História Não é uma história de amor - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abuso, Adolescente, Drama, Professor, Romance
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Palavras 2.394
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 5 - Aula de Educação Física


- Meninas, acordem - chamei as garotas que estavam apagadas na minha cama.

Elô dormia como um anjo, meu Deus! Até dormindo ela parecia uma supermodelo. Já Jess… essa estava jogada numa posição esquisita, o cabelo liso desgrenhado e o rosto redondo amassado. Jess é descendente de asiáticos, por isso seus olhos são levemente puxados.

Elô abriu os olhos, e se levantou com uma leveza assustadora, revirei os olhos. Ela passou os dedos pelos cabelos, e seu cabelo loiro excessivamente liso ficou perfeito.

- Ah, meu Deus, Elô! Que bruxaria você faz para acordar assim às 6 da manhã? - eu quase gritei - Olha pra mim, olha pra Jess - apontei para a garota que tinha acabado de se sentar na cama -, nós parecemos que acabamos de vir do inferno, é assim que uma pessoa normal se parece aí acordar. Não com a Gisele Bündchen.

Jess olhou pra ela por um segundo, e então para si mesma pelo enorme espelho na minha penteadeira.

- Atena tem razão, isso não é normal - ela disse, com a voz rouca de quem acabou de acordar.

- O que posso fazer - Elô deu de ombros - Eu sou linda de morrer.

- Tá bom - revirei os olhos - agora se levantem, temos aula de literatura inglesa no primeiro horário.

- Hum. Colírios logo no primeiro horário - Elô sorriu maliciosa.

- Acho que vou colocar aquela sua saia, Atena - Jess foi na onda de Elô.

- Qual saia?

- Aquela branca, justinha, que custou 200 reais.

- Você só pode estar brincando, Jess - arregalei os olhos, era minha saia mais vulgar.

- É claro que estava, Atena - ela revirou os olhos.

- Meninas - Elô chamou enquanto trocava o pijama pelo informe. - Praia hoje depois do almoço?

- Tem aula de artes depois do almoço - disse.

- Eu sei. Mas hoje nós vamos faltar.

- Elô, estava ensaiando uma música para o concerto de sábado.

- Ah, qual é, Atena - Jess disse penteando o cabelo - Você já sabe aquela música de cor, poderia tocá-la de olhos fechados.

- Tudo bem - disse colocando a saia do uniforme. - Meu motorista nos busca, vocês pegam um dos meus biquínis e depois vamos pra praia.

- Tudo bem - Elô e Jess concordaram.

Meu motorista nos levou para a escola. No caminho conversamos sobre assuntos aleatórios, sobre uma nova promoção que vimos no shopping, e sobre os garotos bonitinhos que da escola.

- Tem um garoto que se mudou de Manaus para cá, acho que é um morador de temporada, enfim, começou logo no primeiro dia de aula. Muito gostoso, vai estar na praia hoje - Elô disse -, você deveria beijá-lo, Atena.

- O quê? Não! - encarei Elô - Não vou beijar um completo desconhecido.

- Tá, ok. Eu ainda acho essa sua regra de não beijar garotos que não conhece idiota, mas a boca é sua.

- Eu também não entendo. Beijar na boca é muito bom, Atena. E não tira pedaço. - Jess disse.

- Eu acho que um beijo tem que significar alguma coisa, não quero beijar só por beijar. - disse - Sinto muito, mas sou romântica.

- A gente sabe - Jess e Elô beijaram minhas bochechas.

- E te amamos assim - Elô disse.

O carro parou em frente ao moderno prédio, do Colégio Santos Dumont. O colégio para filhinhos de papai.

Nós descemos do carro, ignorando alguns olhares e fomos para nossa sala.

Cinco minutos depois professor Daniel entrou. Naquele dia sua aparência estava impecável, não havia nem um fio de seu blazer fora do lugar. Ele colocou a pasta sobre a mesa e retirou seu blazer.

- Bom dia alunos - disse colocando o blazer no encosto da cadeira - Hoje vou entregar os contos que escreveram, corrigidos e com observações. Em seguida farei alguns comentários sobre 3 textos que selecionei.

- Jéssica Castro - ele chamou Jess.

Professor Daniel chamou mais uma dezena de Alunos, em seguida se levantou.

- Gostaria de que os alunos que não receberam seus textos levantassem a mão - eu, Elô e Gael levantamos a mão. - Certo, vamos começar com a Eloisa Becker.

- Sim? - Elô disse se levantando.

- Gostaria de falar sobre o seu texto? Talvez lê-lo. - O professor sugeriu.

- Sim, claro. - ela fez um barulho com a garganta, do tipo que as pessoas fazem quando a voz não está soando clara. Então começou a ler:

“Aqui, em meu leito de morte, contemplo meus acertos e erros na vida. Meu maior erro, com certeza foi não ter me permitido amar mais.”

Elô parou de ler.

- Acho que não quero ler - disse encarando o professor - Meu texto fala sobre uma senhora, que em seu leito de morte escreve uma carta para seu grande amor da juventude, seu grande amor era a esposa de seu irmão. Ela estava morrendo, então tocou o dane-se e disse: É cunhada, eu sempre te amei.

