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História My Vocalist ( Park Jimin ) BTS - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Passando pra avisar que tô adorando às minhas meninas ~zellgomez, £Luluuuuuh, ~Lilith_66, ~army_burnit, ~AngelinaArmy, ~GisaSouza3, ~XxSeleneV14 que estão cheias de teorias no grupo do whats kkkk😂😂❤️❤️

🤍 Boa Leitura 🤍

Capítulo 7 - Capítulo Sete


Fanfic / Fanfiction My Vocalist ( Park Jimin ) BTS - Capítulo 7 - Capítulo Sete


Na manhã seguinte, nós estávamos na metade do quarteirão quando Jimin parou, com a respiração ofegante. Não, tá bom, essa era eu. A respiração de Jimin não estava nem mesmo pesada, apesar de a corrida ter me bagunçado por dentro. Isso não podia ser saudável. Se bem que eu já tinha corrido bem mais do que ontem antes de desmoronar. O progresso era uma coisa lenta, gradual e agonizante. 

– Você voltou tarde ontem à noite. – Ele inclinou a cintura para se alongar.

– Sim, nós fomos dançar. – Não é de se espantar que as minhas panturrilhas estivessem me matando de manhã. 

Jimin resmungou alguma coisa que eu não fazia ideia do que queria dizer. Quando eu liguei no meio do meu encontro para saber se estava tudo bem, ele disse alguma coisa sobre estar brincando no violão. A conversa fora breve. Ele relatou basicamente que estava bem, me mandou voltar para meu encontro e desligou na minha cara. Uma típica conversa ao telefone com Jimin. 

Ele se ergueu.

– Andei pensando no que você disse, sobre eu voltar a sair.

Tentei não parecer surpresa.

– E?

As árvores do outro lado da rua deviam ser fascinantes, pois seu olhar estava fixo nelas.

– Liguei para uma velha amiga. Ela, err… ela ficou sóbria recentemente também, passou pela reabilitação. Conversamos um tempo. Ela está pensando em vir de Los Angeles para me rever. 

– Jimin, isso é muito bom. – Eu tentei sorrir. 

Juro por Deus, eu dei tudo de mim, mas meu rosto estava rígido e pareceu falso. Rever pode significar muitas coisas. Na minha mente distorcida, rever um astro do rock tinha tudo a ver com sexo e nada a ver com um café entre amigos. Afinal, estávamos falando de Park Jimin. 

Sua abstinência ainda me surpreendia. Ele parecia um enorme animal mal-humorado rondando a casa, rosnando. Muito facilmente, minha mente produzia imagens sombrias dele, afundando os dentes em alguém, lambendo e arranhando. Agora eu estava ofegante por outro motivo. Minha mente suja estava fora de controle. Ele disse que só tocava as pessoas quando ele trepava. Aposto que essa velha amiga teria em pouco tempo a marca dos dedos dele por todo o corpo, moça de sorte. E pensar que eu dei essa maldita ideia. 

Por Deus, como eu me odiava.

– Ótimo – soltei, tentando mentalizar Dean.

 Tão bonito e doce e tudo mais, bem mais perto do meu alcance. Ele não fazia o tipo destruidor de corações como Jimin, não havia necessidade de pôr uma alerta de perigo em sua bela testa. 

– Sim. – Quando ele finalmente olhou na minha direção, fiz um esforço para disfarçar minha miséria da melhor forma. – Escuta, Lena. Sinto muito ter sido um idiota quando você sugeriu, acho que me pegou um pouco de surpresa. 

– Você me pedindo desculpas? – ele fez aquela idiotice com o queixo. – Uau.

– Não aja como se fosse grande coisa – ele murmurou.

– Não. Não, tudo bem. Você pode apenas repetir mais uma vez para mim?

Ele revirou os olhos.

– Sinto muito.

– Eu te perdoo. Só não faça isso de novo ou eu chuto a sua bunda até a próxima semana.

– Você tem metade do meu tamanho.

– Ah, mas eu sou bastante motivada e tenho uma excelente coleção de botas de bico fino. Considere-se avisado. 

– Certo – disse ele, com um misto de cautela e diversão. 

Ele não fazia ideia do quão sério eu estava falando. Nos pés de uma dama rancorosa, essas botas podiam fazer um belo estrago. Ele se aproximou de mim, inspecionando a região da minha boca. 

– O que foi? – perguntei, tentada a encobrir o rosto com a mão.

– A sua pele está um pouco arranhada de barba.

– Ah. – Esfreguei os lábios, mesmo sabendo que isso só serviria para piorar as coisas.

 O sentimento de culpa brotou dentro de mim por algum motivo, como se um beijo no primeiro encontro fosse um crime. Tudo tinha acontecido tão rápido. Dean deu um passo na minha direção e seus lábios estavam nos meus, eu só deixei. A verdade era essa, coloquei todos os sentimentos por Jimin de lado e deixei Dean me beijar. Ele não chegou nem à segunda base. 

– E como foi? – ele perguntou, muito mais perto do que o necessário, observando fixamente os meus lábios.

 O medo de seu olhar estranho me imobilizou. O que eu não queria saber era exatamente o que ele estava perguntando. Se eu não perguntasse, poderia fingir que ele estava se referindo à comida da noite passada ou a algo tão inofensivo como o tempo. 

– Foi… bom – eu disse.

– Bom – ele comentou, com a voz baixa e hipnotizante. – Você gostou.

Dei de ombros, e qualquer outra confirmação me parecia de alguma forma perigosa.

– Você o deixou ir até onde? – Seu olhar passou pelo meu pescoço, peito e, onde quer que ele olhasse, eu acendia. 

Eu estava suada, descabelada e fedendo. Quando ele me olhava desse jeito, nada mais era importante. Precisei de muito esforço para não cruzar os braços sobre o peito. Só me restava torcer para que o meu moletom com capuz fosse grosso e largo o suficiente para esconder qualquer evidência de excitação. Meus mamilos estavam em contínuo entusiasmo por aquele homem, aquilo era um erro. 

