História Na Ponta dos Dedos - Capítulo 1


Escrita por: e WangTuan

Postado
Categorias IKON
Personagens Donghyuk, Jinhwan
Tags Donghyuk, Fantasyisland, Fipikon, Fiproject, Ikon, Jindong, Jinhwan, Tiawang
Visualizações 33
Palavras 4.856
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá <3
Não tenho muito o que dizer aqui e.e' mas esse mês eu realmente achei que não ia escrever, pois Ikon é um grupo que meio que não me desce (?) Então eu achei que não ia fazer nada, mas foi o plot mais fácil que já tive desde que o projeto começou e se desenvolveu bonitinho, então fiquei muito feliz **0**
Espero que gostem e boa leitura <3

Capítulo 1 - Capítulo Único; Te vejo em meu coração.


Fanfic / Fanfiction Na Ponta dos Dedos - Capítulo 1 - Capítulo Único; Te vejo em meu coração.

 

Por volta das quatro e meia quando o garoto de fios acinzentados se sentou naquele mesmo banco de sempre entre duas árvores que davam uma sombra gostosa no verão e trazia uma brisa agradável no outono. Era sempre ali que ele se sentava, encarava um ponto a frente por minutos antes de desviar para outro lugar onde encarava novamente, dava um curto sorriso e desviava outra vez. JinHwan sempre estava ali naquele ponto que ele encarava e sorria, sorria de volta, mas o rapaz nunca voltava a encarar o ponto antes de se levantar e ir embora pela mesma trilha de cimento no meio do parque e sumir depois dos portões.

Faziam exatos três meses que JinHwan havia descoberto que aquele parque poderia ser agradável para suas fugas de casa quando sua mãe começava a gritar que ele era um inútil que vivia às custas dela, nunca soube o que era trabalhar, vivia enfiado em problemas, nunca saberia o que era ter responsabilidade, pois a tinha para bancá-lo. Talvez JinHwan devesse mesmo arrumar um emprego, mas não era tão fácil assim quando se tem um histórico meio conturbado de idas e vindas a reformatórios por pequenos furtos, ele fora um adolescente inconsequente, problemático, quase viciado em álcool e drogas pesadas, mas havia deixado tudo aquilo quando os dezoito anos bateram em sua porta claramente gritando que se ele fosse pego, agora sim iria para a cadeia. O problema era que, por mais que tivesse mudado, algumas pessoas não aceitavam fichas como a dele, JinHwan tinha quase uma placa na testa escrita que ele era um delinquente sem causa, ao menos aos olhos dos outros. Ele não era mais aquele adolescente irresponsável que pregava peças em velhinhos jogando dama, ou roubava biscoito na loja da esquina, ou que furtava bebidas de distribuidoras e levava uma surra em um beco sujo depois de não pagar aquele pozinho branco que havia pego com um “colega” do colégio. JinHwan era um homem de vinte e quatro anos atrás de emprego para sair da casa da mãe que vivia lhe enchendo a paciência e depreciando ao invés de ajudá-lo de fato com os problemas que enfrentava para ser alguém na vida.

E diante de todo aquele mar de problemas que recaem em sua cabeça depois de brigar com a mãe e ser rejeitado em mais uma entrevista de emprego ele sentou debaixo de uma árvore naquele parque para pensar se não era mais fácil roubar algum lugar e ser preso do que procurar viver honestamente sendo que ninguém lhe dava uma chance, e foi pensando ali que ele viu aquele rapaz de fios cinzentos se sentar em um banco do outro lado da trilha de cimento cruzar as pernas longas sobre o banco e ficar olhando um ponto e outro até parar em si. Naquele dia JinHwan apenas observou a face bonita de traços fortes, lábios cheios e perfeitamente desenhados, os olhos pequenos fixados em um ponto distante, os fios cinzentos caíam na testa em uma desordem bonita e balançavam com a brisa leve. Ele era tão bonito que JinHwan se perdeu naquela expressão leve, ele parecia não ter um mínimo problema para resolver na vida e JinHwan sentiu inveja daquela paz.

