História Não Caia Em Provocações - Capítulo 1


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Categorias Mitologia Nórdica
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Mitologia, Morte
Visualizações 2
Palavras 2.577
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Misticismo, Sobrenatural

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Aleifr porém se lê eileifer que significa herança dos ancestrais

Recomendo ler a fanfic ouvindo a música indicada lá nas notas finais, garanto que tu entrará no mood mais rápido q

Minha nossa eu to mto nórdica

Enjoy <3

Capítulo 1 - Você caiu; único.


Fanfic / Fanfiction Não Caia Em Provocações - Capítulo 1 - Você caiu; único.

 

No reino de Midgard mais precisamente na província de Ingvar vivia um jovem com seus 20 anos, filho de um fazendeiro e, portanto, o futuro dono daquelas terras.

Apesar de ser um rapaz possuidor de um coração generoso, Aleifr fora amaldiçoado justamente por ter essa característica por seus pais quando ainda era criança, pois receberam a profecia de um oráculo alegando que ele não prestaria ao papel de guerreiro para defender os deuses em nome de sua família, o que de fato se tornou uma verdade já que Aleifr não conseguia nem mesmo descapelar um coelho, era bem mais fácil tornar o bicho seu amigo.

Pobre Aleifr, rapaz sem sorte.

E, justamente por ter esse coração mole que sofreu, desde sempre, com o as pessoas do vilarejo, sempre fora excluído de tudo, recebia xingamentos por onde passava e, até mesmo alimentos eram jogados em sua direção pela população do vilarejo.

Um homem mortal naquela época, que não fosse servo ou escravo, tinha por obrigação servir aos Deuses para possuir honra em seu nome, mas Aleifr apenas queria viver sua vida em paz, sem ter que travar guerras e tirar vidas de outros com suas mãos, e embora sofresse muito ali ele ainda tinha esperanças de que algum dia tudo aquilo ia passar e ele construiria uma família ao lado de alguém que o amasse.

Aleifr era um rapaz bem positivo.

O inverno estava prestes a chegar e todas as famílias começavam a armazenar mantimentos em suas casas já que o frio ali era muito rigoroso. O garoto de cabelos loiros platinados fazia o mesmo pela sua família, todo dia ele cumpria uma tarefa diferente junto aos servos e escravos da fazenda, recolhia as frutas e legumes que já estavam prontas para a colheita, negociava a compra de madeira para alimentar os fogareiros enquanto o inverno durasse, recebia a água potável que os serviçais passavam o dia retirando do poço, enfim, tudo que ele já sabia como fazer.

E então, alguns dias se passaram, Aleifr estava dando de comer aos cavalos dos estábulos depois de ter feito a contagem dos animais, era a última tarefa do dia, terminando aquilo poderia voltar para a casa principal da fazenda.

O céu naquela noite estava coberto por nuvens fazendo a lua se esconder deixando assim a noite ainda mais escura, em adição a isso a temperatura era extremamente baixa, o que fazia o garoto soltar uma fumaça pela boca ao expelir o ar de seus pulmões.

Com passos apressados deu uma última checada nos estábulos e nos cavalos, apagou quase todas as tochas deixando apenas uma acesa que seria sua auxiliar para voltar pelo caminho. Com o estábulo trancado colocou-se a caminhar de volta para casa pela estrada de chão árido, o vento gélido e cortante parecia brincar com o fogo na tocha puxando as chamas em várias direções fazendo-as quase se extinguirem por algumas vezes.

 Aleifr se encolheu dentro de suas roupas feitas a base de peles de animais, a única coisa que poderia segurar o frio naquela época, mas mesmo usando-as ainda sentia sua carne tremer. Foi tirado de seus devaneios acerca do frio, quando ouviu o som de uma coruja, olhou um tanto assustado com o estridente barulho e viu o animal pousado em um dos galhos de uma das muitas árvores que lhe cercavam. Com um longo suspiro voltou a andar e por um momento sentiu ser observado por trás, com um sopro grosseiro o vento apagou de vez o fogo de sua tocha e o farfalhar das folhas das árvores se tornou mais barulhento.

