1. Spirit Fanfics >
  2. Na arena - Uma fanfic WeiBolin >
  3. O Cristal Reluzente

História Na arena - Uma fanfic WeiBolin - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Olá outra vez! Sei que o intervalo entre o último capítulo e este foi enorme, mas de forma alguma eu abandonei essa fic.
Não tive tempo de me dedicar a fic depois de retornar às aulas, mas nada como a quarentena para nos dar tempo de escrever um pouco para distrair a cabeça de tudo de ruim que está acontecendo aqui e no resto do mundo. Mantenham-se seguros em casa se possível for.
Mas vamos ao que importa. Para compensar, tentei escrever um capítulo um pouco maior e diferente do que vimos até então. É uma noite de diversão para esses três e a apresentação de um lugar interessante para o qual voltaremos no futuro. Espero que gostem e me perdoem pela demora.
Enfim, boa leitura!

Capítulo 7 - O Cristal Reluzente


Sinopse: Bolin e os gêmeos vão ao centro da cidade para comemorar sua conquista. Em um bar onde a juventude de Zaofu se reúne para diversão sem restrições, Bolin acaba conhecendo melhor seu parceiro de treino. Muita diversão e bebida para todos.

-----------------------------------------

Já era noite quando Bolin encontrou os gêmeos na frente da mansão conforme haviam combinado. Em preparação à noite de comemoração, Bolin colocou uma de suas camisas favoritas e havia penteado seu cabelo meticulosamente. Wei e Wing, pela primeira vez que Bolin pudesse se lembrar, não usavam a mesma roupa. No lugar das vestes de Zaofu, os dois vestiam camisas tradicionais de cores distintas. A de Wei era verde escura, e a de Wing, marrom. Bolin ficou surpreso com a facilidade com a qual identificou quem era quem quando não usavam os braceletes, mas era impossível não notar as sutis diferenças entre Wei e o irmão depois de treinar tanto com os dois. Cumprimentou-os e perguntou:

— E então? Para onde vamos? E como vamos?

— Nós vamos a um bar no centro da cidade. Vamos de carro, Wing tirou a carteira de direção ano passado e sabe pilotar um Satomobile. — Wei disse.

Wing tirou uma chave de automóvel do bolso, girando-a nos dedos.

— Pronto pra se divertir, Bolin? Tenho certeza de que você vai gostar do lugar.

— Confio no gosto de vocês, vai ser bom.

Wing passou por Bolin e Wei em direção a um carro estacionado mais a frente, logo no portão de saída da mansão. Bolin e Wei o seguiram. Quando Bolin chegou perto o suficiente para ver o carro, notou que o modelo era um dos mais chiques das Indústrias Futuro. Deu um assobio de admiração e comentou:

— Caramba, vocês dirigem essa máquina aqui?

— Só Wing dirige, mas sim, é nosso carro.

— As vezes me esqueço o quão rica essa família é.

Eles riram e entraram no carro. Bolin foi no banco de trás, com os gêmeos na frente.

— Coloquem os cintos, crianças. — Wing disse antes de ligar o carro e dar a partida.

O aviso era desnecessário, Bolin concluiu enquanto via as luzes e prédios da cidade disparando por fora do veículo. Wing corria a tamanha velocidade pelas vias de Zaofu que ele jamais viajaria com o jovem sem atar muito bem o cinto e rezar por sua vida. A corrida entre ele e Asami seria histórica, sem dúvidas.

— E então, Bolin? O que espera dessa noite? — Wing gritou do banco do motorista.

— Comer e beber muito, o que mais posso esperar?

— Quero dizer, não está pensando em arrumar alguém pra te ajudar a superar Opal?

— Wing, seu imbecil. Isso não é da sua conta e não é pergunta que se faça.

Bolin ficou mal de lembrar do término, mas disparou em resposta, colocando a mão sobre o ombro do amigo:

— Não tem problema, Wei, eu não me ofendi. — Wei se recolheu outra vez no banco. — Respondendo sua pergunta: não, Wing. Eu não estou saindo com intenção alguma de arrumar ninguém. Quero só comemorar.