Ainda na adolescência JinHwan descobriu que beijar garotos também era bom, tanto quanto beijar garotas, não havia um par de seios para apertar, mas também não havia a delicadeza imposta com elas, não havia força a ser medida e ele gostou daquilo. Assim como gostou de olhar aquele rapaz alguns metros de si olhar em sua direção e depois de um tempo sorrir, acreditou ser um flerte barato e permaneceu sentado embora tenha sorriso de volta, poucos minutos depois aquele rapaz desviou o olhar, levantou e foi embora, simples assim.

JinHwan até pensou que ele falaria consigo, mas ele só foi embora lhe deixando com um bico como se fosse uma criança de quatro anos que tem o doce favorito negado pela mãe. Ficou frustrado, mas não menos do que quando aquilo volta a se repetir pelas próximas três semanas. O rapaz ia aquele parque três vezes na semana, no mesmo horário, sentava no mesmo lugar e fazia sempre a mesma rotina de olhar os pontos específicos para depois ir embora. Em uma das idas dele até lá o mesmo estava acompanhado de um cachorro grande de pelos castanhos preso a uma coleira no pulso do rapaz de fios cinzas, eles ficaram mais tempo naquele dia e o rapaz brincava com o animal deitado com a cabeça em sua perna, ele ria e sorria, acariciava a cabeça e a orelha do animal antes de olhar para frente.

JinHwan continuava no mesmo lugar o observando, sendo agraciado com aquele sorriso, para depois ser deixado sem saber nem mesmo o nome. Em uma de suas idas ali decidiu que procuraria saber qual a daquele cara, estavam flertando ou ele estava apenas sendo gentil em lhe sorrir.

Chegou e pregou a bunda no banco que o rapaz sempre sentava e esperou, esperou e esperou mais um pouco, já havia passado mais de uma hora do momento que ele sempre ia, e ele sabia que ele iria pois era uma quarta e todas as quartas ele se sentava ali às quatro e meia, esperava o sol começar a se pôr e ia embora.

Debruçado sobre as próprias pernas JinHwan fazia um bico frustrado apoiando o rosto na mão do braço apoiado nos joelhos. Ele andava muito frustrado ultimamente e nem mesmo tinha haver com as brigas em casa ou por não conseguir um emprego, nem mesmo de frentista.

  – Com licença. _ Ouviu uma voz ao seu lado e virou o rosto emburrado para aquele bico se desfazer logo depois ao ver quem era.  - Posso me sentar? _ Acenou com a cabeça, mas o outro continuava de pé parecendo esperar sua resposta.

  – Pode. _ Respondeu recebendo um leve sorriso.

O outro tateou o banco até sentar guardando algo no bolso do casaco que usava e encarar os pontos de sempre, primeiro o lado direito onde era a entrada do parque e depois o pequeno playground para crianças.

  – Você chegou tarde hoje. _ JinHwan murmurou recebendo atenção do outro que virou o rosto em sua direção.

  – Desculpa, você estava me esperando? _ Ele sorriu minimamente.

JinHwan sentiu as bochechas esquentarem diante do olhar que recebia e torceu os lábios mordendo as bochechas.

  – N-não exatamente… é que… eu costumo vir aqui e você sempre chega no mesmo horário, achei estranho não ter chegado hoje, por isso me sentei aqui. _ Meias verdades, não fazia mal mentir um pouquinho.

  – Oh sim. _ Ele riu.  - Hoje foi difícil convencer meu irmão de que não precisava de babá para vir ao parque, não é como se eu fosse me perder de lá até aqui. _ Sorriu.  - As vezes ele me trata como se eu fosse uma criança. _ Piscou devagar voltando a olhar seus pontos. - Por que não se sentou aqui antes? Eu gosto de companhia. _ Tombou um pouco a cabeça encarando a árvore onde JinHwan sempre se sentava.

