História Não é mais um cliché Americano - Capítulo 25


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Capítulo 25 - Capitulo 21


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Alguns minutos depois, nos levantamos e vamos novamente até o banheiro para tomar outro banho. Dessa vez, Alex entra comigo e sinto que meu corpo fica vermelho da cabeça aos pés.

— Não precisa ficar envergonhada, você é linda, Marjorie. -Sussurra me abraçando e respiro fundo em resposta.

Isso tudo é novo para mim, no entanto, me sinto estranhamente confortável. É como se estivesse esperando por esse momento a vida toda, apenas para me entregar à pessoa que sem que eu percebesse, se infiltrou no meu coração, criando raízes que me marcariam por toda a eternidade.

Nos lavamos silenciosamente, cada um no seu mundo, aproveitando a água morna que sai do chuveiro com aparência cara.

Me sinto diferente, como se uma porta fosse aberta e me mudasse, um caminho sem volta. Sei que foi apenas a minha primeira vez, mas para mim, esse momento tem um significado mais além do sexual. Meu coração foi oficialmente dominado pelo dançarino. Sorrio para mim mesma ao constatar que a apenas dois anos atrás, eu o odiava com todo o meu ser, e agora, estou completamente nua, tomando banho com ele.

Esfrego todo o meu corpo com o sabonete masculino enquanto Alex massageia meus cabelos com o shampoo.

Fecho meus olhos aproveitando aquela sensação de calma que suas mãos proporcionam.

De repente imagens que não tem absolutamente nada a ver com o momento, passam pela minha mente e antes que possa perceber, as palavras saem sem filtro pela minha boca.

— Alex, o seu pai vai mesmo conservar a quadra de basquete? - Me repreendo mentalmente quando percebo que quebrei o clima calmo.

Alex respira fundo antes de responder.

— Ele me disse que sim, Marjorie. Eu lhe dei várias razões pelas quais ele não deveria demolir...

— Que bom. Desculpa tocar nesse tema agora, é que eu ando nervosa esses dias, temos a final depois de amanhã e sabe o quanto eu amo o meu time.

— Tudo bem, eu te entendo. Mas... e a mim? -Pergunta e por uns segundos fico sem entender o que ele quis dizer.

— O que tem você?

— Quanto me ama? -Solto uma risada sincera e me viro ficando de frente para ele.

— Hum... deixe-me pensar. -Brinco observando sua expressão expectativa. — Te amo tanto, mais que... mais que a minha moto! -Caio na risada com a cara que Alex faz.

— Tanto assim?

— Sim! -Beijo sua boca molhada e nos abraçamos por alguns segundos.

— Falando na sua moto, o que aconteceu com o velhinho que te atropelou?

— Ele se mudou para outra cidade... conversamos por mensagem algumas vezes. Era um senhor muito sozinho sabe? -Lembro de Joseph e de como foi tão amável comigo. Ele teve que se mudar para ficar mais perto das netas, já que aqui se sentia solitário. Fiquei triste com a sua partida, mas ele me consolou dizendo que poderia visitá-lo quando quisesse.

— Não gostava dele... -Confessa e dou risada.

— Porque? Ele foi muito amável comigo.

— Eu sei... por isso depois fiquei com raiva de mim mesmo por odiar um velhinho solitário. -Sussurra e sou obrigada a amá-lo um pouquinho mais.

Ficamos mais alguns minutos debaixo do chuveiro, até que a água começa a esfriar. Nos trocamos e colocamos um filme qualquer para reproduzir na enorme televisão embutida na parede do quarto de Alex.

Alguns minutos depois, acabamos pegando no sono ao som da chuva incessante e penso nesse dia, como um dos melhores da minha vida.

*******

Finalmente chegou o dia da final do campeonato, todas estamos super nervosas e correndo de um lado para o outro.

Felizmente, o jogo será em um local bem perto do colégio, então poderemos sair alguns minutos antes de começar, o que nos dá mais algumas horas para treinar.

Quando chegamos na quadra, o nervosismo toma conta de cada integrante do time, o que nos obriga a parar por alguns minutos, respirar fundo e mentalizar coisas positivas.

O jogo começa minutos depois e quando o juiz apita, tudo à nossa volta muda.

Damos tudo de nós e cada ponto é conquistado com muita tática, estratégia e suor.

O último tempo é de muita tensão, e quando pensamos que vamos perder, conseguimos dar a volta por cima e fazer uma cesta de três pontos, garantindo nossa vitória.

