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História Nanatsu High School.(Nanatsu No Taizai). - Capítulo 68


Escrita por:


Notas do Autor


12.000 palavras. Boa sorte ;) hehe.

Boa leitura! ❤️

Capítulo 68 - Baile de máscaras.


 

DIANE POV

 

— E aí, malucos e malucas? Aqui é a Diane loucona fazendo um vlog para vocês com Elizabeth das peripécias, Elaine bipolar e Gelda sabe-tudo. Deem oi, garotaaaaaas! — Falei enquanto gravava com meu celular.

 

— Quando foi que você decidiu ser vloger mesmo? — Elizabeth perguntou enquanto mexia no celular.

 

— Faz cinco minutos — Dei de ombros.

 

— Isso tá um porre — Elaine se jogou no sofá.

 

— ELAINE! — Gritei.

 

— "E aí, malucos e malucas?" — Elaine debochou — Tá fazendo vídeo pra drogado agora?

 

— Não faça piada com a minha incrível entrada triunfal! — Cruzei os braços.

 

— Eu faço piada com o que eu quiser, sou bicha solta — A nanica me mandou um beijo no ar, esse beijo que foi gentilmente pisoteado por mim.

 

— Você anda enchendo o saco sobre tudo esses dias, não é? — Gelda se sentou em uma poltrona, segurando um copo d'água.

 

— E eu sei até o porquê — Cantarolei, balançando minhas mãos.

 

Todas olharam para mim.

 

— Ah é? Por que então? — Gelda questionou enquanto bebia alguns goles da água.

 

— Porque ela não tá dando! — Exclamei.

 

Gelda se engasgou com a água, Elizabeth correu até ela para ajudá-la e Elaine me olhou com a melhor expressão de indignação que conseguiu fazer.

 

— DIANE! — Ela praticamente rosnou.

 

— To sendo sincera, oras! — Falei me recostando no sofá — A Gelda tá sempre calma então o Zeldris é meio inútil nesse quesito.

 

— Ele vai ficar sabendo disso — Gelda apontou o dedo na minha cara.

 

— Quando vocês estiverem fodendo pela próxima vez? Tipo, daqui a trinta anos? — Ri e desviei de uma almofada.

 

— Isso é realmente rude, Diane! — Elizabeth largou o celular e cruzou os braços.

 

— Até agora a pessoa que mais transou foi a Elizabeth — Falei e ninguém disse nada — Parece que vocês concordam comigo.

 

— Não tem como você saber — Elizabeth finalmente se pronunciou, com as bochechas coradas e fala estranhamente trêmula.

 

— E você? Por que tá tão cri-cri, em? — Gelda perguntou enquanto jogava o copo de água vazio para algum canto.

 

— De acordo com a teoria dela; É porque ela não tá dando — Elizabeth parecia querer me dar uns bons tapas na cara.

 

— Na verdade, é por isso mesmo. Já faz tempo que não dou e posso estar mais irritante por isso — Mexi em uma das marias-chiquinhas enquanto observava a obra que tinha feito.

 

Todas me olhavam totalmente estupefatas.

 

— Pera um pouco... você e o King já...? — Gelda fez gestos muito sugestivos até para mim.

 

— Oras, já. — Respondi simplista e aguardei a explosão de gritos — Gente, eu já disse isso antes lá naquela noite em que a Gelda disse que a mãe dela tava em coma e que a Elizabeth disse que tinha uma irmã gêmea e que ela era a Liz.

 

— Mas a gente pensou que era só brincadeira para descontrair, por isso os meninos ficaram brincando, ninguém achou que era verdade — Gelda falou e se aproximou de mim — Mas, agora, isso é verdade?

 

— É — Falei revirando os olhos.

 

— COMO ASSIM?! — gritou Elizabeth balançando os braços.

 

— VOCÊ SEQUER PENSOU EM NOS CONTAR?! — Dessa vez foi Gelda, se levantando do sofá.

 

— MEU IRMÃOZINHOOOOO! — Elaine se jogou no chão de joelhos e começou a bater no tapete.

 

— Essa tá bem louca — Elizabeth disse.

 

— Enfim — Eu comecei enquanto mudava minhas pernas de posição na cadeira em que eu havia me sentado — Sim. Eu e King já... e eu inclusive contei pra vocês então chega de todo esse drama! — E então veio uma ideia diabólica em minha mente — Mas, olha, o pau dele era//

 

— NÃOOOO — Gelda e Elizabeth gritaram em um impressionante uníssono.

 

— MEUS OUVIDOS ESTÃO SANGRANDO! — E Elaine gritou ao mesmo tempo que elas, mas uma frase bem mais dramática, de fato.

 

Elaine correu para a cozinha; Gelda se sentou na poltrona com a cabeça entre as mãos e Elizabeth... bem, Elizabeth foi atender a porta depois que tocaram a campainha.

 

Os meninos entraram no apartamento carregando seus casacos e algumas sacolas com comida bem saudável (percebe-se, aqui, a minha ironia).

 

— Trouxemos o que nos foi pedido! — Disse Meliodas enquanto largava uma das sacolas para poder agarrar Elizabeth.

 

Ok, ok. Vou contextualizar aqui.

 

O baile de máscaras aconteceria em alguns dias. Já havíamos nos resolvido com Gelda após a prisão de Kasune há algumas semanas. Quase um mês mas não tem tanto.

 

O baile de máscaras ainda aconteceria porque era um evento maravilhoso que todos precisávamos para ter um pouco de felicidade durante a escola, não estou certa?

 

Entãããão, como eu disse, faltavam alguns dias para o baile; cerca de três dias. E queríamos comemorar coisas legais antes disso para que tivéssemos longos e especiais dias juntos. 

 

Aí decidimos fazer uma festinha hoje e aqui. Faríamos outras coisas nos outros dias (provavelmente seriam mais festas entre nós), mas hoje iríamos nos concentrar em filmes, conversas, comidas e piadas.

 

Iríamos ter uma noite inesquecível antes de outra noite incrivelmente inesquecível.

 

— Oi, pessoal — Gelda acenou para os meninos e deu um selinho em Zeldris quando ele se aproximou.

 

— Onde deixamos isso? — Ban questionou enquanto indicava as sacolas que eles carregavam com comidas e outras coisas.

 

— Deixem por aqui mesmo — Elizabeth indicou a mesa de centro — A não ser que tenha algo que possa derreter.

 

— Tem sorvete — Ban respondeu.

 

— Muito sorvete — Meliodas riu.

 

— Então vamos levar para a cozinha — Elizabeth pegou as sacolas de sorvete e foi para a cozinha com Meliodas.

 

Eles voltaram logo e já estávamos todos acomodados nos sofás e poltronas.

 

— Por que a Elaine estava bebendo água como se fosse tequila enquanto olhava pela janela? — Meliodas perguntou apontando para a cozinha. Ele sentou-se com Elizabeth em uma parte do sofá.

 

— O sonho dela era ser alcoólatra mas sua tolerância ao álcool é deprimente — Falei enquanto dramatizava.

 

Nós teríamos rido por mais tempo se não fosse por um furacão baixinho e loiro invadindo a sala.

 

E o Meliodas já estava sentado com a Elizabeth, então claramente não era ele.

 

— VOCÊ! — Ela apontou para King, que estava sentado ao meu lado.

 

— Eu? — Ele olhou para os lados.

 

— POR QUE NÃO ME DISSE QUE VOCÊ E A DIANE JÁ TINHAM TRANSADO?! 

 

— Você e a Diane já transaram?! — Ban olhou indignado para King. — Isso não é coisa que se esconda de amigos!

 

— Nós teríamos comemorado! — Meliodas abriu os braços em um sentido amplo.

 

— É sério que eu acabei de ouvir isso? — Elizabeth perguntou para Meliodas, esse que só deu de ombros e riu.

 

— RESPONDA, KING! — Elaine bateu em uma mesa.

 

— PUTA QUE PARIU, QUEBRA A CASA LOGO! — Gritei e recebi um olhar mortal de Elaine — desculpa.

 

— Eu não sou obrigado a te dizer tudo que faço, Elaine — King falou de forma simplista — Mas a Diane já havia falado isso naquela festa do pijama outra vez, por que a surpresa agora?

 

— Porque todo mundo achou que era mentira apenas para descontrair! — Elaine gritou.

 

— Ah, mas acontece que não era mentira — King deu de ombros — E obrigado pelo apoio de todos — Ele disse de forma irônica.

 

— Iiiiiiiiih — Disse Ban.

 

— Iiiiiiiiih — Disse Meliodas.

 

— Credo, vocês são tão infantis — Zeldris revirou os olhos.

 

— Iiiiiiiiiih, disse o idoso — Falei e Ban e Meliodas riram. Fizemos high-five enquanto observávamos a cara de tacho de Zeldris.

 

— Eu não acredito que meu próprio irmão me escondeu algo — Elaine fingiu que ia desmaiar e foi segurada por mim.

 

King bufou, já havia desistido de tentar falar que todos já sabiam disso há meses e que não havia necessidade para todo esse escândalo agora.

 

— Você se acostuma — Meliodas falou dando um olhar totalmente sugestivo para Zeldris.

 

— Eu nunca te escondi nada, seu louco! — Zeldris respondeu se apoiando no móvel que ficava abaixo da TV.

 

— Será? — Meliodas estreitou os olhos.

 

— Você é impossível — O moreno suspirou.

 

— A gente vai assistir alguma coisa? — Elaine perguntou enquanto se sentava no sofá.

 

— Você não tava surtando agora há pouco? — Ban perguntou passando o braço em volta dos ombros de Elaine.

 

— Era mais para efeito do drama mesmo — Ela deu de ombros.

 

— Sim, sim — Eu falei — Eu ofendi Elaine, Gelda e Elizabeth mas acho que elas não estão a fim de entrar nesse assunto — Eu fiz um olhar triste.

 

— Como as ofendeu? — Meliodas perguntou curioso e levou um tapa de Elizabeth.

 

— É difícil ofender a Gelda, ela é mega calma — Zeldris disse olhando para Gelda, essa que respirou com dificuldade enquanto eu ria — O que foi?

 

— Zeldris, pode passar um recado para a Diane? — Gelda perguntou.

 

— É, Zeldris, depois de um tempo essa vira sua principal função — Eu brinquei mas ele, obviamente, não entendeu.

 

— Qual o recado? — Perguntou para Gelda.

 

— Pode dizer que a gente não transa de trinta em trinta anos? — Gelda disse e Meliodas, Ban, Elizabeth, Elaine, King e eu explodimos em risadas.

 

— Eu não posso ter escutado certo — Ele falou.

