História Mysterious Angel (VHope, JiHope, YoonSeok, HopeKook e mais ) - Capítulo 10


Escrita por: e halleyw

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7, Seventeen, Wanna One
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Daehwi, Hong Jisoo "Joshua", Jackson, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lu Han, Mark, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Sehun, Wen Junhui "JUN"
Tags 2seok, Fadas, Hopekook, Hoseok!bottom, Jihope, Lobos, Markson, Namjin, Namseok, Seres Sobrenaturais, Vampiros, Vhope, Violencia, Yoonseok
Visualizações 408
Palavras 11.205
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Harem, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha eu aqui de novo ><

Teve alguns amorezinhos comentando que deveria ter uma parte que explica sobre o passado dos meninos, e sim, têm esses capítulos, sobre toda a família deles, mas lá para frente. De qualquer forma, em praticamente todos os capítulos vai contando um pouquinho sobre eles, vocês só têm que prestar um pouquinho mais de atenção. (-‿◦)

~~~~

Esse capítulo tá muito fofis....pelo menos uma parte dele, e ele também responde algumas perguntas...

(U・ω・)⊃ sem mais delongas...

Capítulo 10 - A verdade dói


 

O breu era sufocante aonde ele caminhava. Já não sentia mais a dor de horas antes, apenas um mal-estar se fazia presente dentro de si a cada passo que dava no escuro. Estava chegando próximo a alguém. Uma silhueta começou a se materializar na escuridão. Uma mulher de cabelos castanhos claros, presos por pequenos grampos em formato de flores brancas, estava de costas para ele. Ela usava um hanbok nas cores creme na saia e branco no busto. O mesmo vestido que ela usara quando morrera.

- O Tae tem um ciúme que pode se tornar algo doentio... - embora ela estivesse perto dele a voz soou distante. - Ele não sabe controlar seus sentimentos e acaba machucando as pessoas.

- Machucar? - ele reconheceria aquele voz em qualquer lugar e ficou espantado ao ouvi-la. - Como me machucou? - perguntou um Hoseok tristonho, aparecendo na frente da mulher, que concordou com a cabeça.

Taehyung achou que nunca presenciara Hoseok com aquela expressão, e ver aquilo o atingiu em cheio.

- Ele é perigoso, olha o que ele fez com você. – A mulher apontou para um canto escuro do outro lado. Uma pessoa estava com o corpo completamente acorrentado e nu ali. Encolhida e agonizando em dor, com os seus ossos quebrados e corpo sangrado.

- Eu me lembro... - comentou Hoseok, inclinando a cabeça em questionamento. - Por que fez isso comigo?

- Porque Taehyung é arrogante...

- Porque Taehyung é ciumento...

- Porque Taehyung é possessivo...

- Porque Taehyung é egoísta...

Ele escutava as vozes sussurrando perto do seu ouvido, baixas e irritantes, e só queria que elas sumissem. Ele se sentiu pior ainda quando escutou o Hoseok, do canto, começar a chorar baixo, e o sangue do seu corpo começar a escorrer na direção dele.

- Por que fez isso com ela? - Hoseok olhou para o outro lado. Taehyung engoliu em seco ao olhar aquela imagem da mulher completamente esquartejada. Mesmo com todas as partes do corpo separadas, os olhos piscavam, deixando escapar lágrimas densas de sangue. - Por que, Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- Por que Taehyung?

- CALEM A BOCA! - gritou para o nada, caindo de joelhos no chão com as mãos nos ouvidos.

 Ele queria que aquilo acabasse, queria ir embora.

- Por que você fez isso comigo... Taehyung - duas vozes diferentes sussurraram em cada lado do seu ouvido. - Por que...?

****

- Porque...

- Por que o que, irmãozinho? Não estou te entendendo. - comentou Yoongi, com um pequeno vidrinho na mão fazendo Taehyung o cheirar enquanto estava semi-desacordado. Era uma droga poderosa que causava alucinações, e era só um dos métodos que Yoongi usara para o torturar Taehyung sem derramar uma gota de sangue do mesmo. - Me conte quais são seus pesadelos, Taehyung. Do que você tem tanto medo, é desse "Por que"?

- Pare... com isso.

- Nãnaninanão, estamos apenas começando. - sussurrou no ouvido do outro, não escondendo o sorriso de satisfação.

 

******★******

 

Um novo dia, uma nova manhã.

 O ambiente estava tranquilo e silencioso, nem parecia o pandemônio que ocorrera no dia que antecedera esse. Para Jin, aquela tranquilidade parecia ser falsa e um tanto irreal. Até sua mente estava calma, calma até de mais enquanto observava parado, na escada da entrada da casa, NamJoon colocar uma mala dentro do carro. 

Ele não estava feliz com a ideia de o vampiro ter que viajar, novamente, para ir ao encontro dos integrantes do Conselho, mas era necessário. Só assim Hoseok teria uma chance de permanecer na casa e não ser levado por esse mesmo Conselho. NamJoon também fazia isso a contragosto, mas porque ele tinha medo, medo de que caso não conseguissem manter o ruivo na casa Jin pudesse colocar na cabeça que o melhor plano seria fugir com o mesmo para longe e protegê-lo. 

Era um medo compreensivo, Jin e Hoseok estavam muito próximos e o vampiro percebera isso.

- Não pretendo demorar muito. – NamJoon falou ao fechar o porta-malas e olhar para Jin em seu casaco preto, calça jeans e botas marrons, pronto para sair também. – Você vai ficar bem? 

Jin assentiu sem dizer nada, ele queria falar, só não sabia que palavras usar. O vampiro saiu de perto do carro e foi até ele, subiu apenas dois degraus, deixando um os separando, ainda não podia tocá-lo e isso era torturante para os dois. Ao menos poderia admirar a beleza do outro a sua frente e isso era o bastante para o vampiro.

 – Eu não me importo.

- Não?! – perguntou Jin visivelmente surpreso. – Nem um pouco? Mesmo que seja na sua casa? Praticamente de baixo do seu nariz?

- Contanto que você continue em casa, eu não vou questioná-lo. Você já havia falado que sentia algo por ele e eu não vejo porque você não pode se divertir um pouco com outra pessoa. – Jin inclinou a cabeça enquanto pensava nas palavras de NamJoon.

 O vampiro estava aceitando que ele ficasse com Hoseok assim, sem mais nem menos, de novo? 

- Está com medo que eu fuja com ele? – NamJoon colocou as mãos no bolso e olhou para os pés, o gesto de um adolescente que tem vergonha de dizer algo, Jin pensou consigo e deu um pequeno sorriso. 

De vez em quando ele esquecia que esse mesmo vampiro tinha quatro filhos para cuidar, quatro filhos que deram muitos problemas para o Conselho e por consequência acabaram presos em uma mansão na floresta. Todos os quatros. NamJoon poderia simplesmente deixá-los sozinhos e ir viver uma vida normal. Entretanto, ele escolheu ficar com os filhos naquela casa. 

Mas, para Jin, havia outra coisa que o vampiro parecia esconder. Era algo que ele não se permitia pensar, mas ele queria tirar essa dúvida agora, antes dele ir. 

– Nam, ... você já me traiu quando esteve longe?

Aquela pergunta o pegou realmente de surpresa, ele engoliu em seco e não levantou a cabeça para enfrentar o olhar do outro. Jin também não voltou a dizer qualquer coisa, estava tentando assimilar aquela resposta não dita. Era algo que ele tinha uma pequena suspeita a um tempo, mas não esperava que fosse verdade. Tinha esperança que fosse uma paranoia sua por ficar tanto tempo naquela casa e o vampiro viajar tanto. 

O silêncio ainda seguiu por alguns segundos, até ser quebrado por um suspiro.

- Não...não me importo. – Jin deu um rápido sorriso, quando o vampirou olhou para ele, e desceu mais um degrau, ficando no nível de NamJoon. Ele falou que não se importava, mas algo lhe incomodou lá dentro. Decepção com o outro, não que Jin fosse perfeito, mas ele tinha a ilusão de que NamJoon fosse. – Acho que estamos quites agora.

- Acho que sim. – o vampiro respondeu enquanto acompanhava com os olhos Jin descer o resto das escadas e ir para ao lado do outro carro, se recostando no mesmo. – Está chateado comigo?

- Não, estou de boa. – falou, sem olhar para o outro, sua atenção estava na floresta ao lado, para o barulho que os animais faziam na manhã. – Conversou com todos os seus filhos? 

