História My sweet winter cherry blossom - Capítulo 14


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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags Amizade, Got7, Jackson Wang, Romance
Visualizações 9
Palavras 2.324
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa tarde, meus amiguinhos e amiguinhas! Espero que gostem desse novo capítulo <3
Nele, procurei abordar um assunto que considero muito importante: como é complicado lidar com comentários e visões maldosas sobre nossas próprias escolhas e jeitos de ser. Não é segredo para ninguém que pertencer à minorias é complicado em qualquer lugar, assim como é difícil manter sua privacidade e fazer o que se quer fazer, de fato, quando se é uma figura pública. Porém, a Coréia é especialmente conhecida por seu alto nível de intolerância quando o assunto é homossexualidade, diferenças étnicas, entre outros. Também é muito conhecida por ter fãs obsessivos por seus ídolos, conhecidos como sasaengs, que à partir de seus ataques, diretos ou indiretos, e rumores, são capazes de fazer com que idols se sintam temerosos por tomarem suas próprias decisões, uma vez que sabem que o reflexo de tais escolhas, por menores que sejam, pode ser imenso.
Então, aproveitem o capítulo e obrigada por lerem!

Capítulo 14 - Falso moralismo e o peso da fofoca


Era uma noite fria de quinta-feira e, naquela quinta-feira, enquanto estava descansando depois de treinar com seu arco longo por mais de uma hora direto, Helena se sentou e pegou o celular. Abriu seu aplicativo do banco, pois finalmente era o dia de receber seu primeiro salário. Quando o aplicativo carregou e ela viu o valor depositado em sua conta, sorriu como uma criança, saltitando até Yang e Areum, que ainda treinavam, e colocou cada um de seus braços em volta dos ombros delas.

-Aigoo! Você quer que eu mate alguém por acidente?! – Exclamou Yang, abaixando seu arco, enquanto Areum apenas a olhava de canto de olho, com alguma suspeita.

-Recebi meu salário hoje. Sabe o que isso quer dizer? – Tinha prometido a si mesma que a primeira coisa que faria com seu primeiro salário era levar as amigas para comerem e as recompensar por toda a frustração que passaram com ela no passado. –Que vamos jantar em algum lugar muito legal.

-Você vai finalmente jantar com a gente?!

-Você está doente? – Perguntou Areum, colocando a mão sobre sua testa.

-Eu disse que jantaria com vocês! Que falta de fé.

-Então vamos!

-Agora? Mas a gente ainda não...

-Areum, a gente termina amanhã. Só vamos antes que ela mude de ideia. – Yang disse, pegando Helena pela mão e a arrastando pela arena até o vestiário.

As três se limparam e se trocaram enquanto Yang não parava de tagarelar sobre restaurantes e bares e karaokês e todo esse tipo de coisa.

-Tem um restaurante que abriu perto de casa e tem uma vibe incrível! Eles servem todo tipo de churrasco e tem música ao vivo. As paredes são escuras, com umas pichações com tinta neon e luz negra, sem tirar que minhas amigas disseram que muitos garotos bonitos vão lá e...

-Você tem que decidir para onde vamos antes de pegarmos o ônibus. – Interrompeu Areum, enquanto as três se dirigiam ao ponto de ônibus.

-A gente pode ir em mais de um lugar! Afinal, a noite é uma criança.

-Helena estuda e trabalha, não sei se você esqueceu disso. E nós também temos treino cedo.

-Bom, eu posso faltar da faculdade um dia, se for o caso... – Comentou Helena. Se acordasse apenas para ir trabalhar, teria mais tempo para ficar com as amigas.

-Você deve ter batido a cabeça em algum lugar.

-Ela está certa, Areum! Amanhã podemos chegar mais tarde ao treino. Mas e então, L, se quiser convidar seu amigo esgrimista pra se juntar à nós e convidar outros esgrimistas...

-Meu Deus, pára de pensar em homem o tempo todo.

-Você quer que eu fale sobre o quê? Sobre mulheres? – Areum se calou e continuou andando. –Você precisa de um namorado para parar de ser tão ranzinza.

-Pára com isso, Yang. Areum não precisa de um namorado, ninguém precisa de namorado.

-Você diz isso porque já arranjou um crush.

-É o quê?

-Ele te deu uma braçadeira e tudo. Ah, que inveja.

-Vamos logo encher a boca para você parar de falar besteira. E então, já decidiu para onde vamos primeiro?

-Para onde o primeiro ônibus que passar leve! – Elas se sentaram no ponto de ônibus, aguardando.

-Hoje vai ser tudo por minha conta. Mas, por favor, tenham dó de mim. – Um ônibus começou a se aproximar e Yang se levantou primeiro, o observando.

-É o ônibus que vai lá para as minhas áreas, então vamos àquele restaurante que falei sobre. Parece que é o destino me falando que eu vou beber muito, então seria melhor eu ficar perto de casa para me arrastar até lá em seguida. – Quando o ônibus parou, elas entraram e se sentaram ao fundo.

-Espero que não seja um restaurante de luxo.