 

— Mas escutou — Gela retrucou.

 

— Você anda discutindo nossa vida sexual com a Diane?!

 

— Que vida sexual? — Eu falei e mais uma sessão de risadas que fizeram a barriga doer.

 

— Diane, você só pode opinar de coisas que você sabe! — Zeldris estava bem indignado, não vou mentir.

 

— Então vocês transam muito? — Perguntei e nenhum respondeu...

 

... mais risadas.

 

— Pelo menos — Gelda disse alto — não somos como um casal de coelhos! 

 

Todos olhamos para Meliodas e Elizabeth, esses que estavam cochichando e rindo entre si. Elizabeth com as bochechas vermelhas.

 

— O que? — Elizabeth olhou para nós confusa.

 

— Coelhos são fofos — Meliodas deu de ombros.

 

— E tem quinhentos mil filhotes por segundo! — Gelda disse com as mãos sendo abanadas pelo ar.

 

Elizabeth fingiu olhar para os lados e então disse:

 

— Eu não to vendo nenhum filho nosso correndo por aqui.

 

— Isso é até a camisinha estourar, né? — Zeldris deu de ombros e Gelda riu um pouco.

 

— Ou... — Elaine começou, atraindo todos os olhares para si — ... até vocês não usarem uma camisinha, já que estavam na despensa do clube de culinária.

 

O silêncio reinou durante poucos segundos.

 

— Elaine... — Ban falou e parecia uma espécie de repreensão.

 

— Ban, me deixa! — Elaine falou — Eu vou ser sincera.

 

— Tá louca? — Ele franziu as sobrancelhas.

 

— A tequila me deixou muito bêbada e agora eu vou falar!

 

— QUE TEQUILA, RETARDADA?!

 

— A MINHA TEQUILA TIPO H2O!

 

— O QUE TÁ ROLANDO?! — Interrompi a discussão deles.

 

Os dois se entreolharam e Ban suspirou.

 

— Tudo bem, não tem como fugir eternamente disso — Ele falou.

 

— Eu to ficando angustiada — Elizabeth juntou as mãos.

 

Olhei para Gelda e Zeldris e os dois estavam olhando para o chão ou teto.

 

Isso estava realmente estranho.

 

— Pessoal — Elaine respirou fundo — O Ban quer dizer uma coisa para vocês.

 

— Eu?!

 

— É!

 

Então Ban respirou fundo e disse:

 

— Eu estou muito ansioso para o baile de máscaras.

 

— Ban! — Chiou Elaine.

 

— Oras, eu falei algo!

 

Então Elaine bufou.

 

— Okay, eu falo!

 

— Então fala logo! — Meliodas se endireitou no sofá.

 

— Eu to grávida!

 

Um silêncio sepulcral se instalou.

 

Arregalei os olhos e olhei para King; ele estava com uma expressão preocupantemente apática.

 

Elizabeth parecia prestes a desmaiar.

 

Meliodas estava claramente surpreso, considerando a sua boca aberta.

 

Eu olhava para todos sem saber o que fazer ou dizer.

 

E Gelda e Zeldris pareciam 0% surpresos. Na verdade, pareciam até aliviados.

 

E foi quando o entendimento caiu em cima de mim como uma bigorna.

 

— Vocês sabiam? — Eu apontei para os dois.

 

— Ô, fia, não me mete nisso não — Zeldris levantou as mãos.

 

— Elaine me disse — Gelda falou enquanto agarrava os joelhos — Ela não sabia o que fazer, estava realmente confusa e eu a ajudei.

 

— Legal que depois sou eu que guardo segredos! — King riu enquanto olhava para Elaine.

 

— Eu ia te contar de um jeito bonitinho mas não sabia como então desisti e foi assim e aqui mesmo — Elaine deu de ombros — Desculpa.

 

— Ban, você é um amigão — King resmungou e então balançou a cabeça e... sorriu, bem de leve mas sorriu — O pai e a mãe vão te matar.

 

— Eles meio que já sabem — Elaine riu sem graça.

 

— Eu guardo tantos segredos, não é? — Ele debochou — De fato, eu não esperava ser tio tão cedo mas fazer o quê? Agora só me resta aproveita o famoso ritual do "brinca com a criança e devolve para os pais quando chorar".

 

Todos rimos, parecia que a notícia deixava de ser surpreendente para algo legal e divertido.

 

King estava certo: Agora que já estava feito não adiantava ficar se lamuriando.

 

— Então podemos dizer que não adianta chorar pelo leite derramado, não é? — Eu falei — Literalmente.

 

— Eu queria não ter entendido — Meliodas balançou a cabeça.

 

— Você é a pessoa mais pervertida que eu conheço, é óbvio que você entenderia — Zeldris riu.

 

— Eu tenho que concordar — Elizabeth disse.

 

— Vamos brindar com água! — King se levantou e ergueu seu copo de água.

 

Todos começaram a correr procurando copos e colocando água dentro, quando todos já estavam devidamente reunidos e com seus copos d’água, ele disse:

 

— Ban e Elaine guardam segredo pra caralho mas vamos cuidar dessa criança porque, puta que pariu, coitada — Nós todos rimos — Mas, falando sério, eu não esperava isso mas não deixa de ser bom, vamos todos ajudar no que podemos e dar todo nosso apoio. Ao fruto Baine!

 

— AO FRUTO BAINE! — Todos gritamos no brinde.

 

— FAÇAM SILÊNCIO, ADOLESCENTES GRÁVIDOS! — Ouvimos um vizinho gritando.

 

— DESCULPA! — Eu gritei.

 

— ME DEIXEM DORMIR!

 

Nós rimos mas tentamos fazer menos barulho.

 

E, mesmo assim, falhamos miseravelmente, óbvio.

 

Passamos algum tempo apenas conversando sobre trivialidades e então adentramos assuntos chamados: "vexames".

 

— Quando eu era pequena, vivia entrando nas salas erradas e era um saco. A professora me olhava e os alunos me olhavam e eu apenas saía correndo! — Falei e todos riram.

 

— Acontecia comigo também! — Elizabeth falou ainda rindo — Eu já cheguei até a sentar na cadeira de alguém!

 

— E eu que vomitei na coordenadora? Eu tenho certeza que é por isso que ela me odiava — Elaine pareceu pensativa sobre isso.

 

— Eu nunca tive um vexame assim, eu acho — Gelda falou e todas nos colocamos a pensar.

 

— TEVE UM! — Eu falei quando me lembrei mas então me desanimei — Ah, mas não foi vexame dela, ela só fez outra pessoa passar um vexame.

 

— Isso me parece estranhamente maquiavélico, na verdade — Zeldris falou e olhou para Gelda.

 

— Quando foi isso? — Ela perguntou e eu ri.

 

— Foi quando você disse que não queria ficar com o Richard porque ele escrevia "chão" sem o tio — Elizabeth explicou e Gelda entende, logo começando a rir conosco.

 

— Essa a minha mãe vai ter que saber.

 

Nós parecíamos claramente confusos com a frase mas acabamos deixando para lá com o tempo.

 

Até o celular dela começar a tocar.

 

— Ai, Meu Deus — Ela disse ao ver quem ligava — Alô, mãe? Eu ia te avisar que não poderia ligar hoje, estava muito ocupada com deveres atrasados e agora to com os meus amigos... sério? Que bom então... nem a pau... — Gelda suspirou — Okay, okay — Então ela colocou o celular no viva-voz.

 

— Me botou no viva-voz? — Todos estranhamos porque essa não parecia com a voz da mãe da Gelda.

 

— Botei, mãe — Gelda riu.

 

— Ótimo — A mulher falou através do celular — Olá, crianças. Eu só conheço vocês pela descrição que a Gelda me fez mas logo vou conhecer todos pessoalmente.

 

— Você tem que se cuidar, mãe.

 

— Logo já vou estar "cuidada" o suficiente para viajar de avião, obrigado — Ela falou.

 

— Se você diz — Gelda deu de ombros.

 

— Só queria dizer isso mesmo. Ah, e amanhã vou passear em uma trilha aqui de Camelot. Disseram que vai me ajudar com as pernas, então não vou poder atender ligações — A suposta mãe da Gelda disse.

 

— Tudo bem, mãe. Tchau.

 

— Tchau, bebezinho.

 

A ligação se encerrou e diversos pares de olhos estavam presos em Gelda, esperando explicações pra ontem.

 

— Como eu posso dizer isso... — Gelda murmurou.

 

— Você poderia começar pelo começo — Elizabeth cruzou os braços.

 

— Certo, certo — Gelda respirou fundo — A minha mãe acordou do coma.

 

— QUÊÊÊÊÊÊ?!? — Foi um uníssono ensurdecedor, admito.

 

— Ela acordou há mais ou menos um mês, quando eu, o Gowther e a Nadja estávamos em Camelot — Gelda deu de ombros como se estivesse falando que acabou o pão.

 

— E eles souberam disso? — Meliodas perguntou.

 

— Sim — Gelda deu um sorriso sem graça.

 

— Somos todos tão sinceros uns com os outros! — King riu alto, nesse ponto o coitado já parecia não ligar pra mais nada.

 

— Bem, gostaria que tivesse dito antes mas fico feliz por você mesmo assim — Elizabeth sorriu.

 

— É que eu não achei o momento certo para simplesmente soltar essa novidade e fugir — Gelda sorriu mas também deu de ombros, uma combinação estranha.

 

— Quando vamos conhecê-la? — Elaine batia palminhas, tamanha sua animação.

 

— Ela quer vir para cá e os médicos disseram que ela está em um ótimo estado para quem esteve em coma por quase dezessete anos — Gelda falou e coçou a nuca — Então logo ela poderá nos visitar mesmo.

 

— Eu conheço os pais da Gelda apenas para ter que conhecer a outra mãe dela depois — Zeldris disse e nós rimos.

 

— LINDA HISTÓRIA, AGORA DURMAM! — Gritou o vizinho chato.

 

— A GENTE NEM TAVA FALANDO ALTO, APOSTO QUE TÁ COM O OUVIDO GRUDADO NO CHÃO TENTANDO NOS OUVIR! — Eu gritei de volta.

 

— CLARO QUE SIM, PORQUE NÃO TENHO NADA MELHOR PRA FAZER, NÉ?!

 

— ENTÃO PARA DE RECLAMAR! — Nossa discussão parecia estar sendo de grande entretenimento.

 

— EU TO FALANDO SÉRIO, NÃO TENHO NADA MELHOR PRA FAZER!

 

— TADINHO, VOCÊ SÓ QUERIA SER AMADO! — Eu gritei com a mão no meu peito, sentindo a dor do vizinho.