  – Você nunca foi falar comigo e você sempre sorri pra mim, achei que só estivesse sendo simpático. _ Respondeu ainda o olhando.

  – Como? Sorrindo pra você? _ Ele virou o rosto com a testa franzida.

  – Sim, você sempre olha para onde eu estou e sorri, logo depois vai embora. _ Também franziu as sobrancelhas observando a face do rapaz mudar rapidamente de algo confuso para uma de compreensão.

  – Me desculpe, eu não estava olhando para você. _ JinHwan se sentiu meio idiota.  - Eu estava prestando atenção no barulho da fonte que fica naquela direção. _ Apontou.  - Eu não vejo nada além da escuridão de sempre. Sou cego. _ Respondeu dando um sorriso.

JinHwan arregalou os olhos um pouco, muito no verdade, surpreso. Ele andava e parecia olhar as coisas com tanta atenção, mas na verdade ele apenas fixava sua audição nas coisas para poder, talvez, imaginá-las.

  – Ficou calado de repente, tudo bem? _ Perguntou a um JinHwan pasmo.  

  – Tudo é só que… eu nunca poderia imaginar que você é….

  – Cego?! _ Riu.  - Algumas pessoas acham que eu me comporto muito “normal” para uma pessoa que não vê nada além do preto, mas não é porque sou cego que preciso andar por aí tateando as coisas sempre. Venho a esse parque desde criança, sei o trajeto dele de côr, não é tão difícil chegar aqui. _ Sorriu.  - Eu gosto de ouvir os sons e imaginar como tudo funciona, como é, como deveria ser e essas coisas, por isso eu fico sorrindo quando imagino como deve ser a fonte onde as crianças riem, ou como elas brincam no playground. _ Ele continuava sorrindo.

  – Às vezes você parece tão em paz com tudo, como se não tivesse um problema na vida, eu sinto inveja disso. _ JinHwan confessou fazendo o outro rir.

  – Problemas todos temos, mas não devemos deixar que eles tomem conta de tudo ou todos os momentos da nossa vida. Veja bem, se você deixar que todos os seus problemas tomem conta da sua vida, você nunca vai ver um lado positivo para resolvê-los e se livrar deles. _ Explicou calmamente olhando em volta antes de focar no rapaz ao seu lado.  - Problemas precisam de soluções e no desespero nada funciona. Eu não vejo nada, algumas vezes posso sentir alguns vultos rápidos na minha frente, mas nada além disso, no entanto, eu nunca deixei isso atrapalhar minha vida. Eu estudei, me formei, me apaixonei, me decepcionei, chorei, sorri, sofri, fui feliz, tive coisas memoráveis, sai para festas e tive meu primeiro porre, minha falta de visão nunca foi um problema maior que minha vontade de viver. Então, seus problemas não devem ser maiores do que sua vontade de resolvê-los. _ Sorriu para o outro.

JinHwan ficou um tempo em silêncio refletindo sobre aquelas palavras e de fato cada uma delas era verdade, normalmente fazem de seus problemas algo absurdamente grande e na maioria das vezes eles são apenas um grãozinho de arroz. Nada tão impossível de solucionar.

  – Você fala de forma tão bonita sobre isso e faz parecer tão fácil. _ JinHwan torceu os lábios.

  – Não é fácil, nada na nossa vida é, mas também não é impossível. Quando você aprende a andar de bicicleta sem rodinhas ninguém te diz que você não vai ralar os joelhos, ou que não vai cair uma ou duas vezes até aprender a manter o equilíbrio para aí sim andar. Tudo na vida tem altos e baixos, algumas vezes você sai mais ralado que outras, mas no final sempre cura. _ Explicou movendo as mãos.  - Kim DongHyuk. _ Sorriu estendendo a mão na direção que sabia estar o outro.

