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História Não é um pesadelo, você só está casado - Capítulo 5


Escrita por: e Fyrian


Capítulo 5 - Não é um pesadelo, você só mudou de ideia


Para Soojung, tudo tinha começado quando ela e Jongin se tornaram os babás oficiais de Joohyun.

Não era algo muito difícil, visto que Joohyun era tipo a criança mais educada e divertida da face da Terra. Jongin até tinha uma teoria que Tiffany e Taeyeon tinham criado a menina em um laboratório, porque não era possível existir criança tão gente boa daquele jeito.

- Isso é um absurdo, cara. – Krystal tinha dito rindo do namorado, que ainda observava a menina assistindo Ursos Sem Curso com um olhar falsamente suspeito.

- Fala serio, Soo! Olha ela lá, quietinha no sofá comendo pipoca e assistindo desenho! Que absurdo! E me diz se você já viu alguma criança que nunca fez birra no mercado, hein?! Lembra dos meus sobrinhos quando a gente decidiu olhar eles pro meu irmão por uma noite?! Só faltaram botar fogo nessa casa.

- Dramático.

- E tô errado?! Aquela peste do Jinhyoung tava tentando matar uma aranha de brinquedo com meu violão, Krystal! E a Jihye estragou todos os seus batons pintando a casa de bonecas dela na nossa parede. Quantas mãos de tinta a gente teve que passar naquela bosta? Cinco? E até agora não saiu!

- Tá. Então a Joohyun não é uma peste que nem as outras crianças, o que tem?

- Tem que eu quero entrevistar a Taeyeon e escrever um livro sobre o segredo do sucesso.

Krystal revirou os olhos: - Você é um ridículo, puta merda.

Toda aquela conversa era mais porque, desde o início do namoro, bem no primeiro encontro deles, os dois tinham deixado bem claro que não queriam ter filhos. Krystal não se sentia pronta pra ser mãe ou acreditava que seria boa naquilo, e ela não vinha bem de uma família onde o amor paterno era muito evidente. Nem mesmo com os pets de sua irmã ela lidava muito bem, então....

Já Jongin queria focar na carreira, e ele tinha noção que, mesmo que a maior parte do trabalho fosse para Soojung, ele obviamente iria ajuda-la em tudo o que fosse necessário. Mas aquilo significaria o fim do estilo de vida que os dois preferiam: Com viagens de última hora e decisões impensadas envolvendo dinheiro ou comidas misteriosas.

Basicamente os dois não se consideravam muito responsáveis pra cuidar de uma criança.

... Até Joohyun chegar.

Quando os dois conheceram Taeyeon e Tiffany, Joohyun já estava com três anos de idade e era a criança mais quieta e educada que eles já tinham visto. Ela tinha acabado de ser oficialmente adotada pelas duas, então Taeyeon tinha chamado Krystal para ajuda-la na decoração do quarto que seria da menina.

Krystal tinha passado a tarde inteira conversando com Joohyun, e a menina mostrou todos os desenhos de como ela queria que o quarto fosse. E, quando Krystal saiu conversar com Taeyeon e Tiffany sobre o que estava planejando, a menina já tinha conquistado Jongin quando pediu para que ele lhe ensinasse um passo de dança do programa infantil que ela gostava.

Claro que a experiência mágica com a menina tinha desaparecido quando, na semana seguinte, eles ficaram de babá dos filhos da irmã do Kim. Krystal tinha quase arrancado os cabelos quando viu o que a menina mais velha tinha feito com suas roupas e seus batons, fora o lance do violão de Jongin e a aranha de brinquedo ou o fato dos dois quererem botar fogo na casa só pra ver que cor as chamas iriam ficar.

Mas, de certa forma, ela tinha gostado de ver a casa movimentada daquele jeito ou como parecia certo forçar crianças a comerem legumes ou inventar uma história idiota só para eles irem dormir pra cama mais cedo.

- Acho que a gente leva jeito nisso, hein. – Jongin tinha dito do nada na noite seguinte, dando um beijo na testa de Soojung e se preparando pra dormir.

- É. – Krystal concordou baixinho, com medo de onde seus pensamentos iriam leva-la. – Acho que sim.

 

Depois daquilo os dois continuaram se oferecendo de babá esporadicamente para Taeyeon e Tiffany. Chamaram Joohyun para ser a daminha de honra de seu casamento e comemoraram felizes quando Jessica, irmã mais velha de Krystal, anunciou a gravidez em um almoço de família.

Krystal tinha conseguido a posição que queria na empresa de design de interiores que trabalhava e Jongin era tão requisitado em sua academia de dança pelas empresas de kpop que ganhava mais dinheiro que os dois poderiam gastar. E.... De repente a casa nova deles parecia pequena demais só para os dois.