 

— NÃO É PRA TANTO, SUA LOUCA, SÓ TAVA NO TÉDIO MESMO!

 

— AH, ENTÃO VAI SE FERRAR BICHO! 

 

— VOU É ASSISTIR NETFLIX, TCHAU!

 

— TCHAU ENTÃO! — Olhei para todos os meus amigos que pareciam estar segurando as risadas — Eu preciso de água agora — Falei rouca e isso foi o suficiente para as risadas irromperem pela sala de estar.

 

 

                                       •••

 

— POR QUEEEEE? — Elizabeth chorava em rios.

 

— Se acalma ou vão chamar a polícia — Meliodas deu batidinhas nas costas dela.

 

— Mas — Ela fungou — Eu queria um final feliz.

 

— Ah, mas teve um final feliz! — Gelda falou sem confiança alguma na voz.

 

— Pois é, o Brad Pitt morreu lutando com o urso que ele foi ligado — Eu disse e todo mundo me encarou — O que? Me parece, pelo menos, um final digno.

 

— As duas morreram! — Elizabeth voltou a chorar — AS DUAS!

 

— Para ser mais justa, uma se suicidou — Elaine falou e concordamos mas isso não ajudava Elizabeth.

 

— Mas, Elizabeth, ele teve dois filhinhos — Gelda disse e foi uma péssima decisão porque apenas fez Elizabeth piorar no choro.

 

— OS FILHOS DELE NÃO TÊM MÃE E NEM PAI AGORA! — O choro tava tão alto que eu queria um travesseiro para botar nos ouvidos.

 

— Mas ele só morre no fim do filme — Meliodas franziu o cenho.

 

— Você é burro? — Zeldris perguntou enquanto balançava a cabeça.

 

— Ele entregou os filhos para o irmão dele cuidar depois do tiroteio louco na fazendinha — Eu expliquei e Meliodas pareceu entender.

 

— O IRMÃO DELE SE CASOU COM A MULHER DELEEEE — Elizabeth estava se desidratando em uma velocidade preocupante.

 

— Ei, gente — Chamei a atenção — Vocês perceberam que todos os três irmãos ficaram com a Susannah em alguma hora? — Eu comecei a rir mas Elizabeth apenas chorava.

 

— A Isabel... — Ela murmurou — ELA NÃO MERECIA MORRER DAQUELE JEITO!

 

— E a Susannah merecia?! — Elaine perguntou com lágrimas se formando.

 

— Parece que vocês ou esquecem ou apenas escolhem ignorar a morte do Samuel — Falou King... que foi ignorado. Ele bufou e foi para a cozinha.

 

— A Susannah se matou, gente, foi escolha dela, mas a Isabel foi morta — Gelda disse enquanto olhava para suas unhas — As coisas são diferentes, sabe?

 

Olhamos para Elaine a tempo de vê-la começando a abrir o berreiro.

 

— EU TO TÃO TRISTE! — Ela gritou enquanto chorava.

 

— EU TAMBÉM TO! — Elizabeth gritou de volta e ela e Elaine se abraçaram.

 

— Poxa, tudo isso por causa do Brad Pitt? — Ban resmungou.

 

— O NOME DELE É TRISTAN! — Elizabeth e Elaine rosnaram em meio ao chororô.

 

Pois é, isso que dá assistir Lendas da Paixão com seus amiguinhos emotivos.

 

( intervenção da autora: Inclusive, recomendo que todos assistam Lendas da Paixão. Eu assisti no início do ano e ainda não superei, é isso T-T ).

 

Depois que elas se acalmaram, fomos dormir.

 

Conseguimos puxar todos os colchões que tínhamos direito para a sala de estar e ficamos por lá mesmo.

 

Três da manhã foi o horário em que começamos a assistir Lendas da Paixão, inclusive.

 

E as meninas ainda choravam quando estava chegando nas cinco e quarenta.

 

É tão bom ver o caos reinar nessa bela casa que tá sempre tão calma.

 

                                    •••

 

OKAY, OKAY, MUDANÇA DE PLANOS.

 

O BAILE DE MÁSCARAS É HOJE A NOITE E EU ACHAVA QUE AINDA TINHA PELO MENOS DOIS DIAS PARA ME PREPARAR AAAAAAAAA.

 

— Diane, se acalma! — Elizabeth disse enquanto eu andava de um lado para o outro.

 

O baile começaria às sete horas da noite e terminaria apenas uma da manhã.

 

MAS JÁ ERAM CINCO DA TARDE!

 

— Você já não tem seu vestido? — Elaine perguntou e eu assenti.

 

— Então por que essa preocupação toda? — Gelda riu e começou a subir as escadas.

 

— Porque eu tinha prometido aos malucos e malucas que iria gravar um vídeo no dia do baile mas eu tinha esquecido que era hoje//

 

— EU DESISTO! — Elaine se levantou do sofá e me olhou — Seus malucos e malucas estão te deixando louquinha da Silva!

 

— Concordo — Gelda cantarolou do segundo andar.

 

— Você poderia apenas aproveitar a noite sem ter que ficar pensando nesses "malucos e malucas" — Elizabeth botou a mão em meu ombro — Além do mais, são quantos?

 

— Vinte, trinta? — Elaine riu e deu de ombros.

 

— Quarenta... — Eu falei.

 

— Tá vendo só? — A loira disse.

 

— ... mil — Completei a frase.

 

Elizabeth arregalou os olhos e Elaine olhou de mim para a Elizabeth e da Elizabeth para mim.

 

— Você tem quarenta mil inscritos?! — Ela chiou.

 

— É, eu acho que sou bem carismática.

 

Gelda desceu as escadas.

 

— Foda-se. Você tem que aproveitar a noite sem esses quarenta mil inscritos te exigirem algo — Ela falou e eu concordei.

 

— Vocês estão certas! Tenho que aproveitar minha noite por mim mesma! — Me levantei da cadeira e todas gritaram em comemoração.

 

— Isso aí! — Elaine sorriu — Agora vou me arrumar, tchau.

 

— Eu também — Falou Elizabeth.

 

— Vim só beber água — Disse Gelda dessa vez.

 

Todas subiram e eu fiquei sozinha na sala.

 

— Acho que tenho que ir também, né porra — Resmunguei subindo até meu quarto.

 

                                     •••

 

 

GELDA POV

 

Não vou mentir. Estava difícil.

 

Lidar com tudo que estava acontecendo e ainda me manter bem plena por fora era uma tarefa bem complicada.

 

Ainda mais quando eu estava surtando totalmente por dentro.

 

Era a minha mãe acordando.

 

Era a Elaine falando para todo mundo que estava grávida.

 

Era o baile que seria daqui a duas horas.

 

Era a Diane dizendo que eu e o Zeldris não transávamos.

 

Estava meio certa? Sim, mas sexo não é tudo em uma relação.

 

Suspirei e me sentei na minha cama. Eu não podia deixar essas coisas me afetarem, afinal, elas já estavam resolvidas.

 

Levantei minha cabeça, me dando conta de que eu estava certa: tudo estava resolvido.

 

A minha mãe apenas melhorava.

 

A reação do pessoal foi ótima em relação a gravidez da Elaine.

 

O baile ia ser demais.

 

E, sério, eu não me importo com o que a Diane pensa ou deixa de pensar sobre a minha vida sexual.

 

Até porque eu sei que foi apenas uma piada besta, assim como a Diane. Ela é como uma piada besta ambulante, mas todos sabemos que suas intenções são as melhores e seus resultados também são; ninguém consegue ficar sério perto dela após uma de suas ótimas e pornográficas piadas.

 

Me levantei da cama e peguei meu vestido: era hora de me preparar para aproveitar uma ótima noite.

 

Uma noite realmente inesquecível.

 

                                      •••

 

— Nossa, já sendo subornada pelo seus pais tão cedo? — Elaine disse e riu.

 

— Não é suborno. Foi um acordo entre meu pai e... meus pais — Elizabeth parecia confusa enquanto explicava.

 

— Eu realmente não me importo — Diane interveio — Uma limousine é uma limousine, não é? — Ela riu jogando a cabeça para trás.

 

Estávamos na sala de estar apenas esperando os meninos chegarem.

 

O assunto da discussão? Simples: Os pais da Liz e da Elizabeth finalmente souberam de tudo através da Liz e foram libertos da prisão (até porque não fazia sentido que eles continuassem lá). Eles estariam no baile de máscaras hoje, apenas no fim da noite, e insistiram para alugar uma limousine para que fôssemos ao baile.

 

Mas, então, Bartra (o pai de criação de Elizabeth) apareceu e disse que Elizabeth era filha dele, então ele ajudaria a pagar e também apareceria no baile porque não ficaria para trás em seu relacionamento com sua filha adotiva; que mesmo não sendo biológica, era tão importante quanto qualquer outro filho.

 

Enfim, as roupas eram um máximo, eu admito.

 

Eram alugadas, claro. Até porque eu não ficaria com uma roupa assim entulhando meu armário eternamente, né,

 

Diane usava um vestido roxo e preto que descia em camadas. Não era um vertido volumoso, mas também não era um vestido fino. Seu cabelo estava solto e continha alguns brilhos. E, o mais importante, a máscara era de um couro preto brilhante que fazia com que se destacasse, e ela possuía uma haste presa em si para que Diane pudesse segurá-la rente ao rosto.

 

Elizabeth estava com um vestido azul escuro que era mais fino que o de Diane mas possuía uma certa calda. Suas mangas caiam em um tecido leve pelos ombros e terminavam na altura dos cotovelos. O tecido era aveludado no vestido e na máscara; essa máscara que era de um tom mais escuro que o azul do vestido e era de amarrar atrás da cabeça, mas Elizabeth ainda não havia amarrado, só o faria quando já estivéssemos no ginásio da escola, assim como Elaine.

 

Ah, Elaine. Ela parecia um anjinho.

 

...okay, isso não se parece com o meu jeito de falar mas prossigamos.

 

Elaine estava com um vestido cinza claro que era preso por uma fita na cintura. Essa mesma fita se enrolava no tronco e era presa ao redor do pescoço. O vestido não possuía mangas e terminava apenas quando se encontrava com o chão. Mas Elaine estava usando um par de luvas de couro de um tom bem próximo do cinza escuro, mas que ela ainda não botaria (assim como a máscara) porque queria botar apenas na escola. Sua máscara era branca e tinha várias penas coladas, sendo, assim como a da Elizabeth, de amarrar.

 

Por falar nisso, Elizabeth estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e Elaine tinha feito uma trança em seu cabelo, com algumas flores artificiais presas com grampos.