  – Kim JinHwan. _ Apertou a mão que lhe era estendida.  - É um prazer conhecê-lo, DongHyuk.

  – Igualmente, JinHwan. _ Sorriu.

Naquele final de tarde, JinHwan aprendeu que a vida não era tão difícil pra ele ou para aquele rapaz que via, ou imaginava, o mundo de forma tão ampla e simples. Não havia barreiras para ele se ele superou aquela escuridão que lhe rodeava imaginando um mundo colorido e cheio de sons.

JinHwan também descobriu que DongHyuk não estava flertando com ele e sim ouvindo a água da fonte alguns metros de distância da árvore que sentava.



 

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DongHyuk era uma criança agitada, algo normal para um menino de quatro anos que estava descobrindo o mundo diante de seus olhinhos infantis, ele gostava de brincar no jardim com seu irmão mais velho, DongHyun, de sete anos, eles sempre corriam a tarde toda depois que o mais velho chegava da escola. Para DongHyuk seu irmão era um super herói que ia a escola de manhã cedinho e voltava para brincar com ele de lutas de espadas no jardim, ou de pega-pega, ele era extremamente apegado ao irmão mais velho, ele era seu melhor amigo.

Sábado DongHyun não tinha aulas, ou seja, eles poderiam brincar a tarde inteira deixando a mãe deles doida a cada queda no jardim, ou susto ao abrir o armário e dar de cara com um dos dois escondido ali dentro quase lhe causando um breve ataque cardíaco. No entanto, naquele sábado em específico estava chovendo muito lá fora e brincar no jardim era uma coisa riscada da lista, pois havia barro e a senhora Kim não queria nenhum dos dois gripados pelos pingos gélidos da chuva, sendo assim, ambos trancados dentro de casa.

DongHyuk tinha o rostinho rechonchudo apoiado nas mãozinhas enquanto olhava a chuva lá fora com um biquinho, queria brincar. DongHyun chegou pouco depois olhando o irmão mais novo meio pra baixo e rapidamente se colocou a pensar em algo para que pudessem fazer.

  – Vamos brincar de pega-pega com obstáculos, Hyuk. _ Cutucou o mais novo que o olhou interessado.  - Vamos ter que brincar pela casa e aí quem pegar o outro ganha.

DongHyuk imediatamente se animou com a ideia pulando do sofá, onde subiu para ver a janela, e concordou. Depois de decidirem que DongHyuk seria o pega eles começaram a brincadeira.

Era uma gritaria absurda pela casa que faziam, mas pareciam que estavam se divertindo. A senhora Kim estava na cozinha quando ouviu a gritaria logo procurando saber o que seus dois pestinhas estavam fazendo e riu mandando que tivessem cuidado naquela correria toda.

DongHyuk gritava para que o irmão mais velho diminuísse a corrida, alegando que suas perninhas eram curtas demais fazendo o mais velho rir do drama que fazia já tão novo, meio trapaceando.

A casa dos Kim era realmente boa, mas havia uma imperfeição e outra pela construção antiga, uma dessas coisas eram goteiras que dificilmente apareciam, somente quando a chuva era forte, como a daquele dia. Bem na sala de jantar ao lado da mesa de mármore negro havia uma poça pequena no chão, uma goteira no teto começará a pingar por causa da quantidade de água caída lá fora molhando o piso de madeira o deixando escorregadio, perigoso.

DongHyun veio correndo da cozinha passando extremamente perto da poça, mas seu passo sendo maior e pulando ela sem ver, e logo depois veio DongHyuck atrás do irmão, desembestado, com as perninhas curtas e os pezinhos descalços, em segundos o que era uma brincadeira virou uma tragédia impossível de evitar.

