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História Namoro não tão falso - Capítulo 6


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Notas do Autor


60! VOCÊS JÁ SÃO 60! EU ESTOU SURTANDO!

Capítulo 6 - Rico para caralho


— UNO! — gritou Naruto, quase pulando da cadeira.

— PORRA! — xingaram Kiba, Sakura e Ino em uníssono.

Sakura colocando a mão na boca, se lembrando que estava ao lado da namorada e não deveria usar tal linguagem.

Estavam em sala de aula, mas isso não importava muito, considerando que estavam na aula do Hatake e que assim que terminassem suas atividades poderiam fazer tudo o que quisessem, só com uma condição: fingir que estavam estudando caso o professor Umino aparecesse.

Um à um foram jogando em sua vez, cada vez mais perto da jogada do Uzumaki e pelo que aparentava com toda sua animação ele estava próximo de ganhar. Porém, o Uchiha interrompeu sua felicidade.

— Mais quatro — colocou a carta na mesa sem olhar para o namorado.

A sala foi tomada por gritos. Naruto gritando de indignação e frustação, enquanto o resto do grupo comemorava.

Kakashi tentou silenciar os alunos, mas não a tempo o suficiente.

— MAS O QUE SIGNIFICA ISSO? — berrou Iruka Umino entrando na sala, dando aula na sala ao lado não tornou muito difícil escutar a baderna.

Porém, já acostumados com situações como essa desde o seu sexto ano, suas cadeiras sempre estavam em ordem com os livros sempre abertos, bastou apenas sentar-se decentemente. Chouji foi rápido em esconder as cartas do jogo, enquanto Kakashi começava a recitar um trecho do livro em suas mãos, que para sorte de todos não era nada pervertido.

— Estou apenas ensinando literatura para meus alunos — mentiu rapidamente para seu namorado.

— Eu escutei gritos — disse Iruka, entrando ainda mais na sala e olhando cada um dos alunos.

Não importa quantas vezes fizessem isso era sempre assustador mentir para o professor Umino.

— Estavamos apenas imitando o grito de dor do povo ao ser amaldiçoado por Amarantha — mentiu prontamente Sakura, a representante da sala — Assim como o professor Kakashi sugeriu.

— Sim, querido. É uma leitura dinâmica — O professor de literatura sorriu por debaixo da máscara.

— Está bem — respondeu Iruka, mais calmo e um tanto corado por ser chamado de querido na frente dos alunos — Porém, espero que não se repita essa baderna.

— Sim, professor Umino — respondeu a sala em uníssono, enquanto Iruka voltava a sua sala.

— Desci para a lama de novo, e os feéricos que me assistiam murmuraram em confusão. Saquei o osso do cinto e, inspirando fundo, quebrei-o contra o joelho. Se Amarantha queria que eu caçasse, eu caçaria. — o Hatake continuou a ler o trecho, até que estivesse certeza de que passou um bom tempo e fechou o livro.

— Ah, professor, continua. Eu gosto dessa parte — Ino reclamou.

Depois de tantas vezes de mentir para Iruka, eles haviam praticamente lido o livro inteiro, alguns inclusive leram toda a triologia por influência do Hatake.

— Todos gostamos, Ino — Kakashi afundou em sua cadeira, abrindo o livro apenas para sua leitura — O Uno na minha mesa.

— MAS... — Naruto começou a protestar.

— E se gritarem novamente eu entrego vocês para o Iruka — ameaçou sem levantar os olhos do livro.

O grupo de amigos murchou e ficaram em silêncio por um momento.

— Ei, vocês viram a princesa nova da Disney? — perguntou Naruto, sem conseguir se manter calado.

— A Raya? — perguntou Hinata.

— Nossa, eu vi o trailer e ela tem tudo para ser minha nova princesa favorita — falou animada a Haruno, se sentando de costas para a lousa.

— Ué e a Mérida como fica? — perguntou Ino, começando a lixar suas unhas perfeitas.

— Ela fica em segundo.

— A minha é a Tiana — falou Chouji abrindo um de seus Doritos escondidos e divindo com o grupo.

— E a minha é a Ariel — contou Hinata sorrindo.

— A Elsa é muito melhor — Sasuke disse aceitando o salgadinho do Akimichi.

— Que mau gosto, Uchiha. A Mégara é superior em todos os aspectos — debochou Ino, jogando o cabelo para trás.

— Ela nem é uma princesa — Shikamaru argumentou e levou um beliscão da amiga.