– É o quê? – perguntei.

– Por baixo ou por cima da roupa?

– Isso eu não conto.

– Pensando bem – comentou pensativo –, você não parece ser do tipo que dá tudo de primeira.

Alinhei os ombros, enrijecendo a postura.

– Você está certo, Jimin, eu sou uma virgem brilhante e pura. Minha capacidade de manter as pernas fechadas é uma inspiração para todos. Agora podemos parar de falar sobre isso? 

– Você está desconfortável?

– Oh, como se não fosse esse o seu objetivo.

O canto de sua boca se contorceu.

– O que eu posso dizer? Você me interessa, não é como a maioria.

– Isso é excelente e eu me sinto quente e formigante com isso, mas, apesar de tudo, não vou te contar sobre a minha intimidade com outro homem.

Voltei a mover as pernas, uma sequência de tropeços disfarçados de corrida. Muito estilo. Muita graça. 

Um momento depois, ele diminuiu o ritmo, apenas caminhando ao meu lado. Como sempre, suas pernas longas e seu bom preparo físico faziam troça da minha falta de fôlego. 

– Vamos, Lena. Você não pode me deixar viver vicariamente através de você, só um pouquinho?

– Não.

– Você não está impressionada que eu conheça uma palavra dessas, logo eu, que larguei a escola? – ele riu, sem parecer exatamente feliz com isso. 

– Não.

Ele me deu um sorriso cínico.

– Certo.

– Com tudo que você já conquistou nessa vida, você acha que eu ia duvidar da sua determinação ou inteligência? 

– Todas as drogas e merdas, você quer dizer? Sim, disso eu conquistei um monte.

– Você é um empresário bem-sucedido e um músico experiente, já ganhou um monte de prêmios e é aclamado pela crítica – reagi. – Nossa, que terrível! Você cometeu alguns erros. Quem nunca? Você pagou por eles e seguiu em frente. 

Seus olhos se estreitaram.

– É isso que você realmente pensa de mim?

– Sim. Você também tem uma triste tendência a ser um babaca ocasional, mas estamos trabalhando nisso. Tenho grandes esperanças de que você se recupere completamente. 

A rigidez de sua mandíbula informava que ele não estava convencido. A insegurança sobre a sua educação era, obviamente, profunda. 

– Não é como se eu tivesse feito faculdade – eu disse. – Eu não me saí bem o suficiente para conseguir uma bolsa de estudos. O pai de um amigo tinha uma empresa e ele me deu uma chance de trabalhar como recepcionista, eu tive sorte, caso contrário, eu provavelmente estaria fritando hambúrgueres pelos próximos cinquenta anos. 

Ele assentiu com a cabeça.

– Obrigado.

– Sem problemas.

Corremos por um tempo em silêncio, mas, claro, ele não podia deixar isso quieto, podia?

– Então, me diga, Lena, como seria um bom primeiro encontro? Você que entende dessas merdas. Me ensine, como se faz para conquistar uma garota? 

– Não posso falar. Correndo.

Ele bufou.

Nenhum de nós falou por meio quarteirão, ainda bem. Conversar com Jimin era perigoso para a minha saúde. Ele realmente deveria vir com um grande adesivo vermelho de perigo na testa. Na verdade, o adesivo precisaria cobrir todo o seu rosto. Se você só tivesse que lidar com aquele corpo quente, talvez houvesse uma chance de resistir. Ah, e a sua voz – meu Deus, a voz dele – foi criada para fazer partes íntimas de uma garota cantarem. Não que eu quisesse pensar em sexo, em cantar ou no Jimin, nem qualquer variação com paixão e luxúria das três coisas misturadas. 

Minha mente, por outro lado, estava claramente contra mim.

– Sabe, eu acho até que estou melhorando – eu disse, por fim. Minha necessidade de preencher os silêncios era uma fraqueza. – Já não estou ficando sem fôlego tão facilmente.

– Que bom. Então, você vai sair com ele de novo?

– Ainda estamos falando sobre isso?

– Sim. Por que ele merece um segundo encontro?

Eu gemi.

– Porque ele é agradável.

– Você anda muito liberal com essa palavra. Agradável. Ele é agradável. Tive uma noite agradável. Não sei se alguma mulher já usou essa palavra se referindo a mim. 

Eu tirei fios molhados que grudavam na bochecha.

– Você sabe ser agradável quando é conveniente.

– Eu não quero ser agradável, Lena – ele riu. – O uso dessa palavra para descrever o Dean me faz pensar que sair com ele deve ser quase tão interessante quanto ficar por horas em uma reunião de negócios com o Jackson. Talvez você devesse sair com outra pessoa. 

– Ei! Foi muito divertido sair com o Dean. Por exemplo, ele não me incomoda com perguntas pessoais inadequadas feito você. 

– Você vai transar com ele?

– Jimin!

– O quê? – Ele mal escondeu o sorriso malicioso. – Qual é o problema?

– Tenho certeza de que havia algo no nosso contrato de trabalho sobre nunca se levantar o assunto sexo. Além disso, você está sendo rude. 

– O contrato de trabalho? – Sua covinha brilhou. – Acho que já passamos dessa fase, não é mesmo? 

Ele tinha razão.

– Provavelmente, sim.

– Se eu me preocupasse com o contrato de trabalho, você teria sido demitida no segundo dia.

– Você não faria isso.

Ele lançou um olhar divertido.

– Bem, talvez. Mas sua vida não teria se iluminado sem mim.

– Certo – ele brincou. – E se ele tivesse levado você a um restaurante caro? Será que ele teria conseguido te tocar? 

– Você está sugerindo que eu me prostituiria por uma toalha de mesa de linho e uma refeição cara completa? 

– Só curiosidade. Você não seria a primeira.

– Puta merda, você está falando sério. – Ele me deixava confusa de várias maneiras. Nós realmente vínhamos de mundos diferentes. – Isso é tão… incrivelmente… 

– O quê?

– Triste. Apenas triste. Jimin, você precisa procurar algo melhor. Tente namorar pessoas que não vão cair com as pernas abertas só por causa do seu saldo bancário. 