DongHyuk escorregou na poça, caiu para o lado e bateu a fronte na quina da mesa de mármore que era exatamente da altura dele, o pequeno caiu no chão desacordado e em meio a um grito de horror de DongHyun a senhora Kim apareceu esbaforida vendo seu caçula caindo no chão sendo sacudido pelo filho mais velho.

Uma brincadeira inocente de crianças acabou com um deles ferido e o outro se culpando até os dias de hoje pela cegueira do irmão mais novo.



 

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JinHwan chegava saltitante no parque naquela sexta e sorriu ao ver DongHyuk sentado no mesmo banco de sempre com o cachorro castanho ao lado o usando de apoio para a cabeça.

  – Oi DongHyuk-ah. _ Sorriu parando um pouco afastado com medo do cachorro do outro que o olhava.

  – Oi, JinHwan-Hyung. _ Sorriu.  - Lexi, senta. _ Mandou ao que a cadela se levantou.  - Vem aqui, Hyung, ela precisa cheirar você ou vai ficar brava. _ DongHyuk estendeu a mão na direção do mais velho que a pegou se aproximando devagar da cadela.

Ela o cheirou por inteiro rodeando o corpo de JinHwan o fazendo engolir em seco e apertar a mão de DongHyuk com medo de levar uma mordida, logo depois ela voltou para o lado do mais novo e sentou como se não houvesse acabado de fazer uma inspeção inteira no outro.

  – Pronto, já pode sentar. _ DongHyuk riu soltando a mão do mais velho colocando a mão no bolso tirando um petisco e dando a cadelinha ao seu lado.  - Lexi, esse é o JinHwan-hyung, Hyung essa é a Lexi minha cão guia. _ Sorriu.

  – Oi Lexi. _ Estendeu a mão fazendo um carinho na cabeça da cadela sobre a perna de DongHyuk.  - Eu a vi com você uma vez. _ Continuava a acariciar a orelha de Lexi que aprovava tanto o carinho que fechava os olhinhos escuros.

  – Ela é realmente um doce, meu irmão me deu a uns quatro anos, mas eu não gostava muito de sair com cão guia, no entanto, Lexi é mais uma amiga companheira do que um guia. _ Sorriu indo acariciar a cadela, mas tocando a mão de JinHwan que estava ali.  - Ela gostou de você, ela não deixa que toque na orelha dela. _ Riu sem tirar a mão de cima da do mais velho.

DongHyuk parecia não fazer ideia da bagunça que virou o peito do baixinho ao seu lado com aquele toque quente em seus dedos. JinHwan sentia até mesmo as pernas tremerem, parecia um adolescente apaixonado.

Desde a primeira vez em que se falaram os dois ficaram mais próximos, JinHwan descobriu muitas coisas sobre DongHyuk naquele tempo, inclusive que muitas vezes ele fugia de casa até o parque apenas para afastar-se das conversas entre sua mãe e o irmão mais velho sobre uma possível cirurgia para recuperar sua visão, o que para ele era desnecessário.

  – Mamãe e DongHyun continuam falando sobre a tal cirurgia… eu estou tão cansado disso, Hyung. _ Murmurou fazendo um bico.

  – Eles apenas acham que isso é o melhor para você, Hyuk, não fique aborrecido com eles. _ Respondeu calmamente olhando o mais novo.

  – Mas eu já disse que não quero, aliás, essa cirurgia nem é garantia de que eu vá voltar a ver. Eu já aceitei que essa é minha condição desde os quatro anos, eu aceitei que esse sou eu, vivi minha vida inteira sem ver nada, porque agora eu preciso? Eu estou bem, ser assim não é um problema a muito tempo. _ Deu de ombros.  - Eu tive a oportunidade de ver muito quando pequeno posso continuar vivendo apenas com isso, imaginar é muito melhor do que ver, ou as pessoas não iriam criar livros com lugares fantásticos, como Hogwarts, para se distrairem. _ Resmungou feito um velho ranzinza fazendo JinHwan rir.