Todos estão extremamente felizes e gritando com o resultado. Voltamos para casa com a sensação de dever cumprido e o primeiro que faço é ligar para Alex e contar tudo o que aconteceu. Infelizmente ele não pode assistir o jogo, porque tinha uma reunião com algum olheiro de dança, mas me fez prometer que ligaria assim que tudo terminasse.

Ele atende no segundo toque, e conto tudo, desde a nossa chegada na quadra, até o momento em questão. 
O garoto fica extremamente feliz, mas mesmo assim percebo algo na sua voz, uma sensação de tristeza e medo, que me deixa desconfiada.

— Alex, está tudo bem? -Pergunto com medo da resposta.

— Sim, Marjorie... porque? -Aí está novamente essa sensação estranha.

— Não sei... está diferente.

— É impressão sua.

— Tudo bem, será que podemos nos encontrar mais tarde?

— Claro que sim. Te mando uma mensagem, e Marjorie?

— Sim?

— Te amo. -Apesar de ter ouvido essa frase várias vezes, um sorriso involuntário invade meu rosto e suspiro aliviada. Talvez essa sensação estranha seja somente algo da minha cabeça.

— Também te amo, Alex. Até mais tarde.

Me despeço e encerro a ligação, entrando no chuveiro tomando uma ducha demorada.

*******

Duas semanas se passaram desde a nossa vitória e aquela sensação permanece. Alex está diferente, distante. Não sei o que está acontecendo. Perguntei várias vezes e recebi a mesma resposta: estou bem, está tudo bem.

Não quero pensar coisas como uma traição ou qualquer outra besteira parecida, mas sinto que estou sendo enganada de alguma forma.

Nas vezes que saímos, ele tentou agir normalmente, mas seu olhar denunciava outra coisa.

Já é domingo, e estou aqui pensando e tentando entender o que há de errado. Amanhã tentarei saber mais uma vez, e se ele não me responder algo, não sei o que farei.

*******

Acordo a contragosto e me arrumo para ir ao colégio. Estou estranhamente ansiosa, como se algo de ruim estivesse para acontecer.

Balanço minha cabeça enquanto estaciono, tentando deixar essa sensação de lado. Entro no colégio e vou direto para a sala de aula, encontrando Amanda no caminho.

Nos abraçamos e caminhamos juntas até as cadeiras. Minha amiga conta tudo o que aconteceu com ela e Marcel no final de semana, o pedido de namoro por parte do garoto, juntamente com um enorme pedido de desculpas. Amanda fala e fala e fala animada, mas eu só consigo pensar em uma coisa.

— Marjorie, está me escutando? -A morena pergunta de repente.

— Sim Mandy, que bom que Marcel finalmente criou juízo. -Disfarço e ela me observa atenta.

— Eu sou sua amiga a tempo suficiente para saber que você está estranha. -Solta e respiro profundamente.

— Não sei Mandy, Alex está meio estranho. Ele me diz que está tudo bem, mas posso notar isso sabe? Será que fiquei louca? -Confesso e Amanda me olha com uma sobrancelha levantada.

— Será que ele mentiu sobre aquela vadia da Melina? -A raiva na sua voz é tão evidente, que chego me encolher.

— Não acho que seja isso. Ele parecia temeroso de algo...

— Eu não sei o que pode ser, mas te garanto uma coisa, amiga, se esse idiota te fizer de boba, eu arrebento aquela cara bonita. -Amanda rosna, dando um soco barulhento na mesa, atraindo a atenção de alguns alunos que acabavam de chegar.

— Calma aí Mohammed Ali, primeiro temos que descobrir o que está acontecendo, depois deixo você bater nele, se for o caso. -Solto uma risadinha e ela se junta a mim, percebendo o quão ridícula era aquela situação. Bater em Alex novamente, não era a minha intenção. Aprendi durante esse tempo todo, que a violência nunca é a solução.

O professor da primeira aula entra na sala e todos nos calamos. 
Passo a aula inteira pensando em Alex, e contando os minutos para que possamos nos encontrar na hora do intervalo, para finalmente poder conversar com ele, mas estou com tanto azar hoje, que quando o sinal toca, recebo uma mensagem dizendo que ele teria que sair para falar com o pai, e que não voltaria mais para a escola.

Sinto meu corpo inteiro murchar e Amanda me olha nervosa. Ela não quer me ver triste, bastante já foi a semana que sumi, depois da morte do papai, então quando voltei, minha amiga virou um grude.