Um calafrio lhe subiu pela espinha.

Com o intuito de acabar logo com todo aquele suspense virou-se com força e seu coração falhou uma batida ao ver os olhos de um veado a lhe observar por meio das árvores. Tentou se aproximar do animal que incrivelmente não recuou com medo, Aleifr se aproximou o suficiente para conseguir acariciar o rosto do animal, mas depois de míseros segundos, em um reflexo, o veado saiu correndo em disparada para qualquer lado que o levasse para longe dali, porém o platinado não notou o desespero nos olhos do bicho, estava mais preocupado por não ter uma luz para clarear o caminho de volta do que com a repentina arrancada do animal.

—O que deu nesses bichos hoje? —passou a mão entre os cabelos quase brancos suspirando um tanto frustrado.  

Jogou a tocha, agora completamente inútil, no chão e cruzou os braços numa tentativa de reprimir o frio, já se encontrava pronto para andar quando deu uma última olhada por meio das árvores.

Ficou imóvel e com o coração exacerbado nas batidas ao ver um par de olhos vermelhos lhe fitando fixamente. A lua pareceu querer ajudar e se colocou a mostra deixando uma leve luz clarear o local. Aleifr rolou os olhos e pode observar que se tratava de uma garota de estatura média com longos cabelos pratas, um rosto mórbido, pele pálida como se não tivesse sangue correndo ali, e tinha seu corpo coberto com um fino tecido branco, o mais assustador era que seus pés não tocavam o chão.

Ela flutuava sobre ele.

Seu corpo lhe dava todos os avisos para correr para longe dali, sentiu uma sensação iminente de morte e desespero, com o ar chegando em dificuldade aos seus pulmões, mas então o pior aconteceu,  a garota abriu a boca como se fosse falar alguma coisa e um som super estridente e agudo saiu, o grito era tão alto que Aleifr se curvou indo ao chão de joelhos com as mãos no ouvido, e por um momento sentiu que iria perder sua audição.

E então, subitamente parou.

O garoto ergueu o olhar com dificuldade ainda em choque, mas não havia mais ninguém no meio das árvores, foi embora tão rápido como veio, o que sobrou além do medo foi apenas um zumbido agoniante que Aleifr ainda ouvia junto a uma tremenda dor de cabeça, retirou as mãos dos ouvidos ao sentir algo quente escorrer e, mesmo no escuro pode notar que se tratava do seu próprio sangue. Uma tontura forte o atingiu e o desmaio foi inevitável.

Abriu os olhos e se viu em um completo escuro, teve sua atenção atraída por uma voz feminina muito gostosa de ouvir, cantava uma música conhecida por ser a música dos mortos, de melodia lenta e triste.

Igual a um animal seguindo o instinto, Aleifr foi sendo guiado até a fonte da voz e, em certo ponto que nem mesmo ele havia percebido, o completo escuro de antes dera lugar a uma planície verde cheia dos mais diversos tipos árvores e plantas, animais que nunca viu antes trotavam e corriam livremente pela planície cercada de montanhas, no céu de cor lilás claro haviam duas luas, uma que se sobrepunha a outra, enormes rios cortavam o solo em algumas partes, e foi justamente no rio mais próximo que o platinado avistou a garota de cabelos brancos, a mesma que o quase fez perder a audição, a banhar-se nas águas límpidas e transparentes enquanto continuava a cantar.

Tudo ali parecia muito mágico e nem sequer parecia real, se tivesse um modo de imaginar Vanaheim, um dos noves mundos, o lar de repouso dos Vanir, os grandes deuses da natureza, seria daquele jeito. Ele não sabia como fora parar ali, mas não queria retornar, sentia uma paz enorme.

—Seja forte e não caia em provocações do destino. —a garota falou em tom baixo, assustando o pobre garoto, sem sequer olha-lo.

E antes que pudesse perguntar o que aquilo significava tudo escureceu novamente, fazendo toda aquela imagem linda sumir.

