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História Nada Mudará - Capítulo 32


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Notas do Autor


Olá!
Esta semana postei mais capítulos que o normal, esse é último que irei postar. Por falar nesse capítulo, ele faz parte de 3 especiais, eu sei que vocês estão acostumados a emoções fortes na história, o que não vai mudar jamais. Nesses capítulos em questão, vocês entraram na cabeça de 3 personagens, um a cada capítulo. Hora de descobrir quais os maiores conflitos na cabeça deles. E vamos começar com o Andy.
Boa leitura.

Capítulo 32 - Cartas na mesa


Sem entender direito o que eu estava sentindo, fiquei pensando em todas as coisas que aconteceram no passado, em tudo o que vivi desde a mudança para Porto Alegre, e todos aqueles meses que sofri tentando esquecer a dor causada por Sam. Eu tenho me esforçado tanto para gostar do Felipe a metade amor que eu sentia pelo Sam. De uma hora pra outra, todo o meu esforço caiu por terra.

Continuar trabalhando depois que Sam e a sua chefe estiveram na loja foi no mínimo custoso. Eu não consegui tirar a imagem dele da minha cabeça. Eu me odeio por ainda ficar tão mexido com o simples fato de tomar conhecimento da existência dele. Não é tão fácil assim fingir que ele nunca existiu, se do nada ele aparecer na minha frente.

(Alice) – Filho? Está tudo bem?

(Andy) – Ah, mãe, eu tive um dia extremamente cansativo – disfarcei.

(Alice) – Não é só isso. Eu te conheço, Andy. Fale a verdade.

Não pude mentir, contei tudo pra ela. Falei sobre o que sinto pelo Felipe, e o que a aparição de Sam me causou. Falei ainda sobre tudo o que penso sobre a traição dele. Desabafei sobre a confusão em meus pensamentos e a angústia em meu peito. Foi tão bom finalmente colocar tudo aquilo pra fora. Um grande peso foi tirado de cima de mim.

(Alice) – Você tem que ser sincero consigo mesmo, e principalmente, tem que abrir o jogo com Felipe. Não é justo você esconder dele o que sente – ela tinha razão.

(Kevin) – A nossa mãe está certa, Andy.

(Andy) – Kevin? Você ouviu nossa conversa?

(Alice) – Eu que esqueci que seu irmão estava em casa.

(Kevin) – A porta do meu quarto estava entreaberta. Eu ouvi tudo de lá.

(Andy) – Tudo bem, não tem problema.

(Kevin) – O que você pretende fazer?

(Andy) – Sinceramente, eu não faço ideia.

 

Eu passei a noite em claro, a conversa com minha mãe ficou ecoando na minha cabeça. Tantas coisas pra resolver me deixam desesperado. Nada estaria nesse estado se o Sam não tivesse aparecido em meu trabalho.

(Isabela) – Mano, posso entrar? – minha irmã mais nova acaba de voltar da Irlanda, ela estava estudando lá, mas sua bolsa era só pro ensino fundamental, agora que ela vai começar o ensino médio teve que voltar.

(Andy) – Pode, Bela.

(Isabela) – Acabaram de anunciar na TV que a greve das escolas terminou. Será que você poderia me ajudar a escolher as coisas que preciso levar pra escola? – Bela nunca estudou em escola pública, nem muito menos no Brasil. Acho que dar algumas instruções pra ela me distrairia um pouco.

(Andy) – Tá bem, traga seus materiais aqui e vamos arrumar sua mochila.

(Isabela) – Já volto.

Ainda bem que, Bela não precisou presenciar a crise de nossa família em primeira mão. Ela ficou sabendo de tudo, isso é óbvio, mas viver o inferno não faz parte das lembranças dela. Por incrível que pareça, ela está se adaptando muito bem a nossa vida menos afortunada.