O dia letivo termina e o último sinal toca, indicando nossa liberdade.

Estamos prestes a ir para a quadra, quando encontramos o diretor Rogers nos intercede no meio do caminho.

— Meninas, precisamos conversar. -As palavras que aparentemente não significavam nada, causaram um medo pela forma na qual foram ditas conjuntamente com a expressão de tristeza do treinador.

— O que houve treinador? -Pergunto apreensiva.

— Vamos até a minha sala.

Sem dizer mais nada, ele caminha até a sala e se senta na cadeira simples, detrás da pequena mesa de madeira.

— Então? -Insisto novamente e ele suspira resignado.

— Tenho uma péssima notícia para vocês. -Todas ficamos em um silêncio absoluto, sem saber que as próximas palavras seriam tão dolorosas quanto um soco na boca do estômago. — A quadra vai ser demolida, para dar lugar ao salão de artes e teatro.

Ainda tentando digerir a notícia, ninguém diz nada. Todas se olham sem entender realmente o que está acontecendo, ou talvez tentando acreditar que aquilo não passa de uma brincadeira de mal gosto, já que acabamos de ganhar o campeonato estadual.

De repente todas começam a falar coisas sem sentido, umas gritando, outras chorando e algumas discutindo entre si, atirando culpas pelo ar, como dardos venenosos, até que algo explode dentro de mim, e antes mesmo de perceber, estou correndo para o lugar em questão, derrapando ao ver Alex parado do lado do pai, gesticulando com os braços, enquanto o Magnata o observa com uma expressão entediada.

— VOCÊ ME PROMETEU! -Grito, apontando o dedo para o garoto, que me lança um olhar assustado, entendendo exatamente do que estou falando.

— Marjorie, e-eu posso explicar... -Começa e uma sensação de dejavú me invade.

— Eu já escutei essa frase antes, Alex! Você me prometeu que falaria com seu pai, que ele havia concordado em não demolir a quadra! Não posso acreditar que caí nessa sua lábia de novo! -Digo mais baixo, tentando me acalmar. Alex se aproxima de mim e tenta tocar o meu rosto. Me afasto e vejo a tristeza no seu olhar.

— Marjorie, por favor, me escuta! Eu falei com ele, pedi, implorei, mas ele não quis me ouvir! No início, ele disse que manteria a quadra, mas o que eu não sabia, é que seria apenas até a final do campeonato!

— Você acha mesmo que vou acreditar nisso? Eu sou tão idiota!

— Tem que acreditar em mim Marjorie, eu te...

— Você me ama? Então por que mentiu quando te perguntei? Talvez seja mais uma das suas pegadinhas com a Melina não é mesmo? Talvez eu seja apenas uma diversão para você... -As palavras saem como enxurrada da minha boca, não consigo me controlar e vejo o exato momento em que lágrimas se derramam pela bochecha do garoto que amava.

— Eu jamais faria isso com você, e sabe disso. -Alex sussurrou ofendido, me fazendo me sentir a pior pessoa do mundo.

— Então porque não me contou a verdade?

— Porque eu tinha medo disso. -Confessou e entendi perfeitamente porque ele estava estranho esse tempo todo. Ele sabia disso antes, e não me disse nada.

— Eu preciso sair daqui... -Ofego e caminho para fora do lugar. Alex grita meu nome algumas vezes e tenho que controlar para não olhar para trás.

Na porta, vejo todas as garotas me observando com pena, o que me faz correr ainda mais até minha moto, com uma vontade enorme de sumir.

Alex sabia que aquela quadra era minha vida. Aquele lugar, aquelas meninas do time, o treinador, todos eles me salvaram de uma vida destinada ao fracasso.

Eu dava tudo de mim no basquete, e aquilo garantia minha estadia naquela escola. A bolsa esportiva. Agora sem isso, o que vou fazer? Terei que voltar para a escola do meu bairro, onde noventa por cento dos alunos fazem parte de alguma gangue e terei que arcar com as consequências de haver deixado as "inocentes".

Lutei tanto para estar aqui, e agora por capricho de um homem com dinheiro, terei que sair, já que jamais seria capaz de pagar uma mensalidade nesse lugar.

Corro pelas ruas da cidade sem rumo e sem vontade de voltar para casa.

Dessa vez, desliguei meu celular. Não vou mais cair nas mentiras de Alex, não quero mais saber dele, nem do seu pai, nem daquela maldita quadra.

De repente, uma decisão é tomada. 

 



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