— E a sua que é a Bela Adormecida! — Shikamaru não negou.

— Eu gosto da Rapunzel! — exclamou Naruto, com a boca cheia de Doritos.

— Eu também — concordou Sai, sem parar de desenhar em seu caderno.

— Ah, é? Por que ela te lembra alguém, amor? — perguntou Ino, carinhosa, dando ênfase ao seu grande cabelo loiro.

Sai pareceu ponderar sobre a resposta, mas depois respondeu um sólido o que murchou a Yamanaka.

O grupo todo olhou para Shino em espera.

— A minha favorita é a Branca de neve — informou Shino, empurrando os óculos escuros para cima.

Os olhares dos amigos se voltarem agora para Kiba, o supreendendo com a atenção repentina.

— Ah, sei lá. A princesa Monoke?

— É princesa da Disney, idiota — zombou o Uzumaki, lambendo os dedos e levando um tapa do namorado pelos modos.

— Foda-se! Studio ghibli é superior à Disney — Kiba deu de ombros, pegando mais Doritos.

— Concordo. Só de terem o Howl ganham — Ino concordou e olhou brevemente para o namorado antes de completar em baixa vox — Quem me dera ter um Howl...

— E eu um Ashitaka... — falou Kiba, aceitando o Cheetos que Chouji acabou de abrir.

Enquanto mastigava o salgadinho percebeu o que ele falou, pelos olhares que os amigos lhe lançaram. Ele tinha se esquecido do namoro.

Parte disso não é culpa dele, considerando que ele não via Kankuro há uma semana.

— Quer dizer, ainda bem que já tenho um... — falou se embolando nas palavras.

O olhar desconfiado no rosto de Sakura ainda sim continuou.

— Falando no seu príncipe... Onde ele está? Ele não vem mais para escola — perguntou a Haruno.

— Eu sei lá...? — Kiba falou a verdade, sem saber o que fazer. Não fazia idéia do que havia acontecido, até pensou em mandar uma mensagem para ele, mas nunca havia tempo para isso.

— Como assim não sabe? Vocês não são namorados? — pela primeira vez Sai levantou o olhar do desenho ao falar.

— É, mas não somos grudados! — falou tentando se defender.

Sakura deu de ombros e argumentou.

— Mesmo assim é muito estranho. Vocês quase não parecem namorados.

— Como assim? — perguntou Hinata visivelmente nervosa, sabendo da mentira.

— Quer dizer, você quase não sabe nada sobre ele. Até parece que não sabe que o treinador Baki é o pai dele...

ESPERA! O QUE?

— Eu só vi vocês se beijando uma vez e sempre achei que, sei lá, você seria do tipo grudento — a Haruno completou.

— Sim, do tipo cachorro carente — Sasuke concordou.

— Quer dizer, você ao menos vão junto para o jogo amanhã? Ou já decidiram as suas fantasias de Halloween? — Sakura perguntou.

Não, ele não havia feito nada disso.

O medo gelou seu corpo, estavam desconfiando e se eles descobrirem, e se eles soubessem.

Para sua sorte, a conversa mudou de rumo completamente com Ino falando sobre a sua fantasia com o namorado e como eles ficariam lindos de Mortícia e Gomes.

Mesmo assim não conseguia respirar tranquilamente. Pegou o celular no bolso desesperadamente.

Ei, onde você está?

A resposta tardou alguns minutos.

Em casa.

Precisamos conversar. Kiba foi direto ao ponto. Onde é especificamente "em casa".

Kankuro nada respondeu, além de mandar  a localização da residência.

Esperou quantos minutos conseguiu para pedir para ir para o banheiro.

Fez uma curva rápida à esquerda e depois direita, até que chegasse a pequena sala abandonada do zelador. Era suja, escura e proibida. E também um ótimo local de fuga da escola.

Ele, Naruto, Chouji e Shikamaru costumavam sair sempre que podiam por ali, matar aula para fazer o que quisessem.

Kiba pegou um dos skates empoeirados escondidos atrás das caixas, que o quarteto costumava usar para ir para longe. Podia estar sujo, mas estava em bom estado.

Jogou o skate pela janela quebrada e o seguiu logo atrás. Checou novamente o aberração antes de se dirigir até lá.

Era longe, mas ele tinha tempo e não estava à pé. Não havia sinal de que iria chover naquele dia, apenas um dia cinza e frio típico de outubro.