– Isso mantém a vida simples e fácil.

– Fácil. Sei. Fácil não parece ter feito muito bem a você. Na verdade, essa facilidade bagunçou todas as coisas na sua vida, é claro. 

Ele revirou os olhos de novo. Se continuasse assim, ia acabar tendo alguma lesão.

– A complicação certa pode ser exatamente o que você precisa, Jimin.

– Perda de tempo. – Sua voz era resoluta. – Se isso não rolar no primeiro encontro, por que tentar de novo? 

– Bem, isso é algo que você precisa descobrir por conta própria. – O mundo pareceu borrado por um momento e precisei piscar algumas vezes para lidar com as gotas de suor ardendo em meus olhos.

– Você só sai com uma mulher se quer fazer sexo com ela?

– Praticamente… Fora você. – Ele jogou o cabelo para trás.

Consegui manter o meu suspiro desejoso para mim mesma. Na verdade, era bem triste o quanto eu apreciava uma coisa tão simples. 

– E essa garota que vem te visitar?

– O que tem ela?

– Bem, ela só serve para sexo ou você pode tentar ter algum tipo de relacionamento com ela?

– Eu não sei – ele disse. – Ainda não pensei nisso.

Havia muitas coisas que eu poderia dizer, porém nenhuma delas era muito certa ou imparcial.

– E se for apenas sexo? – ele perguntou.

– Você não quer mais nada?

– Tenho tudo que preciso. Você sugeriu que eu saísse mais. É isso que estou fazendo. Se rolar de eu estar fazendo isso com uma garota com quem eu gosto de trepar, qual é o problema? Eu tenho você para conversar, eu não preciso de um relacionamento, independente do que você pensa. 

Esfreguei os olhos com o dorso das mãos. Maldito suor, tão sujo e inconveniente. De todas as secreções humanas que eu podia emitir perto dele, tinha que ser justo essa? 

Ele apenas sacudiu a cabeça em face da minha aparente tolice.

– Então, você espera para fazer sexo no terceiro ou quarto encontro? Mais ou menos isso?

Eu parei, olhando para ele extremamente admirada.

– Eu por acaso te pergunto quantas vezes você se masturba, Jimin?

– No mínimo uma vez por dia, ultimamente – ele simplesmente soltou a informação como se fosse absolutamente irrelevante. – Minha libido meio que desapareceu por um tempo, mas voltou forte e vingativa. Você está certa com o lance de namorar, se não rolar nada logo vou acabar quebrando o pulso. 

– Fica quieto! – Tapei minhas orelhas, respirando profundamente. 

Esse era o limite. Todas as imagens do Jimin se masturbando podiam ficar longe da minha imaginação, da minha mente suja, pervertida e excessivamente descritiva.

 – Não somos o tipo de amigos que fala sobre essas coisas. 

– Você leva sexo muito a sério.

Eu parei de tentar bloqueá-lo, até porque não era exatamente possível, mesmo com esforço.

– Eu levo, é?

– Sim. – Aquele sorriso, ai, Deus, seu sorriso, eu queria tirar do rosto dele com uma picareta. 

Eu seria gentil, pode confiar. 

– Por outro lado, você não leva a sério os sentimentos de jeito nenhum – eu disse. – É uma grande piada para você. 

– Eles não são uma piada para mim. Mas uma coisa não depende da outra. Esse é o seu erro.

– Por Deus, Jimin, isso é tão clichê. Você é o homem galinha e eu sou a garota sensível. E eu nem sou particularmente sensível, pelo amor de Deus, só que, comparada a você… 

– Comparada a mim o quê?

– Bem, você é muito reprimido. Não se permite sentir nada até explodir e perder o controle.

Ele balançou a cabeça, deixando escapar um suspiro.

– Me explica como raios eu dizer que o sexo e as emoções não precisam estar juntos te leva a este ponto. Eu sinceramente estou perdido. 

– Olha, o que você disse é verdade – respondi. – Sexo pode ser apenas uma atividade física para fazer você se sentir bem. Não tenho problema algum com isso.

Ele zombou.

– Você que acabou de me condenar por isso.

– Não. Eu só condenei a sua insistência em não poder ser nada mais que isso. Só acho que você deve ter relações sexuais com pessoas de quem você realmente gosta, pra variar. Pode ser revigorante pra você. 

Um ombro grosso se contraiu, acho que foi um encolher de ombros.

– Você acha que eu deveria ter dormido com Dean na noite passada então? No primeiro encontro?

– Eu não disse isso. – Um pé de seu tênis cutucou o chão, como a grande besta feroz que ele era. – Eu só acho que falar sobre foder ou não foder não deve ser um problema. É da natureza humana, todo mundo faz. 

– Exceto nós.

– Sim, com exceção de nós. Precisei passar a vida a limpo, sabe? Abandonar tudo e começar do zero, entrar nos eixos – ele disse, com um suspiro. – Abrir mão de sexo não foi nada em comparação com deixar a cocaína. Eu me sentia um Deus quando usava, nada podia me afetar. Parar não foi fácil. 

– Não, eu aposto que não foi.

Ele sorriu para mim, sorriu de verdade, exibindo suas covinhas duplas. Porcaria. Meus joelhos enfraqueceram, meus dedos se curvaram, era tão impressionante que nem o brilho das estrelas e da lua se comparava àquilo. Era como se unicórnios pudessem voar. 

– Então, Lena, querida, conta pra mim, por curiosidade. Quando você transa?

Me aproximei, parando bem ao seu lado. Ele demonstrou preocupação, ao franzir a testa, fazendo com que as covinhas desaparecessem. Era bom que ele se preocupasse, mesmo. 

– Jimin, meu amor – eu disse, com a voz doce e suave. – Eu não transo com um cara até ele ter coragem suficiente de vir falar comigo sobre os seus sentimentos. 

Fui seguida pelo riso na maior parte da corrida de volta para casa.