- Sim, exceto com o Tae. Deixei com que Yoongi desce a notícia. – Jin concordou, ainda sem o olhar. – A propósito, caso alguns deles tente novamente te matar, peço que não hesite em se proteger. – Dessa vez Jin olhou para ele com o cenho franzido.

- Está dizendo que eu posso matá-los?

- Se for necessário, sim. Agora que você está tão próximo do Hoseok, alguns deles podem não gostar disso.

-Hum... o único que realmente se incomoda está preso lá em baixo. Outro que poderia se incomodar, mas não fala nada, é Yoongi. Creio que ele não me faria nada. Quanto aos outros dois, você sabe. – NamJoon assentiu às suas palavras e se dirigiu ao outro carro. – Antes de ir... – O vampiro parou com a mão na porta do carro e olhou para Jin. – Por que não me falou sobre o Conselho dos Feiticeiros, desde quando eles me protegem de algo? Eu estive sozinho praticamente a minha vida toda, sem a assistência deles. Por que isso agora? Nem sou um feiticeiro.

- Você só não tem poderes como um feiticeiro normal, mas corre sangue de feiticeiro em suas veias e você sabe disso. Não sei bem como o seu Conselho lida com órfãos, mas eles sabiam e sabem da sua existência. De certa forma, ele é um responsável indireto por você quando estiver com problemas com outras criaturas. E era necessário eu contatá-lo para você permanecer nesta casa.

- Não faz muita diferença, ainda odeio aquele Conselho. - Jin nunca se esquecera de quando precisou do auxílio da instituição e a mesma a negou ajuda. Para ele, o Conselho dos Feiticeiros era apenas mais um órgão particular onde seus integrantes só pensavam em status e dinheiro, e para o resto? Foda-se, essa era a visão de Jin. - Se cuida. - Abriu a porta do carro e entrou no mesmo.

NamJoon ainda hesitou um pouco para entrar no seu. Aquela era uma péssima despedida. Com isso em mente, o vampiro soltou um suspiro, deu uma última olhada em sua casa, avistando uma pessoa na sombra da janela no segundo andar, que sumiu rapidamente. Não deu muita importância e entrou no carro. Não sabia quanto tempo demoraria para retornar, só esperava que tudo estivesse no seu devido lugar e com ninguém morto.

Jin ficou observando NamJoon entrar no carro e dar a partida no mesmo. Também olhou para a casa antes de sair ao encontro de Joshua, que o levaria para conversar com Woozi sobre o plano do mesmo. Jin esperava não se decepcionar com esse plano um tanto quanto suspeito. Mas para manter Hoseok por perto ele iria apostar no plano de um desconhecido que tinha como amigo uma pessoa que lhe causou uma péssima primeira impressão. Ele esperava também conseguir conversar com Jun sobre o tal "Mestre" e retornar para a casa antes que Hoseok acordasse do seu sono induzido pelo chá. Mesmo com a porta do quarto trancada, Jin tinha o pressentimento de que ele não se manteria dentro daquele quarto e sairia a procura dos vampiros. 

Em sua condição atual, era muito difícil prever o que o ruivo faria.

- Espero que não apronte nada, Hoseok. - ditas essas palavras, ligou o carro e seguiu o outro à distância, para que no meio do caminho fossem para direções diferentes. – Que idiota... - Falou para o nada a sua frente, enquanto seguia dirigindo.

****

JungKook se disponibilizou a ficar de guarda na porta, caso Hoseok quisesse algo. Mas Jin havia lhe dito que era desnecessário, pois tinha deixado uma refeição para o ruivo dentro do quarto e dessa forma ele não precisaria sair. Mesmo assim, JungKook estava lá, sentado no chão em frente à porta, brincando com o anel em seu dedo e se lembrando do casamento, enquanto se perguntava se Hoseok também se lembrava. Embora todos os outros não aprovassem, fora um dia tão especial para ele e queria que Hoseok também pensasse assim.

Em dado momento, enquanto pensava, ele percebeu um barulho vindo do quarto e estranhou. Jin havia dito que demoraria um pouco para Hoseok acordar, talvez lá para às 13:00 da tarde, agora não era nem dez da manhã. JungKook se levantou do chão e se aproximou da porta, ficando com a cabeça apoiada na mesma, escutando o movimento dentro do quarto. Ele escutou passos vindo em sua direção, Hoseok tentou abrir a porta, mas sem sucesso retornou para a cama. O vampiro permaneceu em silêncio. Jin sugeriu que não o chamassem, senão ele tentaria fazer de tudo para sair do quarto. Então assim, JungKook ficou apenas escutando os movimentos de Hoseok no quarto, que hora ou outra parava e depois continuava a andar. Parecia que ele estava inquieto, pensava JungKook.

Depois de um silêncio esquisito para JungKook, o mesmo escutou o destrancar e ranger de algo se abrindo, o que ele supôs que fosse a janela e isso não lhe pareceu nada bom, principalmente quando escutou um barulho estranho na parede do quarto e logo mais algo caindo lá embaixo.

- Ho! - Bateu na porta diversas vezes, mas Hoseok não atendeu e JungKook tinha certeza que tinha algo errado ali.

 Forçou a fechadura da porta, até quebrá-la, e entrou no quarto. Hoseok já não estava mais lá, só o resto do seu café da manhã e uma corda, feita com lençóis, que ele usara ao amarrá-la no ferro da cabeceira da cama e jogá-la pela janela. JungKook correu para a mesma e olhou para baixo, o lençol tremulava ao vento fraco da manhã. Hoseok não estava por perto, o vampiro constatou frustrado e pulou da janela, caindo em pé no chão. 

- Por que você fugiu, Ho? - perguntou para si mesmo andando ao redor da casa.

Hoseok não teria ido muito longe, a não ser que quisesse realmente fugir da casa e deles, JungKook pensava enquanto o procurava, e esse pensamento não o agradou nem um pouco. Parou de andar e se concentrou no som que provinha da floresta, não muito longe ele escutou alguém cantarolando, não pensou duas vezes e seguiu o som. Parou a uns quatro metros da pessoa que usava um pijama preto e um pouco sujo devido à queda da janela, essa mesma que segurava uma rosa vermelha na mão direita e uma maçã, mordida, na mão esquerda. Ele andava um pouco saltitante, pisando com seus pés descalços nos galhos e folhas, despreocupadamente.

 Ele realmente havia mudado, pensou JungKook ao seguir Hoseok pela floresta.

- Ho?- O ruivo virou o rosto para JungKook, e sem esconder a felicidade de o ver, correu em sua direção. Por pouco o vampiro não fez o mesmo, mas se lembrou de que não poderia tocá-lo e por isso se escondeu atrás de uma árvore ao lado.

- Kookie... por que está se escondendo? - perguntou Hoseok parando em frente à árvore em que JungKook estava atrás.

 Ele tinha um olhar interrogativo e divertido enquanto dava a volta na árvore atrás do vampiro, que se afastava dele, seguindo no sentindo oposto para evitá-lo.

- Eu não diria me escondendo, estou apenas me protegendo. – argumentou, ainda atrás da árvore.

- Se protegendo de mim? Nunca te faria nenhum mal, eu gosto de você. Além disso, nos casarmos, não foi? - JungKook parou de andar e se voltou para o outro, sem sair detrás da árvore. Hoseok tinha um olhar tão doce e concentrado em JungKook, que o mesmo ficou sem fala ao contemplar aquela expressão serena e misteriosa. Ainda tinha os olhos banhados pela Flor de Sangue, e esses mesmos olhos transmitiam uma calma traiçoeira. - Não gosta mais de mim? – disse, aproximando sua mão, a que segurava a rosa, da mão do vampiro que estava apoiada no tronco. 

JungKook estava tão concentrado no olhar do outro que não percebeu a aproximação sorrateira da mão do mesmo. Só o percebeu quando sentiu o toque rápido e uma queimação familiar em sua mão.

- Ho, não me toque! – reclamou, se afastando rapidamente do mesmo, indo para uma árvore do outro lado, e olhando para sua mão esquerda. As marcas de dois dedos se faziam presente nas costas de sua mão, mas já estavam cicatrizando. - Me desculpe por gritar com você, Ho. - falou para o mesmo que tinha o olhar para o chão e um bico incontestável nos lábios, mas que logo se abriu em um sorriso para o vampiro. - É que machuca.

- Hum... não gostei. – falou, começando a andar em direção contrária à casa com JungKook indo logo atrás, mas mantendo certa distância. - Cadê o Jin? Ele não estava no quarto quando acordei e me deixou trancado. Por que?

- Para que você não fizesse o que acabou de fazer? - argumentou recebendo uma breve e rápida risada do ruivo. Ele estava tão diferente, e JungKook se perguntava se isso seria bom ou ruim. - Jin foi para a cidade resolver uns assuntos, logo mais ele retornará.

