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História Namoro de Fachada - Capítulo 22


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Notas do Autor


Hey babys!
Sim, eu sei... Demorei muito com esse capítulo, sorry
Tive uns probleminhas de bloqueio criativo, refiz o cap por não achar a primeira versão boa, enfim...
O melhor é que aqui teremos pov da Maya e do Andy também.

Curtam todo esse drama dos dois e boa leitura :)

Capítulo 22 - Damn Amnesia


Fanfic / Fanfiction Namoro de Fachada - Capítulo 22 - Damn Amnesia

Maya Jones

–Tem certeza que está tudo bem mesmo? Não quer que eu vá com você?

–Tenho Di. Eu só vou ver como ele está – respondi abrindo o zíper da bolsa verificando se esquecia de alguma coisa antes de ir até o hospital.

Depois que Andrew pediu para ficar sozinho ontem, não voltei a vê-lo. Achei melhor juntar toda minha dor e lágrimas resolvendo voltar pra casa. Eu precisava de um tempo para respirar direito e assentar as ideias no lugar. De certa forma, Andy também precisava disso. Não deveria ser fácil acordar de um coma e descobrir que perdeu todas as memórias do último semestre e de bônus ganhar uma namorada. Ele estava confuso e era perfeitamente natural.

–Ok May. Eu só não quero que fique triste como ontem caso o Biersack não queira conversar –avisou Diana preocupada.  

–Fica tranquila amiga. Até mais tarde – sorri e me despedindo, sai de uma vez de casa.

No caminho para o hospital, encostei minha cabeça na janela do táxi observando a amena movimentação nas ruas em uma típica tarde de domingo em Los Angeles. Não pude deixar de comparar esse domingo ao da semana passada. Há essas horas eu tinha acabado de passar uma manhã maravilhosa com meus pais, com meus amigos e com o Andy. Eu estava cheia de planos. Estava feliz. Meu senhor perfeição ainda permanecia comigo e lembrava-se de mim. Meu coração se encolheu ao constatar esse último fato. Respirei fundo segurando as lágrimas que já brotavam em meus olhos por causa da dor no meu peito. Eu não podia desabar novamente. Não agora.

Minutos mais tarde ao adentrar a recepção do hospital, avistei somente o pai do Andy acomodado em uma das cadeiras com o celular em mãos. Aquela era uma cena recorrente que eu já tinha me costumado a presenciar.

–Boa tarde Chris – cumprimentei me aproximando.

–Boa tarde Maya. Como vai? – replicou ele tirando sua atenção do celular ao me encarar.

–Não tão bem quanto gostaria, mas estou segurando as pontas.

–Entendo. Acho que todos nós estamos assim.

Dei um breve sorriso concordando e logo senti falta da minha sogra que sempre se encontrava presente naquele lugar.

–Onde está a Amy?

–Está com o Andy. Acabei de sair de lá.

–Será que posso ir vê-lo?

–Claro. Não vejo problema nenhum e sei que a Amy também não – Chris respondeu e imediatamente pensei que o problema não eram eles, mas sim o Andy. Talvez ele não queira me ver. Tratei de despachar rapidamente meus pensamentos que não ajudavam em nada na minha aflição.

–Vou até lá.

Meus pés se movimentavam hesitantes pelo corredor ao mesmo tempo em que o medo de ser rejeitada por Andrew tornava-se ainda maior. E se ele não quiser conversar comigo? E se não me reconhecer nunca mais? Nosso relacionamento estará acabado? Não iremos nos ver novamente? Merda. As perguntas só aumentavam junto a minha preocupação.

Acalmando meus nervos, decidi bater na porta duas vezes antes que fosse soterrada por minhas dúvidas e acabasse tendo uma crise de choro incontrolável ali mesmo.

–Posso entrar? – abrindo a porta devagar questionei obtendo a visão do Andy sentado na cama e Amy na cadeira ao lado.

–Não precisa perguntar Maya. Entra – Amy consentiu de maneira educada – Tudo bem querida?

–Estou tentando ficar – respondi limpando a garganta em seguida para cumprimentar o senhor perfeição que me olhava atentamente – Oi Andy.

–Oi – ele reagiu e tive expectativas de identificar algum sinal de reconhecimento por mim em seu rosto. Porém não havia sinal nenhum. Ele ainda me fitava como se eu fosse uma mísera estranha.