— Tem razão, desculpe. Foi meio insensível da minha parte, mas só quero te ver bem, cara. Além disso, eu tenho outras intenções para essa noite, se você me entende.

O assunto logo mudou. Wei começou a mostrar para Bolin alguns pontos de interesse na cidade, como a universidade, a biblioteca, a praça central e outros, pontuados por comentários engraçados de Wing sobre cada um deles. Estavam passando pela estátua de Toph, que marcava o epicentro da cidade, quando Bolin disse:

— É incrível como eu namorei Opal por 4 anos e ela nunca me levou por um tour pela cidade. Todo esse tempo tudo o que eu conhecia era a mansão, mas o resto é muito bonito, especialmente à noite. — Era verdade. Antes da meia noite, os domos fechavam parcialmente, formando uma redoma ao redor da cidade, mas mantendo o céu aberto para que a luz da lua e das estrelas pudessem entrar. O efeito resultante era impressionante.

Os três estavam falando sobre times de dominação profissional e outras banalidades quando Wing estacionou em um beco muito suspeito. Não parecia haver muitos estabelecimentos ali, Bolin reparou.

— Chegamos. Vem, Bolin. — Ele disse, descendo do carro. Wei e Bolin fizeram o mesmo.

Os gêmeos se encaminharam para o fim do beco. Não havia nada ali além de uma parede sólida, Bolin pensou.

— Sabe, não te contamos, mas isso não é um bar comum. É um bar secreto, por motivos que você só vai descobrir quando entrar. — Wei disse.

— Sim. É vital que você não conte pra ninguém sobre nada do que vir aqui, ouviu? — Wing completou.

— Claro, eu não vou falar nada. — Bolin gesticulou enfaticamente com os braços e a cabeça, com medo do que veria lá dentro.

Os gêmeos assentiram. Depois, com um movimento fluido de dominação, revelaram escondida sob o solo uma escada para baixo que dava em um longo corredor sem final aparente que seguia pela escuridão, abaixo do que parecia ser o prédio da frente. Wei foi a frente e gesticulou para Bolin, que o acompanhou. Eles pararam logo após o último degrau e esperaram Wing, que desceu e elevou os degraus novamente um após o outro com a dominação, até que estivessem outra vez no mesmo nível da rua e bloqueassem completamente a visão do mundo acima. O breu os engoliu de uma só vez. Bolin não admitiu, mas estava aterrorizado. Para onde esses loucos estão me levando, minha Raava?

— Tudo bem, Bolin? Não fica com medo, é seguro. — Wei disse, colocando a mão em seu ombro. Ele não podia ver o rapaz, mas conseguia sentir o seu sorriso lhe passando segurança.

O medo do escuro durou pouco. Alguns segundos depois, Bolin reparou em pequenas luzes azul-esverdeadas que começavam a brilhar cada vez mais intensamente nas paredes do estreito corredor. Logo, já estava claro o suficiente para ver que o brilho emanava de cristais. O coração de Bolin se aliviou. Wing foi na frente. No final do corredor havia uma porta de metal que ele abriu.

Bolin conseguiu ouvir os sons que emanavam do cômodo adiante muito antes de conseguir ver qualquer coisa que lá havia. Música, música ao vivo. Além da melodia animada e agradável, Bolin conseguia ouvir o som de pessoas conversando, risadas, copos de vidro sendo batidos uns contra os outros em brindes... Quando passou pela porta viu tudo isso e muito mais.