Sabia que não precisava se preocupar quanto ao seu material, Shino e Hinata o trariam para ele. E quanto ao trabalho, ainda era nove horas da manhã, daria tempo o suficiente.

Andou de skate por metade da cidade, mas ainda assim não ficou cansado, havia tanto tempo que ele não andava com skate e sentir a brisa no rosto novamente era viciante.

Freiou o veículo quando viu que havia chegado na residência e ficou boquiaberto olhando para o prédio.

Foi até a portaria, encolhido e desconfortável.

— Com licença, eu vim visitar os No Sabaku — falou ao porteiro, sem nem saber se era o prédio certo, duvidava que alguma família morasse ali. O prédio parecia mais um hotel seis estrelas ou lar de políticos corruptos.

— Sim, fui informado da sua presença. Sétimo andar. — falou o homem de aparência séria, enquanto ele liberava a porta para sua entrada.

Andou pelo térreo encolhido, com medo de quebrar qualquer uma das coisas com aparência muito cara. Não que na mansão Uchiha fosse diferente, mas tudo tinha cara de que lhe renderia um processo caso houvesse um arranhão sequer.

Até o elevador, apesar de comum pareceu ser muito chique para Kiba. Apertou o botão sete com o dedo coberto pela blusa, com total medo de sujar.

Quando a porta do elevador abriu novamente, ficou parado olhando o apartamento que era maior do que a casa dele.

— Uau... — falou em voz alta sem perceber.

— Você finalmente chegou — a voz o assustou embora já tenha se tornado famíliar.

Kankuro estava no topo da escada, com o torso enrolado no cobertor e o cabelo marrom encaracolado, como se ele não o tivesse arrumado.

— É, eu estava a pé — Kiba deu um passo para fora do elevador, sendo atraído pela presença de Kankuro.

— Então, o quê você quer? — perguntou curto e grosso o No Sabaku, descendo a escada.

— Você é rico para caralho — o mais novo murmurou deslumbrado ainda com o apartamento.

Kankuro espirrou e toda sua atenção se voltou a ele. Seus olhos estavam levemente inchados, sua festa franzida, como se estivesse sentindo dor e seu rosto corado parecia ser por febre.

— Eu percebi — murmurou Kankuro, chegando perto dele, seu tom era levemente ronco.

— Você está doente..? — ele perguntou visivelmente preocupado.

O No Sabaku não respondeu apenas se dirigiu para sala e se jogou no sofá.

Kiba não desistiu e foi até ele, deixando o skate jogado no chão. Rapidamente, colocou a costa da mão no pescoço do veterano. A temperatura estava um pouco acima da média.

— Você já foi no médico? 

— Claro que sim e já estou melhor — Kankuro resmugou, sem afastar a mão do Inuzuka de sua pele.

— Tem certeza? — Kiba se aproximou mais, tentando analisar.

— Sim! — o veterano se afastou bruscamente nervoso.

Kiba se sentou ao seu lado no sofá, em total silêncio e ainda o encarando com preocupação. Kankuro se mexeu desconfortável.

— O que você tanto queria conversar?

— Que...? — Kiba perguntou confuso, para depois pular do sofá se lembrando — Estão desconfiando da gente.

— Quem?

— Meus amigos

— Isso é impossível. Eles são todos burros — Kankuro zombou, dando de ombros e pegando controle.

— Ei! — Kiba protestou em defesa dos amigos.

— Foi a Sakura, né? Ela é a única mega inteligente — disse Kankuro, ligando a televisão e o silêncio de Kiba confirmou. — O quê ela disse?

— Bem que eu não pareço te conhecer, que a gente só se beijou uma vez, que eu não te convidei para o jogo amanhã e que a gente não decidiu nossa fantasia de halloween — o Inuzuka recitou, fechando os olhos para se lembrar exatamente — Aliás, o seu pai é o treinador?!

— Espera aí, eles querem que eu te beije? — Kankuro ignorou a pergunta.

Kiba corou com a pergunta, só de imaginar eles fazendo tal coisa.

— Você não respondeu minha pergunta! — o Inuzuka exclamou, correndo para se defender.

— Sim, o Baki é meu pai — respondeu o No Sabaku, olhando para todos lados menos para ele.

— Mas você disse que seu pai morreu.

— E morreu. Baki ficou com nossa guarda quando chegou a pena de morte dele... — Kankuro queria falar mais, por algum motivo, conversar com Kiba lhe dava essa sensação de poder falar qualquer coisa, mas se interrompeu, se abrir ainda era estranho — Sua vez.