                                   - ♪ -


A campainha tocou logo depois das duas da tarde. Lá embaixo, a banda e a equipe estavam tocando após um almoço feito com tudo o que tinha na geladeira. Eu já tinha alertado os nossos fornecedores de que precisaríamos de mais comida. Com os rapazes trabalhando aqui o tempo todo, podíamos facilmente triplicar o pedido de sempre, talvez até um pouco mais. JK sozinho parecia comer o equivalente a seu peso em cada refeição. Depois disso, como ele conseguia pular e tocar bateria, eu não fazia ideia. Passei o dia servindo-os. Quando eles estavam gravando, era preciso contribuir e ajudar no que eu pudesse. Se isso significasse fazer café e buscar refrigerantes, eu fazia. 

Dean tinha vindo trabalhar com eles hoje, um bônus de alegria. Corri para subir as escadas, balançando cada parte de mim. Só pra lembrar: eu não perdi o fôlego, a corrida estava começando a dar resultados. Que bom para mim. Para o caso de haver algum paparazzo aleatório por perto, afrouxei meu rabo de cavalo para esconder o rosto. A tela da câmera de segurança mostrava uma mulher escultural bastante desconfortável do outro lado da porta. Enormes óculos escuros cobriam seu rosto. Interessante. 

– Olá? – Eu estava ali parada, abrindo minimamente a porta para dar uma boa olhada nela. 

Então, todo o meu mundo congelou. 

Maldita. Liv. Anders.

A estrela do cinema.

Então era essa a velha amiga de Jimin. Ela obviamente não perdeu tempo e veio logo para Portland para encontrá-lo. Meu coração voltou a funcionar gradual, lenta e dolorosamente. Ela media mais de um metro e oitenta, era magra, bronzeada, tinha cabelos loiros platinados e me olhou por cima de seus óculos de marca. Eu era a morena baixinha usando jeans e uma camiseta de manga longa. Adorável. Por gentileza, apenas ignore minha palidez. Ela usava belas sandálias de tiras, apesar do clima frio e úmido, e até mesmo seus pés estavam impecáveis. Para acalmar o meu orgulho, essa mulher não podia ter pelo menos uma unha lascada ou algo assim? Certamente, não era pedir demais. 

A culpa era exclusivamente minha, na verdade, eu acho que é o que você ganha por se apaixonar por um Adônis do rock’n’roll. Suas ex-namoradas ou parceiras de foda ou o que quer que Liv fosse eram necessariamente impecáveis. O cuidado que ele tinha com seu cabelo era prova disso. Como se ele não aceitasse nada menos que um corpo perfeito. 

– Oi – eu disse com uma voz fraca.

– Lena? – Com uma mão ela baixou os óculos. – Você é a Lena, não? Jimin falou de você, mencionou que estaria aqui. 

Eu pisquei.

Ela estendeu a mão.

– Oi.

Minha mão tremia muito antes do aperto. Felizmente, ela pensou que eu estava fascinada. Deixe a dama pensar o que quiser. 

– Entre, por favor.

– Obrigada. – O sorriso dela oscilou diante de meu comportamento estranho. 

Que se dane, eu estava fazendo o melhor que podia, dadas as circunstâncias. Imagens de Jimin e Liv juntos inundaram meus pensamentos. Ele com seu cabelo escuro e ela com seu ar ensolarado de californiana, um contraste tão dramático que faria qualquer câmera devorá-los. Eu, por outro lado, não engolia isso. Não teria coragem de descer as escadas e ver a expressão dele quando a visse. Isso me mataria. Era tão raro ele sorrir para mim que mesmo um lampejo de sua covinha fazia o meu dia. Se Liv Anders ganhasse um sorriso completo, eu derreteria em uma poça de miséria ali mesmo. 

Então, em vez disso, apontei meu polegar na direção do porão.

– Eles estão lá embaixo. Trabalhando. Eles, err… Sim. Você pode descer.

– Tudo bem. – Seu sorriso se transformou em plástico, fixado no lugar. Acho que suas habilidades de atuação não são tão boas, afinal. – Prazer em conhecê-la. 

– Sim.

– Vejo você mais tarde.

Eu não tinha nada.

Com passos delicados, ela desceu. Eu queria odiá-la, minha vida seria mais fácil assim, mas Liv realmente parecia um pouco decente, até amigável. Se pelo menos ela fosse uma cadela nojenta, seria razoável que eu antipatizasse de primeira. 

– Ei – exclamou Dean ao sair da cozinha. Ele apareceu naquela manhã com Taylor e esteve ocupado no estúdio o dia inteiro, eu mal tinha conseguido dar oi. – Eu estava pensando, o que acha de fazer alguma coisa hoje à noite? 

– Me parece bom. – Abri para ele meu melhor sorriso. Legal, o Dean era normal. A visão dele não conseguiu acalmar meu coração, já que esse é o órgão mais desvairado que existe. Eu deveria exigir um transplante. – Gosto da ideia. 

– Ótimo. Tentei ficar um pouco a sós com você o dia todo.

– É mesmo?

– Sim, estamos bem ocupados lá embaixo. – Ele se aproximou. – Eu gosto do seu cabelo assim.

– Obrigada. – Meus poros vazavam gratidão ao som de suas palavras amáveis, era realmente patético.

 Sua mão deslizou pelo meu braço, seus dedos passearam sobre os meus, até que estávamos de mãos dadas. Meus músculos se desembaralharam e relaxaram. Eu não estava sozinha. Minha vida não tinha acabado porque Liv Anders tinha chegado, eu podia seguir em frente. 

Isso era bom.

Considerando nossa pouca intimidade, dar as mãos era como um soco. Sexo era ótimo, mas não era tudo e, em se tratando de Dean, eu simplesmente ainda não estava pronta. Ficar de mãos dadas funcionava. Isso levaria a mais beijos, um pouco de carícias, talvez alguns toques, seguidos eventualmente de uma esfregação nos lugares certos. O caminho que leva ao sexo deve ser desfrutado em um ritmo lento, as preliminares de namoro e a parte de conhecer alguém só poderiam ser feitos uma vez, portanto, precisam ocorrer da maneira certa. 