O bar era enorme, apesar do que o corredor estreito e secreto fazia parecer. Assim como do lado de fora, a iluminação do cômodo era feita inteiramente através dos mesmos cristais esverdeados, posicionados como lâmpadas em cada parede, além de um magnífico lustre do mesmo material bem no meio do salão.  Na parede oposta a eles havia um palco com uma banda. Abaixo do imenso lustre ficava a pista de dança, lotada de jovens curtindo o momento. Na lateral direita havia um balcão, onde um barman dominador de água fazia drinks e dominava cubos de gelo em direção ao copo dos clientes, enquanto um dominador de fogo ficava responsável pelos pratos. Mesas e cadeiras estavam posicionadas por perto para quem quisesse sentar-se e comer.

— Bem-vindo ao Cristal Reluzente, Bolin. É o bar mais adorado pelos jovens de Zaofu. Wing, vai pedir algo pra gente e arrume uma mesa. Gostou do lugar?

— Eu achei fantástico, mas não entendi ainda por que precisa ser um lugar secreto. Tipo, eu entendo a fantasia, mas seria mais agradável não pensar que alguém me esfaquearia no escuro pra chegar aqui.

— Oh Ho Ho, olhe direito, Bolin. Aqui é um lugar onde as pessoas vêm pra se divertir como quiserem. Tem de tudo aqui e nem tudo é exatamente lícito ou aprovado pela nossa sociedade conservadora... Nós achamos melhor ter um lugar onde só nós podemos ir, fazer o que quisermos, sem risco de sermos dedurados. É um voto da nossa confiança te trazer aqui.

Bolin entendeu e assentiu. No meio das mesas, Wing estava acenando. Wei puxou Bolin pelo ombro e o levou até a mesa que o irmão guardava. Ele já havia pedido bebidas para eles e alguns petiscos.

— Espero que goste, Bolin. Não se preocupem, eu não vou beber. Sei que tenho que nos levar de volta inteiros e já sou um perigo dirigindo sóbrio. Ah, e não se preocupe em pagar nada. Tudo por nossa conta.

— Obrigado, pessoal.

A comida realmente é ótima, e nunca provei nada como essa bebida. Bolin tomou mais alguns segundos para reparar no que os outros estavam fazendo. Há algumas mesas de distância, um menino fumava um cigarro, parecendo totalmente desligado. Em outra, duas meninas se beijavam fervorosamente. Viu ainda um casal disparar da pista de dança direto para uma escada no canto esquerdo do bar que ele só vira agora, enquanto se beijavam e davam risinhos.

— O que tem lá pra baixo? O banheiro? — Perguntou para Wei, que estava ao seu lado.

Wei riu. — Não, o banheiro fica pra lá. — Apontou para alguma vaga direção. — É mais divertido deixar você adivinhar o que tem lá embaixo. — Riu outra vez e virou a garrafa de bebida nos lábios, de forma provocadora.

Isso aqui é muito diferente de tudo que já vi, mas não parece ruim, Bolin concluiu. Olhou para os cristais luminosos outra vez. A luz que emitiam era suficiente para que pudessem ver uns aos outros e curtir sem se chocarem contra tudo e todos, mas também não afastava completamente a escuridão, fazendo com que uma persistisse, escondendo alguns detalhes das feições das pessoas e aquilo que elas faziam. Tudo era meio turvo. Contribui muito para atmosfera de segredo, acho.

Os três terminaram de comer enquanto jogavam conversa fora. Depois começaram a beber mais. Wei ofereceu um brinde:

— Ao Bolin, por sua conquista em dominar o metal pela primeira vez!

Bolin interferiu e reformulou o brinde:

— A todos nós por nossa conquista. Eu não teria conseguido nada sem o apoio de vocês.

— A nós! — Wing gritou.

Os três conversaram muito sobre os treinos e as próximas etapas do aprendizado de Bolin depois disso. À certa altura, o bar começou a se encher conforme a noite avançava. Certa hora, Wing pediu licença e se afastou para encontrar uma linda garota que acabava de chegar e ir direto para a pista de dança.

— Eles estão juntos já faz algumas noites. Nada oficial, mas acho que ele gosta dela de verdade. — Wei disse, enfiando uns flocos de fogo na boca.