 

E eu usava um vestido vermelho vinho, que descia colado ao corpo, com apenas algumas tiras caindo de suas laterais. As mangas eram compridas e se estendiam até meu pulsos, mas tinha um decote em forma de V. Meu cabelo estava preso em um coque alto, com algumas mechas soltas na parte da franja. A minha máscara era muito semelhante com a de Diane... quem estou querendo enganar? A minha máscara era igual a de Diane, mas a única diferença eram algumas rosas vermelhas artificiais grudadas na esquerda e na direita superiores.

 

E estávamos na sala, esperando os meninos chegarem.

 

Sinceramente, não tinham muitas opções que os meninos pudessem usar no quesito vestimenta. Mas eles usariam roupa social e as gravatas e máscaras combinariam com nossos vestidos, por isso eles tiveram que ser informados com certa antecedência sobre nossas roupas.

 

— Por que eles demoram tanto? — Elizabeth murmurou se encostando na cadeira.

 

— Podem ter se perdido chegando no elevador... — Elaine falou e ficamos em silêncio por alguns segundos até começarmos a rir.

 

— Ei, gente — Diane nos chamou enquanto ainda terminávamos de rir — Essa noite eu quero aproveitar para me divertir muito e transar.

 

— Você só pensa em sexo? — Elizabeth perguntou enquanto ria. Eu tinha impressão de que ela estava bêbada com a animação.

 

— Ah, vai dizer que vocês não querem transar hoje? — Elaine se pronunciou e ninguém falou nada — Bem, eu não quero. Estou tendo uns enjoos de vez em quando que deve ser da gravidez e só de pensar em sexo me dá vontade de desmaiar e ficar lá no chão mesmo.

 

Olhamos para ela.

 

— Então por que você sequer falou? — Elizabeth continuava rindo.

 

— Porque sei que aqui tem umas boas pervertidas! — Ela disse e nenhuma de nós pôde discordar.

 

— Quem quer transar hoje, assim como eu, levanta a mão e fala: "Eu também" — Diane disse enquanto sorria de orelha a orelha.

 

Eu e Elizabeth suspiramos enquanto levantávamos nossas mãos e dizíamos:

 

                                     •••

 

MELIODAS POV

 

— Eu também!

 

— Oras, mas parece que temos lindos homens aqui que sobrevivem a base de punheta! — Ban fez sua afirmação agregadora de conhecimento e ainda teve tempo de desviar da almofada que King atirou nele.

 

— Se você tentar fazer com a minha irmã, seu//

 

— Eu já fiz — Ele riu e King bufou pegando seu celular e então arregalando os olhos.

 

— A Diane já xingou até a nona geração da minha família aqui — Ele disse.

 

Peguei meu celular e notei que já devíamos estar no apartamento delas há mais ou menos vinte minutos.

 

— A Gelda vai me castrar — Zeldris se levantou e começou a andar até a porta.

 

— Ninguém nunca duvidou — Respondi e ri do olhar que ele me mandou.

 

Passamos pela porta e fomos para o elevador.

 

Sinceramente, a pergunta que Ban fez foi meio injusta. Quem não vai querer transar com a Elizabeth? Dizer que eu não quero seria uma puta mentira deslavada.

 

E mentiras são coisas feias (insira aqui piscadelas pseudo ingênuas).

 

Chegamos no apartamento das meninas e tocamos a campainha.

 

— ALELUIA! — Diane abriu a porta em uma velocidade tão impressionante que me fez pensar que ela já estava sentada do lado dela.

 

— Viram? Eu disse que as minhas preces seriam ouvidas — Elaine passou após Diane.

 

— Que o destino te abençoe, Elaine — Elizabeth passou pela porta e veio até mim com um sorriso absolutamente deslumbrante.

 

— Estão atrasados — Gelda cortou completamente toda a linha de piadas que as meninas vinham fazendo — Admiti coisas nesses vinte minutos que nunca me imaginei admitindo e que não podem ser retiradas então vamos logo.

 

Entramos no elevador ignorando as risadinhas que as meninas ficavam dando após a frase de Gelda.

 

                                     •••

 

ELIZABETH POV

 

Entramos na limousine e era bem espaçosa mas não era algo que nem nos clipes americanos, e estava tudo bem.

 

Até porque não pretendíamos fazer nenhuma suruba dentro dela, né?

 

... né?

 

Né!

 

— Você está linda — Meliodas sussurrou em meu ouvido em meio às piadas e conversas do pessoal.

 

— Você também... dá pro gasto — Ele riu e depositou um beijo atrás da minha orelha. Minha pele se arrepiou mas ele não pareceu notar.

 

— Eu prefiro suco natural de abacaxi — Ele disse, se metendo na conversa dos nossos amigos.

 

— Nem vem! Suco de uva é muito melhor! — King falou balançando o dedo de um lado para o outro.

 

— Melancia — Ban disse simplesmente com os braços cruzados, ele exalava um tom de superioridade hilário.

 

— Vocês se esqueceram do suco de laranja?! — Diane perguntou indignada.

 

— É o meu suco favorito! — Eu me meti, fingindo estar ofendida.

 

— Suco de laranja é tão clichê que nem é considerado mais nessas discussões — King falou dando de ombros.

 

— Como se houvessem muitas discussões sobre o melhor sabor de suco, não é? — Elaine riu.

 

— Eu quero descer desse carro — Gelda falou em um falso tom sôfrego.

 

Olhei para meu lado e vi Meliodas olhando pela janela, ele parecia tão compenetrado no que quer que estivesse acontecendo do lado de fora que eu não consegui distraí-lo.

 

Ele apenas parecia muito ele.

 

Era excitante.

 

Ele virou a cabeça e seus olhos se encontraram com os meus, ele me lançou um sorriso.

 

— O que foi? 

 

Sorri de volta e respondi:

 

— Seria ótimo pintar seu cabelo de rosa.

 

— Porra, Elizabeth, assim você me quebra — Nós rimos e sentimos o carro parar de se movimentar. 

 

Olhamos para o lado e vimos a escola.

 

— Vamos para a festa! — Diane foi a primeira a sair do carro, estava super animada.

 

— Diane, me espera! — King correu atrás dela enquanto ria.

 

— Primeiro as damas — Ban fez uma reverência para Elaine passar.

 

— Então vai primeiro — Elaine caçoou e Ban deu um sorriso mordaz para ela.

 

— Falô então — Ele começou a sair do carro.

 

— Nem vem! — Ela passou na frente e desceu — Agora, pode vir, princeso.

 

Então passaram Gelda e Zeldris rindo de alguma coisa que só os dois entendiam.

 

Meliodas e eu entramos na escola e, se ele falou algo então terá que me perdoar por não ter ouvido; estava concentrada demais com a visão que tivemos ao seguir por um corredor e chegar no ginásio.

 

A decoração estava incrível. Serviam bebidas coloridas, tinha uma espécie de névoa que passava pelo chão em nossos pés, e as luzes eram principalmente roxas mas variavam entre si para azul ou verde de vez em quando.

 

O ginásio principal da escola era gigantesco. O que dava muito espaço para as mesas e para a pista de dança no meio do local, onde algumas pessoas dançavam ao som de uma musica bem inesperada, na verdade: Toxic, da nossa incrível Britney.

 

— Aaaah, adoro essa música! — Diane conseguiu arrastar King até a pista de dança para dançar Toxic.

 

Escolhemos uma mesa mais para o canto do ginásio e ficamos lá tomando as bebidas exóticas que era misturas de sucos com água com gás ou outros ingredientes em geral, mas isso não deixava menos saboroso.

 

Ban e Elaine logo se afastaram para uma área que seria uma espécie de "bar" e ficaram por lá. Já não víamos Gelda e Zeldris desde que entramos aqui e Diane e King continuavam dançando na pista por mais que agora estivesse tocando uma outra música, esse que era completamente desconhecida para mim.

 

Olhei para Meliodas, ele já havia colocado sua máscara, assim como eu já havia colocado a minha.

 

Sorri sabendo que ele estava sorrindo para mim.

 

— Você fica sexy com essa máscara — Falei sem sequer perceber que eu havia falado. Ele levantou as sobrancelhas e eu ri.

 

Ele se encostou na cadeira, deixando as pernas abertas de uma forma desleixada.

 

— Será que a escola sabia que, fazendo esse baile de máscaras, estaria incitando doces e ingênuas garotas a se tornarem como você? — Ele perguntou com um sorriso torto.

 

— Como eu, hum? — Eu falei e ri um pouco.

 

Me levantei de minha cadeira e me sentei em uma de suas coxas.

 

— Estamos à vista de todos, Elizabeth — Ele falou em tom de aviso mas eu podia ouvir o sorriso em sua voz.

 

— Não vão nos reconhecer com as máscaras e com a baixa iluminação — Eu falei dando de ombros.

 

Ele riu e senti suas mãos percorrendo minha cintura. Elas desciam, indo para minhas coxas. Até que uma delas parou exatamente em uma das coxas e a outra continuou descendo.

 

— O que está fazendo, mocinho? — perguntei me encostando em seu ombro quando senti sua mãos fazer o trajeto de volta mas, dessa vez, por dentro do vestido, encostando em minha pele.

 

— Eu chamaria de entretenimento — Ele sussurrou e eu suspirei ao senti-lo brincar com a barra da minha calcinha.

 

Ele afastou uma parte dela para o lado e começou a brincar com a minha sanidade.

 

Parecia que tudo ficava mais excitante com as pessoas passando. As luzes piscando e a música.

 

Rebolei em seu colo e ele riu apoiando sua testa em meu ombro.

 

— Que bom que o entretenimento é mútuo — Ele murmurou.

 

Estava muito bom, eu podia ter um orgasmo aqui e agora mesmo.

 

Se não fosse por um pequenino detalhe.

 

Seus dedos ágeis simplesmente desceram rente aos meus tornozelos e fizeram um pequeno movimento.

 

De repente eu estava sentada novamente na cadeira de plástico, assistindo Meliodas se levantar de seu assento e caminhar pelo ginásio até sumir da minha visão.

 

Processei a cena até sentir algo.

 

Ou melhor, a falta de algo.

 

Recapitulando minhas memórias lembrei de vê-lo sorrindo para mim enquanto guardava algo em seu bolso e...

 

Puta que pariu, o filho da mãe tava andando pelo ginásio com a minha calcinha no bolso!

 

                                     •••

GELDA POV

 

— Eu tenho uma proposta — Falei logo quando chegamos no ginásio.

 

— Lá vamos nós — Ele sorriu — Qual seria essa proposta?

