História Na Pele de um Lobo - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ficção, Lobisomem, Lobo, Romance
Visualizações 3
Palavras 2.001
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, queridos leitores.
Sim, eu tive um momento de inspiração súbita e acabei escrevendo isso. Resolvi escrever sobre lobos porque tenho um amor muito grande por essas criaturas e resolvi me imaginar como um. E foi assim que "Na Pele de um Lobo" nasceu. Tudo descrito foi inventado por mim, e tentei escrever da maneira mais fiel e nítida ao que imaginei. Espero que gostem e até as notas finais!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Eu estava estressada. Cansada do trabalho, dos afazeres, das cobranças, das pessoas. Cansada de ser tão pressionada diariamente e trabalhar como se eu fosse uma máquina que nunca se cansa ou tem sentimentos. Precisava me aliviar. Liberar todas essas frustrações. E não havia melhor maneira do que aquela.

Eu dirigia meu carro pela rodovia principal. Um pouco além dos limites do município em que resido, existe uma floresta. Linda, exuberante, cheia de vida e intocada por mãos humanas. O cenário perfeito para meu eu interior se expressar livremente, sem preocupações. Foi com esse pensamento em mente que estacionei meu carro um pouco adentro da floresta, a fim de esconder quaisquer vestígios que pudessem denunciar minha presença ali.

Estacionei o automóvel, abri a porta e inspirei profundamente o ar límpido que agora me rodeava. Céus, a cidade grande não chega nem aos pés desse paraíso. Comecei a retirar minhas roupas, afinal não quero rasgá-las ou algo do gênero, uma vez que preciso de voltar para casa na forma mundana.

Em seguida, deixei que a loba dentro de mim viesse à tona, transformando-me por completo. Quando terminei, senti meu olfato mais aguçado, minha audição hipersensibilizada, minha visão melhorada. Olhei para baixo e vi um par de patas dianteiras. Sorri largamente, deixando à mostra minha nova dentição, muito mais potente que a humana. Uma onda de felicidade perpassou meu corpo inteiro, fazendo-me disparar floresta adentro.

Eu corria. Sentia o vento sobre meus pelos, a grama sob minhas patas e ouvia o cantar dos pássaros me acompanhando. Aquela era minha melhor versão. Livre, destemida, alegre e despreocupada. Corri até chegar ao riacho que cortava a densa folhagem. Aproximei-me da água e olhei meu reflexo. Céus, eu podia ser uma pequena ômega, mas eu amava o que via. Uma loba de pelos castanho-avermelhados e olhos amarelados tão cintilantes quanto o próprio fogo.

Sorri novamente e me inclinei para beber daquela água tão pura, saciando a sede após a corrida. Satisfeita, comecei a andar pela floresta sem um rumo específico, apenas para relaxar e distrair-me um pouco. Eu via esquilos, coelhos e pássaros voando pelas copas das frondosas árvores. Encontrava-me bastante tranquila até que avistei um arbusto com alguns frutos.

Interessada, cheguei mais perto e farejei-os a fim de detectar qualquer tipo de sinal indicando que podiam ser venenosos. Nada. Muito pelo contrário, eles cheiravam extremamente bem e não pensei mais antes de abocanhar um punhado, inciando uma refeição. Os frutos estavam deliciosos e eu continuaria comendo se não tivesse ouvido um barulho estranho.

Imediatamente, parei de comer e me coloquei em alerta, atenta a outros possíveis barulhos ou movimentações incomuns. Inalei o ar. Um animal. E não qualquer um. Mas um dos grandes e com uma presença muito forte, quase palpável. Droga. Estou assustada. Posso ser uma loba, mas não tenho tanta força. Recuei alguns passos, preparando-me para disparar em outra direção, fugindo da presença amedrontadora.

Entretanto, assim que me posicionei para correr, um vulto saltou de dentro da folhagem, aterissando bem na minha frente. Fiquei estática. Completamente em choque. Tratava-se de um lobo. Enorme. Macho. Alfa. De pelos negros reluzentes e belíssimos olhos azuis escuros. Era elegante, imponente e me fitou com curiosidade, não demorando em me circundar com atenção, deixando-me um tanto apreensiva. Ele percebeu minha posição acuada e assustada e tratou logo de se explicar:

- Não tenha medo. Não lhe farei mal algum.

Sua voz era profunda, grave, mas amigável. Continuei calada. Apenas correspondendo seu olhar sobre mim.

- Nunca vi outro lobisomem por essas terras. Por isso fiquei curioso quando te vi aqui. Não tinha a intenção de atrapalhar seu lanche mas você acabou notando minha presença e se assustando. Deculpe-me. Realmente não tive a intenção.