E Dean era agradável.

Jimin podia pensar o que quisesse sobre a palavra. Agradável era agradável. Tinha o seu lugar entre as coisas possíveis de se sentir por alguém no começo, e era o que eu queria sentir por Dean. O sentimento por ele era agradável, indolor e plausível. Três coisas que eu tinha começado a valorizar cada vez mais. Os meus dias de jogar coração e alma aos pés de Park Jimin tinham chegado ao fim. 

Havia uma certa culpa em namorar o Dean enquanto eu tivesse sentimentos pelo Jimin, mas se eu não quisesse esses sentimentos, se eu estava disposta a trabalhar para superá-los… 

– No que você está pensando? – ele perguntou.

– Besteira do trabalho. – Não era exatamente uma mentira. – É melhor eu voltar lá pra baixo.

– Preciso voltar também – disse, dando o seu sorriso torto.

Assim acabamos descendo a escadaria que levava ao estúdio de mãos dadas, bem na hora em que os rapazes e toda a equipe estavam de saída. 

Os olhos de Jimin fitaram nossas mãos enlaçadas e seu rosto se enrijeceu. Poderia ter sido apenas impressão minha, mas tenho certeza de que a temperatura na sala disparou para níveis vulcânicos. 

– Se ela está aqui, está trabalhando, Dean – ele disse, com sua voz seca e hostil.

Que diabos?

– Certo. – Dean largou a minha mão como se tivesse sido mergulhada em veneno. – Desculpe, Jimin-ah.

– Na verdade eu estava no meu intervalo – retruquei, apesar do fato de eu nunca ter tido uma pausa oficial desde que comecei a trabalhar com ele. 

Provavelmente havia muitas em aberto. Um músculo saltou na mandíbula de Jimin. 

– Lena, eu te pedi as informações sobre a entrevista da semana que vem.

– Já deixei à sua espera no escritório.

– Eu não estou no escritório, Lena. Estou aqui.

– Percebi. Só um momento e eu vou lá buscar pra você.

– Se não for te dar muito trabalho.

– De forma alguma, Jimin. Faço qualquer coisa para você.

Sua mandíbula se endureceu.

– E podemos fazer as coisas sem carregar seu namorado durante o horário comercial daqui pra frente – ele completou. 

Carregando? Mas que merda. Havia muitas respostas possíveis para aquela afronta, mas todas vinham acompanhadas da possibilidade de levar Dean ao risco de demissão.

– Devidamente anotado.

– Ótimo.

– Maravilha.

Ele só me encarou.

De qualquer forma, eu tive a última palavra na discussão e ganhei. Tome isso, seu maldito deusinho idiota, tirano e arrogante. Eu não sabia se ele estava com ciúmes ou o quê, mas talvez ele surtasse e me despedisse desta vez. Ele certamente parecia bastante irritado e seus olhos prometiam toda sorte de danos. Parte de mim esperava que ele o fizesse, meu coração batia forte dentro do peito. Faça, faça, faça. 

– Isso já basta – ele retrucou.

– Eu não falei nada.

– Nem precisava.

Era verdade. Podíamos ler um ao outro muito bem, às vezes. Todo mundo tinha congelado por um breve momento durante o nosso combate verbal, tudo para assistir à conversa. Mesmo Liv, a estrela de cinema, parecia desconfortável com a cena. Ela se virava para um lado e para o outro, com os olhos arregalados pela confusão. 

Então JK deixou escapar um lamento alto.

– Odeio quando a mamãe e o papai brigam!

O baterista enlouquecido correu até as escadas para fazer uma saída dramática. Se Dean e eu não estivéssemos colados na parede, teríamos sido derrubados. Taehyung engasgou com uma risada, Jin pelo menos teve a decência de virar as costas antes de rachar de rir e, atrás deles, Taylor e Pam não disseram nada. A estrela de cinema ainda estava alheia ao ocorrido. Em seguida, sua mão deslizou por baixo do braço de Jimin, envolvendo e apertando com os dedos seu forte bíceps antes de soltá- lo. 

– Jimin?

Ainda agitado, a raiva começou a sumir de seu rosto.

– Sim, Liv. Por que não saímos?

Dava para entender como ela tinha feito milhões, pois seu sorriso iluminou a sala. Por sorte minha e da minha sensibilidade, o rosto de Jimin se manteve inalterado. 

– Posso trocar uma palavrinha com você antes? – perguntei a ele.

 Era preciso tirar a limpo essa história de dar as mãos. E o fato de eu não saber lidar com a ideia de ele ir embora com ela, e do que poderia acontecer em seguida. Eu simplesmente não estava pronta. Mais um minuto ou dois e talvez eu estivesse bem, se pudéssemos consertar essa última parte. 

– Não agora – ele disse.

– Mas…

– Agora não – sua voz foi um chicote cortante em mim.

A farra dos rapazes cessou subitamente.

– Jimin – disse Taehyung, com o rosto sério.

– Fica fora disso, Tae. – Jimin estendeu a mão para Liv e ela aceitou. 

Aparentemente, a questão comigo tinha sido encerrada. 

– Nós vamos interferir – Jin disse, lançando olhares preocupados quando passou por mim na escada. 

Eu sorri de volta, determinada.

– Até mais tarde, rapazes.

Por Deus, todo mundo sabe do meu grande amor não correspondido? Ou não; as palavras doces do meu chefe tinham surtido efeito neles também. Talvez eles pensassem que eu ia derreter em lágrimas. Mas que inferno, seria necessário mais do que as palavras ásperas de Park Jimin para me fazer isso. Dean já estava longe de mim, preocupado com seu trabalho, sem dúvida, era justo. Nós tivemos um único encontro, não era o suficiente para abrir mão de sua carreira. 

Quando Jimin passou, ele estendeu a mão, segurando a minha e apertando-a. Não sei como Jimin reagiu, pois segui seu irmão escada acima sem olhar para trás. Isso não significava que eu não o faria se arrepender por essa humilhação depois. Liv disse algo atrás de mim e Jimin respondeu com uma voz relativamente controlada. Eu não quis saber o que foi. 