— E você? Não tá esperando nenhuma menina? — Bolin perguntou, também se servindo de alguns flocos de fogo. — Gêmeos não namoram juntos? Você é um cara muito bonito. — Achou melhor complementar esse comentário, não queria ser lido erroneamente pelo companheiro. — Aposto como qualquer uma nesse bar gostaria que você a chamasse pra dançar.

Wei riu outra vez, dessa vez com gosto.

— O que tem de tão engraçado?

Wei parou por um segundo e disse pausadamente:

— Bolin, eu não curto meninas.

Bolin ficou em silêncio alguns segundos, ao que Wei acrescentou:

— Eu espero que você não tenha um problema com isso, ou então te trouxemos pro lugar errado.

— Não! Eu só não esperava que você me contasse isso.

— Então, é. Eu sou gay, sabe. É por isso que gosto de vir pra cá. Ninguém me julga aqui, mas o resto do Reino da Terra pode não ser tão liberal.

— A sua família sabe?

— Sim, não há como esconder segredos em casa. Todos me aceitam. O problema é o julgamento alheio.

— Sinto muito por isso.

— Sem problemas.

— Mas então, que seja. Você é um cara legal e bonito. Por que está solteiro?

— Eu não namoro sério com ninguém há anos, Bolin. Eu fico com um cara ou outro algumas noites, mas ainda não arrumei ninguém com quem eu queira mesmo ficar, entende? Só estou esperando... a oportunidade certa. A pessoa certa. — Wei disse isso olhando fixamente para o amigo, a garrafa repousada na mesa.

Bolin assentiu. Virou sua garrafa e disse:

— Fico feliz que você tenha confiado em mim para me dizer algo tão íntimo.

— Somos amigos, Bolin. Claro que confio em você.

Os dois se olharam longamente. Bolin só conseguia reparar em como a luz esverdeada valorizava os olhos do jovem à sua frente. Sua cabeça, comprometida pelo álcool, o instigava a se aproximar do Beifong, mas o resquício de juízo que ainda lhe restava disse que isso pareceria ser oportunista.

Wei desviou o olhar. O rapaz localizou dois conhecidos seus e apresentou Bolin a eles. Os quatro começaram a conversar. Pelo canto do olho, viu que Wing levava a jovem que acompanhava pela escada misteriosa, também aos beijos.

O resto da noite passou como um flash, e Bolin mal se lembraria depois de tudo o que fizera. Disputou queda de braço com o amigo de Wei e ganhou, disputou com o Wei quem virava mais doses mais rápido, dançou com ele na pista como se não houvesse amanhã, subiu no palco para cantar, abraçou o Beifong se debulhando em lágrimas enquanto cantavam música tristes e outras loucuras.

Quando se deu conta, estava largado em um banco, morto de sono e cansaço. Quando olhou para cima, se deparou com um Wei supreendentemente lúcido e sorridente.

— Vamos pra casa, grandão. Alguém aqui exagerou um pouco na bebida. — Wei o pegou e apoiou um de seus braços em seus ombros. — O bar vai fechar, já vai amanhecer.

Tudo o que se lembrou depois disso foi de ter sido içado pelos gêmeos para o carro. Piscou e já estavam na mansão, com Wei o levando para seu quarto, despindo seus sapatos e camisa, preparando-o para dormir.

— Boa noite, Bolin. Durma bem.

— Boa noite, Wei. Obrigado por me levar pro bar, eu adorei. E... obrigado por cuidar de mim. Eu amo você por isso.

Bolin estendeu a mão para o rosto de Wei e deu dois leves tapinhas nele, como o rapaz fizera com ele certa vez. Totalmente embriagado, ele desmaiou de exaustão outra vez.

Wei sorriu e o deitou na cama. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado e estejam aqui para o próximo capítulo. Prometo não demorar tanto dessa vez.
Como sempre, comentem dizendo o que gostaram ou não gostaram, digam o que querem ver nos próximos capítulos, favoritem a história, o de sempre.
Cuidem-se e até logo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...