- Tudo bem. Agora que sei que não vai me machucar, estou mais tranquila. E eu também nunca tinha visto outro lobisomem por aqui em todos esses anos. Pensei estar sozinha.

- Todos esses anos? Então sempre esteve aqui? Como não pude ter te encontrado antes? Bem, acho que o destino não quis que isso acontecesse até agora. Enfim, meu nome é Snyron. Posso saber o seu nome?

- Eu também nunca havia sentido sua presença antes… A propósito, me chamo Akira.

- É um prazer conhecê-la. Peço que permita-me acompanhá-la hoje, quero saber mais sobre você, se estiver disposta a contar-me e não se incomodar com minha companhia.

- Não me importo, mas que fique claro: não irei dizer tudo. Afinal, não confio em você. Espero que entenda, é apenas uma medida de precaução.

- Entendo perfeitamente. Está certa em ser cautelosa com estranhos.

Então ele se pôs a andar ao meu lado, não tão perto para não me incomodar ou intimidar. Apreciei o gesto. Todavia, conforme andávamos, o silêncio parecia cada vez mais constrangedor; até que ele quebrou o gelo.

- Você disse que nunca me viu em todos esses anos que esteve aqui. Há quanto tempo se refere?

- Sete anos.

- É mesmo bastante tempo. Fico impressionado por não te ter encontrado antes. Suponho que goste daqui já que continua frequentando a floresta após todo esse tempo.

- Eu amo este lugar. A vida na cidade pode ser bem frustrante às vezes e gosto de vir aqui para relaxar, para esquecer por algumas horas todas as obrigações. A natureza me encanta e, agora que sou parte lupina, sinto-me verdadeiramente conectada a ela.

- Concordo contigo: a natureza é muito cativante. E quer dizer que vive na cidade? O que faz lá?

- Sou funcionária de uma empresa. É um bom emprego, mas pode ser um tanto estressante. Apenas tolero porque me pagam bem.

- Imagino que exija muita responsabilidade e paciência. É de se admirar, querida ômega.

Querida ômega? Desde quando temos intimidade suficiente para esse tipo de tratamento?! Tudo bem, tudo bem. Talvez ele só esteja querendo se aproximar… Devo permitir? Não sei se posso confiar nele, apesar de se ter mostrado uma boa pessoa. Digo, um bom lobo. Tenho que conhecê-lo melhor.

- E você? Há quanto tempo frequenta a floresta? E o que faz na cidade?

Ele pareceu subitamente feliz com meu interesse e se aproximou mais, diminuindo a distância entre nós.

- Faz 25 anos que conheço e visito este lugar e raramente vou à cidade, mas sou chefe executivo de uma empresa imobiliária.

Minha nossa. Esse cara deve ser riquíssimo. E 25 anos na floresta?! Quantos anos ele tem afinal?

- Por que raramente vai à cidade? Com um cargo tão importante, deveria estar sempre presente, não?

- Tenho bons contatos nos quais posso confiar o negócio, o que me garante essa liberdade. No momento, meu braço direito é quem dirige a empresa sob minhas ordens.

O cara é incrível. Céus, me sinto uma inútil agora. Acabei desabafando sem perceber.

- Nossa… Estou constrangida agora. Sou apenas uma funcionária e vivo reclamando da pressão do trabalho, mas você… Tem todo um negócio sobre os ombros e não parece reclamar…

Ele parece tocado pela minha fala e resolve se explicar, cada vez mais desinibido ao meu lado.

- Não se engane, querida ômega. Meu trabalho também pode ser muito frustrante, mas acredito que aprendi a lidar com todas essas situações, encarando-as da melhor forma e evitando qualquer estresse desnecessário.

Estou muito curiosa. Em que dimensão imaginei topar com um lobisomem tão sofisticado e misterioso?

- Você parece muito experiente. E frequenta a floresta há 25 anos. Perdoe minha indelicadeza, mas quantos anos você tem?

- Tenho 25. Vivo na floresta desde meu nascimento.

- Então, está aqui desde quando era humano?

- Achei que fosse fazer essa confusão. Você me disse antes que agora é parte lupina, então inferi que já foi humana e foi transformada em determinado momento. Eu nunca fui humano, Akira.

Fiquei pasma. Esse lobo me surpreende mais a cada minuto.

- Um sague puro?! Nossa, eu nunca imaginaria.

Ele sorri e abana o rabo, mostrando-se bem à vontade comigo. Achei fofo e acabei abanando meu rabo também.

- Tudo bem, a maioria das pessoas que não me conhecem também não imagina. E você, lobinha? Há quanto tempo é metade lobo?

Lobinha, hein?