Eu pedi por isso, sugeri que ele voltasse aos encontros, o empurrei direto para ela. Por outro lado, ele me fez ir a encontros também e me atacou por eu me atrever a segurar a mão de alguém. Estava fervendo de raiva por dentro, como o inferno. Eu não precisava ouvir merda. Jimin estava de saída, ele realmente não se preocupava nada com as informações da entrevista. Em vez de cumprir o meu dever, eu poderia muito bem ir para o segundo andar. Não corri, pois correr seria insinuar que eu era uma covarde em plena fuga. Também não bati a porta do quarto; em vez disso, tranquei-a com calma. 

Tudo estava bem.

Eu estava bem.

E Park Jimin podia ir se foder.


                               - ♪ -


A maçaneta da porta do meu quarto começou a chacoalhar pouco depois das cinco, me acordando da soneca vespertina. Estive escondida no meu quarto por três horas. Um mortal inferior poderia ter chorado até dormir, mas eu tirei um cochilo com uma pequena porção de drama do canal lacrimal. 

Tanto faz.

Eu estava deixando Jimin me virar do avesso. Era hora de começar a agir como uma mulher adulta e acabar com esse absurdo. 

– Lena – ouvi me chamar, seguido de mais batidas.

Levantei minha cabeça cansada do travesseiro, esfregando os olhos doloridos. Algumas batidas. 

– Abra a porta.

– Você veio para se desculpar? – perguntei.

– Por que diabos eu tenho que me desculpar?

Lentamente me sentei.

– Ah, eu não sei. Digamos que por ser um hipócrita que grita comigo e me envergonha na frente de outras pessoas, para começar. 

Um momento de silêncio.

– Não seja ridícula, abra a porta.

– Não.

– Abre. A. Porta.

– Podemos discutir isso amanhã, Jimin. Boa noite. – Estava disposta a ir para cama sem jantar.

Pela primeira vez, a minha barriga não importava e meu coração estava muito dilacerado para se importar. 

Nesse momento, Jimin explodiu.

– É a porra da minha casa e você trabalha pra mim. Não é legal você o carregar por aí durante o horário comercial. Onde diabos está o respeito? Você está no meu horário, e sabe muito bem disso. É uma absoluta bobagem. Vocês dois saíram totalmente da linha. Eu te pago, você é a minha assistente, e ele tem a porra da ousadia de tentar algo com você pelas minhas costas, na minha casa. Ele não tem nada que tocar você, nunca. Eu não quero ver essa merda acontecer novamente, ele vai ficar longe de você. O filho da puta nem sequer te defendeu, Lena. Você notou isso? Eu não sei como diabos você está pensando em ter qualquer coisa com aquele merdinha. 

Fiquei boquiaberta encarando a porta. Claramente, o homem tinha perdido sua preciosa cabeça. Ele não dizia coisa com coisa, mas continuou. Aparentemente, o fato de que ele arranjou o meu encontro com Dean tinha sido completamente esquecido. Incrível. Eu precisava desligar, para o bem da minha sanidade. Cruzei as pernas e encostei na cabeceira da cama, esperando que ele fosse embora. 


                                   - ♪ -


Eventualmente, o silêncio tornou-se ensurdecedor em ambos os lados da porta. Esforcei-me para ouvir alguma coisa, qualquer coisa. 

Então, a batida forte começou.

Boom!

O primeiro barulho de osso rangendo fez meu corpo inteiro saltar. Da segunda vez não foi muito melhor. A porta do quarto quebrou e Jimin se encaminhou para dentro, parecendo duas vezes mais alto que o normal, de forma que deixaria a maioria das montanhas com vergonha. A justa indignação ardia em seus olhos. Vermelho tingia sua pele. Talvez devesse ter ficado com medo, mas estava muito ocupada ficando puta. 

– Você acabou de arrombar a minha porta? – gritei o óbvio. – Você enlouqueceu?

– A minha porta, sim. – Ele marchou em direção à cama, parecendo ter três metros de altura. Então, subitamente ele parou. – Você estava chorando? 

– Não. Eu estou muito bem. Obrigada por perguntar. A minha porta, por outro lado, nem tanto! – Tenho certeza de que minha aparência, provavelmente de olhos vermelhos e pele manchada, contavam uma história diferente. 

Mas que se dane. Essa era a beleza de chorar feio, seu legado duraria horas, inalterado por um sono de beleza. Eu provavelmente parecia ter sido atropelada pelo trator que era a lenda do rock’n’roll Park Jinin. 

Ele se sentou na beirada da minha cama. Seus ombros largos estavam caídos pela metade, pelo menos. 

– Você estava, você estava chorando, porra. Eu não acredito nisso.

Dai-me força! Como se fosse um crime contra ele, e eu que devesse pedir desculpas.

– Meus olhos estão autorizados a fazer o que quiserem, Jimin. Não há nada no contrato de trabalho sobre isso. 

Enquanto isso, a pobre porta estava destruída sem chance de reparo, ele tinha realmente a arrebentado. Insano. Como tinha acontecido essa guinada para o drama e a loucura total, disso eu não fazia ideia… 

– Lena. – Sua voz era como uma suave ordem. – Olhe para mim.

Respirei fundo.

– O quê? O que você quer que eu diga, Jimin?

Ele se virou, prendendo os lábios fechados. Que confusão. Peguei um travesseiro e abracei-o contra o meu peito. Não parecia haver indícios óbvios de sua transa com Liv Anders, mordidas em seu pescoço ou o que fosse. Não que isso estivesse me deixando louca, talvez um pouco sentida. Uma dor de cabeça fraca de todas as lágrimas permaneceu atrás dos meus olhos doloridos. Tínhamos começado o dia rindo e provocando um ao outro, e era triste tê-lo terminado dessa forma. 

Jimin se arrastou para a cama, sentando-se ao meu lado com as costas na cabeceira. O sistema de aquecimento estava ligado e era o único ruído em toda a casa. 