–Vou fazer companhia ao Chris. Vocês tem muito o que conversar – Amy comentou saindo de onde estava.

Ela deu um rápido beijo no topo da cabeça do filho e passou por mim apertando levemente meu braço dando-me uma piscadinha cúmplice antes de se retirar. Alguns instantes de silêncio se fez no quarto enquanto eu e o senhor perfeição nos olhávamos sem dizer nada. Seus olhos azuis que me esquadrinhavam de forma minuciosa acabaram por me deixar ainda mais nervosa com toda a situação. Eu simplesmente adorava quando ele fazia aquilo, mas as circunstâncias não colaboravam. Sei que ele estava somente tentando me reconhecer e nada mais.

Tomando coragem julguei que seria melhor iniciar uma conversa trivial antes de perder as estribeiras.

–Então... Como você está se sentindo hoje?

–Estou melhor. Apesar dos meses anteriores ainda serem um mistério para mim – Andy respondeu observando-me sentar na cadeira e continuou – Minha mãe falou muito bem de você. Sinto muito por não poder lembrar, de verdade.

–Eu te entendo meu amor – falei no automático e ele franziu o cenho ao ser chamado daquela forma. Droga. Qual é o meu problema? Tentei corrigir-me rapidamente – Hã... Você vai se lembrar. Tenho certeza.

Andrew assentiu com a cabeça e então se endireitou na cama colocando uma expressão curiosa no rosto.

–Você poderia me contar como aconteceram as coisas entre nós?

–Claro – concordei prontamente me preparando para aquela conversa.

Com paciência eu lhe contei detalhe por detalhe sobre como começou toda a nossa história desde o princípio. Relatei sobre o nosso acordo de namoro de fachada inicialmente, os motivos pelos quais seguimos com a farsa, descrevi nossas encenações na frente das outras pessoas e por fim como nos tornamos amigos e nos apaixonamos meio a essa loucura. Andrew escutava tudo incredulamente sempre me parando para me bombardear de outras perguntas que surgiam no meio da explicação. Eu respondi a todos seus questionamentos e no fim a reação dele era apenas de perplexidade.

–Então... É isso... Essa é a nossa história – encolhi os ombros diante da descrença estampada em suas feições.

–Quer dizer que eu te contratei como uma namorada de fachada só para me livrar das cobranças dos outros na minha vida amorosa? – Andy replicou horrorizado.

–Sim. Pelo menos essas foram as suas palavras – digo lembrando-me do que ele falou na cafeteria quando fez o estranho pedido.

–Eu perdi o juízo.

–Você fez o que achou melhor para resolver sua situação Andy.

Ele piscou diversas vezes atordoado. Passando uma mão no cabelo suspirou longamente para perguntar:

–Realmente ninguém além de nós sabe?

–Não – respondi engolindo em seco. Will sabia, mas eu não iria falar disso agora – Já enquanto a você, não posso afirmar se comentou com alguém – emendei sinceramente sem saber se Andrew poderia ou não ter falado com outra pessoa sobre nós.

–Não consigo acreditar. Como eu fui aderir a uma ideia estúpida dessas? Isso foi muito irresponsável da minha parte. Se alguém descobre esse lado da história, minha carreira vai para o espaço além de causar decepção nas pessoas que me amam – ele fez uma pausa me encarando – Nós dois temos muito a perder.

–Fica calmo Andy. Quando selamos esse acordo sabíamos exatamente os riscos. No entanto fomos tão bons atores que ninguém nunca desconfiou, nem mesmo os mais próximos de nós. E de qualquer forma, depois não foi mais necessário fingir. Começamos a namorar de verdade – retruquei com um pequeno sorriso quando as recordações do dia em que nos acertamos vieram a minha mente.

–Fomos tão bons assim?

–Muito bons.

–E aí nos apaixonamos?

–Sim – afirmei o olhando nos olhos – O que era fictício, acabou se tornando realidade.

–Não dá para acreditar! – exclamou Andy exasperado.

–Desculpa, sei que está irritado com o que fez e que provavelmente não sou bem o que o seu eu de meses atrás esperava como parceira, só que foi assim que as coisas aconteceram – murmurei um pouco chateada pela sua antipatia aos acontecimentos que envolviam parte da sua vida a qual ele não lembrava.