O choque cultural vai começar agora, Bela vai conviver com adolescentes brasileiros, o volume mais alto, os grupinhos, as fofocas, intrigas, rixas, etc. Estudar na Irlanda não preparou minha irmãzinha pra isso. Enquanto arrumávamos a mochila dela, eu tentei prepará-la para o que estava por vir. Não foi o suficiente pra tirar a empolgação dela pelas aulas. Temos mais uma nerd na família.

(Alice) – Bela, vá dormir. Você tem que acordar cedo amanhã. – disse na porta do meu quarto.

(Isabela) – Não tenho, não. Eu estudo à tarde.

(Andy) – Errado.

(Isabela) – Quê? – perguntou confusa.

(Alice) – Eu troquei o seu turno. Agora você estuda de manhã.

(Andy) – Aí está.

(Isabela) – Você não fez isso… - irritada.

(Alice) – Fiz.

(Isabela) – Não tem problema, amanhã mesmo eu passo na secretária pra desfazer esse erro. – Bela esqueceu que está no Brasil.

(Andy) – Maninha, você é menor de idade, apenas uma pessoa maior de idade pode fazer isso.

(Isabela) – Já estou começando a odiar o Brasil. Isso é muito injusto.

(Alice) – A vida não é justa. Agora vá dormir.

(Isabela) – Que saco! – disse cheia de raiva. – Boa noite, mano.

(Andy) – Boa noite, Bela – ela foi pro quarto dela e de minha mãe batendo os pés.

(Alice) – Você está de folga amanhã, filho?

(Andy) – Estou, mãe.

(Alice) – Eu preciso sair mais cedo pra trabalhar, tenho dentista no final da tarde, vou compensar o horário. Você poderia levantar pra fazer o café pra sua irmã?

(Andy) – Claro, você sabe que vou acordar cedo de qualquer jeito, estando de folga ou não.

(Alice) – Obrigada. Descanse sua mente. Deixe pra pensar nos problemas durante o dia.

(Andy) – A teoria é mais fácil do que a prática.

(Alice) – Pelo menos tente. Boa noite.

(Andy) – Boa noite, mãe.

 

A prática era impossível. Demorei a adormecer graças aos meus pensamentos que não paravam de fervilhar. Na manhã seguinte, eu estava acabado. Preparei o café da Bela, e garanti que ela não saísse atrasada pra aula, e depois voltei pra cama. Quando acordei já estava quase na hora do almoço.

Eu deixei um dinheiro pra Bela pedir alguma coisa pra ela comer, e saí pra espairecer. Nosso bairro, tinha pracinha perto de nosso prédio. Eu fui até lá e sentei num banco e fiquei observando o movimento de pessoas cruzando por ali.

(Felipe) – Andy? – esqueci que a praça ficava na frente do prédio do Felipe.

(Andy) – Ah, oi, Lipe.

(Felipe) – O que você está fazendo?

(Andy) – Nada, estou só olhando o movimento, estou de folga hoje.

(Felipe) – Eu estou indo pra aula, tá tudo bem? – ele notou que não estou bem.

(Andy) – Não estou muito bem, mas a gente conversa depois da sua aula. Vai lá pra casa.

(Felipe) – Tá certo. Até mais tarde.

 

Ainda fiquei sentado na praça por algum tempo. Quando voltei pra casa, Bela já estava almoçando, eu liguei pro mesmo lugar que ela pediu o almoço e fiz um pedido pra mim também. Ela falou sobre as estranhezas das aulas. E que riram quando ela perguntou pra professora sobre a troca de salas entre disciplinas. No final das contas, ela virou uma espécie de celebridade quando descobriram que estudava na Irlanda.

Depois que ela terminou de almoçar, ela lavou a própria louça e foi fazer uma videochamada com as amigas da Irlanda. Chegou o meu almoço, e eu comecei a me preparar para a conversa que ia ter com Felipe. Eu precisava ser o mais sincero o possível com ele. Eu devo isso a ele e a mim mesmo. O que não quer dizer que vai ser uma conversa fácil. Muito pelo contrário, vai ser barra pesada.


Notas Finais


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