  – Eles só acham que talvez você voltar a ver seja bom. _ Deu de ombros.

  – Eu sei porque querem fazer isso… DongHyun ainda se culpa pelo acidente, mesmo que não tenha sido culpa dele, e minha mãe acha que isso pode ser uma forma dele parar de se culpar, mas eles não estão levando o que eu sinto em consideração. _ Suspirou.

  – E o que você sente, Hyuk? _ Perguntou.

  – Eu sinto medo. _ Confessou.  - Tenho medo de criar esperanças e no final tudo continuar como sempre foi… eu posso nunca ver de fato, minha situação pode piorar, eu não quero dar esperanças a eles e a mim mesmo de que isso vai dar certo para no final não dá. _ Abaixou a cabeça.

  – Hey, eu sei que o que dá conselhos aqui é você, mas _ DongHyuk riu antes de virar para ele.  - você não pode pensar apenas negativamente, as coisas mudam, Hyuk, algumas dão certo e outras não. Veja você, nunca desistiu de nada, mesmo com tal condição, e agora pode ter a chance de ver, mesmo que mínima, se agarre a ela. Se falhar, bom, podemos tentar outra vez caso queira. _ Esticou a mão tocando a bochecha do mais novo.  - A gente não pode prever tudo, é melhor se arrepender de ter tentado do que se arrepender imaginando como seria. _ Garantiu.

DongHyuk sorriu virando o rosto para a mão que lhe tocava a bochecha e levantou a sua própria até o pulso do mais velho descendo os dedos ali até alcançar o rosto de JinHwan tocando a linha de seu maxilar para logo depois alcançar a bochecha fazendo o mesmo carinho que recebia.

  – Eu só tenho uma vontade que me faria arriscar essa cirurgia… _ Murmurou.

  – E qual é? _ Perguntou baixinho.

  – Eu queria ver você, Hyung.



 

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A família de DongHyuk era basicamente ele, o irmão, a mãe e o pai que vivia viajando e era raro estar em casa, como naquele domingo.

Depois de falar algumas vezes de JinHwan em casa a família insistiu conhecer o rapaz que sempre encontrava o filho no parque e duas vezes o trouxe até em casa, a preocupação era mais para saber se JinHwan era alguém confiável e não estava fazendo do filho deles uma vítima para um golpe, já que o pai de DongHyuk era alguém com uma conta bancária meio alta e pelo rapaz ser cego poderia ser facilmente levado no papo. Ledo engano, DongHyuk era muito mais esperto que eles.

Quando disse a JinHwan que a família queria conhecê-lo o rapaz entrou em pânico dizendo não ter roupas para um evento daqueles, fora engraçado até, mas JinHwan realmente estava desesperado, não era exatamente o tipo de pessoa que passava uma boa primeira impressão, não tinha roupas boas ou um vocabulário muito vasto, nem a melhor das famílias, ou o melhor dos passados. Queria ser alguém bom para DongHyuk, alguém que a família dele não mandasse ir embora, queria ter arrumado um emprego antes para comprar uma roupa melhor e não ter que aparecer na casa dos Kim com um jeans rasgado nos joelhos, um moletom três vezes maior que ele e os cabelos meio revoltados com ele naquele dia, seus tênis surrados e um pouco sujos e deveria ter lembrado de tirar aqueles brincos das orelhas, mas lá estava ele na frente da família de DongHyuk como um moleque de dezesete anos revoltado até com a própria sombra.

  – Com o que você trabalha, JinHwan? _ O pai de DongHyuk perguntou olhando o rapaz sentado ao lado de seu filho.

  – Sou atendente em uma loja de conveniências no centro. _ Respondeu envergonhado.

Sabia que aquele homem era um empresário importante, que o irmão mais velho do outro era médico e a mãe deles era professora, DongHyuk havia iniciado faculdade de administração, mas parado por não ser o que queria. JinHwan se sentiu deslocado ali no meio deles, era o patinho feio no meio de cisnes.