 

— Vamos nos separar. Andaremos lindos, livres, leves, soltos por aí mas nosso objetivo é encontrar o outro — Coloquei minhas mãos nos ombros dele.

 

— Okay... Você diz, esconde-esconde? — Zeldris riu da minha cara.

 

Fiquei ofendida, não vou mentir. Quem ri da minha cara?! Só a Diane, porra. SÓ ELA!

 

— Tá bom, então não quer jogar, né? Tudo bem, afinal, você que decide se quer ou não — Dei de ombros e me virei começando a andar até senti-lo segurando meu pulso e me fazendo voltar.

 

— Eu jogo, eu jogo — Ele falou e eu sorri — Mas, só para saber, tem algum prêmio em jogo? Ou prenda, ou sei lá?

 

— Ah, tem um prêmio sim — Fiz um biquinho vendo a expressão dele ficar desconfiada — É algo bem simples: Quem achar o outro primeiro tem direito a fazer o que quiser com ele.

 

— É impressão minha ou essa frase tem teor sexual? — Ele perguntou e eu me soltei de sua mão.

 

— Tem o teor que você quiser, querido — Dei um selinho nele e me afastei — Valendo! — Logo sumi no meio da multidão e sabia que ele havia sumido também.

 

Não o avistava em lugar algum.

 

Como é que se diz mesmo? Ah, é!

 

Que comecem os jogos!

 

                                      •••

 

ELIZABETH POV

 

Cadê ele? Cadê ele?

 

Onde ele estáááá?

 

Pensei em gritar seu nome no meio do ginásio mas de nada adiantaria. Aposto que ele sequer me escutaria, considerando o volume dessa música.

 

Meu vestido era comprido e, de fato, ninguém notaria que eu estava sem calcinha mas isso me parecia um problemão.

 

Porque eu sabia que estava sem calcinha.

 

Era uma sensação incômoda. Como se você pudesse ser descoberta a qualquer instante. Isso é aborrecedor!

 

Então, em um flash de luz verde consegui ter uma ligeira visão do loiro do cabelo de Meliodas.

 

Em direção ao clube de culinária.

 

Andei até lá. A música definitivamente continuava lá, mas estava bem mais baixa.

 

Adentrei o clube e não encontrei nada, achei que estava delirando.

 

Era só o que me faltava: insanidade.

 

Passando em frente à despensa, a porta se abriu e eu fui puxada para dentro, não tinha uma boa iluminação mas pude ter clara certeza de que era Meliodas.

 

— Me devolva! — Falei sem titubear.

 

— Te devolver o que? — Ele sorriu enquanto me encostava na parede.

 

— Você sabe muito bem... — Eu gritava baixo, se é que me entendem. Quero dizer, eu espero que me entendam.

 

— Ah, você se refere a isso? — Ele levantou minha calcinha na altura do meu rosto.

 

Tentei esticar meu braço para pegá-la mas ele foi mais rápido e escondeu novamente em seu bolso.

 

— Sabe o quão desconfortável é andar por aí sem calcinha?! — Questionei indignada.

 

— Hum — Ele parecia ignorar a minha indignação.

 

— É terri//

 

Ele me beijou e eu tentei me controlar e acabe com o beijo mas não deu. Me vi retribuindo antes que eu pudesse sequer pensar em não retribuir.

 

Nos afastamos e eu notei que meus pulsos estavam sendo segurados na parede ao lado da porta, assim como eu.

 

— Você não me parecia tão resignada assim quando estava rebolando no meu colo, lá no meio do ginásio — Ele falou enquanto passava seu nariz pelo meu pescoço.

 

— As circunstâncias mudaram — Arquejei ao senti-lo depositar uma mordida no local.

 

— Ah, é? — Ele olhou para mim e sorriu torto.

 

Foi aí que eu perdi o controle da paz interior que ainda me regia.

 

Capturei seus lábios nos meus e, antes que ele pudesse notar, já havia me soltado de suas mãos e as minhas próprias se embrenhavam pelas suas mechas loiras.

 

Puxei sua cabeça para trás e comecei a distribuir beijos pela extensão de seu pescoço. Ele riu.

 

— O que falava sobre circunstâncias mesmo?

 

— Não falava nada — Eu disse voltando a beijá-lo.

 

Suas mãos saíram de minha nuca e desceram pelas minhas costas alcançarem minha cintura, me puxando para mais perto.

 

Estávamos sentados na despensa, eu com minhas costas apoiadas contra a parede.

 

Senti quando ele segurou na ponta do tecido do meu vestido e começou a puxá-lo para cima até deixá-lo na altura da minha cintura. Mas isso não o impossibilitou. O tecido parou na minha cintura mas suas mãos passaram por dentro dele e começaram a subir em direção aos meus seios.

 

— Sem sutiã, hein? — Ele disse enquanto apertava os mamilos dos dois peitos simultaneamente, praticamente sem concentração na minha parte de baixo desnuda.

 

Rebolei contra ele, tentando aliviar meu próprio desconforto. Em reação, seu quadril se movimentou quase de forma agressiva em direção à mim.

 

Gemi baixo e ele soltou uma risadinha enquanto retirava suas mãos de mim e tirava sua calça.

 

Sinceramente, eu estava preocupada com o fato de não termos camisinha e de que talvez essa despensa possuísse algum tipo de feitiço de gravidez já que era o mesmo local que Elaine citou como sendo onde o bebê foi concebido.

 

Mas quando ele me penetrou foi como esquecer que passei a porra da metade da noite andando pelo ginásio sem calcinha. Foi realmente desestressante.

 

Seus movimentos eram brutos e rápidos. Claramente estávamos falando de uma espécie de rapidinha (óbvio né, estando na despensa do clube de culinária você não quer nada muito maravilhoso).

 

Ambos atingimos o orgasmo alguns segundos depois, ninguém estava se segurando muito.

 

Só queríamos o prazer rápido e nada de curtir o momento.

 

Isso parece meio cruel mas juro que não é.

 

Arrumei minha roupa e ele colocou sua calça de volta e me estendeu a mão.

 

— Obrigado — Peguei o que estava em sua mão: minha calcinha. A coloquei e saímos de lá.

 

Chegando no ginásio, vi que algumas pessoas já haviam ido. Devíamos ter passado muito tempo enrolando para chegar aqui, e então enrolando na despensa, aí voltando para cá; já eram praticamente onze horas.

 

— Pílula do dia seguinte — Murmurei para Meliodas e ele assentiu, entendendo o recado que era: "COMPRA ESSA PORRA".

 

— Como? — Olhei para trás e me deparei com meu pai (Bartra) me olhando confuso.

 

— "como?" O que? — Perguntei rindo de nervoso.

 

— O que você falou, Elizabeth? — Ele cruzou os braços.

 

— Ela disse que aquela garota não vai conseguir acordar no dia seguinte — Meliodas (também conhecido como: minha salvação) disse apontando para uma menina que estava dançando feito uma louca na pista de dança e que parecia ter ingerido bebidas proibidas na escola... tipo... tipo... toddynho, né? 

 

— Ah, sim... — Ele nos olhou desconfiado mas pareceu engolir a desculpa.

 

U-F-A!

                                      •••

 

GELDA POV

 

— Você foi péssimo! — Eu ria após ter encontrado Zeldris em quase cinco minutos.

 

— Eu já entendi — Ele bufou mas pude ver um pequeno sorriso em seu rosto.

 

Me sentei na mesa junto d'ele e ficamos lá durante dez segundos até vermos a professora de espanhol se aproximando.

 

— Olá, garotos. Se importariam de me fazer um favor? 

 

Eu e Zeldris nos entreolhamos.

 

— Ta, tudo bem. O que precisa? — Perguntei me levantando junto de Zeldris.

 

— Tem umas caixas no depósito de livros que eu gostaria de ter comigo hoje para conseguir saber com antecedência alguns assuntos. Mas tenho que ajudar a professora de física então ...

 

— Podemos fazer isso — Zeldris sorriu.

 

— Ótimo! São as únicas caixas verdes na sala, estão do lado da porta.

 

Assentimos e começamos a seguir caminho. O depósito de livros ficava a uma certa distância do ginásio.

 

— Ah, sim. Eu perdi, o que quer que eu faça? — Zeldris se lembrou e disse despretensiosamente enquanto caminhávamos.

 

— Que me faça um oral — Olhei para a cara dele e ele parecia realmente sério até eu começar a rir de novo — parece que você cai em tudo que eu falo!

 

— Hum — Ele apenas fez esse barulho, o que aumentou meus risos.

 

— Ai, ai... sei lá... eu não tinha pensado que você perderia então não pensei no meu prêmio... me compra um sorvete, eu acho... — Eu continuava rindo e ele continuava me lançando olhares mortais vez ou outra.

 

Até chegarmos no depósito de livros.

 

Entramos e era uma sala com algumas prateleiras e caixas tinham seu lugar nessas prateleiras. Era bem organizada e, ao olharmos para o lado, podíamos ver apenas um banquinho preto e as duas caixas verdes que a professora havia nos falado sobre.

 

— Okay, vamos pegar as caixas e//

 

Fui interrompida quando me senti guiada (ou empurrada, escolha a sua versão) até o banquinho preto.

 

— O que foi, doido? — Perguntei para Zeldris mas tudo começou a fazer sentido quando eu o vi se ajoelhando no chão e afastando levemente minhas pernas uma da outra — Ah, não, não, não.

 

— Não era o que você queria? — Ele questionou segurando meus tornozelos.

 

— Eu estava brincando! — Falei quase entrando em desespero quando o vi subindo a saia do meu vestido até a altura dos das minhas coxas.

 

— Mas eu levei a sério — Ele olhou para mim e, de repente, sorriu arqueando uma sobrancelha — Está com medo?

 

Arregalei meus olhos e balancei a cabeça.

 

— Não! Não estou! — Disse apertando o banquinho entre meus dedos.

 

— Então ótimo! — Senti seus dedos puxarem minha calcinha e surtei. Segurei em seus pulsos e ele voltou a olhar para mim — Tudo bem...? — Ele disse lentamente.

 

— Olha só, — Respirei fundo — Nós só transamos duas vezes e em nenhuma dessas vezes tinha tanta claridade quanto tem aqui — Comecei a olhar para os lados. Eu só podia estar em uma espécie de pegadinha estúpida ou sei lá.

 

— Aaaaah, então você está insegura... — Ele falou quando alcançou o entendimento — Não precisa ficar insegura.

 

— Sério? Como eu nunca havia pensado nisso antes?! — Falei de forma irônica e ele revirou os olhos.

 

— Você não confia em mim? — Hesitante, eu assenti com a cabeça — Então é só relaxar, vai ser bom!