Com a respiração falha acordou levantando de súbito em sua cama, olhou em volta e estava em seu quarto da casa da fazenda. Passou as mãos por seu rosto e jogou de volta seu corpo na cama de madeira revestida com pele de animais procurando em sua memória resquícios da noite anterior.

Um dos servos adentrou seu quarto trazendo consigo água em um copo de madeira.

—Senhor Aleifr, está tudo bem? —disse o jovem serviçal de cabelos castanhos claros e olhos verdes enquanto estirava o copo em direção ao loiro.

—O que aconteceu comigo? —questionou ao garoto recebendo o copo e o levando até a boca dando leves bebericadas na água.

—O senhor foi encontrado desacordado por alguns guerreiros que faziam patrulha próximo ao estábulo, tivestes sorte que foi achado rapidamente, ocorreu a primeira queda de neve esta noite, o senhor poderia ter sido levado ao mundo dos mortos pelo frio.

—Ah, certo. Obrigado. —Aleifr respondeu depois de alguns segundos em silêncio.

Com essa breve conversa o jovem rapaz de cabelos castanhos deixou para trás um Aleifr pensativo.

—Então foi tudo real? —perguntou a si mesmo em voz baixa.

Ele sabe muito bem o que tinha ficado a sua presença na noite anterior.

Uma banshee.

Banshee, a precursora da morte, um ser místico que aparece para avisar quando a morte está à espreita, quando uma banshee se mostrava diante de alguma pessoa e gritava podia-se ter a certeza que alguém próximo iria morrer.

Já de pé e quase correndo adentrou os aposentos de seus pais, o homem grande e musculoso estava sentando no chão polindo uma grande espada de ferro, seu maior orgulho. Sua mãe sentada na cama fazia novas peças do que pareciam ser roupas para seu pai.

—O que quer? —Einar, seu pai de corpo forte e musculoso dono uma longa trança loira e barba grande da mesma cor que as raízes capilares, lhe perguntou sem direcionar o olhar até o jovem afoito a porta.

Ambos não demonstraram nenhuma preocupação pelo fato do garoto de ter sido encontrado desmaiado, Aleifr nunca recebeu um gesto de carinho, afeto ou cuidado de seus pais, eram raras as vezes que o olhavam nos olhos, mesmo sendo o único filho e herdeiro das terras o garoto sentia-se tratado com desprezo, contudo com o passar dos anos acabou se acostumando com aquilo, claro que ainda doía, mas  aquilo se fez uma rotina.

—Banshee, eu vi uma banshee. —com o olhar baixo em direção ao chão Aleifr pronunciou tais palavras pausadamente.

Sua mãe em um ato rápido largou tudo que estava a mão indo para cima do jovem deferindo-lhe um tapa a face.

—Como ousa proferir o nome de uma criatura amaldiçoada no local onde teus progenitores dormem? Perdestes a noção? Além de amaldiçoado agora queres amaldiçoar a nós também? —a mulher cuspiu as palavras de forma ríspida e mais gélida que o frio que fazia fora da casa.

—Deixe-o mulher, está apenas querendo chamar um pouco de atenção. —recitou o homem mais velho sem tirar os olhos de sua espada.

Custou muito a Aleifr para não deixar lágrimas rolarem por sua face, tamanha era aquela humilhação que vivia todos os dias.

Ainda com um lado da face avermelhada deixou os aposentos com passos descompassados e com um coração que doía no peito a cada batida. Seus pensamentos estavam uma bagunça e fora de ordem, agora já longe da casa principal lágrimas começavam a se fazer presentes por sua face, despencavam de seus olhos sem parar e com as costas das mãos, o garoto tentava inutilmente seca-las.

O que tinha feito de tão errado para ser desprezado por todos a sua volta daquela forma? Todo esse descaso e desrespeito eram simplesmente pelo fato de não ter nascido com o dom de matar, saquear e conquistar terras? Não podia preferir seguir uma vida normal? O que havia de errado nisso?

Todas essas perguntava rondavam seus pensamentos, estava tão inerte a tudo a sua volta que não percebeu quando começou a nevar, só notou quando a neve já caia de forma grosseira e possuía a maior parte do seu corpo coberto por flocos brancos. Olhou a sua volta e percebeu que não fazia ideia de onde estava.

