História Na Escuridão Vejo As Estrelas - Capítulo 3


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Não Deixe A Preocupação Acabar Com a Sua Esperança


Fanfic / Fanfiction Na Escuridão Vejo As Estrelas - Capítulo 3 - Não Deixe A Preocupação Acabar Com a Sua Esperança

        Já de noite, vou à sala de jantar para, obviamente jantar junto com a minha mãe. Me sento na cadeira, e ela também faz o mesmo.

        -Que cozinheira ela –Eu falo, olhando da sopa de ervilha acompanhada com um pão italiano, que está soltando uma fumaça um pouco quente se espalhando pelo ar, e que faz todos esses fatores combinarem perfeitamente com o clima meio frio da noite, em direção ao rosto dela.

        -Ah, que nada, fiz na maior pressa, mas obrigada! –Ela diz, sorrindo com vergonha para mim, e depois começamos a rir–E como que foi o seu dia na escola hoje?

        -Foi bem, e o seu? Como que foi? –Eu digo, enquanto observo atentamente suas olheiras debaixo de seus olhos, seu cabelo loiro e liso arrumado em um coque muito bagunçado e seu rosto cansado apoiado em um dos seus punhos e da palma de sua mão, olhando em direção ao prato com uma expressão séria e abatida, que veio depois do sorriso que ela tinha dado para mim um pouco antes, brincando com a comida e seus olhos transmitindo uma sensação de que a sua consciência está bem longe.

      -Foi muito bem também –Ela diz, ainda com a seu rosto com uma expressão triste. Eu a olho, com um olhar desconfiado e desafiador, o típico de que ela fazia pra mim quando eu era criança e percebia que eu estava tramando alguma coisa ou mentindo –Na verdade, eu passei essa outra noite em claro, e hoje, quando você foi para a escola, eu fiquei o dia todo vendo TV. –Ela retoma o assunto, só que dessa vez, falando a verdade.

     -É por causa do papai, não é? –Eu falo, olhando diretamente aos olhos dela, fazendo ao máximo pra ela não desviar o olhar, mas de um modo compreensível. Ela assente com a cabeça, fazendo que sim. Ficamos um tempo em silêncio, encarando os nossos pratos com uma cara triste, até que eu decido continuar –Olha, ele pode ter ido embora , mas nós estamos aqui, nós continuamos. Talvez a perda dele até possa... –A minha voz vacila, mas eu sigo falando –Mas as nossas vidas não irão parar ou acabar só porque a de outra se... Foi. –Eu pego a mão dela, enquanto ela me olha com os olhos marejados –Enquanto isso, nós duas iremos fazer companhia uma para a outra, o.k.?

     -O.k. –Ela responde, contendo as lágrimas e dando de ombros, e logo após, damos um suspiro coletivo.

     Nós terminamos de jantar, eu subo para o andar de cima para tomar banho, enquanto ela fica na sala. Só que antes de eu entrar no banheiro, eu recuo e vou em direção à escada, e a vejo ouvindo uma música antiga falhando em algumas partes em um radiozinho antigo e sentada no sofá da sala. Respiro fundo, e digo, com a voz em um tom meio elevado para que ela consiga me escutar melhor por conta do som um pouco alto: -Mãe –Ela olha para mim com uma expressão interrogatória, e logo em seguida, pausa a música, esperando eu continuar falando –Eu te amo. Ela sorri, mas levemente triste ainda, e diz: -Eu também.

       Sorrio de volta para ela, e subo os degraus da escada calmamente, indo de novo em direção ao andar de cima.

 

      Deito na minha cama com tudo, olhando para o teto, e pensando em nada por fora, mas por dentro, em um bilhão de coisas. Estamos tão acostumados a achar que depois que alguém morre, nós realmente perdemos ela, mas acabamos esquecendo às vezes que essa pessoa nunca irá morrer definitivamente dentro da nossa alma, mesmo que nunca mais iremos vê-la respirando e os batimentos de seu coração funcionando na nossa frente.