 

Tentei fazer o que ele mandou. Fechei meus olhos e respirei fundo ao senti-lo retirar minha calcinha.

 

Meu vestido subiu mais e mais, até chegar na cintura. Eu estava aguentando, estava aguentando.

 

Então ele colocou minha pernas apoiadas em seus ombros e foi demais para mim.

 

— Okay, chega, eu// — Iria falar mais coisas mas senti sua língua passar por toda minha extensão e foi impossível não ofegar.

 

A medida que passava, apenas ficava melhor. Segurei em seus cabelos com força, sem conseguir me controlar e me senti cada vez mais leve.

 

E então veio o orgasmo.

 

Foi um dos melhores da minha vida, de fato, mas isso não tirava a total vergonha que eu estava sentindo, apenas parecia piorá-la.

 

Enquanto eu ainda suspirava e tentava recuperar (sem muito sucesso) o ar que eu havia perdido, Zeldris colocou novamente minha calcinha e arrumou meu vestido.

 

— E aí? — Ele cruzou os braços e se encostou na parede.

 

— Foi... maravilhoso — Disse ainda ofegante.

 

— Tá vendo? Tem que me escutar mais vezes, Gelda! — Ele riu enquanto abria a porta e pegava uma das caixas verdes.

 

— Anotado! — Eu gritei para que ele ouvisse.

 

Agora preciso de um plano de fuga, sem chance de eu conseguir encará-lo essa noite sem me lembrar... disso.

 

                                       •••

 

 

ELIZABETH POV

 

Após conseguir enrolar meu pai com aquela desculpa esfarrapada (que eu espero que tenha dado certo), ele nos guiou até uma área ligeiramente fora do ginásio, onde se encontravam: Liz, um homem e uma mulher.

 

Andamos até lá, eu estava em dúvida. Aqueles podiam ser meus pais ou... sei lá, um homem e uma mulher quaisquer.

 

— Elizabeth, — Meu pai disse quando chegamos até eles — esses são seus pais biológicos — Falou e eu sorri para eles.

 

— Pai, mãe, esse é seu tesouro perdido — Liz falou e eu ri da expressão.

 

— Me chamo Camille — A mulher falou, seu cabelo tinha uma coloração bem semelhante ao de Liz mas seus olhos eram âmbar, como meu olho.

 

— Me chamo Héctor — O homem disse. Ele tinha cabelo platinado, como o meu, e barba. Seus olhos eram de um perfeito azul.

 

— Eu... bem, eu sou a Elizabeth — Eu falei meio sem graça. Não sabia o que falar ou como reagir ou como tratá-los ou como chamá-los era algo realmente estranho.

 

— Eu vou procurar o Ban e a Elaine, conversem sem se preocupar comigo — Meliodas disse e me deixou um beijo na bochecha antes de se virar e ir à procura de Ban e Elaine.

 

Olhei para frente (no caso, para meus mais biológicos) e depois para minha esquerda (que era meu pai de criação).

 

— Então... — Eu comecei — Como vai funcionar toda essa situação?

 

Héctor e Camille se entreolharam e Camille sorriu.

 

— Nós conversamos bastante com Liz e com Bartra sobre isso antes de vir de fato conversar com você — Ela falou e colocou uma de suas mãos em meu ombro.

 

— Queremos criar laços com você, Elizabeth — Héctor disse — Como uma família — Ele abriu um sorriso.

 

— Mas não podemos ignorar o fato de que você já tem uma família — Camille falou e inclinou um pouco a cabeça para o lado — E é uma família que você ama muito e que te ama muito de volta. Não podemos simplesmente te tirar deles e fingir que sempre cuidados de você e sempre estivemos lá por você. Nós só fizemos isso por um das filhas — Ela indicou Liz. Camille tinha os olhos cheios de lágrimas que ela tentava muito segurar.

 

— Então decidimos que, quando você quiser nos visitar, será recepcionada de braços abertos para viver conosco por uma ou duas semanas, para que você seja parte da nossa família... — Héctor falou e olhou para Bartra — ... sem que você precise abandonar a sua família.

 

Eu sorri e deixei que algumas lágrimas escorressem de meus olhos enquanto eu assentia com a cabeça.

 

— Me parece uma ótima ideia! — Me joguei em um abraço antes de me afastar deles e retirar minha máscara, que estava ficavam molhada com minhas lágrimas.

 

— Vocês realmente se parecem muito — Camille colocou a mão em cima da boca quando eu tirei a máscara e ela pôde ver meu rosto descoberto.

 

— Eu e a Elizabeth? — Liz perguntou e sorriu enquanto balançava uma mão — A personalidade dela também é tão forte quanto a minha — Sorri para ela em agradecimento.

 

Passamos por tantas mudanças e evoluções. E, agora, eu fico feliz de dizer que sou amiga de Liz. Que nós podemos deixar o passado de lado e seguir em direção ao futuro que nos aguarda. Um futuro onde somos uma verdadeira família. Um futuro onde eu esteja com a minha família biológica e, ainda assim, com minha família de criação que eu guardo dentro do meu coração.

 

Quando eu ia falar mais alguma coisa com eles, senti alguém segurar meu ombro por trás, e logo vi Gelda aparecer do meu lado.

 

— Elizabeth, se o Zeldris perguntar para onde eu fui, diga que fui para qualquer lugar menos para lá — Ela disse apontando justamente o local para onde ele iria.

 

— Gelda? Por que? — Questionei intrigada.

 

— Eu to me esquivando um pouco dele. Covarde? Eu sei. Mas to a fim de continuar covarde por mais um tempinho — Ela falou olhando para os lados.

 

Eu ia perguntar qual era a razão para ela estar nessa complexa fuga do Zeldris mas Camille falou primeiro.

 

— Angel? — Ela questionou e Gelda olhou para ela com o cenho franzido.

 

— Na verdade, não — Gelda respondeu.

 

— Oh... — Camille falou.

 

— Você parece muito com uma amiga da minha esposa, menina — Héctor disse — Uma amiga da nossa família, na verdade; Angel Yeshevsky.

 

— Ela é minha mãe — Gelda falou rápido e ambos arregalaram os olhos.

 

— Você é a filhinha dela? — Camille perguntou enquanto se aproximava de Gelda — Ela apenas te chamava de "Gê" — Ela sorriu.

 

— Já faz tanto tempo desde que te vimos pela última vez — Héctor disse — Desde o acidente e o coma, que, agora, sabemos que foi causado por Kasune — Ele apertou os punhos.

 

— Não precisam se remoer por conta disso — Gelda disse e sorriu — Elizabeth, que é a filha de vocês, está aqui e vocês a reencontraram. Eu estou aqui, e acabo de descobrir que vocês chegaram até a me conhecer. Kasune foi preso e mamãe acordou então vai ficar tudo bem! 

 

Camille e Héctor arregalaram os olhos e se entreolharam.

 

— Angel acordou do coma? — Camille se aproximou mais de Gelda e minha amiga assentiu com a cabeça.

 

— Ela acordou há pouco menos de um mês — Gelda disse.

 

— Você ouviu, Héctor? — Camille se virou para seu marido e ele aquiesceu. Eles se abraçaram e Camille parecia estar chorando — Angel está acordada!

 

— Quando vocês voltarem para Camelot, podem ir visitá-la no Silver Leaves — Gelda disse — Foi bom conhecê-los, sei que Elizabeth está muito feliz com isso. Espero que passem bem — Ela olhou para trás e parece ter visto Zeldris — Vou indo, beijo, Elizabeth.

 

Ela andou pelo corredor e logo Zeldris chegou até mim.

 

— Viu a Gelda? — Ele perguntou.

 

— Ela foi pra lá — Apontei para a direção contrária que ela havia ido e ele arqueou uma sobrancelha para mim.

 

— Eu acabei de vir de lá, Elizabeth. Ela pediu pra você mentir? — Ele riu e eu suspirei.

 

— Ela acabou de ir para lá, eu to dizendo — Insisti apontando para a direção ainda contrária que ela havia ido.

 

— Okay. Se ela não estiver por lá, eu vou voltar aqui, em — Ele disse e seguiu a direção que eu indiquei.

 

Héctor olhou o relógio em seu pulso e depois olhou para mim.

 

— Já são meia noite e dez, temos que voltar para Camelot de manhã cedo, Elizabeth. Acho melhor retornarmos ao hotel — Ele falou e eu assenti.

 

— Entendo perfeitamente. Vamos manter contato... — Reuni coragem — ... pai e mãe.

 

Eles sorriram e me abraçaram. Eu os abracei de volta e meu pai Liones os levou até a saída da escola, me deixando com Liz.

 

— Parece que tudo enfim deu certo, não é? — Ela perguntou pra mim enquanto segurava minha mão.

 

— Sim. Tudo enfim deu certo — Eu sorri e apertei sua mão.

 

                                      •••

 

ELAINE POV

 

— Pois é, ela tá lá com os pais dela agora — Meliodas nos disse enquanto mexia na tampinha de uma garrafa de água.

 

— Que bom que eles vão se resolver! — Eu falei e Ban concordou.

 

— Eles realmente precisam conversar para acertar como vão ser as coisas agora que ela, bem... agora que ela tem duas famílias, não? — Ban disse meio confuso.

 

— Verdade. Essa situação precisa ser explicada e decidida entre eles — Meliodas continuava mexendo na garrafa.

 

— Alguma coisa errada? — Eu perguntei e Meliodas me olhou nos olhos.

 

Ele suspirou e deixou a garrafa em cima do balcão.

 

— O que tá rolando, cara? — Ban questionou com o cenho franzido e Meliodas passou as mãos pelo rosto.

 

— Eu só to preocupado — Ele disse e Ban e eu nos entreolhamos confusos — E se for decidido que ela vai embora com eles para Camelot?

 

— Aaaaah — Ban e eu dissemos em uníssono quando entendemos o problema.

 

— Eles não vão obrigá-la a fazer nada que ela não queira — Ban disse mas Meliodas pareceu continuar apreensivo.

 

— Mas e se ela quiser ir? — Meliodas nos olhou e eu suspirei ao ver a preocupação em sua expressão.

 

— Ela vai pensar bastante nisso, se for oferecido à ela. Mas, independente do que ela decidir, nós vamos ter que aceitar e deixá-la ir — Falei e Meliodas continuou me olhando — Por mais que eu ache que Elizabeth jamais nos abandonaria, eu também tenho plena certeza de que aceitarei o que ela decidir. Porque eu não tenho controle sobre a vida dela — Falei e ele respirou fundo.

 

— Você vai ter que confiar nela, cara — Ban disse e colocou a mão no ombro de Meliodas.