-Até parece. – Respondeu Yang, guardando o cartão do ônibus em sua bolsa. –Eu tenho remédio para o estômago aqui para nos proteger de todo o álcool que consumiremos hoje. – Ela retirou três saquinhos da bolsa, que mais pareciam ser saquinhos de suco que se encontraria na lancheira de alguma criança. Entregando um para cada amiga, abriu o seu e começou a beber.

-Obrigada, isso é muito importante. – Disse Helena, recebendo sua porção com uma reverência sarcástica e as duas mãos.

-Agora é hora de conversarmos sobre as novas fofocas da arena. É o que geralmente fazemos, quando saímos para jantar.

-Ficar cuidando da vida dos outros? Isso lá é hobby que se preze?

-Não é cuidar da vida dos outros, a gente só... conversa sobre experiências alheias.

-Certo, certo...

-Bom, eu ouvi dizer que o Jun da equipe de natação foi expulso de uma competição por doping.

-Ui, isso deve ter sido complicado.

-Não é? Os pais dele vão matar ele. Mas enfim, ele não será o primeiro nem o último. – Disse Yang, dando de ombros. –Tirando isso, vamos ver mais o que temos de novo... Ah, o treinador Zhang pediu a treinadora Im em casamento. Imagina só como vai ser se os dois tiverem um filho? A criança vai ter que escolher entre Krav Maga e patinação no gelo.

-Por que não os dois?

-Quem sabe Krav Maga no gelo. – Disse Yang, rindo. –Mas todo mundo já suspeitava que eles estavam saindo. Acho que não foi surpresa para ninguém. Na verdade, só tem uma fofoca sobre relacionamentos que foi capaz de desbancar a sua com o J.

-Eu não estou namorando o J!

-Aigoo, pode até não estar, mas todo mundo acha que está. Enfim, isso não importa.

-E a quem pertence a fofoca que tirou meu nome da lama, então? A quem devo agradecer?

-Sabe a Tae Hee da equipe de ginástica olímpica?

-Não.

-A alta do cabelo longo que está sempre de rabo de cavalo.

-Você acabou de descrever 90% da equipe de ginástica olímpica.

-Não importa, esse não é o foco da história. Enfim, disseram que... – Yang abaixou a voz de repente e olhou para os lados, como se fosse contar o segredo do século. –Que viram ela com uma garota por aí.

-E...?

-Tipo em um encontro.

-Volto a perguntar. E?

-Ocidentais. – Disse Yang, revirando os olhos. –Ela estava em um encontro com uma garota! Eu jamais imaginaria algo assim dela.

-Ué, por que?

-Ela é tão... delicada e... sei lá, normal.

-Yang, gostar de pessoas do mesmo gênero não faz de ninguém anormal.

-Eu sei, eu não tenho nada contra ela gostar de garotas ou garotos ou qualquer coisa assim. Mas imagina só como deve ser complicado. Se a família dela descobrir, vão ficar bem desapontados. E agora as outras garotas da equipe vão começar a se afastar dela, com medo de que pensem que elas também gostam de garotas.

-Então são todos um bando de babacas, a família dela e essas garotas.

-Acho que nunca conheci ninguém que gostasse de pessoas do mesmo gênero.

-Que ingênua, você. – Disse Helena, rindo.

-O que quer dizer?

-Pessoas gays estão em todos os lugares, são como qualquer um de nós, por aí. Elas não saem na rua com um sinal brilhante na testa anunciando que são gays, elas só são. E tudo bem com isso. Você com certeza já conheceu alguém assim antes, mas a pessoa não se sentiu próxima ou confortável o bastante com você para te falar algo.

-Mas as pessoas que são gays, elas têm uma certa... Vibe. Você pode ter uma visão diferente sobre esse assunto, por não ser daqui. Mas Areum sabe do que estou falando. Certo, Areum?

-Eu acho é que cada um tem que cuidar da sua própria vida. – Areum respondeu, apertando o aviso de Parada Solicitada e se levantando. –Já estamos chegando. – Ela andou até mais perto da porta de saída, aguardando o ônibus parar.

-Esse assunto ficou muito sério de repente. Pouco me importa com quem a Tae Hee sai ou deixa de sair, vamos apenas nos divertir essa noite, ok? – Disse Yang, também se levantando. Helena a seguiu e, quando o ônibus parou totalmente, as três desceram, indo até o restaurante.

Era a primeira vez que Helena ia até um restaurante assim desde que havia chegado na Coréia. Era o tipo de coisa que ela via em dramas, nos quais as pessoas se sentavam ao redor de uma mesa e grelhavam sua própria carne, cortando-a com uma tesoura e bebendo soju. Parecia surreal. E então, ela sorriu por, pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo, estar prestes a comer uma refeição de verdade.

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Jackson havia tomado aquela decisão há algum tempo, mas tinha medo de magoar seus amigos, então procrastinou o quanto pôde. No final, descobriu que se preocupou à toa.

Há alguns meses ele havia pensado que seria uma boa ideia ir morar sozinho. Ele amava a barulheira de uma casa cheia, amava a boa companhia e até as brigas. Porém, ele sentia que era hora de ter seu próprio espaço para se concentrar e ter sua individualidade. Bom, não estava preparado para morar exatamente sozinho, então moraria com um amigo que mal parava em casa, por ser produtor musical e ter projetos distintos, que não tinham a ver com ele. Era como morar sozinho sem morar sozinho de verdade.