- E por que não me levou? Eu queria ver o gatinho, gostei dele.

- Quem sabe ele não faz uma visita para nós depois?

- Sim, seria bom. - respondeu comendo mais um pedaço da maçã e seguindo em frente, adentrando cada vez mais a floresta. - Cadê o Jiminnie?

- Dentro de casa, com os outros, assim como nós deveríamos estar. Ho, para onde você está indo?

- Lugar Nenhum, só seguindo em frente. Não quero voltar para lá agora, vocês vão me trancar no quarto novamente. Não gosto de ficar preso.

JungKook parou de andar e ficou observando Hoseok seguir em frente. As palavras do ruivo mexeram com sua cabeça. Ele não queria ficar preso, mas aquela casa em si era uma prisão, que dizer que ele não queria ficar com eles? O vampiro se perguntou olhando rapidamente para a casa. Todos estavam presos ali e nem sabiam quando ou se seriam libertos um dia. 

Tudo por causa dos pecados do passado.

- Isso é uma prisão... - falou para si mesmo e quando voltou a olhar para ruivo sentiu o pânico dominar seu corpo. Hoseok havia passado a barreira que impedia ele e seus irmãos de sair e continuava seguindo em frente. - Ho! – gritou, tentando chamar a atenção do outro, que pareceu não escutá-lo.

 Em um gesto muito estúpido ele correu em direção a barreira, em direção a Hoseok, mas ele sabia que não passaria. O impacto imediato com a barreira o arremessou a mais de dez metros, o fazendo cair com força no chão, enquanto sentia um choque elétrico passar pelo seu corpo. Era agonizante e ele se lembrava muito bem dessa dor, a mesma que sentira várias vezes décadas atrás.

- Kookie! O que aconteceu?! - escutou a voz de Hoseok, visivelmente preocupado, indo em sua direção.

- Por favor... não... me toque. - disse com a voz falha, esperando de olhos fechados que o choque desaparecesse do seu corpo.

Hoseok se abaixou ao seu lado, mas não o tocou, não diretamente. JungKook sentiu algo macio em seus lábios e quando abriu os olhos Hoseok estava com o rosto bem próximo ao seu e usara a rosa para dar lhe um beijo indireto. A rosa vermelha separava os lábios dos dois por finas e delicadas pétalas perfumadas.

- Passou? - perguntou Hoseok, levantando sua cabeça e olhando para JungKook deitado no chão, que assentiu a sua pergunta. - Vamos voltar para dentro de casa.

****

- Tem certeza que eu não posso descer lá embaixo? Rapidinho. - pediu Jimin para Yoongi pelo que deveria ter sido a vigésima vez. Se não fosse uma pessoa paciente já teria esganado o outro, que se encontrava encostado em uma das grandes estantes de livro de três metros da biblioteca. Mesmo com um livro em mão, Yoongi percebera que o outro brincava com uma pequena pedra vermelha de um colar.

- Não é não. – disse pacientemente. - O que é isso em sua mão? - perguntou sem tirar os olhos do seu livro.

- Achei essa pedra a muito tempo e resolvi fazer um colar para o Hoseok. Será que ele vai gostar?

- Vindo de você até cobra ele aceitaria de bom grado. - Jimin bufou com as palavras do outro, mas riu. Era bom saber que Hoseok gostava dele. - O que você continua fazendo aqui? Não vou deixar nenhum dos dois descerem lá embaixo.

- Aish! - exclamou indignado. - O que você faz lá com ele?

- Nós conversamos muito sobre a família. Eu o elogio e falo o quanto amamos ele e o quanto temos orgulho dele. Partilhamos segredos, sabia? Conversa entre irmãos é muito bom. - Yoongi não escondia o sarcasmo na voz ao falar.

- Vou fingir que acred... – Jimin não terminou de falar, pois sentiu uma aproximação suspeita. Se desviou rapidamente do toque do outro e subiu em cima da estante que estava do outro lado. - Acho que agora sei como a Omma se sente. Hoseokie, você me assustou. - falou para o mesmo embaixo. O ruivo tinha um olhar divertido enquanto tentava alcançá-lo na parte de cima.

- Desce Jiminnie, quero te abraçar. - o ruivo sorriu para ele.

- Você sabe que não pode nos tocar, porque ainda insiste?

- Hm... não sei. Só quero um abraço, é pedir demais? - Jimin assentiu. - Por que?

- Não precisa explicar Jimin. - disse JungKook, aparecendo ao lado do irmão que o olhou sem entender nada. - Eu já expliquei para ele. Ele só está fazendo isso porque está entediado.

- Entendi. Acho que ele vai fazer isso até a Omma chegar, e espero que ele chegue logo. - falou observando Hoseok tentando subir na estante para alcançá-los, mas caindo no chão na segunda tentativa.

Frustrado por não conseguir pela terceira vez, Hoseok fez algo que surpreendeu os vampiros. Ele começou a empurrar a estante e, por incrível que pareça, ela cedeu a força dele e caiu, com mais três estantes logo em seguida, como peças de dominó. Jeon e Jimin haviam saído de cima da estante, antes que ela caísse, e ficaram boquiabertos ao olharem para as centenas de livros, e a poeira subindo pelos mesmos, espalhados pelo chão.

- Hoseok! – O ruivo olhou para Yoongi, sentando em uma cadeira do outro lado, o mesmo não tinha uma expressão nada boa e mesmo assim Hoseok foi correndo na direção dele. - Pare agora! - Ele parou bem próximo a Yoongi. - Fique de joelho. - O ruivo obedeceu calmamente. - Como ousa destruir a biblioteca do meu Appa? Você não tem amor pelos livros? - Hoseok não respondeu, apenas ficou olhando para a rosa que permanecia em sua mão direita, ele não sabia o que dizer para aquele Yoongi autoritário. - Park Jimin e Jeon Jungkook. - Os dois, que estavam do outro lado, levaram um susto com o tom de voz do outro. - Os dois, agora, de joelhos aqui.

Jimin e Jeon se entreolharam sem entender porque Yoongi estava agindo daquela forma, feito um pai.

- Não vamos nos ajoelhar para você. - disse Jimin.

- Não vai? Então ele vai pagar pelos dois também. – disse, pegando o chicote no seu colo e o levantando acima da cabeça de Hoseok, que se encolheu ao pensar na dor.

- Não faça isso, era brincadeira. - Jimin falou rapidamente, se ajoelhando, a contragosto, ao lado direito de Hoseok e Jeon do lado esquerdo do mesmo. Ambos um pouco atrás de Hoseok, para que ele não conseguisse tocá-los.

- Estendam a mão. - os três hesitaram um pouco, mas estenderam a mão direita. -Não podem... destruir... a biblioteca. - a cada intervalo da frase era uma leve chicotada na mão de Hoseok e um pouco mais forte nas dos outros dois. - Se comportam como crianças e serão tratados como tal. Não se faz tal barbaridade com os livros e isso é culpa de vocês dois. - Voltou a bater na mão de Jeon e Jimin que reclamaram um pouco com a dor momentânea. Hoseok estava observando a linha vermelha em sua palma, mas sua atenção foi chamada pelo chicote, batendo de leve em sua cabeça, o fazendo olhar para Yoongi a sua frente. - Por que você está tão imundo?

- É que ele caiu da janela. - respondeu Jeon.

- Da janela? O que ele estava fazendo nela? - perguntou Jimin, visivelmente aflito. - Pensei que você que tivesse tirado ele do quarto. Ele se machucou?

- Não, ele está bem. A propósito, ele está na sua frente agora. – comentou, apontando para Hoseok e percebendo que o mesmo estava se movimentando devagarinho para perto de Yoongi, que também notou isso, mas nada fez, só esperando o que o outro iria fazer.

- Os três vão arrumar as estantes e os livros, e você - falou com Hoseok, que estava a trinta centímetros dele, mas parou ao toque do chicote em sua testa e olhou para Yoongi com um sorriso contido. - Você vai trocar de roupa e depois voltar para cá. Tem um armário no quarto do Jimin, ele vai te mostrar o seu uniforme a partir de agora.

Jimin não entendeu o que ele quis dizer de imediato, mas logo se lembrou do que tinha no armário específico que Yoongi falou.

- Hum. Depois fala do Jeon - comentou Jimin para Yoongi.