       Desligo o meu abajur que fica em cima de uma mesa de cabeceira ao lado da minha cama, e acabo adormecendo no meio desse mesmo pensamento. Acho que eu e a minha mãe não iremos sofrer tanto pela falta do meu pai se pensarmos que ele não irá realmente morrer no meio das nossas lembranças e momentos em que passamos juntos.

 

         No dia seguinte acordo umas 11:00 horas, bem mais tarde do que eu pensava que iria acordar.Sento na beirada da minha cama e pego o meu o meu celular. Não tenho nenhuma programação diferente para esse sábado além de desenhar e ler, o que eu costumo fazer normalmente. Até que recebo a seguinte mensagem da Sarah, que foi enviada logo no início da manhã, para a minha surpresa:

Tive uma crise de novo daquelas hoje de madrugada, estou agora no hospital aqui perto da minha casa :(

            Leio a mensagem umas três vezes seguidas para ver se o que eu tinha lido era verdade, nervosa e sentindo meu sangue percorrer mais rápido entre as minhas veias. Da última vez que ela passou mal ao ponto de ter que ficar internada, ela teve uma probabilidade de risco de morte muito grande.

              Levanto da cama o mais rapidamente e me arrumo da forma mais veloz possível, e depois, desço os degraus que dão em direção à sala com pressa. Quando eu começo a abrir a porta para ir em direção ao hospital, sou interrompida da minha cena de seriado de TV de suspense pela minha mãe:

               -Aonde você vai? O que aconteceu? Você não vai nem tomar café da manhã? –Ela diz, com uma expressão claramente confusa em seu rosto.

               -A Sarah. Ela ficou internada de novo, só que agora por conta daqueles surtos. –Eu respondo, já quase atravessando a porta.

              -Meu Deus, que horrível! –Ela fala, com a frase acompanhada de um tom de preocupação –Não quer que eu te acompanhe até lá?

               -Não precisa, obrigada. Eu... Já vou indo –Eu digo, dando um sorriso mais não conseguindo esconder a preocupação no meu rosto.

                Vou indo em direção ao hospital, que por sorte não é muito longe da minha casa, então dava para ir andando. Chegando lá, vou direto na recepção, e depois vou ao quarto que ela está. Abro a porta com cuidado, e vejo a Sarah deitada na maca dormindo, com a sua mãe sentada em uma poltrona ao seu lado, com um sentimento apreensivo em seu rosto.

                -Desculpa, eu não queria atrapalhar...–Eu falo, gaguejando e constrangida, e dando um passo atrás, mas sou interrompida pela mãe de Sarah:

               -Não, tudo bem. Pode ficar aqui com ela, que eu vou sair um pouco para tomar um ar fresco. –Ela diz, se levantando e dando um leve sorriso para mim, com uma expressão calma e triste ao mesmo tempo, e de quem virou a madrugada e a manhã toda preocupada, enquanto ela passa pela porta cuidadosamente, e, logo após, fechando-a devagar.

                Sento na mesma poltrona, e, depois de um tempo, a Sarah acorda. Aliviada, eu digo eufórica, e me inclinando para frente:

                  -Sarah! Você ta bem? –Acompanhada de um suspiro de felicidade no final da frase.

                  -Mais ou menos –Ela diz, com uma voz sonolenta –Eu to com sono. Não consegui dormir bem na noite passada. Sabe, por conta de... Ontem. Eu não quero quase morrer que nem da outra vez.

                 -Você não vai morrer. Quer dizer, a gente não sabe, mas... –A minha voz falha, e ela desvia o olhar desapontada, e eu continuo, dando um sorriso leve –Mas  a maneira que terminar, vai ser a melhor. Disso eu tenho certeza .

                  -Promete? –Ela diz, virando o rosto para mim, preocupada e tentando sorrir.

                  -Prometo. –Eu digo, sorrindo, e levantando o meu dedo mindinho como um sinal de promessa na sua direção, e ela faz o mesmo, retribuindo o sorriso, e fazendo encostá-los logo depois, e pressionando-os ao mesmo tempo.


Notas Finais


Ficou meio curto, mas espero que gostem <3


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