Um desespero começou a bater, tinha que voltar logo, antes do anoitecer, então se colocou a correr no caminho oposto que vinha fazendo, o chão já estava totalmente coberto de neve, felizmente por conta da corrida que estava fazendo não sentia tanto o frio, mas por quanto tempo ele conseguiria manter o ritmo? Nem tinha se alimentado antes de sair de casa.

Parece que o aconteceu a seguir foi uma pegadinha do destino.

Enquanto corria pelas terras completamente esbranquiçadas, Aleifr sem perceber começou a correr sobre um pequeno lago já congelado que tinha sua superfície disfarçada pela neve, porém o gelo era fino e conforme o garoto pisava ao correr a fina cobertura de gelo ia rachando aos poucos.

E então o gelo quebrou.

Contudo, Aleifr continuava a correr já em terra firme sem ter se dado conta do acabará de ocorrer, havia agora em sua frente uma grande descida, porém, o garoto abriu o sorriso ao ver a fazenda logo em baixo, como foi que ele havia subido a montanha do lado leste da casa sem nem ao menos perceber? Não importa, estava em casa agora.

Iria relevar tudo que aconteceu naquele dia, ia começar tudo de novo com um sorriso. Aleifr estava decidido, ia ganhar o respeito de seus pais de alguma forma, ia mostrar para eles que mesmo sem saber lutar podia fazer algo para prosperar. Ia se tornar um gênio e administrar a fazenda de uma forma superior até que seu pai.

Foi com esses pensamentos positivos e alegres que o platinado começou a correr montanha a baixo e nem viu que uma raiz de árvore se fez presente no caminho dos seus pés, tropeçou feio, com a velocidade em que corria o corpo do garoto foi arremessado o fazendo acertar a cabeça em cheio em uma das muitas pedras pontiagudas que haviam por ali.

Aleifr imediamente ficou inconsciente pela pancada.

Um corte se abriu no couro capilar, o sangue começou a vazar tingindo o branco da neve em um tom de vermelho vinho. A natureza não esperou, continuou a depositar cada vez mais neve sobre o corpo imóvel.

Ao longe, uma criatura de corpo feminino de cabelos prata e olhos vermelhos, observou toda a aquela cena apenas fechando os olhos, por alguns segundos, em um ato de lamentação.

—Pobre humano, você caiu na provocação. —proferiu a graciosa banshee se preparando para começar seu trabalho.

Passaram-se uma, duas, três horas mas, Aleifr não se levantou e agora não se levantaria mais.

Nunca mais.

Quando encontraram o corpo do garoto não sabiam se ele havia morrido pela perda excessiva de sangue ou pela hipotermia, quando seus pais chegaram para ver o corpo o olharam, dessa vez, sem desprezo. A mãe caiu sentada ao lado do corpo, lágrimas lhe tomaram a face em um choro mudo, incrédula com o que estava vendo. O pai mantinha uma face séria, contudo, sentia uma dor no peito enquanto as palavras que o menino havia proferido de manhã ressoavam em sua mente:

—Banshee, eu vi uma banshee.

Será que aquilo podia ter sido evitado? Era o que a mente do homem insistia em pensar, colocou-se a encarar o céu cinzento, sentindo os olhos encher de água.  

E, pela primeira vez aquele casal de vikings estavam sentido o puro e amargo gosto do remorso. O remorso de não ter feito as coisas de um modo diferente. O remorso de não ter dado valor a existência de seu filho. O remorso de tantos momentos bons que poderiam ter passado juntos.  

Novamente a natureza não esperou, o tempo passou, mas o remorso ainda ficou a machucar-lhes a alma pelo resto de suas vidas. 


Notas Finais


Pois é, nem tudo vai terminar como um conto de fadas com o "felizes para sempre",da forma que a gente queria, muita coisa termina antes mesmo de começar. É a vida, cruel e imprevisível na sua mais bela forma de f*der com tudo.

link da música: https://www.youtube.com/watch?v=-ZXlQlDsSuI


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