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História Namorado de mentirinha - Capítulo 5


Escrita por: HotakaHide

Notas do Autor


Esse capítulo eu usei um dos meus headcanons que mais amo do Rengoku! Espero que gostem!

Capítulo 5 - Rolê com os veteranos da 3-F


Alguns dias haviam se passado desde a conversa de Obanai e Tengen, na qual o platinado não havia conseguido nenhuma informação que queria. Frustrado com isso, observava o teto do quarto enquanto pensava em possibilidades de medos que Kyojuro poderia ter, mas nada vinha a sua mente, para ele, o loiro era alguém inabalável que definitivamente não teria medo de nada.

A relação de Uzui e Rengoku não havia mudado desde o episódio da árvore, ou era o que aparentava para eles dois. Não eram necessariamente amigos, mas ao menos se davam bem quando estavam perto um do outro, e passar os horários de refeição juntos havia se tornado algo divertido, tirando o detalhe de Akaza ter começado a pegar no pé de Kyojuro devido às aulas no clube, e Daki e Gyutaro estarem enchendo o saco de Tengen além do normal, talvez fosse porque a gincana escolar estava se aproximando e com total certeza eles estariam em times opostos.

– Quê? Uma mensagem a essa hora? E ainda por cima do Gyutaro?! – Disse alto, pegando seu celular e logo lendo o que havia recebido.

A gente vai ir dar um rolê, leva teu namorado

Não era necessário confirmação de ida, Uzui estava sendo obrigado a ir e consequentemente obrigando a Rengoku ir junto. Suspirou frustrado, se levantando da cama e logo trocando de roupa, não demorando muito para sair de seu quarto e se direcionar ao dormitório de Kyojuro.

Se eu tivesse o número dele teria mandado mensagem, mas nem isso nós fizemos questão de pedir um ao outro. – Pensou ele antes de bater na porta, um tanto ansioso para ser atendido.

– Peraí Obanai. – Foi possível ouvir de dentro do cômodo antes da porta ser aberta. Surpreso ao ver o platinado na porta de seu quarto, Kyojuro ergueu uma sobrancelha, confuso em vê-lo ali. – Boa noite.

– Noite bonita, né? 

– O que você quer?

– Eles me chamaram pra sair…

– Mas nem fudendo que eu vou. Tô ocupado agora.

– Rengoku, por favor…

– Não. Eu não quero ficar com aquele povo fora da escola.

– Eu prometo que voltamos cedo.

– Não!

– Nem se eu te pagar um prato de sargo grelhado?

– … – Aquela proposta pegou o loiro de surpresa, que virou o rosto para o lado, emburrado. – Obanai, eu vou ter que sair, mas não vou voltar tarde.


[...]


O “casal” não tinha ideia de onde estavam indo, mas o caminho guiado pelo grupinho dava a entender que era algo estranhamente pacífico, o que aliviou Kyojuro e surpreendeu Tengen. As conversas não estavam sendo produtivas, era apenas o grupo da 3-F conversando entre si e vez ou outra incluindo os dois rapazes, entretanto dessa vez havia mais pessoas presentes, que era justamente o pessoal que Rengoku havia conhecido logo na primeira semana de aula, exceto pelo líder do grupo que se encontrava ausente.

– Rengoku. – A voz de alguém do grupo tirou o rapaz de seus pensamentos, que rapidamente o olhou e prontificou-se a respondê-lo.

– Hm? Diga, Kaigaku!

– Tem conversado com a galera do primeiro ano? – Questionou ele sem muito interesse na sua fala.

– Uhum! – Confirmou. – Especialmente com o trio Kamaboko! De uns tempos para cá eles três em especial ganharam bastante destaque! Sem contar que eles me pedem ajuda com os estudos e sempre acabo passando o tempo com eles! Mas por quê a pergunta?

– Hah, hilário. – Debochou, mantendo um sorriso cínico nos lábios. – Digo, os outros dois são realmente chamativos, mas o Zenitsu é um completo inútil!

– Ah…

– Ele se acha o bonzão lá no clube de corrida sendo que não é nem tão rápido assim. De qualquer forma, o ponto é: não ande com ele, simples.