- Garanto que somos bem diferentes. - garantiu Yoongi, cruzando as pernas e as afastando um pouco de Hoseok, sem tirar o chicote da testa do mesmo. - Cá entre nós, vocês vão gostar do informe dele. Uniforme que ele terá que usar sempre para fazer algum trabalho doméstico, a partir de agora. Está me ouvindo, Hoseok? – O mesmo assentiu e levantou a rosa em sua mão para o rosto de Yoongi e fez uma carícia no mesmo. - Tem algo a dizer em sua defesa, pelo estrago que acabara de fazer?

Hoseok negou com a cabeça.

- Então comecem o trabalho e terminem o mais rápido possível.

 

****** ★ ******

 

- Flor de Sangue? O nome faz soar como algo perigoso. - disse Jun, observando Woozi arrumar a cama em que dormia.

O pequeno havia chegado com Joshua e Jackson pela madrugada, sequer dormira direito. Igualmente Jun, que não havia dormido, preocupado com o mesmo. Embora aparentassem ainda estarem com sono, eles já se encontravam de pé, prontos para o encontro com Jin, que pretendia ouvir Jun, e o mesmo estava esperando por isso.

- É perigoso e pode até matar. - disse Woozi calmamente, como se falasse sobre uma receita e isso surpreendeu Jun. - Enquanto fiquei com o Príncipe Akane, ele me ensinou várias coisas. Dentre elas, os efeitos que certas flores poderiam causar em algumas espécies ou mesmo em uma pessoa que estivesse sob determinado feitiço. Aí eu pensei comigo, se eu usar uma flor rara e de grande poder, ela pode combater o feitiço em Hoseok e abrir uma brecha para ele. Magia de feiticeiro contra magia de fada, vence o mais forte. - terminou de falar ajeitando seu travesseiro na cama, depois se voltou para Jun, que não escondia sua expressão interrogativa.

- Os feitiços foram quebrados?

- Não, ele ainda está sob os feitiços. Só a sua cabeça que mudou um pouco. – respondeu, pegando seu casaco em cima da cadeira, no canto do quarto, e uma sacola de papel vermelha de presentes.

- Realmente você é muito esperto. - disse Jun, se levantando da cama, recebendo um sorriso adorável de Woozi. - Príncipe Akane estava realmente certo ao seu respeito.

- Obrigado. - respondeu colocando sua touca preta na cabeça para esconder suas orelhas de prováveis humanos que pudessem passar pelo caminho deles. - Lembre-se, se de alguma forma a conversa for para o Príncipe Akane deixe que eu fale tudo. Príncipe Akane pediu para que não revelássemos sua identidade para ninguém agora. Ele disse que tem gente perigosa por perto e que se souberem o que ele está fazendo tentariam impedir de uma forma muito cruel. 

- Ele está em perigo? – perguntou Jun, preocupado.

- Não sei dizer, ele foi muito vago quando me mandou a mensagem hoje cedo. Você ainda estava dormido. 

- Me desculpe.

- Não precisa se desculpar, você precisava descansar. – Woozi nunca perdia aquele sorriso confiante e isso confortava Jun de uma forma inexplicável. E este se sentia mal por deixá-lo com o trabalho pesado. 

- Se tem alguém aqui que precisa descansar, esse alguém é você. 

- Eu estou bem. Vamos falar com o Jin e depois tomaremos um café delicioso. E lembre-se, quando ele perguntar sobre esse "Mestre" que você seguia, fale tudo e não omita nada. Precisamos da confiança do Jin, ele é muito importante para o Hoseok e para nós.

Jun concordou com ele e o seguiu para a porta. Ele achava incrível como Woozi estava comando a situação e em como ele pensava nos mínimos detalhes. Próximo passo era se aproximar de Jin e conseguir, ou mesmo tentar, obter sua confiança.

****

O cheiro de café no ambiente era delicioso e tentador. Estava tão quente e confortável aquela cadeira, na cafeteira da cidade, que Jin não pensava em sair daquele lugar tão cedo. Ainda remoía em sua cabeça a breve conversa que tivera com NamJoon, estava muito difícil lidar com aquilo. Ele tinha que admitir, era estranha a realidade de saber que NamJoon o havia traído em suas viagens. Ele estava se sentindo um bobo ingênuo.

 

Que ironia..., pensou consigo mesmo. Ele se sentia culpado por nutrir sentimentos por Hoseok e nem sabia que NamJoon o havia traído. Não queria mais pensar a respeito disso, só queria esquecer o que acabara de descobrir. Uma parte de si não desejava fazer aquela pergunta, mas foi inevitável ao olhar para NamJoon, com a expressão de quem escondia algo.

- Seu café está mais frio que o tempo lá fora. - disse Joshua, chamando a atenção de Jin. Desde que chegaram no café, Joshua percebera que Jin estava perdido em pensamentos e sequer tocara na xícara de café a sua frente.

- Não quero beber café, tem chá? - Deu um pequeno sorriso para Joshua, que somente suspirou com sua pergunta. - Desculpe, não estou com cabeça para beber café.

- E por que marcou o encontro na cafeteria, se não gosta de café? – perguntou, bebericando um pouco do seu café. – É muito bom.

- Senti vontade de olhar um pouco para a cidade. - falou olhando pela janela de vidro que cobria, do chão ao teto, a parede da loja. Dessa forma dava para ver os transeuntes do outro lado da rua, cada um com sua vida e com suas preocupações. - Daqui dá para ter uma boa visão, além do café ser muito bom.

- Isso vindo da pessoa que nem tocou na xícara. - O feiticeiro revirou os olhos e voltou sua atenção para a rua, em especial para duas pessoas que se aproximavam da cafeteria. - É ele?

- É ele mesmo. - respondeu Jin olhando para Jun, ao lado de Woozi. - Nunca pensei que fosse vê-lo novamente depois daquele dia.

- Hora de tirar todas suas dúvidas a limpo sobre ele e esse tal de Mestre, duvido muito que ele vá te negar informação nesse momento. Os dois me parecem muito interessados em Hoseok. - Jin balançou sua cabeça, concordando com Joshua. Realmente aquela era a hora de investigar a fundo quem realmente era Jun e de onde ele conhecia Hoseok.

Jin observou pela janela os dois se aproximando e entrando no recinto, Woozi, com aquele sorriso tranquilo, e Jun, o mais sério possível. Ambos foram até eles e fizeram uma rápida reverência e Woozi estendeu a sacola de papel vermelha para Jin.

- O que é isso? - perguntou Jin, pegando a sacola das mãos do outro.

- É um presente para o Hoseok. Ele está bem? - perguntou Woozi, sempre com aquele sorriso suspeito para o mais velho.

- Obrigado e sim, ele está bem. – respondeu, colocando a sacola no chão ao seu lado. – Sentem-se, e vamos começar logo essa conversa. Não estou com a cabeça muito boa hoje. - Os dois assentiram e se sentaram à frente deles. Jin voltou o olhar rapidamente para Jun, que não desviou do mesmo. - Acho que começa com você, que tal me dizer agora de onde você conhece o Hoseok. Na verdade, de onde vocês dois o conhecem? - Ambos se entreolharam e depois se voltaram para Jin.

- Bem, eu nunca cheguei a ver o Hobi em pessoa, até uns dias atrás. - começou Jun.

- Mas você me parece que o conhece muito bem, até o chama de Hobi. Por que?

- Porque foi isso que ele disse quando perguntei qual era o nome dele. - Jin não estava acreditando naquela história. 

O bilhete que encontrara nas roupas de Taehyung, e que entregara para NamJoon, dizia claramente que o ruivo se chamava Jung Hoseok, e não Hobi.

- Vou tentar explicar melhor. – continuou Jun, com o olhar desacreditado de Jin sobre si. - Desde que eu nasci fiquei sob o poderio de alguém que eu apenas conheço como "Mestre", sequer já vi o seu rosto, mas eu sabia que ele era poderoso. Por volta dos meus dezesseis anos, ele me passou a tarefa de alimentar alguém que vivia em um pequeno quarto com estrutura de ferro e guardada por dois seguranças 24hs por dia. Poucas vezes eu consegui falar com essa pessoa, na maioria das vezes ela estava dopada e sempre acorrentada. Eu pensava que era um ser perigoso, e por isso estava preso daquela forma. Mas um dia escutei a voz fraca dele, quando tinha acabado de passar o alimento pela pequena janela da porta, e tenho certeza que ele tinha dito que o seu nome era "Hobi". Os seguranças daquele dia não pareciam se importar se eu conversava com ele. Na minha opinião acredito que eles sentiam pena dele. Sempre que eram aqueles dois seguranças, eu conseguia conversar um pouco com ele, mas nunca vira seu rosto.

Fez-se um silêncio estranho na mesa enquanto todos absorviam aquela história. Até Woozi estava impressionado com o que o outro dissera. Para que fazer isso com Hoseok? Ele pensava consigo e se lembrou das palavras de Akane.