Sentamos lado a lado, sem dizer nada.

Eu o estudei com o canto do olho, suas mãos se mexiam no colo, pegando pedaços soltos de fiapos de sua calça jeans preta, alisando-os. Quando terminou de alisá-los, ele cruzou os braços sobre o peito, mas seus dedos continuaram se estendendo e fechando, repetidamente. 

– Você me magoou – eu disse, por fim; 

afinal, um de nós precisava ser corajoso e se confessar. Seu queixo se ergueu. 

– Não faz isso com o queixo, diga alguma coisa. – Esperei um momento, mas minha paciência não foi recompensada. – Por que você arrombou a porta?

Ele se virou para mim, com os olhos torturados.

– Jimin?

– Eu não pude suportar isso, você me trancando para fora. – As palavras pareciam se arrastar para fora dele, chutadas e gritadas. – Você deveria ter me respondido. Não deveria ter… não deveria ter feito isso. 

– Por que não?

Seus olhos se estreitaram.

– Que porra você quer dizer com “por que não”?

– Por que eu deveria abrir a porta para você, se você estava gritando comigo? Se tem agido como um idiota completo e feriu meus sentimentos? Pare por apenas um minuto, ponha-se no meu lugar e me diga, por que eu deveria deixar você entrar? 

Ele emitiu um ruído nasal.

– E não me venha com essas merdas de “eu-sou-o-chefe”, “é-minha-casa”, “eu-pago-você” – eu disse. – Sim, é tudo verdade. Mas na verdade mesmo isso não importa nestas circunstâncias, estamos além disso. 

– Mas…

– Não.

Suas narinas inflaram e seus olhos brilharam de emoção.

– Você não deveria ter me trancado para fora.

Apenas fiquei olhando para ele.

– Eu precisava… – Uma mão gesticulou sem rumo na frente dele enquanto ele procurava palavras. – Eu precisava falar com você cara a cara, tá bom? 

Para ele, isso era tudo. Não havia mais nada além disso. As palavras se acumulavam na minha língua, desesperadas para sair. Levei um momento para limpar meus pensamentos e formar uma frase coerente. 

– Você precisava falar comigo tão desesperadamente que arrombou minha porta.

Nenhuma resposta.

– Jimin, isso soa como uma amizade normal para você?

– Eu sei. Eu estraguei tudo – disse ele com a voz áspera.

– O que você fez? – Fui tomada pelo medo. 

Fora a palidez, ele parecia bem, as pupilas estavam normais. Por favor, Deus, ele não pode ter usado nada. 

– Você.

– Eu?

– Você. Hoje. Eu estraguei tudo. Sinto muito, Lena, eu só… Sinto muito. Só falei merda e eu sabia que não era certo. – Ele fez uma careta. – Sinto muito. 

– Honestamente, Jimin, suas palavras não estão me convencendo.

– O que eu faço então? Diz pra mim. Eu não sei lidar com essas coisas – ele disse. – Como reagir.

– O que você quer fazer?

– Eu queria consertar as coisas, mas eu só ferrei ainda mais. – Com os olhos agitados, ele cerrou os dentes. – Na banda, sempre tinha a música para acalmar se as coisas saíssem de controle. Se a música está indo bem, o resto se arruma. Mas não há nada parecido com isso entre nós. Eu não sei o que fazer quando algo acontece. 

– Você fala comigo, Jimin. Não precisa gritar como um louco e fazer loucuras. Você simplesmente me procura para conversar – eu disse. – Simples assim. 

Ele não respondeu.

– Por que você pirou quando me viu segurando a mão do Dean?

– Eu não sei. – Ele deu um rosnado baixo e recuou, olhando-me no rosto. – Apenas me diga o que fazer para me desculpar. O que você quer? Eu compro o que for preciso. 

– Eu não quero que você compre nada.

– Bem, o que posso fazer?

– Nada – respondi, visto que pedir que ele ficasse pelado provavelmente estava fora de cogitação. Implorar para ele nunca mais ver a Liv Anders ficou em segundo lugar. – Você pode arrumar a minha porta. Isso seria legal. 

– É claro que vou consertar a porta, mas você tem que querer mais do que isso. – Ele parecia tão inflexível, com olhos iluminados e fervorosos na ideia de reparar as coisas.

 O problema era que eu não poderia ter o que realmente queria. Nós já tínhamos estabelecido isso. 

– Tudo bem – eu disse. – Vamos dar um passeio no Barracuda para a minha sorveteria favorita.

Ele deu de ombros.

– Claro.

– Mas… – Meu dedo indicador do destino pairava diante de seu rosto. – Eu dirijo.

Sua boca se abriu.

– Isso não é negociável. Você acabou de perguntar como poderia fazer para me compensar e eu estou dizendo como. Vou dirigir o Barracuda e você vai no banco do passageiro. Você não fará comentários sobre a minha condução e ficará feliz. 

Ele lançou um olhar arrogante.

– Tudo bem. Mas só para tomar um sorvete.

– É claro, Jimin.


                                 - ♪ -

– Você se acha muito esperta, não é?

Eu sorri e me encolhi ao seu lado, usando-o como uma proteção contra o vento. Seu grande corpo duro tinha que ser útil para alguma coisa. Estava tão frio que meus dentes batiam. 

– Quem, eu?

Ele ergueu uma sobrancelha e lambeu sua casquinha de sorvete coberto com delícia de pistache. Eu não olhei para a sua língua. O meu olhar só vagou em sua direção, só isso, nem um pouco minha culpa. 

– O ar salgado do oceano não é estimulante, Jimin?

– O seu está derretendo.

– Ah. – Eu cuidei da delícia de caramelo triplo antes que escorresse pelos meus dedos. – Mm, delicioso. Melhor sorvete de todos. Eu não disse que eles têm o melhor sorvete das redondezas? 

– Sim, você disse. Muitas e muitas vezes ao longo da uma hora e meia de carro até aqui.