–Não. Eu não estou irritado. Só estou surpreso com minhas atitudes – ele suavizou a expressão – Posso não me lembrar de como fiz as coisas, mas sei que as exigências dos outros estão me matando, ou melhor... Estavam me matando – confuso fechou os olhos por alguns segundos – O que quero dizer é que não duvido que eu tenha recorrido a algo assim para amenizar minha situação. E quanto a você... Acho que escolhi muito bem minha namorada.

Um leve rubor subiu por minhas bochechas com a forma que Andrew me fitou quando disse as últimas palavras. Como eu gostaria que se lembrasse de mim naquele instante. Ele deve ter ficado incomodado ao perceber que eu o encarava feito uma boba, pois ligeiramente tratou de desviar o olhar do meu continuado a falar.

–Eu só não entendo como fui ter essa ideia.

–Eu também não sei. Tudo que sei é que quando conversamos pela primeira vez você a já tinha na ponta da língua – comentei o vendo respirar profundamente.

–Merda. Eu preciso lembrar o que andei fazendo depois da minha turnê.

–Você não se lembra de nada desses meses? Nem mesmo de nenhum show?

–Não. Tudo que lembro é que falta... Quer dizer, que faltava apenas uma semana para iniciar a The Ghost Of Ohio. Para mim tudo está uma loucura. Você não tem noção Maya.

Tive que controlar a imensa vontade de me jogar a sua frente e abraçá-lo. Eu não tinha noção mesmo de como ele deveria estar se sentindo e eu queria muito confortar Andrew de alguma maneira. Gostaria de envolvê-lo em meus braços, beijar seus lábios e dizer que tudo ficaria bem. Suspirei. Eu não tinha muitas opções de demonstrar meu apoio no momento há não ser lhe incentivar com as palavras. 

–Andy, tudo vai se acertar. As coisas estão difíceis eu sei e não é só para você, acredite – argumentei estendendo meu braço sobre a cama para segurar sua mão. Ele analisou meu movimento, entretanto não recuou – Você não está sozinho, pode contar com seus pais, seus amigos e comigo. Posso não fazer parte de suas memórias agora, mas eu te amo e lembro muito bem do amor que também sente por mim. Essa amnésia vai passar e tudo voltará ao normal. Eu prometo – conclui ternamente.

Andrew não falou nada, apenas concordou com um manear de cabeça e involuntariamente abriu aquele sorriso torto que exercia um poder inexplicável sobre mim. Foi a primeira vez desde que acordou que me lançou algo mais do que olhares cheio de incertezas. Era um ato pequeno comparado ao que vivemos, mas ainda sim aquele simples gesto conseguiu aplacar a dor em minha alma, bem como aqueceu meu coração.

 

 

********

 

 

Quatro dias se passaram desde que Andy saiu do coma. Como prometido pelo doutor Freeman, ele recebeu alta no dia anterior por apresentar melhoras significativas em seu quadro clínico e se demonstrar apto para ir pra casa. Durante seus dias de observação no hospital, continuei a visitá-lo diariamente nos meus horários livres com seu consentimento, obviamente. Não queria forçar a barra insistindo em conversas sobre nós para que ele voltasse a se lembrar de mim. Andrew seguia desorientado e de modo nenhum eu iria deixá-lo em uma situação pior a qual se encontrava.

No entanto ao seu próprio pedido foi exatamente o que fizemos. Continuamos a falar a respeito não só do nosso relacionamento como também sobre outros assuntos paralelos. Dentre os momentos que passamos juntos no hospital, Andy se mostrou cada vez mais receptivo a minha presença com o passar dos dias. Por mais que ainda não aceitasse de fato como tudo aconteceu entre nós, ele estava se esforçando para recorda-se de mim e de tudo que ocorreu nesses últimos meses totalmente apagados de sua mente.

Parada em frente a sua casa, respirei fundo afastando os pensamentos antes de tocar a campainha. Agora que Andrew estava fora do hospital eu teria que vê-lo nos fins de tarde após meu expediente no trabalho. Bom, isso enquanto ele quiser Maya. Revirei os olhos com o maldoso comentário do meu subconsciente conforme dava uma rápida conferida em meu cabelo. Não demorou quase nada para a porta ser aberta e eu ser recebida por Amy.