— Eles achavam que eu seria do tipo grudento, por isso desconfiaram — Kiba tentou explicar, um tanto desconcertado pela resposta de Kankuro. — Tipo, a gente não faz coisas normais de namorados.

— E o que namorados normais fazem?

— Eu sei lá, eu nunca namorei.

A resposta fez Kankuro revirar os olhos e largar o controle para pegar o celular. Digitou rapidamente, tão rápido que Kiba quase não viu.

— Coisas normais de namorados — o No Sabaku citou o site que entrou.

Kiba ficou surpreendido e se inclinou mais para ler.

— Tem fotos juntas. Tem foto do outro como papel de parede. — Kankuro citou em voz alta os primeiros tópicos.

Saiu do site brevemente e foi até sua galeria, parando em uma foto de Kiba abraçando o Rilakkuma de pelúcia que Mirai havia ganhado, em seu rosto um enorme sorriso que não fazia parecer que ele estava irritado minutos atrás, e o capuz com orelhas de gatos estava sob sua cabeça. O Inuzuka corou com a foto, se perguntando porque Kankuro havia lhe fotografado.

— Essa está linda — os batimentos de Kiba erraram um segundo com o comentário do veterano, enquanto o mesmo colocava a foto como papel de parede — Pronto.

— Ei! Eu também preciso ter uma foto sua! — Kiba protestou, depois de respirar fundo para sair a vermelhidão do seu rosto, pescou o celular do bolso.

— Se você tirar uma foto minha nesse estado, eu te mato! — Kankuro o ameaçou e Kiba largou o celular, colocando as mãos para cima, como se estivesse prestes a cometer um crime.

— Injusto... — o Inuzuka resmugou, cruzando os braços.

— Apelidos fofos. Beijar e demostrar afetos em público. Dormir abraçados? — Kankuro continuou a ler, voltando ao site.

Quando acabou a leitura, encarou o Inuzuka em um longo silêncio, que constrangeu o mais novo.

— Ei, amor

Todo corpo de Kiba queimou com o chamado e ele sentiu raiva pelo outro o ter feito sentido isso.

— Sim, meu príncipe? — Kiba provocou o outro. Kankuro em resposta bufou, lhe mostrando o dedo do meio.

— Vamos ver... — Kankuro voltou a olhar para o celular — Ter interesses em comum

O casal ficou se olhando por um longo momento, não havia nenhum interesse que unisse os dois além do namoro falso.

— Vamos assistir um filme — Kankuro tomou a iniciativa, largando o celular para pegar o controle remoto — E como você escolheu na última vez aquela merda, eu escolho dessa vez.

Kiba bufou com o xingamento à obra divina que era Gente Grande 2.

— O que vai ser? Pianismo francês, o documentário? — o Inuzuka zombou.

— Você vai ver — Kankuro falou, com um enorme sorriso, daqueles que um canto de seus lábios ficava maior do que o outro — Por que você não vai fazer uma pipoca para nós?

— Eu sou a visita — Kiba se indignou, mas foi totalmente ignorado. Ele respirou fundo e se levantou — Bem que me avisaram que todo No Sabaku era mandão.

Kiba foi até a cozinha, algo não muito difícil de se achar, considerando que todo o primeiro andar era em conceito aberto. Lá tudo era de última geração, fazendo o garoto soltar vários uau, enquanto vasculhava os armários em busca de milho para pipoca.

— E sobre ir amanhã no jogo? — perguntou, enquanto esperava o milho terminar de estourar.

— Eu vou, como o combinado — respondeu Kankuro simplesmente, seu tom de voz ainda estava rouco pela gripe e Kiba não teve certeza se ele realmente iria.

— E as fantasias de Halloween? 

— Eu nunca vou vestir fantasia de casal! — Kankuro reclamou, se virando no sofá para olhar diretamente para outro.

— Eu estava pensando em Chapéuzinho vermelho e Lobo mau ou Lenhador, se você quiser — Falou Kiba, ignorando o comentário do outro.

O No Sabaku bufou e Kiba sabia que ele estava revirando os olhos, mesmo sem precisar olhar.

— Para começar, que tipo de fantasia de casal é essa? A criança com o bicho que comeu a vó dela ou um homem de meia idade?

— Okay, então vai ser essa — o Inuzuka ignorou a reclamação, desligando o fogo assim que a pipoca terminou de estorar — E você será a Chapéuzinho.

— Só nos seus sonhos, pervertido. — Kankuro parecia fixar cada vez mais irritado e Kiba adorava isso.