– Por quê…?

– Recomendação de um veterano seu, confia.

– Ele é um ótimo garoto, prefiro eu acreditar na capacidade dele. – Sorrindo, deu alguns leves tapinhas no ombro do menor e se distanciou dele, ficando ao lado do seu “namorado”. Ao se aproximar do platinado, sussurrou discretamente. – Pelo amor de Deus, vamos embora.

Eu sinto muito por isso, Kaigaku e Zenitsu não se dão bem desde pequenos… – Sussurrou de volta, chateado com a situação. – Podemos dar o migué que…

– Os dois pombinhos aí. – Gyutaro interrompeu a conversa de ambos, acenando para eles para de tal maneira chamar a atenção deles. – Chega mais.

Receosos, se aproximaram do de cabelos negros mesclados com verde e ficaram a sua frente, esperando que o mesmo dissesse algo. Gyutaro sorriu convencido ao notar que eles estavam próximos, logo desviando seu olhar momentaneamente para o único de cabelos rosas do local.

– Eu e o Akaza temos uma proposta para vocês. – Anunciou ele, na qual logo foi acompanhado pelo outro rapaz.

– Logo a frente há um local abandonado e queremos que vocês explorem ele. Podem ficar tranquilos que não há nada com o que se preocupar, não há guardas por esse lado.

– Por quê? – Rengoku levantou a voz, confuso com aquela proposta completamente sem noção. – Por que diabos faríamos isso?

– “Não” não é uma resposta, apenas o façam, caso contrário... – Um sorriso vitorioso se abriu no rosto de Daki, que agarrada no seu irmão ouviu o mesmo completar sua fala.

– Você sabe muito bem o que acontecerá, Uzui, se eu fosse você não arriscaria.

O platinado suspirou pesadamente, frustrado com a situação que se encontrava. Fitou os três que haviam feito tal proposta e logo desviou seu olhar para Kyojuro, que acenou positivamente com a cabeça mesmo que contra a vontade.

– Vocês têm duas horas para voltar, boa sorte. – Akaza acenou para ambos, dando meia volta e se afastando dos dois enquanto era acompanhado pelo grupo.

De braços cruzados, Rengoku começou a andar na direção do tal local e logo atrás estava Uzui, estranhamente calado enquanto andava.

– Eu vou começar a cobrar você. – Anunciou o loiro, irritado com a situação. – Eu não estou sendo pago para ser humilhado, isso é um completo absurdo.

– Eu sinto muito por isso, mas eu te pago um jantar, prometo.

– Aquele grupinho mesquinho… Se eu pudesse e tivesse ao menos moral nesse internato eu os faria sofrer, ah se faria…

– Você não tem noção da influência daquele grupo. Gyokko, por exemplo, traz um grande lucro ao colégio com as vendas de cerâmica dele. Kokushibo com sua esgrima perfeita. Douma que foi capaz de desenvolver remédios que ajudassem os estudantes. Akaza com medalhas e reconhecimento no clube de artes marciais… Estar com eles é estar no sucesso, mas aquele povo são completamente tóxicos e sem um pingo de empatia, só pensam em si mesmos.

– E por que caralhos você está com eles?!

– Eu tenho meus motivos!

– E eu tenho total direito de saber! Afinal de contas, sou eu a porra do seu namorado de mentirinha!

Ao dizer isso alto, um som peculiar chamou a atenção de Kyojuro, que congelou instantaneamente no lugar e não se pronunciou mais. Tengen não reclamou, havia desviado sua atenção por também estar irritado com a situação dos alunos da 3-F, de tal maneira não reparando como o loiro estava.

– Olha, eu prometo te contar assim que conseguir resolver os meus problemas com eles, só me dê mais tempo… 

– U-Uzui…

– Hm? O que foi? – Sem muita pressa retornou sua atenção ao rapaz, notando finalmente que o mesmo estava completamente estranho. – Rengoku?

– Você… V-Você ouviu esse som que passou a pouco…?

O gaguejar de Kyojuro tornava a situação ainda mais estranha. O platinado nunca havia ouvido gaguejar e nem mesmo permanecer imóvel por tanto tempo igual agora, sem contar que seu olhar era claramente de puro pânico, o que deixou a situação ainda pior.