“Por poder, as pessoas se tornam verdadeiros monstros. ”

- Trancado em um quarto de ferro e acorrentado? -perguntou Jin, cortando o silêncio em que estavam, Jun assentiu para sua pergunta e não escondia a tristeza ao se lembrar daqueles dias. - Por que? – fez a pergunta que todos queriam saber a resposta.

- Não faço a mínima ideia, o Mestre nunca contou para ninguém. Só sabíamos que o Hoseok era extremamente importante para ele. Até queria o corpo dele, pensando que o mesmo deveria estar morto quando passou um tempo na sua casa. Eu não entendia nada, apenas seguia ordens porque tinha medo de morrer.

Jin assentiu ao ouvir a última parte do que Jun dissera. Não o culpava por sentir medo, era algo natural, principalmente quando se estava sozinho.

- Fiquei impressionado quando percebi que ele ainda estava vivo. - comentou Jin, depois de um tempo calado.- Mas algo não está certo, se o Hoseok é tão importante assim para esse tal de "Mestre", por que ele foi parar na porta da casa dos vampiros? - Jun negou com a cabeça, dizendo que não sabia e não sabia mesmo, isso sempre fora um mistério para ele. - Tem certeza disso?

- Absoluta, não faço a menor ideia de como o Hoseok saiu daquela... prisão. Eu tinha sido encaminhado para trabalhar em outro lugar. Depois de mais ou menos umas três semanas, eu me lembro de ouvir dos outros empregados que o Mestre estava furioso porque algo importante para ele havia sumido. Ele me chamou e me passou a tarefa de ir atrás do corpo do Hobi, que depois descobri se chamar Hoseok. Fiquei triste ao pensar que ele pudesse estar morto, mas ao mesmo tempo... um pouco feliz. - Os três se espantaram com as palavras de Jun.

- Por que você ficaria feliz se o Hoseok morresse? - Jin não escondeu a raiva na voz.

- Porque morto, ele estaria de certa forma livre e não sofreria mais nas mãos do Mestre. Vocês podem pensar que eu sou cruel ao pensar isso, mas eu já ouvi o Hobi pedir para morrer. – Jin ouviu aquilo e recordou rapidamente o que Hoseok havia dito na banheira, enquanto chorava em seus braços. O ruivo queria morrer, provavelmente porquê a dor o fez se lembrar do tempo em que ficara preso, assim pensava Jin e estava verdadeiramente certo. - Ele não aguentava mais sofrer preso naquele lugar, e preferia morrer para que seu sofrimento acabasse.

O silêncio voltou a pairar no ambiente. Jin não queria acreditar em Jun, mas a história dele parecia verdadeira demais. Até se arrependeu de ter deixado Hoseok trancado no quarto. Nunca mais voltaria a fazer aquilo novamente, prometeu para si.

- Jin? Acredita no que ele disse? - perguntou Joshua ao seu lado, e Jin voltou a encarar os dois a sua frente.

- A história me parece verdadeira, mas o que vocês dois querem realmente com o Hoseok? Levá-lo para esse Mestre? - Os dois negaram veemente com a cabeça. - Então para quem?

- É para uma pessoa que só quer o bem do Hoseok. - Woozi tomou a palavra. - Além disso, Jun não trabalha mais para esse Mestre.

- Hum... como vou saber que vocês estão falando a verdade? – perguntou, cruzando os braços e respirando fundo. Aqueles dois estavam escondendo alguma coisa muito importante, Jin e Joshua perceberam isso.

- Nos dê um voto de confiança e vamos te ajudar com o problema da falta da família do Hoseok. – disse Wooozi. -Temos o apoio de um feiticeiro muito influenciador no Conselho e os documentos estão sendo feitos.  Já está tudo em andamento, agora só precisamos da sua permissão para dar continuidade. Você será o responsável em primeira estância do Hoseok e haverá um segundo.

- Que segundo? - perguntou se aproximando do pequeno, que permaneceu com um sorriso confinante.

- Do KyungSoo. – respondeu, simplista notando a expressão de espanto dos dois a sua frente.

- Que!? Está brincando com a nossa cara?! - a pergunta, em tom um tanto elevado, veio de Joshua. Todos os feiticeiros, e outros seres sobrenaturais, conheciam a fama internacional de KyungSoo e saber que ele estava do lado deles era extraordinariamente estranho, mas ao mesmo tempo fantástico, Joshua admitia. - Por que ele?! Você o conhece?!

- Joshua, acalme-se. - disse Jin para o feiticeiro em estado de choque, o mesmo respirou fundo e concordou. - Por que ele está do nosso lado?

- Porque trabalhamos para uma pessoa em comum.

- A que quer o bem de Hoseok? - Woozi assentiu à pergunta de Jin. - Porque não me falam quem é essa pessoa? Para que tanto mistério?

- No momento ela pediu segredo sobre sua identidade. Ela disse que se certas pessoas souberem quem é ela o negócio pode se complicar para Hoseok e nós não queremos isso, queremos?

- Certas pessoas? - Woozi voltou a assentir. - Vocês sabem o que Hoseok é de verdade? - Os dois negaram com a cabeça. - Têm curiosidade de saber? - Três concordaram naquela mesa, e Jin olhou para Joshua.

- O que? Quem é que não quer saber? – disse, visivelmente indignado com o olhar de Jin sobre si. - Agora que um dos maiores feiticeiros está no meio disso só atiçou mais ainda minha curiosidade.

- Tenho que concordar com você. Essa história está ficando um pouco estranha. O que vocês ganham me ajudando a ficar com o Hoseok? - perguntou Jin, se voltando para os dois.

- Simplesmente impedimos que o Conselho dos Vampiros o leve para longe. Além disso, você é o único naquela casa que não o machucaria, e cuida dele.

- Está errado. Nem todos naquela casa são "maus" como todos pensam. - falou pensando nos dois que nunca machucaram Hoseok. Os mais novos eram os mais sentimentais dentre os quatro e isso era bom no momento, concluiu Jin. - De qualquer forma, eu entendi o que você quis dizer. Eh...o que você acha Joshua? - O feiticeiro levou um leve susto com a pergunta. - Dá para confiar neste KyungSoo?

- Ah... no momento é nossa melhor aposta. E ele não é do tipo que subiu até o topo passando por cima das pessoas, pelo que eu ouvi falar creio que dá para confiar. Faça isso pelo Hoseok, eles parecem querer realmente ajudar. 

 Jin concordou com o outro.

- Pelo Hoseok, estou confiando em vocês. – disse para os dois.

- Muito obrigado Jin, você não vai se arrepender por isso. - disse Woozi sorridente. 

Seu plano estava dando certo e ele sabia que Akane ficaria feliz por isso. Conseguir a confiança de Jin era só o primeiro passo para que o mesmo tirasse Hoseok daquela casa por conta própria.

Era só questão de tempo.

****

- O que aconteceu Jin? Você está estranho hoje. - disse Joshua, assim que saíram da cafeteria, deixando os outros dois do lado de dentro tomando um cafezinho quente. Estavam despreocupados, Jin percebera ao olhar para os dois pelo vidro. Não confiava totalmente neles, mas como Joshua havia falado, era a melhor aposta que tinham naquele momento. E tinha que admitir que era uma aposta muito boa. - Jin?

- Hã? - Se voltou para Joshua. - Disse alguma coisa?

- Sim, eu perguntei o que aconteceu com você.

- Nada...demais. - respondeu balançando o sacola vermelha em sua mão. Esperava que Hoseok gostasse daquele presente, na verdade ele sabia que ruivo ia gostar do presente que o “gatinho” lhe mandara.

- Nossa Jin, aprenda a mentir antes de falar comigo. Está na cara que aconteceu alguma coisa. Me conte, quero te ajudar.

Jin olhou para o céu, pensando se deveria contar o que estava guardando dentro de si desde que falara pela última vez com NamJoon. Ele tinha que contar aquilo para alguém, e por quê não para o seu amigo?

- É que... - engoliu em seco, tentando escolher as palavras certas. Sua garganta estava embolando naquele sentimento sufocante de segurar o choro, mas ele respirou fundo e segurou. - De vez em quando acho que eu sou um idiota ingênuo.

- Por que pensa assim?

- Antes de vir para cá tive uma conversa com o NamJoon. Não chegou a ser uma conversa realmente. Eu estava me sentindo péssimo por ter sentimentos pelo Hoseok e eu contei para o NamJoon sobre isso, e ele não pareceu se importar. Eu pensei comigo, "Não mereço esse homem, ele é bom demais para mim". - usou um tom, um tanto excessivo, ao dizer a última frase, o que fez Joshua rir um pouco. - Ok, aí falei comigo novamente, " Vou negar o que sinto pelo Hoseok e isso vai passar", simples assim.

