar. De novo. E ter Rosé ao meu lado, servindo de colo, era quase irresistível. Ainda assim, tentei manter o pouco de força que ainda tinha em mim e mantive minha postura, não parecendo nada mais além de uma mulher preocupada.

Por dentro, eu estava desesperada, quase enlouquecendo. Mesmo longe, mesmo depois de três semanas, ela ainda conseguia ter aquele tipo de poder sobre mim. Um poder que eu não conseguia negar, e bastava lembrar dela que de repente nada mais parecia ser tão importante.

Isso estava me matando, talvez no sentido literal da palavra.

Eu já não sabia quanto tempo não fazia uma refeição decente. Minha aparência deveria estar lembrando algum tipo de mulher das cavernas, e minhas noites andavam extremamente mal dormidas. Quando conseguia dormir, todos os sonhos que me atormentavam contavam com a presença dela, e era frustrante saber que mesmo que aquilo me fizesse mal, ainda assim eu deitaria noite após noite esperando sonhar com ela outra vez.

Tê-la comigo, mesmo que somente dentro dos meus sonhos, era consolador. As manhãs tornavam-se tristes quando eu notava que tudo não passava de um sonho, mas ainda sim, os poucos minutos em que podia desfrutar de sua companhia irreal valiam a pena. O problema era que eu estava começando a me acostumar com a sua lembrança, o que ia diretamente contra meu objetivo principal: Sobreviver sem ela.

E conforme o tempo passava, essa tarefa parecia ser tornar mais difícil.

***


Notas Finais


Um pouco do que aconteceu com a Lalisa durante o afastamento dela com a Jennie.💔


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