–Olá Maya – ela saudou com um sorriso dando-me um rápido abraço – Entra, por favor. O Andy está te esperando.

–Ah, obrigada Amy – sorri adentrando a sala.

Logo notei o senhor perfeição assentado no sofá com a perna acomodada em cima da mesinha de centro escutando o que me pareceu ser músicas do seu segundo álbum solo. Ele vestia uma de suas típicas camisetas pretas e short na mesma cor, me permitindo observar que a perna que estava sobre a mesinha era a mesma que havia sofrido o corte mais profundo na hora do acidente.

–Você aceita alguma coisa para beber querida? Água, suco, café? – perguntou Amy gentil me fazendo desviar o olhar de Andrew.

–Não, mas agradeço a gentileza.

–Ok. Eu preciso sair para resolver algumas coisas, mas qualquer coisa que precisarem o Chris está no quarto – ela avisou pegando sua bolsa e então saiu com um aceno.

 Novamente foquei meu olhar em Andy.

–Eai? Tudo certo?

–É... Acho que sim – ele sorriu gesticulando com uma mão para que eu sentasse ao seu lado.

–Ainda sente muita dor? – apontei para sua perna enfaixada na região abaixo do joelho.

–Um pouco, mas nada insuportável. Já consigo andar sozinho sem ajuda.

–Isso é bom – sorri e imediatamente reconheci Westwood Road tocar ao fundo – Essa é uma das minhas músicas favoritas suas – declarei entusiasmada me movimentando ao ritmo da música.

Andy riu ao perceber minha súbita animação.

–É mesmo?

–Uhum. Adoro – confirmei me atrevendo a cantarolar baixinho um trecho do refrão.

“So I kneel and pray… All my wasted days away

I just wanna find a way back home… Just let go… I’m moving on”

Entre risadas o senhor perfeição moveu as mãos me incentivando a continuar acompanhando-me dessa vez.

“All these wasted days away... All I wanted was a way back home

Take me back… To that westwood road… Cause I´m moving on”

Parei o examinando igual uma imbecil. Ele executava os mesmos gestos e as mesmas expressões do clipe, o qual eu particularmente achava maravilhoso.  Lindo Biersack, você é lindo. Ainda que ostentasse um hematoma levemente roxeado na mandíbula e o curativo na testa, ele apresentava uma aparência mil vezes mais saudável do que quando o vi horas depois do seu acidente. Os ferimentos já estavam cicatrizando, as dores pelo corpo diminuíram e a palidez da sua pele havia praticamente sumido. Ele estava bem. O único problema persistente era sua perda de memória e eu não passar de uma namorada esquecida. Senti os olhos marejarem de repente.

–O que foi? – Andy replicou preocupado tirando-me das minhas tristes conclusões.

–Não foi nada – balbuciei forçando as lágrimas retrocederem.

–Não é o que parece – ele me avaliou por alguns segundos – O que for, pode falar comigo Maya.

Naquele momento me senti acolhida pelo seu olhar. Ele ainda era o mesmo Andy atencioso de sempre e não importava se eu era uma namorada esquecida ou não. Aquela minúscula abertura de reaproximação da parte dele me impulsou a despejar meus sentimentos sem pensar.

–Eu te amo Andy. Sinto tanto sua falta. Não aguento mais te ver e não poder te abraçar, te beijar, te tocar, sorrir por causa de alguma bobagem que você me disse. Sinto falta do seu olhar apaixonado em minha direção... Eu... Eu sei que estou sendo incompreensiva agora... Eu lamento tanto...

–Ei, calma – Andrew me interrompeu segurando minha mão – Respira, por favor.

Constrangida pelo meu desespero, fiz o que ele pediu. Respirei e expirei devagar mantendo o olhar para baixo incapaz de encarar seu rosto. Que droga, eu que deveria estar o acalmando e não o contrário.

–Tudo bem? – sua voz soou serenamente.

–Sim. Desculpa.

–Não está sendo fácil para você não é? Talvez seja eu que deva me desculpar por tudo.

–Não – protestei de imediato levantando a cabeça – Isso não é sua culpa. Nada é.

Andy fez uma careta, não muito convencido.