- Os três que não receberam seus textos, foram, na minha opinião, os melhores da turma. Eloisa escreveu sobre um romance entre pessoas do mesmo sexo, de forma original. O fato da história ser em formato de carta, essa que a personagem escreve de seu leito de morte, deixa tudo com um ar de nostalgia e pesar. Parabéns Eloisa.

Elô sorri e se senta.

- Em seguida Gabriel Albuquerque.

Gael, irmão gêmeo de Beto, tem toda a beleza do irmão e mais um quê de sensibilidade. Um verdadeiro príncipe encantado, mas nunca namorou nenhuma garota da nossa idade, alguns suspeitam que ele seja gay. Eu acho que ele é tímido, apenas isso.

- Meu texto é sobre o romance entre um garoto autista e sua melhor amiga.

- O Gabriel abordou um tema pouco falado, os transtornos de desenvolvimento, de forma brilhante. A escrita é clara e ele passa os sentimentos do personagem de maneira que cativa o leitor. Parabéns Gabriel.

Em seguida era minha vez.

- Por último, Atena Medina.

Me levantei.

- Atena, seu texto se destacou pela criatividade, quer lê-lo? - balancei a cabeça.

- Eu escrevi sobre o filho de um general Nazista, que se apaixona por uma Judia, durante a Segunda Guerra Mundial.

- Atena, seu texto é muito bom, criativo, a escrita é madura. Minha única ressalva é a falta de ousadia, você escreveu pelo ponto de vista dele. Você tinha uma personagem forte e maravilhosa nas mãos, tinha a chance de dar voz aos oprimidos, mas escolheu dar voz ao opressor.

Abaixei a cabeça, por que ele não tinha me dito tudo isso naquela noite? Por que esperar até eu estar de pé, no meio de uma dezena de pessoas? Ele tinha dito que tinha adorado meu texto, amado de verdade, que o meu era o melhor. Por que ele tinha dito aquilo se não era verdade?

- Irá haver um concurso de contos sobre diversidade, selecionei os textos de vocês para inscrever no concurso. Eloisa, Gabriel - os dois o encararam - Quero que vocês leiam as minhas observações e façam as correções necessárias, em seguida me devolvam para eu efetuar a instalação de vocês no concurso. Atena - ele me encarou - Quero que reescreva a história sob o ponto de vista dela, e em seguida sob o ponto de vista de um narrador onisciente, se precisar de ajuda estarei aqui.

Assenti, a aula continuou com uma leitura sobre Romeu e Julieta, mas eu não conseguia me concentrar, tudo o que eu pensava era naquele maldito texto.

Quando a aula terminou, eu continuei na sala, teríamos Educação Física em seguida, e a turma toda começou a ir para o vestiário. Mas eu me levantei e caminhei até a mesa do professor.

- Tem um minuto? - perguntei.

Professor Daniel tirou os olhos da pasta em que guardava alguns papéis e me encarou.

- Sim?

- Por que fez isso? - perguntei quando estamos a sós.

Eu tinha dito a Elô e Jess irem na frente, e todos os outros alunos já tinham ido também.

- Isso o que, Atena?

- Por que mentiu para mim? Por que me elogiou quando estávamos a sós e então me criticou na frente da turma toda?

- Eu sempre disse a verdade Atena, os elogios que te fiz eram verdadeiros - ele disse.

- E quanto às críticas?

- Também são verdadeiras - Ele se levantou e parou ao meu lado - Olha, Atena, a sua história é muito boa, você tem potencial - ele se aproximou mais um pouco, ficando a cinco centímetros do meu rosto. - Por isso as críticas, acho que se você se permitir voar mais alto, se permitir explorar todo o seu potencial, será grande.

- E se eu falhar? - arqueei a sobrancelha, minha mão estava sobre a mesa e ele a tocou com a sua.

- Você não irá - garantiu.

- Mas e se…

- Eu acredito em você - ele me interrompeu -, acredite em si mesma. E se você cair, eu estarei aqui.

Ali, naquela sala, encarando aqueles olhos azuis, eu sentia que podia, sentia que era capaz de qualquer coisa. Havia uma luz naqueles olhos, uma luz que acelerava e parava meu coração, tudo de uma só vez.

Eu engoli em seco, nervosa pela primeira vez na vida ante à uma presença masculina. Daniel, tão próximo a mim, era como fogo prestes a me queimar.

- Vai? - arqueei a sobrancelha.

- Vou - ele disse.

Nós nos encaramos, eu não conseguia desviar o olhar, não queria. Mas então uma palavra ecoou no fundo do meu cérebro, professor… a constatação me atingiu como um raio. Dei um passo para trás, o que eu estava fazendo? O que era aquele clima?

- Eu tenho que ir - disse nervosa -, tenho aula de educação física agora.

- Até logo - ele disse sorrindo.

Eu saí correndo de lá.