Quando foi até a sala, se sentar no sofá, foi impedido. Um enorme gato gordo estava esparramado, ocupando pelo menos metade do sofá.

Kiba ficou encarando o felino em silêncio, podia se dizer que ele não era um amante de gatos. Quando tentou se sentar ao lado do gato, ele rosnou.

— Kankuro — implorou por ajuda.

Kankuro em resposta o salvou, fazendo-o sentar muito perto dele.

— Não liga para o Shukaku, ele é assim mesmo — Kankuro tranquilizou. — Ele odeia todos, com exceção do Gaara.

— E o seu gato? — Kiba passou o balde de pipoca para ele.

— Eu não tenho um.

— Sério?

— Sério. Eu não gosto de gatos.

— Como não?

— Por que você acha que eu gostaria de gatos?

— Bem, porque você é todo gato, tem aquelas orelhas de gatos no seu capuz, você é frio e rabugento... — parou ao perceber o que havia falado, fazendo o No Sabaku sorrir imensamente.

— Obrigado.

— Não nesse sentido! — Kiba protestou, com seu rosto totalmente vermelho.

— Sei...

— Vamos assistir logo o filme — disse tentando mudar de assunto, pegando o controle e despausando. — Qual é?

— Annabelle — respondeu Kankuro.

O clima estava bom para um filme de terror, as gotas de chuva começavam a cair nas enormes janelas e as enormes nuvens cinzam bloqueavam qualquer luz solar. Estava um tanto frio e Kankuro pareceu perceber isso.

O No Sabaku se desenrolou da coberta, revelando um abdômen sem camisa, que foi encarado pelo Inuzuka até ser coberto novamente.

Kankuro cobriu ele e Kiba com a coberta, enquanto Kiba claramente não estava nervoso por estar embaixo das cobertas com o veterano vestindo apenas uma calça moletom e defitivamente não estava pensando o quanto ele era musculoso e perguntando como ele conseguiu isso, já que ele era o aluno mais quieto de toda escola.

O filme se passou tranquilamente, o mais tranquilamente que um filme de terror poderia passar. Sempre que um ou outro personagem fazia uma burrice, como não correr, Kiba gritava com a tela. Ou quando não gritava de horror por uma cena assustadora.

Assim que a mulher apertava o botão e o elevador não subia, Kiba se desesperou durante toda a cena, se alternando entre gritar e se encolher de medo. Quando a maldita da boneca apareceu, o Inuzuka segurou o braço de Kankuro com força, enfiando seu rosto na curva do pescoço do outro.

O No Sabaku gargalhou com a reação do namorado e Kiba o olhou com sangue nos olhos por isso, porém, nunca largando seu braço.

O filme se passou com mais gritos, enquanto a chuva se intensificava, Kankuro uma vez ou outra trazia mais petiscos e Kiba com certeza não aproveitava a oportunidade para olhar para seu abdômen e peitoral. Sempre que ele voltava, voltavam a posição inicial, com Kiba agarrado ao seu braço.

Kiba justificou a si mesmo que era algo comum entre amigos.

Depois do filme ficaram simplesmente conversando, era bom e confortável, e os assuntos fluíam perfeitamente.

A porta do elevador foi aberta, sobressaltando Kiba, quase se soltou do braço do outro para não dar a impressão errada, mas se lembrou do namoro.

A No Sabaku de cabelos loiros entrou, avisando a Kiba que as aulas acabaram e ele não havia percebido. A garota procurou com os olhos pelo irmão e ao ver um intruso, se espantou, mas com um enorme sorriso.

— Quer dizer que você aproveita que estamos fora para macular meu doce irmão doente? — perguntou maliciosamente.

— Eca — falou Gaara entrando logo em seguida.

— Vai se fuder, Temari — xingou Kankuro, passando um braço arredor de Kiba.

Então ele não tinha contado. Por que?

— Papai, logo virá. Quero ver o que ele vai fazer se pegar vocês de inheco nheco — falou Temari jogando a mochila encima de Kankuro.

O irmão do meio revirou os olhos, mas não falou nada mais. Levantou-se deixando o cobertor de lado, enquanto se preocupava em arrumar a bagunça de lanches que eles haviam feito.

Kiba reuniu toda sua força de vontade para não olhar para o No Sabaku.

— Ei! Agora podemos fazer uma noite de garotos e garota completa! — Temari se jogou no sofá ao lado dele.

O veterano bufou com a menção.