- Fui transformada aos 14 anos. Desde então venho aqui.

- Totalizando 21 anos. Muito jovem.

- Você também é. Afinal, temos uma diferença de apenas quatro anos. Não fique se achando, senhor alfa, pode ser chefe de uma grande empresa na cidade mas aqui é apenas mais um lobo igual a mim.

Resolvi brincar um pouco com ele também, apesar de que "senhor alfa" não foi lá a melhor opção. Quando estou prestes a me arrepender do que disse, ele gargalha ao meu lado.

- Se você acha que quatro anos corresponde a um mísero intervalo de tempo, quem sou eu para contradizer. Então pode parar com o "senhor alfa" e outras formalidades, ok? Acho que já nos sentimos mais próximos, não?

- É… Acho que sim… Snyron.

Ao ouvir seu nome pronunciado por mim sem quaisquer formalidades, ele sorri largamente e abana novamente o rabo. De repente, ele para de caminhar e acabo parando junto a ele, confusa. Percebo que olha atentamente para o céu.

- Algo de errado?

- Está escurecendo. A floresta pode ser perigosa, principalmente durante a noite. Você vai ficar por aqui ou irá para a cidade? Caso fique, insisto para acompanhá-la, não quero que fique à mercê dos riscos.

- Ah, não. Eu não durmo aqui. Vou voltar para a cidade, moro em um apartamento lá. Só tenho que voltar para pegar o meu carro.

- Nesse caso, irei acompanhá-la no trajeto.

- Não precisa. Sei o caminho e não costuma ser perigoso. Além disso, penso que esteja cansado da longa caminhada que fizemos e queira ir dormir. Não é necessário que me leve até lá.

- Nunca se sabe o que pode acontecer e não estou cansado, muito pelo contrário, foi bastante agradável caminhar e conversar com você. Insisto em acompanhá-la, estou preocupado e quero agradecer pelo seu tempo.

Um cavalheiro, sem dúvidas. Paro de insistir e permito que ele me leve até o meu automóvel, estacionado a alguns poucos quilômetros do local onde nos encontrávamos. A caminhada de volta foi tranquila e não trocamos mais palavras. Ainda assim, o silêncio instalado já não me era constrangedor, mas agradável. Após alguns minutos, chegamos ao meu destino.

- Estacionou muito bem, aqui não há riscos de ser encontrada. Sempre cautelosa.

- Obrigada. E obrigada por me acompanhar até aqui. Agradeço a preocupação e também a nossa conversa. Foi um prazer conhecer você.

- Sem problemas. E eu que devo agradecer por me ter permitido conhecê-la, o prazer foi todo meu. Espero poder encontrá-la aqui mais vezes. Sua companhia é muito agradável e quero poder te conhecer melhor.

- Claro. Quando eu voltar, irei procurá-lo.

- Não será necessário. Agora que sei o seu cheiro, consigo senti-lo a quilômetros de distância e lhe achar com facilidade.

- Nossa… Nesse caso, ótimo. Não esperava menos do faro de um sangue puro.

Ele ri e se aproxima de mim, olhando-me nos olhos.

- Vejo você um outro dia, querida ômega.

Decido tratá-lo da mesma forma.

- Até lá, querido alfa.

Ele parece extremamente feliz com minha retribuição no tratamento e se aproxima ainda mais de mim, até que esfrega, delicadamente, seu focinho em meu pescoço, como um carinho em despedida. Então, ele se afasta, olha-me uma última vez nos olhos, dá meia volta e some por entre as folhagens. Suspiro e inicio minha transformação. Já de volta à forma humana, visto minhas roupas e entr no carro, dando a partida logo em seguida. 

Assim que retorno à estrada, olho uma última vez para a floresta e vejo um par de lindos olhos azuis escondidos em meio às árvores me observando. Sorrio e volto minha atenção para a rodovia, partindo rumo à cidade. Antes que sumisse de vista, escuto um uivo ao longe e sinto meus pelos se arrepiarem. Sei que foi ele. De alguma forma, sinto que foi ele. Um uivo forte, poderoso, imponente, mas que carrega um carinho em sua essência. Enquanto todos os animais ao redor pensam que se trata apenas de mais uma serenata qualquer à lua, feita por um lobo qualquer, sei que foi direcionado a mim. E com um único significado. 

"Até logo, lobinha".


Notas Finais


Olá, novamente!
É minha gente, devo dizer que amei escrever essa short fic e espero, de coração, que vocês também tenham gostado! Se quiserem me dizer o que acharam, me alertar de algum erro na escrita ou até criticar, fiquem à vontade. A autora sempre está aberta a todos.
Um beijo <3


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