História Não compreendo esse amor - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais, Luan Santana
Personagens Luan Santana, Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Colégio, Drama, Escola, Luan Santana, Namoro, Novela, Romance
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Palavras 2.059
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 4 - Quarto Capítulo


Segunda feira. Primeira aula.

Estou praticamente sem nenhuma utilidade no laboratório de ciências. Eu não sei nem como funciona a cadeia alimentar e a professora quer que saibamos diferentes formas de conduzir energia. 

Tenho sorte de ter um amigo como  Kentin, que me ajuda a tirar boas notas nessa matéria e sempre faz dupla comigo. Ele tira os óculos e guarda no bolso do jaleco branco. Então se debruça sob a mesa e analisa cada peça que montou, enquanto eu finjo prestar atenção em cada uma de suas palavras.

— Você está entendendo? — Ele suspira e coloca a última peça que faltava. — Pronto! Agora podemos ligar o nosso gerador de luz caseiro.

— Perfeito! 

Ele joga para mim o nosso caderno, o que estamos usando para anotar nossos experimentos, e diz:

— Anote tudo antes que a gente esqueça alguma coisa.

Abro o caderno e viro as páginas. Na qual está quase completa, escrevo: desenvolvimento.

Leio de novo e acrescento: O ácido dentro da batata forma uma reação química com o Luan e o Cobre que libera...

Risco. 

Quase dois minutos para o sinal bater e eu troco a palavra Zinco por Luan. Vou ter que passar tudo para uma nova folha e acrescentar algumas coisas, eu espero não me atrasar para a próxima aula.

Estou quase terminando e o sinal bate, Kentin guarda os materiais e sai da sala. Eu não posso sair antes de passar tudo a limpo e entregar para a professora.

Finalmente. Ficou muito bom. Ela ainda está na sala e eu entrego a folha.

Os corredores estão vazios, a aula já deve ter começado. Abro meu armário para pegar meu casaco e alguns materiais que vou usar na aula de história. 

— Ei, tudo bem? Você parece tensa. — Nathaniel encosta-se ao armário do lado do meu.

— Eu estou bem. Aliás, porque você está me dando mais atenção quando estou solteira? Nós fomos namorados por meses e nunca conversamos tanto como ultimamente. 

— Era justamente sobre isso que eu queria falar! Podemos reatar o namoro?

— Eu estou atrasada para a aula. — Digo jogando a bolsa no ombro e me afasto.

— Nos falamos depois. — Ele grita e sem olhar para trás, assinto.

Ando lentamente até a sala. Todos sabem que Faraize nunca chega no horário certo e que não precisamos nos apressar.

Me sento atrás de Ana e deito a cabeça na mesa, esperando que o sinal toque logo para irmos para o intervelo. 

— Emilly. — Escuto uma voz distante me chamando e isso me desperta, afastando os pensamentos. — Emilly, vamos.

— Bateu o sinal? — Digo levantando a cabeça e arrumo o meu cabelo antes de me aproximar da porta.

— Você dormiu a aula toda. — Ela me olha confusa e pega na minha mão. — Que hora foi dormir? Você está bem? Emilly, o que está acontecendo?

Apenas nós duas estamos no banheiro, mas ainda assim ela sussurra no meu ouvido. Parece estar bem preocupada.

— Eu fui dormir cedo Ana, estou bem. Mas preciso te contar...

Ana se aproxima um pouco mais. Me certifico que realmente não há ninguém trancado querendo escutar a conversa e paro de frente a ela.

— Nathaniel veio falar comigo antes da aula. Conversamos um pouco e e ele quer reatar o namoro, eu estava pensando em tudo isso .

— Espero que você tenha falado para ele sobre como se sentiu em relação a ele te dar pouca atenção e que você tinha quase certeza que todos sabiam que eram namorados por conta de terem assumido nas redes sociais. Ele não te valorizou o tanto que você merecia, e você sabe muito bem disso. 

Ana tem razão, ele não me ama o suficiente e não me valoriza o quanto mereço. Mas eu não posso julgá-lo antes de tentar novamente. Quando for mais velha, eu não quero olhar o passado e ver a oportunidade que tive e não aproveitei.

— Eu conversei com ele e da última vez que terminamos ele prometeu mudar, me valorizar e ser um namorado melhor. Será que ele vai descumprir tudo novamente?

— Quero acreditar que você sabe onde está se metendo. Aliás, porque ele não te esperou para sair da sala?