— Eu odeio essas noites. — Kankuro resmugou.

— Odiava! Agora que você namora não odeia mais — Temari falou com autoridade.

— Noite de garotos e garota? — Kiba perguntou, sem entender.

— Sim! Eu, Shika, meus maninhos e meus cunhados!

— Que pesadelo... — Kankuro murmurou.

Kankuro foi até cozinha com a bagunça, passando por eles e levando um tapa na bunda pela irmã, por resmungar. Kiba quase se engasgou segurando o riso.

— Você é um cara legal, Kiba. Eu te conheço a bastante tempo e sei muito bem disso. — a No Sabaku falou assim que o irmão havia saído da sala, em tom ameaçador — Mas se você ousar o machucar um pouco sequer, eu...

— Idiota, não deixe o seu skate jogado por aí — Kankuro interrompeu, trazendo no braço o tal skate.

Olhou confuso ao ver o rosto de Kiba cheio de pavor.

— O que eu perdi?

— Nada! — Temari sorriu.

— Temari estava ameaçando o seu namorado — dedicou Gaara, sentado do outro lado do sofá com Shukaku em seu colo.

— Mentira!

— Temari! — Kankuro exclamou constrangido.

— Que foi? Só estou protegendo meu bebê!

Kankuro grunhiu envergonhado e pegou Kiba pela mão, o puxando para fora da sala.

— Ele tem que ir.

— Tchau, tchau. — despediu-se Kiba, acenando para os outros dois No Sabaku, a voz divertida por segurar a risada.

Achava fofo o rosto envergonhado de Kankuro.

O veterano o arrastou até o elevador.

— Uuuuh, se pegar no elevador — puderam escutar Temari dizendo antes que a porta do elevador fechasse, deixando Kankuro totalmente vermelho.

— Me desculpa por isso, cara — coçou a nuca, olhando para o chão. — Minha família é tudo doida.

— Que nada! Eles são demais! — respondeu, pegando seu skate nos braços.

— Até Baki que você chamou de maluco?

Kiba se assustou ao lembrar que havia xingado seu sogro antes. Riu sem jeito.

— Bem, agora pelo menos eu sei o porquê ele parecia me odiar e odiar o Lee.

Kankuro riu, se debruçando contra o elevador.

Era uma visão linda, Kankuro rindo em uma posição que era impossível não olhar para seu tronco.

— Sua família também é legal. Akamaru e Mirai são as coisas mais fofas do mundo. — Kiba gostou da forma como foi inserido os dois como sua família, o quê realmente era verdade.

— Aposto que sua mãe é mais legal. Não vejo a hora de conhecer ela. Toda sua família é perfeita, aposto que ela também é — E Kiba falou aquela frase, aquela frase que ele tanto se arrependeu de ter dito.

O olhar de Kankuro endureceu e o sorriso morreu, todo seu corpo ficou tenso e ele cruzou os braços em sua frente, como se para esconder.

Kiba ficou apavorado, tentando entender o que havia feito.

A porta do elevador abriu.

— Acho que você já pode seguir daqui sozinho. — a voz do No Sabaku foi rígida.

Kiba concordou, seguido para fora, culpando-se repetidamente por ter falado aquilo.

Ele se achava um idiota, um completo idiota. Ele tinha diversos amigos que o assunto pais era um gatilho, amigos com pais merdas e amigos que tinham pais mortos. Mas mesmo assim isso não impediu ele de falar aquilo.

Um idiota sem noção, ele se xingava. Não sabia o que tinha acontecido, mas simplesmente todo seu filtro havia sumido e ele havia soltado aquela merda. Ficou tão confortável, achando que poderia falar qualquer coisa, contar a Kankuro tudo que esqueceu totalmente de pensar antes de falar.

Passou pela recepção cabisbaixo, sem nem se importar com o olhar de seu treinador e sogro, um olhar mortal considerando que ele acabou de sair de sua casa com seu filho seminu. Rapidamente a conversa entre ele e algum outro morador morreu.

Mas Kiba não notou, muito menos se importou. Ele só conseguia passar e repassar aquela frase em sua cabeça, e, especialmente, como fez o sorriso mais lindo do mundo, para ele, morrer.


Notas Finais


E aí quem vocês querem ver de Chapéuzinho vermelho? Kiba ou Kankuro?

Aliás o livro que o Kakashi lê existe e se chama Corte de rosas e espinhos, conhecido pelo melhor hot do mundo dos livros, por isso é o favorito do Kakashi


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