- Passou? – perguntou, como se não soubesse da verdade.

- Você acha que eu não escutei você e o Jackson? - Joshua não soube o que dizer. - É, eu escutei vocês e não, meus sentimentos pelo Hoseok não mudaram.

- Os vampiros não se importam com isso? – perguntou, não escondendo a curiosidade e pensou em como Jackson iria gostar dessa conversa, era realmente interessante.

- Hm.... um deles já me ameaçou de morte, e realmente tentou me matar, mas os outros nada falaram. E eu sei que tem um deles que incentivou o Hoseok a se aproximar mais de mim.

- Sério? - Jin assentiu com um pequeno sorriso. - Que família estranha. Mas o que você conversou com o NamJoon para te deixar dessa forma?

- Sim, é uma família estranha, mas certos comportamentos têm que ter fundamento. Ontem, eu e o Hoseok... você sabe. - disse rapidamente e o feiticeiro concordou. - E eu não sabia como abordar esse assunto com o NamJoon, porque é claro que ele sabia. Ele mesmo falou que não se importava sem ao menos eu ter dito alguma coisa.

- Realmente ele é um cara muito bo...

- Até eu perguntar se ele já havia me traído e ele responder com um silêncio que dizia muita coisa. - Joshua fechou a boca sem reação. - E eu disse que não me importava, mas estava mentindo. Eu me importo sim! Você sabe quantos caras vieram atrás de mim? Vários. Um deles foi o Jackson e convenhamos que o Jackson é muito bonito e um cara muito legal. Até o irmão dele, Suho, já me passou várias cantadas, ele é um cara interessante, mas um completo idiota. E o que eu fiz? Rejeitei todos eles por causa do NamJoon. E o que ele fez enquanto eu ficava naquela porcaria de casa correndo o risco de ter minha cabeça cortada?! Estava por aí me traindo!

Algumas pessoas observavam o rapaz de cabelo rosa quase gritando na rua. Jin estava com raiva de si e com raiva do NamJoon, e nem percebeu que suas palavras saíram altas e apressadas.

- Entendi... - disse Joshua, batendo levemente no ombro de Jin. - Se sente melhor agora que desabafou?

- Não imagina como.... – disse, respirando calmamente. - Muito obrigado por me ouvir.

- Não tem de que. Eu e a cidade estamos aqui para te ouvir sempre que precisar. - Fez o outro rir com o seu comentário. - Vai perdoá-lo?

- Não quero pensar sobre isso agora. Estou mais preocupado com Hoseok, deixei ele trancado no quarto.

- Por que fez isso?

- Para que ele não fosse atrás dos garotos e depois de ouvir a história de Jun, me arrependo muito de ter feito isso. - Joshua concordou. - Acho que eu deveria fazer alguma coisa para compensá-lo, ontem foi um dia muito ruim para ele. Não só ontem, mas em outros dias também. - falou reparando novamente no presente em sua mão, seu olhar foi em direção a uma loja específica do outro lado. - Me empresta seu celular e seu cartão de crédito. Deixei meu celular com um dos garotos e esqueci meu cartão no quarto.

- O celular eu entendo, mas para que você quer meu cartão de crédito? - disse Joshua, retirando o celular do bolso e entregando para Jin que apenas apontou para a loja do outro lado. - Ah, sério? - Jin afirmou com a cabeça estendendo a outra mão para ele. A contragosto, Joshua pegou sua carteira em seu bolso e lhe entregou o cartão. - Não gasta muito, por favor?

- Não se preocupe. Eu até te convidaria e eles também. - Apontou para os dois na cafeteria. - Mas agora os vampiros estão basicamente despreocupados e poderiam machucar um de vocês, então...

- De qualquer forma obrigado pelo "convite". Essa sua ideia é muito boa e espero que se divirtam.

- Sim, isso vai ajudá-lo a se esquecer um pouco do que aconteceu com ele e também vou esquecer um pouquinho do que acabei de descobrir.

- Assim espero. – falou, o observando digitar rapidamente em seu celular e colocar no ouvido.

- Tenho certeza que ele vai gostar. Vá até Woozi e fale para ele passar a data de hoje para a pessoa que está fazendo os documentos do Hoseok. – Joshua assentiu enquanto observava o outro fazendo a ligação, e pensando em como Jin era um cara incrível.

 

******★******

 

Agora, na sala do piano, Yoongi observava os três a sua frente e em especial Hoseok. O ruivo trajava um uniforme de empregada doméstica preto e branco, um tanto curto, deixando amostra boa parte da sua coxa. O vampiro não escondia o desejo que estava sentindo pelo outro, e se lastimava por não poder tocá-lo e morder aquela pele macia e se deliciar com aquele sangue maravilhoso. Só tinha que ter um pouco mais de paciência, assim como os outros que sentiam o mesmo que ele.

- Tudo limpo e arrumado? - perguntou para os três, que assentiram. - Ótimo, não façam mais isso. Se querem destruir alguma coisa que destruam o quarto de vocês, estamos entendidos?

- Sim, irmão mandão. - disse Jimin, cruzando os braços demostrando tédio. - Mais alguma coisa?

- Sim, subam para o quarto de vocês, tomem um banho e troquem de roupa. Depois quero que Jimin e Jeon arrumem a mesa para o almoço.

- As três da tarde? - disse JungKook, olhando para o relógio, redondo e antigo, na parede. - E desde quando usamos aquela mesa? Ela só é usada quando tem visitas, alguém está vindo para cá?

Yoongi suspirou alto, olhando para seus irmãos pacientemente.

- Ninguém vai vir, é para outra coisa. Vocês vão ver, só façam o que eu mandei, rápido. - Os dois vampiros se moveram para sair da sala, mas Hoseok permaneceu parado, no mesmo lugar. – Ruivinho, algum problema? 

- Sim, eu não tenho um quarto. – respondeu, sem desviar do olhar de Yoongi que ficou surpreso ao ouvir suas palavras.

- Sem problemas, tome um banho no quarto do Jin e use alguma roupa dele. Entendeu? – Hoseok assentiu. – Agora sumam.

Os três saíram da sala, o deixando pensar na atitude diferente de Hoseok. Era notável a mudança na personalidade dele, já não parecia deixar sua consciência mais restritiva. Ele parecia pensar por conta própria agora. Isso era bom ou ruim? Yoongi se perguntava o mesmo que JungKook. O vampiro tinha que avaliar a situação para não deixar as coisas irem por um rumo ruim e a peça fundamental estava quase chegando.

Enquanto os outros estavam se preparando, ele levou o piano até a sala de jantar. 

Era um dia especial, que tinha que ter uma música especial, tocada por alguém especial, vulgo Min Yoongi, e que agradecia profundamente por não perder seu amor pelo piano. Uma parte dele sentia falta das grandes plateias o aplaudindo. Eram tempos inesquecíveis, em que ele queria retornar, mas tudo acabou quando o mesmo cometeu aquele crime. Não era diferente dos outros três. Todos estavam presos naquela casa porque cometerem crimes seríssimos contra o Conselho ou contra a humanidade.

 Pobres pecadores esperando a libertação.

- Você vai tocar para nós? – perguntou JungKook, entrado na sala acompanhado de Jimin.

- Sintam-se privilegiados. – disse Yoongi, tocando em uma tecla enquanto pensava no ritmo da música. – Não é o que estou acostumado a tocar, sequer já toquei isso na vida, mas vamos lá. – Ele tocou alguns notas, tentando entrar no ritmo da música.

- Espera, isso é.... – Jimin ia falar, mas fora interrompido por alguém abrindo a porta lá embaixo. 

- A ideia foi totalmente do Jin, interroguem ele. – Em alguns minutos, Jin apareceu na porta da sala com uma pequena caixa em uma mão e a sacola vermelha na outra. Ele estava visivelmente contente com algo. – Deu certo o que você foi fazer?

- Mais que certo, perfeito, impossível. – respondeu, colocando as coisas na mesa. – Como vocês estão?

- Bem...- respondeu JungKook, estranhando o comportamento do mais velho. – E você Omma, está bem?

- Estou ótimo. O Hoseok ainda está no quarto? – Jimin e JungKook negaram. – Não, quem tirou ele do quarto?

- Eu o tirei para respirar um pouco de ar lá fora. – JungKook mentiu, pois não queria que o sorriso do mais velho se tornasse preocupação. Era bom vê-lo daquela forma, um tanto despreocupado.