— Não sei Ana, talvez ele tivesse algo para fazer, sei lá. Preciso falar com o treinador, você vem comigo? 

— Eu vou te dar um conselho de amiga... Não engane seu coração, por mais que sofra agora, é bem melhor se afastar enquanto não está envolvida totalmente, depois é difícil de sair... — Antes que eu possa responder, ela torna a falar. — Vamos lá falar com o treinador.

Luan, que antes estava deitado na arquibancada com uma bola de futebol entre os braços, levanta e para na nossa frente.

— Vieram marcar um ensaio para a equipe?

— Sim, mas não estou vendo o treinador...

— Perderam a viagem. O treinador não veio hoje.

— Eu planejei uns passos bem legais para as meninas e não vamos poder ensaiar?

— Hoje não é o último dia Emilly, ele vai dar mais tempo para vocês se planejarem.

— É uma responsabilidade imensa, sabe? Como se tudo dependesse de mim e se não gostarem vai ser tudo culpa minha, é um desafio e um peso gigante para mim. Temos muito pouco tempo, o campeonato está quase aí.

— Sei como se sente Emilly, tenho observado vários erros no time e tenho que repassar tudo ao treinador. Ele confia tanto em mim que se formos derrotados a culpa será minha, já que tudo que eu digo ele aceita.

— Emilly, eu vou falar com o Gustavo. Havia me esquecido que ele queria falar comigo. Ele deve estar plantado no corredor.

— Ah, ele comentou comigo. Acho que você vai gostar. — Luan passa as mãos nos cabelos suados. É incrivel como um gesto tão simples, quando feito por Luan, torna-se perfeito.

— Já estou curiosa. — Digo indo em direção à saída. — Eu espero que tudo dê certo. Já vou indo, preciso falar com Rosalya. Até mais.

— Eu também já vou, não tem mais nada para eu fazer aqui... 

Ando em direção ao corredor e avisto Nathaniel conversando com Kentin e Rosalya. Eles me chamam e eu me aproximo. Estão conversando sobre a aula de ciências, mas mudam de assunto imediatamente quando sento no banco ao lado do Nathaniel.

— Emilly, ele nos contou que vocês quase estão reatando o namoro. — Kentin me olha de lado, mas tenho quase certeza que ele aprova nosso relacionamento.

— Não conseguimos ficar muito tempo longe do outro. — respondo.

— Eu tinha certeza disso. — Rosalya diz sorridente, ela gosta muito de Nathaniel e entende os meus motivos para não gostar de Luan. É uma boa amiga! — Já contou pra Ana? 

— Já, mas digamos que ela não gostou muito da ideia...

Gustavo e Ana andam de mãos dado vindo à nossa direção. Todos já sabem que eles se gostam, mas quando eles vão assumir? Já está demorando.

— Olha quem vem aí. — Rosalya e Kentin cumprimentam o casal.

— Vocês já sabem da surpresa de Luan? 

— Surpresa? Como assim? — Ana fica empolgada, bem diferente de Gustavo, que apenas sorri como se já soubesse de algo.

— Ele compôs uma música e vai cantar daqui a pouco, trouxe o violão e todo mundo já está ali. — Kentin aponta para um aglomerado de pessoas que formam um círculo.

— Bem que eu achei estranho, metade da escola está ali. — digo.

— E eu fiz uma música pra você que ele vai cantar também. Espero que goste. — Gustavo abraça Ana, que nesse momento já está chorando desesperadamente.

— Tenho certeza que vou amar.

Nos aproximamos da multidão e conseguimos passar no meio pra ficar bem na frente.

Porque ele não para de me olhar? Porque sinto que devo falar com ele? Porque acho que ele fez essa música pra mim?

— Ele canta muito bem. — Rosa fala no meu ouvido

— Realmente... 

Um sorriso forma-se quase inconsciente em meus lábios, tento comprimi-los para não demonstrar emoção. Continuamos ali; Luan me olhando, Rosalya ao meu lado tentando analisar as minhas expressões, eu tentando esconder o que sinto e Gustavo ao lado de Ana extremamente feliz por sua música estar sendo cantada por Luan.

Luan finalmente para de cantar e eu sinto que ele queria falar comigo depois disso tudo, mas sai andando pela multidão e vai direto para o banheiro masculino.