- O que aconteceu? - Elô perguntou quando eu parei ao lado dela, 15 minutos depois do início daquela aula.

- Nada - dei de ombros. Eu esperava que meu rosto não estivesse vermelho, para que Elô não desconfiasse de nada. - Eu só estava enrolando no vestiário.

- Sei - ela disse, o tom de voz cheio de desdém. Como se não acreditasse no que eu dizia, mas não quisesse contrariar.

- Onde está Jess?

- Jogando Handebol na outra quadra.

Eu ainda estava meio nervosa então fui para onde um grupo jogava vôlei, um esporte no qual eu era boa me faria bem.

- Hey, Atena - alguém gritou meu nome, me virei para olhar e em seguida senti o impacto.

Eu caí. Fiquei tonta, por alguns segundos completamente desorientada e então havia uma dezena de pessoas a minha volta. Meu nariz doía, e minha cabeça também, e eu não sabia ao certo se a bola havia acertado meu nariz ou se eu tinha o batido na queda.

- Eu sinto muito - a mesma voz, grossa e macia, que tinha gritado meu nome, disse.

Levei alguns segundos para reconhecê-la, era Gael, o príncipe irmão do Beto. O rosto angelical apareceu sobre minha visão. Ele se abaixou ao meu lado e me ajudou a levantar.

- Vou te levar para a enfermaria. - ele disse, a voz repleta de preocupação.

Eu queria dizer que estava bem, que ele era muito gentil. Mas estava um pouco desorientada, e não sabia muito bem como colocar os pensamentos em palavras.

Nós caminhamos um pouco e paramos em frente a enfermaria. Pelo canto de olho pude ver professor Daniel passar pelo corredor e me encarar com as sobrancelhas unidas, havia uma mistura de confusão e preocupação em seu rosto.

- Estou bem - disse quando Gael me ajudou a sentar na maca.

- Sinto muito - ele repetiu.

- Estou bem, Gael, sério. Não precisa ficar se sentindo culpado. Sei que não fez de propósito. - tentei tranquilizá-lo.

- Sabe? - ele perguntou confuso.

- Você é um principe, Gael. Príncipes não machucam princesas em perigo - fiz uma pausa e sorri -, e nem mesmo garotas independentes como eu.

Ele sorriu para mim, um sorriso branco e sincero, capaz de iluminar o mundo.

- Príncipe é?

- Ninguém nunca te contou? - perguntei surpresa - A gente te chama assim desde o nono ano, quando você ajudou aquele garoto que seu irmão ia machucar.

- Sério?

- Sério, alteza, vocês são como gêmeos opostos, bem e mal, rio e oceano. Apesar de eu não achar Beto tão ruim assim.

- Como assim?

- Todo mundo acha o Beto um filho da mãe, e ele é, de verdade. Mas acho que ele não é tão ruim assim, éramos amigos, lembra? Antes do nono ano.

- Lembro.

Acho que a pancada me deixou atordoada de verdade, porque eu continuei falando, mesmo sem saber ao certo o que estava falando.

- E ele era legal naquela época, acho que a vida nos muda, mas não muda nossa essência. - disse - Somos humanos, fazemos coisas ruins, não quer dizer que sejamos ruins.

- Acho que a pancada foi bem forte - Gael sorriu.

- É - concordei - acho que sim.

- Mas eu não menti. Sobre nada - acrescentei.

- Onde está a enfermeira? - Gael perguntou se sentando ao meu lado.

- Sabe o que acabei de perceber? - disse, eu estava pensando em uma coisa totalmente aleatória.

- O quê?

- Eu sou a única pessoa dessa escola sem um apelido - Gael riu, e eu o acompanhei. - É sério, você, o Beto, a Jess, a Elô, todo mundo tem um apelido, menos eu. Até o seu pai tem um apelido.

- Acho que não existe um apelido possível para Atena, quer dizer - ele fez uma pausa para pensar -, até tem, mas são todos horríveis. Quer dizer, Atê, Tena, Naná. Nenhum deles é sequer razoável.

- Acho que talvez eu devesse mudar de nome.

- Eu acho que não deveria - ele disse, seu olhar fixo no meu. -, Atena é um nome lindo. A deusa da sabedoria, das artes, da justiça, da inspiração, da força. Para os Romanos era Minerva. É o melhor nome de toda a escola.

Gael se aproximou. Estar ali com ele era fácil, tudo com Gael era simples, preto no branco. Ele te fazia se sentir especial sem precisar se esforçar.

Ele passou uma mecha de meu cabelo para trás da orelha e se aproximou, seus lábios estavam prestes a tocar os meus, eu sabia. Me preparei, aquele beijo significava algo? Deveria permitir ou afastá-lo? Eu não sabia o que faria, mas não precisei decidir, alguns instantes depois a enfermeira entrou pela porta.

- Atena, soube que levou uma bolada, como está se sentindo? - ela perguntou, lendo algo em uma prancheta. Rapidamente Gael se afastou.

- Estou bem, enfermeira Luci.

- Que bom - ela sorriu - Vou te examinar.

- Tudo bem.



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