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História Namorado de Aluguel - Bughead - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo oito


Minhas amigas e eu costumávamos sair do campus para almoçar, por isso não foi difícil ficar para trás com a desculpa de fazer uma prova substitutiva. Também não foi difícil descobrir onde Veronica e o namorado estavam reunidos com alguns amigos, ao lado dos banheiros químicos vazios, que, teoricamente, não deveriam ser usados na hora do almoço. Eu estava segurando o papel com o meu telefone. Não queria admitir quantas vezes tinha escrito o número para criar o efeito perfeito, um misto de casualidade e deliberação. Eu nunca tinha feito nada parecido por nenhum outro garoto. Isso só aumentava minha frustração com toda essa história. Eu só precisava falar com ele, descobrir quais tinham sido suas motivações na noite do baile e tirá-lo da cabeça, então estaria encerrado. Bec e outra garota riscavam um jogo da velha com gravetos no chão de areia.

— Oi, Veronica. Oi, Reggie.— falei ao me aproximar. Precisei de dois anuários e uma hora e meia de investigação para descobrir o nome de Reggie, mas consegui. Ele não pareceu impressionado com o meu esforço. Só me cumprimentou com um aceno da mão que segurava a maçã meio comida. Bec nem ergueu os olhos dos rabiscos. Mostrei o pedaço de papel. — Queria que você entregasse isto aqui para o... — Eu me detive, torcendo para um dos dois revelar o nome dele. Veronica levantou a cabeça e perguntou:

— Meu irmão?

— Isso. Pode entregar para ele?

Ela riscou um X no jogo da velha no chão.

— Não.

— Por favor.

— Ah, bom, agora que você pediu com educação... não.

A amiga dela riu.

— Ah, olha só, é a Elizabeth Cooper. Você disse para o nosso amigo que a banda dele é uma merda e que ele devia procurar outro hobby.

Arfei.

— Eu não!

— Ah, é verdade. Foi sua amiga Midge que falou, e você riu. Dá na mesma.

Lembrei. Tinha sido no fim de um longo dia de bandas interessadas em tocar no baile de formatura. Aquela era a quinta banda horrível seguida, e a minha cabeça estava doendo muito. Midge, que havia se oferecido para ser uma das juradas e conseguira ser simpática até então, não pôde segurar o comentário. Eu ri. Todos rimos. Eu não devia ter feito isso. Devia ser essa a grande ofensa a que Bec se referira no dia anterior.

— Ah... desculpem. Eu estava com dor de cabeça.

— Não é para mim que você tem que pedir desculpas. Não foi o meu sonho que vocês destruíram. — Ela olhou para Reggie como se esperasse algum comentário. Talvez achasse que ele também tinha que ficar furioso comigo. Mas ele não ficou. — Certo — falei e abaixei a mão, ainda com o pedaço de papel com o meu telefone. Veronica desenhou um novo jogo da velha na areia, ignorando mais que o pedaço de papel. Reggie deu mais uma mordida na maçã e sorriu para mim, mas deu de ombros como se dissesse: “Que azar”. — Vejo vocês na aula amanhã, então. — Guardei o papel no bolso da calça e me afastei ouvindo mais gargalhadas. Parece que não tinha problema quando eram eles que debochavam.

***

— Posso usar o carro para ir ao colégio amanhã?

A mão da minha mãe congelou no ar a caminho do copo no armário.

— Por quê? — Ela pegou o copo e ficou de frente para mim.

— Tenho que fazer uma coisa depois da aula. — E isso pode incluir seguir alguém como uma maníaca obcecada. — Não quero ter que pedir carona para a Cheryl.

Ela pensou enquanto enchia o copo com água da porta da geladeira. Minha mãe era corretora de imóveis, e, se tivesse toneladas de visitas agendadas para o dia seguinte, meu plano não daria certo. Mas normalmente ela não ficava muito ocupada durante a semana. Era no fim de semana que as pessoas iam visitar dúzias de casas que não comprariam, ou aquelas que já tinham visto uma dúzia de vezes.

— Acho que sim. Eu uso o carro do seu pai se precisar, mas não quero que vire regra, entendeu? Você e a Cheryl brigaram ou alguma coisa assim? Seu pai me contou sobre o Archie.

A linha de raciocínio não fazia sentido para mim. Ela estava dizendo que, porque eu brigara com Archie, agora ia brigar com todo mundo que conhecia?

— Não, não brigamos. Continuamos... como sempre. — Tudo na minha vida continuava como sempre fora. Eu podia me sentir excluída, mas tudo à minha volta era exatamente igual.