– Rengoku…? – De forma cautelosa, se aproximou deste, pisando em algo metálico no chão e se surpreendendo ao ver o que era. – Quê?! Estamos tão afastados da cidade ao ponto de ter…

O som ao fundo de um trem pôde ser ouvido a distância, fazendo com que a pergunta que Tengen faria fosse respondida. Onde eles estavam não havia construções ou algo do tipo, era uma área afastada da cidade na qual havia um trilho que todas as noites passava um trem que transportava carvão e outras coisas. Aos poucos o barulho do veículo ia se aproximando, anunciando que estava quase para passar ali

– Que estranho, não tinha nada indicando que aqui passava o trem. – Comentou Uzui olhando a sua volta. – E coincidentemente estamos bem no trilho, melhor nos afastarmos.

Tengen o fez, se afastou rapidamente dos trilhos e esperava que Kyojuro fizesse o mesmo, mas o loiro continuou imóvel. Era possível ver ao fundo a luz do trem e consequentemente o barulho havia aumentado seu volume, já que estava mais próximo. Desesperado, Rengoku levou ambas as mãos até seus ouvidos, os tampando e gritando em seguida.

– FAÇA PARAR! ESSE SOM, ESSA LUZ, TUDO! FAÇA PARAR! – Berrou desesperado, e ao final um grito de dor saiu de seus lábios, enquanto aos poucos seus olhos se enchiam de lágrimas.

– Rengoku?! Ei! Se acalme! – Vendo o desespero do colega, o platinado correu em sua direção e tocou seu ombro, percebendo só agora que este estava tremendo. – Venha, está tudo bem… 

Mesmo com sua aproximação e chamado, o loiro permaneceu parado enquanto murmurava algumas coisas no puro desespero e pânico. Tengen nunca havia visto aquela reação vinda dele, mas o que o estava deixando aflito era o detalhe que o trem estava cada vez mais próximo e Kyojuro encontrava-se ainda sobre os trilhos.

Sem tempo para hesitação, Uzui tirou sua mão do parceiro e com força o empurrou para o outro lado do trilho, desesperado porque o trem estava a menos de vinte metros deles. O platinado ultrapassou o trilho, e instantes depois o veículo passou, o que o fez dar um suspiro aliviado por não terem se machucado nessa brincadeira.

– Essa foi por pouco… – Falou baixinho, voltando sua atenção ao rapaz e o vendo com lágrimas saindo de seus olhos. – Rengoku?! Está tudo bem! O trem só está passando, logo logo ele estará longe.

– T-Trem… – Gaguejou baixo, enquanto se encolhia no chão e tapava novamente seus ouvidos, mantendo agora uma respiração completamente desregular.

– Por que você… – Os olhos de Tengen se arregalaram, este finalmente havia encaixado as peças de que o sujeito a sua frente estava tendo um ataque de pânico devido a sua siderodromofobia, a fobia de trens. Sem muita pressa, se aproximou do menor e o envolveu em um abraço de conforto, sentindo ele tremer e arfar desesperadamente. – Se o Iguro tivesse me dito…

– U-Uzui…?

– Está tudo bem, eu estou aqui com você… – Disse baixinho, logo levando uma de suas mãos até a mão de Kyojuro, a tirando de seu ouvido e assim depositando um beijo suave sobre a testa do menor. – Respire fundo e leve o tempo que for necessário, não sairei até você estar melhor.

Surpreso com as atitudes e falas do maior, este corou ao sentir o beijo e logo se acomodou no abraço, tirando lentamente sua mão de seu outro ouvido enquanto afundava seu rosto no peitoral do mesmo, e aos poucos sentindo seu tremor e respiração retornarem ao estado normal. Ficaram dessa forma por alguns longos minutos, mas em momento algum o platinado ousou se afastar ou evitar demonstrar algum tipo de afeto, mesmo que fosse um namoro falso, mesmo que nem fossem realmente amigos, Kyojuro precisava de um apoio e Tengen seria o seu pilar naquele instante.

– Desculpa… – Depois de um longo silêncio, o mesmo foi quebrado com a fala do loiro.