– Ei, eu poderia ter nos levado para Seattle. – Dei de ombros, encolhendo-me em meu casaco. – Seja grato. Você se safou dessa muito facilmente. 

– Certo.

– Você está se divertindo, não é?

Ele me deu um olhar de reprovação.

– Admita. – O mais breve dos sorrisos passou pelos seus lábios. – Podemos sentar no carro agora? Estou congelando. 

– Não. Você não vai pingar sorvete no meu carro, Lena. Isso é estofamento de couro, um automóvel clássico, tenha um pouco de respeito.

– Eu não posso acreditar que você se importa mais com uma coisa dessas do que com o meu conforto. – Meu celular tocou silenciosamente no meu bolso. – Três chamadas não atendidas. 

Jimin se inclinou, entrando em meu espaço pessoal. Pena que eu gostava tanto de tê-lo assim.

Muito.

– Você ia fazer algo com Dean essa noite?

– Eu esqueci. – Fui passando as mensagens de texto. – Merda.

– Ele pareceu meio puto na última.

– Falou o cara que chutou a porta do meu quarto. – Eu mandei uma mensagem para Dean, com um breve pedido de desculpas. 

– Não acho que ele vai ficar satisfeito. Isso não soou muito sincero.

– Sim, bem, você bagunçou toda a situação. E pode ter ocorrido a Dean que eu talvez esteja um pouco chateada depois da cena com você. 

Ele olhou para a imensidão negra do oceano. Ondas quebravam na costa.

– Eu já pedi desculpas.

– Dizer que está arrependido não conserta tudo imediatamente, Jimin. Nossas ações têm repercussões, você acima de todas as pessoas deveria saber disso. 

Fizemos uma pausa.

– Você não perguntou sobre a Liv.

Meu corpo estremeceu inteiro, estava tentando não pensar em Liv. Na verdade, perguntar sobre ela parecia simplesmente um suicídio. 

– Eu deveria? Tinha entendido que não era da minha conta.

– Fomos para um hotel e conversamos por um tempo. Liguei apenas para saber se você estava bem. – Ele andou alguns passos até a lixeira e jogou sua casquinha de sorvete. 

A vasta extensão de suas costas no casaco de lã preto era uma sombra nítida contra o resto da vista. 

– Você ligou? – perguntei, surpresa.

– Sim, e você não atendeu.

– Não, eu estava dormindo.

Ele se virou, com o vento soprando o cabelo em seu rosto. Com uma mão ele segurava-o para trás.

– Comecei a me preocupar que tivesse ido embora. Que tivesse desistido de mim e ido embora, como ia antes. 

– Eu não faria isso sem falar com você primeiro.

– Eu não tinha certeza. – Ele evitou meus olhos. – Depois do jeito como eu te tratei, pensei que você poderia ter facilmente partido. 

– Foi isso que te deixou tão agitado?

Ele encolheu as bochechas, assentindo com a cabeça. De repente, o sorvete perdeu o sabor para mim também. Joguei o resto fora, lambendo meus dedos pegajosos. Jimin observou o tempo todo, sem demonstrar qualquer expressão. Essa conversa era um campo minado. Tudo o que eu podia fazer era dizer a verdade, fazer o meu melhor por nós dois. 

– Eu fiquei com ciúmes – admiti, colocando tudo para fora. – É por isso que queria falar com você, para pedir que não saísse com ela. Eu simplesmente não estava pronta. 

– Sim, eu sei.

Balancei a cabeça, coloquei minhas mãos nos bolsos e esperei. E então esperei um pouco mais.

Nada.

Eu segurei meu grunhido por um tempo.

– Jimin, agora é sua vez de admitir que estava com ciúmes quando me viu segurando a mão do Dean. Um relacionamento é dar e receber, sabe? 

Ele bufou. Então deu uma volta, contorcendo a boca como se tivesse mordido algo sujo. Eu meio que esperava que ele fugisse correndo, se valendo de todas as táticas de evasão apresentadas até ali. 

– Quando você estiver pronto – eu disse.

– Eu…

– Sim?

Ele fez uma careta.

– Eu acho que não pensei direito como seria se você realmente gostasse de um deles.

– Mesmo que esse fosse o objetivo? Gostar de um deles mais do que eu gosto de você? – Ele deu de ombros. – Você superou isso agora? – perguntei. 

– Sim – ele riu. – Claro que está tudo bem. Não vai acontecer de novo.

Ah, a ambiguidade quase me convenceu. Eu não conseguiria fa-zê-lo admitir que se importava comigo mais do que gostaria. Eu não tinha controle algum sobre ele. 

– Tudo bem, mais uma vez. Eu gostei de sair com Dean e eu estava ansiosa para vê-lo novamente.

– Ok. É bom.

– Com uma condição.

Ele me deu um olhar desconfiado.

– O quê?

– Você conhecer o Tom.

O queixo majestoso subiu a alturas imprevistas.

– Aquele cara substituto? Não. Claro que não. Nós já conversamos sobre isso, você precisa se comprometer com o plano, Lena. 

– Meu plano original era realmente um trabalho temporário. E, dado o quanto estamos nos sufocando, acho que pode ser bom ter um plano B no caso de eu não poder continuar. – Eu inclinei meus ombros, erguendo minha postura. 

– Eu não acho que seja preciso fazer isso.

– Jimin…

– Se você fizesse um esforço, Lena.

Foi então que realmente as coisas ficaram claras: o amor era difícil para todos os envolvidos. Às vezes, porém, você só tinha que deixar acontecer. 

– Jimin, eu não estou pedindo para você. Eu estou te comunicando. Você vai falar com ele.

Eu gostaria de ter tirado uma foto da surpresa em seus olhos. Sua mandíbula se moveu e seu rosto se enrijeceu. 

– Tá, tudo bem.

Ergui as chaves do carro para ele, refletindo nelas a luz do luar.

– Você quer dirigir até em casa?

Ele arrancou as chaves da minha mão. Algo me dizia que seria uma viagem longa e dolorosa.


Notas Finais


O clima tá meio tenso né kk

💜 Saranghae 💜


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