— Que bom. Você ia odiar começar a faculdade brigando com sua companheira de quarto.

— Hum... obrigada, mãe.

Ela riu.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

Entendi, e ela estava certa. Eu não queria que isso acontecesse. Por que eu menti para Cheryl?

— Sim, você tem razão. Mas a gente não brigou. — Ainda não, pelo menos. Eu a observei tomar a água e pensei em perguntar o que ela achava que aconteceria por eu ter contado aquelas mentiras às minhas amigas. Talvez ela tivesse alguma boa ideia. Mas não perguntei. — Obrigada por me deixar usar o carro — falei e então saí da cozinha. Liguei para Cheryl a caminho do quarto e me joguei de costas na cama.

— Oi, Cheryl— falei quando ela atendeu.

— Oi.

— Então, não preciso de carona para o colégio amanhã. Vou usar o carro da minha mãe.

— Por quê? — Era uma pergunta justa. Íamos juntas para o colégio desde que tiramos habilitação e meus pais decidiram que eu não precisava de um carro. A culpa era do meu irmão, dos três acidentes em que ele se envolveu antes de completar dezoito anos. Eu só não ia para o colégio com a Cheryl quando uma de nós estava doente.

— Tenho que resolver umas coisas para a minha mãe. — As mentiras agora eram infinitas, e isso era horrível. Eu era horrível.

— Você está brava comigo?

— É claro que não.

— Você está esquisita desde o baile.

Eu me sentia esquisita desde o baile, como se pela primeira vez avaliasse minha vida e descobrisse muitas falhas. Começando pelo fato de Veronica estar certa. Eu era covarde. Tinha medo de contar a verdade para as minhas amigas. E se a Cherylnão quisesse dividir o quarto comigo na faculdade? E se ela me odiasse?

— Eu sei. Desculpa.

— Tudo bem. — Ela suspirou. Voltei a conversa para um assunto mais seguro.

— Dá para acreditar que a gente vai se formar?

— É, antes parecia que o colégio ia durar para sempre, e agora está voando.

Enrolei a ponta do lençol em um dedo e dei várias voltas enquanto ouvia Cheryl falar sobre como seria divertido ir para a faculdade. Sim, encontrar o Archie postiço era a chave. Ele tinha feito isso comigo, e eu precisava reverter a situação.

Até agora tudo havia transcorrido como planejado. Consegui encontrar Veronica depois da aula e, discretamente, vi quando ela entrou no carro que não era do irmão. Ou era, mas não era ele quem estava ao volante. Viramos à direita duas vezes e passamos por três semáforos. Ele havia dito que morava a seis quarteirões do colégio, o que me fez pensar que já estávamos perto da casa deles. Minhas mãos começaram a suar, e eu as limpei na calça jeans sem desviar os olhos do carro à frente. Não podia perdê-los de vista. O motorista ligou a seta, e eu fiz o mesmo. Eles entraram no estacionamento de uma loja de conveniência. Hesitei. Não queria perdê-los, mas o estacionamento era pequeno. A Veronica certamente me veria. Eu estava quase passando da entrada quando decidi entrar, e virei a direção do carro tão depressa que os pneus cantaram no asfalto. Eles ouviram, claro, mas não tinha importância, porque já haviam saído do carro e Veronica estava parada esperando por mim. Suspirei e parei na vaga ao lado da deles.

— Você está seguindo a gente?

— Quê? Não. Hoje a raspadinha está com desconto — improvisei ao ler a placa na vitrine. — Sempre venho aqui às quartas-feiras.

Ela olhou para trás, para a porta, depois para mim.

— É mesmo? Ah, bom... pensamos que você estivesse seguindo a gente. Acho que não. Vai curtir sua raspadinha. — Ela segurou a maçaneta da porta do carro. — Espera. Você não vai entrar?

— Não.

— Vai para casa?

— Sim.

Ela abriu a porta.

— Tudo bem, eu nunca venho aqui. Estava seguindo vocês. Só quero ver o seu irmão de novo. Ela apoiou o quadril na porta e me olhou lentamente da cabeça aos pés.

— Tá. Só que não vai rolar. — Veronica entrou no carro, e eles foram embora. Desde quando eu corria atrás de alguma coisa? Não fazia sentido. Chega. Eu não precisava encontrá-lo para esquecê-lo. Era o fim. Eu ia seguir em frente. Tirei um grande peso dos ombros com esse pensamento. Menos um Archie; agora só faltava um.



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