O pai de DongHyuk tentou reprimir uma careta, mas falhou causando um gosto amargo na boca de JinHwan o fazendo se sentir ainda mais inferior que todos ali.

  – Eu não enxergo, mas sei a cara que está fazendo, pai, e saiba que todo trabalho é digno desde que ele não esteja roubando ou matando alguém por aí. _ DongHyuk falou alto.  - JinHwan é alguém incrível e não precisa de um diploma ou um bolo de notas para ser alguém importante e de grande valor. _ JinHwan o olhou dando um sorriso pequeno.

  – Nós sabemos disso, meu filho.  _ A mãe de DongHyuk interveio antes de iniciar uma briga entre pai e filho bem ali.  - Sinto muito se te fizemos sentir algo, JinHwan, não era a intenção. _ A mulher pediu dando um leve sorriso.

  – Tudo bem, Senhora Kim, nem todo mundo acredita que todo trabalho é digno, mas do que seria uma grande casa sem uma empregada doméstica, ou uma loja sem atendentes, um banheiro público sem um faxineiro. _ Sorriu.  - Cargos não fazem ninguém melhor que ninguém, todos são dignos de respeito. _ Olhou o pai de DongHyuk nos olhos. - Eu pensava como o senhor até alguns meses atrás, mas seu filho me ensinou muita coisa, inclusive a nunca desistir de resolver meus problemas por mais pesados que eles sejam, devia aprender com ele também. _ O homem cerrou os olhos o encarando e DongHyun soltou uma risada alta da poltrona em que estava.

  – Papai levou um sabão agora. _ Ele continuava rindo e DongHyuk se juntou a ele.  - Eu gostei desse garoto. _ JinHwan sorriu para o irmão mais velho do outro.

  – Bem, vamos comer. _ A Senhora Kim interveio antes que mais alguma coisa saísse dali e acabasse de forma ruim pela face de seu marido retorcida em desgosto ao encarar o amigo de seu filho mais novo.



 

Após o almoço, um pouco tenso diga-se de passagem, DongHyuk foi para o quarto arrastando JinHwan junto, os dois estavam deitados na cama do mais novo um de frente para o outro. O quarto de DongHyuk tinha alguns posters de bandas que ele dizia gostar e o irmão mais velho pendurou para ele, tinha algumas roupas jogadas na cadeira da escrivaninha e sapatos espalhados, era um quarto normal para um adolescente, coisa que DongHyuk não era mais, mas ainda parecia ser apesar de maduro na maior parte de suas reflexões.

  – Sinto muito pelo meu pai, não nos damos bem por ele sempre achar que dinheiro vem acima de qualquer coisa, ou que a quantidade de zeros na sua conta determina se você é ou não uma boa pessoa. _ DongHyuk murmurou.

  – Tudo bem, eu imaginei que ele fosse assim na hora em que me olhou de cima em baixo quando entrei. _ Tocou a mão do mais novo que estava no meio deles na cama.

  – Agradeço por não ser como ele, nem meu irmão. DongHyun é um cara legal. _ Sorriu.

  – Ele é sim. _ Riu.  - Ele riu do seu pai na cara dele, aquilo foi corajoso.

  – Ele sempre faz isso, já apanhou muito por isso, mas nunca aprende. O Hyung é alguém único. _ Sorriu fechando os olhos.

  – Deve ser de família. _ Enlaçou os dedos aos do mais novo.

  – O quê?

  – Ser bonito. _ Sussurrou.  - Sua mãe é linda e seu irmão também. _ Sorriu.  - Você então é muito mais que os dois juntos. _ DongHyuk deu uma risadinha baixa se sentindo envergonhado.

  – Você está flertando comigo, Kim JinHwan!? _ Perguntou abrindo os olhos desejando imensamente ver o mais velho, como nunca desejou antes ver algo.