O primeiro experimento em silêncio que fizeram foi de adotar um cachorro. Eles convidaram Joohyun para ir com eles até uma ONG na cidade vizinha que abrigava centenas de cachorros de rua e passaram o dia inteiro lá ajudando como podiam: dando banho, alimentando, brincando com os filhotes e até mesmo saindo para caminhar com alguns.

Jongin se sentia meio estúpido de admitir, mas ele estava atrás de um filhote. Seu pai tinha lhe ensinado desde pequeno que um cachorro só obedeceria o dono se fosse bem novinho e aprendesse desde cedo quem é que mandava. Mas é claro que Joohyun e Soojung iam se apaixonar por Peralta.

Peralta era um cachorro preto e magrelo de oito anos que não tinha um dos olhos e as patinhas tinham cicatrizes enormes. Assim que o viu, Joohyun tinha dado um gritinho e correu em direção ao cachorro, que latia feliz com os carinhos da menina.

- Que estranho – a mulher que os acompanhava comentou – As crianças geralmente vão nos filhotes.

- Serio?

- É, até mesmo os adultos, ninguém vai muito nessa área. – ela continuou com um sorriso. – O Peralta mesmo, está aqui tem quase cinco anos. Ele é super educado e bonzinho, mas sempre que o colocamos para adoção ele é um dos que sobram. Até hoje não sabemos se é por causa da idade ou pelas cicatrizes.

- E por que ele tem isso? Vocês sabem?

A moça engoliu em seco: - Bom, nós pegamos muito cachorros da rua aqui na ONG. Mas também resgatamos muitos de lares abusivos, o Peralta é um deles. Ele morava com um senhor que o colocava em brigas de cachorro, foi lá que ele perdeu o olho e ganhou todas essas cicatrizes. Mas é estranho porque ele sempre foi muito amável, ainda que quando chegou por aqui tivesse medo de tudo.

Krystal não disse nada, ela nem tinha colocado um dedo no cachorro ainda quando cutucou Jongin e falou com segurança: - É ele.

Duas semanas depois, Peralta já era o novo reizinho da casa.

E, ainda que a presença do cachorro tivesse animado os ânimos de Krystal, que acordava de manhã bem cedinho para leva-lo em caminhadas e mimava o cachorro com milhares de brinquedos que comprava no pet shop perto do trabalho. Os dois ainda sentiam que faltava alguma coisa, ainda que não conversassem diretamente sobre.

Até aquele dia.

Krystal tinha acabado de decorar o quarto para um casal de gêmeos e, como sempre, passou alguns dias conversando com as crianças e os pais. As crianças não eram educadas e legais como Joohyun, mas também não eram teimosas e birrentas como os sobrinhos de Jongin. Eram só crianças normais que brigavam pelo cor da parede ou por quem ficaria no lugar de cima do beliche.

- Nós podemos pintar o quarto de laranja, que tal? – ela tinha sugerido para os dois depois de um tempo – E aqui nós podemos construir em lados opostos um forte pra cada um, então os dois vão dormir em cima do “beliche” e onde ficaria a cama de baixo eu posso colocar uma escrivaninha para vocês fazerem as tarefas que tal?

- SIIIM!!! – as crianças tinham dito animadas. – MAMÃE, EU QUERO ISSO EU QUERO ISSO!

A mulher sorriu aliviada: - Claro, é perfeito Soojung, obrigada. – e então completou com uma piscadinha – Você leva jeito com crianças, sabia disso?

Krystal riu nervosa: - Haha, obrigada.

E foi com aquilo na cabeça e chegar em casa encontrando Jongin assistindo um filme qualquer com Peralta no colo que ela revirou os olhos e gritou o seu ‘foda-se’ mental, puxando Jongin para conversar na cozinha.

- Olha, eu sei que quando a gente começou a ficar a gente comentou que não queria ter filhos. – começou nervosa. – E eu sei que eu sempre tive certeza disso, mas.... sei lá.... tá tudo diferente, sabe? A gente já ganha bem e temos empregos estáveis, e o Peralta é super amável com todo mundo, especialmente crianças, então por que não?

- Krys....

- E, tipo, eu sei que a gente acha crianças umas pestes e tal. Mas eu acho que tô pronta pra isso, sabe? Eu tô pronta pra pintar as paredes da casa porque alguém rabiscou com giz de cera ou gritar até cair porque fez bagunça ou até passar por cima com o carrinho quando fizer birra no mercado. Eu acho que eu realmente quero isso, Kai.

Jongin sorriu: - Então vamos.

E naquela noite, a família deles começou de verdade, ainda que fosse assistindo desenho animado com Peralta pedindo carinho periodicamente. Era a família deles. Só deles. E era bonita.



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