– Pelo quê? Você não fez nada de errado.

– Tive uma crise de pânico por conta de um simples trem… Bem infantil, não é? Para uma pessoa no terceiro ano do Ensino Médio essa não é uma boa atitude…

– Rengoku, olhe nos meus olhos e repita o que você disse.

– Ahn? – Com os olhos inchados devido ao choro, o loiro timidamente buscou o par de olhos violeta do rapaz, mas antes mesmo de dizer algo, sentiu as mãos dele segurando seu rosto para de tal forma o mesmo não desviar seu olhar.

– Ouça-me. – Fez uma breve pausa, admirando aquela face tão pura à sua frente e vendo a surpresa de Kyojuro com a sua ação repentina de segurar seu rosto. – Não foi infantil, está bem? Todo mundo possui um medo e isso é completamente normal, independente do que você sinta medo, você tem o total direito de senti-lo. Te ver nessa situação foi doloroso e triste? Com certeza foi! Mas mesmo assim, fiquei contente de vê-lo nesse estado. Pela primeira vez pude ver você como uma pessoa.

– …? 

– Eu tenho te observado de longe e o modo que você age com as outras pessoas. De verdade, você é um garoto tão gentil e honesto com seus sentimentos, mesmo que esteja irritado e não goste daquilo, você encara o problema com positividade e dá o seu melhor sempre… Mesmo que eu basicamente esteja te colocando em um lugar desconfortável e contra a sua vontade, você vem de bom grado e se mantém tão fiél… Me dói o coração vê-lo se esforçar tanto em algo que mesmo não sabendo os motivos entende que tem uma importância gigantesca para mim… – Com um singelo sorriso nos lábios, Uzui deixou escapar uma risadinha sem graça de sua boca, o que o fez momentaneamente desviar seu olhar para o lado, mas logo retornou a fitar o par de olhos dourados do outro. – Não se menospreze dessa forma. Você é uma pessoa admirável e que traz inspiração por onde passa. Obrigado por ter me deixado ajudá-lo, está melhor agora?

– A… – Ainda surpreso com as palavras de Tengen, Kyojuro levou alguns segundos para processar a pergunta dele, mas ao invés de dizer algo, apenas sorriu da forma mais sincera que pôde no momento. 

Notando a hesitação da fala do outro, o platinado temeu que tivesse dito algo que o ofendesse, mas ao ver o sorriso vindo dele, sentiu o seu rosto começar a esquentar. Rapidamente e envergonhado, tirou suas mãos de Kyojuro e deu-lhe espaço para respirar, vendo que o loiro havia se sentado à sua frente e terminava de secar algumas lágrimas que estavam persistindo em sair de seus olhos.

– Obrigado… – Agradeceu, mantendo ainda o sorriso nos lábios. – Obrigado por me dizer isso e por me acalmar…

– Não há de que.

– Veja só… Eu deveria ter dito sobre a minha fobia de trens quando me apresentei aquele dia… Teríamos evitado esse problema… Eu nem ao menos sei a origem desse medo, só sei que trens não são confiáveis... – Sem graça, o loiro fitou o chão que estava sentado e riu nervoso. – E também… Eu não sabia que você poderia ser tão atencioso assim com alguém que quase faz descaso contigo, eu sinto muito…

– Você não tem culpa, como eu disse antes, você é sincero com o que sente, então faz sentido não me tratar tão bem quanto gostaria, até porque eu vivo te arrastando para situações desconfortáveis e estressantes.

– Eu prometo melhorar isso.

– Não precisa, até porque em breve tudo vai acabar e você estará livre disso.


Notas Finais


Depois do arco do Trem Infinito, eu apenas concluí que o Rengoku teria sim fobia de trens e nada vai me tirar isso! Tanto é que no RPG que participo o meu Kyojuro possui essa fobia e direto ela ataca xD.

Eu deveria ter deixado avisado, mas as Luas vão ser bem desgraçadas nessa fanfic... Todo drama escolar tem que ter o grupinho pau no cu, e dessa vez eles foram os escolhidos :D

Obrigada por lerem, até o próximo capítulo!


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