–Não sei Maya – murmurou em um tom vacilante – Acho que eu deveria me esforçar mais.  Sabe, poderíamos experimentar algo diferente.

–Algo diferente? – arqueei uma sobrancelha.

–Sim. Você já me contou e mostrou tudo o que eu tinha que saber a cerca da nossa relação como um casal. Infelizmente nada conseguiu ativar minha memória – deu ele ombros um tanto inquieto – Então eu estava pensando se não seria uma boa a gente tentar um contato mais próximo.

–Contato, tipo... Físico? – indaguei sentindo as ausentes borboletas levantarem voo em meu estômago.

Andrew assentiu.

–Se você quiser, claro.

–Eu quero sim! – concordei afoita. Afoita até demais. – Hum. Podemos tentar – mordi os lábios reprovando a mim mesma mentalmente.

–Tá bem. Um beijo, certo? – o senhor perfeição sorriu compreensivo.

–Certo.

Após alguns segundos nos encarando, me aproximei dele com cuidado até que ficássemos a milímetros um do outro. Inspirar seu perfume, sentir sua respiração quente bater contra minha pele e fitar seus lindos olhos azuis tão de perto, fez com que uma deliciosa sensação de ansiedade se espalhasse por minhas veias. Repentinamente esqueci-me de tudo o que acontecia e passei a mão delicadamente por sua bochecha enquanto Andy fazia o mesmo. Seu toque diferente do meu não era por deleite, mas sim cheio de curiosidade como se quisesse descobrir de uma vez por todas quem era a mulher a sua frente.

Fechei os olhos quando seus dedos trilharam um lento caminho desde minha sobrancelha até minha boca estudando-me. Não custou para que nossos narizes se tocassem e finalmente nossos lábios estivessem unidos depois do que me pareceu uma eternidade desde a última vez que nos beijamos. Cautelosa, enlacei seu pescoço conforme o beijo se aprofundava e sua mão deslizava pela lateral do meu rosto até que chegasse a minha nuca. Eu me vi tão perdida meio as sensações boas que seus lábios me proporcionavam que não queria soltá-lo quando o ar foi necessário e então tivemos que nos afastar.

Ainda próximos o suficiente, Andy me olhou por um espaço curto de tempo com os olhos congelados nos meus. Não queria criar expectativas, porém meu coração acelerou com a possibilidade de algo ter mudado.

–Funcionou? – perguntei ansiosa, mas logo minha ansiedade se desfez quando seu olhar se tornou pesaroso para que ele admitisse:

–Desculpe. Eu não consigo lembrar.

–Tudo bem Andy. Não tem problema – sorri mascarando minha frustrante decepção – Uma hora acontece. Tudo tem seu tempo.

–Sinto muito Maya – lamentou Andrew de novo.

–Não... Não sinta. Já disse que está tudo bem – reafirmei apertando sua mão com mais força e ele retribuiu o gesto exibindo um meio sorriso fraco.

Ainda que estivéssemos perto com nossas mãos entrelaçadas e eu continuasse a sentir o sabor do seu beijo em minha boca, parecia que havia um abismo entre nós. Um abismo profundo que só podia ser ultrapassado quando suas lembranças retornassem. Pisquei tentando me livrar de todas as formas daquele incômodo em meus pensamentos. Não queria cogitar aquela hipótese terrível, dilacerante e pior de tudo: possível. Eu não queria mesmo, mas a pergunta não parava de me perturbar.

 E se essas lembranças não retornarem jamais?

 

Andy Biersack

O fim de tarde havia se passado depressa comparado aos meus dias internado. Nada poderia me deixar mais aliviado do que estar na minha casa ao invés de um quarto hospitalar sem graça e sem vida. Eu já estava de saco cheio de ficar deitado o dia inteiro sem fazer nada, além de forçar minha mente a cada segundo para lembrar-me de alguma coisa ou pelo menos um detalhe sequer do que ocorreu nos cinco meses antes do meu acidente. Como essa merda foi acontecer comigo? Como fui perder todas essa memórias? Até uns dias atrás eu me preparava para sair em turnê solo e então ao acordar todo ferrado em uma cama de hospital sou informado que se passou meses após as minhas últimas lembranças válidas. E se ainda não bastasse, arranjei uma namorada nesse tempo... Uma namorada!