Ele trouxe o assunto à tona quando Youngjae comentou que estava pensando em ir morar com seu irmão. Os garotos não tinham se chateado, afinal, e eles conversaram sobre tudo para que não houvessem confusões. Ele sabia que pessoas de fora poderiam olhar para aquilo e especular, mas ele não devia explicações sobre seus motivos a ninguém além de seus amigos e sua família.

Enquanto terminava de arrumar suas coisas para sair oficialmente daquele dormitório, depois de dividir seu dia-a-dia com seis pessoas por tanto tempo, ele olhou em volta e foi tomado por uma onda de sentimentalismo repentina. Começou a pensar em todas as situações que tinha vivenciado ali e que ficariam gravadas como ensinamentos em seu ser para sempre. Todas as conversas, as risadas, as refeições que fizeram juntos, as vezes que, mesmo que tivessem acabado de sair de um treino puxado, paravam para revisar mais algum detalhe sobre algum novo trabalho no meio da sala ou em algum dos quartos. Mesmo sabendo que retornaria àquele dormitório para ver os garotos e se divertirem, não seria a mesma coisa. Pegou suas últimas caixas, colocou-as sobre suas malas e saiu do quarto que chamaria de “seu” pela última vez hoje. E então, ao fechar a porta com um sorriso no rosto, foi em direção à saída para colocar seus últimos pertences no caminhão que o levaria até sua nova casa. De repente, a voz de Helena lhe veio à mente. “Valeu a pena?”. Sim. Em momentos como aquele, ele sabia que sim.

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Yang estava comendo e bebendo como se não houvesse amanhã, rindo até da própria sombra. Areum arrumava seus pedaços de carne de novo e de novo e de novo no prato, sem parecer muito interessada em de fato comê-los, e bebeu alguns copos de soju. Helena comeu uma quantidade razoável de carne, mas preferiu ficar longe do soju para não se arrepender no dia seguinte. Areum estava sentada ao seu lado e Yang estava sentada à sua frente.

-Ok, preciso ir no banheiro agora mesmo antes que minha bexiga exploda. – Anunciou Yang para o restaurante todo ouvir enquanto se levantava e se dirigia à uma pequena porta não muito distante de onde estavam. Ótimo, assim Helena poderia manter os olhos nela sem que tivesse muitos problemas. Assim que Yang se retirou da mesa, Helena se virou para Areum.

-Não vai comer não?

-Vou, sim. – Ela respondeu, pegando um dos pedaços de carne que estavam em seu prato e colocando-o na boca. –Obrigada pela comida.

-Sem problemas. Ei, você está chateada com a Yang por ter falado que você precisava de um namorado? – Areum estava calada, mais que o normal. Quando Helena havia parado para pensar sobre quando isso começou, ela se lembrou do comentário desnecessário de Yang. –Você sabe que ela é uma pessoa incrível e não quis te magoar.

-Eu sei.

-Infelizmente, ela ainda tem pensamentos muito conservadores por causa da criação dela. Sobre como precisamos arranjar alguém bom para casar para sermos seres completos e esse tipo de baboseira. Mas ela é uma boa garota e eu sei que com o tempo poderemos mostrar para ela que a vida é muito mais do que essa caixa fechada.

-Às vezes sinto que a Coréia inteira é uma caixa fechada.

-Todo objeto em repouso tende a permanecer em repouso. Existe falso moralismo por toda parte, mas a caixa só vai abrir se nós nos esforçarmos para abri-la.

-Você acha mesmo que a Yang um dia vai mudar? Tipo aquele papo lá do ônibus... – Ela disse, enchendo outro copo de soju e o virando.

-Sobre a Tae Hee?

-Sim.

-Acho que com as pessoas certas ao seu redor, ela será capaz de entender. Você foi muito corajosa por mostrar que estava descontente com os comentários dela. Muitas pessoas concordariam só para não serem julgadas.

-Só estou cansada de ver as pessoas por aí sendo tão hipócritas. Sobre raça, sexualidade, escolhas pessoais... Isso é uma droga, cara. – Ela estava falando mais do que o normal, provavelmente por causa da bebida. –Não quero que minha melhor amiga seja como esse tipo de gente. Eu só quero poder conversar com ela... Mas sinto que não posso ultrapassar essa barreira.

-Quer falar sobre isso? – Areum tirou os olhos do copo de soju, do prato de carne e olhou para Helena. Ela suspirou e começou a falar.

-A questão é que... – E então a porta do banheiro se abriu e Yang voltou cambaleando e rindo para a mesa, se jogando sentada no banco.

-Vocês acreditam que eu lavei a mão antes de fazer xixi? Entrei no banheiro, lavei as mãos, estava indo até a porta para sair e voltar para cá, e então percebi que nem tinha mijado ainda. – Disse, rindo mais alto ainda, com o rosto todo vermelho.

-Deixa para lá. – Disse Areum, voltando os olhos para o prato novamente.



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