- Fico feliz que tenha feito isso. – disse retirando um pequeno bolo ,com glacê vermelho e branco da caixa. 

- Hoje é aniversario do Hoseok? – perguntou Jimin, observando o bolo como os outros dois.

- A partir de hoje, sim. – disse Jin, colocando três velinhas brancas em cima do bolo. – Vocês nunca me falaram a data de aniversários de vocês, então nunca preparei nada. Isso é só para acalmar um pouco a atmosfera da casa depois do que aconteceu ontem. – Os três concordaram com suas palavras. – Me pergunto quantos anos vocês têm. 

- Muitos anos, pode ter certeza. – disse Yoongi. – Prepararem-se, o ruivinho está descendo a escada. 

- Eu vou buscá-lo, quando entrarmos comecem a cantar. – Jin falou, se retirando da sala.

- Eu esqueci como é a letra. – comentou JungKook baixinho no ouvido do Jimin, o fazendo rir.

****

Jin observava Hoseok descer da escada em passos lentos, o mesmo estava com o cabelo bagunçado e molhado, usava uma calça preta e uma blusa social cinza, os pés descalços. Estava tão concentrado em abotoar os botões da blusa, que não percebeu o mais velho aos pés da escada.

- Hoseok. - Jin o chamou. Hoseok levantou a cabeça e sorriu para ele, descendo os últimos degraus às pressas e se jogando nos braços do outro, que correspondeu ao abraço.

- Por que me trancou no quarto? - perguntou Hoseok, se afastando um pouco, mas sem tirar seus braços do pescoço do mesmo, o encarando.

- Me perdoe, não vou mais fazer isso. – respondeu Jin puxando o ruivo pela cintura para mais perto dele.

- Entendi... - disse selando várias vezes os lábios do mais velho, até engatar em um beijo, que de primeira começou calmo e sem muita malícia, até se intensificar em algo mais necessitado e urgente a cada contato entre as línguas. Pela primeira vez Jin estava com Hoseok sem sentir culpa ou qualquer peso na consciência, e convenhamos que ambos estavam gostando disso. Tornava as coisas mais quentes.

- Gosta...- Jin falou parando um pouco o beijo, sem afastar Hoseok de perto, esse que tinha um pequeno sorriso nos lábios ao olhar nos olhos do outro. - de surpresa?

- O que é surpresa?

Jin riu da pergunta do outro.

- Você verá. – disse, o virando para frente e colocando as mãos sobre seus olhos. - Um passo de cada vez. - Jin o guiou até a sala de jantar, onde os três vampiros estavam esperando. Yoongi começou a tocar no piano e os outros dois começaram a cantar. Na verdade, só Jimin se lembrava da letra, JungKook apenas bateu palmas com um sorriso constrangido para Jin que lhe sorriu e tirou as mãos dos olhos de Hoseok.

- Saengil chukhahamnida. Saengil chukhahamnida. Sarangha-neun Jung Hoseok. Saengil chukhahamnida. - todos batiam palmas e Hoseok os acompanhou, mas pela expressão meio perdida dele, dava para perceber que o mesmo não estava entendendo nada.

- Sae-saengil...- tentou falar, com visível dificuldade. - Hum...O que é isso? - apontou para o bolo na mesa com as velinhas acesas.

- É seu aniversário e estamos comemorando. - disse Jin, olhando para a expressão confusa de Hoseok. - Você sabe o que é aniversário? – perguntou, virando de frente para ele, o mesmo negou com a cabeça e isso fez Jin se perguntar por quanto tempo ele ficou preso e o que mais ele não sabia sobre o mundo. - Aniversário é uma data onde comemoramos o nascimento de uma pessoa especial para nós todo ano. Agradecemos por ela ter nascido e a felicitamos.

- Eu nasci hoje?

- Mais ou menos isso. - Jin respondeu, abrindo o presente que Woozi dera para Hoseok, um cachecol preto e uma tiara com orelhinhas de gato. Jin não entendeu o segundo presente, mas não falou nada. Pegou o cachecol e deu duas voltas com ele no pescoço de Hoseok e o amarrou. - Um presente que Woozi mandou para você.

- O gatinho? - disse Hoseok, cheirando o cachecol. - Obrigado. - Jin pegou a tiara e colocou na cabeça dele, o vendo tocar nas orelhinhas.

- Eu também quero dar meu presente. - disse Jimin. - Mas vou esperar poder te tocar. - Hoseok assentiu.

- Igualmente. - disse JungKook.

- A minha presença já é o melhor presente neste recinto. - Yoongi se gabou recebendo um olhar impaciente dos irmãos. - Por acaso estou mentindo, ruivinho? - Hoseok negou com a cabeça. – Viram? Ele sabe reconhecer a verdade.

- Certo, agora assopre as velas e faça um pedido. Pode ser qualquer coisa. - Hoseok se abaixou e soprou as velinhas com seu pedido em mente. Não um pedido para si, mas para os outros. - Parabéns, Hoseok! - Jin o abraçou forte, o mesmo correspondeu.

- Nunca senti tanta inveja na minha vida como estou sentindo agora. - comentou JungKook, abraçando a si mesmo ao olhar para os dois abraçados a sua frente.

 Jimin percebeu o que JungKook disse e o abraçou por trás.

- Só mais um dia. Também quer um abraço, irmão? - perguntou para Yoongi, sentado na cadeira do piano. Os irmãos perceberam que ele tinha um olhar estranho para Jin e Hoseok.

- Não, vou dar um abraço no Taehyung, ele sim precisa – brincou. - Me acompanhem até a porta da biblioteca. - Ele se levantou, seguindo até a porta, mas parou ao lado dos dois abraçados. Hoseok estava cantando baixinho com os olhos fechados e a cabeça apoiada no ombro de Jin, o mesmo abriu os olhos e olhou para o vampiro com um pequeno sorriso. - Meus parabéns e que possamos passar muito tempo juntos. - Yoongi notou que Jin apertou os braços em volta do corpo de Hoseok, ao ouvir suas palavras e isso só confirmou algo que ele estava pensando. - Com licença.

Saiu da sala sendo seguido por seus dois irmãos, um tempo depois dos mesmos falarem rapidamente com Hoseok e Jin.

 Seguiram em silêncio pelo corredor e pararam em frente à biblioteca.

- Se os dois amam a Ommazinha de vocês agora, sugiro que multipliquem esse amor por mil. – falou, olhando para os dois que se entreolharam sem entender suas palavras. - Sinto lhes informar que o casalzinho que vocês chamam de pais não está em uma situação muito boa.

- Eles brigaram? - perguntou JungKook, visivelmente preocupado.

 Pensar que NamJoon e Jin pudessem se separar o deixava em pânico.

- Não, eles não brigaram. Mas Jin descobriu algo que eu já suspeitava do Appa, sua infidelidade. Ele disse que estava tudo bem, mas eu tenho lá minhas dúvidas sobre isso.

- Você acha que ele pode ir embora? - perguntou Jimin.

- Sim e não. E se ele for embora podem ter certeza que ele dará um jeito de levar o ruivinho com ele. - Os garotos ficaram desconfortáveis ao ouvi-lo, era um fato que realmente poderia acontecer e eles não gostavam dessa ideia. - Mas ele ficará por vocês dois. – disse, batendo com o chicote na cabeça deles.

- Ai! Pare de fazer isso. - reclamou JungKook, passando a mão em sua cabeça. - Ainda não entendi o que você quer dizer.

- Simplesmente que fiquem de olho no Jin e demonstrem mais amor por ele. Vocês dois podem fazer isso. Se dependesse de mim e do Taehyung, Jin teria levado Hoseok para longe a muito tempo, mas graças ao sentimento que ele tinha pelo Appa, e por vocês dois, ele não fez isso. Agora não temos mais o Appa na história e sobrou para vocês dois o manterem aqui. Entenderam?

- Sim. - Jimin respondeu e JungKook concordou com ele. - Nem o Jin e nem o Hoseok vão sair desta casa.

- Isso mesmo irmãozinhos. - disse Yoongi, se virando para a porta da biblioteca. - Agora eu vou falar as novas para o Taehyung e conversar sobre o tempo. Ele é tão divertido. - sorriu debochado enquanto adentrava o cômodo, fechando a porta atrás de si e deixava os outros dois com seus pensamentos sobre o que acabaram de ouvir.