Vou atrás dele, sem me importar com quem veja minha atitude. Espero ele do lado de fora e pouco tempo depois ele aparece. Que homem mais lindo, céus. O que está acontecendo comigo? Calma, respira fundo, volte a ser a Emilly Beatriz que era antes.

— Luan, precisamos conversar. Está com tempo? — Pigarreio, tentando disfarçar ao máximo meus sentimentos.

— Claro, vamos até a casa na árvore, lá é melhor. Meu pai vai vir me buscar, aceita uma carona?

— É melhor que ir a pé...

O pai de Luan estaciona em um terreno quase baldio, se não fosse pelas flores que nascem no gramado e pela única árvore no meio dessa vastidão. Com cuidado, conseguimos subir degrau por degrau da escada de corda que leva para dentro de uma casinha que construímos nessa árvore quando tínhamos sete anos de idade.

— Então, o que você quer falar?

— Pra quem você dedicou a letra da música? É para a Melody?

— E isso faz alguma diferença? Mas pode ter certeza que não foi para ela... Foi para uma garota que comecei a gostar, mas não tenho certeza se ela sente o mesmo.

Antes que possa responder, meu celular toca. É Nathaniel.

— Oi amor. — digo olhando para Luan. Eu gosto de provocá-lo e ver sua reação. — Agora? 

— Pode ser daqui a pouco. Quero passar um tempo com você, aproveitar que minha mãe vai fazer hora extra no trabalho e meu pai está viajando.

— Ótimo, eu vou me arrumar e vou pra aí. Beijos.

Desligo o celular e levanto do banquinho de madeira rapidamente.

— Eu não entendi o que você quis dizer, mas tenho um compromisso.

— Para onde vai?

— Não que isso seja da sua conta, mas vou para a casa do Nathaniel.

— Vocês voltaram?

— Você está bem atrasado... Ninguém te contou?

— Na verdade, não. 

Eu viro as costas e antes de sair, Luan segura em meu braço e nos olhamos por alguns segundos.

— Você não precisa ir Emilly. Todos sabem que os pais dele nunca estão em casa e não dão muita atenção a ele.

— Eu sei. Ele está sozinho.

Ele abre a boca e fecha. Desço as escadas de madeiras com cuidado.

Chego em menos de dez minutos na casa de Nathaniel. É uma casa colonial de dois andares com tijolo aparente, cheia de arbustos embaixo das janelas, com persianas pretas e uma porta vermelha. Tem uma caixa de correio vermelha onde se lê DANTAS.

Toco a campainha e rapidamente ele aparece em minha frente sem camisa. Analiso seu corpo, ele tinha mudado, gostaria de não ter percebido, mas não pude deixar de notar sua barriga definida, bem diferente de quando terminamos. 

— Amor, vamos lá pro quarto pra ficarmos mais à vontade. Eu aluguei três filmes na locadora.

— Achei que nem tinha lugares para alugar filme, agora é só baixar pela internet.

— Eles abriram novamente.

Ele segura a porta para mim e me dá passagem.

Dentro, parece uma casa normal, comum. Sigo até o andar de cima. As paredes estão revestidas com fotos. Nathaniel no jardim de
infância. Nathaniel no ensino fundamental. Ele parece diferente a cada ano, não só em idade ou fisicamente. Nathaniel palhaço da turma. Nathaniel convencido. Nathaniel nerd.  Nathaniel comigo. No fim do corredor, ele abre uma porta. 

As paredes são de um vermelho escuro e intenso, e todo o resto é preto — mesa, cadeira, estante, colcha, cadernos. Uma parede inteira está coberta de fotos, anotações, cálculos e pedaços rasgados de papel. Nas outras, pôsteres de gênios famosos que fizeram algo produtivo para a humanidade e uma foto grande em preto e branco dele lendo algum livro.

Entramos no banheiro juntos, nunca passei pela experiência de tomar banho com outra pessoa. Tiramos a roupa e entramos na água pelando, fico ali até a pele ficar vermelha e o aquecedor desligar. Nathaniel me beija várias vezes. Me enrolo em uma toalha e ele também.

Voltamos para o quarto e jogamos no chão mesmo a toalha. Visto uma camiseta e ele uma cueca boxer, mas pouco tempo depois arrancamos tudo e voltamos a ficar como quando estávamos tomando banho. 

Nathaniel me pergunta se eu tenho certeza do que vamos fazer e eu respondo que sim. 

Talvez essa foi a noite mais longa de toda minha vida.



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