Uma namorada que afirma que nosso namoro começou como uma mentira e depois se tornou verídico. Porra, quando diabos foi que eu criei coragem para embarcar em uma maluquice desse nível?  Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos as fotos de nós dois juntos que eu mesmo postei nas redes sociais e a porção de mensagens trocadas com ela antes de eu me acidentar, eu não teria acreditado. Maya Jones realmente era minha namorada e esse fato se tornou incontestável quando dei de cara com todas as evidências. A garota era linda, carinhosa e aparentava estar mesmo apaixonada. Deu para sentir seu amor e devoção por mim no beijo que trocamos pouco antes de ela ir embora. Tive esperanças de que com o beijo eu pudesse relembrar algo relacionado a ela, mas nada aconteceu. A experiência foi igual a beijar uma mulher qualquer por quem eu não tenho sentimento nenhum. É lamentável, porque confesso que gostei da sua companhia. Maya me pareceu ser uma boa pessoa, não muito diferente do que eu escolheria para ser minha companheira, porém eu não me recordava dela. Não me recordava de droga nenhuma e nada mais fazia sentido na minha vida.

Suspirei derrotado. Minha cabeça estava a ponto de explodir diante do tamanho esforço que eu andava fazendo para recuperar minha memória. Cansado, dei pausa nas músicas que tocavam baixinho e em questão de segundos a campainha foi tocada em seguida. Minha mãe não havia chegado ainda, mas ela tinha as chaves. Será que a Maya se esqueceu de algo? Com um pouco de dificuldade de apoiar minha perna machucada no chão, relutante fiquei de pé e caminhei mancando até a porta. Assim que a abri, franzi a testa em surpresa.

–Juliet?

–Andy – ela sorriu docemente como quem não queria nada.

Seu sorriso era o mesmo que me lançou constantemente quando foi me visitar no hospital. Naquele dia ela apareceu alegando estar com saudades e preocupada com meu estado de saúde. Disse que já tínhamos tido vários encontros depois do seu retorno à Califórnia, que eu a tinha perdoado e que estávamos nos reaproximando outra vez. Eu não entendi muito bem porque para mim aquela foi a primeira vez que nos vimos depois do nosso rompimento. Contudo a própria Maya garantiu que esteve comigo quando reencontrei Juliet em uma festa beneficente. Quanto a isso eu não tinha o que duvidar, mas ter me reaproximado da loira a minha frente não tinha lógica.

–O que você quer? – perguntei indiferente ao seu olhar caloroso em minha direção.

–Só quero conversar Andy. Por favor, não seja tão arredio comigo. Você me perdoou, confia em mim.

–Andy meu filho, eu ouvi a campainha. Quem é? – repentinamente meu pai surgiu na sala paralisando quando viu de quem se tratava.

–Oi Chris – Juliet acenou tranquilamente.

–O que você está fazendo aqui?

–Eu vim ver o Andy.

–Andrew, você está de acordo? – indagou meu pai pronto para expulsar Juliet a pontas pés dali se fosse necessário. Ele nunca a perdoaria pelo que fez a mim.

Passei uma mão no cabelo incerto do meu querer. Não sabia se concordava com a presença da Juliet, entretanto gostaria de ouvir sua versão sobre nosso relacionamento ultimamente.

–Sim pai. Eu e a Juliet temos que conversar. Você pode dar um minuto pra gente?

Com uma expressão de quem não aprovou nada minha decisão, ele somente resmungou um “certo" e saiu me deixando a sós com minha ex-noiva. Não me dei o trabalho em convidá-la para entrar, assim que me direcionei ao sofá ela veio atrás.

–Eu não lembro de termos retomado nossa amizade, Juliet.

–Nesse momento você não se lembra de muitas coisas Andy – rebateu ela sentando de frente a mim na mesinha de centro.

–É... Em relação a isso você não está errada – bufei consciente do meu estado – Agora fala. Como foi que a gente se reaproximou? A Maya não comentou nada sobre...

–A Maya? – cortou-me Juliet – Aquela sua namoradinha de fachada?

Meu sangue gelou. Oh inferno. Ela sabe.

–O quê? Como sabe que...

–Você me contou em um de nossos encontros. Eu sei que tudo não passou de fingimento entre vocês.