 

******★******

 

- Que disparate! Eu teria negado até a morte. - dizia Suho, ao lado de NamJoon no corredor de sua casa, o levando para um quarto de hóspedes. Ele deveria aconselhá-lo ou consolá-lo, mas como um "ótimo" irmão mais velho, não estava ajudando em nada. - Que vergonha, NamJoon. Você não merece o Jin, ele estaria bem melhor comigo. - NamJoon parou de andar e prensou seu irmão na parede o segurando pelo colarinho do terno, o mesmo apenas riu. - É brincadeira, irmãozinho.

- Você fala demais. – disse, o soltando e voltando a andar. - Cadê o Baek? Ele já voltou?

- Não, a vergonha da minha família ainda não retornou. Parece que terei que tomar medidas drásticas, de novo. Vou ligar para a minha secretária e mandá-la bloquear todos os cartões que ele usa. Se ele estiver com o amigo dele, um pobre coitado de bom coração, demorara uns dois dias para chegar. Se estiver sozinho, virá correndo.

- Entendo. Tenho que marcar um encontro com um integrante do Conselho e você vai me ajudar com isso.

- Deveria? – perguntou, parando a frente da porta de um dos quartos.

- É sua obrigação como meu irmão, você tem que me ajudar como eu te ajudei várias vezes. - Suho bufou, mas admitia que era verdade. Quando NamJoon era integrante do Conselho o ajudara a sair de muitas encrencas, agora era a hora de pagar.

- Só se você me contar o que está acontecendo na sua casa. – disse, abrindo a porta do quarto para o outro.

- É uma longa história. - NamJoon falou, entrado dentro do quarto.

- Acredite irmãozinho, nós temos muito tempo. - respondeu fechando a porta atrás de si, pronto para uma longa noite de relatos que o fariam querer acabar com a raça do filho, se ele estivesse envolvido de alguma forma com aquela história.

 

******★******

 

O carro corria a mais de 100 Km/h em direção a cidade. Os cinco passageiros gritavam ao som do Hip Hop de palavras ofensivas que tocava alto no carro. Estavam indo cumprir uma missão da qual outros não voltaram para dizer se conseguiram cumprir. Da mesma forma seria com eles. E eles também não retornariam com a missão cumprida, sequer retornariam.

O motorista estava com a cabeça para fora do veículo observando a noite, enquanto o vento passava por seu cabelo descolorido. Ele foi o único que conseguiu perceber que tinha algo se movimentando na floresta, esse algo parecia seguir o carro em alta velocidade. A fronteira para entrar na cidade estava a menos de dez quilômetros.

Eles estavam perto, mas não chegariam a passar por ela.

- Cuidado! - o outro rapaz gritou do banco ao lado do motorista, quando este olhou para frente só teve tempo de visualizar um silhueta escura que movimentou sua mão levemente para a direita e algo bateu no carro, o fazendo voar para dentro da floresta. O veículo capotou diversas vezes até ser parado por uma árvore. - Porra, o que foi aquilo?!  - perguntou o rapaz desesperado, tentando tirar o sinto de segurança. Os outros quatro no carro estavam tossindo e sangrando.

- Temos qu...- o motorista ia falar, mas foi interrompido quando um galho afiado da árvore perfurou sua garganta.

- Droga! Droga! Droga! - o rapaz, que estava no meio do banco de trás, entrou em pânico. - Kyung, faça alguma coisa?! - falou com o rapaz a frente que estava boquiaberto, vendo seu amigo ser perfurado diversas vezes pelos galhos até morrer de uma forma horrível. Era um humano, não sobreviria de qualquer forma.

- Temos que sair daqui! – Kyung saiu de seu torpor e tentou abrir a porta do seu lado, os outros também tentaram, mas foi em vão. - Que merda é essa?!

- Kyung, as árvores! - Kyung engoliu em seco e olhou pelo para-brisa. Quatro árvores enormes estavam cercando o carro e os impedindo de abrir a porta. - Acho que é por isso que ninguém está voltando. - falou baixinho, sem fazer muito movimento.

- Temos que avisar para o Mes... - o rapaz do meio, outro humano, nem teve tempo de terminar sua frase ao ter seu corpo partido ao meio por um galho grosso, que destruiu o teto do carro e o atingiu. Os dois ao seu lado ficaram em estado de choque quando, cada parte do corpo do corpo dele escorregou em cima deles, os sujando de sangue e órgãos.

- Somos mercenários e não vamos ter medo de um bando de árvores ridículas! – Ele, Kyung, estava se tremendo de medo, mas não iria admitir na frente dos seus companheiros. Ali, ele era o superior e mesmo diante da morte teria que passar essa aura de superioridade para os outros. - Eu vou quebrar o vidro dessa porra e vamos sair daqui. Iseul e Yejon! Estão me ouvindo?! - Apenas um, Yejon, acenou levemente com a cabeça, o outro, Iseul estava literalmente se borrando de medo. Sua calça estava visivelmente suja de merda e o fedor estava preenchendo aquele pequeno cubículo. - Droga Yejon! Que merda você fez?!

- Kyu...yung.- Iseul o chamou, apontando para a frente.

Kyung olhou para o para-brisa, onde uma silhueta negra se encontrava, o encarando. Não tinha forma sólida, parecia um vulto flutuando na escuridão enquanto observava os três que sobraram no carro.

- Que desgraça é você?! Espere eu sair daqui para quebrar a sua cara! - Kyung gritou em fúria, socando o para-brisa o rachando, mas parou quando viu o ser a sua frente levantar a mão e negar com o dedo indicador para ele, depois abriu a mesma e fez um gesto para cima.

O carro foi levantado, rapidamente, por uma das árvores, a mais de dez metros do chão. Os restos dos corpos, dos mortos foram parar na parte da frente do carro, sujando o para-brisa completamente de sangue e entranhas.

- Eu não quero morrer, eu não quero morrer, eu não quero morrer, eu não quero morrer, eu não quero morrer...-  Yejon falava freneticamente, abraçando com força o banco da frente. Iseul abraçava a si mesmo, já sabendo o que aconteceria em seguida. Ele nunca esperara que fosse morrer de tal forma, por um desconhecido. Pelo menos a morte dele não seria pior que a dos outros dois, assim pensava consigo.

- Que desgraça é aquele ser? Por que ele está fazendo isso? – Kyung perguntava, empurrando o cadáver para o lado e limpando o sangue do para-brisa, para enxergar o que estava acontecendo lá embaixo. Ficou muito embaçado e vermelho, mas graças a um dos faróis, que ainda funciona, ele conseguiu ver mais ou menos o buraco que estava se abrindo no chão. Ele engoliu em seco e olhou para o ser lá embaixo, que também o olhava. 

Olhos negros o encaravam.

- Kyung, o que ele é? – Yejon perguntou, chorando baixo.

- Não faço a menor ideia. Ele não...- suas palavras foram cortadas quando o ser abaixou a mão e o carro despencou para dentro do buraco. 

O sinto rompeu e fez Kyung bater a cabeça no para-brisa, mas não o matar, por enquanto. Ele escutou um barulho estranho de galhos de árvores, olhou para o lado e viu raízes entrando dentro do carro e se enrolando nele e nos seus amigos, os apertando. Iseul foi sufocado até a morte e Yejon teve sua cabeça arrancada brutalmente. Um lobo e um vampiro, ambos morreram rapidamente. Kyung observou seus amigos morrerem e sem poder fazer nada. Ele ainda tentou pegar seu celular, em seu bolso, mas suas mãos foram quebradas, assim como suas pernas pelas raízes das árvores que estavam prendendo seu corpo, provocando uma dor agonizante e o fazendo gritar para o nada silencioso na floresta. Uma raiz com a extremidade afiada parou a sua frente, ele olhou para outra, que se enroscava em seu peito, e viu rapidamente uma frase ali escrita.

" Irei matar a todos que vierem atrás dele".

Foi a última coisa que Kyung viu antes da raiz entrar pela sua boca, adentrando o seu corpo, e o destroçando por dentro, o levando a uma morte lenta e dolorosa.

Mais um feiticeiro, inexperiente, a mando do Mestre, que morreu com seus capangas.

As árvores se movimentaram para os seus lugares de origem, depois que uma nova árvore surgiu na floresta. O buraco, onde suas raízes cresceram, se fechou rapidamente. Se fez um silêncio, tão apaziguador no ambiente, que ninguém diria que acabara de morrer cinco pessoas ali.

Depois de cumprir seu trabalho mais uma vez, o ser desapareceu no silêncio da floresta.

 


Notas Finais


E aí, como estão amores??? O que estão achando das coisas???
Vamos bater um papo, gosto de saber o que estão pensando rsrs

~~~Eu digo como as coisas estão, elas estão apenas começando...

Bai Bai (*^_^*)


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