 

Meliodas olhou para algum ponto no teto do ginásio e então voltou a nos olhar.

 

— Eu só não sei o que o futuro guarda para nós, e eu fico bem apreensivo com isso — Ele riu de forma seca.

 

— Então não pense no futuro! — Falei alto e Meliodas e Ban me encararam surpresos pelo o que falei — Viva o presente! Como o nome já diz: presente. O tempo atual que vivemos é um presente para nós. É o momento em que podemos sentir e sorrir e sermos felizes sem termos que nos preocupar com o que pode acontecer. Porque nossa futuro não está decidido; ele é formado com base em nossas decisões no presente! — Eu disse e dei um tapinha no ombro do loiro — Então viva a porra do presente com a Elizabeth e continue no presente com ela, porque aí eu te garanto que, no futuro, vocês ainda estarão juntos e vivendo seu próprio presente — Terminei de falar e ele sorriu de forma verdadeira e brilhante.

 

— Obrigado, Elaine. Acho que eu precisava que alguém me dissesse algo assim. Me puxasse para a realidade em que vivo e estou... feliz — Ele sorriu e eu sorri de volta — Obrigado mesmo.

 

Ele se levantou e aposto que foi procurar por Elizabeth.

 

— Uau — Ban falou me olhando e eu sorri enquanto levantava meu humilde copo de suco de laranja — Foi realmente um belo discurso.

 

— Eu só falei o que eu penso e acredito — Mexi meus ombros — Nossa vida é curta demais para ficarmos com os olhos ou no passado ou no futuro. Temos que viver o presente; o atual. Apenas isso — Bebi um gole do suco.

 

— Hum... e você tem alguma ideia do nosso futuro? — Ele perguntou e eu sorri enquanto fingia pensar.

 

— Eu o imagino sem muitos detalhes. Apenas penso no sentimento — Falei.

 

— E qual sentimento prevalece, hein? — Ele sorriu.

 

— É difícil explicar o sentimento — Eu disse — Mas é como eu me sinto quando sei que estou com você.

 

— Isso é um bom sinal, não? — Ele se aproximou de mim.

 

— Um ótimo sinal — Sorri e nos beijamos por fim.

 

Nosso futuro seria decidido através dos caminhos que nosso presente nos fizesse trilhar e, até agora, ele só nos instigou a trilhar caminhos curiosamente bons.

 

Nos separamos e eu voltei a beber meu suco enquanto Ban olhava ao redor do ginásio.

 

— Onde estão a Diane e o King? — Ele perguntou e franziu as sobrancelhas.

 

— Eles já foram — Falei e ele me olhou surpreso.

 

— Sério? Por que?

 

— Diane estava com dor de cabeça e King não ia ficar aqui sozinho então ele foi embora junto com ela — Eu respondi e passei a olhar para o ginásio assim como Ban.

 

— Você acredita nisso? — Ele perguntou e eu o olhei sorrindo.

 

— Nem um pouco — Nós rimos — Diane com dor de cabeça? Nunca ouvi uma mentira tão deslavada. Ela consegue fazer a dor de cabeça ficar com dor de cabeça.

 

— Acha que deveríamos ligar para eles? — Ban perguntou e eu suspirei.

 

— Sabe o que eu acho? — Perguntei — Que deveríamos ir dançar um pouco.

 

E assim, fomos para a pista de dança aproveitar os trinta minutos que ainda tínhamos até o fim da festa.

 

                                     •••

 

 

DIANE POV

 

Eu e King saímos do baile de máscaras porque eu dei a desculpa de que estava com dor de cabeça.

 

Eu não estava com dor de cabeça, óbvio. Mas eu estava enjoada daquela festa, eu não aguentava mais ficar dançando e bebendo suquinhos.

 

Quem a escola acha que eu sou?! Suquinhos?! SUQUINHOS?!

 

Estavam deliciosos mas isso não vem ao caso agora.

 

O fato era que eu estava cansada de ficar lá, então bolei uma desculpa qualquer e me mandei com o King na minha cola.

 

Aposto que Elaine não engoliu minha desculpa, ela me olhou com aquele olhar debochado, com uma sobrancelha arqueada e falou: "Dor de cabeça? Mas é claro que você precisa de muitos cuidados então".

 

— Eu tava pensando em assistir algum filme ou algo do tipo — Falei enquanto subíamos de elevador até o apartamento que eu dividia com as meninas.

 

— É, seria legal... ah, droga! — Ele disse e eu o olhei — Meu celular. Deixei no apartamento — Falou.

 

— Ah, então vamos buscar, sem problema algum aqui — Sorri e apertei o botão de seu andar.

 

Chegamos no determinado andar e entramos no apartamento.

 

O apartamento dos meninos era bem parecido com o nosso. Não era tão espaçoso quanto o nosso mas seguia um certo modelo, assim como os outros apartamentos do prédio.

 

— Está aqui e... — Ele pegou o celular — ... sem bateria — Desanimou.

 

— Então ponha logo no carregador, não? Onde está? — Perguntei.

 

— No meu quarto — Ele disse e começou a andar em direção a uma das portas.

 

Ele entrou no quarto e eu entrei logo depois.

 

Era organizado, limpo, e tinha uma cama de solteiro no canto, com os lençóis azuis.

 

Não queria fazer isso, mas fiz. Por que? Porque sou uma expert em situações como essa e não podia deixar uma oportunidade me escapar.

 

Então, tranquei a porta no mesmo momento que King levantou o carregador e me olhou com o cenho franzido.

 

— King, King... — Me aproximei enquanto sussurrava e ele engoliu em seco.

 

— Er... eu...? — Ele disse em dúvida.

 

Coloquei meus braços por cima de seus ombros e deixei seu rosto bem próximo do meu.

 

— Eu posso estar enganada — Falei lentamente e com um sorriso — Mas acho que estou meio sedenta.

 

— Desde quando? — Engoliu em seco novamente.

 

— Hum... — Fingi pensar — Desde início do mês, eu acho... — Mandei um sorriso sacana para ele.

 

Finalmente a tensão pareceu ser demais e ele me puxou para um beijo, era bem menos calmo do que o costume para King.

 

Tirei seu paletó e ele procurou pelo zíper do meu vestido, puxando-o para baixo assim que o encontrou.

 

O vestido caiu em camadas no chão, me deixando apenas de lingerie e exposta aos olhos famintos de King que me olhavam por inteira.

 

Desabotoei sua camisa social e aproximei minha boca de sua orelha, sussurrando:

 

— Você fica maravilhoso de roupa social — Então lambi o lóbulo de sua orelha, o ouvindo suspirar de forma pesada.

 

Ele mesmo se desfez da calça e o empurrei em sua cama após isso. Me sentei sobre seu colo e retirei meu sutiã.

 

King distribuiu beijos e alguns chupões pelas áreas do meu pescoço e busto enquanto eu rebolava lentamente sobre seu colo.

 

— Tem camisinha? — Perguntei em volume baixo.

 

— Tenho... — Ele suspirou e abriu a gaveta do criado-mudo ao lado da cama — ... porque você me deu.

 

Eu ri.

 

— Te dei mesmo, não é? — Deixei o trocadilho para sua própria interpretação, o que deve ter surtido um ótimo efeito pois ele ficou corado rapidamente.

 

Abri o pacote do preservativo e ele retirou sua cueca, me deixando colocar a camisinha em seu membro. 

 

Queria ser bem mais sexy e lenta mas taquei o foda-se. Auto controle não é muito minha praia então me despi da última peça e o senti dentro de mim.

 

                                      •••

 

Estávamos deitados em sua cama, que apesar de ser de solteiro, podia nos aconchegar muito bem.

 

— O que vai dizer para as meninas? — King perguntou após decidirmos que eu dormiria aqui.

 

— Que dormi aqui, oras — Falei dando de ombros.

 

— Elaine vai me matar — Ele suspirou e pude imagina-lo fechando os olhos de forma dramática.

 

— Ela tem essa vontade todo dia, mas eu consigo despertar seu lado fraternal e tirar essa ideia da cabeça dela — Eu disse e nós dois rimos.

 

Olhei em seu celular (que, inevitavelmente, foi colocado no carregador) e vi que quase atingia o horário de uma hora da manhã. Logo os meninos deviam chegar nesse apartamento e as meninas deviam chegar no delas.

 

— Boa noite — King disse e depositou um beijo no topo da minha cabeça.

 

— Boa noite.

 

Esperava que a noite das meninas tivesse sido tão boa quanto a minha fora.

 

                                     •••

 

ELIZABETH POV

 

— Tem certeza? — Perguntei pela vigésima vez à Gelda.

 

— Eu já falei que tenho, Elizabeth. Podem ir! — Ela repetiu também pela vigésima vez.

 

Simplesmente, Gelda decidira que não iria conosco na limousine, que ela queria ficar na escola para "espairecer" (ponho entre aspas porque acho que ela apenas queria continuar sua longa e árdua missão de evitar o Zeldris, por alguma razão desconhecida por mim. Bem, fazer o que? Cada louco com a sua loucura).

 

— Tudo bem — Suspirei — Pelo amor de Deus, se cuida — Eu disse e ela sorriu.

 

— Eu chego no apartamento logo, logo. Vocês nem vão notar que fomos separados — Ela falou e eu aquiesci.

 

Observei Gelda se virar e seguir o corredor para algum lugar na escola. Provavelmente iria enrolar até que já tivéssemos ido para que ela, então, pudesse ir também.

 

Quando estava quase entrando na limousine, vi que Zeldris estava logo atrás de mim, esperando para entrar no veículo.

 

— Ai meu Deus, caiu o meu brinco — Dissimulei e me agachei no chão — Zeldris, me ajuda a procurar — Puxei-o para baixo.

 

— Eu não to achan//

 

— Olha aqui — Falei e ele me observou confuso — A Gelda tá lá dentro e meteu na cabeça que não quer ir conosco. Eu não sei o que rolou mas  se. Re. Sol. Vam! — Disse pausadamente e com a expressão mais mal humorada que eu conseguia fazer.

 

Ele suspirou e assentiu com a cabeça.

 

— Achei! — Me levantei do chão fingindo que estava ajeitando em minha orelha o suposto brinco perdido — Vamos! — Entrei na limousine e fechei a porta.

 

O motorista começou a acelerar enquanto as pessoas olhavam-me confusos.

 

— Cadê o Zeldris? — Perguntou Ban.

 

— E Gelda? — Dessa vez foi Meliodas — Aliás, e King e Diane?

 

— King e Diane saíram mais cedo, prefiro nem pensar no que estão fazendo — Elaine respondeu e revirou os olhos enquanto soltava um leve riso nasalado.

