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História Não é minha culpa - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Isso é um desabafo de uma história que eu não conseguia mais segurar.

Capítulo 1 - Por que?


Eu vou contar uma história que eu nunca contei para ninguém, e eu nunca contei porque eu tinha vergonha e eu achava que a culpa era minha, mas não é e nunca foi.

Isso começou quando eu tinha uns 8 anos, eu estava na casa dos meus avós, na piscina, quando ele entrou na piscina e começou a brincar comigo, ele sempre foi assim, muito divertido e eu adorava brincar com ele, éramos amigos, sempre fomos.

Mas foi nesse dia em que as coisa começaram a mudar, ele ficou me olhando diferente, eu era uma criança, e só percebi nesse momento, quando ele colocou a mão dentro do meu biquíni, eu achava que ele queria brincar comigo, mas quando eu falei pra ele parar, ele não parou, e quando eu tentei sair de perto dele, ele me segurou, como se tivesse me abraçando.

Ele não fez nada mais do que isso, até porque ele estava com meus avós, meus pais e a família dele. Mas foi nesse dia que tudo começou.

Minha mãe morava longe dele, então quando eu tivesse em casa eu estaria segura, longe dele. Mas algumas coisas aconteceram e eu acabei ficando sem ninguém pra cuidar de mim, então minha mãe me mandou pra casa do meu tio.

Nessa época, eu não me sentia segura e tinha problemas pra fazer coisas simples, eu não conseguia dormir, eu não conseguia ficar sozinha em momento nenhum, eu tinha que ficar ou com a minha tia ou com meus primos.

Eu dormia no quarto de meu primo, minha cama era ao lado da dele, mas mesmo assim, quando eu acordava, minhas roupas tinham sumido, estavam no chão ao lado da cama, ou minha calcinha estava abaixada, eu lembro que tinha dias em que ela estava ao contrario, ou na minha perna.

E, um dia, eu acordei com falta de ar, porque ele estava em cima de mim, quando ele percebeu que eu tinha cordado a primeira coisa que ele fez foi colocar a mão na minha boca pra eu não gritar.

Foi nesse dia que aconteceu.

Doeu muito, na hora pareceu que estavam me rasgando, me queimando. Eu tentava gritar, pra acordar meu primo, mas eu não conseguia, eu só desisti em certo momento e deixei ele terminar. No dia seguinte eu não queria levantar porque eu sabia que ia doer, eu sabia que as pessoas iriam perceber, mas eu não podia ficar na cama o dia todo.

Quando eu levantei, eu vi a mancha de sangue, então eu cobri com o cobertor pra ninguém ver. Quando eu fui pra sala, ele me segurou meu braço e falou que se eu contasse alguma coisa, eu iria destruir minha família, que ninguém iria creditar em mim, que era culpa minha, que eu não deveria usar roupas tão curtas...

Mas eu fiquei com medo e contei pro meu vizinho, ele sempre cuidava da gente quando precisava, mas ele me falou que eu não podia contar isso pra ninguém, porque se contasse seria muito pior, ele falou que eu deveria ficar quieta. Então eu fiquei quieta, por muito tempo.

Quando eu pude voltar pra casa dos meus pais eu contei pra minha mãe, mas ela achou que era mentira, que eu estava  inventando.

Teve um dia, em que estávamos na casa dos meus avós, e ele tentou passar a mão em mim, eu fique com medo e gritei, minha mãe falou que eu estava fazendo birra e eu apanhei. Eu lembro que quando eu olhei pra cara dele, eu vi um sorriso como se me desafiasse a contar alguma coisa, como se falasse que ninguém acreditaria em mim.

Um dia, ele veio na minha casa, e meus pais saíram pra comprar alguma coisa, ele olhou pra mim, e eu já sabia o que iria acontecer, então eu corri pro meu quarto e tranquei a porta, ele batia com força, tentando entrar, e eu só queria que os meus pais chegassem logo.

Eu tinha muita falta de ar, então minha mãe achou que eu tinha asma, mas mais tarde eu descobri que eram crises de ansiedade. Eu tinha medo de tudo, eu passei a usar blusas, e eu não deixava ninguém me tocar, eu tive crises de choro na escola, eu não falava com ninguém, por causa de tudo isso, eu sofria bulling.

Eu sabia que tinha algo errado comigo, eu tinha 13 anos e não era mais virgem. Ele me roubou minha felicidade, minha força, minha alegria, minha vontade de viver, minhas esperanças, minha voz, ele roubou tudo de mim.

Com tudo isso, mais o abuso físico e psicológico, eu tente me matar varias vezes, eu tenho marcas no meu braço, eu nem tentava esconder porque eu realmente queria conseguir tirar a minha vida.

Eu fui para um psiquiatra, cheguei a tomar 10 remédios diferentes por dia, antidepressivos, remédio pra dormir, remédio pra ansiedade, calmante, meu médico falava que queria me deixar sedada pra eu não me matar.

Minha mãe achou que era uma fase, que eu queria chamar atenção, mas quando me internaram em um hospital psiquiátrico ela percebeu que era serio. Mesmo lá, eu não contei pra ninguém.

Quando eu sai, eu já não queria mais me matar, mas ainda achava que a culpa era minha, que viver com isso era um castigo. Eu contei pro meu primo, porque éramos próximos e ele me perguntou o que estava acontecendo, mas claro que ele ficou do lado do pai dele, ele falou que se eu não quisesse contar eu não precisava inventar uma mentira.

Depois de um tempo, meu psiquiatra falou que se eu não deixasse ele ajudar, nada melhoraria, então eu contei, ele falou que eu deveria contar pra minha família, então eu contei.

Contei pros meus pais, pros meus tios e pros meus avós.

Minha tia falou que estava mentindo, que eu queria destruir o casamento dela, eu sabia que ela sabia da verdade, ela trocou os lençóis da cama, ela sabia que o marido levantava no meio da noite. Meus pais acreditaram, mas eles falaram que eu não deveria denunciar e nem contar pra ninguém, que isso seria perda te tempo, eu não tinha provas e ainda estragaria o nome da família. Os meus avós não falaram nada, acho que eles já tinham percebido, mas não fizeram nada.

 Ele roubou tudo de mim, e me fez pensar que era culpa minha, ele me machucou onde nunca mais vai cicatrizar. Ele saiu da minha vida, mas eu nunca vou esquecer o que ele fez. A marca que ele deixou em mim nunca mais vai desaparecer.

E no final de tudo eu só tenho uma pergunta: por que?

Por que tinha que ser eu? Por que você fez isso comigo? Por que você não parou quando eu pedi? Por que você me fez pensar que a culpa era minha, quando na verdade, era e sempre foi sua?


Notas Finais


É isso.
Desculpa pelos erros ortográficos.


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