–Eu contei? – inquiri atônito com aquela nova informação.

–Sim baby, você me contou, mas não se preocupe. Eu nunca comentei nada com ninguém e nem faria isso – ela se inclinou ligeiramente dando-me uma visão nítida de seus olhos esverdeados.

Estarrecido, balancei a cabeça sem acreditar.

–Por que eu falei disso com você? Ninguém deveria saber. Eu não enten...

Juliet levantou a mão e tocou meus lábios com os dedos me interrompendo.

–Você falou comigo porque queria dividir esse segredo e sabia que podia contar com minha descrição – ela curvou-se um pouco mais segurando meu rosto entre mãos – Você não se lembra do que aconteceu recentemente, mas lembra de quando estávamos juntos não lembra? Éramos tão felizes. Contávamos tudo um para outro.

–Contávamos mesmo? Você me traiu – atirei acidamente.

–Andy, já discutimos sobre isso. Combinamos que não iríamos mais tocar neste assunto. Enterramos essa história no passado – com a voz sedosa, ela prosseguiu – Eu ainda te amo e há pouco tempo você confessou sentir o mesmo. A verdade é que nunca deixamos de nos amar baby.

Não tive tempo de assimilar nada, Juliet acabou com o pouco espaço entre nós e então me beijou. Arregalei os olhos segurando seus braços na tentativa de afastá-la, mas alguma coisa dentro de mim me fez desistir da ideia. Deixei que seus lábios tomassem os meus e permiti-me reviver nossos momentos de outras épocas apenas por alguns instantes. Quando achei que já tínhamos passado dos limites eu a empurrei levemente para trás atordoado com o turbilhão de sensações que invadiam meu corpo. Que merda Andrew, você tem uma namorada! Por mais que não se lembre dela, você é compromissado. Sendo alto-censurado por minha consciência, fechei a cara para anunciar seriamente:

–Juliet, isso foi errado. Eu tenho alguém agora e essa pessoa merece respeito.

–Pessoa essa que você não faz a mínima ideia de quem seja Andy – ela deu de ombros sorrindo – Sabe, você disse que iria terminar esse namoro por nossa causa.

–Eu disse? – levantei as sobrancelhas, espantado.

–Sim baby. Você estava disposto a nos dar uma segunda chance.

A insegurança tomou conta de mim. Eu queria mesmo dar uma segunda chance para mim e Juliet? Mas e como a Maya ficaria nessa história? Não estávamos tão apaixonados como ela disse estarmos? Será que eu perdoei minha ex-noiva e fui capaz de me deixar envolver por ela de novo? Maldita amnésia.

–Eu não sei Juliet. Nada está batendo – murmurei irritado por não me recordar de nada do que ela dizia – Me faz o favor de ir embora? Minha cabeça está uma bagunça para lidar com você nesse momento.

–Tudo bem baby. Eu vou, mas eu volto. Não quero ficar longe de você – dando um beijo demorado em minha bochecha, a loira levantou e se encaminhou até a porta – E Andy? Relaxa. Não precisa ficar se martirizando pelo nosso beijo. Já rolou muitos desses depois da minha volta e garanto que você não se incomodou nem um pouco.

Dito isso, Juliet sumiu da minha vista deixando-me completamente desnorteado. Os sentimentos de confusão, vazio e impotência se tornaram praticamente insuportáveis quando fechei os olhos para pensar sobre todas as informações que recebi durante o dia. Tudo aquilo era tão irracional e insano que meu único desejo naquele momento era saber o que aconteceu verdadeiramente durante esses últimos meses.

Mas em qual versão eu poderia confiar, afinal?

 

 


Notas Finais


1. Coitada da Maya.
2. Que raiva desse beijo ridículo do Andy e da mentirosa da ex (desnecessário)
3. Alguém pode me dizer como foi que a Juliet realmente soube do namoro de fachada da Maya e do Andy? Como?

É isso honeys. Deu trabalho colocar em palavras os sentimentos dos dois, então espero ter feito algo não muito confuso e que tenham gostado <3

Ah e aqui está o link do clipe da música do Andy mencionada no capítulo. Homem lindo, aff...
https://www.youtube.com/watch?v=NF4jet4WaeI&list=RDNF4jet4WaeI&start_radio=1

Beijinxx


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