 

— E Gelda e Zeldris foram deixados para trás após uma calculista linha de pensamentos meus — Eu disse e todos me olharam com os cenhos franzidos — Aconteceu alguma coisa entre eles e precisam se resolver.

 

— Aaaaaah — Disseram ao entenderem.

 

Balancei minha cabeça e ri ao que me sentava ao lado de Meliodas e observava a rua passar ao nosso lado.

 

                                     •••

 

GELDA POV

 

Ok, eu estava com sono.

 

Muito sono mesmo.

 

Isso que dá ficar acordada até tarde assistindo Lendas da Paixão pela quadragésima vez e conversando sobre assuntos inúteis com seus amigos.

 

Andei até a saída da escola após cerca de cinco minutos desde a partida de meus amigos na limousine.

 

Se tratava de uma escolha de integridade. Acho que não interagiria com Zeldris tão bem por enquanto.

 

Eu sempre lembraria... daquilo.

 

Então... não, obrigado. Eu iria a pé mesmo.

 

Além de que eu sentia que podia estar mais insegura que o normal após o falso sequestro.

 

Quero dizer, eles me perdoaram muito rápido. O Zeldris me perdoou muito rápido. 

 

E se eles apenas estivessem me aturando desde então e procurando um jeito de me jogarem para o lado dizendo que não queriam mais nada comigo?

 

O oral podia fazer parte do plano todo!

 

Tá, conviver com o Gowther talvez tenha me deixado mais paranóica do que o normal mas... E SE REALMENTE FOSSE UM PLANO?!

 

Alcancei a saída e passei por ela com passos rápidos, antes que fechassem os portões da escola.

 

No entanto, meus passos foram desacelerando ao notar uma figura parada na frente do local: Zeldris.

 

— O que faz aqui? — Perguntei após um bocejo e coçando um de meus olhos.

 

— Eu que pergunto — Ele cruzou os braços — Não me parece muito seguro andar sozinha na rua de madrugada.

 

Passei por ele e segui o caminho até o prédio. Provavelmente o sono gigantesco e a necessidade maior ainda de descansar estivessem adormecendo minhas memórias a ponto de eu não me importar com aquela... cena em questão.

 

— Você sabe que eu continuo aqui, não é? — Ele perguntou e eu respondi apenas com um grunhido.

 

Seus passos aceleraram até que ele aparecesse ao meu lado.

 

— Ainda está preocupada com aquilo? — Questionou com um sorriso de canto e uma sobrancelha arqueada.

 

— Não estava mas obrigado por me trazer todas as memórias de volta — Dei um sorriso de boca fechada e tentei acelerar meus passos mas ele continuou acompanhando meu ritmo.

 

Isso me trazia lembranças de quando estávamos no shopping há muito tempo atrás e eu...

 

Segurei meu riso ao lembrar.

 

Eu pensei em colocar o coração de Zeldris no microondas. Acho que consegui, inclusive. 

 

— Gelda? — Ele me cutucou.

 

— Microondas! — Falei assustada e ele franziu o cenho.

 

Estávamos parados em frente ao nosso prédio. Como havíamos chegado lá tão rápido?

 

Depois, enquanto subíamos de elevador em silêncio, pensei em como eu estava sendo idiota ao desperdiçar isso.

 

Lembrar de como eu pensei, tempos atrás, em um jeito de conquista-lo me faz ficar indignada apenas com a simples ideia de jogar tudo isso fora por conta da minha insegurança esquisita pós-pseudo sequestro. 

 

Chegamos ao meu andar e eu saí do elevador mas, quando ele estava fechando, botei uma mão nas portas.

 

— Dorme comigo? — Perguntei para Zeldris e ele pareceu bastante surpreso mas concordou.

 

Entramos no apartamento e tudo estava em um silêncio absoluto. As meninas já deviam estar em seus respectivos quartos, se preparando para dormir.

 

Subimos até o segundo andar e adentramos meu quarto.

 

Desfiz meu coque de qualquer jeito e ele caiu em parte pelos meus ombros. Retirei meus sapatos e andei até Zeldris, que estava sentado na beirada da minha cama e me sentei em seu colo sem dar explicação alguma e o abracei.

 

Ficamos assim e em silêncio durante um certo tempo.

 

— Eu estava bem insegura — Falei — Acho que ainda posso estar. Parece que, após o sequestro forjado, tudo foi esquecido muito rápido. Tudo foi perdoado muito rápido. E eu fiquei com medo de que, na verdade, todos me odiassem pelas costas. Então, desculpe por te evitar — Soltei tudo o que eu pensava e ele apertou o abraço.

 

— Tá tudo bem. 

 

— O que "tá tudo bem"? — Perguntei confusa.

 

— Para tudo o que você disse. Ninguém aqui te odeia, mas todos te amam. Assim como eu, claro. Então tá tudo bem. Vamos apoia-la no que for. Estamos todos juntos no que quer que seja.

 

Sorri e Zeldris se afastou um pouco de mim e me deu um beijo.

 

Nos deitamos com a roupa do baile mesmo, ninguém se importava.

 

Eu me sentia melhor por dentro e nem notei o desconforto da roupa.

 

Talvez tenha sido o sono, considerando que eu dormi em menos de cinco minutos.

 

Bem, tenho que fazer apenas um agradecimento...

 

Obrigado, microondas. Por abrir meus olhos. Você é incrível, parceiro; me traz lindas lembranças e esquenta minha lasanha então saiba que eu te amo.

 

                                       •••

 

AUTORA POV

 

Eles ainda não tinham tido um fim para a sua história.

 

E demorariam para ter.

 

Mas esse é o fim de um ciclo. De um período. Essa história não acabou mas uma parte dela sim.

 

A parte que foi contada aqui chegou ao fim. Não precisa ser algo ruim, porque esses jovens ainda viverão muitas coisas, que não sabemos se serão contadas ou não.

 

Talvez serão contadas por mim, talvez por outra pessoa.

 

Eles entenderam coisas importantes e superaram obstáculos juntos, concluindo objetivos e correndo atrás de seus sonhos. E essa parcela da história acaba aqui; no ponto que eles percebem mais do que nunca que estão tomando as rédeas de suas vidas.

 

Ragnarök.

 

É o fim do mundo aos olhos da mitologia nórdica.

 

Mas o que ocorre após o Ragnarök? Um novo mundo é construído através de Vida e Vontade de Viver. Um novo ciclo é iniciado. E esse ciclo é melhor que o anterior, mas ele não existiria se um "fim" não tivesse sido criado.

 

Se o antigo ciclo não tivesse acabado.

 

Por isso, o fim é o fim de algo. Correto.

 

Mas não é o fim de tudo; é apenas de uma parcela.

 

E, ah, como essa parcela é pequena.

 

 

 

 

 

FIM.


Notas Finais


POIS É! CABOU! Eu ainda vou fazer algum epílogo qualquer dia desses mas a estória propriamente dita chegou ao seu GRAN FINALEEEEE.

Olhem, eu gastei muito tempo da minha vida nessa fic. Se vocês forem no início vão ver a diferença gigantesca que faz com que o começo e o fim dessa fic tenham um grande contraste entre si. Inclusive, eu não os aconselho a ir reler a fic pq corre o risco de vocês começaram a achá-la ridícula KKKKKKKKKKK

Essa estória tem muitos furos, eu sei. Tento evitá-los mas eu to escrevendo esse negócio há quase dois anos e estava atualizando de seis em seis meses; eu tentava reler para entender qual era a minha linha de raciocínio mas sempre demorava para eu conseguir me sentir à vontade de novo HKKKKKK. Então é, não é uma das melhores estórias mas eu adorei escrevê-la.

E 900 favoritos?! QUEM TERIA IMAGINADO?! Eu certamente não! Quando chegou aos duzentos favoritos eu S-U-R-T-E-I !

Nunca imaginei que chegaria tão longe com tudo isso então agradeço muito a vocês ❤️😭❤️😭❤️😭❤️😭❤️

Viram a referência feita ao microondas? É, eu não consigo me desapegar desse pequeno e lindo utensílio de cozinha T-T

E Lendas da Paixão? Filme bom do caralho, aconselho que todos assistam. É meio triste? É. Mas a história é legal, é um filme diferentezinho de todos os outros filmes "e viveram felizes para sempre" e também tem o Brad Pitt e, sinceramente, ele tá lindíssimo nesse filme, é isto.

... mas é sério, reparem no cabelo dele nesse filme. Meu sonho era ter aquele cabelo, mas meus pais disseram que eu já tenho o cabelo parecido com o dele (???) to tentando decidir até agora se é verdade ou se é só a cegueira causada pelo amor de pai. (Prefiro acreditar que é verdade T-T)

Gente, eu tenho auto estima altíssima não se preocupem. Na internet eu pareço ser insegura e triste mas as pessoas com as quais eu convivo podem confirmar que eu me acho a porra da Gisele Bündchen (e, sim, eu tive que pesquisar como se escrevia o nome dela para colocar aqui KKKKKKKK).

Enfim, foi bom escrever essa fic, por mais que eu tenha demorado para atualizar e pipipi pópópó, são apenas detalhes...

Obrigado a todos que acompanham desde o início e também para aqueles que chegaram depois e também deram muito amor a essa fic, vocês todos me estimularam a continuar essa bagaça e olhem só? Não é que eu consegui dar um fim para isso?

O capítulo ficou meio grande mas fazer o que? Último capítulo tem que ser especial né? Então estão aqui lindas 12.000 palavras.

Visitem lá a minha outra fic: "Império de Cinzas". Ela tá no ponto ;) (eu acho) e é um jeito de continuarem acompanhando-me, não? Se não quiserem então não tem problema gente, eu sou da paz e do amor ✌️

Eu tenho quase 100% de certeza que não vou fazer uma segunda temporada. Me desculpem mas eu não vou conseguir fazer isso, sabem? Quero novidadeeeess! Mas isso não quer dizer que essa fic não tem um lugarzinho especial no meu coração. Pô! Primeira fic de Nanatsu que eu fiz! Hahahaha. To escrevendo isso aqui pq sei que vai term gente querendo uma segunda temporada então já to avisando, por mais que ainda corra o risco de alguém perguntar nos comentários kkkkkkk (mas não tem problema ok? Não fico com raiva nem nada, é só pra tentar evitar isso mas tá tudo certo 😉) .

Essa é a última vez que eu vou escrever isso, pelo menos nessa fic, então aproveitem:

Espero que tenham gostado!
Me digam o que acharam nos comentários.
E BEIJINHOS! 😘❤️😭😘❤️😭😘❤️😭


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