  – Acho que já passamos da fase do flerte, eu estou me jogando em cima de você. _ Riu junto do mais novo.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo, apenas a respiração sendo ouvida e os olhos de JinHwan fixados nos do mais novo, mesmo que ele não o visse, JinHwan podia vê-lo e lê-lo naqueles orbes bonitas e brilhantes. DongHyuk era algo único, incrível, belo tanto por fora quanto por dentro, lhe ensinou que o mundo era muito mais do que o visto com os olhos, era aquilo que se vê com o coração, que se pode amar apenas ao sentir, não é preciso ver. Às vezes os problemas das pessoas é justamente esse, elas julgam quando veem antes de conhecer, preferem o exterior do que o interior, acreditam que o lado de fora é mais importante que o de dentro. O exterior é apenas uma casca que envelhece, perde a beleza, perde o brilho, mas por dentro você sempre é o mesmo, seu caráter não transparece por fora. Beleza acaba, um caráter nunca muda.

Pessoas são o que são por dentro eternamente. Você pode ser a pessoa mais linda do mundo por fora, mas por dentro pode ser o fruto mais podre existente entre os outros.

Era exatamente isso que JinHwan aprendeu a ver com DongHyuk, ele não via o exterior, ele via por dentro, ele sentia, ele sabia. Você só é cego se se permite ser, não porque seus olhos refletem apenas a escuridão, existem milhares de pessoas por aí com a visão totalmente bem e são tão cegas diante do próprio julgamento que é triste. Beleza não põe mesa, beleza enche os olhos, mas pode te decepcionar ao que abrem a boca.

Julgar por fora muitas vezes te impede de ter alguém realmente belo ao seu lado, porque a verdadeira beleza está por dentro onde ninguém vê de primeira.

JinHwan aprendeu amar cada detalhe de DongHyuk, mas não porque por fora ele era bonito e sim porque por dentro ele era espetacular.

DongHyuk não podia julgar JinHwan por fora, mas podia por dentro, pois o conhecia perfeitamente assim, sabia que por trás daquela casca meio durona existia alguém sensível, magoado com o mundo, rejeitado por decisões erradas na juventude, sabia bem que tinha tanto amor para dar quanto queria receber. DongHyuk via muito mais do que olhos pequenos e brincos nas orelhas, ele sentia amor, ele via paixão, carinho, ele sentia dedinhos quentes enlaçados aos seus, sabia que havia sorrisos em seus lábios, ternura em seus olhos, descompasso em seu coração. Ele sabia cada detalhe perfeito na imperfeição de JinHwan e ele amou cada um deles.

  – Você vai fazer a cirurgia? _ JinHwan perguntou baixinho.

DongHyuk esticou a mão dedilhando o rosto do mais velho, contornou as sobrancelhas, os olhos, a ponte do nariz e as bochechas, suas orelhas e o maxilar, o queixo até seus lábios macios onde acariciou devagar antes de aproximar o rosto do dele deixando um beijo lento e apaixonado sobre o local. Seu coração bateu tão forte que chegou a doer o peito, assim como podia ouvir perfeitamente o do mais velho naquele descompasso também.

Passou o nariz pelo dele devagarinho sorrindo pequeno sabendo ser retribuído.

  – Não… eu quero te ver, realmente quero, mas sabe… eu não preciso da visão para isso… eu vejo você, Hyung, na ponta dos meus dedos e no meu coração.

 


Notas Finais


Eu espero que tenham entendido a mensagem passada aqui; Nunca julguem alguém pelo que ela é por fora, algumas pessoas são tão belas por dentro e outra apenas são por fora.
Como diz minha tia; Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.
Fica aí a dica, olhe o interior das pessoas e não o exterior <3
Obrigada a quem leu, comentou e favoritou ;)
XoXo da Tia :*

Fanfic: @WangTuan
Capa: @sugarhis
Beta: @yyoongih

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